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domingo, 26 de julho de 2009

Fundador da República do Brasil era oriundo de Moncorvo!

Quem sabia que Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1836-1891), militar, político, ensaísta, o pai da República do Brasil, autor da divisa “Ordem e Progresso” da bandeira brasileira (1890), era oriundo da vila de Torre de Moncorvo, por parte de seu pai, Leopoldo Henriques Botelho de Magalhães?
Este Leopoldo Henriques era seguramente descendente de um sargento-mor de Torre de Moncorvo que viveu no séc. XVIII e que tinha o mesmo nome (houve vários homónimos nesta família de morgados). Esse primeiro Leopoldo Henriques (talvez nascido nos finais do séc. XVII) casou com uma senhora espanhola (mais precisamente catalã), e foi quem iniciou a construção de um casarão situado na actual Rua Tomás Ribeiro, nesta vila, o qual pretendia ser um vasto solar mas que nunca seria acabado, apesar dos descendentes terem chegado a celebrar um contrato com um mestre de obras para a sua conclusão no ano de 1800. Depois de um longo processo de ruína na segunda metade do séc. XX e tendo corrido o risco de uma demolição integral, o que restou desse casarão em boa hora foi recuperado e alberga hoje a agência de um Banco e um jardim-escola.
Longe estávamos de saber, no entanto, que desta casa sairia um dos grandes vultos da história do Brasil. A informação chegou-nos através de um alerta do Google, em que se dizia:
“Benjamin Constant veio ao mundo no porto do Meyer, freguesia de S. Lourenço do Município de Niterói, no dia em que a Igreja Positivista comemora Duclos, o moralista adjunto do grande pensador que resume o glorioso movimento espiritual no século XVIII - Diderot (18 de Outubro de 1836). Seu pai, Leopoldo Henrique de Magalhães Botelho [sic-apelido trocado], natural da Torre de Moncorvo, assentara praça voluntariamente, com vinte anos de idade, no regimento provisório de Portugal em 21 de novembro de 1821. (...)
Português por seu pai, Benjamin Constant já era brasileiro por sua mãe, D. Bernardina Joaquina da Silva Guimarães, natural do Rio Grande do Sul. Em 1836 quando nasceu o futuro Fundador da República na raça portuguesa, dirigia seu pai [Leopoldo Henriques] uma escola particular, onde ensinava primeiras letras, gramática portuguesa e latim. Escassos sendo os recursos que daí auferia, porque a maior parte dos discípulos era pobre, viu-se obrigado a procurar outra profissão, apesar da verdadeira satisfação com que seguia o magistério. A proteção da família da Viscondessa de Macaé proporcionou ao 1° tenente Botelho de Magalhães a tentativa de um estabelecimento na cidade desta denominação (Macaé), onde ainda entregou-se ao professorado. Aí foi batizado o seu primogênito em 26 de março de 1837, dando-lhe o pai por patrono subjetivo Benjamin Constant, o célebre publicista do constitucionalismo de quem era entusiasta. (...)”

Recentemente foram descobertos, num espólio familiar, uma série de apontamentos de autoria de Bernardina Botelho de Magalhães, filha de Benjamin Constant, onde a jovem então com 16 anos (por volta de 1889) anotou as reuniões e relações de seu pai com outros conspiradores que ajudaram ao derrube da monarquia imperial. No seguimento da instauração da República, viria a ser Ministro da Guerra e posteriormente Ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos no governo provisório. Tendo sido amigo da família imperial brasileira, fez questão de que nada lhes acontecesse após a instauração do novo regime.
As disposições transitórias da Constituição de 1891 consagraram-no postumamente como Fundador da República do Brasil. Morreu em 22 de janeiro de 1891.

Para saber mais, consulte os seguintes links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Constant_Botelho_de_Magalh%C3%A3es
http://www.pantanalnews.com.br/contents.php?CID=31040
http://www.brasilescola.com/biografia/benjamin-constant-botelho.htm
http://www.correaneto.com.br/noticias/07/24_7_09benjamin.htm

3 comentários:

Wanda disse...

Olá!
Nelson, agradeço por lembrar-me!
Eu sabia dessa procedência, pois já havia lido num antigo periódico da maçonaria.
Dei uma busca e encontrei também um comentário á respeito do acontecido na data da proclamação
"Em 10 de novembro de 1889, em uma reunião na casa do Irmão Maçom Benjamin Constant, onde compareceram os Irmãos Maçons Francisco Glicério e Campos Salles, que decidiram pela queda do Império. Benjamin Constant foi incumbido de persuadir o Marechal Deodoro da Fonseca, já que este era muito afeiçoado ao Imperador. Por fim, Deodoro assumiu o comando do movimento e Proclamou a 15 de Novembro de 1889, a República no Brasil".


