Muito de mansinho,
Outro Natal chega,
E o Menino (re)nasce
Na perfeita harmonia
Da minha Terra:
O luar,
Quase de Janeiro,
A fria aragem
Do vento cieiro,
A fogueira do galo
E os cânticos ao Bendito,
Na eira,
A família à volta do brasido,
Onde o melhor cavaco é consumido,
As tronchudas, as batatas, o bacalhau e o polvo
À conversa
Na panela de ferro à espera dos milhos…
Porém, é do chão térreo
Da minha casa,
na manjedoira intacta
e sem o bafejo eterno do vivo,
que a minha ausência recebe
O grito frio do salvador Menino
E a plangente alegria de Maria.
_______
P.S. Devo uma explicação. Ou melhor, um esclarecimento. O que aqui vedes são apenas os meus sentimentos atribulados de emigrante que vê aproximar a quadra natalícia a passo largo e sente o desejo irrefreável de se meter à estrada, de pôr as cavacas na fogueira, de aninhar o Menino Jesus ao colo… E mais ainda vos digo: mesmo que a decisão da partida há muito já esteja adiada, este peregrino tem sempre a mala pronta para o destino da (sua) Viagem!...
Isabel Maria Fidalgo Mateus









5 comentários:
Olá
Isabel que lindo!
Aqui no Brasil , neste calor de verão que se faz presente,mesmo assim, conservamos a tradição das tronchudas, das batatas, do bacalhau e do polvo,para ficar com o gostinho do Natal Moncorvense.
Ainda conservamos o hábito de comer castanhas , nozes e amendoas, que de maneira nenhuma vai bem com o calor e que melhor seriam as suculentas frutas desta época, aqui no Brasil.
A sua poesia transformou-se num quadro, onde formou-se lentamente a imagem enquanto você descreve.
Maravilhosa!
Abraço
Wanda
São Paulo- Brasil
Entendo perfeitamente esse sentimento que a Isabel refere. Houve tempo em que eu próprio o sentia tão agudamente, em terra de acolhida mas sempre estranha.
Mais pungente ainda é o frio exílio de muitos na sua própria terra - o da indiferença, da carência, da privação, da doença. Mesmo ao pé de nós. Para estes a "viagem" é tão só o passo para fora da condição humana.
Abraço e votos de Bom Natal!
Daniel
Olà,um novo blog sobre Benlhevai, não deixe de visitar e dar a conhecer, um abraço amigo,
WWW.BenlhevaiBlog.canalblog.com
Olá, Isabel:
A saudade aperta, mesmo aos que estão menos longe, mas não suficientemente perto.
O seu poema trouxe-me de imediato os aromas, a seguir os sabores. Por último vi as rabanadas e a enorme travessa dos milhos em que me era permitido fazer diagonais com canela e depois cruzar essas linhas com outras diagonais e obtínhamos pequenos losangos... Era lindo, tal como o seu poema, que evocou tudo isto.
Receba um abraço juntamente com desejos de BOAS FESTAS : SAÚDE e PAZ.
Júlia
Obrigada à Wanda, ao Daniel e à Júlia. Também vos desejo um FELIZ NATAL e um PRÓSPERO ANO NOVO, assim como a todos os que visitam o Blog.
A saudade aperta e a in(ex)clusão a que se refere Daniel faz falta aí, aqui e em qualquer parte do mundo. Esse "Traço de União" que chegou ao Brasil há séculos e que mantém viva a tradição natalícia nas tronchudas, nas batatas, no bacalhau, no polvo e nas castanhas deveria também continuar aceso na solidariedade e no aconchego à lareira e ao calor humano, com a partilha em família dos desenhos a que se refere Júlia. Esperemos que este Natal seja um pequeno começo!...
Vamos lá ver se neste sábado, em Londres, conseguirei arranjar o bacalhau e o polvo para rivalizarem à mesa com o peru à inglesa!
Abraços,
Isabel
Publicar um comentário