domingo, 27 de julho de 2008
Erva quê?
sábado, 26 de julho de 2008
À distância de um olhar
É realmente fantástica a beleza que nos espera na beira da estrada, quando circulamos de carro! Olhando o que está mais próximo, ou desviando o olhar para o horizonte, explorando o pormenor ou o infinito. Foi o que eu fiz enquanto descia de Estevais até à Quinta da Portela. Com algumas fotografias fiz este arranjo. Pode ser que alguém goste dele para "papel de parede" do seu computador.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
À Descoberta de Estevais

No dia 7 de Junho de 2007 fiz uma curta passagem por Estevais. Eram sete da tarde e o sol que pairava sobre Vila Flor, trespassava a verdura da beira da estrada com os seus "sabres" de luz. Alguns pardais, atrevidos e alegres, penduravam-se nas espigas de um campo de aveia perto de cemitério. Os zimbros, abundantes por aqui, ganhavam tamanho, formas dignas de Cervantes, recortadas conta o azul difuso do Vale da Vilariça.
No povoado, tudo era calma. Uma velhinha, com um lenço ainda mais negro do que as suas roupas colocado desleixadamente sobre a cabeça, gozava a paz do entardecer, sentada numa cadeira de madeira.
Do meio de algumas ruínas e casas velhas saiu um jardim! Um jardim repleto de rosas, com cores vivas, daquelas que nem a câmara do Xo_oX regista. Havia tufos de mil e uma flores, de mil e uma cores, do azul carregado, ao branco puro da açucena. Estavam combinados os factores para um quadro de encantamento: luz, cor, silêncio e isolamento.
Captei rapidamente o momento com medo que a pouca luz se deixasse vencer pelo batalhão das cores, tornando-se estas mais saturadas, mas impossíveis de diferenciar no reino das sombras. Vaguei pelo centro da aldeia, qual mariposa tonta, em busca do néctar da vida.
Entrei na pequena capela, cheirava a limpeza recente. O chão granítico favorecia a frescura e as açucenas e malmequeres enchiam o pequeno espaço de perfume e as flores dos vasos cimeiros, artificiais, de inveja. Apesar do ar deteriorado das paredes a capela tem um altar muito bonito. Depois do vermelho e dourado da igreja da Cardanha, venho encontrar aqui o azul e o dourado, que não é uma pior combinação.
Ao centro está Nossa Senhora. Parece-me Nossa Senhora do Rosário que me lança um olhar de surpresa e de agradecimento. Surpresa pela minha presença neste local singelo e distante, agradecimento pelo meu respeito e veneração.
Segui em direcção à igreja, onde se venera S. Ciríaco. Admirei o seu campanário com pináculos e uma cruz ao centro. Admirei as suas linhas singelas de igreja do século XVIII, com alterações recentes, com o sol a iluminar o frontispício, que se elevava acima do mundano circundante. Continuei em frente. Entre algumas casas novas e palheiros com cheiro a estrume, cresciam mais algumas açucenas. Sentei-me num muro semi-destruido admirando a Criação. Só um grupo de privilegiados podem viver com tanta paz. Só um grupo de mais pequeno de eleitos podem parar para admirar e reflectir sobre isso.
Foi envolvido pela melancolia da magia das oito horas da tarde que cheguei ao Miradouro de S. Gregório. O silêncio era tanto que o obturador da máquina parecia um trovão! Era a hora de recolhimento e introspecção. Senti-me ganhar asas e parti por sobre o Sabor de encontro ao do Reboredo. Escorreguei pela cintilação da encosta e molhei os pés na Foz. Nadei no brilho das folhas das vinhas das Cabanas e desmaterializei-me, vale acima, perdendo-me numa brisa que subia a Serra de Bornes.
Entrei no carro, e, lentamente, regressei a casa, com medo de perturbar a harmonia do vale que, pouco a pouco se entregava à sombra, rendido, enfeitiçado pelos últimos raios de sol que douravam as espigas na beira do caminho.
terça-feira, 22 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
I Encontro de Colaboradores do Blogue

