torredemoncorvoinblog@gmail.com

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Adeganha


Mesmo sem as técnicas de construção actuais, mantêm-se em pé e operacionais.
Adeganha, 7 de Junho de 2008.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Receita Tradicional - Batatas à Espanhola ou à Bispo


Colocar a panela ao lume (preferência ao lume a lenha)com água, desfiar o bacalhau e lava-se, colocar às camadas as batatas e o bacalhau, após tudo cozido escorrer bem a água, numa frigideira deitar cebola, azeite bastante, pimento e alho, misturar tudo num pote, tapar um bocadinho. Esperar 5 minutos, está pronto a comer, no caso de não pretender colocar o bacalhau e as batatas às camadas, também se podem misturar.

CULINÁRIA TRADICIONAL TRASMONTANA - 3ª RECEITA

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Receita Tradicional - Tripas


Preparam-se as tripas e os pés do cordeiro, cozem-se com louro, salsa e sal, cortam-se aos bocadinhos, colocar num recipiente com azeite, louro, salsa e vinagre, unto ou pingo. Tudo isto é refogado. Após o refogado deita-se um bocadinho de água e pimento, migam-se e deitam-se as sopas, com dois ou três ovos batidos, servir tudo numa travessa. ( Prato usado durante a época das matanças).

CULINÁRIA TRADICIONAL TRASMONTANA - 2ª RECEITA

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Vale da Vilariça


Entre a Foz do Sabor e as Cabanas de Cima, olhei em direcção à Quinta da Portela. O cenário parecia uma pintura a óleo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Torre de Moncorvo - Anos 80


Torre de Moncorvo - Anos 80

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Afonso Praça homenageado

A vasculhar papéis, descobri a mensagem que o Afonso Praça enviou quando foi homenageado pela Câmara Municipal de Moncorvo, no âmbito do 7º centenário da vila. Coube-me a mim ler a mensagem do Afonso, já que ele ,or motivos profissionais, ão pode vir a Moncorvo. A cerimónia decorreu no Cine-teatro. Pela importância e significado do texto que nunca foi publicado e apenas uma vez, por mim, lido, aqui o deixo a todos os frequentadores do blog. O texto é uma imagem quase perfeita daquilo que era o Afonso Praça. É um texto, na minha opinião, particularmente valioso, para a memória do concelho de Moncorvo. Então aqui vai:

"Decidiu a Câmara Municipal de Moncorvo celebrar o 7º centenário da Vila, aproveitando a oportunidade para, segundo palavras do presidente do município, prestar "homenagem pública a alguns 'filhos da terra' que, de algum modo, se tenham superiorizado nalgum ramo de actividade"
Mentiria se não dissesse que fiquei surpreendido ao ver que o meu nome fora incluído na lista dos alvos da referida homenagem pública, mas seria falsa modéstia escusar-me à distinção. Sem curar de saber quais os critérios que presidiram à elaboração da lista, na qual o meu nome é incluído, terei de afirmar, no entanto, que muito me sensibilizou tal decisão e por dois motivos:primeiro , porque a iniciativa partiu da Câmara Municipal, um órgão do poder local, livremente eleito pela gente da minha terra; segundo, pela boa companhia que, na lista, me é oferecida, entre moncorvenses que, na verdade, muito se têm distinguido nos respectivos campos de actividade, alguns dos quais eu conto entre os meus melhores amigos.
Não quer isto dizer que eu mereça a distinção. Pelo contrário, estou sinceramente convencido de que a lista, além os inevitáveis pecados de omissão, contém um erro de monta: o meu nome.
Mas enfim, uma vez que o mal está feito, aos responsáveis resta a obrigação de se penitenciarem e, a mim, empurrado para estas lutas de evidência que não pedi, não esperava e nem sequer mereço, o dever de endossar a mercê a todos os meus conterrâneos sem excepção, aos do Felgar e aos vizinhos, embora me fosse grato referir alguns em particular, nomeadamente os que já não pertencem ao número dos vivos.
Nenhum homem existe isolado, nenhuma vida se constrói no vazio, sem alicerces e fora de um contexto. Por isso, neste momento a que a Câmara da minha terra quis imprimir solenidade, gostaria de invocar, se mo permitem, a memória de meu pai, lavrador por destino e homem de sete ofícios por necessidade, que morreu uma semana depois de eu ter partido para a primeira viagem pelo mundo, ainda menino, a merenda na taleiga, uma cântara de barro cheia de água fresca do chafariz do Felgar. Gostaria ainda de recordar minha mãe, tecedeira, que ao tear consumiu a vida e que, hoje, muito velha e quase cega, vive em Lisboa um exílio todo feito de saudades dos montes da nossa terra. E homem de palavras que sou, já que a palavra é a ferramenta indispensável ao duro ofício de jornalista, quero aproveitar a oportunidade para lembrar o professor que me ensinou a ler: Amândio Augusto Cosme, natural do Souto da Velha.

