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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Comentários moderados


Como seria de esperar, o sucesso crescente do Blogue traz também visitantes menos interessados, até incomodados, que procuram desmoralizar aqueles que prescindem de algum do seu tempo para aqui partilharem as suas ideias e emoções.
Este espaço nunca pretendeu ensinar, nem dar lições a ninguém. Para isso teriam que nos pagar. Tal como o nome do Blogue indica, o objectivo é descobrir. A descoberta é um acto individual, que aqui é partilhado, permitindo outras abordagens, outros percursos de descoberta.
Desde início que se colocou a possibilidade dos comentários do blogue poderem ser moderados. Não o foram, porque essa foi opção tomada. Entramos num novo ano que se imagina quente, temos que manter o sangue frio. Para evitar ataques pessoais, anónimos ou não, ou aproveitamento deste espaço, os comentários, a partir de hoje, passam a ser moderados.
Lembro os mais incomodados de que a Internet é muito grande, há tanto espaço por aí...

17 comentários:

LOPES disse...

Defendo desde já a ideia a qual venho defendendo já à bastante tempo eu próprio sofri ataques no arranque do Blog de Mós, ou seja pessoas que nunca se identificaram ignorando tudo e todos ou seja parecendo defender interesses politicos ou comerciais, mas podemos ir mais longe caso o pretendam poderemos instalar a busca e identificador de IP e rede [activada], para caso o pretendam identificar e proceder criminalmente contra essas pessoas, porque existem pessoas que lançam bocas sem qualquer fundamento pretendendo lançar a confusão e ignorando tudo e todos.
Atenciosamente
Cumprimentos

N disse...

Bem, sou forçado a dar razão ao Lopes e a aplaudir a decisão do nosso Blogmaster. Durante algum tempo até aceitei que houvesse pessoas que não se quisessem expor, ou por modéstia, ou para não suscitarem a verrina de seres odientos cuja motivação é a inveja e o despeito relativamente a quem faz ou tenta fazer alguma coisa, ou, pura e simplesmente, não tenha o mesmo pensar. Eu próprio assino simplesmente com uma letra, que pode ser N coisas, N nomes... ou Nada, ou Ninguém. Às vezes, o simples facto de existirmos incomoda terceiros... talvez tenha a ver com feromonas, pois os cães do meu bairro, quando passa um que não tem cheiro compatível com os demais, é ladrado e às vezes mordido. Como bem disse o Rogério este é o lado negro de Torre de Moncorvo e não vale a pena estarmos aqui a dourar a pílula dizendo que esta é a melhor terra do mundo (é-o, de facto, há boas pessoas, mas também há muito veneno): e se aparecerem 3 a tentar fazer algo, logo aparecem 30 a deitar abaixo! E, nesse aspecto, o factor "praça" é determinante. Normalmente quem por lá anda, não anda a dizer bem de ninguém, nem a desenvolver ideias construtivas. E a "praça grande" estruturou a pequenez e a tacanhez da terra: instalou-se nos cérebros e colou-se à pele de alguns. Tornou-os recalcitrantes, azedos, verrinosos. Se tudo faz falta a uma comunidade, até mesmo alguma dose de veneno q.b., o que é a mais traz moléstia. São estas as forças de bloqueio, o "dark side", os factores de atraso, o submundo que quando tem oportunidade emerge para a ferroada fatal e para dizerem que existem. Estavam a tardar aqui neste espaço. Era previsível que com o crescimento do blog aparecessem, como o aluno mal comportado do fundo da sala, que arrota, bate no colega e atira com a carteira para chamar a atenção. Com a agravante covarde do anonimato... Como a nossa democracia não é perfeita (a Liberdade só é compatível com a responsabilidade e com o respeito pelos outros), então tem que ser filtrada. Assim o querem (alguns), assim seja, para todos. Concordo com esta decisão e esperemos continuar a receber os contributos dos Moncorvenses de boa Vontade (com ou sem nicks), mas deixando ao coordenador do blog (eu só sou um simples colaborador) o critério editorial.
N.

