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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Moncorvo, Zona Quente em Terra Fria


Devido à actualidade dos temas abordados na reportagem “Moncorvo, Zona Quente em Terra Fria”, de Março de 74, no jornal República (da autoria de Fernando Assis Pacheco e fotos minhas), creio ter interesse publicar, por temas isolados, a reportagem na íntegra. Já saíram, neste blogue, “ O sonho das minas” , "A vila passada a pente fino”, "... e lá se foi o castelo”, “Os vizinhos ajudam os vizinhos a partir a amêndoa no inverno” , ”As contas do guarda-rios”. Hoje é a vez de “Gil Vicente entre os jovens,”com encenação do pai do Tiago Rodrigues...
Nota: O grupo “Alma de Ferro””apanhou-me” por acaso em Moncorvo na noite da estreia. Surpreendeu-me pela qualidade. A recuperação do antigo celeiro é notável. Estamos todos de parabéns.

Leonel Brito

42 comentários:

Aqueduto Livre disse...

Caro Leonel Brito,

Gostei, e gostosamente o cito:"com encenação do pai do Tiago Rodrigues."

Seu leitor atento, que se assina,

José Albergaria

Anónimo disse...

Imagino o deliciado prazer do Assis Pacheco assistindo à "subversiva" récita vicentina e ao não menos inquietante coro de jograis recitando Sena , Cesariny e Manuel da Fonseca - isto no recôndito transmontano do sopé do Reboredo, onde ainda mal chegavam os bafores do pútrido regime em transe de decomposição. Não sei quem terão sido os mentores dessa espantosa récita, mas daqui os saúdo, 35 anos passados. E mesmo Assis Pacheco , no seu génio soberbo de ironia , o faria agora não fora essa " morte merdeira, coisa ruim de cinza e névoa " o ter ceifado tão precocemente.
De requinte, a foto do portal onde , pelos vistos, se arquivavam os bolorentes folios da inquisição. Verdadeira bruma do passado.
Daniel de Sousa

N. disse...

Da mesma forma que os pergaminhos do Arquivo Histórico para a construção da história medieval cá da gloriosa villa da Torre, também estes recortes são peças essenciais para a história contemporânea da mesma vila, mesmo na véspera de uma esperada "transformação do mundo" (se transformou ou não, muito ou pouco e em que sentido, é outra questão). A verdade é que apresentar publicamente textos do exilado Sena, do neo-realista M. da Fonseca e outros que tais no cine-teatro em que tinha "poleiro" cativo aquilo que os radicais do "éme-érre" (que apareceriam logo a seguir) apodavam da "fina flor do real esterco", acho que era já um sinal dos tempos... E que o cronista o tivesse registado, com um vaticínio final sobre o fim, inapelável, "sem remédio", do tempo dos "salimaleques", em artigo de prosa militante, é também documento datado. O global cruzando-se com o local, neste caso um "local" que estava "muito à frente", ideologicamente, no panorama regional. - Daí o duplo interesse do documento. Do mesmo modo que não terá sido inocente a escolha da foto da casa dita "da Inquisição" (sempre ouvimos aqui assim chamar-lhe, parecendo acertada a suposição do autor da legenda, sobre a detenção temporária com transferência para o Tribunal do Santo Ofício de Coimbra, de que a nossa região dependia); e, para mais, com a agravante de essa mesma casa ter sido sede da Legião Portuguesa! Documental também é o seu estado de decrepitude, para mais ostentando vários exemplares de um interessante cartaz turístico (ampliem o recorte e observem a foto!) apregoando a placitude das praias moçambicanas...
como que a querer dizer, como disse depois um certo almirante, noutro contexto: "o povo está sereno!..."
Imagino que devem ter sido uns tempos danados!... Tempos em que Torre de Moncorvo até se podia dar ao luxo de ter por cá o curso de liceus e escola industrial/secundária e um director que hoje é um insigne escritor e poeta (e que por essa altura viria a ser autor de um dos manuais do programa da disciplina de Português, intitulado "Verde Pino"), isto para além do "pai do Tiago", pois claro!, hoje também respeitado jornalista e que seguramente era um dos mentores (senão o grande mentor) destas "perigosas actividades subversivas", como então se diria!
Seria interessante saber onde param hoje esses finalistas? Será que ainda se lembram da "lição" que, principalmente, interessou o Assis Pacheco? Bem, nos tempos que correm, desconfio que devem estar mais preocupados com a Crise, do que com o Gil Vicente,
Abraço ao Leonel por mais este fragmento de periódico, a completar a série de reportagens, que teria muito interesse reeditar em brochura, como já falámos.
N.

Anónimo disse...

Não sei quem terão sido os mentores dessa espantosa récita, mas daqui os saúdo, 35 anos passados.
PISTAS
”. “Gil Vicente entre os jovens,”com encenação do pai do Tiago Rodrigues...
Tiago Rodrigues, em artigo intitulado do "O Bisavô Português, escreveu no lead: «José Luís Borges sempre se orgulhou das suas raízes portuguesas e interessou se muito pelos antepassados quando visitou o nosso país, em 1921 e em 1984. Sabia se que seu avô, Francisco Borges, saiu um dia de Torre de Moncorvo, com destino ao Rio da Prata. Em Trás-os-Montes, procurámos o rasto do homem.....
O meu Obrigado ao Lopes por "desenterrar" o dito cujo texto da DNA, de que já não me lembrava. Aí está praticamente tudo o que se sabe sobre as origens trasmontanas de Borges. Penso que o Tiago Rodrigues co-autor dessa peça é o filho do nosso colaborador Rogério. Só a uma militância moncorvense levaria tão a fundo a questão
Com efeito, o Tiago Rodrigues é meu filho
rogerio rodrigues disse... Com efeito, o Tiago Rodrigues é meu filho
Mais?

Anónimo disse...

Pois bem então aqui trago a voz do Manuel da Fonseca , o da Rosa dos Ventos , o poeta da vibrante marcha Almadanim, em celebração de tais tempos :
" enquanto as senhoras não gostavam
faziam troça dizendo coisas
e os senhores também não gostavam
faziam má cara para a Tuna.
que era indecente aquela marcha
parecia até coisa de doidos: não era música era raiva
aquela marcha Almadanim (...)
Voavam fitas coloridas
raspavam notas violentas
rasgava a Tuna o quebranto da Vila
tangendo nas violas e bandolins
a heróica marcha Almadanim!"
Não sei se terá sido este um dos poemas do coro de jograis, mas vou adormecer a pensar que certamente o foi.
Daniel de Sousa

rogerio rodrigues disse...

