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segunda-feira, 29 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 8

Grupo de crianças da Escola Primária da Corredoura, com a professora D. Isabel. Foto de 1926/27, segundo informação de D. Maria Antónia Brito Castilho (Arquivo Leonel Brito)

Quase no fundo, ainda do lado esquerdo, numa casa pobre, com uma escada de degraus altos e muito falsos, pois não tinha corrimão nem qualquer apoio para as mãos, morava a Tia Delmira, o marido e filhos. A seguir era a casa de uma tia minha, a Tia Permelívia (que morreu muito nova) onde viveu com marido, Abílio Amador, e os filhos. Atravessada a boca da Canelha, numa casa com um pequeno alpendre, morou a D. Arminda de Maçores, com as filhas Camilinha (mais tarde casaria com o Sr. Inspector Costa) e Dulce, enquanto elas frequentaram o Colégio. Depois viveram aí o Henrique Chanfana e a mulher, Alice.
Ladeando esta casa, entrava-se num pequeno largo onde ficava a casa da Tia Alcina Guino, mãe da Miss, do Rei, da Princesa, do LoboMano e ainda a casa dos Amadores, já de razoável construção. Seguindo por uma abertura ia dar-se ao Carrascal e aos inúmeros palheiros que então aí existiam.

Voltando para trás e subindo agora a Rua de Baixo, ficavam à nossa esquerda as casas da Cacilda Marialva e da Carminda Marialva, irmã e filha da Tia Marquinhas Marialva. Havia depois uma cortinha, a “Feitoria”, tratada pelo Tio Caetano e pela mulher. Tinha um poço de água para regas, um grande tanque e a maior laranjeira que já vi, com laranjas enormes e sumarentas, mas muito azedas. A Tia Lucinda Gamboa dizia que era do sabão com que se lavava a roupa no tanque e que ia para as raízes da laranjeira.
Depois da Feitoria era a casa da Tia Maria Carmacha, casada com o César Caçador que criava cães perdigueiros portugueses lindíssimos. Vinham caçadores de todo o lado comprar-lhe perdigueiros. E eu ficava perdida, horas seguidas a ver os cachorrinhos. O Tio César só me deixava fazer-lhes uma festinha, senão ficavam “morrinhentos”.
(Continua)
Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
Nota: Excepto a fotografia do topo, as outras duas são de 1950 (informação de Leonel Brito, que as obteve de D. Maria Antónia Brito Castilho). Estes são os meninos da Corredoura (usando a expressão de Daniel de Sousa) de outros tempos. A foto intermédia foi tirada junto ao adro do S. Sebastião; a de baixo parece ser na famosa casa (hoje parcialmente destruída) que está na capa dos Contos ao Luar de Agosto, da autora deste "post".

domingo, 28 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 7

Momento da "arrematação" no adro da capela, durante uma festa de S. Sebastião, por volta de 21 de Janeiro, nos finais dos anos 70, ou inícios da década de 80. Do lado esquerdo, a casa grande era a dos Mirandas, em cujo baixo ficava o café S.Sebastião, do sr. Amílcar (foto do arquivo do Sr. Abílio Dengucho, cedida a Leonel Brito)

Antes de passarmos à Rua de Baixo, vamos seguir as casas de “O Alto” pelo nosso lado esquerdo até à casa da Menina Gininha Galo: na da esquina morava a Tia Teresa Costa, o marido, o Tio Miguel e os filhos, o Alexandre, o António e a Maria. Logo a seguir , fazendo um recanto que era um óptimo soalheiro abrigado do vento, morava a Sra. Delmina Terceira, o marido que era guarda-fios e três filhas: a Maria, a Conceição e a Julieta (minha comadre) e dois filhos, o António e o Zé. Depois era a casa de um arrematante de trabalhos nas estradas, que veio de Valdujo com a mulher e duas filhas. A mais nova, Floripes, era da minha idade. Acabados os trabalhos contratados, iam embora para outras paragens. Pegada a esta, ficava uma casita muito pobre que a minha mãe comprou à Sra. Guilhermina Galo. Os anos que ainda vivi em Moncorvo (até aos 21) passei-os nessa casa. A seguir morava outra família da grande família que eram os Vitelas: a Tia Maria Vitelas, casada com o Zé Vitelas, pais da Carmelina e da Lídia, minhas colegas de escola primária. E demos a volta: estamos já junto da casa da Menina Gininha Galo e da esquina da grande casa dos Mirandas.


Voltemos então à boca da Rua de Baixo que, como já disse atrás, começa precisamente entre a casa dos Mirandas e a dos Mesquitas. Quem desce a rua, à esquerda, vê os baixos da casa da Gininha Galo: aí, num pequeno cubículo, vivia e trabalhava o Deodato, sapateiro. Pegada a esta vinha a casa onde morou o Batateiro. Mais tarde viveram aí o João Falapão com a mulher a Beatriz Gata, pais da Emília e do Beto. Seguia-se a casa da Tia Perpétua dos Requeijões, onde íamos com a caneca ao soro.

Por: Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Nota do postador: a foto de baixo mostra o início da Rua de Baixo; a esquina à esquerda é da casa dos Mirandas; junto às escadas que se vêm ao fundo, do lado esquerdo, era a casa do ti João Araújo "Falapão" e srª Beatriz, de que se fala neste fascículo do Roteiro de Júlia Biló; as escadas davam acesso à casa onde, nos anos 70, viviam os Vilelas.