Daniel de Sousa disse...

Já agora também queria deixar um simples comentário. O meu estatuto de recém-chegado determina-me alguma reserva circunstancial, mas não me coibe os princípios. Não temo nada de nada, já pisei muito mundo e o que fiz fala por mim. E há coisas que enformam o meu carácter de modo indelével. Uma delas é o horror absoluto à punhada anónima. É uma fétida excrescência , uma chaga, um esgar grotesco da natureza humana. Não merece sequer que com ela nos detenhamos. Já tive oportunidade de ver o magnífico trabalho que aqui tem sido feito, com muita qualidade, com um carinho iniludível à terra á qual de algum modo estamos todos ligados.
Trabalho que deve continuar, desvendando o património, defendendo a gente transmontana, tentando superar o isolamento histórico do nordeste que só a coragem e o voluntarismo dos verdadeiros transmontanos tem ajudado a minorar. Homens e mulheres de magnífica qualidade humana, simples mas fortes na sua dignidade . Para esse combate - o da verdade de cara bem destapada- aqui me terão.
Daniel de Sousa

LOPES disse...

Atenção para aqueles engraçadinhos que adoram fazer comentários anônimos, deixando palavras e expressões obsenas, ofendendo e fazendo calúnias dos blogueiros e de entidades locais e nacionais, tenha cuidado com o que escreve, o seu comentário poderá ser utilizado contra você na justiça.
Caso muitos não saibam existem formas de identificar a pessoa local e computador seja rede fixa seja rede móvel de internet,ou seja a origem de todos os comentários impróprios, difamação, injúrias etc.

Anónimo disse...

Caro N.,
Escrevi este texto no blog dia 20 de Dezembro:
Um texto é um texto ,seja assinado por um anónimo ou com nome próprio, apelido ,B.I. etc.
O blog tem que estar protegido contra todos os vírus, quer informáticos quer humanos. Tem que ter um código de ética, de estilo .
Nenhum texto pode entrar directamente na Web .É da responsabilidade da redacção defender o conteúdo , a qualidade e a respeitabilidade do blog.
O que se passou com os comentários ao texto do professor Rogério Rodrigues ,não pode repetir-se. Retirar os textos de carácter pessoal e insultuosos depois do insulto é demasiado tarde e afecta o bom nome do BLOG, ...
Respondeu :”Acho que cada um é que deve ter o sentido de responsabilidade e não se exceder...”
E a praça ,as 4 esquinas, com duas barbearias e uma botica ,a praça das regateiras e o soalheiro do adro? Calaram fundo ,fizeram escola ,são hoje , tradição.
A lenda de Mendes Corvo, na versão excelente da Dr.ª Júlia fala de um lago nas Aveleiras. E o pântano/praça dos mentescorvos ,lá está no seu lugar de sempre ,Nelson.
Fizeram muito bem dar-lhes com a porta na cara. Na nossa casa , só entram os amigos. Aos gatunos e cães vadios cartuchos de pólvora e sal .Sempre que se coçam identificam-se.
Firmeza malta que a razão tem muita força.
Sempre ao vosso /nosso lado.
Zé do Cabo

Anónimo disse...

Apostila;
Não há situação que não se transcenda pelo desprezo ou humor.
Disse um tal Albert Camus ,argelino, como Santo Agostinho e Zidane.
,eeh,eeh,eeeh.
Zé do Cabo

Farinha disse...

