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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

De passeio pela Lousa

A primeira fotografia colocada no Blogue sobre a Lousa despertou sentimentos a muitos dos visitantes. Não foi por acaso que lhe chamei "mais alto ainda". É que a situação geográfica da aldeia, quando olhada de Moncorvo, dá um sentimento de liberdade, qual pássaro pousado no galho mais alto de um carvalho, agitado pelo vento. O que sentirão os habitantes da Lousa quando olham Moncorvo?
A sede de concelho sempre esteve muito longe (a Lousa pertenceu ao extinto concelho de Vilarinho da Castanheira). Com o tempo os acessos melhoraram, mas, a Lousa continua distante, solitária no alto da encosta cravada de ciclópicas rochas graníticas. Os seus habitantes desfrutam das mais belas paisagens do concelho; da Serra da Estrela a terras de Espanha, acompanhando o sol desde que nasce, até que se esconde, talvez mergulhado nas águas do Douro.
Nesta minha primeira vista À Descoberta da Lousa, tive tempo para percorrer grande parte da aldeia, do Largo Fonte da Cruz até ao Cabeço, brindado por um céu azul, que a espaços se cobria de nuvens, ora de branco florescente, ora de negro ameaçador.
Hoje publico mais duas fotografias com um agradecimento à Wanda, que, do Brasil, espevitou o meu desejo de visitar a Lousa. Como pode ver Wanda, mesmo num dia de tempestade em todo o Portugal, não tive frio na Lousa (estamos em pleno Inverno!).

7 comentários:

Wanda disse...

Agradeço ao amigo esta oportunidade de divulgar esse pedacinho do céu que é a Lousa, e que mandou para o Brasil um filho que conheci há quarenta anos atrás e que se tornou meu marido há 37 anos!
Quando olhei a Lousa pela primeira vez, eu estava em Moncorvo.Vi só um casario no mais alto da serra.Depois,já quando "na terra" estive faltou-me o ar ao apreciar a paisagem abaixo, ver o velho Douro rasgando as encostas e pensar quantas e quantas gerações por lá já passaram,e quanta gente como meus sogros ali nascidos,só puderam retornar uma vez por poucos dias, a percorrer as ruas da infância e da juventude?
Creio que a Lousa deve ser a aldeia menos visitada dessas paragens , pois de lá não se continua, têm-se que voltar.Não sei se estou errada no meu raciocínio, mas foi o percebi!
Este blog tornou-se para mim um caminho para estar mais perto dos lugares que aprendi a amar.
Obrigada!
Wanda
São Paulo, 2 de fevereiro de 2009

Anónimo disse...

Quando nos empanturrávamos comendo um cibinho de chitcha de peguinho com um codordo de pão e dizíamos á professora: dói-me a barriga! Vira-a para a Lousaaa, sentenciava.Hoje, vendo a fotografia e lendo o texto do Daniel, sei o que ela queria dizer. Abandona a tua terra e parte...disse Deus a Abraão. A vilariça, Sabor o Douro e finalmente o olhar fixava-se no alto da Lousa. A vida começava para além da Lousa. Pensava assim. Que engano. A vida começa e acaba em nós.
Obrigado Aníbal, Daniel, Júlia e todos que fazem este blog.
Um moncorvense agradecido

Júlia Ribeiro disse...

É mesmo a saudade a transbordar, não é , Wanda?
E quanto mais os anos vão passando, maior é o apego ao torrão!
Leiria, 2 de Fevº 2009

Júlia Ribeiro

n. disse...

Como bem lembrou Wanda (que não conheço, mas que conhece bem estas terras e não as esquece, apesar de estar tão longe), em comentário anterior, há uma experiência inesquecível que marcará quem por ela passar: ver o nascer ou o pôr do sol, ou mesmo a noite, do alto de Santa Bárbara da Lousa... Há já uns largos anos fiz aí uma directa com um grupo de amigos e amigas, num dia de festa, com um garrafão de vinho e uma merenda farta, daquelas q há sempre em dias de festa... alguém tocando viola, outros namorando (essa noite originou um casamento!!) outros conversando. Durante a noite, as constelações de luzes dos povos que daí se avistam pareciam prolongar na Terra, as estrelas do céu (não havia lua, nessa noite); e, depois, o clarear do dia, e as cores do arrebol, o céu tingindo-se de vermelho atrás do cabeço da Mua, na linha do horizonte.... com uma neblina que parecia um lençol fino, ou uma mortalha, sobre o vale da vilariça; finalmente, o astro-rei surgindo fulminante por detrás da Mua! inesquecível.... Chegámos a Moncorvo (eu e o futuro "noivo") já dia claro. Por causa do namoro dele tive que "gramar" a directa, mas compensou pela experiência única, de ver o rodar da abóbada celeste durante a noite e o raiar do dia, a partir da Santa Bárbara. Este é o ano internacional da Astronomia: fica a sugestão para passarem uma noite neste observatório, e se ficarem para ver nascer o sol, verão que tenho razão. Ah, levem cobertores, pois mesmo em Agosto, ali pode fazer fresco pela madrugada (o que tb pode ser obviado com um garrafão do bô... o melhor antídoto contra o frio!).

Júlia Ribeiro disse...

Perdoai se mudo da Lousa para o Larinho. É que , se bem me lembro, há muitos anos celebrava-se nesta aldeia , no dia 2 de Fevº, a festa de N.ª S.ª da Purificação ou das Candeias . Dia 2 de Fevº é o quadragésimo dia após o Natal. Segundo a lei mosaica uma mãe de um menino só podia voltar a entrar no Templo 40 dias após o parto. Se tivesse dado à luz uma menina , só podia entrar no Templo 80 dias após o parto, pois era duplamente impura... ( A mulher sempre foi duramente discriminada ).
Pois Nª Sª das Candeias, da Candelária ou da Purificaçâo também tem um provérbio:

Quando a Sª das Candeias ri,
está o inverno p'ra vir;

Quando a Sª das Candeias chora,
está o inverno fora.

Como esteve o tempo por aí?

Um grande abraço,
Júlia Ribeiro

Anónimo disse...

Comove-me pensar que as coisas simples é que movem o mundo , e não a cobiça , o egoísmo , a hipocrisia , a vileza . Coisas que um olhar compreende e tece , finos mas imutáveis e perenes laços a um lugar, uma paisagem , um regato,uma fonte, um moinho , uma praça, um rosto, uma voz , um poema - algo que identifique a nossa natureza de transmontanos, por vezes rude, mas sempre generosa e autêntica.
Olhar que se torna tanto mais desejoso quanto mais distante , tão distante quanto os cantos do mundo.
Para esses meus conterrâneos , com os quais compartilho este retorno à terra em que nascemos , em que porventura descansam os nossos pais e avós e bisavós, eu deixo aqui um grande abraço de amizade.
Com as palavras de Gabriel Garcia Marquez :" É preciso abrir os olhos e peceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e apreender a sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver".
Daniel

Anónimo disse...

olá
concordo com a Júlia, cada dia que passa a saudade é maior.
A descida para o Douro é sempre algo de indescrítivel. uma beleza sem par..
esmeralda

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