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domingo, 8 de março de 2009

Peredo dos Castelhanos, 20 de Fevereiro de 74 (cont.)


Quando postei a foto da escola do Peredo, com texto do Rogério, era minha intenção, depois de alguns comentários, postar outra foto e o texto (reportagem) do Assis. (Além dos comentários, foi postado um poema de Carlos Santos e duas fotos a cores do Aníbal) Ambas fotos são inéditas, não saíram no “República”. A reportagem “Moncorvo, Zona Quente em Terra Fria”, com o subtítulo “Os Vizinhos Ajudam os Vizinhos a partir a Amêndoa no Inverno”, está no blogue, na pasta do Peredo. Os comentários ao primeiro post reflectem as várias visões que nós temos de uma situação. Isso é um dos objectivos do blogue.“Não pretendemos impor as nossas opiniões, mas simplesmente expô-las: não pedimos a adesão das pessoas que nos escutam; pedimos só a discussão: a discussão longe de nos assustar, é o que mais desejamos”, já dizia Antero nos finais do século XIX.
Têm a palavra alunos e ex-alunos, professores e ex-professores da nossa região.


32 comentários:

Anónimo disse...

Ainda fizera a quarta classe na escola da_terra, com o professor Tito, mau como um chibo, régua no tampo da secretária em constante ameaça aos rapazes, e logo, por sina, o Acácio Ribelas não dava para as letras, nem havia meio de perceber aquela história de litros e quilos, ares e hectares, raro sendo o dia em que o professor não lhe aplicava de vinte reguadas para cima com a santa-luzia, de modos que o rapazito fugia da escola como o diabo da cruz, só que a teimosia do avô em que o neto fizesse a quarta dava-lhe água pela barba, que é um modo de dizer, pois a barba não despontava ainda, ele que jurara que, pelo menos, o exame da quarta havia de fazer, para ao menos saber ler e contar na ponta da unha, já que a ele, pobre velhote, nunca os pais mandaram à escola, prefe¬rindo-o a contar os cagalhões que saíam do rabo da burra ou a puxar o cós das calças ao pai, e por isso não eram nenhumas avantes mas, pois de mais estranhanço era o que poisasse o dito no banco da carteira e aprendesse a gatafunhar o nome com a pena mergulhada a medo notinteiro. Jurara o velho que o neto alcançaria tal galho, e estava jurado, e daí que não estava por elas para transigir com as escapadelas do ganapo. Era os outros piolhos avisa-rem-no, com a mesma maldade com que partiam os ovos das rolas chocas, que o Acácio Ribelas faltara às lições e deambulava de olhos no alto dos pinhos e olmos à cata de ninho para desinçar, e ele a meter-se na peugada, sabendo quase_ de cor os locais da desova da passarada e do direito do miúdo em fazer mal sem punição, por lá o encontrando empoleirado num galho, ou a esfalfar-se como as carri-ças pelo tronco acima, de gâmbias engalfinhadas em cada rim do tronco, aproveitando cada coto ou ferida da árvore até alçar-se ao primeiro ramo mais consistente. Berrava--Ihe cá de baixo, do terreiro, a ordem para pôr as patas no chão, e que se aviasse a obedecer, e logo ao poiso do primeiro pé já lhe estava a alapar duas cachaçadas que o ajudavam a meter o outro pé no tapete de agulhas ou gravetos e erva, mais uns pontapés a torto e a direito no rabo e ala prà escola à minha frente, onde estava sempre o velhaco do professor Tito, a santa-luzia rosnando mais umas bolachadas na palma da mão. Isto nos dias em que o avô deixava as ovelhas na corte, que eram raros, as mais das vezes só à noite, pela boca de bufão, é que o velho ficava a saber das andaduras do mariola, e era nessa altura que aplicava a correcção, quem dá o pão dá educação, mas o pardalejo do neto, sabendo tão certo esse arraial de porrada como ser das tetas das ovelhas que vinha o leite, depois de espremidas por ele ou pelo avô, não desarmava nem arriava o toutiço, achando que valia a pena a liberdade da tarde atrás de ninhos e bichos perante o castigo certo. Que o avô só lhe batia mesmo por isso, por essa única razão, por causa da cisma de que o neto havia de saber mais de letras do que ele, de resto era uma autêntica ama, apaparicando-o como a horta de mil regadios, de manápula rude compondo-lhe os cabelos, sempre preocupado com a sua janta, dando ordem de vez em quando ao alfaiate para lhe alinhavar umas calças, já lá está o Ti Cândido Seixas, e...

in Postigo Cerrado de
Victor da Rocha,natural de Carviçais

Júlia Ribeiro disse...

A leitura do texto do Assis Pacheco ( velho colega de curso e amigo ) suscitou-me uma reflexão que vou, muito resumidamente, tentar partilhar convosco: senti, em directo, as tremendas dificuldades que os filhos de emigrantes tinham de enfrentar dentro da sala de aula.
Lamento dizer-vos que muitos deles não conseguiram vencer os obstáculos que os sistemas escolares lhes colocavam.
Os miúdos de que vou falar vinham da Alemanha para casa de avós e de outros familiares para "fazerem os estudos cá" e vinham reprovados , porque não dominavam a Língua Alemã suficientemente bem para passarem à classe seguinte. Porém, quando entravam na escola portuguesa, ficavam reprovados, porque não sabiam a Língua Portuguesa suficientemente bem para passarem de classe.
Ou seja, aquelas crianças e adolescentes que já haviam sido penalizadas uma primeira vez no país que acolhera os seus pais (que executavam as tarefas que os alemães rejeitavam) eram aqui penalizadas uma segunda vez.
Isto era exactamente assim há 30, há 20 , há 10 anos.
Escrevi relatórios para o Ministério da Educação, escrevi artigos para jornais, expunha os casos oralmente e por escrito no Conselho Pedagógico ( até já havia rostos de colegas enfadados com a questão) mas não vi que a situação melhorasse.

Depois aposentei-me e, entretanto, dizem-me que as coisas estão já um pouco melhor: há agora apoios de salas de estudo para essas crianças.

Mas houve durante mais de 40 anos quase duas gerações que viram os seus sonhos desfeitos em fumo, as suas mais que justas ambições destruidas.
E, pelo meio, dois casos de suicídio. Foi devastador!

Ninguém me diga que isto não era fascismo. Era, e em toda a sua crueldade.
Fico-me por aqui, porque teríamos pano para muitas mangas...

Esqueci-me de dizer que eu era professora de Alemão e esses miúdos
e jovens confiavam em mim.

Anónimo disse...
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Júlia Ribeiro disse...

H.E.Júnior: aí vai o que apurei sobre Víctor da Rocha ( só conhecia "Postigo Cerrado" de título e como um extraordinário romance sobre o abandono do interior do país . Agora vou tentar arranjar o livro mesmo).

