Para que o Daniel de Sousa não se encontre sozinho na inquietude poética, belíssima,diga-se de passagem, aqui vai uma banalidade angustiada do Pedro Castelhano
À procura da Luz
Aqui, nas costas brancas do silêncio, escrevo-te
em surdina, não vá o silêncio acordar.
Aqui, entre trevas tristes e mágoas
de pássaro sem abrigo, mas de asa aberta
à luz, escrevo-te pela ínfima vez. Como
se esperasse o apodrecer da semente e
a ameaça serena da flor.
Aqui, neste espaço
sem medida, com a memória prisioneira,
escrevo-te, com todos os sentidos adormecidos.
Nas masmorras da Palavra, apesar de tudo,
há uma sílaba que brilha como se fora
pão e luz, como se fora véu e mãe.
Aqui, ignora Deus para te conheceres melhor.
Alerta a festa para haver um entardecer mais longo.
Aqui, donde te escrevo sem saber de onde,
pega na mão e filtra as carícias como
filamentos frágeis de tão eternos que
nos conduzem até à suprema arte
do silêncio. Afaga a mão como borboleta
antes da morte ou cisne anunciando
Mozart. A beleza é esse instante
roubado ao Tempo.
Aqui, sem espaço
nem memória, escrevo-te, como
se um foco de luz penetrasse na cegueira
e dispensássemos os deuses de saber quem somos.
Pedro Castelhano
.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
À procura da Luz
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)








3 comentários:
Tocante, esta busca da Luz pelo nosso Amigo Pedro Castelhano. A lembrar-me a Oração ao Pão e à Luz do nosso conterrâneo do vizinho concelho de Freixo de Espada à Cinta.
"Mehr Licht!" - disse Goethe, e morreu (longe vá o agoiro!)
abraço,
N.
Das trevas à luz - o percurso do conhecimento, da fraternidade, da suma regra universal da regra no caos. A linguagem poética não é mais do que o saber-se átomo na imensidão - e dizê-lo.
Daniel
Belíssimo poema!
(Nada melhor do que utilizar um superlativo absoluto para qualificar o inqualificável.)
Enviar um comentário