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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A tradição Transmontana

TRADIÇÕES - PROCURE PRESERVÁ-LAS


Em Trás-os-Montes o Natal é diferente do que no restante pais. Prova disso é a quantidade de migrantes e emigrantes que invadiram as estradas portuguesas rumo ao interior transmontano na quadra natalícia.

Hábitos e tradições transmontanas no dia vinte e quatro à tarde começam a descascar as batatas e a arranjar as couves para o jantar. Na boa mesa transmontana não pode faltar polvo, couve, e bacalhau. No que respeita às sobremesas as filhós, os milhos e as rabanadas continuam a ocupar o topo das preferências e tradições.

Em quase todas as casas transmontanas o jantar começa cedo porque as gentes transmontanas não têm o hábito de jantar tarde como os citadinos, à mesa reúne-se quase a família da habitação e poucos são aqueles que ainda cumprem a tradição de abrir as prendas à meia-noite, perdeu-se na história a tradição que mesmo sendo crianças ainda acreditam na vinda do Pai Natal.

Depois do jantar e das prendas distribuídas e abertas normalmente junto à lareira que pelo menos nessa noite se acende na maioria das casas, por vezes segue-se a saída, para a praça da Aldeia, Vila ou Cidade, este ano com a neve mas apesar disso já não neva como antigamente, o frio continua a marcar presença assídua na noite de Natal e ainda há locais onde se fazem grandes fogueiras onde se aquece a população durante toda a noite.

A tradicional fogueira do Galo, continua a tirar as famílias de casa, que apesar da desertificação ainda são muitos novos e alguns de idade avançada, pois é costume dizer-se que Trás-os-Montes tem uma população envelhecida, as chamas vindas de grandes troncos arranjados nos dias e na noite que antecedem o Natal aquecem dezenas de pessoas que se juntam ao seu redor enquanto a missa do galo não começa, mas é uma forma de juntar a família e os amigos, como os costumes nunca se perdem alguns trazem chouriças, outros pão e outros vinho e às vezes ficam até de manhã, sendo por hábito o café da manhã ser feito e servido ali.

As fogueiras de Natal, ou “murras” [gigantesco canhoto de carvalho, castanho ou negrilho, que arde noite fora no largo principal de algumas das aldeias mais puras do Nordeste, representa a coesão de uma comunidade rural, que festeja na rua o verdadeiro sentido do Natal] em algumas localidades do interior transmontano, e ainda representam para muitos a coesão dos habitantes, crianças, jovens, adultos e idosos convivem pela noite dentro e fazem apenas um intervalo para a Missa do Galo à meia-noite.

Numa região onde a população está cada vez mais envelhecida, já houve mesmo paroquias que resolveram antecipar a missa do Galo e fazê-la no dia 23 durante o dia, como aconteceu em 2008, no 25 há missa de Natal seguida de mais uma reunião da família,o almoço que volta a juntar toda a gente na mesma mesa, é fruto da mistura de costumes em algumas casas que não dispensam o perú na mesa, no entanto, nas famílias mais tradicionais ainda se continua a comer a típica “roupa-velha”, uma espécie de mistura de todas as sobras do jantar do dia 24, o famoso cabrito assado transmontano é também frequentemente servido como refeição neste dia, em algumas casas.

Em resumo mais ou menos frio, mais ou menos tradicional, o facto é que a época natalícia continua a encher as Cidades, Aldeias e Vilas desertificadas do interior transmontano que durante o resto do ano se encontram praticamente desertas, alguns matam e trazem saudades, alegria e cor ao interior de Trás-os-Montes, os que cá ficam vão continuar a preparar tudo para acolher nestas e noutras épocas os que decidiram um dia sair à procurar de melhores condições de vida.


Autor: Cidadão do Mundo

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Depois da neve... mais nevoeiro e geadas

 
"... brumas emergiam de longos vales 
que eram fábricas de algodão 
de um inverno eterno.
......................................
o reino da magia do tempo antigo
que se desvanece na memória 
de seres extintos"
(Henrique de Campos, Rio da Morte, 2000)

 
Aninhada no seu "edredon" nevoento, 
a "menina" começa a despertar...

Vai-se desnudando, libertando-se dos "cobertores".
Ei-la que emerge para um novo dia...
Algures na Terra Média.
Ao fundo, muito ao fundo, o pico da Mua,
de onde ferreiros mágicos arrancavam as pedras
para forjarem as espadas dos Elfos.


Geada e nevoeiros, na encosta da estrada para a Açoreira... 
Ao fundo, espreitando, lá está ela, tiritando ainda
(e com esta tundra na vertente, talvez Torres de Moscovo...).

Textos: Henrique de Campos
Fotos: de um fotógrafo madrugador, que quis permanecer no nevoeiro...

domingo, 11 de janeiro de 2009

O Tempo, essa noção...

