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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Páginas de Caça na Literatura de Trás-os-Montes

Acaba de me chegar às mãos este livro "Páginas de Caça na literatura de Trás-os-Montes" com selecção de textos e organização de A.M. Pires Cabral. Saiu a público há poucos dias. Já o li, ainda que em diagonal, e tem textos preciosos além de especificidades vocabulares e linguísticas que são nossas. O livro divide-se em sete capítulos: Caçar; Caçadores;Histórias de Caça;Cães; Lobos; Outras caças; Caça Miúda.
Serão Miguel Torga e Camilo Castelo Branco os que mais participam nesta colectânea. Mas vale a pena recordar outros nomes que aqui escrevem: Fausto José, António Cabral, Sousa Costa, Pre Domingos Barroso, Salvador Parente (indispensável a leitura dos provérbios transmontanos deste velho padre de Vila Real, nota minha), João de Araújo Correia (quase obrigatório ler os contos deste João Semana da Régua, nota minha), A. M. Pires Cabral, Bento da Cruz, Vaz de Carvalho, Ângelo Sequeira, Domingos Monteiro (tem uma novela, O Crime de Simão Bolandas , que se passa no Peredo, nota minha) João de Deus Rodrigues, Manuel Vaz de Carvalho, Dr. Ferreira Deusdado, Mello Junior, Montalvão Machado, Cristiano de Morais, Guedes de Amorim Fernando Mascarenhas, António Fortuna, Gil Monteiro, Pina de Morais.
Escreve A. M. Pires Cabral na sua nota introdutória: "Hoje em dia não há terrinha por esse país fora que não seja ou queira ser capital de qualquer coisa. Não precisamos de sair do âmbito de Trás-os-Montes e Alto Douro: Vila Pouca de Aguiar capital do granito, Vinhais do fumeiro, Valpaços do folar, Vila Real do automobilismo, Mirandela da alheira, Armamar da maçã, Resende da cereja, Vila Nova de Foz Côa da arte rupestre, Freixo de Espada à Cinta da amendoeira florida..."
Pires Cabral reivindica para Macedo de Cavaleiros a capital da caça. Já seria tempo de Torre de Moncorvo reivindicar o título de a capital do ferro.
Não ponho a capa do livro porque o meu saber informático não dá para tanto. De qualquer modo na próxima semana estarei em Moncorvo e levarei o livro. Pretendo falar com o Emílio Cardanha para saber até que ponto aceita a colocação de alguns livros de temática transmontana (inclusivè este) na sua papelaria. Vale.

3 comentários:

Anónimo disse...

Uma luxuosa galeria de nomes que além de transmontanos ( pelo menos muitos deles) detêm o magnífico dom da escrita , último e intocável reduto da nossa identidade. Muitos deles miseravelmente esquecidos, face ao modismo da superficialidade , do vácuo , do nada que é a leitura pastilha elástica que por aí abunda, a moleza do lê, usa e esquece, ah é aquele tipo da televisão gajo porreiro já escreveu dois livros , só páginas são quinhentas. Quinhentas páginas de vento.Milhares de páginas de ignorância , em que a língua é aviltada, pontapeada, escarnecida - em nome do efémero e, porventura, mais uns euros na conta.
Pois que aqui se celebre a nossa língua, o prazer de escrever , de ler aqueles que da escrita fizeram muitas e muitas vezes o duro ofício de vida ou que dela tiraram o prazer de a cultivar - mas sempre com a dignidade e o respeito de uma coisa amada.Para que os outros também a amassem.
E quanto a capitais - que sejamos capital e reduto da nossa língua e das nossas orgulhosas tradições.
Daniel