Creio mesmo que foi a Tuna de almadanim que foi dita em jeito de jogral por alguns e algumas alunas de Moncorvo. O espectáculo, canhestro em termos teatrais ( estamos a falar de jovens apenas até ao que é hoje o nono ano e de um professor, neste caso eu, com bastante incompetência para estas coisa)resultou contudo num momento cívico de alguma importância. Foram três meses de trabalho atè à meia-noite, com uma paixão que é raro acontecer. Eu era professor de Português e pareceu-me que a melhor forma de dar Gil Vicente e criar algum amor pela poesia era teatralizar os textos, representá-los.O Assis Pacheco, que mais tarde foi meu compadre, achou por bem, nessa altura, vir a fazer uma série de reportagens sobre Moncorvo. Aí me conheceu e aí me convidou a entrar nos jornais. E eu que penso que poderia ter sido um razoável professor... De qualquer modo aquela récita ( como então se dizia) de três horas deu algum dinheiro para a viagem dos finalistas. Eu fui convidado pelos alunos a participar na viagem e, além de visitarmos o República, com direito a primeira página, assistimos à Ceia, a primeira peça da Comuna, ainda num armazém ao lado da Cervejaria Portugália. Estamos a falar de acontecimentos anteriores ao 25 de Abril. Fiz o que pude, apoiado em três professores: o Luciano, de Matemática, o Silva de História e a Cidália, de Estevais de Mogadouro, uma mulher muito bonita, nas danças.
É bom dizer que, durante os ensaios, abdiquei de ser o professor, exigindo que a disciplina do grupo fosse exclusivamente da responsabilidade deles.
E por aqui me fico. O tal Tiago Rodrigues de que falam é meu filho de está hoje a dar aulas numa escola Superior de Teatro de Bruxelas, pertence à companhia Stan da Bélgica, considerada a segunda melhor companhia de teatro europeia, argumentista, encenador a actor. Aparece no último filme português em exibição, o Second Life e esteve, como actor, no filme da Mal Nascida, nomeado para o Festival de Veneza, realizado por João Canijo que tem raízes em Urros.

Júlia Ribeiro disse...

Em boa hora visitei o Blog, pois estive bastante afastada de Moncorvo entre finais dos anos '60 e meados de '80. E pelo que tenho lido aqui, não há dúvida que muito perdi.
Mas estou a recuperar do entretanto acontecido (e que eu de todo desconhecia), graças ao Leonel, ao Rogério, ao Daniel, ao Cidadão do Mundo, ao Xo_oX e a outros conterrâneos.
A todos muito agradecida.
Um abração,
Julia Ribeiro

Anónimo disse...

Creio que é altura de os serviços culturais da câmara convidar Tiago Rodrigues a dar um curso de verão.
A tradição do teatro em Moncorvo, o festival e finalmente esse grupo “Alma de Ferro”que soube com dedicação e um amadorismo esforçado, arrancado da raiva construtiva que os leva a gritar bem alto que para lá das fragadas há vida ,há gente .
O Dr. Nelson esboçou um programa para (que está no blog) debater Moncorvo e a participação dos da diáspora. A Dra. Júlia foi ,como se previa, a primeira a dar o seu apoio .Todos em Setembro na cortinha da guarda (expressão do desaparecido Zé do Cabo e entusiasticamente aceite pelo Director do Museu e a Dra. Júlia.
Que não falte ninguém!
E ao correr da pena DIA 28 no lançamento do livro da nossa julinha biló.Com um Licor de canela de honra acompanhado de súplicas e económicos. Falta o Senhor Peixe para a fotografia da Primeira Comunhão.

Horácio Espalha Júnior
Nota de serviço:
O lançamento do livro é na biblioteca de baixo.
Descendo o santo António é à esquerda ,subindo o quebra-costas à direita

Anónimo disse...

Tiago Rodrigues, seu filho, que é um excelente actor e que até há pouco tempo, sob a rubrica " Massa & Crítica" da NS do D.de Notícias- era" sarcástico" q.b. Até o Político Drº. Santana Lopes, tocado, perguntou:- Quem é esse Tiago?...

Ac

Anónimo disse...

"com a agravante de essa mesma casa ter sido sede da Legião Portuguesa."
E da Mocidade Portuguesa com desfiles aos domingos e Parada conjunta no 1º de Dezembro. Comandada pelos dótoresdapraça fardados de palhaços a rigor.
H.E.J.

Júlia Ribeiro disse...

Gostaria de saber quem é o Horácio Espalha Júnior. É o que têm estes encontros virtuais: pessoas que talvez sejam familiares de outras que já não estão connosco, mas deixaram um vazio muito grande e uma saudade imensa.

Um abraço
Júlia Ribeiro

Anónimo disse...

tem piada... tb eu ia perguntar quem era H.E.J. (Horácio Espalha Jr). Num txt que escrevi há anos, como base para o Centro de Memória (e q ficou inédito), referia-me precisamente, a título exemplificativo, a Horácio Espalha, como uma das personagens que deveria estar representada num espaço dessa natureza, ainda que virtual. Não o conheci, e só há cerca de 2 anos tive acesso a uma foto em que ele aparece, no meio da equipa de futebol do Moncorvo (que jogava nesse tempo com o equipamento do Sporting). Sei, todavia, que foi uma espécie de Diógenes moncorvense e que exerceu uma certa influência ideológica junto da juventude de uma certa época, com as suas arengas na ágora cá do sítio - onde teve um quisque. Se H.E.Jr for da família ou tiver mais elementos sobre H.E., era interessante o seu contributo.
Cumprimentos,
N.
P.S. -subscrevo a sua ideia do curso de verão pelo Tiago Rodrigues com os Alma de Ferro; quanto à ideia do Encontro de Moncorvenses na cortinha da guarda, mantém-se de pé e que seja uma organização colectiva do Blog À descob. de T.M.;
Dias 21 (exposição do Aníbal na "cortinha da guarda") e 28 (lançamento do livrinho da Drª Júlia) burilamos melhor a ideia.

PARM disse...

Errata: no final do Post anterior, onde se lê "quisque" era, obviamente, "quiosque" - peço desculpa pelo lapso.
N

Anónimo disse...

Muito bem no dia 28.Hora e local para evitar desculpas e mal entendidos.
Parece-me bem ser organizado pelos blogueiros.É uma boa altura para saltar dos encontros virtuais á velha realidade.E descobrir o que podemos fazer por Moncorvo .

Anónimo disse...

Leio o post do Leonel, o texto do Assis Pacheco ,os comentários vários e não “vejo “ a Alma de Ferro. A ideia de convidar o Tiago Rodrigues para dar um curso de verão (de teatro, claro)parece-me uma boa sugestão. Quem escreve um texto sobre J.L. Borges com rigor de um investigador calejado e o envolve com o pulsar do Reboredo não recusa o convite .É o regresso à sua terra adoptiva ao Peredo de seu pai e avós.
Esperança Moreno, Américo Monteiro, Manuela Costa, Beto Mesquita, Nando Barreto, Anabela Lapa, Carlos Ricardo, José Rachado, Mizé Camelo, Rui Fevereiro, Marilú Brito e outros que lutam pelo teatro em Moncorvo ,por favor entrem nestes debates e se possível colham benefícios. Bem os merecem.
Elisabeth Almeida que tanto se bateu pelo grupo em posts anteriores e, é também leitora de Borges, nada diz. Como dizia o poeta ,isto anda tudo ligado.
Breve:
Drª Júlia .
Até dia 28 na biblioteca (levo o licor de canela,não é da Senhora Antónia mas é bom) e na “cortinha da Guarda”para descobrir mais Moncorvo.
H.E.j.

Anónimo disse...

