torredemoncorvoinblog@gmail.com

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

P'rà Júlia

O meu nome é Júlia.
Desde os romanos
que o meu nome é Júlia.
Podia ser Augusta
porque nasci em Agosto.
Mas o meu nome é Júlia.
Desde os romanos
que o meu nome é Júlia.

Nasci quando até a brisa era quente
e nada corria a não
ser o tempo na Corredoura.
Mas desde os romanos
que o meu nome é Júlia.

Não sei se há flores com este nome
ou sirocos ou tempestades
ou tsunamis ou tufões
com o meu nome.
Talvez haja.Mas insisto:
desde os romanos que
o meu nome é Júlia.

Cairam inpérios
nasceram impérios,
o Tempo brincou com o Tempo,
mas digo-vos:
o meu nome é Júlia
desde os romanos que é Júlia.

Não insistam: dizem que
escrevi livros
que abracei netos
que soube que há
sofrimento e morte,
mas não insistam.
Por favor não insistam.
O meu nome é Júlia.
Desde os romanos que o meu nome é
Júlia.

Amores sem tempo,
ternuras sem medida,
esperanças sem espera,
utopias leves para não
incomodar o vizinho,
a corredoura mátria,
as ruas pequenas
que a memória tornou maiores.
Não insistam que eu repito:
sou a Júlia
Júlia desde os tempos dos romanos,
quando ser Júlia
era olhar o Mundo
sem ter medo dele.

Júlia, nada mais tenho para lhe oferecer, além deste momento de terna amizade. Parabéns.

14 comentários:

Anónimo disse...

De tudo o que aqui foi dito, o importante é o que não foi e que todos sentimos. E que é uma grande ternura por si, uma grande admiração pela sua vida e pelo seu exemplo.
E, claro, parabéns!!
Daniel

paulo patoleia disse...

belíssimo poema! parabéns aos dois.

paulo patoleia disse...

Paulo Patoleia disse...
Parabéns, Drª Júlia, aprendi tanto com os seus romances e contos, a alma moncorvense que usando um termo futebolístico, soa a mística Moncorvense, partilhado nesse baú de memórias colectivas, deixa tranparecer a grandeza de ser e pertencer a este reino maravilhoso. Gostaria de aproveitar esta data, para lhe dar conhecimento em primeira mão, que a Mestra Marquinhas dos Remédios já tem o seu «altar» com um texto da sua autoria em fundo e a placa de memória dos «raparigos» no exterior, tudo textos da sua autoria, em acabamento para inaugurar brevemente. A reabilitação do imóvel de alto nível estará certamente á altura de tão prestigiada Autora e Mestra. Parabéns!
Paulo Patoleia

Anónimo disse...

Parabéns ao poeta e à aniversariante!Não me canso de ler o poema que é de uma enorme beleza!
Parabéns

Júlia Ribeiro disse...

Rogério, o meu agradecimento e comentário ficaram fora do devido lugar, que seria aqui. Fiquei tão sensibilizada que me comovi e nem vi onde estava a escrever.
Um abraço grande
Júlia


Caríssimo Daniel: também para si o meu muito obrigada. A vossa amizade comove-me, mas as vossas palavras deixam-me tão sem jeito, que nem sei que dizer. Sinto que não mereço tanto. Sou mesmo o que se diz um dez-réis de gente .
Um abraço .


Outro abraço ao Paulo Patoleia pelos parabéns que me envia e pelas agradáveis notícias sobre a placa comemorativa à nossa Mestra Marquinhas dos Remédios. Diga-me quando é a inauguração, está bem? Eu estarei em Moncorvo em Setembro, pelo fim de semana de 12 / 13.
Um abração

O meu obrigada ao Anónimo e, claro que estou de acordo consigo: o poema do Rogério é belíssimo. E eu tive a sorte de o receber no meu aniversário!
Abraço
Júlia

Anónimo disse...

Júlia,A 19 de Setembro o Rogério e o Leonel Brito lançam o livro e passa o filme dos dois no cine-teatro.Ainda acabam todos no placo a cantar o poema Prá Júlia.E, para si um obrigado .Nós é que estamos de parabéns!
Lélia Rebordina

Anónimo disse...