D.PedroII respondeu:
“À vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir, com toda a minha família, para a Europa, deixando esta Pátria, de nós tão estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranho amor e dedicação, durante mais de meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado.
Ausentando-me, pois, com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos por sua grandeza e prosperidade.”
Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889
D. Pedro de Alcântara.


Os brasileiros têm muita simpatia por D.PedroII.

Antes de morrer,(1891) Benjamim Constant disse: "Não é esta a república que sonhei."

Imaginem se ele vivesse nos dias de hoje!

Abraços.
Wanda

São Paulo,26 de julho de 2009

Tiago Rafael disse...

Mais uma vez reafirmo a união entre Blogues e porque não com a participação de todos e em conjunto com a Câmara Municipal na divulgação por sistema da nossa terra, mostrar de dentro para fora, a todo os descendentes e ascendentes.
Tiago Rafael_Moncorvo no coração

Saudações

Anónimo disse...

Obrigado Wanda, pelo seu contributo tão oportuno. A única imagem que tinha de D. Pedro II, vinha da minha adolescência em que me entretinha a ver as estampas de um velho dicionário da Lello (luso-brasileiro) que tinha meu pai. E lá estava um retrato (fotografia ou pintura) de D. Pedro II, com as suas grandes barbas. E dele só sabia que tinha morrido no exílio (por aqui sabe-se muito pouco ou nada da História do Brasil). Com a sua intervenção fui ver o que tinha acontecido a D. Pedro II, e nada melhor do que os artigos da Wikipédia, pela rapidez e facilidade de consulta: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_II_do_Brasil
Realmente é como diz, os brasileiros gostavam do imperador e, pelos vistos continuam a gostar (e têm justificadas razões para isso). Por cá o nosso D. Carlos (assassinado fez o ano passado 100 anos) vai tendo igual sorte, mas teve de esperar muito mais tempo.
Saliento o pacifismo do golpe brasileiro, a que não seria alheio também o desprendimento do vosso monarca bem retratado nesta frase:“- Ora, se os brasileiros não me quiserem para seu Imperador, irei ser professor!”
Mais democrata o homem não podia ser!!
E li também que chegou a empregar o nosso Benjamin Constant como professor de matemática de seus filhos e netos. Talvez por tudo isso o Benjamim Constant Botelho de Magalhães respeitava o imperador, como se pôde ler no texto de Hiram Reis e Silva (ver o primeiro link do meu post): "Uma vez proclamada a República, partindo do princípio que a revolução visava à instituição e não às pessoas, cuidou Benjamin Constant não só de cercar de atenções a Família Imperial, como de acautelar escrupulosamente seus bens e propriedades, organizando para isso uma comissão de pessoas de reconhecida probidade e fielmente dedicadas ao trono. Sugeriu, além disso, que o Governo Provisório desse ao Imperador a ajuda de custo de 5.000 contos de réis, para que se estabelecesse na Europa".
E acrescentou que o imperador se recusou a aceitar essa tença, "mandando devolver o cheque, que, à sua revelia, recebera o Conde D’Eu, no Brasil” (cf. Viveiros). - Se houve uma grande dignidade de D. Pedro II não foi menos nobre a preocupação do republicano Benjamin Constant. Por isso não admira que ele se tivesse posteriormente desiludido com a República, certamente vendo singrar os oportunistas que sempre surgem em contextos pós-revolucionários (se é que essa mudança de regime teve alguma coisa de "revolucionário", pois a fazer fé na História, muitos desses republicanos eram fazendeiros esclavagistas). Não deixa de ser curioso (e dramático) que o pai da república brasileira tivesse morrido pouco depois, sem nunca ser Presidente, e logo no mesmo ano tivesse morrido o imperador exilado, pouco depois de se demitir o primeiro Presidente (Deodoro). Ou seja, essa revolução deu num dramalhão!

Quanto ao comentário do Tiago Rafael saliento apenas que em todos os blogues que têm a ver com Moncorvo encontrará links de uns para os outros. Quer melhor prova de que há uma cooperação? (quanto à diversidade é sinal de que há conceitos diferentes, o que não deixa de ser positivo). E neste mesmo blogue ainda ontem se postou uma informação emanada do município, como se postaria de outra entidade, desde que tenha interesse para a terra e respeite o Regulamento interno que os colaboradores e coodenadores conhecem.
Abraço a todos, e cá estamos todos, por Moncorvo!
n.

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