Os comentários têm sido fecundos em relação ao passado e à importância do passado nas nossas vidas, individuais e colectivas. O tempo, em suma. Muitos post e outros tantos comentários, mais do que passado, estão a desenhar uma identidade de Moncorvo. Numa busca desordenada de papéis velhos vou encontrando, tempos próprios, porventura datados: uma carta de Monteiro de Barros de 1976, descrevendo a situação política da época em Moncorvo; uma carta do Horácio Espalha já quase de despedida e influenciado pelo voluntarismo (mais do que utopia) do MRPP; o primeiro livro de Pires Cabral, com 25 exemplares, feito a stencil na Escola Secundária de Moncorvo, em Junho de 1974, com capa de Horácio Simões(dr.), um velho com chapéu de aba larga e barba de oito dias. É a primeira obra editada por Pires Cabral, hoje um dos grandes poetas portugueses. E depois leio a Primeira Comunhão da Júlia Guarda Ribeiro, um testemunho precioso, ainda que em linguagem grácil mas de conteúdo sofrido, que revela, embora com a tolerância que lhe é peculiar, os preconceitos de uma vila, a moralidade de sacristia, preconceitos e moralidade que ainda não foram de todo afastados. E todas estas leituras me obrigaram a uma reflexão sobre o Tempo. Espero a vossa benevolência a par das críticas. Falar do Tempo é falar de uma abstracção que só existe enquanto nós existimos. Ou se existe é apenas no nosso pensamento. Com a nossa morte, para quem não acredita na eternidade, o tempo deixa de existir. De qualquer modo, para quem acredita na eternidade, não tem sentido a existência do tempo, pois a eternidade pressupõe o infinito. Mas vamos às origens mitológicas do Tempo antes que a inquietação me perturbe o raciocínio. Chronos, com h, para distinguir do outro Cronos, o que engoliu os filhos ao nascerem, com o medo de ser destronado por um deles, Chronos, com h, repito, é entre os gregos e os romanos, nestes sob o nome de Saturno,a personificação do Tempo, criado por si mesmo. Era um ser incorpóreo e serpentino, com três cabeças, de homem, touro e leão. Permaneceu deus do tempo remoto e sem corpo. A minha reflexão dificilmente aceita a linearidade, porque o tempo não é linear, embora seja contínuo na nossa descontinuidade, no depois de nós outros vêm.
Há vários tempos: o mítico, o histórico, o simbólico. entre outros. O tempo simbólico só é possível num espaço simbólico, como no ritual da Igreja e na Bíblia, sobretudo no Pentateuco (os cinco livros da Tora judaica) em que os predestinados, como Matusalém, por exemplo, chegam a ter a provecta idade de 600 anos. Na rua, em relação à missa na igreja de Moncorvo, por exemplo, o espaço é outro e outro é o tempo. Em Kant o tempo é sempre espacializado. É o tempo simbólico subjectivo? É. Todo o tempo pessoal e o tempo na relação com o Outro são subjectivos. A definição mais comum do tempo e a que menos inquietação provoca: período que vai de um acontecimento anterior a um posterior. Ou seja, uma espécie de ponte invisível entre o passado e o futuro (este blogue é paradigma disso).
É minha profunda convicção de que não há tempo absoluto, porque o Homem e a Humanidade só sobrevivem nos seus limites. (Lembra-me uma Ode de Píndaro, que serviu de epígrafe ao Mito de Sisifo de Albert Camuns: "Ó minha alma, não aspires à vida imortal/ Mas esgota o campo do possível")
É impossível instituir uma medida única do Tempo. A simultaneidade de acontecimentos distantes no espaço não tem senão um sentido relativo. Para uns os acontecimentos não são o que são para os outros. Cada sistema de referências tem o seu tempo próprio.
O tempo histórico, também chamado " a ciência dos homens no tempo", podemos dividi-lo em três subsistemas: o tempo curto, de acontecimento circunstancial; os ciclos económicos, por exemplo, como um tempo conjuntural; e o tempo de longa duração, este estrutural.
O tempo mítico refere-se a um tempo primordial que tem muito pouco a ver com a história real. É o tempo, entre outras idades, da Idade do Ouro, tão bem poetizada nas Metamorfoses de Ovídio ou no milenarismo do Apocalipse e do calendário Maia (no primeiro, o Mundo acabava aos mil anos para surgir o Mundo melhor, guiado por Messis; no segundo, termina em 2012, em 21 de Dezembro, com a última passagem do planeta Vénus, no século XXI, também para vir um mundo melhor).
Entremos agora no campo das interrogações, das dúvidas e da perplexidade do ser.
Através da distância do tempo, que não é mensurável, o definitivo não é o definitivo; o ser, embora sendo, não o é ainda. A estrutura da temporalidade em que se produz o ser está ligada a um gesto elementar do ser que rejeita a totalização. O ser não consegue ultrapassar os limites do possível.
Trazemos connosco um armazém da memória e o aceno das recordações. Na memória, não seleccionamos o passado pela importância real dos factos. É possível lembrarmo-nos da primeira vez que nos fomos banhar ao Rio Sabor e esquecermos o dia do nosso casamento. Não fomos nós que seleccionámos. Não houve repressão consciente. A memória não é repressiva. Ou é? Quanto às recordações, são sempre como um lenco frágil à procura do tempo perdido, que nos proporcionam sonhos, mas não nos devolvem as ocasiões perdidas. Mas a recordação surgida a cada novo instante não nos dará já ao passado um sentido novo? (Estou-me a lembrar de algumas fotografias editadas no nosso blogue).
Na paternidade em que o Eu através do definitivo de uma morte inevitável (uma certeza que nós todos comungamos) se prolonga no Outro, o tempo triunfa, pela sua descontinuidade, da velhice e do destino.
A paternidade, no meu sentir, é a maneira de ser Outro continuando a ser o próprio.
Regressemos ao instante, à recordação que, de tão intensa, pode ser tão duradoura como o nosso derradeiro limite. É a própria obra do tempo.
Em contrapartida, o esquecimento anula as relações com o passado. E aqui entramos no capítulo da culpa e do perdão. Citando uma expressão comum: perdoo tudo, mas não esqueço nada. O perdão conserva o passado. Mas aqui levanta-se o problema da culpa e do sofrimento. Até que ponto podemos perdoar, quando pelo sofrimento (também outra noção do tempo) nos quiseram e por vezes conseguiram reificar? Estou-me a lembrar de Auschwitz e de todos os Goulags de todo o Mundo, estou-me a lembrar da banalização do mal (vidè Hanna Arendt), estou-me a lembrar da vulgarização da violência, do conformismo face à corrupção, da falta de indignação face ao indigno. Esquecer, como já disse, é anular todas as relações com o passado; mas perdoar é assumir, já no presente, o sofrimento futuro.
Por fim, para os que crêem na eternidade (ausência de tempo e ausência de espaço), lembro a descida aos Infernos de Dante e a subida ao Paraíso. E interrogo-me sobre o sentido da culpa e o sentido da recompensa. Tanto o céu como o inferno não dão oportunidades de redenção ou pecado: o que está no céu não pode pecar; o que está no inferno, não pode fazer o bem. Neste maniqueísmo, não há lugar para segundas oportunidades.
Ou seja, transmutados para uma abstracção sem tempo, não têm a possibilidade de se redimir da culpa, nem, em sentido contrário, de cometer algum acto que provoque o sentido da culpa. A eternidade não é só a negação do tempo. É também a negação da liberdade.
Ponto final: os homens já roubaram todo o fogo aos deuses; eu contento-me com menos: roubo-vos um pouco do vosso tempo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Branca de neve


