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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Museu do Ferro celebra Dia Internacional dos Museus

Assinalando o Dia Internacional dos Museus o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo promoveu um conjunto de actividades, de que destacamos, no dia 16 (Sábado) um passeio cultural à antiga aldeia ferreira de Felgueiras e um almoço de confraternização de Amigos do Museu, culminando numa sessão em que foram nomeados novos Amigos, em função dos seus contributos para este museu.
Relembramos que o Museu do Ferro nasceu no bairro mineiro do Carvalhal, nos anos 80, tendo sido transferido para a sede do concelho em Fevereiro de 1995, anos depois do encerramento da Ferrominas, e após um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e a EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro). O processo vinha sendo acompanhado pela associação PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo) desde 1993, tendo esta entidade realizado o inventário do espólio e tratado da sua reinstalação na casa conhecida como solar do barão de Palme (antigo quartel da GNR desde os anos 30 até cerca de 1990).
Assim, a gestão do Museu foi então entregue à associação PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo), que manteve o museu aberto entre 1995 e 1999, ao mesmo tempo que recorria a fundos comunitários, com a comparticipação da autarquia, para recuperação do edifício e reinstalação das colecções de acordo com um programa museológico actualizado. Foi um processo longo e trabalhoso, que culminou com a reabertura ao público em 2002.
Desde então o museu tem recebido milhares de visitantes, funcionando como uma espécie de sala de visitas da vila e do concelho.
Além da exposição permanente dedicada ao Ferro, o museu promove exposições temporárias (de pintura, fotografia, escultura, etc.) e outros eventos (palestras, lançamento de livros, recriação de actividades como a "partidela da amêndoa"...). E, a partir do museu, têm-se feito visitas guiadas ao centro histórico, às antigas minas abandonadas, a outros monumentos e locais de interesse do nosso concelho.

Sobre as actividades ora realizadas, no âmbito do Dia Internacional dos Museus, pode ver-se mais alguma informação nos seguintes endereços:
http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/05/18-de-maio-dia-internacional-dos-museus.html
e http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/05/comemoracao-do-dia-internacional-dos.html
e ainda: http://descobrir-vilaflor.blogspot.com/2009/05/dia-internacional-dos-museus.html

Serviços Educativos - um técnico do museu mostra a um grupo de crianças uma animação em Powerpoint com vários aspectos do património do concelho (hoje, 18.05.2009)

Visita de grupo de alunos ao museu (hoje, 18.05.2009)

7 comentários:

Anónimo disse...

Não quero deixar de felicitar muito vivamente o Museu do Ferro pela sua actividade e pela sua ligação aos jovens de Moncorvo e a toda a sociedade , incluindo os muitos visitantes que merecidamente tem. Sinto orgulho como moncorvense que na minha terra de nascimento exista um polo cultural como este e que certamente em conjunto com outros núcleos activos fazem de Moncorvo uma terra talvez não rica em bens materiais mas certamente rica e diferente nas suas preocupações sociais .
Não deixei de notar na foto do Museu a bela citação de Mircea Eliade sobre os ferreiros,no seu magnífico Ferreiros e Alquimistas . Na verdade os ferreiros são na mitologia os demiurgos da transformação da terra no instrumento e algo de divino envolve o seu ofício. Um dia talvez faça um poema sobre eles.
Daniel

Anónimo disse...

Pela parte que nos toca muito agradecemos a apreciação feita pelo Dr. Daniel ao trabalho que se tem feito no Museu do Ferro (e da Região de Moncorvo). Somos um pequeno museu de província (com recursos e meios limitados, nada que se compare com os orçamentos dos grandes museus do eixo litoral) e fazemos o que nos é possível, com dedicação e amor à terra. Na verdade Torre de Moncorvo tem um capital histórico apreciável e isso mesmo temos procurado rentabilizar, transmitindo-o. E costumamos dizer, de acordo com as sábias palavras do grande museólogo francês George-Henri Rivière, que um museu não se mede pela dimensão da sua área, nem pela quantidade dos seus públicos, mas sim pelo número de pessoas a quem ensinou alguma coisa. E as opiniões que têm sido exaradas no Livro de Visitas são reconfortantes, se bem que procuramos sempre ser os maiores críticos do nosso próprio trabalho.
Por outro lado admirou-nos a sua perspicácia ao ter reparado na frase que está sobre o fole de ferreiro. "Ferreiros e alquimistas" é, de facto, um pequeno grande livro. Lamento não termos mais espaço físico no museu para desenvolvermos os aspectos relacionados com a Antropologia do ferro. Esse frase procurou salientar bem a sacralidade de que se revestia a arte do Ferreiro nas culturas arcaicas, como também, ainda, em relação às forjas que chegaram até quase ao nosso tempo. Estas continuavam a ser lugares escuros, místicos, ruidosos, e em que o ferreiro continuava a ser uma espécie de bruxo, capaz de domar o metal mais duro que se conhecia, tornando-o ainda mais duro, através dos mistérios e dos segredos da têmpera... (segredos empíricos, passados de pais para filhos - quando o eram - ciosamente guardados). Mircea Eliade dissertou sobretudo sobre as culturas arcaicas. Todavia, mesmo nas nossas forjas de aldeia, havia, quanto a mim, essa mística das forjas de Vulcano.
Já sobre esse carácter demiúrgico resultante da capacidade da transmutação (aqui a Alquimia) da Matéria, e sem prejuízo do poema que venha a escrever (e que aguardamos com expectativa), aqui lhe deixamos um outro poema, escrito há anos, por Henrique de Campos (o tal poetastro ignoto que por vezes aqui assoma):