Se bem ajuizo, a homenagem que a Câmara Municipal de Moncorvo decidiu prestar a alguns 'filhos da terra', neste ano em que se comemora o 7º centenário da fundação da vila, contempla moncorvenses que, por um motivo ou por outro, têm de desenvolver a sua actividade longe da terra que os viu nascer.
Por mim, gostaria que a homenagem juntasse no mesmo abraço todos os moncorvenses, e ainda os que, sendo de fora, elegeram esta terra para terra sua. Mas apegando-me à letra da decisão da Câmara, não posso deixar de repartir a parte que me toca com os filhos da minha terra que foram obrigados a partir, muitas vezes em circunstâncias dramáticas, à procura de melhor vida noutras paragens -- nas Américas, na África e na Europa. No mundo.
É provável que nem todos se tenham superiorizado no seu ramo de actividade, passando ignorados e esquivos,como clandestinos. Mesmo assim, deixem-me que afirme que muitos foram superiores na força de vontade, na coragem e na aventura.

Se puder, um dia regressarei a Moncorvo, ao Felgar, mas não é provável. Os homens, como as árvores, também se habituam à terra para que foram transplantados. Mas ao contrário das árvores, os homens não esquecem nunca a terra onde criaram as primeira raízes.
Afonso Praça"

Castedo


Pormenor em granito do pórtico da porta principal da igreja do Castedo.

domingo, 10 de agosto de 2008

Futebol feminino




Equipa de futebol feminino do Santo Cristo que, com muito mérito, conquistaram a taça, em Zedes, no dia 10/08/2008.

sábado, 9 de agosto de 2008

Receita Tradicional - Ovos Doces


DEITA-SE ÁGUA E ACÚCAR NUMA SERTÃ.DEIXA-SE DISSOLVER O ACÚCAR.PARTEM-SE OS OVOS PARA DENTRO, E DEIXA-SE COZER.COMEM-SE COM PÃO. É COMIDA FORTE, USADA DURANTE O INVERNO.CONFECCIONA-SE E COME-SE NO MOMENTO.

CULINÁRIA TRADICIONAL TRASMONTANA - 1.ª RECEITA

Junqueira

Captado numa rua da Junqueira, a 24 de Maio de 2008.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Agarrado à vida

Cabeça de Mouro, 01 de Junho de 2008.

sábado, 2 de agosto de 2008

À memória do Urgel

Ao chegar de Agosto, fazia as malas em Lisboa e regressava à aldeia, a Peredo dos Castelhanos, sempre para o encontro marcado com o Urgel, vindo de França. Era um ritual que se repetia há anos. Trazia-me sempre um maço de cigarros Gitanes e bebíamos, ao correr do tempo, cerveja.
Até para o ano. Mas este Agosto, com ida que vou adiando, vai ser diferente. O Urgel morreu. Só muito mais tarde o soube. Hoje a sua ausência é em mim uma presença que queima. Como que a aldeia e Agosto já não são os mesmos. O Urgel é uma amizade antiga, tão amigos que ocultávamos, por pudor, também por timidez, a intensidade dos afectos. Amigos de aldeia quando, de tão crianças, ainda parecemos felizes, durante anos os nossos caminhos não se cruzaram. Soube que foi à guerra e na guerra, creio que em Moçambique, foi condecorado. Salvara da morte, abnegado e generoso como sempre foi, o seu pelotão. Nunca se julgou um herói. O que ele fez, fê-lo pelos outros, como faria pela vida inteira. Foi o solitário mais solidário que eu conheci até hoje. Os pais foram convidados pelo Governo a ir passar férias com ele a Moçambique.
Terminada a tropa, regressou à aldeia. Trazia com ele uma condecoração e nada.
O mundo diferente, a amargura e o sofrimento dos dias passados, já lhe tornavam impossível regressar à pureza inicial da aldeia. Partiu para a França. A memória, a solidão, o álcool e o desemprego às vezes, iam-no corroendo lentamente. Nunca casou nem amores se lhe conheceram.
A última vez que o vi, no Agosto passado, os cabelos brancos, mas ainda crespos, o rosto um mapa enrugado, mas sempre disponível para todos, anunciava já um fim precoce.
Este mês, Urgel, quando chegar à aldeia, beberei cerveja como se estivéssemos juntos, numa conversa cheia de silêncios, e acenderei um Gitanes. Já que não consigo ser tão solidário como tu, permite-me ao menos que recorde para sempre, com lugar cativo na minha memória, a tua bondade. A tua presença na tua ausência.