Mudam-se os tempos, mudam-se as paisagens...
Moncorvo, a preto e branco, há 40 anos.
Leonel Brito

Notícias do burgo II - Neve


Recortando-se contra o paramento lateral da igreja, pareciam moscas brancas... pois, mas eram flocos de neve, caindo pela manhã do dia 9 (ontem)... Vendo-a cair, de mansinho, veio-me à mente uma canção de Brell: "Tombe la neige / sur Liège...."

E a neve foi tombando, "leve, levemente" (diria Augusto Gil), aqui como por toda a parte. Apesar de, na vila, ela pegar pouco, nada que se compare com o Carvalhal ou o alto da serra do Roborêdo, cá ficou ainda alguma, sobretudo ao cair do dia, dando um aspecto verdadeiramente feérico e irreal à paisagem. Frio, mas belo!

Notícias do burgo I - Incêndio


Com o intenso frio que se vai fazendo sentir, é natural que as chaminés, ou "chupões", não tenham descanso na tiragem dos fumos. Só que há depois a acumulação da fuligem... (que às vezes pega fogo). Terá sido isto que aconteceu, no dia 8 de Janeiro, por detrás do estabelecimento do Sr. Medeiros? ou foi antes um aquecedor, ou um curto-circuito, que fez deflagrar um pequeno incêndio, nesta zona da vila, como a foto documenta? - Responda quem souber... O repórter ia a passar e captou o momento da pronta intervenção dos nossos Bombeiros.

E aproveitamos para deixar o alerta: cuidado com a manutenção dos sistemas de aquecimento, com lareiras e tudo o mais que possa pegar fogo. O frio é muito, mas dispensamos fogueiras grandes!

Ainda sobre os Guarda-Rios: a Sede do 14º Lanço/Torre de Moncorvo


Entrada da sede dos serviços de Hidráulica do Douro - 14º lanço (Torre de Moncorvo), no Largo Dr. Balbino Rego, nº. 19, em Abril de 2005.

