18 de Janeiro de 2009
8 de Fevereiro de 2009
N.º de postos – 120
Data limite de inscrição – 14 de Dezembro de 2008
Taxas – Tipo A: 30 €; Tipo B: 40 €; Tipos C e D: 60 €

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Quando estudava em Évora nos inícios dos anos 60, tinha que vir de comboio; Évora , Barreiro (barco), Lisboa, Porto, Pocinho e finalmente o Alto da Ventosa. Em Fevereiro de 74 ainda era uma aventura africana ir da capital do império a Moncorvo. Agora, abro a net e vou à Moncorvo da minha infância e de sempre. Atrás do adro, quando o largo ainda era um terreiro e brincava à d'Artagnan com o sabre do guarda Redondo, depois de o Sr. Moreira passar mais um filme de capa e espada, no cine-teatro, o quartel da guarda era o meu castelo. Hoje é a fortaleza do ferro. E como também a casa onde nasci é hoje o Centro de Memória, tudo são razões para eu dar o meu contributo.
E como só se lembra dos caminhos velhos quem tem saudades da terra , envio uma reportagem do Assis Pacheco, de 20 de Fevereiro de 74, onde fala da partidela da amêndoa no Peredo dos Castelhanos, a terra do Rogério.

Leonel Brito
Realizou-se no passado fim de semana, em Torre de Moncorvo, uma jornada micológica, com recolha de cogumelos na zona da serra do Roborêdo e sua posterior observação, identificação e comparação no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, como se pode ver no seguinte link: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2008/11/1-passeio-micolgico-organizado-pelo.html


Dos jardins do Museu, em amplo cenário, divisa-se a Serra, como um vagalhão oceânico abatendo-se sobre a vila.
A Serra, nesta fase do ano, torna-se camaleónica, ora envolta em avalónicas brumas, ora brilhando com revérberos de vinho generoso, sob a luz magnífica de Novembro, brincando às escondidas com as nuvens, num jogo caprichoso de luz e sombras.


A Lenda de São Martinho - Diz a lenda que um cavaleiro romano, viu um velho mendigo cheio de fome e frio, quase nu. O dia estava chuvoso e frio, e o velho mendigo estava encharcado. O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar as pessoas mais pobres. Então, ao ver aquele mendigo, ficou cheio de pena e cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada, dando metade da ao mendigo e partiu. Passado algum tempo a chuva parou e apareceu no céu um lindo Sol.No dia de São Martinho, a 11 de Novembro, fazem-se os magustos, tradição que remota de há muitos anos, fogueiras ao ar livre, reunindo-se familiares e amigos enquanto as castanhas estalam na fogueira. Comem-se castanhas assadas acompanhadas de vinho novo, jeropiga ou água-pé. Já o velho ditado diz:
Alguns dos Provérbios do São Martinho:
- No dia de S. Martinho vai à adega e prova o teu vinho.
- Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro.
- Dia de S. Martinho fura o teu pipinho.
- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
- Se queres pasmar teu vizinho lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
- Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Pelo S. Martinho, prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano.
- Pelo S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho.
Imagens estas que vejo todos os dias; montes e verde que rodeiam o rio, que um dia ficarão apenas na memoria e numa fotografia. 
Antes do jogo Peniche-G.D.Moncorvo, que seria ganho pelos moncorvenses (1-3). Foto cedida pelo Sr. Paulo/Tropicália, a quem agradecemos.
Taça Portugal (3.ª eliminatória): Torre de Moncorvo segue em frente
O Torre de Moncorvo, da III Divisão, garantiu, este domingo, a continuidade na Taça de Portugal, depois de derrotar, em jogo em atraso da terceira eliminatória, o Peniche, por 3-1.