Nas noites quentes de Agosto o local de encontro era a praça. Limpa de drs e candidatos(só drs. éramos 14 ,dizia o pardal sem rabo, o Malhado dos jogos de azar),ficávamos sós na companhia do Horácio Espalha que com um olho em nós e outro no quiosque mantinha a praça viva. Sior Horacio ,um maço de tabaco SG!. Vai ao Moreira .que ainda não fechou !!.Só abro depois deles fecharem. Sentenciava bonachão.

Júlia Ribeiro disse...

Caríssimo Anónimo:
Vá lá, escreva o seu nome ou dê um sinal que nos leve a ele. "Só drs. éramos 14 ". Coisas de pardal sem rabo... Qanto ao saudoso Horácio Espalha, tinha o seu contencioso com meu pai, por ele ser monárquico. Quando me via de mão dada com o meu pai ( costume que não perdeu desde que eu era criança) dizia: " Mal empregada filha num dos da pandilha" . Eu disfarçadamente sorria, o meu pai até soprava e o Horácio Espalha piscava-me o olho.
Ainda um dia vos contarei uma coisa linda sobre o Horácio Espalha.
Abração
Júlia Ribeiro

Anónimo disse...

DISSE NO COMENTÁRIO ANTERIOR:
DRª JÚLIA. (PARA MIM JÚLINHA)
ATÉ AO DIA 28 NA BIBLIOTECA (LEVO O LICOR DE CANELA, NÃO É O DA SENHORA ANTÓNIA, MAS É BOM) E NA “CORTINHA DA GUARDA”PARA DESCOBRIR MAIS MONCORVO.POR DUVIDAR QUE ESTARIA PRESENTE, FICA, DESDE ESTE MOMENTO MULTADA NA ENTREGA DO SEU LIVRINHO, COMO DIZ O NOSSO AMIGO COMUM NELSON.
ENVIE PARA O MUSEU DO FERRO: AO NOSSO AMIGO H.E.J.
AO CUIDADO DO DR.NELSON REBANDA
LARGO DO OUTEIRO.ENTREGA EM MÃO POR UM TIODORICO DE HOJE.
NEM PENSE EM INDULTO.SERÁ RECOMPENSADA COM UM LICORZINHO DE CANELA (QUE JÁ VEM NO CAMPOS MONTEIRO E É FILHA DE UMA DAS MESTRAS) E UMA SÚPLICA.
O PARDAL SEM RABO É O SEU MALHADO DOS JOGOS DE AZAR E MAIS CONHECIDO PELO MACHADINHO.
O HORACIO ESPALHA DIZIA: SE FALAS ALTO JÁ TENS 70% DE RAZÃO.AÍ VAI TUDO EM MAIUSCÚLAS.Á HORÁCIO

Anónimo disse...

Como diria Angel(di algo,Angel! Hace tiempo que no hablas...),
D. Horacio Espalha Júnior,no es usted Zé do Cabo(Pepe del Cabo)?
Dia 21, se és homem de palavra,aparece na cortinha para uma foto de familia.

Um blogueiro

Júlia Ribeiro disse...

Caríssimo H.E.J.
A multa será paga: o livrinho segue 2ª feira, para o endereço indicado.
E dia 28 lá estaremos.
Abraços
Júlia Ribeiro

Angel disse...

Hola amigos.Con este comentario,creo hacen 21,sea por el record.
Superando al querido Leva-Leva,y al postado de Jorge sacando a relucir las cosas buenas que se pueden sacar de ese rio sabor.
Quería decir algo,pero no ha sido buena semana en Salamanca y provincia.
De todas maneras, me alegra que un simple licor de canela, sea el pretesto para pasar un buen rato de mis vecinos.Ojalá lleguemos al convencimiento,que grandes murallas se derribaron con cosas pequeñas.
Un fuerte abrazo.Angel

n. disse...

tem razão o Angel: este recorte deu mesmo um record!
Quanto ao mais, pode a Drª Júlia enviar a encomenda para o Largo do Outeiro (é melhor pôr Largo Dr. Balbino Rego, pois este é o nome "oficial", e o carteiro pode não o conhecer por Outeiro, que é que deveria ser, e sempre foi desde tempos imemoriais até inícios do séc. XX). O HEJ poderá cá vir levantá-lo quando quiser! Embora ache que deveria estar presente ao lançamento, no dia 28/02, para o autógrafo da autora.
Abraço a todos,
N

Leonel Brito disse...

Desde Alentejo , un saludo a Angel com um cálice de licor de canela(que acompanha sempre os moncorvenses na diáspora...).Já te echavamos de menos(perdoa o portunhol).Dia 21 levarei unas botellitas de licor de bolota da vizinha Extremadura e vinho do Alentejo para te “dar de beber à dor”, como canta a grande Amália.
Abraço
Leonel

Anónimo disse...

Disse num dos meus comentários isto: Até dia 28 na biblioteca (levo o licor de canela, não é da Senhora Antónia mas é bom) e na “cortinha da Guarda”para descobrir mais Moncorvo.
Não falto.E como a Dra Júlia já enviou o livro ,amigo Nelson ,lá estarei.
No tempo do dos carteiros Teodorico, Abel e Emílio não era preciso o nome das ruas. Eles conheciam toda gente. Agora é necessário distinguir entre Outeiro e Balbino Rego.E há mais! E se o carteiro é das aldeias ou do leste e nada sabe? Aí vai um GPS dos antigos: sai do Correio no castelo ,(que não é), desce as escadas e, cuidado, se for em linha recta bate na fonte que regressou ás origens, entra na rua das Flores(não tem nada que enganar)do lado esquerdo ,primeiro o soto das Zirras, segue-se por ordem ,padaria Paiva, soto do Cautela(ferragens & ferrugens),Sr. David(fazendas e cinco portas para a rua),a mercearia do Sr. Baptista(sócio do Sr. Moreira) e finalmente o Café Moreira (com bilhares no 1º andar).lado direito, ,soto do Sr. Herculano(vendia a manteiga da Silveira com um selo de chumbo(?!),um lugar de hortaliças, soto do Camelo(de tudo um pouco, mercearias ,polvo e bacalhau secos, pendurados na porta)por ultimo a agencia funerária do Sr. Leandro. Estamos em pleno largo do Rossio/Regateiras , bomba de gasolina da SONAP, casa do Dr. Horácio (Presidente da câmara nos anos 40/50( mandou dinamitar as fragadas da Lousa e Estevais para lá chegarem os carros e a GNR ) do lado esquerdo ,oficina de sapateiro ,taberna do Cadorna e barbearia do Sr. Adelino, à direita o adro e a igreja, abandona a estrada para o Cabo e vira à direita, casa do Dr. Lima (com balcão)de um lado e a Sª do Coberto(quem a cobriu?) do outro. Finalmente o largo ,Casa do Dr. Leite e das Cachorreiras, ao fundo do adro, da direita para a esquerda ,casa do Sr. Manuel Brito ,Alfaiate Patachim, Sr. Almeida e o Quartel da Guarda. Se o sargento de dia não estiver ,entregue ao primeiro que aparecer .São os novos guardas( do Patrimonio).Entendeu?

H.E.j

Júlia ribeiro disse...