Vitor da Rocha – Professor, escritor e editor (edições artescrita)
É natural da freguesia de Carviçais, no concelho de Torre de Moncorvo, em Trás-os-Montes, e residente em Rio Tinto há mais de vinte anos. Estreou-se na escrita em 1997, com a publicação da obra Na Andadura do Tempo (colectânea de contos) (1997), pela Editora Campo das Letras, Porto, obra que foi seleccionada para apoio pelo IPLB – Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, do Ministério da Cultura, a que se seguiu o romance Postigo Cerrado (2002), pela Editora Círculo de Leitores, Lisboa. Entretanto, em 2004, faz a primeira incursão no domínio da literatura infantil e juvenil, ao lançar a obra Contos com Bicho, pela Editora Gailivro, de V. N. Gaia. Em 2006, é co-autor do livro de contos Cinco Enterros do João, editado pela Arca das Letras. Tem ainda desenvolvido actividades de revisor de imprensa, tradutor e redactor em vários jornais e editoras no Porto.

Penso que seria uma mais valia para o blog, uma excelente companhia para a cortinha da guarda em Set.º e um bom AMIGO para nós todos.
Põem-se a Dra. Helena e o Nelson à procura do Dr. Victor Rocha, que dizem da ideia? Não são precisamente as pessoas indicadas para a tarefa ?

Um abração
Júlia

Anónimo disse...

As minhas desculpas pelo texto anterior.Solicito a sua anulação. O correcto é este:

Conheço o ARTUR e a sua posta, o CARVIÇAIS ROCK, mas este CARVIÇAIS ROCHA,quem é?
Não cerrem o postigo, “escancarem-no”! Abram mais janelas do que o WINDOWS!
Nelson, Henrique,Rogério, Daniel ,,Júlia ,blogueiros informados digam tudo sobre este moncorvense de primeira água. Que “posta” de texto!A oralidade ,os regionalismos da nossa terra ,a Transmontânya, elevados a um grau de literatura surpreendente .Leiam-no nas escolas, nos lares, em voz alta e com o nosso sotaque ,catantcho!
Leio pouco, sei pouco, mas aprendi a tactear. Vou ao meu ritmo ,pedindo boleia, uma informação aqui, outra onde calha e vou andando .Não há caminho, "el camino se hace al andar" ,dizia o velho Machado .Verdad, Angel?
Quem é Victor da Rocha?
O que publicou e onde?
Onde comprar a sua obra?
Por que não escreve no blogue?
Por que não dá uma conferência na cortinha da guarda ,na Biblioteca ,no Centro de Memória ,no cineteatro ,no Celeiro, falando dele mesmo? ,de Carviçais , da Transmontânya e da sua obra?

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente o que disse H.E.jr sobre Victor da Rocha, "este moncorvense de primeira água", a propósito da truculenta “posta” de texto que o Leonel nos "postou". Concordo: há que "apostar" no Victor, que é, de facto, um excelente escritor (não é por mero acaso que o "Postigo", a condizer com "posta", foi editado pelo Círculo de Leitores). Como a nossa colega de Blog, Júlia Biló já disse muito sobre o Victor, abstenho-me de acrescentar mais. Tem piada que o meu exemplar do Postigo Cerrado foi comprado precisamente no restaurante Artur, de Carviçais, há uns poucos anos, quando saíu. É um livro dramático, terrível, onde se expõe a mutação social das nossas aldeias nos últimos 30 ou 40 anos, rumo à desertificação final. Aí estão os filhos dos emigrantes, dos "internos" (emigração para a cidade) e dos externos (os das Franças, Alemanhas, Suiças), regressados temporariamente à tribo, povoada de velhos que lutam denodadamente até ao último esforço, para terem o azeitinho, o vinhito, as batatas, etc, que os seus filhos, sobretudo os que vêm do Porto ou de Lisboa, de tempos a tempos, levam nas bagageiras dos carros derreadas. É pungente a história da velhinha, coitadinha, a cozer carinhosamente o seu folar, esperando pelo gabirú do filho que afinal não apareceu, nem sequer lhe telefonou a dizer que não vinha... e ela à espera dele a qualquer momento, até se convencer que não vinha, e, no lugar dele, resolver-se a levar o burro que estava na loje para cear com ela, no piso de cima, acabando assim por enlouquecer... (é um episódio de chorar baba e ranho...); aí aparecem as noras (esposas dos filhos) para quem ir à aldeia trasmontana, suja, cheia de moscas, ou, no inverno, com muito frio e as cozinhas cheias de fumo, era um sacrifício terrível, pelo que estavam sempre a desdenhar e a criticar o modo de vida da gente local. E os filhos dos filhos, outros gabirús, a pensar nas discotecas e amigos que deixavam lá na cidade (os "passarinhos de goelas metálicas" preferíveis aos cantos dos passarinhos que se ouviam na aldeia) para quem tudo isto era/é uma seca!... Uma crítica implacável, mas certeira, num cenário que tanto pode ser Carviçais (nunca este topónimo é mencionado, nem há identificação de situações, nem de personagens, com esta aldeia) como outra terra qualquer. É um livro de leitura obrigatória, como diz o H.E.jr, pelo menos nas escolas secundárias que ainda restam por aqui (ou "agrupamentos verticais de escolas" como agora lhes chamam, reunindo os residuais de alunos que ainda vão restando por estes concelhos do interior...). Para que um dia, quando daqui saírem, não esqueçam totalmente isto, nem tenham os comportamentos de alguns relativamente às suas origens.
Victor da Rocha foi convidado há poucos anos para uma palestra na Escola Secundária de Torre de Moncorvo; e, mais recentemente (2007), ele e esposa (Elvira Santos, que também escreve poesia), estiveram no lançamento dos "Contos com bicho" e “Era Agosto e chovia”. Tentaremos obter os seus contactos, a fim de ser convocado a Capítulo (aqui do Blog).

Anónimo disse...

Como moncorvense sinto orgulho em ver transposta para a escrita este retrato (infelizmente aqui só a amostra para aguçar o desejo de ler mais) de figuras que nos são tão familiares,com o vigor, a garra e a genuinidade com que Victor da Rocha o faz. Infelizmente não conheço o seu trabalho literário-mas o grave seria depois disto continuar a não o conhecer.
Abraço
Daniel

wanda disse...

Olá

Lendo estes comentarios fiquei boquiaberta!Tanta informação e tanta coisa interessante escrita pelos comentaristas do blog.
Aguçou-me a curiosidade de saber mais sobre Victor da Rocha e o "Postigo cerrado".Fui á procura na Internet e achei uma entrevista (feita á ele no Circulo do leitor), que me encantou!
quem quiser ler o endereço é:
http://www.circuloleitores.pt/cl/artigofree.asp?cod_artigo=84325
Vou tentar achar o livro aqui no Brasil.
Abraços!
Wanda
São Paulo 9 de março de 2009

Anónimo disse...