sábado, 27 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 6

Vista do Largo da Corredoura hoje (27.06.2009) para comparação com a foto do Roteiro da Corredoura nº. 3 (post de 24.06.2009), já que foi tirada do mesmo ângulo (foto N.Campos)
Voltando à frente da casa da Tia Fusa, à nossa mão esquerda, ficava a casa da Tia Maria José Carlota, (que queria que a chamassem sempre pelos três nomes) mãe da Júlia Checha e do Alberto Checho. Depois havia uma casinha térrea, muito miserável, onde vivia a Laura vesga, com a mãe (a Tia Camila) que era quase cega e os filhos: a Maria, a Júlia, a Camila e o António Camilo. Uma das filhas era também estrábica. Vinha então uma casa de boa construção em cantaria, com loja para os animais e onde havia um quartinho feito de tabique para o albardeiro, cujo nome esqueci, e no 1º andar vivia o Tio Diogo Parrico. Seguiam-se três casinhas térreas: na que fazia canto com a casa do tio Diogo, vivia a Tia Maria Panda; na seguinte morava a Tia Aurora Choqueira casada com o Artur Ganchinho que morreu novo e na última morava a Tia Júlia Marruca. Passando a esquina desta chegamos a “ O Alto”, assim designado, porque fazia um leve declive na direcção das casas mais baixas. (Uma desgraça quando a chuva era muita). Na primeira casinha, pequena, térrea, vivia a Maria, sobrinha da Lucília Florista, com os filhos. (Mais tarde, depois do Guarda Republicano, pai do “Arreia Zeca” ter ido embora, foi morar na casa onde vivera a tia). Na segunda casita vivia a Tia Júlia Panela, cujo marido – ainda relativamente novo – teve um ataque cardíaco e ficou entrevado na cama até ao fim da vida. Tiveram dois filhos, um dos quais, quando recém-nascido, era os meus encantos e era preciso tirarem-mo do colo. Havia depois uma casa de varanda redonda onde morava a Tia Carminda Clareira no 1º andar; e, no rés-de-chão, sem qualquer janela, numa casa com chão de lajes muito desiguais e imperfeitas (uma ratoeira para quem andasse lá às escuras) morou a Ana Baloca. Depois, durante algum tempo, viveu aí a Maria Carmacha com o marido e um ou dois raparigos. Pegada e fazendo canto viviam, numa casa de soalho, a Tia Maria Cândida Moreira, a filha, a Menina Natalina, costureira, e os filhos: o Lúcio, o Zé Coelho, o António e o Manuel. (Este semicírculo era conhecido como “O Canto”). Seguiam-se duas casinhas muito pobres: numa vivia a Beatriz Carmacha, mãe da Maria, da Alice, do Artur e da Júlia, esta, minha colega na escola primária. Na outra moravam a Tia Zefa Maçorana e a neta Júlia, que devia ter uma grande miopia, mas não havia dinheiro para óculos. A rapariga cantava muito bem. Pegada, ficava a casa da Tia Marquinhas Marialva, que já dava para a Canelha que levava à Rua de Baixo. (Continua)

Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Foto intermádia: vista geral do largo do "Terreiro", do bairro da Corredoura. Foto do fundo: é a zona do "Canto", de que se fala neste "post" - ao fundo do Canto existe a canelha que liga à rua de Baixo (fotos tiradas no dia 27.06.2009).

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Foi há 113 anos: anexação do concelho de Freixo por Torre de Moncorvo

Mapa da época, com marcação do itinerário seguido pelos de Moncorvo, na operação de posse da documentação oficial do concelho de Freixo. A força militar que deu cobertura ao acto, certamente com receio da reacção popular, terá vindo do Porto pela Linha do Douro. Assim o trajecto assinalado foi apenas o do Administrador de T. de Moncorvo, do corpo policial que o acompanhava e, naturalmente, dos carrejões transportadores dos livros oficiais de registos. Como se sabe, esta anexação foi sol de pouca dura, mas a verdade é que, por momentos, Moncorvo foi um super-concelho, à custa do antiquíssimo concelho de Freixo.
Junho, 26 [do ano de 1896] – chegou à Barca d’alva o Snr. Governador Civil de Bragança, com 40 praças do corpo nº 18 que as trouçe consigo do Porto, e mandou ir ao nosso administrador [de Moncorvo] que era o Snr. Marculino Margarido a estar com elle e depois mandaram ir a toda a preça os dois pulicias que aqui estavam destacados a ter com eles e no dia 27 chegou às 9 horas de manhem o sr. admnistrador com 2 puliçiais e com as 40 praças a Freixo e mandou cercar as repartições e intrarão dentro e mandou inorcar [sic] todos os livros e papeis que avia nas repartições e mandou carregar tudo em jumentos que logo os levou para isso e marcharão para Poiares e onde estiverão todos a comer alguma coisa, por ainda estavão em jejum, porque não quizeram comer nada em Freixo, e chegarão à barca dalva às 9 horas da noite e no dia 28 pellas 4 horas da tarde chegaram a esta villa, o admnistrador e os 2 pulicçiais com a papelada toda nos 2 carros, o do correio e o do Lazaro”. – in Caderneta de Lembranças de Francisco Justiniano de Castro (transcrição e notas de Águedo de Oliveira, edição dos Amigos de Bragança, 1975), pág. 15

O moncorvense F. Justiniano de Castro (falecido em 16.07.1901), era um amanuense reformado da Administração do concelho de Torre de Moncorvo, que nos últimos anos de vida se entreteve a anotar episódios interessantes do quotidiano da vila e redondezas, num caderninho que intitulou de "Caderneta de Lembranças", o qual viria a ser publicado pelo Dr. Águedo de Oliveira (antigo ministro das finanças do Estado Novo, natural da Horta da Vilariça), no jornal “A Torre”, sendo depois republicado em separata pela associação Amigos de Bragança (1975).
O episódio que o referido cronista aqui nos relata tem a ver com a extinção do concelho de Freixo de Espada à Cinta e sua anexação a Moncorvo, em consequência de mais uma de muitas reformas administrativas ocorridas no séc. XIX, sendo esta decretada por um governo do Partido Regenerador, ainda nos tempos da Monarquia. Tudo isto tinha a ver com questões políticas da época, tendo motivado, meses mais tarde, aquando de um período eleitoral, uma forte reacção do Partido Progressista, que encenou, inclusive, um enterro do concelho de Freixo (com urna e tudo, coberta com a bandeira do concelho), dando-se morras! aos “traidores” que tinham compactuado com esta extinção e anexação. Com a vitória dos Progressistas (a que chamavam então os “Penicheiros”) o concelho de Freixo voltou a ser restaurado logo no ano seguinte (1897) e, naturalmente, devolvida a documentação oficial que tinha sido confiscada neste acto de força. Note-se que o trajecto foi feito por caminho-de-ferro (entre Pocinho e Barca d’Alva) e o resto do percurso nos dorsos de animais e em carros, também de tracção animal, claro! (ver mapa em cima).