Uma fotografia "provocadora" do vasdoal foi a gota de água que levou a este encontro de colaboradores do Blog. E foi importante. A verdade é que estamos a tentar criar uma equipa, mais baseada na produção de cada um, do que no conhecimento mútuo. Este encontro, à volta de um bom prato de peixes do rio, veio revelar a rosto e a pessoa, por detrás de cada "nome".
Foi assim, que nos juntámos na Foz do Sabor e nas Cabanas de Baixo, para nos conhecermos e trocarmos algumas ideias. A animação veio dos lados de Espanha, com o Angel a tocar tambor e flauta de tês buracos, arrancando sons que identifiquei como da raia, lembrando o planalto cheio de erva seca e o horizonte manchado de verdes escuros. De tão entusiasta para as “meriendas” imaginava-o mais forte, e bem disposto, como realmente é. Só tenho a agradecer-lhe a alegria e boa disposição, que juntamente com a sua esposa, partilhou connosco.
Estiveram também presentes vasdoal, a. basalouco, PARM e eu, o AGoncalves. Outros colaboradores que não puderam estar presentes, estão em dívida, e terão que se empenhar a fundo para não faltarem ao próximo encontro.
Espero que ninguém se lembre de postar uma boa posta mirandesa, ou um bom bacalau, sob pena de termos que marcar um novo encontro.
Até lá, vamo-nos encontrando, todos os dias, aqui, no blogue.
Inventário de Arte Sacra
O PARM, desde o início dos anos 90 do século passado, iniciou um projecto ambicioso e importantíssimo, que consistiu na realização do inventário de Arte Sacra da Igreja Matriz de Moncorvo.
O trabalho, com algumas paragens, foi-se desenvolvendo, nomeadamente com a colaboração dos alunos do Curso CPC - Conservação do Património Cultural (1998-1999), e centrando-se na imagística e ourivesaria. Nesta fase, foi decidido realizar-se uma Exposição de arte sacra "O Tesouro da Igreja", no Verão de 1999, dando a conhecer a muitos Moncorvenses, imagens, livros e alfaias religiosas à muito retiradas do culto, mas com assinalável valor artístico.

Fachada principal da Igreja Matriz, a partir de uma reprodução fotográfica
do final do séc. XIX/inícios séc. XX (Arquivo Particular)

O Interior da Igreja nos meados do séc. XX (reprodução de um postal)
2. Outros panos litúrgicos e decorativos, como frontais de altar, véus de sacrário, palas, véus de cálice, corporais, pendões ou bandeiras, os pálios, umbela, panos de armar, e outros de função mais ou menos conhecida.

3. Ourivesaria e Prataria (Este foi um campo que já tínhamos alguns registos, mas que foram corrigidos e aumentados). Destacam-se as custódias, mas também cruzes processionais e crucifixos de pousar, cálices, patenas, turíbulos, navetas, resplendores, coroas, varas de funções diversas, adornos e vários objectos ofertados à Paróquia, candelabros, etc.

4. Escultura, Pintura e Imagística - trabalho já largamente desenvolvido, que agora foi completado.
Em suma, este trabalho tem vindo a ser muitíssimo importante pois pretende registar, conservar e divulgar um património riquíssimo, algum conhecido e muito oculto, que tem uma importância vital para a História de Moncorvo e da Igreja Matriz em particular.
A direcção do PARM
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Ausência
Caros companheiros de aventura em À Descoberta de Torre de Moncorvo ( e tanto que eu tenho descoberto, do que não sabia ao que já tinha esquecido), não vou poder estar presente no encontro. Com grande pena minha. Os trabalhos de Bill Gates até parecem mais duros, mas por certo são mais imprevistos, do que os trabalhos de Hércules. Tenho material urgente a preparar para a nova grelha de uma rádio, além de duas intervenções em directo ( sábado e domingo). Queria deixar tudo pronto, a fim de poder ter férias em Agosto, lavar os olhos e despoluir a mente, no meu íntimo e intenso espaço afectivo que é Moncorvo. A todos, mas particularmente ao Nelson, a quem garantira a ida, as minhas desculpas. Mas havemos de nos encontrar.
Estou muito agradado com o blogue, pela elegância e elevação cívica, num casamento perfeito entre ética e estética. Tenho aprendido muito, o que vos agradeço. Sou visita diária. É uma forma de estar num lugar de que nunca saí.
Todo o dia é uma despedida, mas o dia seguinte é sempre um recomeço.
terça-feira, 15 de julho de 2008
sábado, 12 de julho de 2008
quarta-feira, 9 de julho de 2008
À Descoberta da Cardanha

