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segunda-feira, 23 de junho de 2008

O mundo de Trás-da-Serra

A serra a que nos reportamos é, obviamente, a do Roboredo. Pelo que a designação de "trás-da-serra" ou "aldeias de trás-da-serra" para denominar Açoreira, Maçores, Urros e Peredo, terá sido aposta pelos da banda Norte da serra, os da vila, a altaneira Torre de Moncorvo, sede da fiscalidade, das justiças e dos poderes municipais.


Talvez Felgueiras escapasse à designação, por ficar no meio da serra, situada no meio de um U topográfico, para cujo lado aberto corria (e corre) a ribeira de Santa Marinha, afluente da ribeira de Mós, que vai desaguar ao Douro, lá para as bandas de Barca de Alva.
Numa breve digressão de fim-de-semana, subimos a esse braço de serra que separa os termos de Felgueiras e Maçores, e que se denomina de Citoque (será uma denominação popular para o marco geodésico que aí se encontra, ou o lugar já teria esse nome?).

Daí espreitámos a ribeira de Santa Marinha, para ver se a Fraga do Arco ainda estava no mesmo sítio. E estava.
Retomando o percurso, por Maçores, com rumo a Urros, aí se passou um excelente fim-de-tarde, vendo o regresso dos gados e o belo conjunto dos palheiros, culminando a jornada numa amena esplanada...

Vista geral do mundo de Trás-da-Serra, a partir do alto do Citoque, com Maçores ao fundo da encosta, em primeiro plano.
Vertente Sul da Serra do Roboredo e Carvalhosa (antigas minas de ferro da Ferrominas), vista do alto do Citoque.

Fraga do Arco (freguesia de Maçores), um capricho da natureza que a Geologia poderá explicar, numa vertente sobre a ribeira de Santa Marinha - é um monumento geológico que deverá ser classificado e protegido.
Vista actual de Urros, a antiga Orrios do foral doado pelo senhor rei D. Afonso Henriques, no ano de 1182...
Serão casas "castrejas"? Não, são os célebres palheiros de Urros! belíssimos... e parecem aí estar desde os tempos do senhor D. Afonso Henriques.

Urros, ainda. O regresso do gado, ao fim de tarde, é sempre um momento bucólico que me faz lembrar um célebre quadro de Silva Porto (existente no Museu Soares dos Reis, no Porto)

Não fossem as casas novas, ao fundo, e poderia ser uma imagem captada a bordo da cápsula do tempo, muitos séculos atrás... Terá sido a abundância de gados que ajudou a fomentar a tecelagem de Urros, noutros tempos, que hoje os teares silenciaram-se de vez...

"Canhonas" (ovelhas) e "borreguinhos" na côrte. Aqui ainda se sentem os cheiros medievais...

7 comentários:

Anónimo disse...

"Urros terra de ovelhas", já alguém assim a defeniu.
Lindas fotos da Churra da Terra Quente, ainda bem que alguém se lembrou de preservar esta raça autóctone.

Xo_oX disse...

Belo passeio!
Um dia destes também quero fazê-lo.
A Fraga do Arco é realmente uma coisa rara na natureza. Até parece que a rocha é elástica!

nelson disse...

Viva Aníbal, fica o convite! E a Fraga do Arco parece mais uma grande prancha de cortiça petrificada... Na verdade é resultado de um dobramento quartzítico em U invertido, resultado das contracções da crusta terrestre, nas remotas eras geológicas. Em tempos recuados teria a forma de um hangar, mas houve um abatimento de uma parte intermédia desta abóbada natural. A foto foi captada de uma certa distência, pelo que, embora não pareça, a flecha do arco tem quase a altura de uma pessoa. E, claro, está, com o teu equipamento fotográfico pode-se fazer melhor. Vamos a isso!

Anónimo disse...

É uma pena não ser mais conhecida.
Só faltou o Nelson se ter referido também aos palheiros de Maçores, que ainda se mantêm razoavelmente bem conservados.
jcordeiro

N. disse...

Caro J. Cordeiro, tem toda a razão, os palheiros de Maçores também merecem uma visita, pois há lá pelo menos um que também tem planta arredondada, tal como os de Urros, o que é verdadeiramente original nesta zona transmontana, onde mais vulgarmente são rectangulares. Não mencionámos aqui os palheiros de Maçores porque não passámos por eles, pois o objectivo da visita era Urros, tendo-nos apenas desviado até à Fraga do Arco, com intuito de a mostrar a uns amigos que a não conheciam. Lá para o S. Martinho, se não fôr antes, terá aqui umas fotos dos palheiros de Maçores, a enquadrar o magusto das Eiras, com o indispensável caldeiro do vinho!
Abraço para Maçores,
Nelsn

Anónimo disse...

Ola , chamo me Sónia e fui criada em Urros apesar de ter nascido em Lisboa e de aqui viver, mas Urros é a mais bela aldeia!! Já conheci mtos sitios do Mundo e o unico sitio d que tenho saudades é da minha terra:)
Parabéns pelo blog, sinto me mais perto de tdo o que é belo.

torredemoncorvoinblog disse...

Olá Sónia! Da parte do Blog, muito agradecemos a sua apreciação e esperamos então que venha mais vezes pela sua terra. Urros merece bem o carinho que lhe dedica!
abraço e continuação de um bom ano!

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