Pedro Castelhano

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Torre de Moncorvo - Muralha do Castelo



Torre de Moncorvo - Muralha do Castelo

Carviçais


Algumas das coisas que me chamaram à atenção, na minha primeira visita a Carviçais.
27 de Julho de 2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Igreja matriz de Torre de Moncorvo



Igreja Matriz de Moncorvo templo de maiores dimensões em Trás-os-Montes - Nossa Senhora da Assunção - fachada principal ao nascer do Sol

Torre de Moncorvo


segunda-feira, 28 de julho de 2008

Os tons do estio, em Mós


Em redor da Capela de Santa Bárbara, avistam-se quilómetros de montes e vales. Aos tons frios do horizonte, misturei as cores quentes do primeiro plano, com flores secas, de cardos. Espinhosas, recortadas, cheias de sementes mais leves do que as nuvens, mais suaves do que a seda .
De um ponto tão elevado, compreendemos um pouco a razão da importância de Mós na história.
Basta levantar os braços e deixar-se levar, encosta abaixo, serpenteando os montes, qual ribeira, de encontro à passagem estreita que rasga as fragas, antes de se fundir nas água já sempre domesticadas do Douro. Ou então, visitar Santa Bárbara, última guardiã dos altos, agora já sem castelo.
Adoura-se a erva com o estio, mas com ele vem a festa, a devoção, a procissão, a música, o arraial. Assim como as estações vão dando lugar umas às outra sem se esgotarem, também nós, vimos e partimos, nascemos e moremos, mas as aldeias permanecem, lutando como os cardos, que esperam pelas chuvas que farão de novo brotar flores.

domingo, 27 de julho de 2008

Erva quê?

Para os botânicos, aqui está uma nova espécie de gramíneas!
Terá vindo de onde? Ao menos que destrua a recente praga da vinha!
Açoreira, Torre de Moncorvo

sábado, 26 de julho de 2008

À distância de um olhar

É realmente fantástica a beleza que nos espera na beira da estrada, quando circulamos de carro! Olhando o que está mais próximo, ou desviando o olhar para o horizonte, explorando o pormenor ou o infinito. Foi o que eu fiz enquanto descia de Estevais até à Quinta da Portela. Com algumas fotografias fiz este arranjo. Pode ser que alguém goste dele para "papel de parede" do seu computador.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Olhos postos no futuro

Cardo - de - Santa Maria
Açoreira.

memórias de um rio


quarta-feira, 23 de julho de 2008

À Descoberta de Estevais


No dia 7 de Junho de 2007 fiz uma curta passagem por Estevais. Eram sete da tarde e o sol que pairava sobre Vila Flor, trespassava a verdura da beira da estrada com os seus "sabres" de luz. Alguns pardais, atrevidos e alegres, penduravam-se nas espigas de um campo de aveia perto de cemitério. Os zimbros, abundantes por aqui, ganhavam tamanho, formas dignas de Cervantes, recortadas conta o azul difuso do Vale da Vilariça.
No povoado, tudo era calma. Uma velhinha, com um lenço ainda mais negro do que as suas roupas colocado desleixadamente sobre a cabeça, gozava a paz do entardecer, sentada numa cadeira de madeira.

Do meio de algumas ruínas e casas velhas saiu um jardim! Um jardim repleto de rosas, com cores vivas, daquelas que nem a câmara do Xo_oX regista. Havia tufos de mil e uma flores, de mil e uma cores, do azul carregado, ao branco puro da açucena. Estavam combinados os factores para um quadro de encantamento: luz, cor, silêncio e isolamento.
Captei rapidamente o momento com medo que a pouca luz se deixasse vencer pelo batalhão das cores, tornando-se estas mais saturadas, mas impossíveis de diferenciar no reino das sombras. Vaguei pelo centro da aldeia, qual mariposa tonta, em busca do néctar da vida.
Entrei na pequena capela, cheirava a limpeza recente. O chão granítico favorecia a frescura e as açucenas e malmequeres enchiam o pequeno espaço de perfume e as flores dos vasos cimeiros, artificiais, de inveja. Apesar do ar deteriorado das paredes a capela tem um altar muito bonito. Depois do vermelho e dourado da igreja da Cardanha, venho encontrar aqui o azul e o dourado, que não é uma pior combinação.