Conheci a Cardanha em 1991. Desde essa altura, nunca mais os meus passos me levaram a visitar a aldeia. Há dias, voltei. Pouca coisa recordava: o relógio de sol, na igreja, a localização da escola primária e de um café. Não tive tempo para me inteirar do que poderia haver de interessante para visitar, por isso, era mesmo uma completa Descoberta. Cheguei já depois das seis da tarde. A maior limitação seria mesmo a falta de tempo.
Desci a Rua Sra da Conceição, até chegar ao principal núcleo habitacional. Fiz a uma paragem. A primeira coisa que me chamou à atenção foi uma espécie de nicho com um Cristo crucificado. Penso tratar-se do Senhor da Pedra. As portas de vidro e o gradeamento de ferro não permitem fotografar minimamente o interior. Este nicho, juntamente com mais 7, espalhados pela aldeia, fazem parte da Via Sacra, com origem, possivelmente no séc. XVIII. Todos os 7 nichos são originalmente iguais. O último, o do Senhor da Pedra, é mais elaborado tendo cunhais apilastrados e uma cruz ladeada por pináculos.
Do outro lado da rua está uma pequena capela, a Capela de Nosso Senhor dos Aflitos. É de reduzidas dimensões. A porta de vidro permitiu-me observar o interior e fotografá-lo. Vê-se um nicho, em granito, com a imagem de Cristo de grandes dimensões. No chão existe uma espécie de esteira, que deve servir para o transporte da imagem durante as procissões.
A poucos metros, para poente, está outra capela, a de S. Sebastião. Também é possível observar o interior. Depois de um arco triunfal de volta inteira está a capela-mor com um pequeno altar onde se destaca a imagem de S. Sebastião. No frontispício da capela pude observar dois pináculos, um pequeno campanário com uma cruz sobreposta e uma inscrição numa rocha, por cima da porta. Parecem números, mas não fazem sentido.
Em poucos minutos, encontrei motivos mais do que suficientes para justificar a minha ida à Cardanha, mas ainda havia muito para ver. Entrei de novo no carro e segui até à igreja.
As casas antigas, de granito, atestam a idade e a pujança de outrora desta aldeia. Não são só cardenhos, mas também casas com alguma dimensão, construídas num misto de xisto e granito e onde a madeira também tem um lugar de destaque, principalmente nas varandas, tão tipicamente trasmontanas.
O primeiro impulso foi para revisitar o relógio de sol. Os relógios são usados como exemplo, para evidenciar a ideia de que o tempo voa, mas, neste caso, é uma amostra evidente de resistência ao tempo, que não voa mas que se desloca à velocidade de rotação da terra, dia após dia, século após século.
Ao entrar na igreja abri a boca de espanto. O vermelho vivo do altar-mor e de dois altares laterais, em contraste com o dourado, dão um efeito visual que acho de uma beleza rara, mesmo exuberante. Não é só nos altares que o vermelho vivo domina! Todo o conjunto é harmonioso e está cuidado com muito esmero.
Abandonei a igreja disposto a dar uma volta pela aldeia, a pé. Segui pela Rua da Junta até à Rua da Travessa. Nota-se que já não há habitantes para tanta casa. Há sinais evidentes de reconstrução, mas as ruínas são muitas. A desertificação, lenta mas constante, é bandeira de todos os locais que tenho visitado.
Sem dar por mim, estava a descer a Rua da Fonte. A melhor designação seria mesmo das fontes, no plural, uma vez que existem pelo menos três fontes. O primeiro conjunto tem uma fonte de mergulho, arcada, bastante conservada. Já procurei algum registo para saber se se trata de uma fonte medieval mas não encontrei nada escrito sobre ela. No concelho de Vila Flor, conheço várias fontes do mesmo género.
Uns metros mais abaixo, há outro fontanário, com bebedouros para as bestas. Custa a crer que os habitantes viessem aqui buscar a água para consumo doméstico, mas como justificar a existência desta fonte, neste lugar? Não arrisquei a beber água destas fontes…
Subi pela Rua do Quebra Costas até à rua principal. Não sei se pelo desgaste energético do percurso se pelo adiantado da hora, pareceu-me boa ideia, voltar à igreja, entrar no carro e regressar a casa.
Ainda me aventurei, de carro, até junto do cemitério, a admirar a paisagem, mas não arrisquei ir mais além. As vistas magníficas sobre o Rio Sabor e os vestígios rupestres de Vale de Figueira, serão um bom motivo para voltar à Cardanha.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Ser ou estar
Um dos comentadores do blog "À descoberta de Torre de Moncorvo" fez questão em afirmar que, da sua geração, será o único a residir em Moncorvo. Ainda que seja uma afirmação categórica, e não estatisticamente comprovada (haverá gente da sua geração, que é a minha, que se manteve na terra, embora num registo não académico e, porventura, honradamente proletário), não deixa de ser motivo de reflexão.
Com efeito, na esteira de Kierkgaard, em conceito mais tarde desenvolvido por Eduardo Lourenço, eu nunca saí do lugar onde tantas e tantas vezes regresso. Todas as viagens que faço é para um lugar de que sou, embora não seja um lugar onde estou.
O problema de ser e estar tem originado reflexões pertinentes, nomeadamente na filosofia alemã de Heidegger.
Mesmo em termos linguísticos o ser e o estar só são distintos no português, no castelhano e creio também no italiano. Quanto ao francês e ao inglês, être e to be são a palavra única para ser e estar. O mesmo acontece no alemão.
Já me ia afastando do que me provocou este post : eu sou de Moncorvo, embora não esteja em Moncorvo.
Gostaria, após este pequeno e discutível comentário, lembrar o excerto de uma intervenção do historiador e grande medievalista José Mattoso ao receber o Prémio Latino (um prémio de grande prestígio) no ano passado. Escreve José Mattoso: "Muitas vezes me apeteceu dizer, como o profeta Elias quando iniciou a sua caminhada no deserto e, cansado da sua luta contra a idolatria, pedia a Deus a morte: " Já basta, Senhor, pois não sou melhor do que os meus pais" (1 Reis,19.4)
Também nós, quando recordamos as esperanças dos anos 60, e as comparamos com a multiplicação da actual violência e da injustiça, perguntamos para que valeram os nossos esforços. Mas, se, olharmos à nossa volta, nos sentirmos irmãos dos atormentados pelo desejo da verdade, irmãos dos desesperados pelas suas próprias contradições ou inseguranças, e formos capazes de descobrir, nascidos, não se sabe como, num mundo sombrio, os que persistem em cultivar a infinita variedade de formas que revestem o amor, a justiça, a esperança, a beleza, a alegria, a paz; se aprendermos a ver, com os que sabem olhar através da espessa camada da vulgaridade quotidiana, a maravilha do que é justo e simples, deixamos de lamentar a frustração das esperanças".
Parecendo que nada tem a ver com o blogue, este excerto tem tudo a ver com a descoberta de Moncorvo, ou seja, com a descoberta de nós próprios através de um espaço tão real quanto simbólico. Libertos da "vulgaridade quotidiana", cultivemos a essência, residentes interiores na nossa descoberta, simultânea da nossa procura.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Maravilhas da Natureza