A mesma casa, depois de recuperada, em finais de 2005, numa intervenção merecedora de um Prémio de Conservação de Património. 

A casa do lado direito da 2ª foto (que após as obras foi deixada com a pedra à vista), era a residência do chefe dos guarda-rios, Sr. Frederico Mesquita. A do lado direito, pertenceu a Manuel Brito, um dinâmico empresário moncorvense que foi o primeiro empreiteiro de estradas da região (que aqui iniciou a "era do asfalto"), nos anos 40?, e que depois se dedicou ao negócio do volfrâmio. 
Esta mesma casa serviu de sede da Companhia Mineira da Aveleira, fundada em 1954, por iniciativa de Manuel Brito, autor do maior número de registos de minas, nessa época, conforme consta de um Livro do Registo de Minas dos anos 40-50 do séc. XX existente no Arquivo Histórico Municipal de Torre de Moncorvo. A Mineira da Aveleira concentrou a sua acção na exploração das minas de volfrâmio da Aveleira, no limite das freguesias de Torre de Moncorvo e Larinho, onde ainda hoje se encontram significativos vestígios dessa actividade extractiva.
Pouco tempo antes, em 1950-51, era fundada a Ferrominas, virada para a exploração dos minérios de ferro da Carvalhosa. - Foi o período áureo das minas, no nosso concelho.
E não deixa de ser uma feliz coincidência a localização do Museu do Ferro e da antiga sede da Mineira da Aveleira (depois casa dos guarda-rios), no mesmo espaço da vila, o Largo Dr. Balbino Rego (antigo largo do Outeiro).

Fotos de: Martex e N.Campos

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Os últimos guarda-rios


Mais uma, esta tirada em 9/05/82. São os últimos de uma profissão também já extinta, a de guarda-rios. Nessa data homenagearam o chefe, Frederico Mesquita, por ter atingido a meta da sua carreira profissional .
Aí vão os nomes: António dos Santos Silva, Herculano Augusto Salgueiro, Higino Aníbal Pacheco, Acácio da Cruz Rodrigues, António Afonso Clérigo, Casimiro de Sá,
Manuel António Tavares, José Joaquim Ferreira, Ernesto dos Santos Magalhães, Alexandre José Cascais, António Maria Vilares, Gilberto Augusto de Carvalho Pinto, Constantino da Gama Fernandes e Joaquim Pereira.
Seria interessante saber quem, na fotografia, corresponde aos nomes citado e de que aldeia são.

Os Serviços da Hidráulica foram oficialmente extintos depois da morte de Frederico Mesquita, mas estavam sem funcionamento, na prática, desde a sua reforma. Contava-me ele, que, muitas vezes, um ou outro guarda-rios, vindos das aldeias às feiras de Moncorvo, procuravam o ex-chefe e lhe perguntavam, apreensivos, se, não aparecendo ninguém a vigiar-lhes o serviço, mas com o vencimento depositado todos os meses na Caixa, não teriam que repor o dinheiro entretanto gasto. "Não virão um dia descobrir isto?", perguntavam desconfiados. E o chefe respondia : “Não se preocupe. Ainda há repartições em Vila Real e no Porto”.
Leonel (Lelo) Brito

Ecopista Torre de Moncorvo - Ponte REFER Pocinho


Município de Torre de Moncorvo quer garantir a ligação da ecopista do Sabor à linha do Douro


Os municípios de Torre de Moncorvo e de Vila Nova de Foz Côa vão pedir a classificação da ponte rodo-ferroviária do Pocinho como Património Nacional. Para tal, estão a elaborar uma proposta conjunta ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

Trata-se de uma ponte centenária, que se encontra fora de serviço há mais de 20 anos. “Já elaboramos dois documentos, um de ordem jurídica e outro de fundamentação histórica, que foram aprovados, por unanimidade, pela Câmara e Assembleia Municipal de Moncorvo”, realça o presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Aires Ferreira.

A proposta de classificação, que une os dois municípios, assenta no interesse histórico da infra-estrutura, bem como na importância em ligar a ecopista do Sabor à linha do Douro, pelo seu traçado original.

Além disso, mantém-se intacto o espaço-canal, permitindo que gerações futuras optem pela manutenção de ecopista ou pela reintrodução do transporte ferroviário. “Não faz sentido a ecopista morrer na margem do Douro”, defende Aires Ferreira.

Infra-estrutura inaugurada em 1909 poderá ser aproveitada para fins turísticos

A preservação do património também trará vantagens ao nível do turismo. “Os grupos de pessoas que visitem a região podem sair do comboio e entrar logo na ecopista”, realça o edil.

A ponte ainda se encontra em boas condições de conservação, mas para poder ser utilizada como travessia, quer rodoviária, quer ferroviária, necessita de obras de reabilitação.