Então mais uma “posta ” para o desejo de o ler ser ainda maior:

«Postigo Cerrado»
Pinhos, giestas e torgas
Palavra arma. Em arremesso, metralha e ironia, Vítor da Rocha, o transmontano que se quis fazer alguém em terra de prédios e desenraizados, fala, em rico e pensado palavreado, do livro que lhe nasceu entre dias. Porque um livro se carrega no ventre da alma, o (quase) citadino escritor confessa-se receoso.
Parece que o país corre o risco de submergir, pelo peso demográfico, no seu quadrante litoral. Avisadas as demandadas almas que ocupam o vazio das grandes cidades, o autor prossegue o rol de revelações. Natural de Carviçais, onde nasceu no ano de 1961, professor, tradutor, edita o seu primeiro livro de contos, «Na Andadura do Tempo», em 1997. «Postigo Cerrado» retoma um literal sugar do leitor até ao país real.
Trigo, lareira e o futuro por semear. Na aldeia descrita por Vítor da Rocha já só existe uma criança. Todos partiram, todos voltam uma vez por ano para a garrafinha de azeite, para a festa dos santos ou em trânsito até às férias no Algarve. Os que ficaram lidam agora com os cães que se fizeram selvagens. Dali a vida partiu. Na taberna reúnem-se os últimos homens e, pelos montes, Acácio Ribelas será o último dos pastores. Chega contudo uma nova à aldeia. A alguns quilómetros dali passará a IP. Revolvidos pela ideia de progresso exigem o seu quinhão de alcatrão. Trará essa “migalha de alcatrão” de volta os que da terra partiram ? Ou apressará a mais rápida debandada dos poucos que ficaram ? Seguem-se as respostas, sempre prontas ao trocadilho, do homem que bebe do ainda farto e saboroso cálice de Torga, Aquilino e Saramago.
Círculo de Leitores online – Comecemos pela personagem Jaime. Natural de uma perdida aldeia de Trás-os-Montes, tendo vivido a guerra, migra para o Porto e torna-se um bem-sucedido vendedor de apartamentos. A que lugar (se é que ele tem um lugar) pertence afinal Jaime ?