Ao consultar este Blog no dia de hoje como Jurista reparo e tenho três apreciações desde já a fazer.
1- Como todos os anónimos devem ou então deveriam saber difamações e injúrias dirigidas a autores e administradores/webmaster`s são punidas pela Lei Internacional.
2- Caso esses senhores não saibam não é preciso como já li penso que dito pelos meus conterrânios Nelson, Lopes, Leonel Brito, terá sido um deles, é sempre detectável donde vem o comentário menos compatível com a ideia do blog, a própria Google, proprietária do Blog detecta caso assim o pensam a origem ou seja nome/morada/IP etc.
3- Estou desde já disponível e breve espero estar com alguns dos autores do Blog,para poderemos agir em conformidade da lei, porque pessoas com caracter indigno não podem passar em claro.
Farinha - Moncorvense

N. disse...

Caro Zé do Cabo, pois, sou forçado a dar o "braço a torcer". Embora sabendo do que a "casa gasta", às vezes esforço-me por me convencer (e aos outros) q não é bem assim, e que todas as opiniões são válidas, etc., etc. Claro que são, mesmo quando o tal cavalheiro considerou q o blog era uma "chachada" e quem aqui andava era tudo uma cambada de "parasitas" (palavras q usou), estava no seu direito; mas a seguir veio logo a fulanização... ou seja, os ódios mesquinhos de estimação, a farpadadizanha cobardolas, o palavrão grosseiro a propósito do "mexilhão"... Prontos! - E daqui a pouco, mesmo q ignorássemos, e deixássemos estar e ninguém respondesse, o dito amanhã trazia mais uns amigos a fazerem o mesmo, e mais outros (os tais da "mente da praça"), sempre anonimamente, pois normalmente "o cão de vila é morde e fuje" (diziam os da aldeia), e tínhamos aqui uma latrina... Na minha santa ingenuidade às vezes ainda me iludo com o sonho de uma Atenas Cultural, de cidadãos livres respeitando a liberdade dos outros, mas depois acordo e... temos a Realidade, que não se compadece com as ilhas da Utopia e não sabe quem foi Thomas Morus...
A foto que ilustra o post sobre a "filtragem", de autoria do Aníbal, não podia ser melhor escolhida: um Hospital, no sentido mais medievo do termo, não era um sítio onde se curavam as feridas (embora também o fosse, e a palavra ganhou este sentido); mas era um albergue para o viandante, o peregrino, o sem-abrigo, o forasteiro, o que viesse por bem - neste sentido, derivou em castelhano: Hostal... e em português: HOSPITALIDADE. E este nosso Hospital do Espírito Santo de Torre de Moncorvo, com raízes porventura medievais (o edifício, apesar das obras de reconstrução cuja data se lê no lintel: 1726, é dos raros da vila que ostenta elementos manuelinos), era um albergue para quem passava (peregrinos de Santiago?). Mas tinha algumas obrigações, q estavam (e estão) escritas lá dentro, gravadas no granito da parede, do lado direito da entrada. Claro que são obrigações em prol dos beneficiários. Mas, obviamente, estes também não podiam entrar por ali dentro a partir tudo ou a insultar quem estava. Obviamente eram postos na rua... e a porta fechada, momentaneamente, como está na foto!... Uma porta que normalmente devia estar aberta. Mas, neste caso, como diz uma outra inscrição em latim que está no interior da Misericórdia (no Castelo): "Bate e abrir-se-á" (não a sei dizer em Latim, língua que lamentavelmente não domino, mas lembro-me de a ter traduzido, há anos, com ajuda de um dicionário - quem fôr curioso, vá lá ver...).
Por isso, por causa da falta de civismo de alguns pobres (de espírito) tenho que aceitar que agora se tenha de bater a esta porta, e, quem vier por bem, seguramente, ouvirá cá de dentro o célebre: "Entre quem é!...." (os outros, os q acharem que isto é tudo uma chachada e que o "pachado não interecha a ninguém, chó aos parajitas que não fajem nada, o pugrécho é que é! bão majé trabalhar malandros!" como aquela personagem de Os Contemporâneos, bem, continuem caminho por esta rua abaixo, que lá têm a praça grande para espraiar a bílis...
N.

Anónimo disse...