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 5

Feira de vestuário e panos, na Corredoura, junto à capela, nos anos 70 (foto de Leonel Brito)

Para a esquerda destes palheiros, num caminho estreito para o Carrascal, ficava a casa dos Majores: no rés-do-chão dormia o rebanho das ovelhas e no 1º andar viviam as pessoas. Para a direita dos mesmos palheiros, no largo já referido, ficava a casa dos Noventas. Ao canto, também à direita, era a casa onde morava a Sra. Aninhas dos Cerejais que, se bem me lembro, só bebia chás e comia sopinhas de leite e morreu de cancro do estômago. Para esse mesmo largo davam as costas do forno da Sra. Camila Miranda, que foi o que “andou” até mais tarde. A forneira era a Tia Maria Panda.

Vamos até à esquina e temos a bica do povo. (Que eu me lembre, só 4 ou 5 casas tinham água canalizada: os Mirandas, os Mesquitas, o Sr. Todú, a Menina Gininha Galo e a D. Aida). A seguir à bica era a porta do forno. Pegada ao forno ficava a casa em que vivi com a minha mãe e a minha avó desde os meus dois anos até aos oito. A casa pertencia aos Mirandas: na loja ficavam os seus bois e no 1º andar vivíamos nós. Depois, paredes meias com a nossa casa, morava a tia Cândida Patuleia com o marido e os filhos. A seguir era a casa do Tio Alberto Manco, padrasto do Nésio. Pegada a esta ficava a casa da Tia Beatriz Vilela, mãe da Virgínia, que foi minha colega no Colégio. Seguia-se a da Tia Maria Fusa que tinha uma família numerosa. A virar já para o Carrascal, morava a Tia Emília Mascarenhas, que tinha uma mão com os dedos encolhidos, por se “ter picado numa silva-macha, quando era pequena”. Nos baixos viviam a Tia Maria Casca Grossa e os porcos.
(Continua)

Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Meninos da Corredoura

Meninos da Corredoura

o tempo era então só nosso e escoava-se nas manhãs
com luz e grandes espaços
ouviam-se vozes na sombra sob os plátanos
de verdes e generosas folhas que anunciavam o verão em cada ano
e tombavam depois na agonia outonal sem
cessar redizendo o eterno
o tempo era imaculado gritante limpo infinito
corríamos de sandálias e calções rotos na poeira
num mundo só nosso
inexplicado e simples sem mistérios sem mágoas sem mentiras
também temível como a serra dos medos que ao fundo ocultava um segredo

sorvíamos o ar no peito
os nossos olhos brilhavam com fulgor e diziam do sol a redonda luz

depois o tempo guardou os sonhos depois o silêncio depois o frio
por fim sobreveio um inquieto torpor
e alguns dos meninos cujas vozes eu ainda lembro já não vejo

ou talvez sejam apenas vozes já muito distantes
como estrelas

Junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 4

Pessoas da Corredoura, na zona do "terreiro"? nos anos 70 (foto de Leonel Brito)

Num cubículo da casa atrás referida vivia a Maria Manquinha, com o marido e 3 filhos. Por baixo, o porquinho. A seguir, sempre à esquerda, ao fundo de uma estreitíssima quelha, ficava um forno tratado pela Tia Marquinhas Marialva. Vinha então uma casa com rés-de-chão e 1º andar (pertencente à Sra. Adelina Chavé), com varanda e janelas, pintada de cor de rosa, onde morava a Dona Aida, irmã do Dr. Ramiro Salgado, casada com o Sr. Antoninho, portanto cunhado do Dr. Ramiro e secretário do Colégio. Pegada a esta ficava a casa da Tia Maria Trovões onde vivia com filhas e netos. Por baixo , os burros e porcos. Na casa seguinte morava a irmã, a Tia Cacilda Trovões, mãe do Abel carteiro. Depois era o cabanal, um espaço com um telheiro onde se albergavam ora ciganos, ora os amoladores de tesouras e os caldeireiros que, de tempos a tempos, vinham até à vila. Pegada ao cabanal, mas ao nível do 1º andar, morava a Tia Lucília Florista. Mais tarde, após a morte da Tia Lucília Florista, morou lá um guarda republicano com a mulher e um filho da minha idade e que malhava em todos nós. Se, por um acaso, estava a perder a refrega, vinha a mãe ao balcão e gritava-lhe: “Arreia, Zeca, que o teu pai é guarda” .
Estávamos no coração da Corredoura.

A seguir à casa do dito guarda, vinha uma outra, de pedra, com rés.de-chão e 1º andar, bem construída e de dimensões razoáveis, onde vivia a Sra. Lucinda, uma das famílias dos Vitelas, lavradores já razoavelmente abastados. Depois seguia-se uma casa de 1º andar (na loja estavam os bois dos Vitelas), normalmente alugada a estudantes do Colégio. (Mais tarde, esta casa foi habitada pela Tia Idalina do Campo). Pegada a esta ficava a casa do Tio Caetano e da Tia Lucinda Gamboa, que gostava muito de mim porque, quando ia ajudar a minha mãe a fazer as alheiras, eu lhe dava um golinho de vinho às escondidas de toda a gente. Em frente destas três casas ficava um pequeno largo , onde existiam dois palheiros que, no tempo da apanha da azeitona serviam para albergar os ranchos das mulheres e homens que vinham das aldeias, a maior parte dos quais vinha (pela pronúncia que ainda guardo no ouvido) de Felgueiras. Apesar do cansaço, aí havia música – realejo e bombo - e bailarico até às tantas.
(Continua)

