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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Vale da Vilariça


Entre a Foz do Sabor e as Cabanas de Cima, olhei em direcção à Quinta da Portela. O cenário parecia uma pintura a óleo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Torre de Moncorvo - Anos 80


Torre de Moncorvo - Anos 80

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Afonso Praça homenageado

A vasculhar papéis, descobri a mensagem que o Afonso Praça enviou quando foi homenageado pela Câmara Municipal de Moncorvo, no âmbito do 7º centenário da vila. Coube-me a mim ler a mensagem do Afonso, já que ele ,or motivos profissionais, ão pode vir a Moncorvo. A cerimónia decorreu no Cine-teatro. Pela importância e significado do texto que nunca foi publicado e apenas uma vez, por mim, lido, aqui o deixo a todos os frequentadores do blog. O texto é uma imagem quase perfeita daquilo que era o Afonso Praça. É um texto, na minha opinião, particularmente valioso, para a memória do concelho de Moncorvo. Então aqui vai:

"Decidiu a Câmara Municipal de Moncorvo celebrar o 7º centenário da Vila, aproveitando a oportunidade para, segundo palavras do presidente do município, prestar "homenagem pública a alguns 'filhos da terra' que, de algum modo, se tenham superiorizado nalgum ramo de actividade"
Mentiria se não dissesse que fiquei surpreendido ao ver que o meu nome fora incluído na lista dos alvos da referida homenagem pública, mas seria falsa modéstia escusar-me à distinção. Sem curar de saber quais os critérios que presidiram à elaboração da lista, na qual o meu nome é incluído, terei de afirmar, no entanto, que muito me sensibilizou tal decisão e por dois motivos:primeiro , porque a iniciativa partiu da Câmara Municipal, um órgão do poder local, livremente eleito pela gente da minha terra; segundo, pela boa companhia que, na lista, me é oferecida, entre moncorvenses que, na verdade, muito se têm distinguido nos respectivos campos de actividade, alguns dos quais eu conto entre os meus melhores amigos.
Não quer isto dizer que eu mereça a distinção. Pelo contrário, estou sinceramente convencido de que a lista, além os inevitáveis pecados de omissão, contém um erro de monta: o meu nome.
Mas enfim, uma vez que o mal está feito, aos responsáveis resta a obrigação de se penitenciarem e, a mim, empurrado para estas lutas de evidência que não pedi, não esperava e nem sequer mereço, o dever de endossar a mercê a todos os meus conterrâneos sem excepção, aos do Felgar e aos vizinhos, embora me fosse grato referir alguns em particular, nomeadamente os que já não pertencem ao número dos vivos.
Nenhum homem existe isolado, nenhuma vida se constrói no vazio, sem alicerces e fora de um contexto. Por isso, neste momento a que a Câmara da minha terra quis imprimir solenidade, gostaria de invocar, se mo permitem, a memória de meu pai, lavrador por destino e homem de sete ofícios por necessidade, que morreu uma semana depois de eu ter partido para a primeira viagem pelo mundo, ainda menino, a merenda na taleiga, uma cântara de barro cheia de água fresca do chafariz do Felgar. Gostaria ainda de recordar minha mãe, tecedeira, que ao tear consumiu a vida e que, hoje, muito velha e quase cega, vive em Lisboa um exílio todo feito de saudades dos montes da nossa terra. E homem de palavras que sou, já que a palavra é a ferramenta indispensável ao duro ofício de jornalista, quero aproveitar a oportunidade para lembrar o professor que me ensinou a ler: Amândio Augusto Cosme, natural do Souto da Velha.

Se bem ajuizo, a homenagem que a Câmara Municipal de Moncorvo decidiu prestar a alguns 'filhos da terra', neste ano em que se comemora o 7º centenário da fundação da vila, contempla moncorvenses que, por um motivo ou por outro, têm de desenvolver a sua actividade longe da terra que os viu nascer.
Por mim, gostaria que a homenagem juntasse no mesmo abraço todos os moncorvenses, e ainda os que, sendo de fora, elegeram esta terra para terra sua. Mas apegando-me à letra da decisão da Câmara, não posso deixar de repartir a parte que me toca com os filhos da minha terra que foram obrigados a partir, muitas vezes em circunstâncias dramáticas, à procura de melhor vida noutras paragens -- nas Américas, na África e na Europa. No mundo.
É provável que nem todos se tenham superiorizado no seu ramo de actividade, passando ignorados e esquivos,como clandestinos. Mesmo assim, deixem-me que afirme que muitos foram superiores na força de vontade, na coragem e na aventura.

