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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O NATAL DA MINHA TERRA - por Isabel Mateus

Neve no Roborêdo, 2008 - ao fundo desta cumeada, embora não se vendo, ficam as Quintas da Granja ou de Felgueiras; em segundo plano o cume do Citoque (foto do Engº. Afonso Calheiros) > Clicar sobre a Foto, para a Ampliar
Sem Tempo,

Muito de mansinho,

Outro Natal chega,

E o Menino (re)nasce

Na perfeita harmonia

Da minha Terra:

O luar,

Quase de Janeiro,

A fria aragem

Do vento cieiro,

A fogueira do galo

E os cânticos ao Bendito,

Na eira,

A família à volta do brasido,

Onde o melhor cavaco é consumido,

As tronchudas, as batatas, o bacalhau e o polvo

À conversa

Na panela de ferro à espera dos milhos…

Porém, é do chão térreo

Da minha casa,

na manjedoira intacta

e sem o bafejo eterno do vivo,

que a minha ausência recebe

O grito frio do salvador Menino

E a plangente alegria de Maria.

_______

P.S. Devo uma explicação. Ou melhor, um esclarecimento. O que aqui vedes são apenas os meus sentimentos atribulados de emigrante que vê aproximar a quadra natalícia a passo largo e sente o desejo irrefreável de se meter à estrada, de pôr as cavacas na fogueira, de aninhar o Menino Jesus ao colo… E mais ainda vos digo: mesmo que a decisão da partida há muito já esteja adiada, este peregrino tem sempre a mala pronta para o destino da (sua) Viagem!...

Isabel Maria Fidalgo Mateus

5 comentários:

Wanda disse...

Olá

Isabel que lindo!
Aqui no Brasil , neste calor de verão que se faz presente,mesmo assim, conservamos a tradição das tronchudas, das batatas, do bacalhau e do polvo,para ficar com o gostinho do Natal Moncorvense.
Ainda conservamos o hábito de comer castanhas , nozes e amendoas, que de maneira nenhuma vai bem com o calor e que melhor seriam as suculentas frutas desta época, aqui no Brasil.
A sua poesia transformou-se num quadro, onde formou-se lentamente a imagem enquanto você descreve.
Maravilhosa!

Abraço
Wanda
São Paulo- Brasil

Anónimo disse...

Entendo perfeitamente esse sentimento que a Isabel refere. Houve tempo em que eu próprio o sentia tão agudamente, em terra de acolhida mas sempre estranha.
Mais pungente ainda é o frio exílio de muitos na sua própria terra - o da indiferença, da carência, da privação, da doença. Mesmo ao pé de nós. Para estes a "viagem" é tão só o passo para fora da condição humana.
Abraço e votos de Bom Natal!
Daniel

Anónimo disse...

Olà,um novo blog sobre Benlhevai, não deixe de visitar e dar a conhecer, um abraço amigo,

WWW.BenlhevaiBlog.canalblog.com

Júlia Ribeiro disse...

Olá, Isabel:

A saudade aperta, mesmo aos que estão menos longe, mas não suficientemente perto.
O seu poema trouxe-me de imediato os aromas, a seguir os sabores. Por último vi as rabanadas e a enorme travessa dos milhos em que me era permitido fazer diagonais com canela e depois cruzar essas linhas com outras diagonais e obtínhamos pequenos losangos... Era lindo, tal como o seu poema, que evocou tudo isto.

Receba um abraço juntamente com desejos de BOAS FESTAS : SAÚDE e PAZ.

Júlia

Anónimo disse...

Obrigada à Wanda, ao Daniel e à Júlia. Também vos desejo um FELIZ NATAL e um PRÓSPERO ANO NOVO, assim como a todos os que visitam o Blog.
A saudade aperta e a in(ex)clusão a que se refere Daniel faz falta aí, aqui e em qualquer parte do mundo. Esse "Traço de União" que chegou ao Brasil há séculos e que mantém viva a tradição natalícia nas tronchudas, nas batatas, no bacalhau, no polvo e nas castanhas deveria também continuar aceso na solidariedade e no aconchego à lareira e ao calor humano, com a partilha em família dos desenhos a que se refere Júlia. Esperemos que este Natal seja um pequeno começo!...

Vamos lá ver se neste sábado, em Londres, conseguirei arranjar o bacalhau e o polvo para rivalizarem à mesa com o peru à inglesa!

Abraços,

Isabel

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