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terça-feira, 7 de julho de 2009

Amêndoas de brincar


Enquanto se aproxima a apanha da amêndoa, vem à memória, por entre o calor estaladiço das cigarras e a chuva de piolhos das amendoeiras, os suaves brinquedos de infância doados por esta árvore.

As amêndoas geminadas eram os calções utilizados para os bonecos ou bonecas.


A rela ou arraioco, geralmente construído com uma noz, também se fazia com uma amêndoa. Deste brinquedo nasceria, talvez, o yo-yo.

Numa grande variedade de assobios feitos a partir de caroços de frutos ( azeitona, pêssego, damasco...) também a amêndoa serve para dar uma assobiadela.

9 comentários:

Anónimo disse...

Num mundo dominado pelo imediatismo, pela violência, pela cobiça, pela posse sem preço nem medida - é fantástico ver como das coisas simples que a natureza nos dá é possível inventar um brinquedo,uma figura ,um simples assobio e mostrar como a verdade da vida pode estar tão perto de nós. Obrigado ao vasdoal por nos (re)lembrar a nossa verdadeira natureza humana. Simples e genuínamente ligada à terra.
Daniel

vasdoal disse...

Obrigado, Daniel, pelo comentário. Terei o imenso prazer em lhe oferecer o meu livro "Flora de Brincadeiras" que desenvolve esta fuga para a simplicidade.
A propósito da última exposição destes e de outros brinquedos do género, na Biblioteca Municipal de Penafiel, alguém ( com certeza jovem ou criança) deixou um comentário pertinente que revela alguma esperança nas gerações mais novas :" A minha mãe gostou e obrigou-me a gostar".Pois claro, o gostar também exige esforço!

Anónimo disse...

A amêndoa já foi o "petróleo" da Terra Quente. Petróleo no sentido de que era altamente rentável nos anos 50, 60 e 70.
Nas férias grandes (era assim que se chamavam) participávamos todos na apanha da amêndoa. O calor abrasador no vale do Sabor, no Felgar, não era fácil de suportar.
A ligação à amêndoa é forte. Para além das "gemelgas" havia umas amêndoas mal formadas a que chamávamos as amêndoas das trovoadas. Lançadas para os telhados protegiam as casas das faíscas em dias de trovoada!
É bonito ver assim as amêndoas transformadas em brinquedo.
Regresso duplamente à infância!
Parabéns ao Vasdoal!

A. Manuel

Anónimo disse...

Exacto Tó Manel! essas amêndoas "siamesas" (não sabia que lhes chamáveis "gemelgas") eram usadas, de facto para exconjuro das trovoadas, sendo por isso também conhecidas por "amêndoas de raio" ou "de trovão".
Quanto ao livro do Vasdoal, sobre a "Flora de Brincadeiras" recomenda-se vivamente! - foi, de certo modo, o catálogo de uma excelente exposição que, tendo começado a germinar no Museu do Ferro e tendo estado aqui patente, parece que já deu a volta ao mundo: Museu do Brinquedo de Seia, Vila REal, Penafiel,..... etc. Parabéns ao autor.
N.

Anónimo disse...

Hola amigos.Recuerdos a todos desde tierras de Coimbra.
Todo el mundo necesita vacaciones.Un abrazo a todos.Angel

Isabel Mateus disse...

Livro muito inspirador, o "Flora de Brincadeiras"!
Também fazia um jogo com a minha mana quando na apanha da amêndoa partíamos aquelas mais gordas "as prenhadas" e delas saltavam dois grãos grados e retorcidos. Cada uma comia um deles e com os dedos mindinhos entrançados fazíamos juramento de ser comadres.São lindas estas brincadeiras telúricas!... Parabéns, João!

Um abraço.

Isabel Mateus

vasdoal disse...

Obrigado, Isabel, por mais este testemunho, tal como o testemunho de A.Manuel.

Um abraço.
João Costa

Júlia Ribeiro disse...

Obrigada, Vasdoal, por mais este regresso à terra e à meninice. Não conheço o seu livro "Flora de Brincadeiras" , mas presumo que seja algo riquíssimo quer quanto a "Flora" quer quanto a "Brincadeiras". E fico a pensar em quanto os nossos netos já perderam e em quanto os vindouros irão perder ainda...

Abraço
Júlia

vasdoal disse...

Obrigado, Júlia. Num próximo encontro, não me esquecerei de lhe passar o testemunho da "Flora".

Abraço,
João

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