Ao centro está Nossa Senhora. Parece-me Nossa Senhora do Rosário que me lança um olhar de surpresa e de agradecimento. Surpresa pela minha presença neste local singelo e distante, agradecimento pelo meu respeito e veneração.
Segui em direcção à igreja, onde se venera S. Ciríaco. Admirei o seu campanário com pináculos e uma cruz ao centro. Admirei as suas linhas singelas de igreja do século XVIII, com alterações recentes, com o sol a iluminar o frontispício, que se elevava acima do mundano circundante. Continuei em frente. Entre algumas casas novas e palheiros com cheiro a estrume, cresciam mais algumas açucenas. Sentei-me num muro semi-destruido admirando a Criação. Só um grupo de privilegiados podem viver com tanta paz. Só um grupo de mais pequeno de eleitos podem parar para admirar e reflectir sobre isso.

Foi envolvido pela melancolia da magia das oito horas da tarde que cheguei ao Miradouro de S. Gregório. O silêncio era tanto que o obturador da máquina parecia um trovão! Era a hora de recolhimento e introspecção. Senti-me ganhar asas e parti por sobre o Sabor de encontro ao do Reboredo. Escorreguei pela cintilação da encosta e molhei os pés na Foz. Nadei no brilho das folhas das vinhas das Cabanas e desmaterializei-me, vale acima, perdendo-me numa brisa que subia a Serra de Bornes.

Entrei no carro, e, lentamente, regressei a casa, com medo de perturbar a harmonia do vale que, pouco a pouco se entregava à sombra, rendido, enfeitiçado pelos últimos raios de sol que douravam as espigas na beira do caminho.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Praça Francisco Meireles



PRAÇA FRANCISCO MEIRELES - TORRE DE MONCORVO - AO AMANHECER

domingo, 20 de julho de 2008

I Encontro de Colaboradores do Blogue


Uma fotografia "provocadora" do vasdoal foi a gota de água que levou a este encontro de colaboradores do Blog. E foi importante. A verdade é que estamos a tentar criar uma equipa, mais baseada na produção de cada um, do que no conhecimento mútuo. Este encontro, à volta de um bom prato de peixes do rio, veio revelar a rosto e a pessoa, por detrás de cada "nome".
Foi assim, que nos juntámos na Foz do Sabor e nas Cabanas de Baixo, para nos conhecermos e trocarmos algumas ideias. A animação veio dos lados de Espanha, com o Angel a tocar tambor e flauta de tês buracos, arrancando sons que identifiquei como da raia, lembrando o planalto cheio de erva seca e o horizonte manchado de verdes escuros. De tão entusiasta para as “meriendas” imaginava-o mais forte, e bem disposto, como realmente é. Só tenho a agradecer-lhe a alegria e boa disposição, que juntamente com a sua esposa, partilhou connosco.
Estiveram também presentes vasdoal, a. basalouco, PARM e eu, o AGoncalves. Outros colaboradores que não puderam estar presentes, estão em dívida, e terão que se empenhar a fundo para não faltarem ao próximo encontro.
Espero que ninguém se lembre de postar uma boa posta mirandesa, ou um bom bacalau, sob pena de termos que marcar um novo encontro.
Até lá, vamo-nos encontrando, todos os dias, aqui, no blogue.

Inventário de Arte Sacra

O PARM, desde o início dos anos 90 do século passado, iniciou um projecto ambicioso e importantíssimo, que consistiu na realização do inventário de Arte Sacra da Igreja Matriz de Moncorvo.

O trabalho, com algumas paragens, foi-se desenvolvendo, nomeadamente com a colaboração dos alunos do Curso CPC - Conservação do Património Cultural (1998-1999), e centrando-se na imagística e ourivesaria. Nesta fase, foi decidido realizar-se uma Exposição de arte sacra "O Tesouro da Igreja", no Verão de 1999, dando a conhecer a muitos Moncorvenses, imagens, livros e alfaias religiosas à muito retiradas do culto, mas com assinalável valor artístico.