Vítor da Rocha - Jaime é como aquele homem bem casado que, certo dia, por acaso, acaba por provar carne alheia... e toma-lhe o gosto – e depois não quer outra coisa. Obrigado pelo Estado Novo a abandonar o leito materno, para matar uns quantos negros e assim, pretensamente, defender uma realidade que não era a sua (que haveria de comum entre uma aldeia transmontana, fechada no seu abandono, e uma mata africana, excepto unicamente a língua portuguesa?), ele acaba por descobrir, na cidade onde embarca, um mundo onde é possível obter rendimentos – e proveitos materiais – sem sujar as mãos de terra, muito embora as suje de algumas indignidades, como enganar os clientes, com uma boa dose de patuá. Jaime acaba, pois, por decidir pertencer ao seu novo modo de vida.
Olvidar-se do torrão é o preço que assume ter de pagar para poder pertencer plenamente a tal modo de vida, preço esse que ao mesmo tempo lhe vai sendo imposto, gradativamente, pela mulher, imune a qualquer sortilégio de atracção pela lareira fumarenta donde esvoaçara o marido.
Penso que é um tipo de cidadão que enche muitos andares e casas de bairro de Lisboa e Porto, o migrado das leiras de Trás-os-Montes, dos milharais do Minho, das herdades e montes alentejanos que acaba, a pouco a pouco, por diluir-se na massa cinzenta do citadino; décadas depois, encontram-se os filhos ou os netos que referem como uma excentricidade do seu B.I. o terem na ascendência um chouriço seco ao fumo da lareira.
CLonline - O esquecimento, o afastamento das raízes dos filhos da aldeia parece aliás uma constante no seu livro. É já irreversível a desertificação dessa zona do país?
VR - A desertificação é irreversível em Portugal, pelo menos em bastas décadas próximas, enquanto os portugueses não alcançarem um tal nível de bem-estar de que lhes sobre dinheiro e tempo para se encherem desse mesmo bem-estar plástico, olharem para o seu interior e descobrirem o gosto de cozer pão pelas próprias mãos –já não por necessidade, mas sim pelo prazer de re-cheirar aquilo que um dia foram. E para obstar à desertificação não bastará construir IP e auto-estradas, que elas só servirão para ir mais rapidamente a Espanha e França ou para sair mais velozmente do interior.
CLonline - O quer dizer o narrador ao falar de um "país bicéfalo"?
VR - O país uno e unido, igual e irmanado, é uma falácia do tamanho duma fronteira a leste que é simplesmente uma das regiões mais atrasadas da União Europeia. Deste modo, uma imagem que muito me irrita cheirar é aquela dum portuense que se queixa por Lisboa se achar o centro do país e o resto ser paisagem. Porque as oposições internas não passam por essa linha Norte-Sul, mas sim pela linha vergonhosa Litoral-Interior, podendo distribuir-se a massa do país por três níveis: primeiro: Lisboa e Porto, megalómanas, açambarcadoras de grandes fluxos de dinheiro e pessoas, guerreando-se para saber qual das duas recebe mais; o segundo é o de toda a faixa litoral, especialmente de Braga a Setúbal, mais a estreita fita algarvia, que vai acompanhando subsidiariamente os passos das duas cabeças, e finalmente todo o interior, que, nalguns locais está ali a escassos trinta ou quarenta quilómetros de distância do mar, noutros um pouco mais para leste – esquecido, abandonado, perdido de gente, onde as pontes caem de esquecimento. Um dia, a continuarmos por este caminho, a banda oeste ainda submergirá no oceano sob o peso dos excessos demográficos, tal a ponte das barcas tripeira, enquanto a outra banda se erguerá à altura da Estrela, vazia e leve.
CLonline - Confesso que o seu livro me fez lembrar «O Fim do Mundo», de João Mário Grilo. Embora passado numa distinta zona do país, subsiste uma mesma ideia de perda de um mundo e de uma certa perda dos filhos desse espaço rural que, não podendo aí sobreviver, vivem uma espécie de cinzentismo na cidade. Este livro conta também o fim de um mundo?
VR - Exactamente: o fim dum mundo onde o cão servia para caçar coelhos e perdizes e não para lamber as feridas das madames e dos senhores; dum mundo onde o nome era mais que quatro palavras num papel mas o topónimo dos lugares duma pessoa na mente do vizinho, amigo ou inimigo; dum mundo em que os vícios e crimes tinham autor conhecido e eram prontamente condenados ou absolvidos pela comunidade. Mas também fim dum mundo que poderia ter sido e não foi; um mundo de pequenas comunidades onde coexistissem o cheiro do trigo e do alcatrão, a roda rústica do tractor e a sedosa dum “sedan”; dum mundo onde cada membro pudesse transpor o portão da fábrica e do gabinete, acrescentar mais uns pontos no gráfico da competitividade e depois rasgar a terra como um João Baptista que se purificasse no Jordão. Mas os portugueses resolveram fazer de deus e criar o seu fim do mundo – o fim do mundo rural donde uma larga maioria, no fundo, brotou; é como se resolvessem deixar apodrecer de abandono o berço que os embalara. Assim, sem saberem distinguir o preto do branco (racismos à parte...), esbracejam num mar de cinzentismo onde nem Dom Sebastião, nem o deus maioritário dos católicos ou o minoritário das pululantes seitas surgirão para lhes mostrar um espelho e apontar um cabo de esperança.
Emaranhados e actos de amor
CLonline - Faço agora a pergunta com que deveria talvez ter começado: como surgiu este livro.
VR - Os meus livros começam sempre por uma ideia e umas poucas personagens nucleares que vão esculpir a ideia no papel. Em “Postigo Cerrado”, quis meter pelos olhos dentro do país o desleixo a que pelo menos de há quatro décadas a esta parte votou o seu interior.
CLonline - Quando parte para a escrita tem em mente as histórias e personagens que faz cruzar ou surgem no fluxo de escrita? Ainda, as histórias que conta baseiam-se em pessoas reais, histórias que ouviu contar ou são fruto da sua imaginação?
VR - Como disse atrás, no mesmo pacote que me traz a ideia ao cérebro, vêm também, como um “dois em um”, duas, três, quatro personagens centrais, com o fio da meada meio desenrolado e o outro ainda por desenrolar, que será desfiado com o fio da história. Depois, estas personagens nucleares vão parindo as outras, que por sua vez trazem o seu pequeno rolo de história para desfiar, que eu vou fazendo cruzar, até obter um pequeno emaranhado – está a história pronta.
Quanto à fronte donde brotam personagens e histórias, pois elas vêm daquelas que mencionou – de pessoas reais, de histórias que ouvi, e ouço contar, da imaginação, até de pequenas manchas de sangue que leio e ouço na comunicação social. Digamos que em cada dia que passou e passa na minha vida vou guardando minúsculas folhas no cérebro – tal como, quando estudantes, guardamos uma folha ou flor seca entre as páginas dum livro. Depois, vou ruminando-as nos intervalos dos afazeres profissionais, seja dentro dum autocarro ou enquanto conduzo, no quarto de banho ou num café, até mesmo a dormir. Pensar em livros, em histórias para livros é o que mais faço quando o trabalho não espreita. Infelizmente, porque nem sempre posso registar esses sémenes de histórias, uma parte delas acaba por voltar ao limbo...
CLonline - A viagem ao mundo rural acontece não apenas por essa descrição da vivência e do espaço da aldeia, mas pela própria linguagem repleta de expressões populares, trocadilhos, associações, regionalismos. Que tipo de pesquisa ou recolha efectua ?
VR - As únicas pesquisas – se assim se lhes podem chamar – que faço são as releituras de alguns autores que mantiveram sempre por cortar o cordão umbilical aos pinhos, giestas e torgas onde nasceram: Aquilino Ribeiro, Miguel Torga, autênticos dicionários da língua portuguesa antes da inundação feroz e criminosa de estrangeirismos promovida pelos actuais – e banais... – portugueses – não já uma serena interpenetração de línguas entre namorados, mas uma feroz deglutição do português pelo estrangeiro, especialmente o inglês. Nada damos da nossa língua em troca e tudo comemos da que nos metem pela boca – pelos ouvidos... – dentro.
Evidentemente que recorro também à memória, em busca dos termos ancestrais engolidos pelos “chips” globalizantes. Aí encontro o raparigo que não perdeu toda a memória legada à lareira.
CLonline - Na leitura parece sugar-nos um pouco o fôlego... descrição, diálogo, pensamento seguem quase sem paragens. Correcção: a paragem (pelo domínio da vírgula) acontece, mas apenas para que o narrador respire até à frase seguinte. Concorda ? É um intencional trabalho sobre a escrita? Uma tentativa de ligação à oralidade?
VR - Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. Ora os pontos que eu aumento são apenas brevemente interrompidos por vírgulas, para que a vida das histórias se pareça a um rio sempre corrente. Ao fim e ao cabo, é assim mesmo que se vive, sem pontos entre cenas diferentes: trabalha-se e pensa-se e grita-se e logo se beija e ama-se e desama-se e casa-se e descasa-se e sua-se e mandria-se e cresce-se e fazem-se filhos e fuma-se e bebe-se e produz-se e consome-se e cuida-se dos filhos dos filhos e cuidam de nós e vai-se ao funeral dum amigo e logo é o nosso. Sem muitos pontos. Apenas vírgulas mal pronunciadas para às vezes escolher uma rota, a maior parte das vezes nem há direito a uma palavra para impor a nossa rota. Que a minha escrita faça sentir ao leitor este afogamento – é o que viso.
E é pela oralidade que muitos destes passos da vida se concretizam e ganham vida, quanto mais não seja na nossa mente, quando os verbalizamos no silêncio da intimidade com o outro que sou eu, fora do alcance dos outros, ou quando os fazemos contos para ouvidos e lhes acrescentamos mais uns pontos. A oralidade é a medida primeira da condição humana, primordial como a pele, o sangue e a respiração, ainda no jardim do Éden. Só mais tarde veio a escrita e o registo do que só era oral. E a compartimentação daquilo que antes era a pangea original, falas, pensamentos, observações, interrupções, gritos e murmúrios, troca de papéis, ora alvo, ora seta. Pois bem, se a ruralidade portuguesa assentou também desde a pangea no quase absoluto analfabetismo, em que o dom da escrita não era cedido pelo omnipresente poder, faz sentido que eu procurasse que “Postigo Cerrado” fizesse lembrar um mundo oral, e pouco verbal. Se o consegui, fico satisfeito.
CLonline - Gosta mais de ouvir contar histórias ou de as escrever?
VR - Gosto de ouvir histórias, gosto de ler histórias contadas por outros autores e gosto de escrever histórias. Ouvir e ler histórias são parte das munições com que carrego a minha bagagem para depois contar as minhas histórias. Por isso, são gostos de intensidade diferente. Na verdade, o caçador encontra prazer em todo o cerimonial que acompanha o acto de ir à caça: preparar-se a si próprio, com a roupa e calçado adequados, aquecer os cães, carregar os utensílios; mas o êxtase supremo é o momento do disparo. Também durante o acto de conquista do outro pelo sujeito enamorado pode ser fonte de prazer, que não se pode comparar ao do momento de concretização da posse da carne. Escrever é esse momento de sublime clímax... que, no entanto, só acontece após uma sucessão de esforços transpirados. Tal como no acto do amor.
Manadas de prédios
CLonline - Este livro conta um pouco da sua história ?
VR - Não muito. Só na medida em que sou natural duma aldeia a poucos quilómetros da raia com Espanha e tive de migrar para o Porto se me quis fazer gente – as alternativas eram emigrar para as europas como trolha ou criado de hotel (nenhum suíço ou francês vê um português que não pense logo no trolha ou no criado... – custa, mas esta é a realidade, como no-lo demonstraram espanhóis e franceses no recente caso do petroleiro “Prestige”), ou apodrecer ainda como trolha ou cavador, nas leiras natais, sem direito a um tractor, debulhadora e malhadora libertadores. Uma grande parte da minha geração vestiu farda de militar, guarda ou polícia (os empregos que a democracia abrilenha ofereceu durante anos aos jovens desgarrados da nacional miséria rural), evitando assim correr o risco de cair no bairro de lata lisboeta ou portuense. Eu corri esse risco. E não caí. De resto nada mais no livro é história por mim vivida. É já muito, confesso.
CLonline - Diria que o espaço rural é um espaço de maiores autenticidades ?
VR - É-o, sem a menor dúvida. Aí, ainda não se corre o risco de achar que o leite vem das tetas do senhor Belmiro de Azevedo, ou sequer dos seus funcionários de hipermercado. Aí, ainda os animais se vêem passar ao nosso lado e não apenas no ecrã do televisor ou do computador. Aí, ainda uma arma se sabe que é para caçar ou para lavar atritos de honra e não simplesmente para matar a eito, sem quê nem porquê, ou para fingir-se soldado virtual que leva tudo a golpe de rajada. Aí, ainda um mendigo é um cego ou estropiado ou canceroso ou bêbedo que não pode mesmo trabalhar, não simplesmente o suspeito de um bem provável ludíbrio, que se põe a milhas, mal pressente o cheiro a suor.
E vai-se ao médico como quem faz uma viagem indesejada. E depois morre-se, sem saber, autenticamente, porquê nem de quê.
CLonline - Um médico a milhas de distância, a electricidade que tarda em ser instalada e agora essa "migalha de alcatrão" a prometer o regresso de todos os que partiram. Um progresso sempre dois passos atrás, sempre umas décadas em atraso. Um retrato do país real ?
VR - Não. Não do país real dos nossos dias – talvez de há umas décadas atrás. Diria antes: do país rural de hoje, porque o país real é, mais nitidamente em cada dia, o país do subúrbio, das manadas de prédios rodeando as zonas históricas das duas grandes cidades, ninho de traficantes e mandriões, de auto-supliciados e autodesculpados de vícios e falhas de vontade, de adolescentes que perderam o medo deuses e tutores e mandam e desmandam nas ruas e escolas, mas também leito apenas de quem gasta horas para chegar à seara dos empregos, terra-de-ninguém e de milhões de desenraizados. Esse é que é o país real, pois é o único país que vários milhões conhecem. Para tais gentes, não há outro país para lá das duas faces da Circunvalação e Segunda Circular, mais a auto-estrada A1.
Médico distante, porque a figura do médico de aldeia também migrou; a electricidade chegou, a muitos aglomerados só depois de Abril, quando já as indústrias tinham dono no litoral; o comboio fez ouvir os freios já no século XX, desgraçadamente arrimado aos rios, onde os povoados só banhavam os pés, porque nem sequer houve vontade, ambição e dinheiro para o levar pelo meio das serras e planaltos onde as povoações mourejavam, a “migalha” de alcatrão alargou-se e amaciou-se com o calor dos milhões de contos sobejados das europas, mas tão a destempo chegaram que já só servem para trazer os desterrados às berças do berço. Comeram-se algumas curvas das estradas que as unhas de fome do Estado Novo haviam rasgado pelos campos dos mais fracos para não rasgar as coxas dos montes e os teres dos proprietários do regime, mas já então a seta virara a ponta para o exterior – em vez de estradas para o interior, são estradas que saem do interior.
Todos o sabemos a propósito dos tribunais: a justiça que chega a desoras já não é justiça...
Montes que abraçam
CLonline - Maria Clara, a única criança da aldeia, tem um perplexidade curiosa: ao assistir a um casamento, o primeiro em que participa, estranha a falta de colorido e acção que estava habituada a ver na TV. Desconhecemos mais o que nos rodeia que o que nos chega a partir do pequeno ecrã?
VR - A cerimónia de casamento foi acontecimento insólito para Maria Clara, por duas ordens de razões: primeiro, porque nunca assistira a tal na sua vivência entre os seus; segundo, porque este acontecimento diferia das referências vulcanizadas na sua mente pelo cilindro uniformizador do ecrã: nem galãs e deusas, nem carros engalanados e roupas principescas, nem convivas lindos e alvamente sorridentes, nem orquestras e criados de colarinho preto num corpo esbranquiçadamente servil. Apenas velhos, conhecidos, menos sujos que nos outros dias e uma tristeza menos triste. E o galã e a deusa, campos de rugas.
CLonline - Na verdade, se me permite a observação, «Postigo Cerrado» parece continuar um certo olhar, uma certa ironia sobre o atavismo, beatice e pobrezas do país. De que autores admite recolher influências ?
VR - Influências? Miguel Torga, o descobridor do Reino Maravilhoso de Trás-os-Montes, aquele que mais valia que o Infante tivesse mandado descobrir do que as Índias dos outros, mas também Aquilino Ribeiro, o único homem que construiu uma língua própria com direito a dicionário, e Saramago, que trocou as voltas aos compêndios e historiadores, ao colocar no trono o humilde trabalhador braçal que ergueu, sobre os corpos dos que caíam, o terrífico convento, esconderijo mais ignóbil que o de piratas onde um rei escondeu uma imensa fortuna achada no Brasil.
CLonline - Gostaria que me falasse um pouco da sua relação com a escrita. A escrita é forma de descortinar a ordem do mundo, ou um encontro consigo, com as suas raízes, as suas dúvidas
VR - A escrita não é de forma alguma um modo de me encontrar comigo, nem com as minhas raízes, ou dúvidas – encontros desses tenho-os a todas as horas, sem precisar de escrever. E nem sequer preciso de me encontrar comigo, pois trago-me sempre e convivo comigo em relativa serenidade. Também não é, a escrita, uma forma de descortinar a ordem, ou a desordem e contradições do mundo – para isso basta ter olhos e ouvidos... e mente para pensar. O que tenho em boa dose, mas me parece que cada vez menos a humanidade quer ter.
Por que escrevo, então? Há quem sonhe em cantar, em entrar no “Guinness”, em jogar futebol num “grande”, em ganhar o totoloto, em divertir-se de sexta à noite até domingo, em viver sempre em férias, em concluir um curso, em nada fazer, em encontrar mais uma veia, em aparecer na televisão, em enriquecer. Eu, por outro lado, olhei para Erico Veríssimo, Jorge Amado, Torga, Namora e Saramago desde a adolescência e mais tarde como os meus santos. Só quero fazer como eles. Há lá algo mais próximo do céu do que escrever uma história?
CLonline - Quando regressa a Carviçais, a sua terra de origem, qual o sentimento mais forte: o espanto, a estranheza, a familiaridade ?
VR - Tudo isso. Espanto, porque fico a pensar como que é que pude viver tantos dias fora do meu ventre... e como é que pôde aquele meu ventre seguir a existência sem dar pela minha falta. Estranheza e familiaridade, em dose dupla de vinho e cerveja misturados, porque, reconhecendo cada fio de cabelo e cada vinco das ruas, tudo me parece estranho, como se fosse outro que tivesse chamado àquela terra sua e julgado que o mundo terminava atrás dos montes que a abraçam, estendida como amante doce num planalto.

