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segunda-feira, 22 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 1

O largo da Corredoura, diante da capela de S. Sebastião, com feira do gado, nos anos 50 (foto do Dr. Horácio Simões?)


A pedido da nossa colaboradora Drª Júlia Ribeiro (para a gente da Corredoura a Julinha Biló), e devido a problemas informáticos no seu computador, aqui vamos “postar” um grande roteiro que fez do bairro da Corredoura. E “postar” é a palavra certa, porque, dada a sua extensão, será publicado às “postas”, durante dias diferentes, como os fascículos ou folhetins de antigamente. Por isso os nossos visitantes terão de copiar estes textos, espécie de visitas guiadas pela nossa cicerone, durante dias diferentes, colando-os num ficheiro “Word”, para no final ficarem com uma visão de conjunto da Corredoura de outros tempos.

Este roteiro vem na sequência de outros roteiros da ruas de Moncorvo já feitos por outros(as) cicerones, como Maria da Misericórdia, Horácio Espalha Júnior, Julieta Brito, além de Júlia Biló, e que ficaram lá atrás, em caixas de comentários, neste mesmo blogue. São roteiros que dão testemunho dos lugares da vila e dos seus habitantes, desde os anos 40 até cerca dos 60. Fazemos votos que toda esta informação possa ser reunida e publicada num livro colectivo. Seria muito interessante.

A Corredoura era uma espécie de aldeia satélite da vila, do seu lado poente, território de lavradores e de muitos jornaleiros. Noutros tempos, os da vila, sobretudo em consequência de renhidas partidas de futebol e talvez por influência dos primeiros “westerns” que passavam no cine-teatro vilóide, passaram a apodar de “índios” a rapaziada deste bairro. Um apodo pejorativo, claro, mas que fazia jus à braveza da malta da Corredoura.

Mas, a partir de agora tem a palavra a Drª Júlia Biló, uma corredourense nata (e até à medula):


ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60

De acordo com a minha memória mais recuada – e com algumas preciosas ajudas das Amigas D. Idalina Martins, da Júlia Trovões, da Maria José, e de moradoras da Corredoura no período acima mencionado - vou tentar traçar o que terá sido o Roteiro deste bairro vai para 6 décadas.

Da Corredoura subia-se (sim, porque a Corredoura ficava em baixo e a Vila em cima) até à Vila por 4 ruas à escolha:

a) Quem ia ao Hospital, à Igreja, à Praça das Regateiras ou à Guarda Republicana, tomava a Rua das Teixeiras, também chamada Rua do Hospital;
b) Quem ia ao Tribunal, à maior parte das lojas ou à Praça Francisco Meireles (o Picadeiro de então) tomava a Rua das Amoreiras ou ,
c) em alternativa, a Canelha da Fonte . (Penso que se lhe chamava Canelha por ser a mais torta de todas);
d) Quem ia ao ferrador, à Foto-Peixe e à Capela da Misericórdia, tomava a Rua dos Palheiros, também chamada Rua do Ferrador.

Ao fundo da Rua das Teixeiras e da Rua das Amoreiras corria um caminho que ladeava a Nória e ia dar aos Pocecos, à Fonte de Santiago e ao Cemitério. Os Pocecos eram duas correntezas de tanques de cimento individuais, cada um com sua torneira, (num total de umas duas dúzias) com cobertura de telha e onde as lavadeiras iam lavar a roupa das senhoras da Vila. As mulheres da Corredoura lavavam a roupa na Fonte Carvalho onde os dois tanques grandes eram comuns e não tinham telhado. (As mulheres da Corredoura não eram benvindas pelas lavadeiras encartadas dos Pocecos).
Ainda ao fundo da Rua dasTeixeiras havia uma lixeira a céu aberto, onde era vazado o lixo da vila e o do hospital. As nossas mães davam-nos uma sova valente se fôssemos à lixeira, pois se dizia que alguém já tinha visto lá um pé ou uma perna. Era só uma forma de nos meterem medo com a lixeira. Este espaço servia de terra-de-ninguém entre a Corredoura e a Vila.

(Continua)

_______

APELO: a fim de ilustrar as próximas "postas" deste Roteiro da Drª. Júlia Ribeiro, agradecíamos que nos enviassem fotografias antigas da zona da Corredoura (de preferência dos anos 40 a 60 do séc. XX). Se tiverem as fotografias sem ser digitalizadas, em papel fotográfico, podem levá-las ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde serão digitalizadas e devolvidas logo na hora. Também serão mencionadas as pessoas que possuam essas fotografias e nos facilitem a sua reprodução neste blogue. Em nome da autora, o nosso Muito Obrigado!

3 comentários:

Anónimo disse...

Julinha, o dente já está afiado. Agora ficamos à espera ...

Um abraço
Maria e Zé

sarilhos disse...

Este projecto é excepcional. É algo que eu nunca vi nestes moldes, e que tem o mérito de ser um projecto de fundo que mexe com a memória colectiva dos Moncorvenses, e reveste-se de uma importância vital, nestes tempos em que a memória se vai apagando e os locais se modificam com uma velocidade notável. Se pensarmos que o que a Dra. Júlia descreveu esteve quase imutável durante centenas de anos, e que em cerca de 30 anos, alterou-se profundamente, com a expansão urbana da "Vila" para Poente, nos anos 70 do "nosso século XX".

Parabéns, e espero ansiosamente pelos desenvolvimentos....

Anónimo disse...

Vamos, ganda Júlia Biló. Alguém ( a Lelia, não foi? ) já lhe chamou a nossa cronista da Cordoira ao Montesinho , do Cabo ao Prado. A Vila nada. Tudo aqui escrtinho com os pontos nos iis .

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