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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ainda o Visconde de Vila Maior

Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, 2º Visconde de Vila Maior
(1809-1884)


Nasceu em Torre de Moncorvo em 5 de Outubro de 1809 (segundo a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, ed. anos 50 do séc. XX). Alguns autores dizem ter sido em 11 de Outubro de 1809 (Dicionário Bibliográphico Portuguez, 1860; revista Ocidente, 1884; etc.). Filho de Luís Cláudio de Oliveira Pimentel (a quem Júlio Máximo pretendeu que fosse atribuído o título de 1º. Visconde de Vila Maior) e de D. Angélica Teresa de Sousa Pimentel Machado; neto paterno de João Carlos de Oliveira Pimentel (capitão-mor de Torre de Moncorvo, cavaleiro da Ordem de Cristo, donatário das barcas do Douro e administrador-geral dos tabacos e sabões) e de sua mulher, D. Violante Engrácia da Silva.

Gravura de capa da revista Occidente, nº. 211, de 1.11.1884

Estudos: estudos preparatórios no Colégio da Lapa, no Porto; ingressou na Universidade de Coimbra, em 1826, no intuito de cursar leis, acabando no entanto, por se matricular em Matemática, onde obteve o grau de bacharel, em 1837.

Vida Política: Liberal convicto, foi como tal um dos bravos do Batalhão Académico. Finalizada a Guerra Civil em 1834, regressou a Coimbra, acabando por se alistar novamente no Exército, na conjuntura da Revolta dos Marechais. Desempenhou, mais tarde, as funções de vereador da câmara de Lisboa, ocupando a presidência no biénio de 1858-1860. Deputado às Cortes em várias legislaturas. Par do Reino.

Vida Académica: Leccionou Química, desde 1838, na Escola Politécnica de Lisboa, tendo-se dirigido a Paris, a fim de cursar essa ciência. Regressou a Portugal anos depois, e conseguiu no Instituto Industrial, o lugar de professor de Química, onde se dedica ao estudo das águas minerais (Gerês, Caldas da Rainha, etc.) e redige o primeiro tratado químico, em português. Em 1857, ocupa o cargo de director do Instituto Agrícola, sendo posteriormente designado pelo bispo de Viseu para a reitoria da Universidade de Coimbra, cargo que ocupou até à sua morte. Aí, desenvolveu actividades de grande interesse, como p. exemplo as comemorações do centenário da Reforma Pombalina; elaborou uma notícia histórica-descritiva da Universidade, apresentada na Exposição de 1878, de Paris (tendo já sido o Comissário Geral da delegação Portuguesa, na Exposição de 1858); criou uma escola ampeleográfica (vitivinícola). Foi-lhe também cometida, em 1883, a elaboração de um plano de reestruturação do Ensino Superior, pelo que teve de visitar várias escolas superiores, em França, Itália, Inglaterra e Espanha, não obstante a sua já adiantada idade, a que a morte viria a pôr termo, um ano depois, quando trabalhava no relatório dos resultados da viagem.

Casa solarenga da família Oliveira Pimentel, em Torre de Moncorvo, onde terá nascido o visconde de Vila Maior (foto N.Campos)
Títulos e condecorações: Visconde de Vila Maior (1858); Fidalgo-Cavaleiro da Casa Real; sócio e Presidente da primeira classe da Academia Real das Ciências de Lisboa; sócio do Instituto de Coimbra; da Society of Arts de Londres; da Academia de Agricultura de Florença; Grã-cruz da Ordem de Carlos III de Espanha; Grande Dignatário da Ordem da Rosa do Brasil; Comendador da Ordem de Cristo, da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, da Ordem de Leopoldo I da Bélgica, e da Ordem de S. Maurício e S. Lázaro de Itália; Cavaleiro da Ordem de Avis, da Ordem da Torre e Espada, e da Legião de Honra de França.
Artigo de Henique de Campos, no jornal escolar "Folha Académica", ano I, nº 3 (19.03.1979), policopiado a stencil - clicar sobre o documento para o ampliar.

Obras principais: Lições de Química Geral (1850); Memória e estudo químico da água mineral de S. João do Deserto, em Aljustrel (1852); Elogio histórico do sócio efectivo Luiz da Silva Mousinho d’Albuquerque: recitado na sessão pública da Academia Real das Ciências… (1856); Relatório sobre a Exposição Universal de Paris: Artes Químicas (1857); Preliminares de Ampelografia e Enologia do País Vinhateiro do Douro (1865); Tratado de Vinificação para Vinhos Genuínos (1868); Relatório sobre a classe LXXIII da Exposição Internacional de 1867 (1868); Discurso pronunciado pelo Reitor da Universidade de Coimbra … por ocasião da festa comemorativa da reforma da mesma universidade em 1772 (1872); Manual de Viticultura Prática (1875); O Douro Ilustrado (1876); Exposição sucinta da organização actual da Universidade de Coimbra… (1877); Memorial Biográfico de um militar ilustre, o General Claudino Pimentel (1884). Foi também colaborador das seguintes revistas: Revista Contemporânea de Portugal e Brasil; Revista Universal Lisbonense; Memórias da Academia; Actas das Sessões da Academia Real das Ciências de Lisboa; Anais das Ciências e Letras; Arquivo Universal; Arquivo Rural, Comptes Rendus de l’Academie des Sciences, entre outras.
R.Leonardo /N.Campos

2 comentários:

Anónimo disse...

«Discurso pronunciado pelo Reitor da Universidade de Coimbra … por ocasião da festa comemorativa da reforma da mesma universidade em 1772 (1872); (...); Exposição sucinta da organização actual da Universidade de Coimbra… (1877). ».

Sim, pois, meu Caro, agradeço a sua atenção e registo o seu labor.

Tomara-me agora em Coimbra a vasculhar os papéis. Há quem esteja por lá a viver. Daqui lanço o repto, se assim me posso exprimir, a partir do que acima sugiro, mas não só, isto é, contextualizando, já que aquele espaço e tempo académicos constituem um alfobre, uma mina inesgotável do tempo coimbrão, pelo que se sabe da história em geral e da história da educação. Deve haver muito boa gente de Moncorvo a querer e poder deslocar-se, embrenhando-se, mais uma vez, no que vale a pena. Que venha a ser produzido ao menos um fac simile.
Pela minha parte, informo que me encontro «cá em cima» a maior parte do tempo, devido a ter arrumado as botas da docência. Situo-me agora predominantemente noutro concelho que adoptei, esperando sem esperar que ele me adopte a mim também. As idas à aldeia natal, devido ao novíssimo troço de via rápida, de Sardão a Meirinhos, de Meirinhos ao Sardão, desviam-me da Torre permitem-me passar bem ao lado do grande Rentes que não conheço pessoalmente.
Tenho, frequentemente, junto à varanda, a net de pastilha, entremeando com uma pequena gestão de olival e tempos «mortos». Penso na floresta negra de Holderlin mas a gente sensata que aqui me ajuda nos trabalhos diz-me que meta mas é uns hectares de cedros por «administração directa». O meu cartão de eleitor está em terras de Valentim. A minha gente volta quando pode. De cada vez que (não sei o que ia dizer), na verdade vou aos Gorazes, depois de um interregno de quatro décadas. Pode perguntar-se: mas que interessa isso? Nada evidentemente, a não ser àqueles que ainda se disponham a compreender as coisas que nos fazem sem ninguém saber, nem nós.
Carlos Sambade

Leonel Brito disse...

Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, 2º Visconde de Vila Maior por vontade própria, nasceu em Torre Moncorvo a cinco de Outubro de 1809, como nos informa a sua certidão de nascimento.

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