Abraços de mais um H.E.j.(quantos há no mercado?)
Eh!...,eh!...,eeeeh! E o livro está esgotado!
Comprassem-no no Artur...

Anónimo disse...

Decididamente Victor da Rocha é alguém a quem conhecer e seguir com toda a atenção.Pela originalidade e fulgor do seu discurso, pela atenção ao mundo, pelo respeito das suas raízes e referências,pela criatividade. Como digo e lamento-o não conheço a sua obra mas isso não é questão - estamos sempre a tempo. De qualquer modo e se estivermos atentos ao leit-motif deste post que foi a reportagem do Assis Pacheco ( que a meu ver já é uma referência patrimonial de Moncorvo) podemos verificar como é grande o poder da palavra - quer na concisão genial e inultrapassável de Assis Pacheco ,quer no texto de Victor Rocha que de algum modo recria de facto a genuína oralidade do Nordeste bebendo muito em Torga e Aquilino. O grande risco desta escrita é circunscrever a legibilidade ,mas não lhe retira envergadura estética nem veracidade.
Por outro lado e se lerem bem os comentários deste post poderão verificar que,um pouco perdida nesta discussão,está o comentário de Júlia Ribeiro que reafirma o obscurantismo e a prepotência que marcaram gerações sucessivas durante os anos da ditadura . Que eu não gostaria de deixar passar em claro - a memória é curta e as jovens gerações tendem a esquecê-lo.
Daniel de Sousa

Baiqueeuespero disse...