Nunca vi roteiro mais perfeito! Obra de mestre, ou não fosse da autoria do Horácio Espalha Júnior... Claro que também poderia ser do Teodorico ou do Abel ou do Emílio. (O lugar das hortaliças era - se a memória me não falha - da Sra. Ana Balôca ).
Um abraço
Júlia Ribeiro

n. disse...

Sem dúvida!!! um roteiro preciosíssimo, porque já histórico!!! Vejo q o H.E.jr já não deve ser tão "júnior" assim para ainda se lembrar dessa topografia histórica do comércio local moncorvense!... Penso que poderemos datar essas referências dos anos 50 ou 60, não?? Um pouco mais lá para trás (anos 20/30) a agência funerária (penso q actualmente o mini-mercado do sr. Rocha, vulgo "Nanas") era a casa dos Navarros, ricos descendentes de cristãos-novos que aí praticariam às ocultas os seus ritos do Sabbat, talvez na fase da "obra do Resgate" do capitão Barros Basto, razão pela qual alguém lhe chamou a casa da "sinagoga". Da tal oficina de sapateiro (que fica onde está agora a relojoaria) existe no Museu do Ferro um pequeno martelo de bater solas, que em boa hora guardou e ofereceu o nosso amigo sr. Júlio Dias, mais conhecido pelo "Júlio Sacristão" (presentemente num lar em Cerejais). E se o tal carteiro imaginário do H.E.jr. continuasse pela Rua do Cabo (avenida Engº Duarte Pacheco) até à próxima esquina à direita (em vez de ir pela quelha da Senhora do Coberto), entraria numa ruela que vai dar ao Outeiro e que hoje também se designa erroniamente por Balbino Rego, mas que teve nome próprio, seguramente logo após 1910, pois chamou-se "R. da República". Parece ter morado aqui um homem bastante dinâmico da 1ª República (talvez fosse da sua iniciativa esta denominação), que foi o prof. José Miguel Peixoto, um dos fundadores dos bombeiros de Torre de Moncorvo.
Voltando atrás, será que H.E.jr.sabe onde ficou um certo "Botequin do Ernesto" de que fala Campos Monteiro, nos Versos Fora de Moda? (há largos anos alguém nos disse que seria onde está agora a sapataria do sr. Fausto - será q se confirma?); no mesmo poema, que descreve o trajecto do poeta desde o Pocinho até Moncorvo e da rua do Cabo até ao Castelo, onde morava, durante um período de férias escolares, o que situa a acção nos inícios do séc. XX, ele fala de um velho tio Zirra, já ceguinho, à porta do seu estabelecimento. Pelos vistos a casa continuou a ser desses Zirras, ainda até tarde. É mais uma família que parece ter desaparecido daqui, aliás como os Cautela, e tantos outros descendentes desses comerciantes antigos de Moncorvo. Onde pára a sua descendência?? - Possa o blog descobri-los e levá-los a revisitar as origens...
N.

Anónimo disse...

Tio! O Nelson picou e a Júlia fala de uma Balôuca…
Certo! Era a Balouça…sempre disse que a rapariga era guitcha.
Rua da Republica e..vamos por partes…Se entras por aí, do lado esquerdo viviam os NOZES(4 irmãos, todos com cursos superiores e todos enlouqueceram. Um ,caiu do 2ºandar, tinha o cabelo e barba dos últimos vinte anos, andava só de gatas ,foram preciso 8 guardas para o segurar e enviar para o Conde Ferreira. O Virgílio Nozes era conhecido pelo Tau!Tau!,vestia um gabardine mais suja que o chão de uma forja. Alto ,forte com cerca de 90kilos metia medo aos raparigos; Se não comes a sopa chamo o Nozes, dizia à minha mãe. Dos bolsos da gabardine saiam isqueiros ,tabaco e camisas de vénus e, se ninguém comprava, pedia emprestado. Dava um “tiro” dai o nome de Tau! Tau!. à irmã Adelina era professora primária na escola do largo das regateiras( seriam as salas dos antigos conversos?). Um dia foi ao Porto ver o irmão ao Conde Ferreira e ficou lá internada.(antigos métodos de avaliação)
Do lado direito era a casa do Sr. Moreira ( o 1º empresário moderno de Moncorvo; Café Moreira, Garagem Moreira, A Torre-jornal ,cine-teatro(exibidor),bomba de gasolina, distribuidor do Gazcidla, armazenista/grossista,fornecia as aldeias do concelho.O Veiga entrou como aprendiz e foi subindo até se estabelecer por conta própria em frente aos bombeiros e antes do soto dos Areosa. Tinha também um café junto ao soto novo ,do Sr Neves ,e da Foto Peixe. A canelha que vai até ao lagar do Montenegro, do lado direito o adro, (claro)lado esquerdo, Manuel Brito(pai do Lelo) umas construções de cantaria semi abandonadas propriedade do Dr Horácio de Sousa. Dizem que aí estiveram aquarteladas as tropas de Paiva Couceiro durante o período da monarquia do norte. Mais tarde transformou-se num armazém agrícola -pipas, dornas, arados, carros de bois…em frente o lagar do Montenegro(ler Campos Monteiro)e por aí abaixo ;cortinhas do lado esquerdo, o hospital com as suas freirinhas e a cadeia nova com o Amadeu Cibinho e o seu Fiat Balilaà direita,vira para a cordoira e do lado direito a casa do Motor do Sr Moura ,e paro no ribeiro de alpiche do lagar de azeite .Passo a palavra ou o roteiro à Júlia.
Entre o balcão do M.B.e o Patatchim havia um pequeno portão que dava passagem ao quintal do Viriato(empregado da farmácia Leite e pai da Ana Sara Brito, presidente da junta de freguesia de Benfica e chefe da campanha á presidência do poeta Manuel Alegre. Esse portão serviu ,mais tarde quando após Abril se deu o assalto as cortinhas e se construí o subúrbio da Reboleira ,transformou-se numa mini canelha de acesso á vila.
O sapateiro ,agora me lembro, era o Sr. Eugénio.
E o resto, tio?
Só conto o que sei e sem rigor, isso é tarefa do Nelson, ele é que tem a peneira, sem peneiras para peneirar o trigo do joio. É a maquina a motor da nossa memória.
E Ã Júlia?
Ela é a Foto Peixe da nossa escrita, o espelho onde se reflecte todo o sec.XX da Corredoura ao Montezinho, do Cabo à Misericórdia.
Entendeu?
H.E.j.

Anónimo disse...

Nota:
A canelha até ao lagar é câmaramente falando a Travessa da Republica.
O livrinho da Dr.ª Júlia já chegou?
ERRATA: Onde se lê maquina a motor é, maquina a vapor.
Com perdão ao Dr. Nelson.
Entendeu?
H.E.j

N.Campos disse...