Caro conterrêneo Farinha,
como foi quase em simultâneo, só depois de inserir o meu (para não variar, extenso) comentário, é que vi o seu. Acho que isso seria dar demasiada importância a quem não a tem. Não é preciso ir mais longe, pois agora quem pretender fazer comentários, ao saber que serão primeiro analisados, e que podem ser melhor identificados e, para pior (que chatice!) não sai logo a farpinha em tempo real, perdem logo a motivação... - Por isso acho que o assunto fica resolvido e nem se fala mais nisso!
Mas é sempre bom termos um jurista por perto! O nosso Obrigado, com um abraço cá de cima.
N.

Anónimo disse...

Faço parte desse grupo de leitores que desde os primeiros dias do blogue, habituei-me a dar uma olhadela, sem contudo ter alguma vez escrito algo. É certo que em alguns arquivos, em especial no ja celebre artigo do Sr. R. Rodrigues, alguns comentários foram feita de uma forma mediocre e irresponsavel (situaçäo normal nos blogues e foruns en portugal, que as pessoas utilizam para o insulto e para a desqualificaçäo pessoal...). Nao podemos no entanto generalizar já que, a quase totalidade dos comentarios, ás dezenas de artigos aqui publicados, säo respeituosos para com o seu autor.
Agora perante uns poucos comentarios "menos conseguidos", tentar moderar, e incluso ameaçar judicialmente (!!!!!!) como alguns defendem parece-me un exagero. Sou da opiniäo que estes sitios deveriam ser abertos a todas as opiniöes. Mesmo as mais estupidas, pois entendo que os seus autores, com o tempo e lendo as mais inteligentes, ou melhoram ou acabam por sentir-se a mais neste espaço de liberdade...
Näo queria acabar se contudo dizer, que por frequentar a praça e outros sitios da vila, näo faz de mim un "verrinoso" e outros simpaticos qualificativos defendidos por alguns....Ahhh, mas esses defendem a moderaçäo!!!!
Agradeço a oportunidade que me däo de expressar a minha opiniäo...
M.M.

Anónimo disse...

Porta, portão ,portal ,isto anda tudo ligado ,caro N,.
O outro pregou as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. A foto da porta do hospital, hoje capela, está mesmo a pedir uma pregação virtual das regras do blog.
Entre, quem vier por bem!
Zé do Cabo

LOPES disse...

Amigos e visitantes,
as notícias sobre a nossa terra e as suas gentes continuam, seguir em frente é o nosso destino.Devemos é travar quem não se interessa pela nossa terra e no fundo toda região transmontana.

AGoncalves disse...

Bom, tenho tentado "olhar" esta polémica com o distanciamento possível. Apesar de andar na blogosfera há relativamente pouco tempo, tenho alguma experiência, e sabia que isto ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Abrir um "espaço" público, é estar sujeito a toda as espécie de sensibilidade, educação e cultura, seja esse espaço um blogue, uma loja ou um café. Condicionar o acesso ou a participação pode evitar alguns problemas, mas acaba por afastar pessoas que de outra forma poderiam até ser uma mais-valia. Não tenho nada contra os Anónimos, contra o uso de um nickname ou alcunha, desde que expressem e defendam as suas ideias com correcção e respeito pelas ideias diferentes. A agressividade, quer por parte dos comentadores, quer por parte dos colaboradores, não resolve a questão, normalmente acende ainda mais a fogueira. Não é necessários usar palavrões para se ser agressivo, mas não devemos seguir os mesmos caminhos daqueles que criticamos (é uma tentação).
Também não devemos empolgar muito o que aconteceu, isso seria dar importância a uma coisa que não o merece. Além disso, estamos a canalizar o nosso tempo e a nossa energia para algo que não enriquece o Blogue.
Pouco importa ter um Blogue interessante, bonito, se ele não tem visitantes e não permite a participação. As coisas são feitas por/com prazer, mas, só fazem sentido, se forem vistas, lidas, participadas, criticadas, enriquecidas. Só assim poderá ser um Blogue de Torre de Moncorvo e não de A, B ou C.