A infra-estrutura representou um investimento importante para a região no início do século XX. Em 1886, foi aprovado um projecto para a construção do ramal da Estrada Real nº 9, entre Celorico da Beira e Miranda do Douro, mas, 13 anos depois, foi aberto o concurso público para a construção de duas pontes sobre o rio Douro: a do Pinhão e a do Pocinho. Esta, para além de ligar os dois troços da Estrada Real nº 9, também iria reunir condições para ser aproveitada para o caminho-de-ferro entre o Pocinho e Miranda do Douro. O processo foi-se arrastando e a ponte só foi inaugurada a 4 de Julho de 1909.



FONTE[JORNALNORDESTE]

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Grupo Desportivo de Torre de Moncorvo em fotografia

Queria divulgar um Album digital de fotografias que ilustram muitos momentos da vida do Grupo Desportivo de Torre de Moncorvo. Aqui podem ser encontradas fotografias da década de 50 até à actualidade; desde as tradicionais equipas de casados e solteiros até a imagens de momentos históricos como encontros com o FCP, com o Boavista ou Leixões; os campos de jogos, os convívios, até a forma de vestir (e conviver).
Esta recolha de perto de 350 fotografias, resulta do empenho, ao longo de vários anos, de Carlos Ricardo. É um património que pode ser acedido por qualquer um, e que pode também ser enriquecido por quem tenha em casa fotografias que decida disponibilizar para fazerem parte desta galeria.
Com autorização de Carlos Ricardo, aqui são apresentadas algumas fotografias
O endereço para consultar toda a galeria é:

http://picasaweb.google.com/gdmoncorvo

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Leva-leva e o peixinho frito do Sabor

Inteligente, com estudos, boémio, perdido da vida, chegou a Moncorvo e ai ficou para sempre. Beberrão e comilão, mas com grandes conhecimentos agrícolas, um hortelão de primeira. Um quintal amanhado por ele era um primor. E tinha sentido de humor.
Quando ia com o burro para a Quinta da Água, levava sempre no bolso um bilhete de cinema do cine-teatro, não fosse o cantoneiro pedir-lhe a licença camarária do burro.
É que a maioria dos cantoneiros não sabia ler, mas reconheciam o carimbo da câmara. E lá se safava.
O Leva-leva foi um dos meus heróis de menino.
Leonel Brito

Dr. Armando Pimentel (2)


Foi o Amândio Gomes quem, no dia 30 de Dezembro, me comunicou a morte do Dr. Armando Pimentel.
Para além da leitura dos seus excelentes escritos no jornal "A Torre", eu nunca tive grande contacto com o Dr. Pimentel, mas lembro-me de algumas interessantes conversas entre ele e o meu pai, em Mogadouro.
Eu escutava-os em religioso silêncio. Eram ambos amantes dos livros, da Literatura e da História. E quanto saber, meu Deus! Quanto que aprendi a ouvir os dois!
Uma coisa extremamente curiosa e completamente diferente foi o episódio que vou contar: tendo eu chegado uma tarde a Mogadouro, estava o meu pai a fundir coroas de ouro para aplicar em dentes de pacientes seus (penso que hoje o processo já será outro).
O Dr. Armando Pimentel estava a ajudá-lo! Segurava o maçarico de gasolina apontando-o à bolinha de ouro em fusão; o meu pai soprava o maçarico de boca para ajudar a chama a inclinar-se para o ponto devido e o Dr. Pimentel ia fazendo uma data de perguntas.
Quando o meu pai considerou que o ouro estava pronto para moldar, enfiou rapidamente a bolinha na pequeníssima prensa e calcou a tampa forrada de amianto bem encharcado em água.
O vapor de água que se formou iria empurrar o ouro por um buraquinho quase invisível e a coroa ficaria moldada, perfeita para o dente que iria salvar.

Aí, o meu pai, vermelho do esforço do sopro, inspirou profundamente e disse: "- Porra, homem!
Não viu que de maçarico na boca eu não podia responder-lhe."

As gargalhadas que ambos deram, quase deitavam a casa abaixo, e eu fiquei com a ideia de que o Dr. Armando Pimentel era formado em Físico-Químicas.
Ele sabia imenso sobre metais, suas características, pontos de fusão, etc. etc.
Só que nunca tinha visto fazer uma coroa de ouro.
Foi um momento único!

Depois de o Dr. Pimentel sair, é que o meu pai me esclareceu que o mesmo era formado em Direito.
Aquele Homem era um Sábio.

Júlia Ribeiro

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Foz do Sabor

Descendo da estrada de Moncorvo para o rio Sabor, atravessando a ponte ,estamos na Foz do Sabor. Nesta aldeia do concelho de Torre de Moncorvo, encontram-se o Sabor e o Douro, dois rios que embelezam a aldeia e atraem grande número de visitantes na altura da época balnear.
Nas margens do rio Sabor, podemos encontrar barcos dos pescadores da Foz do Sabor, pois aqui comem-se uns peixinhos fritos, estaladiços, bem deliciosos e as tradicionais migas de peixe.