Caríssimo H.E.Jr,
Mais uma lição extraordinária de topografia histórica, com identificação social dos espaços!!! - Há anos li um artigo numa dessas revistas de fim-de-semana (talvez a Pública), em que se relatava um projecto que então decorria na cidade da Nokia, Tampere, na longínqua Finlândia, em que uma comunidade outrora associada à REvolução Industrial dos Nórdicos, se virara para as novas tecnologias (os telemóveis que o digam... de onde vêm os nokia?), e tudo isto sem descurarem as suas memórias, antes pelo contrário, utilizando as novas tecnologias (computadores, internet) para esse efeito: e então, estava essa comunidade escrevendo colectivamente as suas memórias, que, somadas, eram as da comunidade, digo, da sua cidade! Achei isto fabuloso e achei que um Centro de Memória deveria/poderia ser mais de um espaço físico: deveria ser isto que aqui está a acontecer: uma comunidade transmontana, com um passado extraordinário, uma sociedade espartilhada pela Diáspora, mas, conservando, cada um dos seus elementos, um pedacinho de Saber e conhecimento sobre a sua terra de origem, as suas referências... esse pedaço que cada um consigo tranporta, é uma peça de um puzzle, que está aqui a depositar... ou, melhor ainda, é um bloco de pedra que está a carrear (como os seus antepassados a partir das pedreiras do Calhoal e do Larinho para a igreja matriz) para este monumento colectivo que está a ficar aqui no Blog. - As informações de H.E.jr não ficarão em "saco rôto" > talvez lhe agrade saber que as vamos transpor para uma planta topográfica da vila e ficarão registadas para memória futura, com indicação do autor das informações. Outros poderão ser também co-autores; e ainda há mais ruas... Vamos a isso!
Eu não tenho a pretensão de saber tudo, ou de ser a máquina a vapor da memória, de que fala H.E.jr. A memória é de todos (a colectiva) e de cada um (a individual); cada um de nós/vós é um operário a trabalhar para este "edifício", com a vantagem de até poder estar bem longe (do Brasil, como a Wanda, de Lisboa, do Porto), ou dando achegas interessantes, ou simplesmente observando a "Obra", como é já esse moncorvense adoptivo, o meu amigo Àngel de Salamanca!... Numa sociedade cada vez mais atónita e perdida na incerteza dos tempos que correm, é fundamental esta União em torno das referências e da identidade que aqui está a acontecer... As "peças" e as rodas dentadas da engrenagem estão a juntar-se (sem manual de instruções) e a máquina a vapor está a começar a funcionar... Com os recortes, as fotos antigas e as dicas do Leonel; as reflexões do Rogério; os contributos da Drª Júlia, as belas fotos actuais do Aníbal, do Jorge Delfim e de outros (também é preciso registar o presente!!! e não só da vila - para o vale do Sabor, já!!), os vídeos do Tó Manel, do Felgar, etc, etc.... espero que tenham consciência da importância deste nosso "hobbye", por tudo isso, e pela janela que abrimos, desta nossa "casa"/vila/concelho, para o Mundo...
Não quero maçar mais, mas, voltando ainda à última nota de topografia histórica que nos deixou H.E.jr, creio que se enganou na orientação da sequência dos moradores da Rua da República: se entrar pelo lado da R. do Cabo, defronte da antiga pensão Marrana, a casa dos Nozes fica à direita (ainda lá está a varanda de onde se atirou o pobre louco, segundo me contou, há muitos anos, o sr. Almiro Sotta); e, neste caso, a casa do sr. Moreira fica à esquerda (ao presente é do Engº António Manuel Lopes, oriundo do Souto da Velha, a viver e trabalhar na Alemanha); depois, à esquerda, está um enclave, sob o edifício do museu (antigo quartel da GNR),, onde viveu a srª Carmo ou Carmen "Cachorreira" (que era costureira), por cedência da família Rego, proprietária do edifício do museu durante todo o séc. XX (está em vias de conclusão o negócio da aquisição, por parte do município); ainda na dita travessa da República, do lado direito no sentido da rua do Cabo (aven. Engº Duarte Pachedo), numa casa que pertenceu a D. Carmen Martins (farmacêutica), viveu, à renda, a srª Zulmira , acho que de apelido Catro, mas conhecida pela alcunha de "Cagaita" (perdoem-me os familiares, mas era assim que era conhecida). Do lado direito do museu, vivia também à renda o sr. Adelino "barbeiro" (cá estão as alcunhas por comodismo de identificação), sendo a propriedade de toda a casa do sr. António Correia de Almeida (avô do Dinho, sargento do Exército, a residir no Porto, e actual proprietário). O sr. Almida era o dono de um vasto terreno que incluía parte das tais cortinhas de que fala H.E.Jr (sim, do lado direito era o quintal do sr. Viriato, com um galinheiro que chegou a ser vítima de assaltos de raposos de 2 patas, para as tainadas estudantis). Esse terreno do sr. Almeida foi loteado nos anos 70, por alturas do 25 de Abril, para construção do bairro da Romãnzeira. A abertura da rua de cima é de 1975-76, sendo o dito cujo bairro, mais tarde, conhecido por bairro dos Arrependidos, porque alguns dos moradores q compraram as parcelas depois se arrependeram quando souberam que, pouco depois, se faria um outro loteamento de terrenos, na zona nascente da Vila, creio que promovido pelos Paivas, onde se fizeram alguns prédios que foi utilizado por técnicos que vieram trabalhar para a barragem do Pocinho. - bem, fica esta minha "camada de memória" sobre o estrato mais antigo do HEJr, já que isto é como na geologia e na arqueologia: uma estratigrafia de memórias...
Agora sim, me calo! desculpem a séca!
N.Campos

P.S. - para o HEJr : sim, já cá tem o livrinho da Drª Júlia, que chegou há dias! Está aqui guardado e pode vir buscá-lo quando quiser. Abraço, N.

Anónimo disse...

Caro Nelson,
Saindo do Marrana,(marrana marrã,marranos=pano para mangas)à direita Moreira, esquerda Nozes+cachorreira (mudou-se para o outro lado e a Dª. Zulmira ,casada com um empregado do Sr Herculano aí se instalou,)e largo...
A Júlia não faz a corridoira!?
Dia 28,subo as escadas e levanto o livro. Tenho que levar B.I. e N.C.?
Compreendeu!?
H.E.j.

N. disse...

Olhe que não, H.E.j., olhe que não... vamos a ver: se sai do Marrana (Anastácio Sancho, gordo, com uns suspensórios, imagem longínqua que guardo), e está virado para o largo do Outeiro (olhando pela velha ruela da República, topónimo q caíu em desuso), o que temos? à esquina da direita: os Nozes e na esquina da esquerda a casa dita da Inquisição (Legião, Mocidade Portª, depois Estúdio Torre e agora, nada!); a seguir a esta, ainda do lado esquerdo, Moreira, depois Cachorreira (embora admita que tenha transitado do outro lado da rua, pois esse escambo justifica que, pelo falecimento de Carmen Cachorreira, tenha a srª Zulmira Cagaita a tomar conta do espaço, creio q em ambos os casos a título gracioso por deferência dos Regos), e o resto já sabemos. A troca aí da mãao direita pela esquerda, tem só a ver com a posição de entrada na dita rua - eu referia-me a entrar pelo lado dos Marranas. Já agora estes terão vindo refugiados de Foz Côa, nos inícios do séc. XIX, quando houve lá a grande perseguição, por altura das invasões francesas, há exactamente 200 anos!! - Já traziam naturalmente a alcunha, vertida em apelido, não fosse Foz Côa terra de judeus. E, de facto, os cristãos-velhos chamavam-lhe "marranos" aos judeus/cristãos novos, de uma maneira geral, isto para os danarem pelo facto de não comerem a carne de porco (a marrã, no nosso falar transmontanês antigo). Queriam eles, os "cristãos-velhos" dizer com isso que os judeus eram "porcos" e, por essa razão, não comiam a carne dos "irmãos"... O Homem é um ser territorial e naturalmente racista e preconceituoso (é o mesmo espírito que leva a atanazar o "cão de fora") e busca na diferença do Outro, um meio de o amesquinar para se auto-comprazer no seu direito territorial. E quanto mais atrasado for, do ponto de vista cultural, pior.
Quanto ao mundo da Cordoira, realmente tem que ser com a Drª Júlia Biló. - Isto dava matéria para um Congresso. Ficará a proposta para o Encontro da Cortinha da Guarda.
abraço,
N.