Com este triunfo, o Moncorvo ganhou o direito de defrontar o Vitória de Setúbal, da 1ª Liga, em jogo agendado para 19 de Novembro, que encerra a quarta eliminatória da Taça de Portugal.
in: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=125&id_news=358052
Definição de nova data, segundo notícia do "Record":
JOGO DA TAÇA em Moncorvo no dia 27 - Falta apenas a confirmação federativa
V. Setúbal e Torre de Moncorvo chegaram a um acordo praticamente definitivo sobre a data do jogo da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal: 27 de Novembro, quinta-feira, às 19.30. A data, a três dias da disputa da 10.ª jornada da Liga, carece ainda de confirmação por parte da federação.
in: http://www.record.pt/noticia.asp?id=811722&idCanal=23
Do jornal O Setubalense, de 14.11.2008:
(...) Finalmente, na quinta (dia 27) para a Taça de Portugal Millennium, e agora sim data confirmada pela FPF depois das hipóteses avançadas de 19 e 20 (esta última entretanto abandonada porque coincidia com a data de aniversário do Vitória), em Torre de Moncorvo, às 19.30h, a resolução da eliminatória com o vencedor deste desfecho já com adversário à espera, saído do sorteio que hoje mesmo, no auditório da FPF, se realiza.
In: http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?idEdicao=251&id=9155&idSeccao=2073&Action=noticia
Para saber mais sobre o GDM, clicar em: http://www.zerozero.pt/equipa.php?id=3611
... E veja a grande reportagem sobre o GDM, no Jornal de Notícias on line, de 18.11.2008: http://jn.sapo.pt/paginainicial/Desporto/interior.aspx?content_id=1045873
Para ver as fotos da mesma edição do J.N., clique neste endereço: http://jn.sapo.pt/multimedia/galeria.aspx?content_id=1046025
Realizou-se neste fim de semana (dias 8 e 9) a tradicional festa de S. Martinho de Maçores. Apesar do dia de preceito ser o 11 de Novembro, os organizadores resolveram antecipá-la por calhar em dia de semana (também aqui a tradição a ceder aos ritmos dos novos tempos…)
Continuou a fazer-se a ancestral “procissão” com o caldeiro cheio de vinho, pelas ruas da aldeia, com acompanhamento do gaiteiro vindo das terras de Miranda, e o magusto colectivo nas Eiras. A animação nocturna ficou a cargo do impagável Quim Barreiros (que já aqui tinha actuado há poucos anos) e de um conjunto da região, isto além do programa religioso.
Mas, aproveitando o tema, será bom recordarmos excertos de um texto do nosso saudoso mestre Padre Joaquim M. Rebelo, incluído nas Actas de um congresso intitulado: “A festa popular em Trás-os-Montes”, realizado em Novembro de 1993 (a publicação é de 1995). Começando pelo princípio, aqui vai:
“Resumo biográfico de S. Martinho
S. Martinho nasceu na Panónia (Áustria, Hungria?), cerca do ano 316, de pais pagãos. Depois de aos 18 anos receber o baptismo, renunciar à carreira militar e ter viajado pelo Oriente, onde se iniciou na vida monástica, fez, por algum tempo, vida de ermitão.
Fundou alguns mosteiros mas o mais famoso foi o de Ligugé (França) onde levou vida monástica sob a direcção de Santo Hilário.
Foi depois ordenado sacerdote e mais tarde eleito bispo de Tours.
Pregou o Evangelho pelos campos da Gália numa linha de extirpar os restos de paganismo, a superstição e a ignorância do povo e foi durante muitos séculos o santo mais popular da Europa Ocidental pela nobreza de carácter, pela sua bondade (a capa de S. Martinho…), humildade, etc..
Morreu no ano de 397.
A sua memória litúrgica é a 11 de Novembro.”
Ou seja, na sua biografia nada o relaciona com o vinho. Aliás, o padroeiro dos vinhedos do Douro, não é S. Martinho, mas sim Santa Marta (que, ao que conste, também não era nenhuma “borrachona”!...).
A associação de S. Martinho ao vinho parece derivar apenas do facto de o ciclo da fermentação e apuramento do mosto, transmutado em Vinho, se consumar por volta da data consagrada ao referido santo (a vida agrícola regulava-se pelo calendário a que o Cristianismo associou os seus santos mártires e festas litúrgicas, normalmente sobrepostas às festas pagãs pré-cristãs).
Assim, quanto ao S. Martinho, foi ainda o Pe. Rebelo quem recolheu os seguintes ditos populares: “Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho”; “No dia de S. Martinho (11/11) prova o vinho, mata o porco e põe-te de mal com o vizinho”; “No dia de S. Martinho (11/11), lume, castanhas e vinho”.
