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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Outono na Serra

Dos jardins do Museu, em amplo cenário, divisa-se a Serra, como um vagalhão oceânico abatendo-se sobre a vila.

A Serra, nesta fase do ano, torna-se camaleónica, ora envolta em avalónicas brumas, ora brilhando com revérberos de vinho generoso, sob a luz magnífica de Novembro, brincando às escondidas com as nuvens, num jogo caprichoso de luz e sombras.



Defronte, os vinhedos das Aveleiras desenham fímbrias de vermelho e dourado, sublinhando o verde dos pinheiros e de outras coníferas. De onde em onde há umas pinceladas de amarelo-alaranjado dos velhos carvalhos que deram nome à serra, a partir da sua matriz latina: “Robor” (carvalho) > “Roboredo” (carvalhal).


Cá em baixo, pelas ruas da vila, outras folhosas vestem-se provocadoramente de amarelo, para logo de seguida iniciarem o seu “streep tease” outonal. Não tarda ficarão nuas e arrepiadas com o rigor do Inverno, porventura como brancos fantasmas polvilhados de geada, em noites de lua cheia, gritando pelo renascer de uma primavera que ainda vem longe.

É o ciclo das estações, o tempo e as horas, marcados pela Torre…

É a magia de uma época do ano especialmente romântica, reclamando a sua visita!

Texto e fotos: Henrique de Campos

5 comentários:

vasdoal disse...

Parabéns por esta pincelada magnífica de Moncorvo.

Anónimo disse...

O meu aplauso, Henrique!
:)

Belas imagens, belas palavras.

Só tu, para veres no Outono o steep tease que há-de levar-nos à fecunda Primavera! Atrás de uma coisa vem a outra, digo eu...

:D

Tó Manel

Xo_oX disse...

Bonitos tons outonais. Este colorido da nossa paisagem só é comparável às amendoeiras em flor ou às giestas em Maio.

N. disse...

Obrigado, amigos! A prosa poética foi-me inspirada pelo momento e pela paisagem... O outono é a estação romântica por natureza. E tem razão o Tó Manel, pois já os Antigos, desde os Celtas, faziam essas conotações: este é o tempo em que terra principia a dormir, para acordar, cheia de seiva, na Primavera, pelo equinócio de Março, atingindo o clímax nas festas de Beltaine (inícios de Maio, as Maias), que era quando se iniciavam uma série de ritos propiciatórios relacionados com a fecundidade vegetal, animal e, por consequência, humana, estes na realidade já começados com o "desvario" das "Carnavales" (o Entrudo), em que o Cristianismo, sem o conseguir erradicar, consentiu, para logo lhe criar o "travão" da Quaresma. Mas todos sabemos que é por aí (e depois até ao Verão), que anda o famoso "cio da Primavera". É o ciclo da Vida...

Já agora fica o desafio aos nossos Bloggers fotógrafos para captarem por aí uns bons aspectos outonais e façam o favor de no-los oferecerem aqui no Blog. Dou um mote: que tal o bosque de carvalhos do Roboredo?? (já que, como diz o Aníbal, a par das Amendoeiras em flor e das sempre-belas parreiras, os carvalhos da serra são o que temos de mais ex-librístico, em matéria vegetal, pelas terras de Moncorvo). Fica o repto!
Abraço,
N.

N: disse...

Ops! houve aqui um lapso: o texto e fotos comentadas eram do meu amigo Henrique de Campos, que decerto que não me leva a mal. Pensei que estava a comentar outro "post". Peço desculpa ao H. de Campos, mas é melhor não o gabarem muito senão o tipo desfaz-se em baba, ok?

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