Merece a pena fazer uma visita a esta linda aldeia, pela beleza paisagística que o Sabor e o Douro nos proporcionam, pelos banhos na praia fluvial ou não seja para comer uns peixinhos fritos e umas migas de peixe.

Comentários moderados


Como seria de esperar, o sucesso crescente do Blogue traz também visitantes menos interessados, até incomodados, que procuram desmoralizar aqueles que prescindem de algum do seu tempo para aqui partilharem as suas ideias e emoções.
Este espaço nunca pretendeu ensinar, nem dar lições a ninguém. Para isso teriam que nos pagar. Tal como o nome do Blogue indica, o objectivo é descobrir. A descoberta é um acto individual, que aqui é partilhado, permitindo outras abordagens, outros percursos de descoberta.
Desde início que se colocou a possibilidade dos comentários do blogue poderem ser moderados. Não o foram, porque essa foi opção tomada. Entramos num novo ano que se imagina quente, temos que manter o sangue frio. Para evitar ataques pessoais, anónimos ou não, ou aproveitamento deste espaço, os comentários, a partir de hoje, passam a ser moderados.
Lembro os mais incomodados de que a Internet é muito grande, há tanto espaço por aí...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Ainda Borges


Ainda a propósito de Jorge Luís Borges, envio esta foto (haverá mais?) da “embaixada” moncorvense a Lisboa em 1984, aquando da entrega do titulo de Cidadão Honorário da nossa terra ao “padre literario de la literatura hispanoamericana del siglo XX”.
Leonel Brito

sábado, 3 de janeiro de 2009

Meninos do Felgar

Da reportagem “Moncorvo, zona quente em terra fria”, de Março de 1974, fazia parte esta fotografia tirada no Felgar com a canalha da aldeia gritando para o fotógrafo:
É p'rá telebisão!
Passados 35 anos, os meninos de 74 desta foto, alguns são hoje pais, outros já avós. Que esta foto seja uma prenda (atrasada) de Natal para todos.
Leonel Brito

Reacções


Caríssimos Amigos
Permitam que desde já assim vos nomeie, pois o vosso blog despertou-me emoção profunda que só o encontro de velhos Amigos permite sentir.
Uma das minhas ciberdivagações levou-me ao encontro (premonição ou acaso?) da minha terra e, nesta, das várias portas que entretanto se abriram, pelo Reboredo, pelo Sabor, Carviçais e Urros, uma levou-me à (como chamar-lhe?) crónica, que foi como que a porta da minha antiga casa. Um texto belíssimo de Rogério Rodrigues sobre o Dr. Ramiro e o Colégio Campos Monteiro. Daí ao desfolhar dos outros posts e imagens e sugestões foi um simples passo - para mim um momento raro, como que um abrir da arca onde guardamos tudo o que por razões inefáveis, escapa sempre às mudanças de vida, de casa , de país, de sonhos , projectos e mundos.
Como transmitir-lhes esse meu entusiasmo de me rever a cruzar a praça até ao adro da Igreja, ou a jogar à bola na Corredoura, ou a fruir as noites de Verão pela estrada das Aveleiras, ou a cirandar pelo café do sr. Basílio entre as baforadas de fumo acre do tabaco e o cheiro da cerveja, ou a entrar na farmácia da D. Cármen para fazer um curativo do galo da testa, ou ainda os passeios na serra onde a ponta da bota descobria pedras luzentes de hematite, ou a acolher-me ao colo da minha Mãe no meio do ribombar majestoso e intimidante das trovoadas de Setembro? Como contar-vos das merendas na foz do Sabor ou do glorioso cabrito assado da casa de meus Pais pela Páscoa? Ou a ruidosa feira ali na praça, mesmo à saída da porta, ou a triunfante banda de música pela festa de Agosto?
Nada, em tantos anos desde a infância, me comoveu tanto como o sentir que as minhas raízes continuam a sorver do árduo chão a forma e a figura - de pé, vivos e orgulhosos transmontanos.
Bem hajam todos!
Daniel de Sousa

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Acontecimento do Ano 2008

A ideia da eleição do Acontecimento do ano de 2008, em Torre de Moncorvo, surgiu espontaneamente num comentário, no Blogue. Pareceu-me uma ideia interessante. Não é nada como eleger as 7 maravilhas do concelho, coisa que podemos fazer mais tarde, mas, como experiência, funcionou bem. Não vamos discutir os votações obtidas, coisa que possivelmente nos levaria a entrar em desacordo. Os resultados da votação foram os seguintes:
Barragem do Baixo Sabor (15) 18%
Centro de Memória de T.Moncorvo (2) 2%
Criação do Blog "À Descoberta" (22) 27%
Entrega de casas no novo bairro social (2) 2%
GDT Moncorvo na Taça de Portugal (5) 6%
Grupo Alma de Ferro (14) 17%
Nomeação dos Myula (15) 18%
Trabalho do Museu do Ferro (8) 10%