Anónimo disse...

Saindo do Castelo, em sentido contrário ao excelente roteiro do H.E.J.,entramos na Rua Dr. Campos Monteiro, mais conhecida por Rua da Misericórdia .Estamos nos anos 50.À direita ,na esquina, em frente ao edifício da Câmara, ficava o soto do Sr. Manuel Maria, caixeiro viajante de sucesso ,pai da Mariazinha, casada com o filho mais novo do Dr. Ramiro Salgado .Seguia- se a casa da D. Silvina Miranda, uma das muitas filhas da Senhora Camila Miranda, da Querdoira; a da família da São, que casou com o Afonso, conhecido pelo Gás Cidla ; a da família Garcia, ou os Cabeças, a que pertencem a Mizé e o Fernando, hoje director do hospital de Moncorvo;a do Sr. Afonso Ferreira ou Hospitaleiro, solicitador encartado( o outro ,na vila, era o Sr. Adriano Pires, marido da D. Carmen, farmacêutica).A Capela da Misericórdia separava a casa do Sr. Afonso da primitiva cadeia das mulheres (o Nelson deve ter informações sobre isso),depois transformada em habitação .A seguir vinham os Carrancas, cujo chefe de família, o Sr. César,faleceu em consequência de uma queda do telhado da casa do Dr. .Rodrigues(médico),que vivia em frente .O Sr. César era trolha e estava a trabalhar ;os Pachecos ,família numerosa (só filhos eram oito-Afonso,Artur ,Júlia, Antoninho, Adérito,Zé, Helena e Óscar; o Artur partiu um dia para o Brasil, deixando mulher e filho, e nunca mais houve notícias dele; a casa habitada pelo Sr. Frederico Mesquita ,esposa e filha, Detinha, casada com o Lelo Brito, era também a sede do escritório da Hidráulica; na casa da esquina viveu o Sr. Tomé(funcionário das Finanças vindo de Sobral de Monte Agraço)e a Fernandinha da Husqvarna(vinda da cidade da Guarda, para ensinar a bordar à máquina ),anteriormente inquilinos do casarão, como outras famílias, que deu origem ao Centro de Memória ;na canelha à direita, vivia a Lucinda Caninha ;a professora primária D. Elisa Nunes, mãe do Simão e do Carlos, cuja casa foi depois habitada pela Antoninha cabeleireira ,mulher abandonada pelo Artur Pacheco, emigrado no Brasil, filha do vendedor ambulante de alcunha o Sempre em Pé e irmã do vendedor de cautelas e engraxador, Rutche(?); o Abel carteiro; ao fundo da canelha, o Sr. Edmundo Garibaldi(funcionário do Registo Civil),em cuja casa, posteriormente ou antes ,não me recordo, viveu o Sr .Adelino Menezes, conhecido pelo Perna d’Aço. Na casa da outra esquina da Rua da Misericórdia com a canelha , habitou a família Medo(Zezé ,Heitor, Tó Jú e a mãe, Marília que, nas missas de domingo, cantava ao desafio no coro da igreja com a Menina Lucília Ceguinha(o marido ,Jaleco Medo ,trabalhava em Angola como enfermeiro, tendo regressado à metrópole muitos anos depois); nessa casa anos antes vivera o taxista Zé Ruço; seguia-se o Sr.Abílio Canteres (ferreiro),irmão do Sr.Basílio ,dono do café com o mesmo nome, e pai do Zé António, morto em Moçambique num acidente de mota; depois, o Sr. Júlio Chapeleiro, que abrigava a Menina Lucília(parente do nosso J.L.Borges),prima da esposa ;os Carvoeiros, de que fazia parte a Maria, eximia na arte de tocar viola; uma família que hospedava a Luzinira, que casou com o Beto, filho do Sr. António da Ferreirinha. No fim da rua, do lado oposto, ficava a casa do Sr. Teixeira, secretário da Câmara, pai do Henrique (aferidor de pesos e medidas nos baixos do Tribunal, onde hoje estão o Notário e o Registo Civil) e do Zé Teixeira. Subindo a rua pelo lado direito, encontrávamos a casa do Violeiro ;a do Sr. Barata, a quem a morte roubou dois dos seus filhos(o Zé e a Dulcinha),possuidor de uma magnífica biblioteca ;a dos Migas ,mais tarde moradores no Cabo ;a da família da Tiza, creio que parente do Chico do Porto ;a da família Pavão ;a dos Canitos( a filha, Fernanda ,morreu na adolescência);a da Senhora Adelina, mãe do Óscar .No mesmo prédio da Senhora Adelina ,habitava o Sr. António da Ferreirinha ou Endireita(extraordinário contador de estórias nas noites de inverno, à lareira),pai do Amadeu, Beto, Júlinha, Carlota e Isabel ;por baixo da varanda do Sr. António ,numa quelha, viviam a Senhora Luzia e a mãe do Fernando Trigo, Hermínia Menezes ,habitando esta, anos depois, a casa do marido, por cima da barbearia Rocha, na Rua do Cano. Seguia-se o quintal e a residência do médico Dr. Rodrigues, sogro do professor do colégio, Dr. Sobrinho. Passando ao lado das escadinhas que levavam â Casa da Roda, no largo em frente â Capela da Misericórdia ,vivia a Senhora Amélia do Bitcho, mãe do saudoso Cassiano ,o Bitcho da Amélia , como carinhosamente era tratado pelos amigos. Vinham depois o Cagado das Moscas ;a Menina Esterzinha modista ;a D. Lucinda Miranda. O largo da capela ,nas traseiras do correio, que, penso, estava ao cuidado do Machadinho(Pardal sem Rabo), foi ,naquela época, o palco da exibição da “santa” Amelinha de Vilar Chão .
São muitas as falhas, alguns esquecimentos, prováveis confusões( a memória prega-nos destas partidas...),mas as lacunas serão preenchidas(tentarei que o sejam) numa das idas a Moncorvo ,com a ajuda de amigos e conhecidos ainda (felizmente) vivos .O Nelson merece-o,pelo empenho ,pelo interesse, pelos conhecimentos ,pelo saber.
Tive um prazer imenso em revisitar a rua da minha infância, recordar os/as antigos/as companheiros/as de brincadeiras, os vizinhos amigos e solidários. Tudo é uma grande saudade e tudo nos comove, não é verdade, Júlia?


Maria da Misericórdia

Obs.: H.E.j.,a irmã dos Nozes não se chamava Adelina, mas Adília.