N. disse...

Caro Aníbal, concordo com o que dizes, e já o escrevi antes, quanto ao não valorizar excessivamente as "bocas" de um certo anónimo; mas também como muito bem escreveste, estamos a entrar num ano "perigoso". E o crescimento exponencial dos visitantes (como se prova pelo gráfico q postaste) arrasta de tudo. Também escrevi q não me incomoda que haja comentários anónimos ou com nicks, desde que sejam oportunos, assertivos e, mesmo sendo críticos, com respeito pela opinião dos outros. Por exemplo, como lembrou atrás o sr.(ou srª) M.M., mesmo na pequena "polémica" decorrente do post do Rogério sobre o grupo teatral, julgo que, mesmo no limite, não se descambou. Mas, como bem admites, há o risco de vir por aí mais lenha, num cenário de "mare liberum"... A "Pietá" de Miguel Ângelo foi vista por milhares, ou milhões de visitantes, num dos museus do Vaticano, até um louco lhe cair em cima com uma marra e a partir - hoje é uma peça colada (numa operação caríssima) e que só é vislumbrada através de vidro à prova de bala. Bastou 1 sobre 1.000.000. O vandalismo existe, os desestabilizadores existem, a verrina existe. Tentei acreditar que não apareceriam por aqui, mas o indício levou-me a corrigir a opinião inicial.
E, naturalmente, o frequentar a praça não faz de quem lá anda, "ipso facto", um verrinoso. Eu escrevi: "Normalmente quem por lá anda, não anda a dizer bem de ninguém (...)" - sublinho o "normalmente": o que pressupõe que, excepcionalmente, até pode acontecer que sim...
Talvez seja um complexo meu, uma "ágorafobia". Só sendo "mosca" e deambulando por entre o pessoal que pára ali pelos bancos, de ouvido apurado (métodos que ninguém defende, a lembrar outros tempos) é que se poderia provar se é assim ou não. Se calhar até dava um post interessante aqui no blog: "Conversas da Praça"... o que por lá se diz?... talvez o nosso visitante MM, que desde já saúdo, pudesse fazer um apanhado do que fosse aproveitável dessas conversas e me corrigisse o "feeling"... A intuição que tenho é que quem lá passe é, de imediato, notado e anotado com uma série de comentários pouco abonatórios. Se é desconhecido(a), vem logo a primeira pergunta de "catalogação": quem é aquele(a)?, que fará? com quem anda? quem lhe paga? quanto ganhará? - para já não falo na politiquice... (e a resposta - dedução minha- do vizinho do lado, será tudo menos lisongeira...). Quando falo no "espírito da praça" é disto que falo. Estarei enganado? haverá de tudo? talvez... (mas e a maioria? a quase-generalidade?...). É uma opinião (a minha) e, como tal, como digo sempre, vale o que vale, até que me provem o contrário.
E, como prometido, não voltarei ao assunto!
N.

Júlia Ribeiro disse...

Grande Nelson. Aplaudo a sua decisão.

E se fechássemos com um poema imortal de J.L. Borges?