O Vitor é membro do Fórum Carviçais, e tem participado sempre nos nossos encontros. Caso queiram o mail dele para contacto eu dou.

Anónimo disse...

O Povo Unido jamais será vencido!

Anónimo disse...

Do Peredo ninguém diz nada?
E as meninas?
A Professora ainda é viva?

Anónimo disse...

OS PROFESSORES DO COLÉGIO CAMPOS MONTEIRO

O Dr. Ramiro Salgado
É o nosso Director
De Matemática e Física
É o melhor professor

Sempre de cana na mão
E berro forte e profundo
"Menina, é uma progressão!
A coisa mais fácil do mundo."

Uns caldos, uma varada
Ajudam na pedagogia
E põe toda a pequenada
A tremer, uma agonia.

O certo é que todos aprendem
Mais depressa ou devagar
E as melhores notas do Liceu
Vêm todas cá parar

Depois vem o Dr. Lima
Por alcunha "Pouca-Roupa"
Dá-nos História e Francês
E a cana também não poupa

Para Francês aprender
Tens de muito bem saber
A conjugação verbal.
Se falhas, lá vem a cana;
Não vai a bem, vai a mal.

A História ele torna viva,
Porque a dá com amor.
Até dá gosto aprender
Com um tão bom professor.

E vem a D. Lucília:
Dá Ciências Naturais.
Como é médica, ela exige
O programa e muito mais.

São os ossos e os ossinhos
E o sistema nervoso
Artérias, veias, coração
"Se não sabes, dá cá a mão".

E chove palmatoada
Às vezes também varada
- Apoios da pedagogia -
Aprendemos, pois então
"Disciplina e simpatia."

Agora o Dr. Sobrinho
Muito magrinho, fininho
"Não me façam arreliar
Que o fígado me está a matar!"

De Português professor
Em Latim mui sabedor.
Mas quem lhe fez dar Inglês
Não sabia o que fazia,
Spikar não conseguia
Nem uma frase escrever.
Deixem-no dar a língua-mãe
Que isso sabe ele muito bem.

Que será que aconteceu
Para o Dr. Lima ir embora?
O Francês já anda à nora
E a História é um caos,
Porque a D. Maria Pêra
(Que corta o cabelo à tigela
E mal-dizer é com ela)
Entre os professores é dos maus:
Sabe nomes, sabe datas;
Mas de História sabe nada.
Com ela ninguém aprende
Nem à força de varada.

Em desenho o Sr. Alcino
- Que grande desenhador! —
A cana ele nunca usou
Pois ensina por amor,
E com carinho apelida
Rapazes e raparigas
De "Salpicôes, saramantigas."
Aprende-se a desenhar
E a brincar, a brincar,
Há quem aprenda a pintar.

Vivam os nossos professores
A todos estamos gratos.
Mesmo algumas varadas,
Alguns caldos e palmadas
Já passaram, esquecemos.

E agora o que queremos:
A todos dizer adeus.
-Outros alunos virão
Nossos bancos serão seus-
Novos caminhos, novos rumos
Nós teremos de trilhar.
Após cinco anos no Colégio
Para a vida preparar
Que lá fora nos espera.
São horas de avançar.

Colégio Compôs Monteiro
Festa de despedida do 5° Ano de 1953 (que não chegou a realizar-se).
Autores: Vários alunos; recolha deJúlia de Barras Biló.

In "Somos Poeira,Somos Astros",
da Júlia

Anónimo disse...

Baiqueeuespero,
Envia o mail do Vítor, pois há muita gente que lhe quer escrever.
Informa-o de tudo o que se tem dito dele e da sua obra aqui no teu blogue .Baimasdepressa!

Anónimo disse...

Realmente seria interessante ter-se o contacto do Víctor da Rocha; sugiro, no entanto, ao comentador "baiqueuespero" que peça licença ao Víctor para o poder disponibilizar publicamente, ou então enviá-lo para o nosso endereço electrónico: torredemoncorvo@gmail.com
Mediante a resposta, sugere-se ao blogmaster A.Gonçalves que se integre o Víctor como colaborador se assim for sua vontade. Esperemos que aceite, pois era, de facto, uma mais-valia.
Já agora, informo que o Víctor tem um colega que escreve também muito bem, igualmente oriundo das terras de Carviçais (ou das Quintas?), autor de um outro livro muito interessante, retratando a nossa região. Falo de António Sá Gué, autor de "Contos dos montes ermos", livro editado pela ArtEscrita Editora, em Dezº. de 2007. Também é de leitura obrigatória, integrando o autor a plêiade de novos escritores do concelho (e, neste caso, formando com o Víctor, a dupla de Carviçais, com muitas similitudes na temática e até num certo humor e espírito da escrita, se bem que cada qual com o seu estilo). Espero ter também tempo para postar aqui algo sobre este novo escritor (é da colheita de 1959).
"Contos dos Montes Ermos", é um livro que se inspira num topónimo existente nas proximidades de Freixo de E.Cinta, que acompanha bem com um vinho desta marca, mas que, na realidade se passa por estas bandas, entre Moncorvo e Freixo e por aí... > foi feita a sua apresentação na biblioteca municipal de Torre de Moncorvo no ano transacto (para os interessados, poderão fazer os seus pedidos a esta entidade ou, quiçá para o Posto de Turismo de T. Moncorvo, pois julgamos que ainda há lá em stock).
n.

Anónimo disse...

Festa de despedida do 5° Ano de 1953 (que não chegou a realizar-se).
Júlia ,conte lá, o que se passou.

Anónimo disse...

Então que venham à luz estes talentos - novos na mensagem e novos na força da escrita , mas certamente maduros na reflexão e na coerência.
Acho que devem ser acolhidos e acarinhados de braços abertos.
O regionalismo só adquire plenitude se tiver uma visão universalista da realidade social e política e uma modernidade perspectiva crítica e não inodora e insípida . Se há valores a defender os principais são a liberdade e a criatividade.
É um momento certo para dar um passo em frente, com todo o respeito pelo trabalho magnífico que foi aqui já feito.
Desculpem-me mas eu tinha que dizer isto.
Um abraço a todos.
Daniel de Sousa

Anónimo disse...

Agradeço à Julia tudo o que disse aqui publicamente. Fui filho de emigrante na Suiça e era ezatamente assim que as coisas se passavam. Não andei lá na escola para a infancia, porque eram escolas particulares muito caras. Na primária a professora consideroume atrazado porque não falava bem alemão. Vim para os meus avós e nunca mais apanhei o comboio. Até que fiquei parado no 8º ano. Eram tantas vezes estes os custos da emigração entre muitas outras umilhações.
Obrigada Julia Ribeiro Biló

Francisco Joaquim Silva

Anónimo disse...