N. disse...

O nosso muito, muito obrigado por mais este extraordinário contributo para uma topografia histórica de Torre de Moncorvo, desta feita com a assinatura de Maria da Misericórdia!! (quem será?, embora suspeite, dia 21 esclareceremos, eheh) .
Um roteiro e peras, com um desfilar de personagens, a maioria das quais não conheci, embora conhecendo-lhes os nomes, tal como o mítico ferreiro Abílio Cantés, o Dr. Rodrigues, Canitos, o "Cagado das Moscas" (este por um texto do Rogério R.), etc... - é interessante constatar que o bairro do Castelo, hoje algo moribundo, foi um microcosmos transbordante de vida, com uma variedade social notável: desde comerciantes (o do soto), funcionários públicos, médicos, professores, ferreiro, modistas, endireitas, um construtor de violas (coisa que talvez pouca gente saiba!) que foi o mestre de outra figura típica de Moncorvo, a Maria Carvoeira, ou Violeira (que além de tocar e afinar violas, tb chegou a aprender a fazê-las com o tal violeiro, de cujo nome não me recordo), e a completar esta diversidade, havia ainda trolhas, como o que caíu do telhado do doutor, ou engraxadores, como o tal de "Cagado das Moscas"... Ah, e ainda as alcunhas, como deste, a da srª Amélia do Bitcho!... Ou seja, uma descrição riquíssima que a nossa conterrãnea aqui nos trouxe.
E não se preocupe com as lacunas; quando vier por cá, com uma planta dessa zona, preencheremos as casinhas e falta (tipo um jogo).
Torre de Moncorvo merece!!
bem haja e parabéns pelo contributo!
abraço,
N.

Júlia Ribeiro disse...

Caríssima Conterrânea Maria da Misericórdia:
Tem toda a razão - é tudo uma grande saudade e tudo nos comove!
Que extraordinário roteiro o seu e são tantas as recordações que ele faz brotar! E tem de se dizer o que é verdade: que excelente memória ! Posso acrescentar só uma coisinha muito pequenina? De certo se lembra de uma casinha térrea , muito pobre, em frente da Casa da Roda? Era aí que vivia a Tia Maria de Freixo, amiga da minha avó e minha madrinha de baptismo. Creia que não é minha intenção estar a corrigir seja o que for no seu magnífico trabalho. E até peço desculpa, mas lembrei-me por ser a casinha da minha madrinha.
Quando, na Quaresma, íamos ao Domingo, da Corredoura à Via-Sacra, na Misericórdia, cantando o "Stabat Mater" (em Português, mas razoavelmente traduzido, devo acrescentar), empurrava aquela porta velhíssima, carcomida e ia ver a minha madrinha que sempre conheci já velhinha.
Quando for a Moncorvo, com vagar, e com a ajuda de pessoas amigas, tentarei fazer um roteiro da Corredoura. Já comecei, mas as falhas e lacunas são mais que muitas. Já lá vão 60 e vários anos.
Também tem razão quanto ao nome da D. Adília Nozes.
Um grande abraço da Júlia Biló.

Anónimo disse...

Claro que agora me lembro muito bem (graças a si, Julinha) da Tia Maria de Freixo, a contadora de“A Caixa de Rapé” dos seus maravilhosos“Contos ao Luar de Agosto”.
Desculpá-la?! Agradecer-lhe! Por me ter avivado a memória ,e agradecer-lhe muito mais pelos momentos de puro deleite que a leitura dos seus livros me proporcionou.Como muitos blogueiros moncorvenses,sinto-me orgulhosa por ser sua conterrânea.E,como alguns deles, gostaria de lhe dedicar um poema.Mas não escrevo poemas,embora sinta a poesia e entenda os poetas(alguns).

Abraço-a com carinho.

Maria da Misericórdia

Obs.:Um pouco mais abaixo, a seguir à casa da sua Madrinha, vivia a Denise Félix com os pais.

Anónimo disse...

Como nasci e vivi durante alguns anos na Rua do Cano (ou Rua Visconde de Vila Maior) ,lembro-me de quem morava lá nos anos 50.
A partir do Santo António, do lado direito:
Patronilha; Maria e Beatriz Madeira ,Deolinda, a mãe( por baixo, o café, do Aleu ,marido da Mariazinha);Terrinhas ;tenente da Guarda, professor de ginástica no Colégio ,e esposa, Dona Ofélia; Colégio Campos Monteiro ;cocheira do Sr Luís de Carvalho, ( proprietário da quinta da Laranjeira); Dona Maria da Conceição(?); por baixo, uma livraria (a empregada era a Julinha da Estação); o soto do Sr. Abílio de Campos; Sr. Adrianinho Fernandes. Esquina: Barbearia Rocha ;por cima, o Sr. Trigo e Dona Hermínia Farofa; Farmácia Leite; capela e casa do Padre Félix; Dr. Emílio Andrês.
Lado Esquerdo:
Montenegro,;mais tarde Pensão Campos e Restaurante Passarinho;Capitão Mário Lopes,;Sra. Favelina; no prédio que é hoje o Centro de Memória ,viviam o Dr. Ramiro Salgado( entrada para o centro ),António Brito, proprietário do imóvel (entrada para a sala dos computadores);
por baixo ,Dona Cândida Gaga (hoje, Associação dos Antigos Alunos do Colégio Campos Monteiro); António Carranca( padeiro do Paiva) e a mulher, Adélia, que era doceira;a seguir, o Machadinho; os Macedo; na esquina ,os Chapa. Na outra esquina, os Castro; por baixo,a barbearia do Henrique;Dr. Manuel (médico),pai da Atilinha; Sr. Barros ,dentista ;por baixo o relojoeiro ,senhor...(?);Dona Judite, com a filha Mijú, casada com o Sr. Sousa( Souzinha) ,chefe da Junta Autónoma das Estradas, e os netos Bebé e Zé Alfredo; Sr Camelo, mulher Maria da Graça e dois filhos; por último, na esquina , e virado para a praça, o soto do Sr António Júlio Vilela.

Julieta Brito (neta de António Brito e de Dona Julieta Freire)

Júlia Ribeiro disse...

Olá, Julieta:

É tão bom, tão gratificante reconhecer os nomes de pessoas de quem já não ouvíamos nada há tantos anos!

Daqui lhe envio um grande abraço,

Júlia

N. disse...

Olá D. Julieta!
pois cá estamos no "post" recordista, só lamentando que estes comentários não passem para a "montra"!! - Se tiver tempo, vou tentar "transplantá-los" para lá, com fotografias a condizer!
Li com muito entusiasmo e agrado esta "digressão" memorialística pela antiga rua do Cano. Só uma nota para quem não sabe: esse café "Aleu" (talvez o proprietário fosse de Vila REal, pois é a divisa da cidade, retirada de uma divisa medieval de um príncipe da ínclita geração, não sei mesmo se não foi o Infante D. Henrique), funcionou em 1980 como centro de aulas de apoio do Ano Propedêutico (já estava fechado como café havia uns anos); funciona agora lá, talvez desde os finais dos anos 80, a Tipografia Globo, do sr. Manuel Barros (ver Blog do PARM, de 20.02.2008: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2008/02/registo-fotogrfico-e-filmagem-da.html)
E quem imaginaria uma livraria, algures nessa rua?? Pois bem, algures por aí terá existido também a sede de um antigo jornal, nos finais do séc. XIX, ou inícios de XX... Um fervilhar de vida, numa rua que foi a mais importante a vila, pois era a que fazia a ligação do velho caminho, depois Estrada Real, que ia pela base da serra e a praça da vila; já no séc. XX era a rua de ligação da estação à praça central (a nossa "plaza maior").

