torredemoncorvoinblog@gmail.com

sábado, 27 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 6

Vista do Largo da Corredoura hoje (27.06.2009) para comparação com a foto do Roteiro da Corredoura nº. 3 (post de 24.06.2009), já que foi tirada do mesmo ângulo (foto N.Campos)
Voltando à frente da casa da Tia Fusa, à nossa mão esquerda, ficava a casa da Tia Maria José Carlota, (que queria que a chamassem sempre pelos três nomes) mãe da Júlia Checha e do Alberto Checho. Depois havia uma casinha térrea, muito miserável, onde vivia a Laura vesga, com a mãe (a Tia Camila) que era quase cega e os filhos: a Maria, a Júlia, a Camila e o António Camilo. Uma das filhas era também estrábica. Vinha então uma casa de boa construção em cantaria, com loja para os animais e onde havia um quartinho feito de tabique para o albardeiro, cujo nome esqueci, e no 1º andar vivia o Tio Diogo Parrico. Seguiam-se três casinhas térreas: na que fazia canto com a casa do tio Diogo, vivia a Tia Maria Panda; na seguinte morava a Tia Aurora Choqueira casada com o Artur Ganchinho que morreu novo e na última morava a Tia Júlia Marruca. Passando a esquina desta chegamos a “ O Alto”, assim designado, porque fazia um leve declive na direcção das casas mais baixas. (Uma desgraça quando a chuva era muita). Na primeira casinha, pequena, térrea, vivia a Maria, sobrinha da Lucília Florista, com os filhos. (Mais tarde, depois do Guarda Republicano, pai do “Arreia Zeca” ter ido embora, foi morar na casa onde vivera a tia). Na segunda casita vivia a Tia Júlia Panela, cujo marido – ainda relativamente novo – teve um ataque cardíaco e ficou entrevado na cama até ao fim da vida. Tiveram dois filhos, um dos quais, quando recém-nascido, era os meus encantos e era preciso tirarem-mo do colo. Havia depois uma casa de varanda redonda onde morava a Tia Carminda Clareira no 1º andar; e, no rés-de-chão, sem qualquer janela, numa casa com chão de lajes muito desiguais e imperfeitas (uma ratoeira para quem andasse lá às escuras) morou a Ana Baloca. Depois, durante algum tempo, viveu aí a Maria Carmacha com o marido e um ou dois raparigos. Pegada e fazendo canto viviam, numa casa de soalho, a Tia Maria Cândida Moreira, a filha, a Menina Natalina, costureira, e os filhos: o Lúcio, o Zé Coelho, o António e o Manuel. (Este semicírculo era conhecido como “O Canto”). Seguiam-se duas casinhas muito pobres: numa vivia a Beatriz Carmacha, mãe da Maria, da Alice, do Artur e da Júlia, esta, minha colega na escola primária. Na outra moravam a Tia Zefa Maçorana e a neta Júlia, que devia ter uma grande miopia, mas não havia dinheiro para óculos. A rapariga cantava muito bem. Pegada, ficava a casa da Tia Marquinhas Marialva, que já dava para a Canelha que levava à Rua de Baixo. (Continua)

Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Foto intermádia: vista geral do largo do "Terreiro", do bairro da Corredoura. Foto do fundo: é a zona do "Canto", de que se fala neste "post" - ao fundo do Canto existe a canelha que liga à rua de Baixo (fotos tiradas no dia 27.06.2009).

4 comentários:

Anónimo disse...

Na Corredoura fiz a preparação para o exame de admissão aos liceus, na primavera de 1962. As sala era alta e fresca. Mapas do impéro. Desenhos de cântaras do Felgar. Ditados em linguagem estranha. Palavras ignotas. Raízes quadradas.
Havia um jardim anexo, tudo cerceado pelo largo da feira.
Com o primeiro dinheiro que ganhei, em 1971, enquanto professor da antiga escola técnica, que funcionava no hospital velho, ajudei a comprar um porco (meu mundo primevo o impunha) e um ferro de engomar eléctrico, último modelo (a cidade espreitava).
Passou tempo.
Voltei à Corredoura, em certo sentido, aquando da inauguração do bronze de Armando Martins Janeira. Logo naquele dia, em meados de 90, XX, dei comigo a pensar: que pena terem-no voltado de costas para a serra que o viu nascer e que ele por assim dizer adorava, ao que se sabe. Nunca o exprimi em público. Faço-o agora. Oxalá um dia haja lugar a uma remodelação que permita um enquadramento compatível com este desígnio.
É o ponto que sinto, hoje, por suturar.

Carlos Sambade

Anónimo disse...

Nasci em 1959. Ainda conheci algumas pessoas aqui referidas . Alguns dos nomes e alcunhas ainda perduram . Mas mesmo estas vão-se perdendo. Porque não faz a Julinha um apanhado de alcunhas? Um dia fez um texto muito engraçado com alcunhas entrelaçadas umas nas outras, lembra-se? Eu ouvi-o ler num almoço do Colégio, já lá vão uns anos. Ainda não havia blog...
Gosto do roteiro da Corredoura. Estou à espera da Rua de Baixo.
Um abraço de uma amiga.
Nanda

Wanda disse...

Olá!
Percorrer o roteiro é viajar na máquina do tempo que a Júlia gentilmente construiu para todos nós.Mesmo para mim, que só conheço de ler e de ouvir falar está sendo uma viagem!Não ligo nomes aos rostos que não conheci, é claro! Ligo-os ás pessoas criadas pela minha imaginação e todas elas são de povo simples lutando pela sobrevivências com ou sem esperança.
Abraço
Wanda
São Paulo, 27 de junho de 2009

julia Ribeiro disse...

Olá, Amigos Blogueiros : Vou estar ausente uns dias (não sei quantos), porque tenho o neto mais pequenino com varicela.
Até pensei que já nem houvesse varicela ...
A empregada está de férias , a minha filha a trabalhar e a avó vai apagar mais um fogo.
Um abração
Julia

eXTReMe Tracker