Fachada principal da Igreja Matriz, a partir de uma reprodução fotográfica
do final do séc. XIX/inícios séc. XX (Arquivo Particular)



O Interior da Igreja nos meados do séc. XX (reprodução de um postal)

No decorrer deste ano a Direcção do PARM decidiu retomar este projecto, através de, numa primeira fase, digitalizar e informatizar o ficheiro existente em papel e, de seguida, continuar e tentar concluir o inventário nos seguintes quadrantes:

1. Paramentaria, no qual se inclui um espólio riquíssimo de casulas, estolas, dalmáticas, manípulos, capas de asperges ou pluviais, véus de ombros, sobrepelizes. Esta parte do espólio encontra-se disperso por toda a Igreja, havendo verdadeiras maravilhas.



2. Outros panos litúrgicos e decorativos, como frontais de altar, véus de sacrário, palas, véus de cálice, corporais, pendões ou bandeiras, os pálios, umbela, panos de armar, e outros de função mais ou menos conhecida.

























3. Ourivesaria e Prataria (Este foi um campo que já tínhamos alguns registos, mas que foram corrigidos e aumentados). Destacam-se as custódias, mas também cruzes processionais e crucifixos de pousar, cálices, patenas, turíbulos, navetas, resplendores, coroas, varas de funções diversas, adornos e vários objectos ofertados à Paróquia, candelabros, etc.






4. Escultura, Pintura e Imagística - trabalho já largamente desenvolvido, que agora foi completado.


Em suma, este trabalho tem vindo a ser muitíssimo importante pois pretende registar, conservar e divulgar um património riquíssimo, algum conhecido e muito oculto, que tem uma importância vital para a História de Moncorvo e da Igreja Matriz em particular.

A direcção do PARM

Fotos PARM e A. Basaloco

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ausência

Caros companheiros de aventura em À Descoberta de Torre de Moncorvo ( e tanto que eu tenho descoberto, do que não sabia ao que já tinha esquecido), não vou poder estar presente no encontro. Com grande pena minha. Os trabalhos de Bill Gates até parecem mais duros, mas por certo são mais imprevistos, do que os trabalhos de Hércules. Tenho material urgente a preparar para a nova grelha de uma rádio, além de duas intervenções em directo ( sábado e domingo). Queria deixar tudo pronto, a fim de poder ter férias em Agosto, lavar os olhos e despoluir a mente, no meu íntimo e intenso espaço afectivo que é Moncorvo. A todos, mas particularmente ao Nelson, a quem garantira a ida, as minhas desculpas. Mas havemos de nos encontrar.
Estou muito agradado com o blogue, pela elegância e elevação cívica, num casamento perfeito entre ética e estética. Tenho aprendido muito, o que vos agradeço. Sou visita diária. É uma forma de estar num lugar de que nunca saí.
Todo o dia é uma despedida, mas o dia seguinte é sempre um recomeço.

quinta-feira, 17 de julho de 2008


"Quantos passos já eu dei... e quantos passos já viste dar?..."

Castedo



Rua do Cimo do Lugar
, Castedo.
1 de Junho de 2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

Açoreira


Fotografia panorâmica da Açoreira.
13 de Julho de 2008

sábado, 12 de julho de 2008

Transferidor

Na Rua Infante D. Henrique, Torre de Moncorvo, 24 de Maio de 2008.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

À Descoberta da Cardanha


Conheci a Cardanha em 1991. Desde essa altura, nunca mais os meus passos me levaram a visitar a aldeia. Há dias, voltei. Pouca coisa recordava: o relógio de sol, na igreja, a localização da escola primária e de um café. Não tive tempo para me inteirar do que poderia haver de interessante para visitar, por isso, era mesmo uma completa Descoberta. Cheguei já depois das seis da tarde. A maior limitação seria mesmo a falta de tempo.
Desci a Rua Sra da Conceição, até chegar ao principal núcleo habitacional. Fiz a uma paragem. A primeira coisa que me chamou à atenção foi uma espécie de nicho com um Cristo crucificado. Penso tratar-se do Senhor da Pedra. As portas de vidro e o gradeamento de ferro não permitem fotografar minimamente o interior. Este nicho, juntamente com mais 7, espalhados pela aldeia, fazem parte da Via Sacra, com origem, possivelmente no séc. XVIII. Todos os 7 nichos são originalmente iguais. O último, o do Senhor da Pedra, é mais elaborado tendo cunhais apilastrados e uma cruz ladeada por pináculos.

