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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Oferendas


Porta da Capela do Divino Espírito Santo, Cabeça de Mouro.

sábado, 5 de julho de 2008

o Rio

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Castedo

Esta casa está situada no Cimo do Lugar, no Castedo. É conhecida pela Casa da Tia Alice. Chamaram-me a atenção os motivos florais esculpidos e as mísulas trabalhadas. Está caiada a preto e branco e mesmo numa fotografia a cores, só estes tons se notariam.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ser ou estar

Um dos comentadores do blog "À descoberta de Torre de Moncorvo" fez questão em afirmar que, da sua geração, será o único a residir em Moncorvo. Ainda que seja uma afirmação categórica, e não estatisticamente comprovada (haverá gente da sua geração, que é a minha, que se manteve na terra, embora num registo não académico e, porventura, honradamente proletário), não deixa de ser motivo de reflexão.
Com efeito, na esteira de Kierkgaard, em conceito mais tarde desenvolvido por Eduardo Lourenço, eu nunca saí do lugar onde tantas e tantas vezes regresso. Todas as viagens que faço é para um lugar de que sou, embora não seja um lugar onde estou.
O problema de ser e estar tem originado reflexões pertinentes, nomeadamente na filosofia alemã de Heidegger.
Mesmo em termos linguísticos o ser e o estar só são distintos no português, no castelhano e creio também no italiano. Quanto ao francês e ao inglês, être e to be são a palavra única para ser e estar. O mesmo acontece no alemão.
Já me ia afastando do que me provocou este post : eu sou de Moncorvo, embora não esteja em Moncorvo.
Gostaria, após este pequeno e discutível comentário, lembrar o excerto de uma intervenção do historiador e grande medievalista José Mattoso ao receber o Prémio Latino (um prémio de grande prestígio) no ano passado. Escreve José Mattoso: "Muitas vezes me apeteceu dizer, como o profeta Elias quando iniciou a sua caminhada no deserto e, cansado da sua luta contra a idolatria, pedia a Deus a morte: " Já basta, Senhor, pois não sou melhor do que os meus pais" (1 Reis,19.4)
Também nós, quando recordamos as esperanças dos anos 60, e as comparamos com a multiplicação da actual violência e da injustiça, perguntamos para que valeram os nossos esforços. Mas, se, olharmos à nossa volta, nos sentirmos irmãos dos atormentados pelo desejo da verdade, irmãos dos desesperados pelas suas próprias contradições ou inseguranças, e formos capazes de descobrir, nascidos, não se sabe como, num mundo sombrio, os que persistem em cultivar a infinita variedade de formas que revestem o amor, a justiça, a esperança, a beleza, a alegria, a paz; se aprendermos a ver, com os que sabem olhar através da espessa camada da vulgaridade quotidiana, a maravilha do que é justo e simples, deixamos de lamentar a frustração das esperanças".

Parecendo que nada tem a ver com o blogue, este excerto tem tudo a ver com a descoberta de Moncorvo, ou seja, com a descoberta de nós próprios através de um espaço tão real quanto simbólico. Libertos da "vulgaridade quotidiana", cultivemos a essência, residentes interiores na nossa descoberta, simultânea da nossa procura.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Maravilhas da Natureza


Fiquei"ciumento" com o fel-da-terra (Centaurium umbellatum Gilib) do vasdoal, de modos que decidi tirar do baú das memórias (não tão distantes) esta preciosidade, que captei quando subi à Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça.
De joelhos, estamos mais próximos da Natureza. E estou a falar no sentido literal. Esta é uma pequena planta, de que não conheço a classificação botânica, mas é uma Liliaceae, parente muito próxima do alho e da cebola. Em segundo plano, como cenário, hipericão (Hypericum perforatum), chá muito apreciado, que ainda ninguém se lembrou de postar.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Baganha

Transcrevo mais um conto de rodapé sugerido pela visita ao Larinho e por ter sido observado pelos frutinhos do lodão (celtis australis) que não me largaram até ao rio. Estes pequenos frutos comestíveis eram do agrado das crianças que por aqui lhe chamavam baganha. Noutras regiões do país utilizam-se no fabrico de um licor.
Baganha



