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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Professor Josino Amado



Do baú de escritos e outros papéis de meu Pai, que muitas vezes gosto de abrir e remexer, vou tirando coisas que me evocam figuras e situações que, sendo passado, não deixam por vezes de me emocionar .
Outro dia encontrei um pequeno opúsculo poético, designado Portugal, da autoria de Josino Amado, com dedicatória ao meu Pai como seu ex-aluno na escola primária em Urros.
Muitas vezes ouvi falar em minha casa do Professor Josino Amado, sempre com uma grande veneração e respeito.

Nasceu em Urros em 1894 e faleceu em 1968, estando sepultado segundo creio no cemitério da aldeia. Partiu muito jovem para Macau, onde frequentou o liceu. Regressado a Portugal, formou-se na Escola do Magistério Primário do Porto e iniciou a sua actividade docente. Revelou-se um grande pedagogo e veio a ser condecorado anos mais tarde pelo Presidente da República Craveiro Lopes.
O seu primeiro livro de poemas, Emigrado, foi publicado em 1929. Publicou depois outras obras poéticas: As Mondas, Miséria, O Semeador da Luz ( Memórias dum professor primário), Colori Gravuras e Fixai Conceitos, Os Meus Sonetos, Velhas e Novas Fábulas, Manes de Portugal, Rimas Educativas e Trás-os-Montes.
Nelas se revela um homem de grande cultura e elevação espiritual e que por toda a sua vida foi exemplo para muitas gerações.
Nunca o tendo conhecido pessoalmente, sempre o ouvi evocar como uma referência nesses recuados tempos.
Desse opúsculo, no qual se juntam alguns poemas dos anos 30, transcrevo parte do final de Portugal , evocando Timor, de Fevereiro de 1934. Poema obviamente datado, de um nacionalismo épico de matriz camoneana, não deixa de revelar uma linguagem poética de grande ritmo interior e um notável domínio da palavra e da imagem.
Aqui fica a minha homenagem ao Professor Josino Amado.



Para muitos os filhos de Caim,
És feral círculo infernal de Dante,
Filha longínqua, amada, és para mim,
Que mãe não esquece o filho seu distante!

Filhas queridas, da minha alma vidas,
Feitos dos meus heróis, luz do meu ser,
Em vós eternamente revividas
Da Pátria lusa as glórias hão-de ser!

Por vós eu mostrarei ao mundo inteiro,
Quanto é que vale a civilizadora
Acção dum povo heróico, marinheiro,
Que no mundo espargiu luz redentora!



(…)


Do fundo do mar ressurgirão ossadas
Das caravelas, naus e dos galeões,
Por defender-vos filhas adoradas,
De heróis repletas, armas e canhões!

Nasci pequena, mas não temo o imundo
Furor da hostil expoliação atroz,
Não é pequena quem descobre o mundo,
Quem tem Camões e filhas como vós!


2 comentários:

Anónimo disse...

Já tinha ouvido falar do prof. Josino Amado, mas estes são os primeiros escritos que dele leio. Conquanto algo barroco e rebuscado, não deixa de ter interesse conhecer mais um poeta natural destas nossas terras, ainda por cima com uma história de vida que abarca ainda o ciclo do "império" (pelo que é natural que isso se repercuta nos seus escritos). É curioso que esse "recrutamento" de jovens para o mítico seminário de Macau (padroado do Oriente) tenha também chegado a Urros - de Freixo já sabíamos; do Peredo, creio que até em tempos mais recentes, como o Rogério sabe, agora de Urros desconhecia que tivesse havido representantes.
Continue a remexer na arca, Daniel!
obrigado pela partilha, pois é sempre bom saber. Abraço,
N.

Anónimo disse...

Vivemos numa época em que o "Eduquês" dita as decisões em matéria educativa. Os resultados são os que todos sabemos. Não há estatística que tape a calamidade da iliteracia.
Devemos olhar para exemplos de grandes pedagogos, reflectir e traçar novos caminhos.


A.M.

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