Senhores do Fogo /Os Ferreiros de antanho:

Quando as colunas de fumo se erguiam da serra
Eram os homens verdes da floresta a derreter as pedras
Quais gnomos ou anões de Branca de Neve
Que na verdade eram gigantes de picareta em punho
Em tronco nu arrancando o minério à terra
Britando-o e empilhando-o nos fornos de pedra e barro
À mistura com a lenha e o carvão de urzes e carvalhos
E o fole, soprando noite e dia, era um dragão a resfolegar
Esperando o momento em que a pedra se tornasse filosofal.

E era quando no negrume da noite a massa ígnea escorria
Que esses deuses se assemelhavam a demónios vermelhos
Silhuetas terríveis faiscando lume nos olhos
Ora silenciosos perante o milagre da transmutação
Ora grunhindo sons imperceptíveis como chocalheiros
Ciclopes encaminhando o magma do Etna para os moldes
Que dariam barras que depois seriam espadas ou arados.

Anões/gigantes, deuses/demónios,
Personagens que não são sequer de estórias,
Do seu trabalho só nos ficaram as escórias...

Torre, Março de 2002

n.

Anónimo disse...

Magnífico poema desse esquivo H. Campos! Respira fogo, fumo , suor e densidade verdadeiramente telúrica. A forja mítica e ancestral da criação.Um abraço ao autor .
Daniel
PS: Tínhamos combinado deixar os "dótores" a vaguear na memória perdida da praça...

Anónimo disse...

Viva, caro Daniel,
O H. de Campos agradece-lhe o comentário ao poema dos ferreiros metalúrgicos (creio que tem um outro sobre as forjas, mas não o encontrou, pelo que lho "postarei" logo que o encontre).
Sobre os "Drs." tem razão, mas às vezes deslizamos face ao respeito q nos merece o interlocutor, conquanto saibamos que o mesmo, na sua grandeza, prescinda de tais ademanes (que, sendo praceiros, seriam antes atafais!).
Com um abraço cá das fragas,
N.

Anónimo disse...

A propósito de "dotores".

Porque se é licenciado, trata-se por doutor quando a pessoa merece respeito.Mas se se é também licenciado e se é tratado por senhor Fulano(ou dona Fulana),isso quer dizer que não se tem consideração pela pessoa?

Alguém desconsiderado

Júlia Ribeiro disse...

Ao ler o comentário do Daniel, a resposta do Nelson, o poema daquele esquivo primo do Nelson, pus-me a pensar: que vou eu dizer?
1º Subscrevo inteiramente o que diz o Daniel e eu nunca o saberia dizer como ele o fez.
2º Aprendi mais com a resposta do Nelson. Aliás, é o que sempre me acontece. (Creio que já estou a repetir-me, pois já disse isto antes...)
3º O poema do tal "esquivo primo" deixa-nos sem fôlego. Tem a força só comparável à dos míticos ferreiros.
O seu primo não ficará zangado se lhe disser que "vi" Siegfried e "ouvi" Wagner?

Bom, já estou a falar demais.
Um abração,
Júlia

Anónimo disse...

para o/a visitante Desconsiderado/a:
Claro que tem razão e que o tratar-se alguém apenas pelo nome (sem o título) não significa q não se tenha consideração pela pessoa. Pode haver ainda as situações de desconhecimento sobre a titularidade académica de alguém que conhecemos há menos tempo, (como foi o caso e que espero q me perdoe). Aliás penso que ficou tudo esclarecido entre nós e prefiro que me digam sempre as coisas com frontalidade do que haja pedras em sapatos. Sobre a questão da titularidd académica e do modo como isso passou para o nível das representações sociais, eu escrevi aqui há 3 dias um longo comentário, que, estranhamente, não saíu editado. Talvez tenha sido alguma azelhice minha ao postar o comentário, mas prefiro não voltar ao assunto.
Sobre o comentário da Drª Júlia, pode ter a certeza de que o H.C. se sentiu lisonjeado. Na verdade há muito de mitologias nórdicas nesse poema, além das imagens xilogravadas do "De re Metallica", do Georgius Agricola (tratado de metalurgia do séc. XVI).
Presentemente tenho mt que fazer, por isso não estranhem a minha ausência. Cps,
n.

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