A canalhada caiu na vinha como um bando de tordilhos. Algumas parreiras ficaram sem poder mostrar os olhos brancos de sumo ou tintos de solidão. Mesmo os cachos de quilhão de galo, sempre camuflados de folhas, foram limpos num instante! Lá irão ficar mais uns espaços no forro da sala, anualmente preenchidos pelas passas.
Não foi necessário muito tempo para que estes incréus trepassem ao lodão plantado ali na canada ao pé da vinha. Era sempre esta jangada que os salvava de uma torrente de ira que o Tio Russo transbordava pela face, ao vê-los deslizar da vinha para o abrigo aéreo. Não hesitou. As pedras voavam por entre o palpitar da árvore, até pintar de vadiagem a ponta dos ramos. Os olhos negros da miudagem já se confundiam com as bagas mais maduras que eram engolidas com caroço e tudo, substituindo uma qualquer chiclete anti-nervosismo.
Já cansado de tanto arremesso, reparou no pelotão desorganizado de sapatos, chinelos e chanatos a decorar o pé da árvore. Enfiou-os todos numa vara, como se fosse numa pescaria invulgar.
- Num tindes bergonha, seus badios?!
- Não, não, Ti Quilhão! Temos é baganha!
- Ai sim! Então vão já pagar as vacas ao dono!
Pegou na espetada de calçado e atirou-a ao Douro que já estava à espreita ali a uns metros. Os peixinhos mais vulneráveis iriam ter uma casa nova.
Depois desta despedida do dono da vinha, o frio e a corrente das águas impossibilitaram qualquer mergulho para salvar os barquinhos de cabedal. Tiveram de ir para casa de focinho no chão a contar as pedras que se alojavam entre os dedos dos pés.
In, Contos de Rodapé

O FEL da Terra



Imagens que me tiram as palavras.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Peixe do rio em calda


Aqui, neste caçoilo, fica a receita da srª Júlia, sempre que quiserem aventurar-se neste testemunho gastronómico que envolve um património humano, faunístico e botânico.
O peixe
Amanha-se o peixe (o que vier à rede), lava-se e corta-se aos bocados (o grande). Tempera-se com sal, alho e erva-peixeira. Depois frita-se em azeite quente. Estando frito, retira-se para um caçoilo de barro.
A calda
Ao azeite da fritura junta-se o alho, um ramo de salsa, louro, colorau doce, "guinda" ou malagueta, um pouco de vinagre, sal e um pouco de água. Deixa-se arrefecer esta calda, deita-se por cima dos peixe e, se não resistir, coma o petisco no próprio dia. Caso resista, pode deixar que que o molho vá macerando o peixe, fazendo com até as espinhas sejam apetitosas.
Atenção: não troco este pelo da Foz

Portfólio?

