Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, 2º Visconde de Vila Maior
(1809-1884)
Nasceu em Torre de Moncorvo em 5 de Outubro de 1809 (segundo a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ed. anos 50 do séc. XX). Alguns autores dizem ter sido em 11 de Outubro de 1809 (Dicionário Bibliográphico Portuguez, 1860; revista Ocidente, 1884; etc.). Filho de Luís Cláudio de Oliveira Pimentel (a quem Júlio Máximo pretendeu que fosse atribuído o título de 1º. Visconde de Vila Maior) e de D. Angélica Teresa de Sousa Pimentel Machado; neto paterno de João Carlos de Oliveira Pimentel (capitão-mor de Torre de Moncorvo, cavaleiro da Ordem de Cristo, donatário das barcas do Douro e administrador-geral dos tabacos e sabões) e de sua mulher, D. Violante Engrácia da Silva.
Estudos: estudos preparatórios no Colégio da Lapa, no Porto; ingressou na Universidade de Coimbra, em 1826, no intuito de cursar leis, acabando no entanto, por se matricular em Matemática, onde obteve o grau de bacharel, em 1837.
Vida Política: Liberal convicto, foi como tal um dos bravos do Batalhão Académico. Finalizada a Guerra Civil em 1834, regressou a Coimbra, acabando por se alistar novamente no Exército, na conjuntura da Revolta dos Marechais. Desempenhou, mais tarde, as funções de vereador da câmara de Lisboa, ocupando a presidência no biénio de 1858-1860. Deputado às Cortes em várias legislaturas. Par do Reino.
Vida Académica: Leccionou Química, desde 1838, na Escola Politécnica de Lisboa, tendo-se dirigido a Paris, a fim de cursar essa ciência. Regressou a Portugal anos depois, e conseguiu no Instituto Industrial, o lugar de professor de Química, onde se dedica ao estudo das águas minerais (Gerês, Caldas da Rainha, etc.) e redige o primeiro tratado químico, em português. Em 1857, ocupa o cargo de director do Instituto Agrícola, sendo posteriormente designado pelo bispo de Viseu para a reitoria da Universidade de Coimbra, cargo que ocupou até à sua morte. Aí, desenvolveu actividades de grande interesse, como p. exemplo as comemorações do centenário da Reforma Pombalina; elaborou uma notícia histórica-descritiva da Universidade, apresentada na Exposição de 1878, de Paris (tendo já sido o Comissário Geral da delegação Portuguesa, na Exposição de 1858); criou uma escola ampeleográfica (vitivinícola). Foi-lhe também cometida, em 1883, a elaboração de um plano de reestruturação do Ensino Superior, pelo que teve de visitar várias escolas superiores, em França, Itália, Inglaterra e Espanha, não obstante a sua já adiantada idade, a que a morte viria a pôr termo, um ano depois, quando trabalhava no relatório dos resultados da viagem.
Artigo de Henique de Campos, no jornal escolar "Folha Académica", ano I, nº 3 (19.03.1979), policopiado a stencil - clicar sobre o documento para o ampliar.Obras principais: Lições de Química Geral (1850); Memória e estudo químico da água mineral de S. João do Deserto, em Aljustrel (1852); Elogio histórico do sócio efectivo Luiz da Silva Mousinho d’Albuquerque: recitado na sessão pública da Academia Real das Ciências… (1856); Relatório sobre a Exposição Universal de Paris: Artes Químicas (1857); Preliminares de Ampelografia e Enologia do País Vinhateiro do Douro (1865); Tratado de Vinificação para Vinhos Genuínos (1868); Relatório sobre a classe LXXIII da Exposição Internacional de 1867 (1868); Discurso pronunciado pelo Reitor da Universidade de Coimbra … por ocasião da festa comemorativa da reforma da mesma universidade em 1772 (1872); Manual de Viticultura Prática (1875); O Douro Ilustrado (1876); Exposição sucinta da organização actual da Universidade de Coimbra… (1877); Memorial Biográfico de um militar ilustre, o General Claudino Pimentel (1884). Foi também colaborador das seguintes revistas: Revista Contemporânea de Portugal e Brasil; Revista Universal Lisbonense; Memórias da Academia; Actas das Sessões da Academia Real das Ciências de Lisboa; Anais das Ciências e Letras; Arquivo Universal; Arquivo Rural, Comptes Rendus de l’Academie des Sciences, entre outras.










2 comentários:
«Discurso pronunciado pelo Reitor da Universidade de Coimbra … por ocasião da festa comemorativa da reforma da mesma universidade em 1772 (1872); (...); Exposição sucinta da organização actual da Universidade de Coimbra… (1877). ».
Sim, pois, meu Caro, agradeço a sua atenção e registo o seu labor.
Tomara-me agora em Coimbra a vasculhar os papéis. Há quem esteja por lá a viver. Daqui lanço o repto, se assim me posso exprimir, a partir do que acima sugiro, mas não só, isto é, contextualizando, já que aquele espaço e tempo académicos constituem um alfobre, uma mina inesgotável do tempo coimbrão, pelo que se sabe da história em geral e da história da educação. Deve haver muito boa gente de Moncorvo a querer e poder deslocar-se, embrenhando-se, mais uma vez, no que vale a pena. Que venha a ser produzido ao menos um fac simile.
Pela minha parte, informo que me encontro «cá em cima» a maior parte do tempo, devido a ter arrumado as botas da docência. Situo-me agora predominantemente noutro concelho que adoptei, esperando sem esperar que ele me adopte a mim também. As idas à aldeia natal, devido ao novíssimo troço de via rápida, de Sardão a Meirinhos, de Meirinhos ao Sardão, desviam-me da Torre permitem-me passar bem ao lado do grande Rentes que não conheço pessoalmente.
Tenho, frequentemente, junto à varanda, a net de pastilha, entremeando com uma pequena gestão de olival e tempos «mortos». Penso na floresta negra de Holderlin mas a gente sensata que aqui me ajuda nos trabalhos diz-me que meta mas é uns hectares de cedros por «administração directa». O meu cartão de eleitor está em terras de Valentim. A minha gente volta quando pode. De cada vez que (não sei o que ia dizer), na verdade vou aos Gorazes, depois de um interregno de quatro décadas. Pode perguntar-se: mas que interessa isso? Nada evidentemente, a não ser àqueles que ainda se disponham a compreender as coisas que nos fazem sem ninguém saber, nem nós.
Carlos Sambade
Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, 2º Visconde de Vila Maior por vontade própria, nasceu em Torre Moncorvo a cinco de Outubro de 1809, como nos informa a sua certidão de nascimento.
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