Fiquei"ciumento" com o fel-da-terra (Centaurium umbellatum Gilib) do vasdoal, de modos que decidi tirar do baú das memórias (não tão distantes) esta preciosidade, que captei quando subi à Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça.
De joelhos, estamos mais próximos da Natureza. E estou a falar no sentido literal. Esta é uma pequena planta, de que não conheço a classificação botânica, mas é uma Liliaceae, parente muito próxima do alho e da cebola. Em segundo plano, como cenário, hipericão (Hypericum perforatum), chá muito apreciado, que ainda ninguém se lembrou de postar.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Baganha
A canalhada caiu na vinha como um bando de tordilhos. Algumas parreiras ficaram sem poder mostrar os olhos brancos de sumo ou tintos de solidão. Mesmo os cachos de quilhão de galo, sempre camuflados de folhas, foram limpos num instante! Lá irão ficar mais uns espaços no forro da sala, anualmente preenchidos pelas passas.Não foi necessário muito tempo para que estes incréus trepassem ao lodão plantado ali na canada ao pé da vinha. Era sempre esta jangada que os salvava de uma torrente de ira que o Tio Russo transbordava pela face, ao vê-los deslizar da vinha para o abrigo aéreo. Não hesitou. As pedras voavam por entre o palpitar da árvore, até pintar de vadiagem a ponta dos ramos. Os olhos negros da miudagem já se confundiam com as bagas mais maduras que eram engolidas com caroço e tudo, substituindo uma qualquer chiclete anti-nervosismo.
Já cansado de tanto arremesso, reparou no pelotão desorganizado de sapatos, chinelos e chanatos a decorar o pé da árvore. Enfiou-os todos numa vara, como se fosse numa pescaria invulgar.
- Num tindes bergonha, seus badios?!
- Não, não, Ti Quilhão! Temos é baganha!
- Ai sim! Então vão já pagar as vacas ao dono!
Pegou na espetada de calçado e atirou-a ao Douro que já estava à espreita ali a uns metros. Os peixinhos mais vulneráveis iriam ter uma casa nova.
Depois desta despedida do dono da vinha, o frio e a corrente das águas impossibilitaram qualquer mergulho para salvar os barquinhos de cabedal. Tiveram de ir para casa de focinho no chão a contar as pedras que se alojavam entre os dedos dos pés.




















