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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ainda há machos em Moncorvo!

Ao ver, há dias, este simpático solípede retrouçando umas ervitas junto ao velho caminho de pé posto que vai do Canafichal para o S. Paulo, ao longo da Nória, não pude deixar de notar: "olha, parece que ainda há matchos em Moncorvo!" Na verdade, estes animais desempenharam um papel importantíssimo desde tempos mediévicos, como transporte e força de tracção. Antes do vapor e dos motores de explosão, durante os últimos milénios, vigorou o que se convencionou chamar a "energia a sangue". Quase extintos, hoje, é motivo de admiração (e cliché) registarmos ainda algum espécime como este, sobretudo nas imediações da vila.
Para quem não sabe, a mula e o macho (chamado gado muar) são animais híbridos de cavalo e burra, ou de burro e égua (neste caso, chamam-se éguariços), sendo estes mais fortes. De uma maneira geral os animais muares são mais fortes que os cavalos e do que os burros, razão pela qual se promovia a sua hibridização, pois não procriam entre si.
A presença de muares na região de Moncorvo está patente na toponímia desde tempos remotos, sendo disso exemplo o célebre cabeço da Mua (onde se encontra o principal jazigo de ferro, no termo do Felgar).

Texto e foto: N.Campos

5 comentários:

jose albergaria disse...

E os bípedes, que não enxergam nada à frentes das "gafas", como se designam?
E aqueloutros, manhosos, travessos, bípedes também, que arrenegam amigos, por prebendas eufóricas e passageiras, como nomeá-los?
Estão em vias de extinção, ou medram retrouçando amizades verdadeiras, enganosos vituosos, ainda que sumas inteligências, mas que de humano só têm a aparência?
Como se designam estes espécimens?
Abraço amigo,
J.A.

Anónimo disse...

talvez cavalgaduras, caro José, talvez cavalgaduras...
Mas olhe que alguns são muito "mulas"... talvez por serem dissiMULAdos. Em Transmontanês usa-se a expressão: "isso é mula fina!" (seja um ele, ou uma ela) para designar certos bichos ladinos e espertalhaços, em relação aos quais temos de ter cuidado com os coices ou até mesmo dentadas ferradas nas nossas costas.
Cá por mim prefiro outro tipo de "mulas"...
abraço,
Zé da Mula

Júlia Ribeiro disse...

Uma estorinha - verídica - de um macho para animar a conversa.
Uma senhora de uma aldeia dos lados de Moncorvo, já de provecta idade ( a senhora ) andava muito desgostosa, porque lhe morrera o macho. Fora um animal possante, vivaço e , com o seu trabalho nas terras, muito contribuira para a abundância naquela casa. Daí o desgosto da senhora.
Os familiares e amigos disseram : "Está na altura de comprares um pequeno tractor". O que eles foram alvitrar. "Qual tractor, qual carapuça. O feitor já está velho e não sabe lidar com um tractor. E eu não estou para contratar um rapazola que não percebe nada de nada e me leva um dinheirão. Não senhor. Eu preciso é de um macho. É de um macho forte que eu preciso."
À sua volta as gargalhadas soltaram-se ruidosas.
A senhora, já zangada a sério, repetia : " Mas vós não entendeis que do que eu preciso é de um bom macho? "

E com esta me despeço por hoje.
Boa noite.

Júlia

Anónimo disse...

Mula para cá, mula para lá.

caro n.

gostei da sua referência certeira à mula ( solípede )enquanto hipotese de poder ter dado origem ao topónimo cabeço da mua.
Eu, também sempre assim pensei. Bastava ter presente, pelos tempos medievos, as refª ao Outeiro das mulas ou, no reino de Leão, a Mansilha das mulas, para vermos mais toponimos que à mula ( solipede) devem a sua génese.
Igualmente está por escrever a importância da contribuição da mula ( solipede) para a História de Portugal. Por exemplo, foi montado numa mula que NunÀlvares Pereira ganhou as batalhas de Aljubarrota e Valverde ou que Machado dos Santos implantou em 1910, no parque Eduardo 7, a República em Portugal. Só que...

olhando, para a orografia do cabeço da Mua, não sei se a sua genese será mesmo a da mula solipede ou a da bípede.
Já no Livro Velho das Linhagens - escrito entre 1286 a 1290 - o genealogista refere a Delgadilha que " foi mula de el-rei " referindo-se a D.Afonso III, rei de muitas barregãs e relações extra-conjugais. Por hipotese, também o cabeço da mua poderia ter a sua origem onomástica numa mera barregã ou meretriz - então conhecida por mula - que ali satisfazia as necessidades ou os desejos da plebe, que, à altura, também eram filhos de Deus.
É que, nestes tempos, o termo " mula " e " folgar " tinham um cariz acentuadamente sexual.

Cps. felgarenses

DENSO

Anónimo disse...

hei pessoal, a propósito de machos, tomem lá este de mulas:
http://osgajosdamula.blogspot.com/

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