O post valeu por este comentário de Francisco Silva.
Que outros filhos de emigrantes falem, da sua dolorosa experiência, de estar em dois lados e em nenhum.
E,bem haja Dra. Júlia

Anónimo disse...

No hay libro tan malo —dijo el bachiller—, que no tenga algo bueno [61].
—No hay duda en eso —replicó don Quijote—, pero muchas veces acontece que los que tenían méritamente granjeada y alcanzada gran fama por sus escritos [62], en dándolos a la estampa la perdieron del todo o la menoscabaron en algo.
—La causa deso es —dijo Sansón— que, como las obras impresas se miran despacio, fácilmente se veen sus faltas, y tanto más se escudriñan cuanto es mayor la fama del que las compuso. Los hombres famosos por sus ingenios, los grandes poetas, los ilustres historiadores, siempre o las más veces son envidiados de aquellos que tienen por gusto y por particular entretenimiento juzgar los escritos ajenos sin haber dado algunos propios a la luz del mundo.
—Eso no es de maravillar —dijo don Quijote—, porque muchos teólogos hay que no son buenos para el púlpito y son bonísimos para conocer las faltas o sobras de los que predican.
—Todo eso es así, señor don Quijote —dijo Carrasco—, pero quisiera yo que los tales censuradores fueran más misericordiosos y menos escrupulosos, sin atenerse a los átomos del sol clarísimo de la obra de que murmuran [63]: que si «aliquando bonus dormitat Homerus [64]», consideren lo mucho que estuvo despierto por dar la luz de su obra con la menos sombra que pudiese

Quixote ,2ªpare cap.III

Anónimo disse...

Angel,
diz às tuas amigas Delfina e Dña.Consuelo para escreverem uns textos no nuestro blog sobre a sua experiência no ensino numa região olvidada pelos señoritos.
Se conseguires,ensino-te uns truques para alterar os gostos e hábitos de Dona Delfina em tudo que ao vinho se refere.
Primeiro preciso de saber:
Em niña bebeu sopas de cavalo cansado?
Tratou feridas com aguardente?
Bochechou a boca com aguardente para lhe passar a dor de dentes?
Temperou a chitcha do reco com vinha d’alhos?
Comeu hóstias com tinto de sacristia/sangue de Cristo?
Pisou uvas no lagar durante a vindima?

Quando receber as respostas ,envio-te a receita.Vale?

Sansón Carrasco ,bachiller por Salamanca.

Anónimo disse...

Hola amigos.Ya en la entrada de Leonel Brito sobre la Tecedeira de Urros,dejé un comentario aclarando a Wanda que no fuí yo quién había dejado un escrito anterior.En cuanto al comentario de 11 de marzo-21:43,Quizas lo del vale? final me da una pista.
Los usos del aguardiente y el vino han sido parecidos a ambos lados de la frontera,y Delfina nació en Masueco.
En cuanto a la enseñanza,tan problemática en estos momentos,(creo que en los dos paises),cada cual, tenemos una manera de verlo.
La educación, yo soy partidario que sea labor de los padres,sus valores morales,pensamientos religiosos etc.Sin embargo todos los gobernantes siempre han querido educar a la par de enseñar, y eso suele ser mas de dictaduras.
De todas formas depende mucho de las personas.Mas no quiero alargarme mucho, en un lugar que es el vuestro.
Un fuerte abrazo.Angel

Anónimo disse...

O leitor não julgue que o Colégio, importante como era, tinha uma grande e donairosa fachada, alegre, de azulejos floreados, de frestões amainelados emoldurados em nobre granito, alindados com varandins de ferro forjado, frontão na grande porta de entrada elevada por um bonito patim em cantaria cinzelada, cornijas frisadas, carrancas nas goteiras, e um grande letreiro de néon com o nome inscrito, a denotar as suas origens: COLÉGIO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA. Não! Nada disso! O Colégio era um paralelogramo, de dois andares, cuja frontaria principal era a face mais estreita, e não media mais que vinte curtas canchas. Uma porta de duas folhas, centrada no rés-de-chão, quatro janelas no piso superior dispostas duas a duas, a fazer lembrar olhos rasgados, inteligentes, um par de escadas curvadas subiam ao primeiro piso, como se fossem as hastes de um bigode descaído, encontrando-se no primeiro andar, num pequeno varandim, com acesso a uma porta, também ela bífore, que bem podia ser o nariz daquele estranho ser de cútis esbranquiçada.
Os dizeres COLÉGIO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, de furco e meio de altura, escritos na testa, em letra de imprensa maiúscula a todo o cumprimento, a avisar os passantes da sua importância, semelhante a uma gelha permanentemente encrespada, dava-lhe um ar encanecido, sapiente e prazenteiro. Mas nem todos o sentiam assim. Para muitos, e principalmente para o Toino Silvestre, aquela ruga transmitia antes um ar carrancudo, que se adensava com aquelas janelas rasgadas, envidraçadas, em permanente atalaia, como se olhasse de uma forma penetrante, intimidativa e com uma certa sobranceria para com o maralhal e também para com a sua irmã de casta inferior, que ficava defronte. Não vamos ficar pelas meias palavras. Não! Ele e a Escola rivalizavam, embora se suportassem. O Colégio olhava-a sempre com desdém. Ponto. Não era pela sua grandeza ou volumetria, que por aí não tinha hipótese de competir, mas porque era mais velho, mais erudito, e nos seus pensamentos mais íntimos tinha até pretensões a Liceu. No seu ideário, o ser Liceu era atingir os píncaros da pedagogia, era ser grande como o Liceu Aristotélico do grande filósofo grego. E nela denotava-se uma certa inveja, não digo que fosse uma inveja mesquinha, era, se assim se pode chamar, uma inveja benigna, quer dizer, gostava de ser adulta como o era o Colégio.
In: Contos dos montes ermos
de António Sá Gué

Anónimo disse...

Por esta trova —dijo Sancho— no se puede saber nada, si ya no es que por ese hilo que está ahí se saque el ovillo de todo
—¿Qué hilo está aquí? —dijo don Quijote.
—Paréceme —dijo Sancho— que vuestra merced nombró ahí hilo.
—No dije sino Fili —respondió don Quijote—, y este sin duda es el nombre de la dama de quien se queja el autor deste soneto; y a fe que debe de ser razonable poeta, o yo sé poco del arte.
—Luego ¿también —dijo Sancho— se le entiende a vuestra merced de trovas?
—Y más de lo que tú piensas —respondió don Quijote—, y veráslo cuando lleves una carta, escrita en verso de arriba abajo, a mi señora Dulcinea del Toboso. Porque quiero que sepas, Sancho, que todos o los más caballeros andantes de la edad pasada eran grandes trovadores y grandes músicos , que estas dos habilidades, o gracias, por mejor decir, son anexas a los enamorados andantes. Verdad es que las coplas de los pasados caballeros tienen más de espíritu que de primor.
—Lea más vuestra merced —dijo Sancho—, que ya hallará algo que nos satisfaga.
Volvió la hoja don Quijote y dijo:
—Esto es prosa y parece carta.
—¿Carta misiva, señor? —preguntó Sancho.
En el principio no parece sino de amores —respondió don Quijote.
—Pues lea vuestra merced alto —dijo Sancho—, que gust

Tercera parte del ingenioso hidalgo
don Quijote de la Mancha
Capítulo XXIII+

Anónimo disse...