Quase sem surpresa, não estivéssemos nós a jogar em casa, o Blogue destacou-se com alguma margem. É com alguma satisfação que partilho a evolução dos visitantes desde a sua abertura, em Maio de 2008. É de realçar que o mês em que o blogue teve mais procura, foi o mês de Dezembro, com quase 5 mil páginas vistas. Só posso agradecer a uma série de visitantes, que aqui vêm com regularidade, a um conjunto de colaboradores que também se vai alargando e ao grande dinamismo de muitos fóruns e Blogues existentes no concelho (e não só), dos quais destaco: PARM, Mós, Carviçais, Felgar, Castedo, Ligares e Maçores.
Estamos nisto, para nosso prazer, mas também pela promoção do concelho de Torre de Moncorvo. É com este espírito que avançamos para 2009.
Obrigado a todos.

Nota: a fotografia da igreja é de Mário.Soure

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bom 2009


Mesmo longe de casa, recorri a um quiosque internet para poder desejar a todos os vistantes do Blogue um EXCELENTE 2009.
Que o ano novo proporcione tudo aquilo que não conseguimos realizar em 2008. Amanhã cá nos encontraremos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Borges filho de Moncorvo

TRANSMONTANOS DURIENSES - JORGE LUÍS BORGES



Nasceu em Buenos Aires em 24.08.1899. Faleceu em 1406/1986, de cancro hepático, em Genebra.

Deixou uma obra vastíssima e marcante. Chegou já a ser considerado o melhor escritor mundial da sua época. Porque o invocamos aqui? É porque ele era de origem portuguesa e transmontano pelo lado do bisavô. E fazia grande questão disso.

O caderno DNA (1998), dedicou-lhe uma série de páginas, assinadas por Eduardo Pita, Tiago Rodrigues e outros e, precisamente este último, em artigo intitulado do "O Bisavô Português, escreveu no lead: «José Luís Borges sempre se orgulhou das suas raízes portuguesas e interessou se muito pelos antepassados quando visitou o nosso país, em 1921 e em 1984. Sabia se que seu avô, Francisco Borges, saiu um dia de Torre de Moncorvo, com destino ao Rio da Prata. Em Trás-os-Montes, procurámos o rasto do homem que deu ao grande escritor o seu apelido". No corpo do texto reafirma se "Regressa a Portugal em 1984. Declara que essa visita é também uma homenagem ao seu bisavô português, Francisco Borges. Nessa ocasião, afirma saber que Torre de Moncorvo era a terra natal desse antepassado. Em Lisboa, numa visita ao Grémio Literário, encontra se com representantes da autarquia de Moncorvo que o declaram cidadão honório da pequena vila do nordeste transmontano. Borges quis saber coisas sobre essa terra do bisavô Francisco, da qual já ouvira falar, mas nunca chegou a visitá la". Pelo seu interesse transcrevemos todo o texto de Tiago Rodrigues: Rondaria os vinte e dois dias quando visitou Portugal. Em 1921, Jorge Luís Borges findava uma estadia de três anos em Espanha com a família. Conhecera Valle Inclán, lera Unamuno e vertera poetas germânicos para castelhano. É então que chega ao nosso país com o propósito de encontrar esses seus "mayores", a "vaga gente" do seu sangue. Cinquenta anos mais tarde, contará numa entrevista como tentou auscultar o paradeiro da família do seu bisavô português: "Quando consultámos a lista telefónica, havia tantos Borges que era como se não existisse nenhum. Tinha cinco páginas de parentes. O infinito e o zero assemelham se. Não podia telefonar a cinco páginas de pessoas e perguntar: "Digame uma coisa: na sua família houve um capitão chamado Borges, que embarcou para o Brasil em fins do século XVIII ou princípios do XIX?..." No entanto, descobri com tristeza que um inimigo de Camões se chamava Borges e tiveram um duelo». Por essa altura (1984) algumas redacções enviam jornalistas para a vila. É descoberta uma família Borges, ao que parece antiga, numa aldeia do concelho. Felgueiras, terra de famílias judaicas e de apicultores, parecia ser o ponto de partida desse homem que viajou até à América do Sul para oferecer outro sotaque ao seu apelido. Apesar da precaridade das provas, a tal família é apresentada como a raiz portuguesa do grande escritor argentino. Mas essa hipótese, essa pista genealógica, está condenada a cair por terra, uma vez que dos Borges de Felgueiras só há registo a partir do final do século XIX. As origens transmontanas do homem que escreveu "O Aleph" são, obviamente, muito mais remotas. A Biblioteca Municipal de Moncorvo seria local inevitável a ser visitado por Jorge Luís Borges, numa hipotética estadia na terra dos seus antepassados. Quem conseguisse esse roteiro imaginário, acabaria por encontrar António Júlio Andrade, bibliotecário e director do jornal "Terra Quente". Homem que se ocupa dos arquivos, ele tem procurado Francisco Borges em todo o tipo de registos e correspondências. Alguns dos documentos que descobriu são inéditos e permitem uma indicação mais precisa da sua origem. Que pode muito bem estar no Morgadio do Mindel, o mais antigo que há conhecimento na comarca de Moncorvo, pertencente a uma outra família Borges muito anterior à de Felgueiras. Esta família possuía, além de algumas casas na vila (agora já desaparecidas), uma quinta na Vilariça os campos mais férteis do concelho e todo o território da aldeia de Peredo dos Castelhanos.

