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terça-feira, 30 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 9

Vista da Corredoura, num dia de neve, do longínquo ano de 1894. Ao centro vê-se a capela de S. Sebastião (Esta foto foi tirada pelo Padre Adriano Guerra, um dos pioneiros da fotografia em Torre de Moncorvo, tendo-nos sido cedida uma reprodução pelo Dr. Carlos Seixas - original em poder da família)


Só já nos falta um pequeno troço por trás da capela de S.Sebastião, em direcção ao Terreiro e à casa dos Mirandas: numa moradia bonita de rés-do-chão ( para arrumações e adega) e 1º andar, viviam o Sr. Todú e a esposa , a D. Alcina. Tinham duas filhas, mais ou menos da minha idade, a estudar fora de Moncorvo, num colégio interno, À esquerda havia um portão que abria para um pátio com uma casinha pequena onde morou a Tia Marquinhas Gata e depois a filha Teresa Gata com o marido e filhos. Pegada a esta, noutra casita também muito pequena viveu outra filha da Tia Marquinhas: a Adélia Gata e a família. À direita da casa do Sr. Todú e com ela pegada ficava a casa do Tio Cordoeiro, pai da Beatriz Cordoeira, da Cecília e do Alberto. Seguia-se a casa da Tia Filomena Vilela, marido e filhos. Mais recuada, ficava a casa da professora D. Graciete Gregório que, dizia-se, era má como as cobras. Vinham então mais duas casas, uma de rés-de-chão, só com porta e sem janelas, em que moravam a Sra. Amélia e o Sr. Fidalgo, guarda republicano, e depois outra casa com rés-de-chão e 1º andar e com varanda para o Largo da Corredoura, para Os Olmos e para a Vila. Um luxo ! Aí moraram a Menina Idalina e o marido Sr. Alexandre Morais, mais conhecido por Alexandre Verde e aí nasceram os seus cinco filhos. Esta casa fazia esquina e, mais recuado, no canto, ficava um forno que ainda trabalhava em pleno. A forneira era a Tia Alexandrina Tótó.

Vamos agora ao começo do caminho para S. Paulo: à esquerda ficava a casa do Sr. Manuel dos Carros e da mulher, a Sra. Rosinha. Esta casa também tinha um cabanal onde o Sr Manuel trabalhava e onde ficava uma casita em que viveu a Tia Maria Escalda com os filhos Leopoldo e Germano. A seguir a esta, mas no caminho para a Nória, vivia a Tia Aida, mãe do Xico Alfaiate (casado com a Menina Judite Gregório). Por cima, a Palmira do Álvaro. Pegada à casa da Tia Aida ficava uma cortinha da Sra. Guilhermina Galo e lá no fundo era a Nória. Já quase na Fonte Carvalho, numa casinha dentro de um quintal, vivia o guarda republicano Sr. Redondo, com a mulher , a Sra. Marquinhas do Redondo e os filhos.

Creio que dei a volta completa. Mas a memória é muito traiçoeira. Deve haver inúmeras falhas... Peço, por isso, a quem se lembrar de mais moradores da Corredoura ou que ache que a sequência não é bem assim, o grande favor de chamar a atenção, para que os erros possam ser corrigidos.

a) Não deveremos esquecer que este ROTEIRO diz respeito àquela dezena e meia de anos, mais ou menos entre 1944/45 e 1959/60.

b) Sugiro que alguém parta desta data (1960) e continue até 1975 – 1980;

c) ... e de 1980 até 2000 ; etc.

Com um grande abraço a todos os Amigos e Conterrâneos e um abraço muito especial aos Corredourenses.

Por: Júlia Barros Ribeiro (BILÓ)

Nota: A foto de baixo mostra a zona do bairro do S. Paulo, a caminho da Fonte Carvalho, com o antigo campo de futebol ao fundo, à direita. Em primeiro plano, o olival do Santo Cristo (que deu lugar ao bairro do mesmo nome) e a esquina de um dos edifícios da Cooperativa. - Foto de Leonel Brito, anos 70.

5 comentários:

Anónimo disse...

