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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mote e Glosa

Mote e glosa


Esta amêndoa, vida dura de casca
e um miolo - coração terno
mas tantas vezes partido


no teu rosto vejo e sinto
tanta mágoa tanto pranto
que no teu gesto desminto
por me parecer peso tanto
o feliz e breve encanto
do momento e da ternura
da mão que nesta amêndoa
descobre a vida dura de casca

dos teus sonhos já desfeitos
na tua vida revolta
revejo um imperfeito mundo
cruas dores mortes e mágoas
rios de antigas águas
terras mares tempos sem nome
mas no teu peito duro e simples
um miolo coração terno

olhando o teu rosto penso e sei
mais que silêncios mais que a bruma
que da serra desce e avoluma
mistérios segredos uivos cantos
ritos antigos de esquecidas forjas
danças de roda misteriosos prantos
que renasce uma vez mais o teu querer
e amigo irmão refazemos aqui o nosso sonho
tantas vezes partido


7 de Setembro de 2009

3 comentários:

Anónimo disse...

Exercício de Leitura:
Li e reli o poema de Daniel de Sousa, profundo e belo a como já nos habituou o autor. Mas a leitura parecia-me sempre falha e dificultada pela necessidade de (re)ver o rosto do Homem que o inspirou, tendo de rolar o cursor para cima e para baixo. Acabei por clicar na fotografia, que ficou em grande do lado esquerdo do écran, tendo copiado previamente o poema para um ficheiro Word, aberto e colocado do lado direito da fotografia. Ah, agora sim, o poema ganhava outro significado, outro brilho! Acabei por copiar também a fotografia para o dito ficheiro word, juntamente com o respectivo mote ("O gesto do Tempo", de Vasdoal), a fim de ser impresso e guardado na pasta antológica do blogue, a qual está já a exigir um separador com o título "Poemário" (fica para um qualquer dia de arrumações e releituras). Na verdade, este ramalhete poético de mote e glosa (afora outros, de que saliento os poemas de Rogério Rodrigues) são do que melhor condensa a alma trasmontana, a nossa trasmontaneidade!
abraço aos autores,
n.

vasdoal disse...

Obrigado, Daniel, por esta pérola da lírica transmontana.

Júlia Ribeiro disse...

Amigos :

A ambos muito grata . Ao Vasdoal pelo lindo mote e pela fantástica fotografia.
Ao Daniel por ter glosado o mote com a sensibilidade e arte que são as suas. Uma palavra só: sublime.

Júlia

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