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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Oficina Vinária/Museu do Vinho da Qtª. das Aveleiras

Pátio da Oficina Vinária/Museu do Vinho (foto de Miguel P. Félix)

Da parreira ao vinho, da vindima à mesa, vai um longo percurso. De permeio, o trabalho do Homem, celebrado nas sacrossantas palavras da Eucaristia, que terminam no Vinho da Salvação, sangue de Cristo para uns, néctar dos deuses (pagãos) para outros. Poucos sabem, no entanto, que este percurso nos é contado, em Torre de Moncorvo, num espaço museológico de iniciativa privada, que vai em breve comemorar dez anos. Estamos a falar da Oficina Vinária/Museu do Vinho (ou, para melhor compreensão do público "camone", o Wine Museum).

Secção dedicada à Viticultura (foto de Miguel P. Félix)

A "Oficina Vinária" é assim denominada porque essa era a designação que, no séc. XIX, se dava aos locais onde se fabricava o vinho em maior escala, tirando partido do declive do terreno. Assim, na parte superior localizavam-se os lagares onde se pisavam as uvas, enquanto num espaço situado em cota inferior ficava a Adega, onde estavam os tonéis (ou os grandes balseiros, mais para a zona da Régua, a capital do país vinhateiro). Não raro o mosto corria do piso superior (Lagar) para o inferior (Adega) através de um canal, ou caleira, ao longo da parede, escorrendo depois para os tonéis através de umas bicas. Isto mesmo se pode apreciar ainda no interior de um restaurante em Moncorvo, ao lado do núcleo museológico da Oficina Vinária, que, em rigor, se deveria chamar Adega.

Esmagador mecânico (em 1º plano) e manequins representando pisadores tradicionais (foto Miguel P. Félix)

Assim descreve estes espaços o nosso ilustre conterrâneo Visconde de Vila Maior (cujo duplo centenário se completa dentro de poucos dias): "A maior parte das officinas vinarias do Douro - lagares e adegas - acham-se edificadas sobre os terrenos inclinados das encostas (...). Formam ordinariamente estas officinas um unico edifício rectangular dividido em duas grandes casas contiguas, mas occupando os seus pavimentos niveis differentes (...). A casa que occupa o plano inferior é a adega, e a do nivel superior contém os lagares" (in O Douro Illustrado, 1876).

Outro aspecto do interior da Oficina Vinária (foto de Miguel P. Félix)

Neste núcleo museológico (com acesso pela travessa das Amoreiras, junto da igreja matriz), mostram-se uma série de objectos e fotografias relacionados com a viticultura e a vinificação, num cuidado arranjo gráfico (de autoria de Miguel P. Félix). Num espaço lateral encontra-se instalado o sistema de produção de aguardente, com um pote montado sobre a fornalha, cilindro do bagaço, serpentina (dentro do reservatório de arrefecimento). Todos os objectos estão fora de uso e destinam-se apenas a ser vistos. A colecção, na sua quase totalidade, deriva de objectos recolhidos na Quinta das Aveleiras.

A grande casa agrícola do Sr. A. Montenegro integrava, além destes lagares, a Quinta das Aveleiras e muitas outras propriedades. As Aveleiras e as instalações da Oficina Vinária pertencem hoje à família Pinto Félix, a quem se deve a ideia e a concretização do museu do vinho da Quinta. Esta continua a ter uma vertente agrícola, com processos modernos, a par de um complexo de turismo rural (com casas de alojamento, piscinas, corte de ténis, jardins, percurso hípico, etc.) na escosta a norte da Serra do Roboredo, sobranceira à vila de Torre de Moncorvo.
Musealização da destilaria (foto N.Campos)

A Oficina Vinária /Museu do Vinho da Quinta das Aveleiras possui uma funcionária atenciosa que, com eficiência, faz a visita guiada ao espaço expositivo e fornece todas as informações aos visitantes, em português e inglês. Possui ainda um folheto desdobrável de onde retiramos este resumo informativo para o público estrangeiro, em língua inglesa:
"Situated in the heart of the historical center of Torre de Moncorvo this museum is installed in a old press, and it shows through the remains of Quinta das Aveleiras some aspects of the process of the wine making".
Contactos: tel. 351 279 25 22 85 ; fax: 351 279 258282

4 comentários:

jose albergaria disse...

Caro Nelson,
Eu, desse lado do terroir vinicola e de montanha, tenho apreciado o Quinta da Palmeira, a bordejar o Sabor, que vai a caminho de Cabanas de Baixo, junto do Lameirinho, restaurante de ti Carromão e da mulher, onde comi o melho peixe de rio (sobretudo barbos) e a melhor salada que já provei;
das bandas do Freixo já me deliciei com o Montes Ermos e, sou particular amante de um branco, raro, Encostas de Provezende da Quinta dos Espinheiros, mas sobre o qual sei pouco, além da qualidade, que é superior!
O Grambeira,não conheço, mas li, no outro dia, que tinha sido medalhado num concurso internacional de vinhos de montanha, em Itália, creio que com uma Medalha de Prata.
Abraço,
José Albergaria

Anónimo disse...

Caro José,
Uma pequena correcção à designação de um dos vinhos: "Casa da Palmeira" -é, de facto, um excelente vinho. O Montes Ermos tem sido um dos melhores vinhos de mesa produzidos por Adegas Cooperativas, com um bom equilíbrio custo/qualidade. A Adega de Freixo de Espada à Cinta teve a inteligência de ter recorrido a um bom enólogo para fazer esta marca.
Não sabia do prémio ao Grambeira, mas é justo e deve ser um orgulho para os transmontano-durienses saber que temos aqui produtos de alta qualidade, com reconhecimento internacional. É que o Vinho é o petróleo do Douro!
Embora o Regulamento interno do blogue nos condicione o fazermos aqui publicidade comercial, esta informação sobre vinhos e lugares de bem-comer visa apenas a divulgação da região, esse sim, um dos objectivos do blogue. Por isso aceitamos aqui outros comentários sobre pingas de excepção, que sejam do vosso agrado.
Abraço,
N.

Anónimo disse...

Bem, como neste "post" sobre a Oficina Vinária/Museu do Vinho, se se refere a Quinta das Aveleiras, é justo salientar também um vinho aqui produzido (e que pode ser adquirido no referido núcleo museológico), que é o "Quinta das Aveleiras". Alia um bom paladar ao bom gosto do design do rótulo, com assinatura de um especialista nesta matéria - Miguel Pinto Félix.
Ainda quanto a vinhos de excelente qualidade produzidos no concelho de Torre de Moncorvo, temos o Quinta da Silveira e Terra de Homens (da mesma quinta), o Fraga do Facho, Terras da Lousa (Qtª da Telhada), o Terras de Moncorvo (da Adega Cooperativa de T. Moncorvo. Se me esqueci de algum, peço as devidas desculpas, solicitando que no-lo acrescentem.
N.

Júlia Ribeiro disse...

Isto vai muito bom: cachos de Códiga do Larinho, Museu do Vinho, Oficina Vinária, qualidades de vinhos, nomes de vinhos, quem mais gaba, quem mais é apreciador e agora a mostra de vinhos e amêndoas lá pela Corredoura... sem esquecer os peixinhos do Sabor, of course.
Que de saudades!

Um abraço
Júlia

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