Se Fernando Pessoa (o Poeta) aqui vivesse, certamente diria, como disse da Rua dos Douradores, e como eu digo deste bairro-satélite da vila: "Sou do Largo da Corredoura, como a Humanidade inteira". Porque quem viu a sua aldeia, viu o mundo todo, fragmento que somos sempre do vasto formigueiro humano, com a multitude de gentes, diferentes personalidades e variedade profissional, diferentes níveis de riqueza, isto apesar de um menor desiquilíbrio social existente neste bairro do que no alto da vila, altiva, onde estavam as casas grandes e a pequena-burguesia comerciante.
Este Roteiro da Corredoura de Júlia Biló foi uma extraordinária viagem espácio-temporal. Aqui vimos desfilar pessoas, localizadas nos seus recantos genesíacos, e chegámos até a poder vislumbrar alguns desses rostos (infelizmente para nós anónimos) através de algumas fotografias de Leonel Brito. Do mesmo autor e de outros (e permitam-me que destaque a bela vista da Corredoura em dia de neve do Pe. Guerra, que agradecemos a Carlos Seixas, a encerrar este último "post") creio que estas poucas fotografias ajudaram a enquadrar o texto. Um texto que, sem dúvida, vale por si, e através do qual podemos apreciar as permanências, em apelidos e alcunhas que perduram, embora alguns já não vivam na Corredoura: Todús, "Gatos", Vilelas, Cordoeiros, Morais ("Verdes")... Conheci ainda algumas das pessoas referidas no conjunto do Roteiro, e, neste "post", gostava de salientar os meus bons vizinhos tia Maria, tia Palmira e o tio Àlvaro sapateiro, de que tenho mais vaga lembrança (ele terá falecido nos finais dos anos 80 e a tia Palmira já depois). As suas modestas casinhas, térreas, de construção tradicional em xisto, já não existem. Só o caminho para a Nória ainda permanece, uma estreita canelha actualmente calcetada a cubos de granito (quanto à Nória já ninguém se lembra de ter existido o engenho - nora - que terá dado o nome ao vasto terreno hortícola, situado no vale que começa na Cooperativa). Até há poucos anos este terreno ainda era lavrado com animais, sendo um dos seus últimos tratadores o tio Zé do Bombo, do S. Paulo, falecido há poucos anos, depois de perder o tino e se ter posto a andar sozinho pelos campos, talvez conduzido pela vaga reminiscência de outros tempos, tendo sido encontrado já morto, creio que para os lados do Vale Porco, depois de aturadas buscas, num caso que mereceu algumas linhas de jornal.

Esperemos o "feed-back" que a autora nos lança para se corrigirem ou acrescentarem eventuais pormenores e também para se desenvolver o dito roteiro até à actualidade.
Enquanto esperamos a oportunidade de outros "post's" directamente colocados pela autora, aqui ficam os meus parabéns por este trabalho, dizendo-lhe que foi uma honra e um imenso prazer colaborar nestas "postagens". Obrigado, Julinha (como lhe chamam os Corredourenses mais velhos).
N.

Anónimo disse...

Agora que terminou o roteiro da Corredoura, depois de lido, imprimido e tornado a ler, é tempo de agradecer à autora o gosto que escreveu sobre a narração e a partilha de outras eras da Corredoura.

A mim, que em dados passos parecia-me estar a ver a m/ aldeia, despertou-me a curiosidade de, com o roteiro na mão, percorrer aquele espaço e observar casa a casa toda aquela envolvência.
Igualmente seria interessante e também de uma enorme riqueza historica se alguém fizesse o mesmo ou parecido trabalho no espaço e no tempo pelas aldeias ou mesmo na vila.
Se calhar, já era pedir muito...

Por isso, muito obrigado e parabens à autora pela transmissão que fez e pelo testemunho que legou a nós os vindouros duma dada realidade irrepetível e que, lá no fundo, nem se afasta muito do que presenciámos nas aldeias.

C.S.

Anónimo disse...

Olá Julinha Biló
Na rua de baixo havia logo no cimo um outro sapateiro quase em frente do Diodato.
Não tem ideia? não fui eu que encontrei esta falha, foi a minha mãe, mas não se lembra do nome.

Uma das Marias da Querdoira.

Anónimo disse...

sapateiro do Larinho,era assim que era conhecido.

Júlia Ribeiro disse...

Isto é mesmo engraçado: a possibilidade de colaboração imediata de todos os Blogueiros. Muito obrigada a uma da Marias da Querdoira, cuja mãe deu por esta falha (e não deve ser a única); obrigada ao Anónimo que se lembrou do nome do sapateiro e muito obrigada ao Lelo, à Detinha e ao Nelson pelo trabalho e cuidado que tiveram em ir desencantar fotografias que se ajustassem ao texto.
E ainda muito agradecida a todos quantos , com os seus comentários, ajudaram a desenrolar o roteiro da Corredoura: Daniel, Rogério, Nelson, Wanda, Carlos Sambade, H.E.j. que me lançou o desafio - onde pára você, Amigo? - e vários Anónimos que, suponho, são Corredourenses ou muito aproximados.
Agora sou eu a lançar o desafio: quem continua ? Não só a Corredoura; também o Montezinho, o Carrascal, a Vila ...

Um abraço enorme para todos
Júlia

PS - A partir de amanhã vou estar ausente durante uns 10 dias.

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