Temo fazer de cardeal diabo, mesmo no tempo em que o Papa não é propriamente um santo e é muito dado ao fashion italiano, no vestir e no calçar.
À Descoberta de Moncorvo começa a ter mais paisagens, árvores, arbustos, pássaros e outras circunstâncias do que homens ou histórias de homens. Um centro de memória, como me parece este blogue, na categoria de embrião, deveria recolher experiências e relatos de uma humanidade e mesmo algum surrealismo em que Moncorvo foi sempre fértil.
Há personagens que melhor farão compreender a evolução de Moncorvo e as suas idiossincrasias. A título de exemplo, o Emídio Carteiro já falecido que contava, com colorido, vocabular e gestual, a investida da Legião Portuguesa, comandada pelo dr. Amável, contra o baile dos Bombeiros que estava a arredar clientela ao baile pequeno burguês, hig-life de um jet- subset da sociedade moncorvense. Lembrar, com um grande texto, o papel do eng.Monteiro de Barros de quem tive o privilégio de ser amigo, homem que já lia o Herberto Hélder (ofereceu-me uma primeira edição), enquanto os seus comparsas não passavam do Guerra Junqueiro; que já assinava, desde o primeiro número, o Paris Macth e o Canard Enchainé; o homem que tinha ar condicionado na sua casa, apenas na garrafeira; o homem que deixou uma belíssima mensagem, qual Petrónio, na hora da sua morte, do seu suicídio à patrício romano. A carta existe.
Uma homenagem é precisa ao Arnaldo que, durante décadas, alimentou o humor de uma sociedade fechada como a de Moncorvo. Está hoje praticamente em estado vegetal. Mas as grandes histórias, algumas das quais eu gravei (material que tenho que procurar na desordem dos meus materiais), foram elaboradas como autênticos guiões pelo Arnaldo. Além disso, o Arnaldo foi das personalidades de Moncorvo aquela que mais terá seduzido e mesmo ajudado gerações de jovens da terra.
Sinto-me comovido ao ver fotografias de algumas flores e arbustos da minha infância. A visão leva-me ao universo recuperado de aromas antigos. Suportem pois, este meu papel, esta minha vontade de ver escritas mais histórias, do Rambóia de Açoreira, o imbatível na desgarrada, do Manquinho de Açoreira que, com a sua rabeca, animava bailes de aldeia em aldeia. Acabava sempre bêbedo, mas era enquanto bêbedo que a rabeca melodiava mais sentimento. O Leva-Leva de Vilarinho da Castanheira e a sua resposta sábia ao cónego Almeida. O Horácio Espalha que durante anos e anos foi o reviralhista encartado, "mentor" de algumas gerações que ainda cultivavam a utopia. E mais personagens há que ilustram o universo de Moncorvo, ricas no contraste e na especificidade.
Como acho que os blogues devem ser curtos, redimo-me do pecado inicial e fico-me por aqui. Procurem histórias. Cruzadas uma com as outras, encontra-se uma unidade na diversidade. E compreende-se melhor o Moncorvo de hoje.
Não só a arqueologia das pedras, mas também a dos homens, nos faz compreender melhor o presente.

Açoreira

Fonte de canelas.
Inscrição presente numa habitação póxima à capela.

Casa tradicional situada em frente à capela.


Açoreira - Cascata de S. João a decorar a capela.

Pormenores deliciosos captados numa deslocação à fonte de Canelas, na freguesia de Açoreira, para abastecimento da saborosa água.

Igreja - Torre de Moncorvo


Desta vez, visitei a "catedral" com os olhos à sombra dos seus granitos.

Panorâmica de Estevais


A fotografia de hoje, mesmo com imperfeições técnicas, mostra que não é necessário ser uma grande aldeia para ter brilho, receber bem quem visita e proporcionar bem estar aos que lá vivem. Fiquei encantado com a minha visita a Estevais, freguesia de Adeganha.

domingo, 29 de junho de 2008

Digressões


Aproveitando uma visita à Igreja durante esta semana, lembrei-me de subir aos sinos e tirar umas panorâmicas de Moncorvo, um pouco como fez o saudoso Eng. Monteiro de Barros na década de 50 do século passado. Depois de aqui chegarmos, compreendemos porque nos custa deixar para trás esta terra....




a MÃE Vilariça e a majestosa filha que a espreita...


o velho burgo a braços com a alteração da paisagem!


Este é o caminho para próximas digressões, se conseguir dominar
a vertigem de estar no tecto de Moncorvo!


(Texto e fotos a cor de RL. Fotos a p/b de Eng. Gabriel Monteiro de Barros)

sábado, 28 de junho de 2008

Na Serra do Reboredo


Azedas e cravinas-bravas (Dianthus lusitanus), na Serra do Reboredo (24-05-2008).

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Igreja de Torre de Moncorvo


Torre de Moncorvo


Moncorvo em flor


Rio Sabor


Stop

Torre de Moncorvo - Antiga muralha, com vestígios de uma porta.
"Stop". Quiçá uma metáfora da defesa do património.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Chi Pardelinha no Museu do Ferro





Algumas mulheres de Chi Pardelinha que visitaram o Museu do Ferro em Março de 2007.

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