torredemoncorvoinblog@gmail.com

domingo, 26 de outubro de 2008

Fonte da Lamela/Fontela?


O diálogo sobre a fonte que existe junto à estrada nacional no Carvalhal está tão interessante, que não resisto a colocar mais uma fotografia. Esta permite ler a inscrição que dá algumas pistas da sua origem.

É verdade que a linha chegou a Carviçais em 1911 e a fonte tem gravado o ano de 1744! Porque picaram a coroa do rei de Portugal? A fonte foi mesmo propriedade da CP? Estas e outras questões são muito interessantes. Não esqueçamos que o Blog se chama À Descoberta...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Recordações da amêndoa

Recordo-me perfeitamente do tempo e em que circunstâncias foi tirada esta fotografia.
Um dia, tinha eu publicado um livro de poemas, o Fernando Assis Pacheco quis-me conhecer. Era jornalista na República com banca ao lado do Afonso Praça. E o Praça disse-lhe que eu estava colocado como professor em Moncorvo. E aí vem o Assis, durante uma semana, a fazer seis ou sete reportagens sobre Moncorvo para o República. Ainda hoje são o grande retrato de Moncorvo, três ou quatro meses antes do 25 de Abril. Estávamos em Fevereiro de 74. Vem com ele, como fotógrafo e guia na geografia física e humana de Moncorvo, o Leonel Brito que tem mais de 50 fotografias da vila e de aldeias naquela época. São dois retratos notáveis de Moncorvo e dalgumas das suas aldeias. Esta fotografia trás-me à memória muita história ligada à amêndoa. Reconheci de imediato pelo menos duas pessoas, ainda vivas. A pessoa do meio suspeito quem seja, mas não tenho a certeza.
A amêndoa era o ouro do Peredo dos Castelhanos. Só se começava o varejar em 15 de Agosto, com a presença da GNR. Ficava depois, para os pobres, muitos pobres, o "rebusco". Os estudantes, e havia muito estudante na aldeia, roubavam alguns quilos de amêndoa já em grão que vendiam ao Tenente de Urros ou ao Basílio. Durante um mês ou dois, no Porto ou em Foz Côa onde havia uma grande comunidade de peredanos, viviam à grande e à francesa.
A reportagem de que esta fotografia faz parte modificou a minha vida. Fui convidado pelo Assis (mais tarde meu compadre) para ingressar nos jornais. Deixei uma paixão e adquiri um vício. É pena, mas aconteceu. Como diria o beato Gugu (Guterres): - É a vida...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

fonte no Carvalhal

No Carvalhal, freguesia do Felgar, não há só muitos carvalhos, aprecio com apetite o pão, a bola de azeite, às vezes alguns económicos, mas nunca passo no Carvalhal sem encher alguns garrafões de água nesta antiga fonte que está na fotografia. As barragens abundam por todo o vale da Vilariça, só a qualidade da água é cada vez pior. Porque será?

domingo, 19 de outubro de 2008

Cardoso Pires em Moncorvo

Esclarecidos os equívocos, em que não há inocentes, mas também não há culpados, por isso mesmo se chamam equívocos, regresso ao blogue com memórias de José Cardoso Pires sobre cuja morte já passaram 10 anos (exactamente em 26 de Outubro).
Às vezes diz-se: celebram-se 10 anos sobre a morte. Como se lembrar a morte fosse motivo de celebração.
Há anos, já não me recordo do ano, o presidente da Câmara, Aires Ferreira, pediu-me se conseguia algum escritor que pudesse vir a Moncorvo falar do 25 de Abril
Lembrei-me de José Cardoso Pires, então o nosso mais nobelizável (não fosse a força espanhola, via Pilar, a apostar em Saramago), por quem um mantive até à sua morte, uma profunda, muito profunda amizade. Creio que este sentimento era recíproco. Tenho provas para tal.
O José Cardoso Pires já tinha um compromisso para uma conferência na Alemanha. Cancelou o compromisso para vir a Moncorvo. Um carro da Câmara foi buscá-lo a Lisboa, e à Edite, a sua mulher. Eu vim no meu próprio carro.
A conferência numa parte, a menor, do Cine-Teatro, foi no hall que dá para o primeiro balcão. Cardoso Pires falou sobre a Censura, antes e depois do 25 de Abril. Na assistência, escassíssima, estava um informador da Pide. Só mais tarde lho disse porque temia a sua reacção se o soubesse no decorrer da conferência. Nem hoje direi o nome. Paz ou guerra à sua alma que a misericórdia também tem limites.
Acabámos a noite no Noitibó (o primeiro bar-discoteca que houve em Moncorvo), que então era do Miranda e tinha o Aires como empregado. O Aires colocou uma Martin's de 20 anos (o tal Martins judeu de Trancoso que fugiu para a pérfida Albion) no balcão e estava proibido pelo Miranda de permitir que o copo do escritor estivesse vazio.
Mais tarde o Cardoso Pires perguntar-me-ia se o Miranda não se importava que um dia fosse personagem de uma ficção sua.
Já regressou muito tarde à Residencial Passarinho. A Edite já dormia. Eis senão quando se ouvem uma guitarradas. Tinha começado uma serenata ao Cardoso Pires. À viola (e disse guitarradas porque violadas na noite poderia ter outra leitura), o engenheiro Sendas (já falecido) e nos trinados, em voz aguda, o Artur Paiva, bancário, e o comandante da GNR, natural de Parada e cujo nome, de momento, esqueci. Para ele estava proibido o balão.
O Cardoso Pires veio à janela agradecer e a Edite já não conseguiu dormir até de manhã.
Várias vezes o Cardoso Pires contava este episódio. Dia 26, vai ser homenageado, com a presença do Presidente da República, em Vila de Rei, o concelho da sua aldeia, o Peso.
Um dos maiores romancistas do último século veio a Moncorvo e pouca gente notou. L'air du temps. Ai! se fosse o Tony Carreira...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Torre de Moncorvo - centro