Mas, voltando à festa de S. Martinho de Maçores, devolvamos a palavra ao Pe. Rebelo, que a descreveu a partir de uma recolha que fez em 1990:
“(…) A festa mais (típica, semi-pagã) do concelho de Torre de Moncorvo, embora, ultimamente, esteja a ser adulterada com a introdução dos conjuntos musicais, é a do S. Martinho, freguesia de Maçores, que se celebra a 10 e 11 de Novembro (…).
‘É uma festa que nada se assemelha a das outras vizinhas’, diz-me um velhote a viver intensamente a festa.
‘Há três coisas que não faltam na festa – acrescenta o idoso – o vinho na caldeira, as castanhas e o gaiteiro’.
‘É uma festa muito alegre, até se diz que é a festa dos bêbados’.
No dia 10 chega o gaiteiro, ‘cuja chegada é anunciada com o estralejar dos foguetes’.
Depois o gaiteiro é ‘sorteado pelas mordomas para ver quem irá dar o alojamento ao mesmo’.
Logo que chega, o gaiteiro, acompanhado por ‘alguns homens de diversos níveis etários’, dá volta à povoação, não se calando até à hora do jantar (cear).
À noite, há o arraial com um ‘conjunto’ e a arrematação de prendas oferecidas pelas moças.
Dia 11 é o grande dia. Da parte da manhã, o gaiteiro percorre novamente as ruas tocando e os acompanhantes cantando e dançando.
De tarde há a missa e a procissão acompanhada pelo gaiteiro que toca canções religiosas, como o ‘Queremos Deus’, ‘Santos e Arcanjos’…etc.’
A seguir, para estes camponeses chega a parte mais importante da festa – o magusto, ‘porque, segundo o tal velhote, se o S. Martinho fosse vivo, era quem mais cantava e dançava’.
O magusto comunitário iniciou-se por volta das dezasseis horas. Antes, porém, o gaiteiro percorreu, novamente as ruas da aldeia acompanhado de muitos homens e rapazes com uma caldeira enfiada numa vara de cerca de dois metros de comprimento segurada por dois jovens, e na qual foi deitado o vinho oferecido pelos proprietários da terra.
A caldeira, que leva, talvez, mais de
E todos os estranhos que neste dia aparecem em Maçores são obrigados a beber de bruços na caldeira. Se não beberem mete-se-lhe a cabeça dentro da caldeira.
O cortejo encaminha-se para o lugar das Eiras, onde o magusto se vai realizar.
Durante esta ‘procissão’, que o gaiteiro e o povo fizeram pelas ruas da aldeia, antes de chegarem ao lugar do magusto, cantam quadras como estas:
Ai eu hei-de morrer na adega,
Ai o tonel seja o caixão
Ai o vinho seja a mortalha
Hei-de morrer com o copo na mão.
Minha sogra morreu ontem,
O diabo vá com ela,
Deixou-me as chaves da adega
E o vinho bebeu-o ela (…)
O cortejo chegou finalmente ao largo das Eiras onde se vai fazer o magusto. A palha espalha-se no largo e as castanhas, em grande quantidade, são lançadas nessa palha à qual se ateia fogo. (ver foto acima)
Os foguetes estralejam, as castanhas removidas por homens, com compridas varas, estoiram aqui e ali provocando a hilaridade que contagia velhos e novos.
As pessoas vão aproveitando, não há fronteiras sociais, para comerem as que lhes parecem melhores, deixando as glórias ou piadas (castanhas encruadas) e as queimadas.
(…) Entretanto, os rapazes, e não só, aproveitam o fim do magusto para enfarruscar sobretudo as raparigas, que lhes retribuem na mesma moeda ‘ficando negros como carvoeiros’. Entre uma gargalhada, uma castanha, um gole de vinho e uma enfarruscadela à parceira ou parceiro do lado, acaba o magusto.
Regresso à aldeia. E a festa continua pela noite dentro com o gaiteiro resfolegando e a malta, já meio enrouquecida, cantando”.