Por: Júlia de Barros Ribeiro ("Biló")

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 3

Feira do gado no Largo da Corredoura. Do lado esquerdo a capela de S. Sebastião; ao fundo a velha escola primária dos rapazes (foto dos anos 50 ou 60? - arquivo de Drª Júlia Ribeiro)

Pois, a seguir à casa do Sr. Miguel Mesquita vinha outra casa (pertencente aos Mirandas) que era normalmente alugada a famílias das aldeias vizinhas que traziam os filhos para estudarem no Colégio. Nela moraram a Eugénia Carlota, irmã do Galeguinho, e mãe da Eva. Depois morou lá uma senhora com uma filha chamada Astride, que andou no Colégio ao mesmo tempo em que eu andei. Esta casa fazia esquina e na esquina em frente era a casa dos Mirandas. Os Mesquitas e os Mirandas eram então as duas famílias de lavradores mais abastadas da Corredoura. (Nada tinham a ver com os grandes proprietários absentistas da Vila que só vinham a Moncorvo por altura das vindimas e colheita da amêndoa e alguns pelo Natal, que era também a época da lagaragem do azeite). Os homens das duas famílias mencionadas trabalhavam as suas terras com os bois, os machos e os jeireiros. As filhas não trabalhavam no campo. Entre a casa dos Mesquitas e a dos Mirandas começava a Rua de Baixo. Já lá iremos.

Dobrando a esquina da casa dos Mirandas, à direita era a casa da Sra. Guilhermina Galo, mãe da Menina Gininha Galo, empregada nos Correios, depois chefe. Casou já ia quase nos 50 com o sapateiro Álvaro Chalaça. (A velha Guilhermina Galo, que nunca aceitou tal casamento, repetia a cantilena “Sapateiro remendão, onde os outros põem os pés, põe ele a mão”). Em frente da esquina das casas da Sra. Camila Miranda e da Menina Gininha Galo, ficava a casa (pertença de Aníbal Miranda, sogro do Sr. Todu) em que morava a Menina Judite Gregório, casada com o Xico da Aida, alfaiate.

A escada que lhe dava acesso tinha uma data de degraus. Aí ouvi, em criança, as histórias que as velhas contavam. (Havia uma hierarquia determinada na ocupação desses degraus. Nos de baixo sentavam-se as mulheres mais velhas; algumas acocoravam-se encostadas à parede. Pelos outros degraus acima sentavam-se as mulheres com filhos de colo, outras mulheres e alguns homens). O Tio Diogo Parrico ficava sempre de pé, arrimado ao seu velho cajado. As moças novas namoravam ali por perto, à vista de toda a gente. A canalhada andava em correrias pelo terreiro, sim era aí o Terreiro, um largo bem delimitado. Quando se cansavam da brincadeira, vinham deitar-se na manta de trapo e, os mais resistentes ouviam histórias, os mais ensonados, dormiam.

Lamento profundamente que esta casa esteja praticamente em ruínas. Merecia ser reconstruída, pois parece-me que é a única que ainda conserva a traça das casas da Corredoura. (Continua)

Por: Júlia de Barros Ribeiro ("Biló")
Nota do postador: a casa referida no penúltimo e último parágrafo é a que figura no desenho da capa do livro "Contos ao Luar de Agosto" (ed. Magno, Leiria, 2000), da autora deste Roteiro. Aí se juntavam as velhotas a contar muitas das histórias que que figuram neste livro (e em "Contos ao Luar de Agosto-II"). Trata-se de uma obra de leitura obrigatória para quem pretenda entrar no "espírito da Corredoura".

terça-feira, 23 de junho de 2009

S. João em Torre de Moncorvo - partidas de outros tempos

Praça Francisco Meireles, cheia de vasos na manhã de S. João, nos anos 50? (foto do arquivo da Drª Júlia Ribeiro, cedidas por D. Maria José Garcia/foto Arco-Íris?)

Noutros tempos o S. João era comemorado em Torre de Moncorvo (vila), com a realização de várias cascatas em certos pontos da vila: Prado de Baixo, Largo do Poço (no bairro do Castelo), no Castelo... além das cascatas faziam-se fogueiras, onde se queimavam ervas aromáticas (bela-luz, arçãs, alecrim), sobre as quais se saltava. Assavam-se sardinhas, corria o vinho e havia bailarico, a rimar com manjerico, que era colocado atrás da orelha pelos galãs, novos ou velhos.

Mas, para além destes festejos comuns, análogos aos que se realizavam um pouco por todo o lado, havia outras costumeiras, como esta que nos contou a nossa conterrânea, a escritora Júlia Ribeiro (Biló):

"Os rapazes novos, comandados pelo Adrianinho Fernandes e pelo Tio Zé Sangra, passavam largas horas da noite de 23 para 24 de Junho a roubar vasos dos balcões e varandas e a colocá-los "artisticamente" na Praça. Aí ficavam durante os dias 24 e 25 . As pessoas iam regá-los, mas não os retiravam.
No dia 26 de Junho, as donas dos vasos, entre os risos de uns e os "rás parta a garotada" das próprias, lá levavam os vasos, sempre ajudadas por essa mesma garotada que agora se mostrava muito colaborante".

A foto que se mostra neste "post" documenta esta tradição, talvez nos idos da década de 50 ou 60 do séc. XX. Tudo isto se perdeu, assim como a das cascatas. No final dos anos 70 e anos 80 era ainda forte o baile popular do S. João no Castelo, tendo depois "descido" para a praça, onde se mantém. Hoje é noite de ir até lá comer uma sardinha e beber um copito.

Mas, porque não, em anos próximos, recuperarem-se as outras tradições S. Joaninas cá do burgo? - se agora é mais complicado roubar os vasos, pelo menos solicitar a sua exposição voluntária em redor de uma cascata no muro do castelo, creio que era exequível. Fica a ideia e bom S. João para todos!

