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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Linha do Sabor - 7


"A 1ª Máquina que chega a Duas Igrejas 22-05-1938.
Momento único para a família Ferraz, pois a máquina era conduzida por os irmãos (maquinista e fogueiro) com o Inspector da CP ao meio.!! "
Rui Carvalho, Carviçais.

Fotografias actuais da estação de Carviçais, na Linha do Sabor.

4 comentários:

António Sá Gué disse...

Imagens de abandono como essas nunca chegarão aos telejornais. Só imagens de carcaças esventradas são verdadeiras notícias. É necessário um choque frontal de comboios, só isso é notícia:
nessa altura os mass media, deixarão de assinalar os cataclismos das últimas 24 horas. Colocarão de parte os crimes de faca e alguidar, os incêndios, os divórcios, o futebol, os suicídios. Nessa altura todos eles assinalarão na primeira página: choque frontal de comboios custa a vida milhares de pessoas. As operações de salvamento continuam – dirá o porta-voz da tragédia –, confirmamos a existência de milhares de mortos mas acreditamos que o número vai aumentar, terminará o comandante dos bombeiros. As unidades de tratamento estão na sua capacidade máxima, apela-se à dádiva de sangue, dirá o médico entrevistado. Abandono de património não é crime. Ou será que é? Abandonam-se pessoas, regiões e, tanto quanto eu sei, nunca foram encontrados responsáveis.

Anónimo disse...

Como bem entendemos e subscrevemos a reflexão do nosso conterrâneo A. Sá Gué. Todavia essa questão do abandono do interior é algo complexa e já dissertámos sobre ela aqui neste blogue. A "culpa" é de todos e, como tal, não é de ninguém. O fenómeno da "urbanização" (eu acrescento: e de "urbanóidização") é uma das marcas da famosa "globalização". E, no caso Tuga, o eixo do povoamento progressivamente reforçou-se numa faixa litoral, com dois grandes pólos: a Lísbia e o Puôrto. As pessoas vão para onde há empregos e está tudo dito (e a única hipótese de uma ligeira inversão de tendência pode ser o desemprego e o aumento da criminalidade urbana). Foi neste cenário que o combóio partiu para sempre. Ele veio (o da linha do Sabor) com a expectativa das minas de ferro de Moncorvo e dos mármores de Vimioso, além do escoamento dos cereais do Entre-Sabor e Douro e transporte de adubos para esta região. Quando tudo isto acabou e a gente mingou, a lógica economicista ditou as suas regras. E pouco resta bramir que tudo isto passou à história(infelizmente para nós que o sentimos com mágoa e nostalgia). Por isso, o que nos resta é "apanhar os cacos", ou seja, converter este dramatismo em História e "vendê-la"!! São estraordinárias as fotos antigas que aqui têm sido postadas e as histórias que têm sido contadas (como a do "Apita, Abílio!"), os testemunhos pessoais dos nossos conterrâneos que, anos volvidos, ainda não se conformaram com a perda; há as referências literárias, inclusive do Sá Gué, para além do Vítor da Rocaha e Rentes de Carvalho (o primeiro a trazer dezenas de holandeses a percorrer alinha abandonada, há mais de 15 anos, a pé, até às terras de Miranda); há os textos de jornal; há o excerto do filme Manhã Submersa, produzido pelo Leonel Brito, com Lauro António; há as fotos das fotos dos combóios do minério na estação do Carvalhal; e há as magníficas fotos actuais (do Aníbal G., aqui postadas), testemunhos eloquentes das potencialidades deste Património ferroviário abandonado (mas recuperável) e que urge ser valorizado no quadro da Ecopista que já existe entre Moncorvo e o Carvalhal. O que falta??? - Recuperar uma destas estações da linha do Sabor (porque não a de Moncorvo, como porta de entrada da linha), ou a do Carvalhal, pelo seu significado como terminal de carga das Ferrominas, onde se poderia colocar um núcleo museológico ferroviário, complementado o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo?? Mais: o bar da estação do Larinho poderia ser enriquecido com umas boas ampliações fotográficas de algumas fotos antigas e actuais, ou até com os fotogramas que o Leonel já aqui postou, do referido filme Manhã Submersa. Isto seria, decerto, um motivo acrescido de interesse para atrair visitantes à região, à ecopista, e a estes pólos museológicos que seriam as próprias estações e apeadeiros. Lembramos, a propósito, que, há anos, também a estação de Lagoaça foi recuperada e funciona como bar e sede de uma associação de caçadores. E Lagoaça faz parte do Parque Natural do Douro Internacional, outro excelente destino turístico. Uma vez criadas as infra-estruturas, terá que se fazer um eficiente plano de marketing, para além do tradicional passa-a-palavra que os nossos patrícios no exterior poderiam fazer (e já fazem). Aqui, os nossos literatos, para além do contributo já dado, poderão ter ainda um papel de maior responsabilidade.
Posto isto, creio que em vez de chorarmos sobre leite derramado será melhor aconselhar quem manda a seguir esta via alternativa com a maior brevidade possível (antes que outros o façam, podendo, depois, estas ideias, surgirem como algo repetitivo e requentado...)
Fica a dica. Mais uma. Digam de vossa justiça e encaminhem-na para quem de direito.
abraço,
n.

Baiqueeuespero disse...

Abertura da Linha do Sabor

Pocinho-Carviçais:
17.9.1911
Carviçais-Lagoaça:
6.7.1927
Lagoaça-Mogadouro:
1.6.1930
Mogadouro-Duas-Igrejas:
22.5.1938

António Sá Gué disse...

Caro Anónimo,

Concordo plenamente que não devemos chorar sobre leite derramado, no entanto, quanto à questão da desertificação do interior ser culpa ser de todos e não ser de ninguém, não sei se estou completamente de acordo.

Veja-se: será que a lógica economicista, é a única a quem os governantes devem obedecer? Se assim fôr, está justificada a política que foi levada a cabo durante os últimos anos. Os dinheiros, as grandes obras, as auto-estradas foram, são só exemplos, sempre canalizados em primeiro lugar para o litoral, e o interior foi sempre segunda opção, ficou a ver navios, para utilizar uma expressão da nossa zona. E tanto assim é que até há muito pouco tempo Trás-os-Montes era a única região que não tinha um quilómetro de auto-estrada, se calhar em termos economicistas, puros e duros, está correcto, mas não será sido, metaforicamente falando, mais o enceramento de uma linha.

Não sou político, mas tanto quanto eu sei, havia programas específicos, patrocinados pela União Europeia, para as regiões ultra-periféricas europeias, e eram assim consideradas: a Madeira os Açores e provavelmente as Canárias. Será que não poderão existir programas dessa natureza para o interior desertificado?

Quem tem a responsabilidade de governar este país, tem de o pensar equilibrado e justo. Eu ouço falar em movimentos contestatários na Europa, para não existirem Europas a diferentes velocidades. E países a duas velocidades, será legítimo?


Abraço.

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