Jorge Luis Borges

CRISTO NA CRUZ

Cristo na cruz. Os pés tocam a terra.
As três vigas são de igual altura.
Cristo não está no meio. Ê o terceiro.
A negra barba pende sobre o peito.
O rosto não é o rosto das lâminas.
È áspero e judeu. Não o vejo
e o seguirei buscando até o dia
último de meus passos pela terra.
O homem violado sofre e cala.
A coroa de espinhos o lastima.
Não o alcança o escárnio da plebe
que viu sua agonia tantas vezes.
A sua ou a de outro. Dá no mesmo.
Cristo na cruz. Desordenadamente
pensa no reino que talvez o espera,
pensa em uma mulher que não foi sua.
Não lhe é dado ver a teologia,
a indecifrável Trindade, os gnósticos,
as catedrais, a navalha de Occam,
a púrpura, a mitra, a liturgia,
a conversão de Guthrum pela espada,
a Inquisição, o "sangue dos mártires,
as atrozes Cruzadas, Joana D'Arc,
o Vaticano que bendiz exércitos.
Sabe que não é um deus e que é um homem
que morre com o dia. Não lhe importa.
Lhe importa o duro ferro dos cravos.
Não é um romano. Não é um grego. Geme.
Nos deixou esplêndidas metáforas
e uma doutrina do perdão que pode
anular o passado. (Essa sentença
foi escrita por um irlandês em um cárcere.)
A alma busca o fim, com urgência.
Escureceu um pouco. Já morreu.
Anda uma mosca pela carne quieta.
Que pode me servir que aquele homem
tenha sofrido, se eu sofro agora?

Kyoto, 1984
Trad. de Pepe Escobar

Anónimo disse...

Caríssimos Amigos
Não resisto a dar mais uma achega a este quase forum em que reverteu a questão da moderação dos comentários,de resto curiosíssima e que N. ( lamento mas não posso referir-me de outro modo) retratou de forma soberba de ironia e de espírito de observação num dos comentários anteriores e que a Dra.Júlia Ribeiro ( a quem presto aqui a minha homenagem) rematou tão inteligentemente com um pungente poema de Borges como que a significar que outros valores superam a dimensão porventura menor desta questão.
Mas a imagem da praça é, se me permitem,verdadeiramente metafórica - espaço aberto em que se cruzam pessoas,ponto de passagem para outro qualquer local - que no caso de Moncorvo se espartilha entre a imponente presença do Reboredo e a barreira física da muralha do castelo,tutelada pela imagem da Casa da Justiça num dos topos e ,mais trás , pela da forma respeitosa e granítica da igreja .Espaço em que evoco memórias que das janelas da oficina de alfaiataria de meu Pai eu colhia , da confusão álacre das feiras,à estrepitosa banda de Carviçais tocando no coreto montado mesmo no centro ,à reverencial volta das procissões.
Espaço em que se cruzam duas velocidades diferentes , a da comunicação que aqui utilizamos e a das conversas da praça que o Amigo N. tão bem descreve, como que se o meridiano universal ali pairasse, suspenso, sobre o inútil ,enquanto o mundo "lá fora" se revolve estrepitosamente em convulsões de guerras,fome e miséria, coisas que nos bancos e cafés da praça se tornam mero ruído de fundo.
Imagem verdadeira de uma interioridade quase autista , de uma irremediável desertificação de ideias que este outro espaço , e outros como este ,podem e devem combater.
Um abraço para todos
Daniel de Sousa
P.S. E entretanto aí a dois passos Graça Morais no Vieiro de Vila Flor constrói um universo magnífico de cor e formas que o seu génio nos oferece a todos. A sua "praça" interior é a da criação e das ideias . E essa supera todas as barreiras,incluindo a da mediocridade.

N. disse...

Caro Amigo Daniel (permita-me que assim o trate, apesar de o não conhecer): devolvo-lhe o cumprimento! Magistral a sua análise e, sobretudo, a conclusão. Um dia destes, logo que possa, postarei aqui um escrito de um amigo meu, poetastro incógnito que por vezes deambula por aqui, e dá por nome de Henrique de Campos. O poema a que me refiro (e que seguramente não conhece) intitula-se: "Cultural dream"... (terei de o procurar, e deixo a promessa ou de lho enviar, ou de o colocar aqui, se o autor me autorizar).
Sobre a oportunidade do Cristo borgiano, da Drª Júlia, não é preciso acrescentar mais nada! Conheço pouco a poesia de Borges, por isso desconhecia este poema. Muito Obrigado por o ter dado a conhecer... É a sina da Humanidade, em busca de uma redenção.... a Ousadia tem um preço e, de facto, não somos deuses. Temos de saber viver e conviver com isso.
Obrigado a ambos.
N.

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