Torre de Moncorvo - Panorâmica

Torre de Moncorvo


sábado, 11 de outubro de 2008

em prisão preventiva


Junto ao edifício do Centro Social e Paroquial do Larinho.
02-10-2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Isto de viver em Lisboa

Andando eu com o Leonel Brito (encontrámo-nos de propósito há dias em Lisboa) à procura de darmos algo ( gratuitamente, é bom que se sublinhe) a Moncorvo, nas correspondências a que vou tendo acesso acabo por perceber que chego a Moncorvo e regresso a Lisboa e esqueço-me de Moncorvo. É uma ideia e eu tolero sempre a ideia dos outros. Por outro lado, registo, sem qualquer juízo de valor, que, de quando em quando, "escrevo uma coisas". Não é opinião que me incomode, mas é opinião que registo. Poderia, não fosse parecer-me inútil, enunciar algumas coisas que fiz e tenho feito (graciosamente, insisto) por Moncorvo e pela sua imagem. Mas não vale a pena. Não devo nada a Moncorvo, insisto, nem um favor, nem uma cunha, nem uma benesse. Mas também Moncorvo não me deve nada. Neste capítulo estamos, pois, quites. Como dezenas e dezenas de moncorvenses vivo fora da vila. Ninguém se interroga pelo que os outros têm feito pela memória de Moncorvo. Passarão por lá uma semana de férias, mais como detentores de uma nostalgia revivalista do que numa perspectiva de presente ou num olhar de futuro. São mais cómodos e são mais pacíficos. O Moncorvo deles é o Moncorvo que eu quero que não seja. Estamos com um projecto, o Leonel e eu, de que não queremos nem um euro. Vale a pena? Temos as nossas vidas e damos semanas das nossas vidas ( graciosamente, insisto) à memória de Moncorvo. Valerá pena? Eu sei que santos da terra não fazem milagres. Mas eu não sou santo, nem sequer acredito em milagres. Não sou sombra de ninguém e também não sou luz. Gostaria, isso sim, de dar a Moncorvo, o que Moncorvo não me deu, eu que "escrevo uma coisas" e (não) me esqueço de Moncorvo. Peço desculpa por usar esta blogue para uma reflexão que a única pessoa que pode ferir é a mim mesmo. Necessito de dizer aos meus companheiros de blogue que é esta a última intervenção a que vos obrigo. Isto de escrever uma coisas não cabe na dimensão literária, ética e estética deste blogue.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Rua de Mós


Bonita rua de Mós, onde as casas recuperadas convivem harmoniosamente com as mais antigas.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

É vinho


A sair do lagar para o pio. Ainda não é vinho, já não é sumo, é uma promessa.
Dia 2, no Larinho.

sábado, 4 de outubro de 2008

O Nascer do Dia - A TORRE



TORRE DE MONCORVO - [O Nascer do dia] - A TORRE

Panorâmica do Larinho


Na minha primeira visita ao Larinho fui positivamente surpreendido. Em primeiro lugar pela simpatia das pessoas, que me mostraram recantos da sua aldeia com muito carinho e entusiasmo. Depois porque estava à espera de uma pequena aldeia, cinzenta, deserta e encontrei uma aldeia com espaços amplos, com muitos motivos de interesse e ainda muito povoada.
Tenho pena de não ter conseguido encontrar a ponte romana, mas esta é uma boa "desculpa" para voltar ao Larinho, para captar outros pormenores que me escaparam nesta primeira visita.
A fotografia de hoje é a "colagem" de quatro fotografias, tiradas de junto da capela de Santa Bárbara.