Do outro lado da rua está uma pequena capela, a Capela de Nosso Senhor dos Aflitos. É de reduzidas dimensões. A porta de vidro permitiu-me observar o interior e fotografá-lo. Vê-se um nicho, em granito, com a imagem de Cristo de grandes dimensões. No chão existe uma espécie de esteira, que deve servir para o transporte da imagem durante as procissões.
A poucos metros, para poente, está outra capela, a de S. Sebastião. Também é possível observar o interior. Depois de um arco triunfal de volta inteira está a capela-mor com um pequeno altar onde se destaca a imagem de S. Sebastião. No frontispício da capela pude observar dois pináculos, um pequeno campanário com uma cruz sobreposta e uma inscrição numa rocha, por cima da porta. Parecem números, mas não fazem sentido.
Em poucos minutos, encontrei motivos mais do que suficientes para justificar a minha ida à Cardanha, mas ainda havia muito para ver. Entrei de novo no carro e segui até à igreja.
As casas antigas, de granito, atestam a idade e a pujança de outrora desta aldeia. Não são só cardenhos, mas também casas com alguma dimensão, construídas num misto de xisto e granito e onde a madeira também tem um lugar de destaque, principalmente nas varandas, tão tipicamente trasmontanas.
O primeiro impulso foi para revisitar o relógio de sol. Os relógios são usados como exemplo, para evidenciar a ideia de que o tempo voa, mas, neste caso, é uma amostra evidente de resistência ao tempo, que não voa mas que se desloca à velocidade de rotação da terra, dia após dia, século após século.

Ao entrar na igreja abri a boca de espanto. O vermelho vivo do altar-mor e de dois altares laterais, em contraste com o dourado, dão um efeito visual que acho de uma beleza rara, mesmo exuberante. Não é só nos altares que o vermelho vivo domina! Todo o conjunto é harmonioso e está cuidado com muito esmero.
Abandonei a igreja disposto a dar uma volta pela aldeia, a pé. Segui pela Rua da Junta até à Rua da Travessa. Nota-se que já não há habitantes para tanta casa. Há sinais evidentes de reconstrução, mas as ruínas são muitas. A desertificação, lenta mas constante, é bandeira de todos os locais que tenho visitado.
Sem dar por mim, estava a descer a Rua da Fonte. A melhor designação seria mesmo das fontes, no plural, uma vez que existem pelo menos três fontes. O primeiro conjunto tem uma fonte de mergulho, arcada, bastante conservada. Já procurei algum registo para saber se se trata de uma fonte medieval mas não encontrei nada escrito sobre ela. No concelho de Vila Flor, conheço várias fontes do mesmo género.

Uns metros mais abaixo, há outro fontanário, com bebedouros para as bestas. Custa a crer que os habitantes viessem aqui buscar a água para consumo doméstico, mas como justificar a existência desta fonte, neste lugar? Não arrisquei a beber água destas fontes…
Subi pela Rua do Quebra Costas até à rua principal. Não sei se pelo desgaste energético do percurso se pelo adiantado da hora, pareceu-me boa ideia, voltar à igreja, entrar no carro e regressar a casa.
Ainda me aventurei, de carro, até junto do cemitério, a admirar a paisagem, mas não arrisquei ir mais além. As vistas magníficas sobre o Rio Sabor e os vestígios rupestres de Vale de Figueira, serão um bom motivo para voltar à Cardanha.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Oferendas


Porta da Capela do Divino Espírito Santo, Cabeça de Mouro.

sábado, 5 de julho de 2008

o Rio

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Castedo

Esta casa está situada no Cimo do Lugar, no Castedo. É conhecida pela Casa da Tia Alice. Chamaram-me a atenção os motivos florais esculpidos e as mísulas trabalhadas. Está caiada a preto e branco e mesmo numa fotografia a cores, só estes tons se notariam.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ser ou estar