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 2

A "vila" vista do largo da Corredoura, nos anos 70: à esquerda, a casa do ilustre republicano Sr. Miguel Mesquita (ver post de 13.03.2009, neste blog); ao cimo, a rua dos Palheiros; ao fundo do largo, os olmos onde se fazia a feira dos porcos (os "recos"). - foto de Leonel Brito.



Ao fundo da Rua das Amoreiras, para quem sobe, ficava à direita a “Casa da Luz” ou “Casa do Motor” onde o Sr. Moura ia todos os dias ao final da tarde ligar os motores que desligava à uma hora da manhã. À esquerda ficava o lagar de azeite do Dr. Henrique Seixas, donde escorria o piche para uma fonte de água claríssima da Nória.

Ao fundo das outras duas ruas (Canelha da Fonte e Rua dos Palheiros) ficavam “Os Olmos”. Aí começava realmente a Corredoura. À sombra dos olmos se fazia a feira dos porcos: varas e varas de porcos que eram trazidos do Alentejo e vendidos nas feiras do gado (dias 8 e 23 de cada mês).

A primeira casa para quem subia a canelha da Fonte, à esquerda, era uma casita térrea, pobre, onde morava a Tia Maria Segura, casada com o Zé da Régua e que tinham uma data de filhos.
Ao fundo da Rua dos Palheiros, à esquerda, ficava o Lagar da Azeite dos Barreiros, situado já na Corredoura.

Então, após “Os Olmos”, virados nós para a Capela de S. Sebastião, ficavam à nossa esquerda as duas escolas primárias, ambas masculinas. (Os rapazinhos da Vila vinham à escola à Corredoura, mas as meninas da Vila não). Seguia-se o Canafechal, um espaço com dois plátanos e várias árvores velhíssimas, da família das faias, que davam sombra que era um regalo. E, por alturas do Carnaval, floresciam em “moncos” compridos com que os raparigos e os entrudos enfeitavam o nariz, o cabelo e as orelhas.

À nossa direita, a seguir ao lagar de azeite dos Barreiros, ficavam duas casinhas térreas, muito pobres, sem janela nenhuma, onde viviam, numa a Tia Amélia Abrunhosa e o marido, o Tio Zé Dengucho, um bêbado muito castiço, na outra a Tia Palmira Borrega.

Seguia-se um quintal dos Barreiros, que já vinha detrás do lagar de azeite e que era tratado pelo Tio Zé Sangra. Pegado a este quintal começava a casa e a cerca do Sr. Miguel Mesquita e da Sra. Rosalina.

E temos os topos e os dois lados mais compridos que formam o rectângulo que é o Largo da Corredoura. Foi, durante anos, o campo de futebol, antes de haver o campo da S. Paulo.
Neste Largo e no Canafechal continuava-se a feira do gado - ovelhas, cabras, burros, bezerros - que ia até ao chafariz onde bebiam as bestas. Para lá deste chafariz começava o caminho que ia dar à capela de S. Paulo. Mas antes disso, ainda há muito para desbravar.
(continua)

Texto: Júlia Guarda Ribeiro ("Biló")

Fotos: Leonel Brito


APELO: a fim de ilustrar as próximas "postas" deste Roteiro da Drª. Júlia Ribeiro, agradecíamos que nos enviassem fotografias antigas da zona da Corredoura (de preferência dos anos 40 a 60 do séc. XX). Se tiverem as fotografias sem ser digitalizadas, em papel fotográfico, podem levá-las ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde serão digitalizadas e devolvidas logo na hora. Também serão mencionadas as pessoas que possuam essas fotografias e nos facilitem a sua reprodução neste blogue. Em nome da autora, o nosso Muito Obrigado!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 1

O largo da Corredoura, diante da capela de S. Sebastião, com feira do gado, nos anos 50 (foto do Dr. Horácio Simões?)


A pedido da nossa colaboradora Drª Júlia Ribeiro (para a gente da Corredoura a Julinha Biló), e devido a problemas informáticos no seu computador, aqui vamos “postar” um grande roteiro que fez do bairro da Corredoura. E “postar” é a palavra certa, porque, dada a sua extensão, será publicado às “postas”, durante dias diferentes, como os fascículos ou folhetins de antigamente. Por isso os nossos visitantes terão de copiar estes textos, espécie de visitas guiadas pela nossa cicerone, durante dias diferentes, colando-os num ficheiro “Word”, para no final ficarem com uma visão de conjunto da Corredoura de outros tempos.

Este roteiro vem na sequência de outros roteiros da ruas de Moncorvo já feitos por outros(as) cicerones, como Maria da Misericórdia, Horácio Espalha Júnior, Julieta Brito, além de Júlia Biló, e que ficaram lá atrás, em caixas de comentários, neste mesmo blogue. São roteiros que dão testemunho dos lugares da vila e dos seus habitantes, desde os anos 40 até cerca dos 60. Fazemos votos que toda esta informação possa ser reunida e publicada num livro colectivo. Seria muito interessante.

A Corredoura era uma espécie de aldeia satélite da vila, do seu lado poente, território de lavradores e de muitos jornaleiros. Noutros tempos, os da vila, sobretudo em consequência de renhidas partidas de futebol e talvez por influência dos primeiros “westerns” que passavam no cine-teatro vilóide, passaram a apodar de “índios” a rapaziada deste bairro. Um apodo pejorativo, claro, mas que fazia jus à braveza da malta da Corredoura.

Mas, a partir de agora tem a palavra a Drª Júlia Biló, uma corredourense nata (e até à medula):


ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60

De acordo com a minha memória mais recuada – e com algumas preciosas ajudas das Amigas D. Idalina Martins, da Júlia Trovões, da Maria José, e de moradoras da Corredoura no período acima mencionado - vou tentar traçar o que terá sido o Roteiro deste bairro vai para 6 décadas.