A MARQUINHAS DOS REMÉDIOS
A Senhora Marquinhas dos Remédios tinha este nome, porque morava numa casa que pegava com o arco da capela de Nossa Senhora dos Remédios. Nunca ninguém soube qual era o seu ver¬dadeiro nome. Nunca casou e toda a vida foi a Senhora Mestra. E foi mestra de várias gerações, pois morreu, lúcida, com noventa anos e começou a ser mestra ainda não tinha vinte.
As meninas iam para a Mestra muito antes de entrarem na escola e, enquanto frequentavam a escola, continuavam a ir para a Mestra durante as férias, pois a Senhora Marquinhas dos Re¬médios nunca fechava. Iam para a Mestra as filhas de campone¬ses e as de pessoas mais abastadas. Só deixavam de ir as mais pobres, quando as mães precisavam de mais um par de mãos para ajudar no rebusco da azeitona ou para ir à espiga. Depois da 3a ou da 4a classe, aí entre os nove e os onze ou doze anos, era o traba¬lho que impunha as suas regras e acabava-se o tempo da Mestra.
Aprendíamos a fazer faixa, isto é, aprendíamos a manejar duas agulhas de malha. O tamanho da faixa dependia da quantidade de restos de lãs que as mães arranjassem. No fim, a faixa era levada para casa e pendurada à janela ou num pauzinho espetado entre duas pedras da parede, para que o cuco pudesse ver como estava bem feita. Se houvesse uma malha caída ou um ponto errado, então o cuco viria bicar-nos os olhos enquanto dormíamos. Por isso, tínhamos um cuidado enorme quando a Mestra dizia: "Está aqui uma burricada. Ripa tudo e faz de novo. Olha que vem ..........................
................................................................
A Pedagogia e a Vida ensinam-nos que nem só a inteligência é importante. A memória ajuda muito. Sem memória nem sabería¬mos quem somos.
Mas a nossa Mestra sabia isso tudo! E levava tudo isso à prática.
Foi uma instituição em Moncorvo, a nossa Mestra, a Senhora Marquinhas dos Remédios!

In "De Olvido e de Silêncio"
crónicas e contos
de Júlia de Barros Biló

Nota: extractos do livro da Júlia ,com a devida vénia.Para uma leitura total desta crónica,está à venda o livro na Biblioteca.

Anónimo disse...

"Foi uma instituição em Moncorvo, a nossa Mestra, a Senhora Marquinhas dos Remédios!"

Júlia,
e uma estátua à Mestra na rua que lhe deu o nome?
Era tão bonito.
H.J.e

Anónimo disse...

Ao António Sá Gué:
Dou-lhe, da minha parte, as boas vindas a este cantinho da "moncorvidade", dáquem e além Roboredo, e dáquem e além Marão, ou além-Douro, onde quer que se encontre. Devo dizer-lhe que apreciei muito os "contos dos montes ermos", cujo lançamento falhei, o ano passado, por ter outros compromissos.
Esse conto do Colégio é muito interessante - presumo q um pouco auto-biográfico, hein? (sim, o Toino... que de toino não tinha nada!) Creio que o registo que encontrou, em prosopopeia, para falar do... "Colégio", é interessante. Ser ser (muito) cáustico com a personagem, digamos que, à distãncia, até afectuoso.
Vejo que também foi devedor de um senhor a quem muitos, os que não tínhamos dinheiro para livros (num tempo em q não havia bibliotecas, nem o malfadado Magalhães, que só vem aí para acabar de matar a leitura - António Barreto dixit! - vd. grande entrevista na última LER), chamando-se esse Senhor Calouste Sarkis Gulbenkian... as carrinhas cinzentas... citroën, creio... fitinha verde ou laranja, que vermelho ainda não é para a tua idade... ande lá Sr. Castro... já vou fazer 16... pronto, vou abrir uma excepção, mas só esse!... E o sr. Castro (ou o sr. Ramalho?) fechava os olhos... foi aí que requisitei e consultei o primeiro livro de A.M.Janeira, sobre as relações entre o teatro vicentino e o teatro Nô/japonês, para um trabalho para o Padre Rebelo, longe de saber que o Janeira era nosso conterrâneo...
Presumo que o António terá estudado ainda aqui, no "Hospital Velho". Talvez nos tivéssemos cruzado nos corredores (eu era um puto mais novo), mas, como nesses tempos éramos muitos, talvez mais que agora, era impossível a gente conhecer-se. Cá nos vamos conhecendo pelas escritas/leituras.
Então para o 25, lá dará para cravar um autógrafo.
Abraço,
n.

P.S. - ah, consta que o Colégio (o paralelogramo) vai ser promovido a sede da Junta de Freguesia. Será?
abraço, n.

paulo patoleia disse...

Gostei de ler o comentário sobre a Marquinhas dos Rémedios, o mesmo confirma aquilo que já me tinha sido contado sobre essa boa senhora (Mestra) pelas velhas moradoras da rua, que ali aprenderam costura e merendaram no alpendre da capela. Quis o destino que essa casa, adquirida por compra e emoção, foi recentemente restaurada para uma utilidade turística e foi assim em geito de memória que se lhe irei atribuir o nome «Marquinhas dos Remédios». O que não tira lugar á estátua que por certo mereceria, uma elaborada lista de «remédios» para consumir espraiando a vista no Reboredo outros remédios para a alma a Sra. dos Remédios dará de benção graciosamente....tenham fé.

Anónimo disse...

Na impossibilidade de uma estátua, pelo menos uma placa evocativa da Mestra. Pedir à Dr.ª Júlia Biló um pequeno texto evocativo e entre todos que passaram pela Mestra, outros voluntários e finalmente a Câmara levar avante o projecto. Uma voluntária,
L.R.

Anónimo disse...

Também frequentei o"jardim de infância" da Senhora Marquinhas dos Remédios, saudosa Mestra, que me ensinou, com sucesso, as primeiras letras, os primeiros números, a fazer a faixa, mas que encontrou a minha resistência na produção da meia, da renda e de outras maravilhas que as nossas mães, tias, avós e vizinhas tão bem executavam.Lá me reencontrava com os raparigos da minha rua, lá conheci outros, mais tarde companheiros da primária, lá aprendi, além das letras, dos números e da faixa, a conviver saudavelmente com "filhos de camponeses e filhos de pessoas abastadas".
Uma placa evocativa é o mínimo que se pode fazer em homenagem à querida Mestra.

Outra voluntária,
M.M.

António Sá Gué disse...

Para Anónimo,

Desculpe não ter respondido em tempo oportuno, mas só agora vi a sua mensagem.
Sim! fui dos que estudei no dito antigo hospital. Sim! sou daqueles que devemos muito a uma senhor chamado Gulbenkian, e porque não dizê-lo, de uma certa colecção de livros de bolso da "Europa-América", baratos, que se vendiam na livraria do senhor Cardanha.

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