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sábado, 4 de julho de 2009

Dr.José António de Sá, Corregedor da Comarca de Moncorvo


No ano de 1790 Moncorvo era cabeça de comarca.
Por nomeação régia era então Corregedor da comarca o Dr. José António de Sá,natural de Bragança, doutor em leis pela Universidade de Coimbra em 16 de Maio de 1782. Tinha decidido dedicar-se à magistratura e esse era o seu primeiro cargo.
Seria depois desembargador da Relação do Porto, superintendente geral das Décimas da Corte e do Reino (cargo este que exerceu na sua própria casa de onde despachava) e superintendente geral das Décimas de Lisboa e seu termo até falecer, o que sucedeu em Lisboa, na sua quinta do Pinheiro a Sete Rios em 14 de Fevereiro de 1819.
Foi também juiz conservador da Real Companhia e director da Real Fábrica das Sedas e Águas Livres, conselheiro honorário da Fazenda e ainda cavaleiro professo da Ordem de S.Tiago da Espada e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.
A vida deste notável personagem cruza-se com a história de Moncorvo numa altura em que a vila detinha uma predominância económica e jurídica, em função de algum desenvolvimento agroflorestal e também de alguma indústria, nomeadamente a da seda . Foi um período de notório desenvolvimento, a merecer talvez um estudo aprofundado.
O Corregedor Dr. José António de Sá encontrou uma série de desvios de poder e ilegalidades que minuciosamente descreve nesta Memória, para além da miserável situação do povo, assoberbado com prepotências e arbitrariedades de toda a ordem. Em particular os lavradores eram explorados e até vexados, quer pelos senhorios, quer pelos poderes locais , para além do peso insuportável das contribuições régias, eclesiásticas e senhoriais.
Trata-se de um documento de grande profundidade e até de grande coragem cívica, o qual merece toda a atenção. Nele refere o Dr. José António de Sá “as maiores violências que eu não acreditaria se as obrigações do meu cargo mas não fizesse ver meudamente”.
Aponta o erro e de seguida aponta a correição, num intuito moralizador e de respeito pela justiça, pela sociedade e pela Lei.
É uma figura quase ignorada da história de Moncorvo, mas exemplar.
E talvez muito actual.

Texto completo em:




http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6066.pdf


Fontes:


Fernando de Sousa . Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 51-56,1974.


Dicionário Histórico, Corográfico,Heráldico, Biográfico,Bibliográfico,Numismático e Artistico,vol. VI,429-430, ed. electrónica Manuel Amaral, 2000-2009.


3 comentários:

Anónimo disse...

O corregedor José António de Sá foi, realmente, um dos maiores vultos que passou pelo concelho e comarca da Torre de Moncorvo no séc. XVIII. Além da "Memória dos Abusos..." escreveu uma outra memória estatística que publicou nos Anais da Academia das Ciências de Lisboa. Justamente considerado, com Columbano Pinto R. de Castro, um outro personagem que passou pela comarca de Moncorvo quase na mesma altura, um dos pais da estatística em Portugal, foi um homem de acção, embora muitas das suas ideias não passassem do papel e da sua cabeça. Em todo o caso, tentou implementar, sem o conseguir, ideias que já vinham de trás, como aquela do "encanamento" da ribeira da Vilariça para evitar as mudanças de leito (em consequência das "rebofas", com repercussões na lavoura e nos tribunais... Todavia, no que respeita a muitas outras iniciativas, tê-las-á levado à prática, como sejam o arranjo dos caminhos e o plantio de milhares de amoreiras no território da comarca, como forma de incrementar a sericicultura (trato da seda), já que a folha da amoreira era o alimento do bicho da seda. Em sua memória e em sua homenagem, há poucos anos foi plantada uma amoreira branca ("Morus Alba", a melhor para a qualidade da seda) nos jardins do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, já que praticamente não há amoreiras nesta vila - a última que existia, talvez ainda dos bons tempos da seda (voltou a haver um incremento no séc. XIX), estava na travessa das Amoreiras, por detrás da casa do arco da D. Cota (onde viveu o sr. Filipe carteiro), mas acabou por ser arrancada... De resto, J.A. de Sá "meteu o bedelho" em muitas outras coisas, como a fábrica da seda de Chacim (hoje concelho de Macedo) e até na fábrica de ferro da Chapa-Cunha, Mós (hoje concelho de T. de Moncorvo), tal a sua ânsia de incentivar a produtividade industrial da nossa região. Concitou contra si ódios e invejas, como sempre acontece a quem tenta fazer alguma coisa, e acabou por se desligar da região, tendo ido parar à corte, ou para as bandas da capital, onde morreu, como bem anotou o Daniel.
N.

Anónimo disse...

Eatamos no bom caminho

Júlia Ribeiro disse...

Estamos realmente no bom caminho e sobretudo trilhado por quem sabe a fundo dos assuntos abordados.
Para eles o meu abraço
Júlia

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