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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Começando pelo Princípio…

No Princípio, dizem,
foi uma modesta torre
plantada nas faldas do Roborêdo
por um certo capitão
Mendo Corvo de seu nome…
Depois a Torre fez-se aldeia
e a aldeia fez-se villa
pela mão do senhor D. Dinis,
de boa memória, O Lavrador,
que em 1285 lhe deu foral
- é o que a História nos diz.

E a villa cresceu…
Era Torre de Mem Corvo.
Teve castelo altaneiro
e quis ter catedral
(mesmo com pouco dinheiro)
para com ela vir a ter um bispo
que a elevasse ao sonhado papel
de cidade episcopal.
E a catedral fez-se,
demorou tempo, mas fez-se!
mas bispo não houve
que a Miranda foi parar.
E nem o ser a maior comarca do reino,
nem todo o cânhamo da Vilariça
para as cordas e velas das naus da Índia,
nem os celebrados melões do mesmo vale
para a (sobre)mesa de el Rei,
nem todo o ferro da serra do Roboredo
para as espadas e balas de canhão,
no ardor das guerras lutando,
nem a fineza da nobreza,
nem o trato dos mercadores,
nem o suor do povo labutando
sofrendo frios e calores,
nada disto nos bastou
para se cumprir o Sonho
da villa ser Cidade…

No entanto muitos assim a chamam
e dizem catedral da nossa igreja
porque o que parece é,
mesmo não o sendo.
Resta a distinção e o porte altivo do casario,
o casco e a cascata urbana,
apinhando-se no morro do Castelo,
ombreando com o prisma coroado da torre,
que parece ter um diadema de rainha.

Lá mais acima o Roboredo espreita,
monte de ferro e de druídicos carvalhos.
Cá em baixo o Douro e o Sabor abraçam-se
enquanto a Vilariça, cheia de preguiça,
entra no cortejo... e lhes prega um beijo!

É Torre de Moncorvo,
esperando a sua visita!!!

* * *

Peço desculpa aos nossos fotógrafos-poetas
Por este ‘entremezzo’ de palavreado.
E aos leitores que não gostam de tantas tretas,
Desculpem-me este poema destrambelhado!

Ainda por cima sem imagens
A não ser as pretensamente literárias;
Sobram-nos as belas paisagens
Das vossas fotos extraordinárias!

Henrique de Campos, 07.05.2008

5 comentários:

Xo_oX disse...

Belo poema.
Não vai ser difícil aparecerem também bonitas imagens para alternar com tão ilustres versos.
Também gosto de ler poesia. Há alguns livros de poesia de poetas de Moncorvo?

Nelson disse...

Viva Aníbal, em nome do H. de Campos agradeço a generosidade da apreciação. Sobre poetas moncorvenses, têm sido publicados alguns poetas populares e existem duas ou três coisas em edições de autor. Dos mais antigos, como Campos Monteiro, nunca mais se reeditaram (excepto as novelas que compõem os "Ares da Minha Serra", entretanto já esgotado). De resto, suponho que há algumas pessoas que escrevem "para a gaveta", pelo que seria pertinente editá-los aqui no blog. - Fica mais este repto.
Pode-se crar um título do género: "Poetas moncorvenses - X", que sairia de vez em quando, até ilusttrando algumas fotos.

vasdoal disse...

Grande poeta. As palavras também pintam.Divina aguarela histórica.

Ana disse...

belo, muito belo Henrique.
Parabéns

Anónimo disse...

Palavras de Henrique Campos valem por si e deixam ver tudo o que se quiser.
Para quando o dia de Henrique Campos?!

É um poema belo e "enraivecido"!
Beijinhos
Teresa

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