Da Corredoura subia-se (sim, porque a Corredoura ficava em baixo e a Vila em cima) até à Vila por 4 ruas à escolha:

a) Quem ia ao Hospital, à Igreja, à Praça das Regateiras ou à Guarda Republicana, tomava a Rua das Teixeiras, também chamada Rua do Hospital;
b) Quem ia ao Tribunal, à maior parte das lojas ou à Praça Francisco Meireles (o Picadeiro de então) tomava a Rua das Amoreiras ou ,
c) em alternativa, a Canelha da Fonte . (Penso que se lhe chamava Canelha por ser a mais torta de todas);
d) Quem ia ao ferrador, à Foto-Peixe e à Capela da Misericórdia, tomava a Rua dos Palheiros, também chamada Rua do Ferrador.

Ao fundo da Rua das Teixeiras e da Rua das Amoreiras corria um caminho que ladeava a Nória e ia dar aos Pocecos, à Fonte de Santiago e ao Cemitério. Os Pocecos eram duas correntezas de tanques de cimento individuais, cada um com sua torneira, (num total de umas duas dúzias) com cobertura de telha e onde as lavadeiras iam lavar a roupa das senhoras da Vila. As mulheres da Corredoura lavavam a roupa na Fonte Carvalho onde os dois tanques grandes eram comuns e não tinham telhado. (As mulheres da Corredoura não eram benvindas pelas lavadeiras encartadas dos Pocecos).
Ainda ao fundo da Rua dasTeixeiras havia uma lixeira a céu aberto, onde era vazado o lixo da vila e o do hospital. As nossas mães davam-nos uma sova valente se fôssemos à lixeira, pois se dizia que alguém já tinha visto lá um pé ou uma perna. Era só uma forma de nos meterem medo com a lixeira. Este espaço servia de terra-de-ninguém entre a Corredoura e a Vila.

(Continua)

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APELO: a fim de ilustrar as próximas "postas" deste Roteiro da Drª. Júlia Ribeiro, agradecíamos que nos enviassem fotografias antigas da zona da Corredoura (de preferência dos anos 40 a 60 do séc. XX). Se tiverem as fotografias sem ser digitalizadas, em papel fotográfico, podem levá-las ao Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, onde serão digitalizadas e devolvidas logo na hora. Também serão mencionadas as pessoas que possuam essas fotografias e nos facilitem a sua reprodução neste blogue. Em nome da autora, o nosso Muito Obrigado!

Ainda sobre o hipopótamo que aqui deu à costa...

Como foi amplamente noticiado pela imprensa nacional, um(a) hipopótamo(a) de seu nome Rita Margarida teve de ir por seu pé desde a E.N. 102 até à vila, devido ao despiste do atrelado do circo Chen em que seguia, no passado dia 10 de Junho. Ao chegar à vila, depois de atacar o tratador que tentava dar-lhe de beber, teve de ser baleada numa pata, pela GNR local, a fim de libertar o homem. A bicha (salvo seja) parece que não ficou muito mal e continua a sua vida artística no referido circo.
Talvez como recordação do episódio, o atrelado-piscina (com capacidade para 7.000 litros de água) da hipopótama ficou no largo da feira, ao lado do cemitério. E o aviso (mesmo em francês) era explícito: “Attention Danger: Hippopotame”!
Porque não deixar ficar aí o veículo como monumento ao episódio que, durante uns dias, celebrizou Moncorvo, com honras de telejornal?

O atrelado-piscina, agora monumento ao peso-pesado que pôs Moncorvo nos telejornais.

Jornada Cultural no Centro de Memória e Biblioteca Municipal

Conforme anunciado neste blog, foi inaugurada no passado dia 20 de Junho (sábado), no Centro de Memória de Torre de Moncorvo, a grandiosa exposição intitulada “Moncorvo de Março de 1974 a Junho de 2009”, de autoria de Assis Pacheco (já falecido), Leonel Brito e Rogério Rodrigues. Esta exposição baseou-se em duas extensas reportagens publicadas respectivamente em vários números do jornal República (Março de 1974) e em O Jornal (1984), a que Leonel Brito e Rogério Rodrigues acrescentaram agora mais uma peça (texto e imagens), sobre o concelho de Torre de Moncorvo na actualidade.

Rogério Rodrigues e Leonel Brito, autores da Exposição Moncorvo 1974-2009

A importância da primeira reportagem publicada no República (com texto de Assis Pacheco, e fotografia de Leonel Brito), decorre do facto de ter sido feita mesmo nas vésperas do 25 de Abril, em que se faz um retrato social crítico do concelho, com os problemas da emigração, da guerra do ultramar, etc., além dos diversos constrangimentos de que padecia um concelho do interior, à época. Trata-se de um trabalho de grande fôlego (como se disse, saído em vários números), que é fundamental para a história contemporânea de Torre de Moncorvo, num momento charneira da história de Portugal.

A segunda reportagem, com assinatura de Rogério Rodrigues, saiu em O Jornal (periódico também já desaparecido, tal como o República), em 1984, e tinha por título genérico "Torre de Moncorvo, o futuro não tem pressa". Este é o momento em que, após a vinda dos chamados “retornados” do ultramar (1974-1975) se alcança um acréscimo demográfico significativo e a face do concelho se transforma significativamente, também em consequência das remessas dos emigrantes. Ainda sem dinheiros comunitários, era o tempo em que se sentia a premência de certas infra-estruturas (água canalizada, saneamento básico, etc) e das grandes carências de emprego, após a conclusão da barragem do Pocinho, vivendo-se então ainda as expectativas do relançamento da exploração das minas de ferro, projecto que, como se sabe, viria a ser chumbado no ano seguinte.