Desta feita, em 2008, já no século XXI, a festa perdura e ainda foi mais ou menos assim. Terminando com o Quim a debitar: “e o cavalo do teu pai, e a égua da tua mãe, e o porco do teu irmão, "…etc. para já não falar da sua mais romântica canção (diz ele): "quero cheirar o teu bacalhau, Maria!..."
Para o ano há mais!
Texto: N. Campos e Padre J.M.Rebelo, artigo citado (em itálico).
Fotografias: de autoria de Filipe Camelo, tiradas nos dias 8 e 9 de Novembro de 2008.
Nota1: Entretanto, pode visitar o fórum de Maçores (é preciso registo prévio): http://www.macores.pt.vu/
Nota2: ainda sobre este tema, pode ainda visualizar algumas excelentes fotos da festa de 2006, da autoria do nosso colaborador António Basaloco, em: http://www.antoniobasaloco.org/gentes97.htm
Moncorvo, com a camioneta de estudantes, era passagem.
Depois, a Sé, com a figueira, fez a aliança. Ainda bem que a fez.
Neste entretanto, a sul, em terras da planície,
com templos feitos de pedras com história, em eternas aprendizagens, trabalho, aprendendo a Vida.
Agora, nesta lonjura da doce planície, recordo,
porque passagem já pouca há,
o que o tempo não deixou, não deixa, esquecer.
Recordo o Rogério, um dia, num bairro de Lisboa, com simbologia.
Recordo os padrinhos, bons, na ourivesaria, na Praça;
um reconhecimento merecido, grato, daqui.
Obrigado.
Recordo os pais do Rogério, ao lume, na casa junto à Praça.
Não sei se partiram;
sei que ficaram.
Ei-los aqui!
J. Rodrigues Dias
Corria o ano de 1939. Talvez 1940, dizem alguns.
Um grande cruzeiro em granito foi colocado no alto do Cabeço da Mua, freguesia de Felgar.
Quis o destino que no ano seguinte o cruzeiro fosse derrubado pelo “ciclone”
Assim permaneceu até ao dia 12 de Março de 2005, dia em que foi de novo reerguido.
Se circularem na estrada nacional indo de Moncorvo em direcção a Carviçais, depois de passarem pelo Carvalhal olhem para a esquerda, para o alto do Cabeço da Mua.
Se puderem subam! Vale a pena.
Uma nota: ainda há que se lembre desse temporal. Daria um bom tema a explorar. Mas é melhor não perderem tempo.
António Manuel
“E aí vem o Assis, durante uma semana, a fazer seis ou sete reportagens sobre Moncorvo para o República. Ainda hoje são o grande retrato de Moncorvo, três ou quatro meses antes do 25 de Abril. Estávamos em Fevereiro de 74. Vem com ele, como fotógrafo e guia na geografia física e humana de Moncorvo, o Leonel Brito que tem mais de 50 fotografias da vila e de aldeias naquela época. São dois retratos notáveis de Moncorvo”.
Rogério Rodrigues.
As reportagens saíram durante sete dias nas centrais do República com o titulo “Moncorvo, Zona Quente na Terra Fria”. Lembro-me da perturbação que causou na “classe” que frequentava o café Moreira e se passeava na praça.Leonel Brito
Em 77 regressei para fazer o documentário “Gente do Norte ou a História de Vilarica” (realização minha e texto do Rogério).
Foi depois de ler o comentário de António Cristino que decidi enviar esta foto. Tenho comigo os exemplares do República, que tenciono entregar à biblioteca, bem como publicações em jornais e revistas sobre “Gente do Norte”.
A Barragem das Olgas, em Maçores destina-se ao fornecimento de água potável a Torre de Moncorvo, Sequeiros, Açoreira, Maçores, Felgueiras, Urros, Peredo dos Castelhanos, Quinta das Centeeiras. Também se destina a abastecer Ligares pertencente ao concelho de Freixo de Espada à Cinta.
Ao que parece, a barragem de Vale de Ferreiros não tem cumprido tudo o que se esperava dela. A futura barragem funcionará em conjunto com a Barragem do Arroio, por forma a garantirem o abastecimento urbano a 100% (a 5.000 habitantes). Está prevista a ligação entre as duas, de forma que uma possa suprir as necessidades da outra.