Um dos comentadores do blog "À descoberta de Torre de Moncorvo" fez questão em afirmar que, da sua geração, será o único a residir em Moncorvo. Ainda que seja uma afirmação categórica, e não estatisticamente comprovada (haverá gente da sua geração, que é a minha, que se manteve na terra, embora num registo não académico e, porventura, honradamente proletário), não deixa de ser motivo de reflexão.
Com efeito, na esteira de Kierkgaard, em conceito mais tarde desenvolvido por Eduardo Lourenço, eu nunca saí do lugar onde tantas e tantas vezes regresso. Todas as viagens que faço é para um lugar de que sou, embora não seja um lugar onde estou.
O problema de ser e estar tem originado reflexões pertinentes, nomeadamente na filosofia alemã de Heidegger.
Mesmo em termos linguísticos o ser e o estar só são distintos no português, no castelhano e creio também no italiano. Quanto ao francês e ao inglês, être e to be são a palavra única para ser e estar. O mesmo acontece no alemão.
Já me ia afastando do que me provocou este post : eu sou de Moncorvo, embora não esteja em Moncorvo.
Gostaria, após este pequeno e discutível comentário, lembrar o excerto de uma intervenção do historiador e grande medievalista José Mattoso ao receber o Prémio Latino (um prémio de grande prestígio) no ano passado. Escreve José Mattoso: "Muitas vezes me apeteceu dizer, como o profeta Elias quando iniciou a sua caminhada no deserto e, cansado da sua luta contra a idolatria, pedia a Deus a morte: " Já basta, Senhor, pois não sou melhor do que os meus pais" (1 Reis,19.4)
Também nós, quando recordamos as esperanças dos anos 60, e as comparamos com a multiplicação da actual violência e da injustiça, perguntamos para que valeram os nossos esforços. Mas, se, olharmos à nossa volta, nos sentirmos irmãos dos atormentados pelo desejo da verdade, irmãos dos desesperados pelas suas próprias contradições ou inseguranças, e formos capazes de descobrir, nascidos, não se sabe como, num mundo sombrio, os que persistem em cultivar a infinita variedade de formas que revestem o amor, a justiça, a esperança, a beleza, a alegria, a paz; se aprendermos a ver, com os que sabem olhar através da espessa camada da vulgaridade quotidiana, a maravilha do que é justo e simples, deixamos de lamentar a frustração das esperanças".

Parecendo que nada tem a ver com o blogue, este excerto tem tudo a ver com a descoberta de Moncorvo, ou seja, com a descoberta de nós próprios através de um espaço tão real quanto simbólico. Libertos da "vulgaridade quotidiana", cultivemos a essência, residentes interiores na nossa descoberta, simultânea da nossa procura.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Maravilhas da Natureza


Fiquei"ciumento" com o fel-da-terra (Centaurium umbellatum Gilib) do vasdoal, de modos que decidi tirar do baú das memórias (não tão distantes) esta preciosidade, que captei quando subi à Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça.
De joelhos, estamos mais próximos da Natureza. E estou a falar no sentido literal. Esta é uma pequena planta, de que não conheço a classificação botânica, mas é uma Liliaceae, parente muito próxima do alho e da cebola. Em segundo plano, como cenário, hipericão (Hypericum perforatum), chá muito apreciado, que ainda ninguém se lembrou de postar.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Baganha

Transcrevo mais um conto de rodapé sugerido pela visita ao Larinho e por ter sido observado pelos frutinhos do lodão (celtis australis) que não me largaram até ao rio. Estes pequenos frutos comestíveis eram do agrado das crianças que por aqui lhe chamavam baganha. Noutras regiões do país utilizam-se no fabrico de um licor.
Baganha



A canalhada caiu na vinha como um bando de tordilhos. Algumas parreiras ficaram sem poder mostrar os olhos brancos de sumo ou tintos de solidão. Mesmo os cachos de quilhão de galo, sempre camuflados de folhas, foram limpos num instante! Lá irão ficar mais uns espaços no forro da sala, anualmente preenchidos pelas passas.
Não foi necessário muito tempo para que estes incréus trepassem ao lodão plantado ali na canada ao pé da vinha. Era sempre esta jangada que os salvava de uma torrente de ira que o Tio Russo transbordava pela face, ao vê-los deslizar da vinha para o abrigo aéreo. Não hesitou. As pedras voavam por entre o palpitar da árvore, até pintar de vadiagem a ponta dos ramos. Os olhos negros da miudagem já se confundiam com as bagas mais maduras que eram engolidas com caroço e tudo, substituindo uma qualquer chiclete anti-nervosismo.
Já cansado de tanto arremesso, reparou no pelotão desorganizado de sapatos, chinelos e chanatos a decorar o pé da árvore. Enfiou-os todos numa vara, como se fosse numa pescaria invulgar.
- Num tindes bergonha, seus badios?!
- Não, não, Ti Quilhão! Temos é baganha!
- Ai sim! Então vão já pagar as vacas ao dono!
Pegou na espetada de calçado e atirou-a ao Douro que já estava à espreita ali a uns metros. Os peixinhos mais vulneráveis iriam ter uma casa nova.
Depois desta despedida do dono da vinha, o frio e a corrente das águas impossibilitaram qualquer mergulho para salvar os barquinhos de cabedal. Tiveram de ir para casa de focinho no chão a contar as pedras que se alojavam entre os dedos dos pés.
In, Contos de Rodapé

