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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A tradição Transmontana

TRADIÇÕES - PROCURE PRESERVÁ-LAS


Em Trás-os-Montes o Natal é diferente do que no restante pais. Prova disso é a quantidade de migrantes e emigrantes que invadiram as estradas portuguesas rumo ao interior transmontano na quadra natalícia.

Hábitos e tradições transmontanas no dia vinte e quatro à tarde começam a descascar as batatas e a arranjar as couves para o jantar. Na boa mesa transmontana não pode faltar polvo, couve, e bacalhau. No que respeita às sobremesas as filhós, os milhos e as rabanadas continuam a ocupar o topo das preferências e tradições.

Em quase todas as casas transmontanas o jantar começa cedo porque as gentes transmontanas não têm o hábito de jantar tarde como os citadinos, à mesa reúne-se quase a família da habitação e poucos são aqueles que ainda cumprem a tradição de abrir as prendas à meia-noite, perdeu-se na história a tradição que mesmo sendo crianças ainda acreditam na vinda do Pai Natal.

Depois do jantar e das prendas distribuídas e abertas normalmente junto à lareira que pelo menos nessa noite se acende na maioria das casas, por vezes segue-se a saída, para a praça da Aldeia, Vila ou Cidade, este ano com a neve mas apesar disso já não neva como antigamente, o frio continua a marcar presença assídua na noite de Natal e ainda há locais onde se fazem grandes fogueiras onde se aquece a população durante toda a noite.

A tradicional fogueira do Galo, continua a tirar as famílias de casa, que apesar da desertificação ainda são muitos novos e alguns de idade avançada, pois é costume dizer-se que Trás-os-Montes tem uma população envelhecida, as chamas vindas de grandes troncos arranjados nos dias e na noite que antecedem o Natal aquecem dezenas de pessoas que se juntam ao seu redor enquanto a missa do galo não começa, mas é uma forma de juntar a família e os amigos, como os costumes nunca se perdem alguns trazem chouriças, outros pão e outros vinho e às vezes ficam até de manhã, sendo por hábito o café da manhã ser feito e servido ali.

As fogueiras de Natal, ou “murras” [gigantesco canhoto de carvalho, castanho ou negrilho, que arde noite fora no largo principal de algumas das aldeias mais puras do Nordeste, representa a coesão de uma comunidade rural, que festeja na rua o verdadeiro sentido do Natal] em algumas localidades do interior transmontano, e ainda representam para muitos a coesão dos habitantes, crianças, jovens, adultos e idosos convivem pela noite dentro e fazem apenas um intervalo para a Missa do Galo à meia-noite.

Numa região onde a população está cada vez mais envelhecida, já houve mesmo paroquias que resolveram antecipar a missa do Galo e fazê-la no dia 23 durante o dia, como aconteceu em 2008, no 25 há missa de Natal seguida de mais uma reunião da família,o almoço que volta a juntar toda a gente na mesma mesa, é fruto da mistura de costumes em algumas casas que não dispensam o perú na mesa, no entanto, nas famílias mais tradicionais ainda se continua a comer a típica “roupa-velha”, uma espécie de mistura de todas as sobras do jantar do dia 24, o famoso cabrito assado transmontano é também frequentemente servido como refeição neste dia, em algumas casas.

Em resumo mais ou menos frio, mais ou menos tradicional, o facto é que a época natalícia continua a encher as Cidades, Aldeias e Vilas desertificadas do interior transmontano que durante o resto do ano se encontram praticamente desertas, alguns matam e trazem saudades, alegria e cor ao interior de Trás-os-Montes, os que cá ficam vão continuar a preparar tudo para acolher nestas e noutras épocas os que decidiram um dia sair à procurar de melhores condições de vida.


Autor: Cidadão do Mundo

8 comentários:

Xo_oX disse...

Bonito texto sobre as tradições em de Natal. Infelizmente, este ano, algumas coisas me pareceram diferentes. Será a crise? Será o individualismo?
Os emigrantes foram pouco; a iluminação de Natal menos intensa; algumas fogueiras não se acenderam; as missas do galo mudaram de data...
Espero que seja impressão minha, ou então uma excepção que confirma a regra.

Xo_oX

Anónimo disse...

É o que dá ter-se substituido o Menino Jesus pelo Pai natal,
o vinho pela coca-cola,
o pobre escudo pelo rico euro,
enfim,
acabaram-se os tempos de escassez vivam os novos tempos da abundância, do desperdicio e, sobretudo, do individualismo !

Júlia Ribeiro disse...

