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quarta-feira, 24 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 3

Feira do gado no Largo da Corredoura. Do lado esquerdo a capela de S. Sebastião; ao fundo a velha escola primária dos rapazes (foto dos anos 50 ou 60? - arquivo de Drª Júlia Ribeiro)

Pois, a seguir à casa do Sr. Miguel Mesquita vinha outra casa (pertencente aos Mirandas) que era normalmente alugada a famílias das aldeias vizinhas que traziam os filhos para estudarem no Colégio. Nela moraram a Eugénia Carlota, irmã do Galeguinho, e mãe da Eva. Depois morou lá uma senhora com uma filha chamada Astride, que andou no Colégio ao mesmo tempo em que eu andei. Esta casa fazia esquina e na esquina em frente era a casa dos Mirandas. Os Mesquitas e os Mirandas eram então as duas famílias de lavradores mais abastadas da Corredoura. (Nada tinham a ver com os grandes proprietários absentistas da Vila que só vinham a Moncorvo por altura das vindimas e colheita da amêndoa e alguns pelo Natal, que era também a época da lagaragem do azeite). Os homens das duas famílias mencionadas trabalhavam as suas terras com os bois, os machos e os jeireiros. As filhas não trabalhavam no campo. Entre a casa dos Mesquitas e a dos Mirandas começava a Rua de Baixo. Já lá iremos.

Dobrando a esquina da casa dos Mirandas, à direita era a casa da Sra. Guilhermina Galo, mãe da Menina Gininha Galo, empregada nos Correios, depois chefe. Casou já ia quase nos 50 com o sapateiro Álvaro Chalaça. (A velha Guilhermina Galo, que nunca aceitou tal casamento, repetia a cantilena “Sapateiro remendão, onde os outros põem os pés, põe ele a mão”). Em frente da esquina das casas da Sra. Camila Miranda e da Menina Gininha Galo, ficava a casa (pertença de Aníbal Miranda, sogro do Sr. Todu) em que morava a Menina Judite Gregório, casada com o Xico da Aida, alfaiate.

A escada que lhe dava acesso tinha uma data de degraus. Aí ouvi, em criança, as histórias que as velhas contavam. (Havia uma hierarquia determinada na ocupação desses degraus. Nos de baixo sentavam-se as mulheres mais velhas; algumas acocoravam-se encostadas à parede. Pelos outros degraus acima sentavam-se as mulheres com filhos de colo, outras mulheres e alguns homens). O Tio Diogo Parrico ficava sempre de pé, arrimado ao seu velho cajado. As moças novas namoravam ali por perto, à vista de toda a gente. A canalhada andava em correrias pelo terreiro, sim era aí o Terreiro, um largo bem delimitado. Quando se cansavam da brincadeira, vinham deitar-se na manta de trapo e, os mais resistentes ouviam histórias, os mais ensonados, dormiam.

Lamento profundamente que esta casa esteja praticamente em ruínas. Merecia ser reconstruída, pois parece-me que é a única que ainda conserva a traça das casas da Corredoura. (Continua)

Por: Júlia de Barros Ribeiro ("Biló")
Nota do postador: a casa referida no penúltimo e último parágrafo é a que figura no desenho da capa do livro "Contos ao Luar de Agosto" (ed. Magno, Leiria, 2000), da autora deste Roteiro. Aí se juntavam as velhotas a contar muitas das histórias que que figuram neste livro (e em "Contos ao Luar de Agosto-II"). Trata-se de uma obra de leitura obrigatória para quem pretenda entrar no "espírito da Corredoura".

8 comentários:

Anónimo disse...

Leitura de raspão ao novo/velho blog
Não há fome que não dê em fartura, calma , a velocidade é a do 91.Assim, é que me baralho.O raparigo informático que anda cá em casa ,diz; Tio, passe pá pen em Word e bê quando quer. Para mandar, scanneia ,faz O.C.R. para Word abre o googlegmail e envia ao webmaster e ele posta no blog. Entendeu!Júliaaaaaa!
O tchabasco do tchofer da Margarida ía pelo IP2 /Vilariça oubindo o fado tropical do Chico e quando ela oubiu “O amazonas desagua em Trás os Montes”biu a Ribeira, o Sabor e o Douro ,Hummm três quartilhos do meu rio e chau ó franciu.No roteiro ecológico da fauna local já habia um dinosauro,e um elefante branco ,ambos machos.
Tinha companhia, estava em casa.
A corridouira da Júlia é o foral antes da guerra colonial e da fuga prá França e araganças.
E lembrar-me que tudo começou com umas bocas minhas.
Não há mais paleio ,temos que ter uma editora.10 maduros com 250€ cada y está a andar.1º book ,a antologia dos poetas populares ,2,º anos 50/60 ,autores ,Júlia, Maria da M. hej.e futuros mini historiadores. Torre Editora, nome baril e tira o chapéu ao velho Moreira.
O blog parece a luz da vila nos velhos tempos .O Nelson faz de Moura e liga o motor.
Fingir o pão ,fingir o barro ,agora fingir os textos e limpinhos postam.se.E entrou um Sarilho para baralhar e dar. Às vezes apetece-me ir ao museu da escória para recordar. .Oficialmente só há o Museu do Ferro. É pena, eles mereciam .

H.E.j

Anónimo disse...

Senhor webmaster,
há que criar uma etiqueta nova para o roteiro.Há que rebuscar outros textos perdidos num post doutro senhor chamado Gil Vicente.E desafiar outros para levar o roteiro até ao fim.

Anónimo disse...

O rigor da Julinha e o humor do Espalha Brasas animam-me a entrar a sério na dança dos roteiros.Contem comigo para o book.

M.daM.(Maria da Misericórdia)

Júlia Ribeiro disse...

Olá, Caríssimo H.E.j.
Verdade, as suas "bocas" vão surtindo efeito.
As minhas "carónicas" sobre a Corridoira ( tantas escritas que a palavra tem!! e sem o acordo ortográfico... ) vão só até aos idos de '60. É isso, até aos começos da guerra colonial e ao "salto" ( aos muiiiitííííssimos saltos ) para França e outras paragens...
E depois com o Pai Barros em Mogadouro, Moncorvo era passagem. Estou de volta e espero que alguém dê continuação às carónicas.

Um abraço
Júlia

Anónimo disse...

Dra.Júlia, gosto muito da maneira como escreve. Acho que o roteiro da Corredoura até aos anos sessenta, vai ser uma coisa muito bem feita. Estou a ler para a minha mãe, porque ela é da sua idade e lembra-se perfeitamente de tudo isto.
Muito obrigada,
Conceição

Anónimo disse...

A Câmara devia obrigar o propriatário dessa casa a fazer obras, recuperar a casa antiga, mas sem estragar nada das linhas nem dos materiais da velha fachada. Ou se o dono não faz, então obrigá-lo a vender e pelo justo valor a quem faça ou a Câmara pegar ela mesma na casa. Recuperada ainda podia ser uma coisa boa para a Corredoura, que já esta completamente descaraterizada .
Veja-se o que a Câmara de Freixo fez em tantas casinhas desse tipo que estão um encanto.
Tó da Tesoura

Anónimo disse...

O rigor da Julinha e o humor do H.E.j. são motivos suficientes para eu me animar a colaborar nos roteiros.Contem,pois,comigo,para o book.

M.da M.(Maria da Misericórdia)

Julia Ribeiro disse...

Olá, Amiga Maria da Misericórdia:

Claro que a sua colaboração é preciosa. E depois o book. Se calhar ainda é capaz de ficar uma coisa com algum jeito.
Para já, aqui lhe fica um grande abraço,

Júlia

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