Um aspecto da exposição Moncorvo 1974-2009, no Centro de Memória

Passados 35 anos após a primeira reportagem e 25 sobre a segunda, impunha-se um olhar sobre a nova realidade do nosso concelho. Assim, a nova reportagem agora realizada (não publicada, a não ser nos últimos painéis desta exposição), com o título "O presente ao menos, 25 anos depois", começa logo por se destacar pelo cromatismo diferente. Em contraste preto e branco de outros tempos, recorre a abundantes fotografias a cores, oferecendo, por comparação, uma imagem actual dos espaços antigos, de onde se salientam as diversas mutações no espaço urbano da vila e aldeias do concelho. De uma forma que consideramos bastante objectiva, salientam-se os aspectos positivos dessas transformações, mas também os contrastes , como o da desertificação humana e o envelhecimento da população. Se as crianças de hoje aqui figuram muito limpinhas e associadas aos telemóveis e computadores, em contraste com as do passado (sinal dos tempos), salienta-se o facto de praticamente não existirem crianças na quase totalidade dessas aldeias. Novas infra-estruturas e equipamentos urbanos, grandes obras, tipo ligação de Moncorvo ao IP-2, barragens e torres eólicas na serra, são destacados. Como ponto final desta reportagem, termina-se com uma pequena local, em caixa, dando conta da peripécia do hipopótamo-fêmea que fugira do camião acidentado de um circo, vindo ter à vila, nove quilómetros andados por seu pé, suscitando o anedotário terra. Um episódio de humor em tempo de crise.

Outra secção da Exposição, no Centro de Memória.


A exposição é complementada pela passagem de filmes como “Artes de ofícios” (olaria, tecelagem, moinho de rodízio e fabrico da cera) e “A Encomendação das Almas”, trabalhos realizados por Leonel Brito respectivamente em 1974 e 1979, e uma apresentação de imagens em Powerpoint, mostrando fotografias actuais e de há 30-35 anos. Este material fotográfico foi oferecido aos presentes em DVD, através de reproduções efectuadas pela Biblioteca Municipal/Centro de Memória. Aliás, na sua alocução final, os autores fizeram questão de sublinhar o trabalho do pessoal desta instituição, nomeadamente da Drª Helena Pontes (chefe de divisão cultural), Drª Maria João Moita, salientando os contributos de Sandra Meireles (na parte gráfica) e Victor Almeida, entre outros.
Dada a sua importância para a compreensão do passado recente do nosso concelho, esta é, de facto, uma exposição a não perder.

O ex-director da "Voz do Nordeste" e Presidente da Câmara de Moncorvo, no momento da entrega do espólio do jornal


Depois da inauguração da Exposição, e dos discursos dos autores da mesma e do Presidente da Câmara de Moncorvo, decorreu a cerimónia de entrega do espólio do jornal “Voz do Nordeste” (de Bragança), pelo seu antigo director, César Urbino Rodrigues.

Apresentação do livro História do Poder Local Democrático em T. de Moncorvo, na Biblioteca



A finalizar esta jornada, decorreu no auditório da biblioteca municipal a apresentação do livro “O poder local democrático em Torre de Moncorvo no último quartel do século XX”, de autoria de Virgílio Tavares, sob patrocínio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.

sábado, 20 de junho de 2009

"O Velho Ciumento" pelo Grupo de Teatro Alma de Ferro

Algumas cenas d'O Velho Ciumento de Miguel Cervantes que este grupo de teatro de Moncorvo levou à cena nesta localidade, no dia 3 de Julho. O GTAF irá apresentar o mesmo espectáculo em Moncorvo. Também estão previstas novas actuações, durante o mês de Setembro, noutras localidades fora do concelho.

Por : GTAF


Mais fotos:
Grupo de Teatro Alma de Ferro GAF - "O Velho ciumento"

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Exposição "35 anos de Torre de Moncorvo"

Uma viagem de 35 anos, cheia de gente que já não está e de outra que regressou. Moncorvo visto pelo olhar de Assis Pacheco, vindo de Lisboa, de Rogério Rodrigues, da terra, mas exilado na cidade, e da palavra, sempre lúcida, do Afonso Praça do Felgar, a coberto do olhar fotográfico do Leonel Brito, também da terra, mas exilado no Alentejo. Uma exposição de encontros, de memória, mas um itinerário das transformações ocorridas, em 35 anos, no nosso concelho. Hoje melhor do que ontem; amanhã, por certo, melhor do que hoje.
Esta exposição traça um percurso, desde a terra batida à derivação do IP 2 e força-nos a pensar e a reconhecer quanto estes 35 anos mudaram a paisagem e os costumes de Moncorvo.


Reportagens: “Moncorvo Zona Quente em Terra Fria ”, no jornal “República”, Março de 74 ; “Moncorvo, o Futuro não tem Pressa”, em “O Jornal” , Fevereiro de 84;
“ Moncorvo o Presente, ao menos”, Junho de 09.
Documentários: “Estevais Ano Zero”, Junho de 75 ;
“Velhas Profissões” (Lagar da Cera, o Moleiro, a Tecedeira, o Oleiro), Setembro de 75; “Encomendação das Almas no Nordeste Transmontano” , Abril de 1979.
300 fotografias e fotogramas de 74 a 09.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Festa de Santa Leocádia - 1979

Foi há 30 anos...
Procissão da festa de Santa Leocádia, pelo caminho de trás-da-serra desde o S. Lourenço, no dia 10.06.1979:




Fotografias gentilmente cedidas pela moncorvense D. Adelaide Amaral Félix, a quem agradecemos.
Aproveitamos para lançar um desafio para quem pretenda identificar as pessoas que vão na procissão, além do Padre Sobrinho (que está na mesma!). Alguns dos aqui presentes, infelizmente, já nos deixaram...