Ora, aí vai uma achega para a tradição da Fogueira de Natal.
Na Corredoura, há uns 60 ou mais anos, fazia-se a fogueira no Largo, não longe da Capela de S. Sebastião, pois a parede resguardava o lume e as pessoas do vento gélido que parecia cortar-nos as orelhas como navalhas.
Tempos antes do dia 24 de Dezº alguns homens mais velhos andavam de olho alerta, assinalando amendoeiras secas e oliveiras que, de tão velhas, tinham os troncos carcomidos e esburacados. Ficavam "marcadas à morte".
Na tarde de 24 ia-se pedir uma junta de bois e um carro à Sra. Camila Miranda e lá ia um grupo de homens novos de então - o Nosso Senhor, o Diabo, o Lobumano, o Gato, o Panda, o João Falapão, o Noventa ... munidos de serrotes, machados, podões , abater as ditas árvores. Quem comandava as operações era o Tio Zé Sangra. Era vê-los ( e ouvi-los ) a puxar pelos bois e a empurrar o carro pela ladeira do Arrebentão acima. E se aquela subida era fragosa e íngreme desde a estrada lá no fundo até â capela de S. Paulo ! Mas atalhava-se caminho.
E o Tio Zé Sangra: "Vá, rapaziada! Vamos a um 'fadinho de igreja' para animar a malta". E todos cantavam loas ao Menino Jesus. A mais popular era "Entrai, pastores, entrai, por esse portal adentro..." a que se seguia o coro com uma letra muito própria :

"Para sempre seja louvado ,
O Menino está todo cagado,
Está todo cagado"

"Bendito e louvado seja,
Limpai-o com uma carqueja,
Com uma carqueja"

E outras de que já não me lembro...
Mas não se pense que havia qualquer malícia ou desrespeito. Apenas a alegria simples e o riso ingénuo num dia que quebrava a dureza de todos os dias.

Júlia Ribeiro.

Júlia Ribeiro disse...

Esqueci-me de acrescentar que o verdadeiro coro ( melhor dizendo , refrão ) da loa de Natal era:

"Bendito e louvado seja
O Menino que está na Igreja
Que está na Igreja.

Para sempre seja louvado
O Menino abençoado
Abençoado" .

Está colmatada a falha.

Mais um abraço para Vós todos.
Júlia Ribeiro

Anónimo disse...

Desde hace algunos años,la navidad en esta parte del Duero,ha perdido también toda la espiritualidad.
Aquí las celebraciones las marca el comercio.Navidad,(regalo),día de Reyes Magos,(regalo),día de los enamorados,(regalo),día del padre,(regalo),día de......No hay celebración religiosa o pagana,que no esté orientada al negocio.
El natal en la España actual es;cena con opulencia:gambas(camarao),langostinos,ostras,
merluza,etc.Todo muy de las arribes del Duero.
Casi nada de familia;restaurante ,Hotel...
Y los regalos muy de Reyes Magos:Oro(pulseras,collares,anillos).
Incienso(colonias y aromas del corte ingles,a precio de oro).
Y mirra(electrónica made in china,mp3,mp4,psp,celular último modelo...).
Pero siempre queda dinero,para poner en los autocares en letras grandes"Dios no existe,vive la vida".
Amigo Lopes,¿Que hacemos?.
Un abrazo,Angel
Zé,di algo.

Lopes disse...

Este texto foi elaborado por um transmontano/duriense e Jornalista que solicitou que o nome verdadeiro não fosse publicado, futuro colaborador do Blog de Mós.
Em análise ao texto verifica-se que apenas se pretende que as tradições sejam preservadas, teremos que aceitar os efeitos da globalização para a qual devemos estar preparados.
Cumprimentos para todos os colaboradores e visitantes deste Blog.

Júlia Ribeiro disse...

Eu já erscrevi este comentário ontem, mas algo de errado fiz, porque o comentário sumiu mesmo.
Pois dizia eu que me tinha esquecido de acrescentar o verdadeiro coro , melhor dizendo, o refrão da loa de Natal que era:

"Bendito e louvado seja,
O Menino que está na Igreja,
Que está na Igreja.

Para sempre seja Deus louvado
E o Menino abençoado
Abençoado" .

Com esta vos dou os Bons Dias ,
Júlia Ribeiro

N. disse...

Apreciei o texto natalício do Cidadão do Mundo, que teria sido "na mouche" para o dia da consoada. Mesmo assim, e como "Natal é sempre que um home quiser", tem sempre interesse, sobretudo pelos comentários que gerou. Escatchei a moca a rir com a glosa popular que a Drª Júlia aqui nos contou, decalcada dos cânticos da igreja. Os goliardos medievos não fariam melhor!! (para quem não sabe, os goliardos estão na origem dos Carmina Burana, musicados por Carl Orff, tidos como malditos)...
Oportunas e sempre pertinentes as observações do nosso amigo Angel! Tienes razón: vivimos la cultura de la venalidad!....
Abraço (pós)natalício,
N.

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