O FEL da Terra



Imagens que me tiram as palavras.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Peixe do rio em calda


Aqui, neste caçoilo, fica a receita da srª Júlia, sempre que quiserem aventurar-se neste testemunho gastronómico que envolve um património humano, faunístico e botânico.
O peixe
Amanha-se o peixe (o que vier à rede), lava-se e corta-se aos bocados (o grande). Tempera-se com sal, alho e erva-peixeira. Depois frita-se em azeite quente. Estando frito, retira-se para um caçoilo de barro.
A calda
Ao azeite da fritura junta-se o alho, um ramo de salsa, louro, colorau doce, "guinda" ou malagueta, um pouco de vinagre, sal e um pouco de água. Deixa-se arrefecer esta calda, deita-se por cima dos peixe e, se não resistir, coma o petisco no próprio dia. Caso resista, pode deixar que que o molho vá macerando o peixe, fazendo com até as espinhas sejam apetitosas.
Atenção: não troco este pelo da Foz

Portfólio?

Temo fazer de cardeal diabo, mesmo no tempo em que o Papa não é propriamente um santo e é muito dado ao fashion italiano, no vestir e no calçar.
À Descoberta de Moncorvo começa a ter mais paisagens, árvores, arbustos, pássaros e outras circunstâncias do que homens ou histórias de homens. Um centro de memória, como me parece este blogue, na categoria de embrião, deveria recolher experiências e relatos de uma humanidade e mesmo algum surrealismo em que Moncorvo foi sempre fértil.
Há personagens que melhor farão compreender a evolução de Moncorvo e as suas idiossincrasias. A título de exemplo, o Emídio Carteiro já falecido que contava, com colorido, vocabular e gestual, a investida da Legião Portuguesa, comandada pelo dr. Amável, contra o baile dos Bombeiros que estava a arredar clientela ao baile pequeno burguês, hig-life de um jet- subset da sociedade moncorvense. Lembrar, com um grande texto, o papel do eng.Monteiro de Barros de quem tive o privilégio de ser amigo, homem que já lia o Herberto Hélder (ofereceu-me uma primeira edição), enquanto os seus comparsas não passavam do Guerra Junqueiro; que já assinava, desde o primeiro número, o Paris Macth e o Canard Enchainé; o homem que tinha ar condicionado na sua casa, apenas na garrafeira; o homem que deixou uma belíssima mensagem, qual Petrónio, na hora da sua morte, do seu suicídio à patrício romano. A carta existe.
Uma homenagem é precisa ao Arnaldo que, durante décadas, alimentou o humor de uma sociedade fechada como a de Moncorvo. Está hoje praticamente em estado vegetal. Mas as grandes histórias, algumas das quais eu gravei (material que tenho que procurar na desordem dos meus materiais), foram elaboradas como autênticos guiões pelo Arnaldo. Além disso, o Arnaldo foi das personalidades de Moncorvo aquela que mais terá seduzido e mesmo ajudado gerações de jovens da terra.
Sinto-me comovido ao ver fotografias de algumas flores e arbustos da minha infância. A visão leva-me ao universo recuperado de aromas antigos. Suportem pois, este meu papel, esta minha vontade de ver escritas mais histórias, do Rambóia de Açoreira, o imbatível na desgarrada, do Manquinho de Açoreira que, com a sua rabeca, animava bailes de aldeia em aldeia. Acabava sempre bêbedo, mas era enquanto bêbedo que a rabeca melodiava mais sentimento. O Leva-Leva de Vilarinho da Castanheira e a sua resposta sábia ao cónego Almeida. O Horácio Espalha que durante anos e anos foi o reviralhista encartado, "mentor" de algumas gerações que ainda cultivavam a utopia. E mais personagens há que ilustram o universo de Moncorvo, ricas no contraste e na especificidade.
Como acho que os blogues devem ser curtos, redimo-me do pecado inicial e fico-me por aqui. Procurem histórias. Cruzadas uma com as outras, encontra-se uma unidade na diversidade. E compreende-se melhor o Moncorvo de hoje.
Não só a arqueologia das pedras, mas também a dos homens, nos faz compreender melhor o presente.

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