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quinta-feira, 16 de abril de 2009

"Outros Contos da Montanha", de Isabel Maria Fidalgo Mateus


No seguimento da notícia "postada" pelo nosso colega e amigo Vasdoal (directamente de Vila Real), sobre o lançamento da obra "Outros Contos da Montanha" de Isabel Fidalgo Mateus, ontem, numa iniciativa do Grémio Literário Vilarealense, aqui apresentamos a capa do livro, em cuja dobra se inclui um apontamento biográfico da autora.
Isabel Maria Fidalgo Mateus é mais uma nova escritora nossa conterrânea, curiosamente também nascida nas terras agrestes de Trás-da-Serra (designação moncorvense para os povos da outra banda do Roborêdo), tal como Vítor da Rocha e A. Sá Gué. Sabemos que estudou na Escola Secundária de Torre de Moncorvo e daqui enfunou as velas e partiu para o Mundo, tendo ancorado, ao presente, na Universidade de Liverpool (Inglaterra), onde é professora de Língua e Literatura Portuguesa.
Tendo por base contos e memórias do povo de uma zona específica do nosso concelho, o livro é a prova de uma grande vitalidade literária moncorvense, por parte de intelectuais que, embora fora da terra por razões profissionais, jamais esquecem o seu rincão sagrado!
Aqui fica um pequeno excerto dos "Outros Contos da Montanha", que, seguramente, Torga não deixaria de apreciar (aliás, a obra do nosso grande escritor transmontano foi objecto da tese de doutoramento de Isabel Fidalgo Mateus):

“Já a conheci de cabelos muito finos e brancos. Os mais de sessenta anos denunciavam-se pelas fundas rugas do seu rosto, que mais pareciam socalcos, e apenas o brilho negro dos seus olhos exibia ainda triunfante a eterna lutadora. Com aquele fitar educara os filhos, sem nunca precisar de vender os terrenos que granjeara ainda em vida do marido. Pelo contrário, pagou os que ainda não tinha saldado na totalidade e comprou outros. O seu lema de ‘quem não trabalha não come’, que tentara desde cedo inculcar no lar, regulou-lhe para sempre os passos na vida.
“Sentada no vão da sua porta ou à soalheira da casa da filha mais nova, no Verão, passava amiudadamente em revista a sua longa via-sacra. Primeiro, as dificuldades e os entraves do seu pai postos à concretização do casamento, sem esquecer toda a sua mocidade a amanhar a terra, a semear, a mondar. Depois, a viuvez precoce, o encargo dos filhos e, mais tarde, o dos netos, que a emigração lhe legara. Tudo suportara com valentia, num esforço desmedido!
“Mas e a solidão?! (…)” - In: Outros Contos da Montanha

Nota: sabemos que está prevista a apresentação deste livro também em Torre de Moncorvo, na Biblioteca Municipal, durante o mês de Agosto (em data a anunciar). Entretanto o mesmo pode ser adquirido no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.

12 comentários:

Esmeralda disse...

Olá
Parabéns e obrigada à autora!
e... se me permitem... hoje o Aníbal faz anos!!!
Parabéns, também, ao aniversariante!
Parabéns a TODOS os que se empenham neste trabalho!
Abraço de uma transmontana
Esmeralda

Anónimo disse...

Viva Aníbal!! Ainda que atrasadamente, então aqui ficam os meus parabéns pelo aniversário passado, esperando que tenha tudo corrido bem, com muitas prendas e uns bons copos (malandro, nem disseste nada!!!). Abraço,
N.

vasdoal disse...

Aníbal, aquele abraço!

Anónimo disse...

Informação às pessoas interessadas: podem adquirir o livro da Doutora Isabel Mateus em Torre de Moncorvo, entre outros sítios no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo (está aberto ao fim de semana).

Júlia Ribeiro disse...

Muitos parabéns à autora.
Peço perdão pelo atraso, mas não me foi possível uma visita mais atempada.

Um abraço amigo
Júlia Ribeiro

Júlia Ribeiro disse...

Olá, Amigo Aníbal:

Com mais de uma semana de atraso, mas com muita amizade, aqui lhe deixo um abraço grande .

Júlia

Isabel Mateus disse...

Bom-dia!

Agradeço ao simpático N. pelo carinho por Outros Contos da Montanha.

A Júlia Ribeiro, pelo seu apoio.
E já agora desculpa por tão tarde responder...

Um abraço.

Isabel Mateus

Anónimo disse...

Matar saudades. Receita: queijo da Cardanha, tchouriço de Urros ,pão do Carrvalhal, uma(?)garrafa de tinto Montes Ermos reserva e o book do Sá Guê(a capela dos montes ermos fica para uma neojunqeirada). Comendo, bebendo e lendo até ao ultimo cibinho do peguilho.As Duas Faces da Moeda e os Fantasmas de uma Revolução já estão no farnel para a próxima consulta de desintoxicação.
À ,e a ver o mar…com saudades da fragada…Sá Gué, Victor Rocha, Isabel Mateus, uma rebofa de talento e memórias. Dizem os tontos, que as aldeias estão a morrer…
Da vila nada. A Júlia é cordoura, no sangue, na coragem ,na verdade do lavrador da vilariça.
Os Fantasmas de uma Revolução ,Outros Contos da Montanha, Postigo Cerrado , Primeira Comunhão .Júlia ,Victor, António e Isabel são os nossos “famous four” para Livrepool na taleiga da nossa querida Tchoquerinha.
Que vivam as Fragas da nossa Transmontanya.
Ps. Salvo seja, estou mesmo a precisar do Alto da Ventosa .

Isabel Mateus disse...

Querida Lelia Rebordina,

Gostei, gostei muito do comentário. Mas quem não gostaria?
Seria bom também um dia andarmos por essas Fragas e conhecermo-nos...

Um abraço,

Isabel

Anónimo disse...

Há uns 15 dias adquiri o livro no Museu do Ferro pelo preço super acessível de 8 €.
Só há 2 noites o comecei a ler, deitado na cama pela noite dentro, curtindo o sossego e o prazer que tive na leitura por me ter transportado para tanta vivência e realidades quotidianas, infelizmente já desaparecidas, da minha infância. Parecia que estava outra vez a ver o meu pequeno mundo, com os meus avôs, ali na rua do cotovelo, no Felgar.
Parabens á autora e recomendo este livro a todos os blogueiros e amigos, pois, não irão lamentar o tempo gasto a recordar vivências intemporais dum mundo marcadamente rural e em vias de extinção.
Foi uma grande nostalgia ou saudade que o livro me deu por estar a ver ali a descrição de quadros que eu também presenciei. Então a referência, que tantas vezes ouvi aos meus avôs, sobre a poupa e a tem-te-na-raiz, à matança, ao rebusco,ao quotidiano rural, ao moer do pão, e, já agora, ás tecedeiras da minha terra, encheram-me as medidas.
Obrigado à autora e ainda bem que Miguel Torga tem uma continuadora.

saudações felgarenses!

Anónimo disse...

Caro Felgarense:

Agradeço-lhe todas as suas palavras em relação a Outros Contos da Montanha. Muito obrigada.

É bom partilharmos pela escrita aquilo que nos une - as nossas raízes!

Um abraço,

Isabel Mateus

Anónimo disse...

A equipa lusófona da Universidade de Liverpool orgulha-se de ter esta escritora maravilhosa como colega!
Parabéns, Isabel.
Lisa Shaw xx

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