N. disse...

viva Rogério! realmente um livro interessante e oportuno, do ponto de vista da captação do chamado turismo cinegético (se bem que hoje em dia parece que há mais caçadores do que caça, ao que dizem). A capa é bonita, o sortido de colaboradores é relevante, e o trabalho de selecção juntamente com o nome do antologizador é garantido. Espero que tenha incluído, de Camilo C.B., aquela magnífica descrição da montaria ao javali na serra do Roborêdo, algures no séc. XVII e que ocupa um capítulo inteiro de O Santo da Montanha. Aliás, o Camilo inspirou-se numa breve passagem do Pe. Carvalho da Costa (in Corografia Portuguesa, 1708?), em que este diz q a fina nobreza desta vila se recreava em montarias e caçadas na serra do Roborêdo, entre a Torre de Moncorvo e Felgueiras, sobretudo. - Tradição que se terá democratizado no séc. XIX e XX, e que se prolongou naquelas batidas à raposa, como a que atesta aquela célebre foto que ficou lá atrás, neste blog (nos anos50 ou inícios de 60?).
- Concordo com o que diz o Dr. Daniel de Sousa, sobre alguns destes esquecidos escritores, de que destaco, pela sua especial qualidade, como grandes contistas, João de Araújo Correia (o médico da Régua, já falecido), e Bento da Cruz (das terras de Barroso, felizmente ainda entre nós). Vivendo e escrevendo sempre cá no mato, longe dos holofotes da imprensa da Lísbia, não lograram alcançar o lugar a que deveriam ter direito na Literatura Portuguesa. O que provavelmente aconteceria a um Torga se persistisse em viver e trabalhar em S. Martinho de Anta... A única excepção parece ser mesmo a de A.M.Pires Cabral, que tem conseguido romper a barreira do Marão, mas, mesmo assim, se estivesse noutras "entourages" urbanas, onde é que ele já estaria...
- Quanto às capitalidades, devo dizer que isso é um bocado folclore, correndo-se, por vezes, o risco de simplificação de uma realidade que é normalmente multiforme. Por exemplo, a caça era extensiva a todo o Trás-os-montes, como se verá desse livro, e, se formos por aí abaixo, chegamos aos tiros até "monte" alentejano. Por isso, o que autoriza Macedo a ser agora a capital de caça? (só se a Estalagem do Caçador, que já quiseram encerrar, talvez por já ter perdido função...). Até há poucos anos (e acho que ainda agora), Foz Côa arrogava-se de ser a capital da Amendoeira, sendo certo que Torre de Moncorvo detinha uma mancha de amendoal e produção superior; agora derivaram para a arte rupestre; Torre de Moncorvo tem-se afirmado pelo Ferro, de acordo, pois há testemunhos inequívocos desde há 2.000 anos (ou mais) da exploração deste minério, que, todavia, hoje, não é explorado. Valerá o título, pelo minério, que está lá, apenas, como reserva. A metalurgia "in loco" terminou há 200 anos e, infelizmente, até o trabalho remanescente das velhas forjas terminou e as últimas foram sendo desmanteladas... Resta-nos o Museu do Ferro, alguns vestígios da mineração no séc. XX e o bairro mineiro da Ferrominas para afirmar essa capitalidade, que, apesar de tudo, sempre é mais indiscutível do que a alheira de Mirandela (um tipo de enchido difundido por toda a terra trasmontana, tal como o restante fumeiro, o folar, etc.)?

NAF disse...

Por mera coincidência hoje descobri este magnífico blog. Tantas vezes que acedo à internet e nunca me passou pela cabeça pesquisar alguma coisa sobre moncorvo, talvez porque até seja assiduo nas minhas visitas a moncorvo e não sinta tal necessidade. Hoje senti aquela alegria, que todos nós sentimos e que é tipico do trasnmontano, quando por coincidencia se cruza com algém que partilha connosco o que é ser moncorvense e transmontano. Ao longo destes 6 anos na faculdade de medicina dentária em lisboa, não é que depois de tantos anos é no último que descubro que um assistente meu é meu conterrâneo ; Dr Daniel de Sousa. Foi este meu professor, que em curta conversa visto estar-mos numa aula me referiu este blog. Fico contente por haver estas iniciativas em favorecimento da nossa terra. Identifico-me como sendo o Nicholas ( mais conhecido por Nick ) filho do Zé Fernandes do souto da velha que esteve emigrado nos Estados Unidos. peço desculpa por escrever aqui neste espaço, se calhar não é o apropriado para esta apresentação, mas de facto a alegria de ver este blog leva-me a tal desinibição.

Um bem haja

Nicholas Fernandes

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