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quarta-feira, 15 de julho de 2009

De Trás-do-Ferro

J. Costa (2008)-Moncorvo.

Bicentenária
de um rolo alquímico
de sabores e memórias.
Um âmago que fervilha
de cultura.

3 comentários:

Anónimo disse...

Gosto de visitar museus, não só pelo que neles se vê, mas, muitas vezes, pelo que neles se ouve. Dá-se o caso que numa exposição fotográfica realizada há já uns tempos largos no Museu do Ferro - e o tema eram as artes da fundição em Ferro, sendo autora a fotógrafa Paula Abreu - ao observar numa fotografia uma série de potes em ferro fundido iguais aos que o Vasdoal aqui postou, o nosso amigo e colega aqui no blogue António Manuel (o "Felgar"), lembrou-se de explicar como se preparavam as panelas de ferro, depois de serem compradas, e antes de se começarem a utilizar. Longe estava eu de imaginar, depois de me fartar de ver ao uso panelas destas em casa dos meus avós, que afinal era preciso fazer-se "a rodagem" à panela. Um estranho ritual em que entram cascas de batatas (ou de maçãs) fervidas com cinza, e, no final unto de reco para as impermeabilizar... Parece que o objectivo era cortar o sabor a ferro que a panela, sendo nova, largava. Por isso as melhores panelas eram as que já estavam bastante "rodadas"/usadas. Uns dias depois passa pela mesma exposição outro nosso amigo, e nada mais do que o autor deste "post", o Vasdoal (se calhar veio-lhe daqui a lembradura!) e como também conhece vem o mundo rural perguntei-lhe se sabia de algo sobre estes "proparos" de panelas de ferro. Não sabia nessa hora, mas no dia seguinte tinha já averiguado tudo sobre o assunto pelas bandas de Sequeiros e Martim Tirado! A investigação já chegou a Vila Real e a Alpendorada, sendo quase invariável, ou com pequenas nuances. Tudo por culpa do Tó Manel.
Por isso acho muita apropriada essa expressão: "um âmago que fervilha de cultura". É que a cultura está logo na fundição da panela (ou pote), na construção dos moldes, no saber ancestral do fundidor; depois está no tratamento da panela, pelas mãos sábias das nossas avós; e, finalmente, pelas mesmas mãos e pelo seu saber também herdado, além da sua intuição própria na confecção dos alimentos tradicionais, daí faziam sair aqueles aromas que ainda hoje nos põem a augar, só de nos lembrarmos desses excelsos cozidos à portuguesa, em que os enchidos até chiavam, nestes potes ao lume... realmente, um rolo alquímico de sabores e memórias das nossas druídicas avós... Obrigado ao Vasdoal pela lembradura.
N.

Anónimo disse...

ERRATA:
e cá estão as malditas "gralhas" do teclar (confirmem: a tecla do V e do B uma ao lado da outra, às vezes... saiem às bezes!).
Neste caso, onde se lê:
"...e como também conhece vem o mundo rural", obviamente deve ler-se:
"e como conhece bem..."
Peço desculpas pelo lapso.
N.

Angel disse...

Gracias Nelson por la explicación del "rodaje de la panela(pote)".
Pequeños de talles de los cuales,la vida rural está llena."Rodaje de las panelas,de los "pucheros" para facer o melhor café,de las cubas para el vino.etc".
Todo en la vida necesita de un rodaje.Las panelas no vienen al "mundo" sabiendo hacer patatas con chorizo,hay que enseñarlas.Un abrazo.Angel

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