(nota: estou com dificuldades em arranjar um site onde alojar imagens maiores do que o normal; O Blogger apenas aceita imagens até 1600 pixels. Se alguém tem conhecimento de algo melhor, agradeço a informação. O Panoramio, sítio que usei até hoje, deixou de permitir colocar as imagens, aqui, no Blogue).

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

No reino de Baco

Uma visita ao Larinho, levou-me a presenciar algumas fases do tratamento do vinho, num lagar tradicional. Grande parte das uvas do concelho já estão vindimadas, mas no Vale da Vilariça, a colheita continua.
A quantidade de uvas é boa e o tempo seco que se tem feito sentir talvez ajude a qualidade dos vinhos. Ficamos a aguardar...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

a fraga do arco - Maçores


Na impossibilidade de ter ido com a malta do museu do ferro, decidi ir este domingo à Fraga do Arco.
Até o António (jr) gostou da aventura. Assim fica a saber que não é só nas esplanadas que se tiram fotografias.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Cabeça de Mouro


Cabeça de Mouro, visto à distância.
01-06-2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Gente do Norte

Em 1977, com apoio da Gulbenkian, o Leonel Brito na realização e eu, no argumento, realizámos um documentário sobre Moncorvo, intitulado Gente do Norte. Além do Prémio da Crítica Internacional do Festival da Figueira da Foz, o filme correu mundo, foi passado na televisão e ganhou vários prémios. Do filme existe ainda uma cópia em bom estado que nós vamos recuperar para um projecto que ainda está no segredo dos deuses. Mais tarde contaremos o que está acontecendo. O projecto, com uma grande, grande probabilidade, envolverá o nosso amigo Nélson. Mas ainda é cedo para falar nisso. Deixo-vos de qualquer modo a letra da canção do filme, escrita, musicada e cantada por José Mário Branco, editada então num single, hoje raríssimo. Ando a ver se o consigo passar do vinil para o CD. Tenho esperanças. De qualquer modo aqui vos deixo já a letra:

Moncorvo terra e gente
pobre-rica, rica-pobre
nobre serva, serva nobre
entre passado e presente
entre presente e ausente
Foi das pedras
foi das pedras e das águas
do calor, do rosmaninho,
foi da torga, foi das fráguas
que nasceu
este império pequenino
Foi do sol
foi do sul e foi do gelo
foi do sonho e da roda
do Picôto e do Covêlo
que nasceu
este império à nossa moda


Moncorvo torre e gente
pobre-rica, rica-pobre
nobre serva serva nobre
entre passado e presente
entre presente e ausente
Foi do calo
foi da pedra descoberta
da terra desempedrada
que nasceu
esta mina já deserta
Foi do roxo
foi do arrojo e do Douro
do tesouro de caliça
foi do velho e do vindouro
que nasceu
o sangue da Vilariça.


José Mário Branco fez-se acompanhar pelos músicos José Pratas, Luís Pedro Faro e Carlos Guerreiro.
Gostaria em tempos próximos de oferecer um CD desta canção ao Nelson que pode publicá-lo no nosso blogue.
Estamos a recuperar também, eu e o Leonel, alguns filmes para a televisão que fizemos, com texto meu, como "Estevais, Ano Zero", a "Encomendação das Almas", com intervenção filmada (o que é raro) do padre Rebelo, "Artes e Ofícios", com uma tecedeira do Felgar que era a mãe do Afonso Praça e ainda um filme que deu polémica e debates na televisão sobre "Guerra Junqueiro".
Há tempos que não escrevia para este blogue, mas está-me a parecer que a preguiça, sendo um fenómeno nacional, também nos atacou a todos. Um abraço deste exílio citadino.

Armando Martins Janeira - actividades a não perder !




Vejam também o site dedicado a este ilustre Moncorvense, que foi embaixador de Portugal no Japão e insigne japonólogo, em:

http://armandomartinsjaneira.net/

(clique nas imagens para aumentar)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Carviçais


Cruzeiro em Carviçais.
27-07-2008

eXTReMe Tracker