Se puder, um dia regressarei a Moncorvo, ao Felgar, mas não é provável. Os homens, como as árvores, também se habituam à terra para que foram transplantados. Mas ao contrário das árvores, os homens não esquecem nunca a terra onde criaram as primeira raízes.
Afonso Praça"

Castedo


Pormenor em granito do pórtico da porta principal da igreja do Castedo.

domingo, 10 de agosto de 2008

Futebol feminino




Equipa de futebol feminino do Santo Cristo que, com muito mérito, conquistaram a taça, em Zedes, no dia 10/08/2008.

sábado, 9 de agosto de 2008

Receita Tradicional - Ovos Doces


DEITA-SE ÁGUA E ACÚCAR NUMA SERTÃ.DEIXA-SE DISSOLVER O ACÚCAR.PARTEM-SE OS OVOS PARA DENTRO, E DEIXA-SE COZER.COMEM-SE COM PÃO. É COMIDA FORTE, USADA DURANTE O INVERNO.CONFECCIONA-SE E COME-SE NO MOMENTO.

CULINÁRIA TRADICIONAL TRASMONTANA - 1.ª RECEITA

Junqueira

Captado numa rua da Junqueira, a 24 de Maio de 2008.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Agarrado à vida

Cabeça de Mouro, 01 de Junho de 2008.

sábado, 2 de agosto de 2008

À memória do Urgel

Ao chegar de Agosto, fazia as malas em Lisboa e regressava à aldeia, a Peredo dos Castelhanos, sempre para o encontro marcado com o Urgel, vindo de França. Era um ritual que se repetia há anos. Trazia-me sempre um maço de cigarros Gitanes e bebíamos, ao correr do tempo, cerveja.
Até para o ano. Mas este Agosto, com ida que vou adiando, vai ser diferente. O Urgel morreu. Só muito mais tarde o soube. Hoje a sua ausência é em mim uma presença que queima. Como que a aldeia e Agosto já não são os mesmos. O Urgel é uma amizade antiga, tão amigos que ocultávamos, por pudor, também por timidez, a intensidade dos afectos. Amigos de aldeia quando, de tão crianças, ainda parecemos felizes, durante anos os nossos caminhos não se cruzaram. Soube que foi à guerra e na guerra, creio que em Moçambique, foi condecorado. Salvara da morte, abnegado e generoso como sempre foi, o seu pelotão. Nunca se julgou um herói. O que ele fez, fê-lo pelos outros, como faria pela vida inteira. Foi o solitário mais solidário que eu conheci até hoje. Os pais foram convidados pelo Governo a ir passar férias com ele a Moçambique.
Terminada a tropa, regressou à aldeia. Trazia com ele uma condecoração e nada.
O mundo diferente, a amargura e o sofrimento dos dias passados, já lhe tornavam impossível regressar à pureza inicial da aldeia. Partiu para a França. A memória, a solidão, o álcool e o desemprego às vezes, iam-no corroendo lentamente. Nunca casou nem amores se lhe conheceram.
A última vez que o vi, no Agosto passado, os cabelos brancos, mas ainda crespos, o rosto um mapa enrugado, mas sempre disponível para todos, anunciava já um fim precoce.
Este mês, Urgel, quando chegar à aldeia, beberei cerveja como se estivéssemos juntos, numa conversa cheia de silêncios, e acenderei um Gitanes. Já que não consigo ser tão solidário como tu, permite-me ao menos que recorde para sempre, com lugar cativo na minha memória, a tua bondade. A tua presença na tua ausência.

Pedro Castelhano

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Torre de Moncorvo - Muralha do Castelo



Torre de Moncorvo - Muralha do Castelo

Carviçais


Algumas das coisas que me chamaram à atenção, na minha primeira visita a Carviçais.
27 de Julho de 2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Igreja matriz de Torre de Moncorvo



Igreja Matriz de Moncorvo templo de maiores dimensões em Trás-os-Montes - Nossa Senhora da Assunção - fachada principal ao nascer do Sol

Torre de Moncorvo


segunda-feira, 28 de julho de 2008

Os tons do estio, em Mós


Em redor da Capela de Santa Bárbara, avistam-se quilómetros de montes e vales. Aos tons frios do horizonte, misturei as cores quentes do primeiro plano, com flores secas, de cardos. Espinhosas, recortadas, cheias de sementes mais leves do que as nuvens, mais suaves do que a seda .
De um ponto tão elevado, compreendemos um pouco a razão da importância de Mós na história.
Basta levantar os braços e deixar-se levar, encosta abaixo, serpenteando os montes, qual ribeira, de encontro à passagem estreita que rasga as fragas, antes de se fundir nas água já sempre domesticadas do Douro. Ou então, visitar Santa Bárbara, última guardiã dos altos, agora já sem castelo.
Adoura-se a erva com o estio, mas com ele vem a festa, a devoção, a procissão, a música, o arraial. Assim como as estações vão dando lugar umas às outra sem se esgotarem, também nós, vimos e partimos, nascemos e moremos, mas as aldeias permanecem, lutando como os cardos, que esperam pelas chuvas que farão de novo brotar flores.

domingo, 27 de julho de 2008

Erva quê?