Sobre a Srª Favelina, de apelido "Falcão", é uma personagem curiosa de Torre de Moncorvo, sobre a qual se escreveu um piedoso opúsculo, relatando as suas visões e transes místicos resultantes de uma exacerbada religiosidade. Segundo esse panegírico, a dita senhora parece que morreu com cheiro de santidade! Na verdade, a riqueza social de Torre de Moncorvo resultava da sua complexidade e até de tipos sociais extremos: não pode deixar de se considerar no mínimo curiosa e "interessante" uma sociedade que produz, ao mesmo tempo, uma Favelina Falcão e um Horácio Espalha, cada qual nos antípodas de uma visão do mundo. Um laboratório vivo (de um tempo agora já morto) que faria as delícias de qualquer sociólogo e antropólogo...
Mais uma vez o meu Mt Obrigado à D. Julieta pelo desfiar do rosário das personagens, comércios, profissões da rua do Cano, agora Visconde de Vila Maior.
N.

Anónimo disse...

Nelson,
Julgo que os comentários estão aqui muito bem!
O blogue tem muitas páginas, como qualquer livro ou revista .
Os leitores devem saber ler o blogue, procurando o que lhes interessa ..Não é um quiosque, com a primeira página dos jornais É um arquivo de consulta para os que querem saber “coisas” da terra.
Mas ,a ideia de “mapeá-lo”e juntar fotos parece-me uma ideia excelente. Então, nessa altura ,1ª página com ele.E que apareçam mais colaboradores.
L.N

Anónimo disse...

Nelson,
Julgo que os comentários estão aqui muito bem!
O blogue tem muitas páginas, como qualquer livro ou revista .
Os leitores devem saber ler o blogue, procurando o que lhes interessa ..Não é um quiosque, com a primeira página dos jornais É um arquivo de consulta para os que querem saber “coisas” da terra.
Mas ,a ideia de “mapeá-lo”e juntar fotos parece-me uma ideia excelente. Então, nessa altura ,1ª página com ele.E que apareçam mais colaboradores.
L.N.

Anónimo disse...

O prometido é devido .Com a preciosa ajuda de uma velha e querida companheira de infância ,foi-me possível preencher lacunas ,corrigir enganos ,acrescentar dados ao roteiro que pretendi fazer da Rua da Misericórdia .
Assim , vizinha da família Garcia (Cabeças ), era a Senhora Aninhas Lila ,mãe da Candidinha (anã). Na antiga cadeia das mulheres ,junto à Capela da Misericórdia, viveu a Senhora Amandina ,vizinha da família Caranca (e não Carranca, como escrevi antes ). Ao lado da família Pacheco residia o Senhor César Espanhol ,com a mãe , irmã da Senhora Teresa Pacheco. O Senhor Durão também morou na primeira canelha à direita ,vindo do Castelo, bem como o Senhor Antero Pontes e esposa ,Senhora Judite O Senhor Adelino Menezes, Perna d’Aço, não habitou, como pensei, na mesma canelha , mas ,segundo a minha amiga, na rua paralela à da Misericórdia.Era vizinho da Senhora Beatriz Bruxelas (beata famosa ,em casa de quem ,todas as tardes ,íamos –a -canalhada da vizinhança – rezar o terço).O Zé Ruço ,morador na casa que depois habitou a família Medo ,era genro da Senhora Teresa Abicheira. A seguir ao Senhor Abílio Ferreiro ,vinha a casa da Augustinha ,empregada dos Correios velhos e irmã da Esterzinha Modista. Depois a Ti Canita e o Ti Artur Canito. Passando a casa do Senhor Júlio Chapeleiro, seguiam-se a da Adrianinha ,mulher do Senhor Alberto do Prado; a da Aurora Pavona ; a do Zé Coradinho ,cuja mãe ,Maria da Conceição Coradinha ,era padeira. Depois vinham os Patatchins(a casa deles ,atrás do Adro ,tinha ruído); o Tio Carlos Vieira (pai da Céu ,Lurdes,Beatriz e Fernando); o Fausto Pavão ; as Pavonas ; o Cauteleiro ; o Cagado das Moscas (afinal ,não vivia onde eu julgava); a Senhora Perpétua; a Senhora Alice (o marido era funcionário da C.P.); o Senhor Manuel Martins ,feitor do Dr. Adérito; a família Aleixo ( a Tia Maria Angelina era a mãe da Bernardete, esposa do Óscar ).Do outro lado da rua ,subindo, vivia a Senhora Ana Cândida Martins ( mãe do Senhor António Endireita); a seguir ,a Senhora Lucinda Machuca ,antes do Violeiro ; as Nabas ,vizinhas do Senhor Barata ;a Senhora Cândida ,tia da Fernanda e da Elsa Mota; a tia dos Migas (e não toda a família ,como referi no primeiro roteiro ); um velhote ,viúvo (de cujo nome não nos lembramos ,a minha amiga e eu ) ,que casou com uma rapariga muito mais nova,,sua antiga criada ; a Senhora Palmira ,mãe da Tiza(parentes do Chico do Porto) ; o Senhor Mário Mesquita, taxista; o Senhor Antoninho Silva ,sapateiro ,pai da Maria e da Alice ; a Senhora Maria Padeira ,por baixo da casa do Senhor António da Ferreirinha (Endireita). A Senhora Luzia ,que morava na quelha por baixo da varanda do Senhor António, era peixeira. O famoso Zé Leitinho também morou na nossa rua ,mas não nos lembramos em que casa. Por fim ,a família Rodrigues (o Senhor Carlos , a esposa, professora primária ,e o filho, Celso)habitava a última casa ,junto à capela que ,segundo informações, pertencia mesmo ao Machadinho.

Com vêem ,Júlia e Nelson ,a minha memória não merece os elogios que lhe fizeram.

Júlia, então quando vem a sua “Querdoira”?E quando vai à Argentina?

Abraços

Maria da Misericórdia

Nota: afinal a São não casou com o Afonso Gás Cidla, mas com o Manel Sota. Peço desculpa a todos.

rogerio rodrigues disse...

Nelson,passou-me o comentário sobre o café Aleu. Creio lembrar-me de alguma coisa. O Aleu penso ser de Trancoso, veio como caldeireiro para uma oficina que havia ao lado do antigo lagar ( hoje qualquer coisa Vasco da Gama). Depois casou com a Mariazinha Madeira. Mais tarde o café passou para o Todu (um dos homens mais admiráveis e bons que conheci), irmão do Adriano Fernandes e concessionário da Fiat. O café tinha um reservado onde nós, estudantes do Colégio, nos refugiávamos, quando fugíamos às aulas.O Todu, na altura, chegou a emprestar-me a sua máquina de escrever para eu ir teclando tontices da juventude. Aqui fica este pequeno registo.

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