Festa de Santa Leocádia - 2009

Decorreu nos passados dias 9 e 10 de Junho a tradicional festa de Santa Leocádia e S. Bento, junto da antiga capelinha situada num ponto alto da serra do Roborêdo, mesmo sobre a vila de Torre de Moncorvo.
Actuação da banda do Felgar, durante a missa campal (foto de Luís Lopes/Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo)
Apesar das ameaças de trovoada o povo acorreu em grande número e reinou a animação, com um programa recheado de actividades, no plano religioso, gastronómico e musical.
Momento da procissão, por detrás da serra, desde o S. Lourenço até à capela de Santa Leocádia e S. Bento (foto de Luís Lopes/Junta de Freg. de T. Moncorvo)
No corrente ano o acesso foi mais facilitado para viaturas ligeiras, pois a estrada para a capela de Santa Leocádia/S. Bento foi recentemente asfaltada.
Durante a missa campal, vendo-se atrás a imagem de S. Bento (foto de Luís Lopes/Junta de Freg. de T. Moncorvo)

Já há um ano atrás aqui fizemos uma descrição suficientemente ampla desta festividade, pelo que não nos alongaremos mais. Basta ver: http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2008/06/torre-de-moncorvo-festa-de-santa.html ; e também: http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2008/06/festa-de-santa-leocdia-ii-procisso.html

Houve animação musical nocturna, por vários artistas e conjuntos locais (foto Luís Lopes/Junta de Freg. T. Moncorvo)


A organização deste evento pertenceu à Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, entidade proprietária desta vetusta capela, que, apesar de modernizada, remontará ao séc. XVII ou XVIII. Por este motivo, e dado o belo enquadramento do local, o qual constitui um belíssimo miradouro sobre a vila (agora com o acesso facilitado, como dissémos), questionamo-nos sobre o aspecto algo inestético do grande palco erigido ao lado da capela. Porque não uma estrutura amovível?

domingo, 24 de maio de 2009

Chafariz Filipino

Em 1549, o cronista João de Barros noticiava que a vila de Moncorvo possuía "hu Chafariz de mais de quarenta palmos (...) no meio da Praça". Naturalmente que não poderia ser o actual chafariz, que tem gravada a data de 1636.
Nem sempre foi fácil conseguir trazer a preciosa água da serra até à vila. Houve problemas com a comunidade franciscana do Convento de São Francisco que reclamava a posse das nascentes da serra.
Em 1628 a Câmara de Moncorvo arrematou a obra do chafariz ao arquitecto António Fernandes, que levaria cerca de dez anos a ser terminada. Em 1887 o chafariz da praça seria destruído por ordem do então presidente da Câmara, António Pontes e as diversas partes andaram aos tombos por vários locais da vila (daria um bom conto).
Há alguns anos a Câmara de Torre de Moncorvo realizou um projecto público com vista a reconstruir o chafariz, aproveitando os elementos originais que estavam na sua posse, sendo o conjunto reposto na Praça Francisco Meireles.
O chafariz insere-se num tanque de formato quadrangular, assentando sobre uma base quadrada. No primeiro registo forma um depósito bolboso decorados com uma carranca, da qual jorra a água. Sobre este foi edificado um pináculo, que remata a estrutura. Na base do conjunto foi gravada a inscrição "FEITO NO ANO DO SENHOR DE 1636 POR ORDEM DE DOUTOR JULIÃO DE FIGUEIREDO, PROVEDOR E CONTADOR NESTA COMARCA, À CUSTA DO POVO".
Este chafariz está classificado como Imóvel de Interesse Público.

Fonte do texto: IPPAR

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Museu do Ferro celebra Dia Internacional dos Museus

Assinalando o Dia Internacional dos Museus o Museu do Ferro & da Região de Moncorvo promoveu um conjunto de actividades, de que destacamos, no dia 16 (Sábado) um passeio cultural à antiga aldeia ferreira de Felgueiras e um almoço de confraternização de Amigos do Museu, culminando numa sessão em que foram nomeados novos Amigos, em função dos seus contributos para este museu.
Relembramos que o Museu do Ferro nasceu no bairro mineiro do Carvalhal, nos anos 80, tendo sido transferido para a sede do concelho em Fevereiro de 1995, anos depois do encerramento da Ferrominas, e após um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e a EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro). O processo vinha sendo acompanhado pela associação PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo) desde 1993, tendo esta entidade realizado o inventário do espólio e tratado da sua reinstalação na casa conhecida como solar do barão de Palme (antigo quartel da GNR desde os anos 30 até cerca de 1990).
Assim, a gestão do Museu foi então entregue à associação PARM (Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo), que manteve o museu aberto entre 1995 e 1999, ao mesmo tempo que recorria a fundos comunitários, com a comparticipação da autarquia, para recuperação do edifício e reinstalação das colecções de acordo com um programa museológico actualizado. Foi um processo longo e trabalhoso, que culminou com a reabertura ao público em 2002.
Desde então o museu tem recebido milhares de visitantes, funcionando como uma espécie de sala de visitas da vila e do concelho.
Além da exposição permanente dedicada ao Ferro, o museu promove exposições temporárias (de pintura, fotografia, escultura, etc.) e outros eventos (palestras, lançamento de livros, recriação de actividades como a "partidela da amêndoa"...). E, a partir do museu, têm-se feito visitas guiadas ao centro histórico, às antigas minas abandonadas, a outros monumentos e locais de interesse do nosso concelho.

Sobre as actividades ora realizadas, no âmbito do Dia Internacional dos Museus, pode ver-se mais alguma informação nos seguintes endereços:
http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/05/18-de-maio-dia-internacional-dos-museus.html
e http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/05/comemoracao-do-dia-internacional-dos.html
e ainda: http://descobrir-vilaflor.blogspot.com/2009/05/dia-internacional-dos-museus.html

Serviços Educativos - um técnico do museu mostra a um grupo de crianças uma animação em Powerpoint com vários aspectos do património do concelho (hoje, 18.05.2009)

Visita de grupo de alunos ao museu (hoje, 18.05.2009)

domingo, 17 de maio de 2009

Exposição "A Vida/Os Bombeiros", no Cine-Teatro

Foi inaugurada ontem, no bar do Cine-teatro de Torre de Moncorvo a Exposição fotográfica "A Vida - Os Bombeiros", de Raúl Cardoso, a qual poderá ser visitada ao longo do mês.
Aqui fica o cartão de divulgação (frente e verso):


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