A barragem será implantada na ribeira do Arroio, na freguesia de Maçores, afluente do rio Douro, a cerca de 170 metros, a jusante da junção da ribeira do Arroio com um seu afluente, a ribeira das Olgas.
A cerca de 1,8 km, medidos em linha recta, a sul da barragem das Olgas, situa-se a Barragem do Arroio, em exploração desde 1992, a partir da qual são actualmente abastecidas as povoações de Peredo dos Castelhanos, Urros, Quinta das Centeeiras e Ligares.
A vida útil da barragem está prevista em 40 anos, mas vivendo nós em Portugal, sabemos que estará connosco "até que a morte nos separe".
Ao contrário de outras barragens, a área que vai ser utilizada na criação desta, não inclui nenhuma área sensível, nem incluiu o habitat de nenhuma espécie animal ou vegetal de interesse comunitário. Há a preocupação que as terras retiradas sejam utilizadas para a regularização de outros terrenos nas imediações e que os poucos pés de oliveiras que é necessário arrancar, possam ser transplantadas para locais muito próximos. Apesar do pequeno caudal da ribeira, está prevista a manutenção de um caudal ecológico (espero que venha a ser cumprido).
Os habitantes de Maçores já olham para a infraestrutura com vaidade. Espero sinceramente que a mesma venha a traduzir-se na melhoria da qualidade/quantidade de água no abastecimento público neste concelho tão carente deste bem (e o Douro ali tão perto!).

Serve esta fotografia de 1974, enviada por Liónidas de la Torre para recordar que no próximo Sábado, 15;30 horas, vai ter lugar 5ª Partidela Tradicional de Amêndoa no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo. Há música, animação ... e amêndoas. Espero que também não falte um repórter, para nos "contar" o que se vai passar.
A fotografia é espantosa e espreita a beleza de um tempo. Daquele tempo.
Em 1975 , no ano seguinte, também eu fui a várias "sessões" da partidela de amêndoa. Metia-me em tudo, acabada de chegar de África queria experimentar coisas diferentes da terra fria. Aliás, na altura, aquele ritual divertia-me, parecia que estava a brincar. "Acertar" a cadência das marteladas com a dos Pais Nossos e Ave Marias do terço que simultaneamente se rezava, era um "jogo" divertido. Por vezes, desacertava, batia com o ferrinho ao lado e magoava um dedo mas isso fazia-me rir pois ponha-o na boca para arrefecer como os cowboys a pistola nos filmes do Faroeste.
Também andei à amêndoa e senti a "liberdade" cabrita de andar pelos montes. E os meus pais em Moçambique ainda…
Eu contava-lhes estas histórias por carta , muito contente, e eles ficavam muito "aflitos", pois que diriam na terra "a filha do Óscar e da Bernardete a andar à amêndoa…, devem estar a precisar, coitados!...". Não era assim e eu também não queria saber da jeira . Queria "brincar" e "fingir" que era "uma mulher do campo". Tinha 15 anos e, quem sabe, o fascínio das máscaras ...
Hoje, posso concluir que as memórias também se fazem de fios de água. Coisa pouca, mas estes têm um cheiro de raiz transmontana à sua passagem.
M. Aleixo
Recordo-me perfeitamente do tempo e em que circunstâncias foi tirada esta fotografia.
Um dia, tinha eu publicado um livro de poemas, o Fernando Assis Pacheco quis-me conhecer. Era jornalista na República com banca ao lado do Afonso Praça. E o Praça disse-lhe que eu estava colocado como professor em Moncorvo. E aí vem o Assis, durante uma semana, a fazer seis ou sete reportagens sobre Moncorvo para o República. Ainda hoje são o grande retrato de Moncorvo, três ou quatro meses antes do 25 de Abril. Estávamos em Fevereiro de 74. Vem com ele, como fotógrafo e guia na geografia física e humana de Moncorvo, o Leonel Brito que tem mais de 50 fotografias da vila e de aldeias naquela época. São dois retratos notáveis de Moncorvo e dalgumas das suas aldeias. Esta fotografia trás-me à memória muita história ligada à amêndoa. Reconheci de imediato pelo menos duas pessoas, ainda vivas. A pessoa do meio suspeito quem seja, mas não tenho a certeza.