Dia 17 é que fez anos a menina Julia é filha da dona Antónia e do senhor Barros a mãe era de coragem e tinha mais força que o motor do Moura o pai mais saber que ferro tem o cabeço da mua a Julinha conta contos da bila sem erros e sem raiva fala dos que ninguem fala dá voz aos olbidados com ternura carinho com uma fala mais clara ca augua da Fonte Carvalho catantcho !
Zé do Cabo

Júlia Ribeiro disse...

Amiga Lélia:
Benvinda seja. Há tanto tempo que não dava sinal de vida.
Obrigada pela informação. Vou tentar prolongar a minha estadia em Mogadouro, Balsamão e Moncorvo de 12 e 13 de Setembro até 19. Farei todos os possíveis.
Obrigada pelas suas palavras tão cheias de amizade.
Júlia

Júlia Ribeiro disse...

Olha, olha o Zé do Cabo! Há séculos que não aparecia. Para confirmar o provérbio: "Quem é vivo sempre aparece".
Fico desvanecida por ter aparecido no dia dos meus anos.
Muito obrigada por palavras tão bonitas quando se refere à minha mãe (ela era mesmo assim) e ao meu pai - que, exceptuando ser muito teimoso - também era mesmo assim.
Pela minha parte, lhe fico muito grata, mesmo com os seus exageros, ditados pela amizade que me tem.

Um abração
Júlia

Anónimo disse...

HÁFÉRRYÀH! ÀH!
PELA NOSSA JÚLIA ,NADA!
TUUUUUUUUUUUUUUUUUDO!
HÁFÉRRYÀH! ÀH!
PELA NOSSA CONTADORA DE ESTÓRIAS, NADA!
TUUUUUUUUUUUUUUUUUDO!
LONGA VIDA À NOSSA JÚLIA!
HÁFÉRRYÀH! ÀH! XERYBITÁTÁH ! HURRÁH! HURRÁH!
H.E.j.

Júlia Ribeiro disse...

Fantástico! Até o H.E.j. apareceu. Fico muito feliz pela sua presença e ainda por tão efusivos parabéns.
Obrigada.
E o roteiro da praça e de ruas adjacentes? Vamos a isso?

Abração
Júlia

Anónimo disse...

E o roteiro da praça e de ruas adjacentes?
Júlia,a praça está acabada (a praça morreu...,diz o Rogério)
Quanto às adjacentes ,no meu tempo de escola, eram os Açores e a Madeira.Se fala das regateiras e da rua das flores,já há uns rabiscos.
bou inbiar ao wevmestre pa botar nanet
entendeu?
H.E.j

Anónimo disse...

Para nós é pouco, para si ,Júlia ,é muito
São duas medidas:o dever de saldar a nossa dívida e a sua humildade.
Escrevi no blog um roteiro com nome de pequenas pistas.Hoje não queria escrever,queria passar pelo Posto de turismo, no cine –teatro e, pedir à Carmen Neves, pequenas pistas para descobrir Moncorvo.Receber o seu roteiro da Corredoura ,descer a rua do Hospital, visitar casa a casa, falar com todos.E ao passar à sua porta ,ouvir a Trovões gritar –“Antónia !, Antónia! Mulheeeer! Corre, a televisão está a falar da tua filha!E a dona Antónia viu e leu os quatro postes e os trinta comentários.Saíu, chorou e disse :Eu sabia que um dia a terra tirava o chapéu à minha menina.
Isto era o que eu queria dizer. Chego sempre tarde como o tempo.Que os seus netos e filhos sintam o que a sua mãe sonhou.
M.C.

Júlia Ribeiro disse...

Não sei quem é o autor/autora do comentário acima e que não me deixou só à beira da lágrima: desta vez a lágrima rolou mesmo. Não sabia que tinha tantos Amigos e Amigas em Moncorvo! Agradeço a todos e envolvo-vos no mesmo abraço de amizade e afecto.
Não sei , de facto, quem é M.C., mas sei que conhecia a Maria Trovões e a minha mãe como a palma das suas mãos. E também sei que seria exactamente essa a reacção da minha mãe se tivesse visto o vosso carinho por mim.
Bem haja M.C. e bem hajam todos os conterrâneos.

Júlia

eXTReMe Tracker