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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Douro outoniço

«...em todos os livros eu procurei o significado para essa luz que erra pelas águas como se pelos céus fosse...» - Francisco José Viegas, Regresso por um rio, ed. Europa-América, 1987.

Outoniça a luz, estira-se sobre o rio, salientando o amarelo das folhas das árvores que o marginam. Eis o Douro em plenitude, espraiando aquela majestade indiferente diante da qual tudo é pequeno. Oleografias perfeitas cujo verniz não estala.
Pelo fim da tarde destes dias frios, vale a pena descer até ao rio, espreitá-lo junto à Foz do Sabor, meditar um pouco sobre a beleza do mundo e a pequenez dos homens e acabar jantando numa das típicas tascas do peixe frito, canjirão cheio, e com verdadeiros Amigos em redor.
Porque não na Aurora? - fica a sugestão.
Fotos de Elisabete Almeida

2 comentários:

jose albergaria disse...

Caro Nelson,
Já estou a salivar.
A memória que guardo daquele jantar no Lameirinho, de peixe frito do rio, do pão, do vinho (este, nem por isso, que era rude a descer as goelas...), em que me ofertou aquele bocado de terra "fossilizado" pela veemência do raio, mai'la as azeitonas e do queijo da região,ainda está impressiva.
Deste seu post, o que quero pôr en evidência é "e com verdadeiros Amigos em redor". Isto, meu caro amigo, cheira a eternidade e a absoluto.
Um grande abraço deste seu amigo recente, que muito o preza,
J.A.

Anónimo disse...

Caríssimo José Albergaria,
Muito agradeço o seu comentário e o ter lembrado esse fim de tarde magnífico. O Lameirinho é, de facto, outra boa opção, com umas excelentes vistas para a vila de Torre de Moncorvo, com o Sabor ao fundo, embora neste tempo esteja frio para esplanada (mas há sempre a alternativa da sala interior).
Quanto ao material geológico resultante da fusão pelo raio, chama-se fulgurito. E este foi considerado o maior fulgurito do mundo, numa publicação científica da especialidade, por geólogos espanhóis, apesar de já ser conhecido do geólogo moncorvense Higino Tavares, nosso Amigo, que nesse dia nos foi mostrar o local do fenómeno, ocorrido há uns poucos de anos.
Quanto ao aspecto da Amizade/comensalidade sobre o qual já em tempos dissertámos, lembro-me sempre das representações da Última Ceia de Cristo, com destaque para a de Leonardo da Vinci. Mesa, pão, vinho, peixes - a Eucaristia - em que nós todos seremos Cristos, Apóstolos, mas, sobretudo, homens comuns irmanados em momentos de partilha que consolidam isso a que se chama Amizade (a despeito de, por vezes, lá estar também, insuspeitado, o da bolsinha dos denários...). Não falo dos almoços de negócios, que isso é outra coisa, apesar de sempre termos ouvido que também os bons negócios se fazem à mesa, mas sim, dos simples ágapes dos comuns mortais que se encontram pelo convívio, pela conversa e pela apreciação da boa mesa, dos sabores, das coisas simples e boas da vida...
Por isso cá o esperamos novamente, e que seja a breve trecho! Até lá, um grande abraço cá das fragas,
N.

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