A amêndoa era o ouro do Peredo dos Castelhanos. Só se começava o varejar em 15 de Agosto, com a presença da GNR. Ficava depois, para os pobres, muitos pobres, o "rebusco". Os estudantes, e havia muito estudante na aldeia, roubavam alguns quilos de amêndoa já em grão que vendiam ao Tenente de Urros ou ao Basílio. Durante um mês ou dois, no Porto ou em Foz Côa onde havia uma grande comunidade de peredanos, viviam à grande e à francesa.
A reportagem de que esta fotografia faz parte modificou a minha vida. Fui convidado pelo Assis (mais tarde meu compadre) para ingressar nos jornais. Deixei uma paixão e adquiri um vício. É pena, mas aconteceu. Como diria o beato Gugu (Guterres): - É a vida...
No Carvalhal, freguesia do Felgar, não há só muitos carvalhos, aprecio com apetite o pão, a bola de azeite, às vezes alguns económicos, mas nunca passo no Carvalhal sem encher alguns garrafões de água nesta antiga fonte que está na fotografia. As barragens abundam por todo o vale da Vilariça, só a qualidade da água é cada vez pior. Porque será?
Esclarecidos os equívocos, em que não há inocentes, mas também não há culpados, por isso mesmo se chamam equívocos, regresso ao blogue com memórias de José Cardoso Pires sobre cuja morte já passaram 10 anos (exactamente em 26 de Outubro).
Às vezes diz-se: celebram-se 10 anos sobre a morte. Como se lembrar a morte fosse motivo de celebração.
Há anos, já não me recordo do ano, o presidente da Câmara, Aires Ferreira, pediu-me se conseguia algum escritor que pudesse vir a Moncorvo falar do 25 de Abril
Lembrei-me de José Cardoso Pires, então o nosso mais nobelizável (não fosse a força espanhola, via Pilar, a apostar em Saramago), por quem um mantive até à sua morte, uma profunda, muito profunda amizade. Creio que este sentimento era recíproco. Tenho provas para tal.
O José Cardoso Pires já tinha um compromisso para uma conferência na Alemanha. Cancelou o compromisso para vir a Moncorvo. Um carro da Câmara foi buscá-lo a Lisboa, e à Edite, a sua mulher. Eu vim no meu próprio carro.
A conferência numa parte, a menor, do Cine-Teatro, foi no hall que dá para o primeiro balcão. Cardoso Pires falou sobre a Censura, antes e depois do 25 de Abril. Na assistência, escassíssima, estava um informador da Pide. Só mais tarde lho disse porque temia a sua reacção se o soubesse no decorrer da conferência. Nem hoje direi o nome. Paz ou guerra à sua alma que a misericórdia também tem limites.
Acabámos a noite no Noitibó (o primeiro bar-discoteca que houve em Moncorvo), que então era do Miranda e tinha o Aires como empregado. O Aires colocou uma Martin's de 20 anos (o tal Martins judeu de Trancoso que fugiu para a pérfida Albion) no balcão e estava proibido pelo Miranda de permitir que o copo do escritor estivesse vazio.
Mais tarde o Cardoso Pires perguntar-me-ia se o Miranda não se importava que um dia fosse personagem de uma ficção sua.
Já regressou muito tarde à Residencial Passarinho. A Edite já dormia. Eis senão quando se ouvem uma guitarradas. Tinha começado uma serenata ao Cardoso Pires. À viola (e disse guitarradas porque violadas na noite poderia ter outra leitura), o engenheiro Sendas (já falecido) e nos trinados, em voz aguda, o Artur Paiva, bancário, e o comandante da GNR, natural de Parada e cujo nome, de momento, esqueci. Para ele estava proibido o balão.
O Cardoso Pires veio à janela agradecer e a Edite já não conseguiu dormir até de manhã.
Várias vezes o Cardoso Pires contava este episódio. Dia 26, vai ser homenageado, com a presença do Presidente da República, em Vila de Rei, o concelho da sua aldeia, o Peso.
Um dos maiores romancistas do último século veio a Moncorvo e pouca gente notou. L'air du temps. Ai! se fosse o Tony Carreira...