Para os botânicos, aqui está uma nova espécie de gramíneas!
Terá vindo de onde? Ao menos que destrua a recente praga da vinha!
Açoreira, Torre de Moncorvo

sábado, 26 de julho de 2008

À distância de um olhar

É realmente fantástica a beleza que nos espera na beira da estrada, quando circulamos de carro! Olhando o que está mais próximo, ou desviando o olhar para o horizonte, explorando o pormenor ou o infinito. Foi o que eu fiz enquanto descia de Estevais até à Quinta da Portela. Com algumas fotografias fiz este arranjo. Pode ser que alguém goste dele para "papel de parede" do seu computador.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Olhos postos no futuro

Cardo - de - Santa Maria
Açoreira.

memórias de um rio


quarta-feira, 23 de julho de 2008

À Descoberta de Estevais


No dia 7 de Junho de 2007 fiz uma curta passagem por Estevais. Eram sete da tarde e o sol que pairava sobre Vila Flor, trespassava a verdura da beira da estrada com os seus "sabres" de luz. Alguns pardais, atrevidos e alegres, penduravam-se nas espigas de um campo de aveia perto de cemitério. Os zimbros, abundantes por aqui, ganhavam tamanho, formas dignas de Cervantes, recortadas conta o azul difuso do Vale da Vilariça.
No povoado, tudo era calma. Uma velhinha, com um lenço ainda mais negro do que as suas roupas colocado desleixadamente sobre a cabeça, gozava a paz do entardecer, sentada numa cadeira de madeira.

Do meio de algumas ruínas e casas velhas saiu um jardim! Um jardim repleto de rosas, com cores vivas, daquelas que nem a câmara do Xo_oX regista. Havia tufos de mil e uma flores, de mil e uma cores, do azul carregado, ao branco puro da açucena. Estavam combinados os factores para um quadro de encantamento: luz, cor, silêncio e isolamento.
Captei rapidamente o momento com medo que a pouca luz se deixasse vencer pelo batalhão das cores, tornando-se estas mais saturadas, mas impossíveis de diferenciar no reino das sombras. Vaguei pelo centro da aldeia, qual mariposa tonta, em busca do néctar da vida.
Entrei na pequena capela, cheirava a limpeza recente. O chão granítico favorecia a frescura e as açucenas e malmequeres enchiam o pequeno espaço de perfume e as flores dos vasos cimeiros, artificiais, de inveja. Apesar do ar deteriorado das paredes a capela tem um altar muito bonito. Depois do vermelho e dourado da igreja da Cardanha, venho encontrar aqui o azul e o dourado, que não é uma pior combinação.

Ao centro está Nossa Senhora. Parece-me Nossa Senhora do Rosário que me lança um olhar de surpresa e de agradecimento. Surpresa pela minha presença neste local singelo e distante, agradecimento pelo meu respeito e veneração.
Segui em direcção à igreja, onde se venera S. Ciríaco. Admirei o seu campanário com pináculos e uma cruz ao centro. Admirei as suas linhas singelas de igreja do século XVIII, com alterações recentes, com o sol a iluminar o frontispício, que se elevava acima do mundano circundante. Continuei em frente. Entre algumas casas novas e palheiros com cheiro a estrume, cresciam mais algumas açucenas. Sentei-me num muro semi-destruido admirando a Criação. Só um grupo de privilegiados podem viver com tanta paz. Só um grupo de mais pequeno de eleitos podem parar para admirar e reflectir sobre isso.

Foi envolvido pela melancolia da magia das oito horas da tarde que cheguei ao Miradouro de S. Gregório. O silêncio era tanto que o obturador da máquina parecia um trovão! Era a hora de recolhimento e introspecção. Senti-me ganhar asas e parti por sobre o Sabor de encontro ao do Reboredo. Escorreguei pela cintilação da encosta e molhei os pés na Foz. Nadei no brilho das folhas das vinhas das Cabanas e desmaterializei-me, vale acima, perdendo-me numa brisa que subia a Serra de Bornes.

Entrei no carro, e, lentamente, regressei a casa, com medo de perturbar a harmonia do vale que, pouco a pouco se entregava à sombra, rendido, enfeitiçado pelos últimos raios de sol que douravam as espigas na beira do caminho.

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