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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

NATAL da MINHA TERRA II - A Tradição ainda é o que era!

Sábado de manhã, rompemos em direcção a Londres. O sol, a reflectir o brilho dos raios na natureza alva de neve, animava as três longas horas da caminhada. As ovelhas pastavam animosamente, para seu espanto e nosso, a verdura branca. Via-se algum corvo a voar contra o ar lavado do céu azul-claro e a luminosidade do peito avermelhado de um ou outro “robin” a faiscar por ente os galhos repletos de neve.

Antes de chegarmos ao destino, parámos numa dessas estações de serviço onde se ingere depressa a habitual “fast food”. O sinal da diferença foi suscitado pela simpática Assistant Manager do Costa Café. Se não fosse pela língua que se falava e pela mercadoria que se vendia, dir-se-ia que nos encontrávamos nalgum café de bairro português: o docinho para a menina, o sorriso e a conversa e a familiaridade. Abalámos dali mais satisfeitos.

Pouco tempo depois, estacionávamos num bairro simpático da imensa cidade londrina. Abriram-nos a porta daquele pequeno “reino maravilhoso” do “Little Portugal” duas senhoras portuguesas. Indicaram-nos, muito conscienciosas do seu papel de anfitriãs, onde poderíamos comprar o melhor bacalhau e o polvo congelado: o estabelecimento Lisboa (ver 1ª. foto). Mas antes de nos prepararmos para a ceia do dia 24 do Natal, a noite de consoada, detivemo-nos do nosso lado direito da rua e entrámos na Biblioteca. A South Lambeth Library tem uma pequena secção de livros em língua portuguesa para adultos e crianças que foram doados por uma instituição bancária. Por isso, também não me pareceu mal lá deixar para a comunidade portuguesa Outros Contos da Montanha e a promessa de voltar, possivelmente em Janeiro, para trazer O Trigo dos Pardais e os apresentar aos leitores de lá (ver 3ª. foto).

Mais tarde, entrámos efectivamente em “Lisboa”. Lisboa antiga ou, talvez, qualquer outro estabelecimento comercial que ainda podemos encontrar (poderemos por muito tempo?) em algumas aldeias ou pequenas vilas de Portugal. A entrada fazia-se por uma porta que conduzia, de imediato, à pastelaria. No interior do estabelecimento, a porta lateral esquerda abria a montanha onde se albergava de tudo: estatuetas de santos, do Menino e da Virgem, nas prateleiras superiores, produtos tradicionais como, por exemplo, pegas, toalhas de mesa e aventais com o galo bordado ou desenhado, amontoados a um dos cantos do balcão, música portuguesa, em expositores modernos de café, e tantos outros artigos importados directamente de Portugal. Abeirámo-nos do balcão e dissemos que desejávamos bacalhau. Então, o Senhor do estabelecimento deslocou-se connosco a outro compartimento, bem lá no fundo da casa comercial. Como convinha a um Rei, o bacalhau tinha os seus próprios aposentos (ver a 2ª foto). Havia do miúdo e do graúdo. Comprámos dos dois. Vindos das bandas do fundo, havia agora que escolher o polvo. Da arca congeladora oceânica avistava-se o verde e o vermelho da bandeira nacional que, afixada numa grande extensão do tecto, concedia ao molusco uma cor mais viva e intensa. O tamanho do mapa de Portugal ao lado do mapa-mundo parecia, afinal, dizer que Portugal é imenso! E é! Prolongou-se em outros estabelecimentos comerciais daquela rua, onde ainda comprámos uma tronchuda, e, por uma mais uma boa meia hora bem medida, sentimo-nos pela primeira vez em Casa.

Estávamos em Portugal na cosmopolita Londres, por certo!


Porém, o mais importante foi saber que trouxemos o NATAL PORTUGUÊS para nossa casa!... FELIZ NATAL para todos!


Texto e Fotos de Isabel Maria F. Mateus
Legenda das fotos (de cima para baixo):
1 - A autora junto do estabelecimento comercial "Lisboa", algures em Londres.
2 - O "fiel amigo", o bacalhau, não podia faltar no "Lisboa".
3 - Fachada da South Lambeth Library, onde a autora foi oferecer os seus "Contos".
4 - A filhota Giulia sugando um "Compal" (product of Portugal, pois claro!)

3 comentários:

Wanda disse...

Olá

Isabel, muito interessante o teu itenerário em busca da tradição e de um gostinho da terra natal.
Aqui também andei às voltas para encontrar os ingredientes para fazer um Natal de acordo com a tradição. Hoje comprei a farinha para fazer as bolas. Meu filho adora!

Também quero desejar a você e a todos do blog um Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde, paz e prosperidade.

Abraços

Wanda

São Paulo-Brasil

Anónimo disse...

Olá Wanda,

Sabe realmente bem encontrarmos um pouquinho do calor de casa nesta altura do ano.
Espero que as bolas tenham ficado deliciosas! O meu tio Ventura fazia-me sempre uma em forma de argola muito especial para mim muma sertã de ferro ao lume da lareira. Que saudades!

Também desejo à Wanda e família um Feliz Natal e um óptimo 2010, bem como a todos.

Um grande abraço,

Isabel

Anónimo disse...

Isabel entendo bem esse seu sentimento de busca de "sinais" da origem, esse berço inamovível de pertença. Houve uma fase da minha vida que assim foi.Todos a acompanhamos nestes dias. Sei como se levam connosco os cheiros, as imagens, os sentidos todos. Abraços e desejos de Feliz Natal.
Daniel

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