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segunda-feira, 29 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 8

Grupo de crianças da Escola Primária da Corredoura, com a professora D. Isabel. Foto de 1926/27, segundo informação de D. Maria Antónia Brito Castilho (Arquivo Leonel Brito)

Quase no fundo, ainda do lado esquerdo, numa casa pobre, com uma escada de degraus altos e muito falsos, pois não tinha corrimão nem qualquer apoio para as mãos, morava a Tia Delmira, o marido e filhos. A seguir era a casa de uma tia minha, a Tia Permelívia (que morreu muito nova) onde viveu com marido, Abílio Amador, e os filhos. Atravessada a boca da Canelha, numa casa com um pequeno alpendre, morou a D. Arminda de Maçores, com as filhas Camilinha (mais tarde casaria com o Sr. Inspector Costa) e Dulce, enquanto elas frequentaram o Colégio. Depois viveram aí o Henrique Chanfana e a mulher, Alice.
Ladeando esta casa, entrava-se num pequeno largo onde ficava a casa da Tia Alcina Guino, mãe da Miss, do Rei, da Princesa, do LoboMano e ainda a casa dos Amadores, já de razoável construção. Seguindo por uma abertura ia dar-se ao Carrascal e aos inúmeros palheiros que então aí existiam.

Voltando para trás e subindo agora a Rua de Baixo, ficavam à nossa esquerda as casas da Cacilda Marialva e da Carminda Marialva, irmã e filha da Tia Marquinhas Marialva. Havia depois uma cortinha, a “Feitoria”, tratada pelo Tio Caetano e pela mulher. Tinha um poço de água para regas, um grande tanque e a maior laranjeira que já vi, com laranjas enormes e sumarentas, mas muito azedas. A Tia Lucinda Gamboa dizia que era do sabão com que se lavava a roupa no tanque e que ia para as raízes da laranjeira.
Depois da Feitoria era a casa da Tia Maria Carmacha, casada com o César Caçador que criava cães perdigueiros portugueses lindíssimos. Vinham caçadores de todo o lado comprar-lhe perdigueiros. E eu ficava perdida, horas seguidas a ver os cachorrinhos. O Tio César só me deixava fazer-lhes uma festinha, senão ficavam “morrinhentos”.
(Continua)
Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
Nota: Excepto a fotografia do topo, as outras duas são de 1950 (informação de Leonel Brito, que as obteve de D. Maria Antónia Brito Castilho). Estes são os meninos da Corredoura (usando a expressão de Daniel de Sousa) de outros tempos. A foto intermédia foi tirada junto ao adro do S. Sebastião; a de baixo parece ser na famosa casa (hoje parcialmente destruída) que está na capa dos Contos ao Luar de Agosto, da autora deste "post".

4 comentários:

Anónimo disse...

Ainda comprei um perdigueiro ao César. E então ele deu-me um, da mesma ninhada, mas muito pequenino. Até parecia enfezadinho. Os meus garotos chamaram-lhe MIÙDO. Nem queiram saber. Tornou-se uma estampa dum cão. E que nariz ! Era um espectáculo vê-lo caçar. Não havia outro como ele por esse Portugal fora.
Vale a pena recordar estas coisas.
António C.

Anónimo disse...

A Tia Delmira, lá no cimo das tais escadas muito manhosas, não era a mãe da "Parracha Santa" ?
Também sou de opinião que agora se faça um bom apanhado de alcunhas.

Tó da T.

Anónimo disse...

Cuidado, caro Tó da T., pois com isso das alcunhas (já se disse isso aqui no blogue, mas ficou já muito lá para trás), é preciso ter mais cuidado, pois normalmente as pessoas não gostam das suas nomeadas. E como é melhor não arrajnar confusões num blogue que se pretende de todos os moncorvenses, sou de opinião que essa recolha se faça, para a posteridade, mas que fique inédita até daqui a 50 anos, quando já nenhum dos descendentes dessas alcunhas (em princípio) já não viver por cá. Contudo, há algumas que são assumidas, como os Morais, de que um dos irmãos tem uma Casa "Verde", pelo que nesses casos não haverá problemas.
É só uma opinião de um anónimo.
Cps.

Anónimo disse...

Não sabia que já se tinha falado de alcunhas cá no blogue. Nesse caso, retiro o que disse.
Tó da T.

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