E outra vez os dedos nodosos, que pareciam cobertos de neve, se enterravam naquele aglomerado de concreções alvacentas; agitando-as, trazendo ao de cima as que jaziam na profundidade, fazendo mergulhar as que se encontravam à superfície e pondo de lado aquelas em que já avultavam grandes granulações opalinas»
Campos Monteiro, Novelas Transmontanas – Ares da Minha Serra
Canto esquecido
Pego nas tuas mãos, desfolho os teus dedos um a um,
Lenta e suavemente
Os acaricio contra os meus lábios
Como se jamais os pudesse voltar a tocar
Descubro mil gestos de ternura, mil memórias
Nas tuas mãos que o tempo não pára
Num antigo rito de fogo que os dedos dançam
Em formas e sentidos, eterno fluir de mágica função
Destino e tempo, sem tempo,
Mãos eternas que revolvem o fruto da terra sobre o cobre
E o revestem de glórias inventadas
No calor de uma secreta medida
Pego nas tuas mãos que me afagam o rosto
Agora silencioso
Sinto os teus dedos sobre os meus olhos maravilhados
E já não sei se adormeci, se sonho, ou se apenas choro
20 de Agosto de 2009
Em homenagem às cobrideiras de amêndoa de Moncorvo, artesãs de um ofício quase esquecido . Com a minha gratidão .
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Canto esquecido
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)








3 comentários:
Canto sublime num doce-amargo das palavras,tal como as amêndoas!
Obrigado,Daniel de Sousa.
Belo poema, bem ao nível das artesãs da amêndoa coberta. Também apreciei a metáfora do Vasdoal: é, de facto, de um doce-amargo, tal como as amêndoas típicas de Moncorvo.
n.
A cobrideira de amêndoa da nossa terra não poderia ter mais bela e sentida homenagem do que a que lhe presta o Daniel neste magnífico poema.
É também de 'olhos maravilhados' que lhe exprimo a minha gratidão.
Obrigada, Daniel.
Júlia
Publicar um comentário