O argentino D. Luís Guillermo de Torre, parente de Jorge Luís Borges e membro da Comissão Heráldica da Argentina, forneceu dados biográficos fundamentais sobre Francisco Borges. "Terá sido baptizado numa das paróquias de Moncorvo, talvez em 1782. Era filho de Manuel António Cardoso e de Maria Antónia. Ignora se o apelido da mãe, que se supõe ser Borges. Chegou ao Rio da Prata em 1817, na expedição do general Lecor. Casou em Montevideu, em 3 de Fevereiro de 1829, com a argentina Carmen Lafinur". Deste casal nasceu o avô paterno Francisco Borges Lafnur, que se casaria com a inglesa Frances Haslam Arner. Este avô é evocado em 1969, no poema "Alusão à morte do coronel Francisco Borges (1833/74)". Guillermo de Torre também aponta a data de morte. "Morreu em Montevideu em 1837, com 55 anos. Daí a data apontada para o seu nascimento". Estes são dados porventura recolhidos junto da família.

Quanto aos que referem Torre de Moncorvo como sua terra natal, apoiam-se provavelmente em recordações do que Francisco Borges teria eventualmente contado. Talvez seja também esta, de resto, a justificação para o facto de Jorge Luís Borges mencionar Moncorvo, quando nos visitou em 1984. Tudo indica, portanto, que Francisco Borges pertencesse aos tais Borges do Morgadio do Mindel. Família ainda mais portentosa porque dela fazia parte Frei Miguel da Madre de Deus, um homem que chegou a ser arcebispo de Braga. No seu tempo, esteve sempre nas boas graças do Príncipe Regente, hoje, ensombra a sacristia da Igreja matriz de Moncorvo. É por este ilustre antepassado que é possível encontrar uma árvores genealógica dos Borges. Isto porque a Igreja investigava a carga genética dos seus bispos, buscando qualquer rasto de sangue judeu até à sétima geração. Guillermo Torre afirma que o pai de Francisco Borges se chamava Cardoso, um nome judeu. Talvez esse nome como era comum acontecer fosse revertido para um nome mais cristão, como Cruz, apelido bem usual entre os Antónios da família Borges de Moncorvo. A possível alteração dos nomes de origem judaica torna muito difícil descobrir a filiação de Francisco Borges na árvore genealógica de Frei Miguel, mas há vários casais cujos primeiros nomes e datas de nascimento coincidem com os que poderiam ser os dos seus pais. Se procurarmos o próprio Francisco Borges, encontramos três homens, nascidos à volta de 1870, com esse nome. Todos eles irmãos e sobrinhos de Frei Miguel. Um deles até nascido em 1782, data apontada para o nascimento do bisavô português de Jorge Luís Borges. Só que este foi cavaleiro fidalgo e vereador da Câmara de Moncorvo numa data posterior à da partida da armada do general Lecor para o Rio da Prata. As coincidências levam a acreditar que, investigando mais a fundo, encontraríamos Francisco Borges nesta família de Torre de Moncorvo. Entretanto, existe pelo menos uma prova irrefutável de que ele nasceu nesta vila, o registo dos homens que, com a Sétima Companhia de Fuzileiros, embarcaram em 1821 para o Rio da Prata. Este documento, do Arquivo Histórico Militar, revela que dois homens com o nome de Francisco Borges partiram nessa armada do General Lecor. Ambos tinha nascido na comarca de Moncorvo. Um era alferes e outro tenente. Mas nenhum outro dado nos permite apontar se algum deles era o futuro bisavô do homem que escreveu "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam".

Em Torre de Moncorvo, o escritor dá hoje o nome a uma avenida moderna. A Av. Jorge Luís Borges, de bom asfalto, onde fica o terminal das carreiras. Lugar de chegada e partida, lugar onde se cruzam pessoas e mercadorias. Mesmo ao alto da avenida, está uma fonte antiga, que se chama de Santo António, da qual se diz que quem beba aquela água há de casar em Moncorvo. Esquivo também antes da morte, o bisavô Francisco foi casar à Argentina.


FONTE[DOUROPRESS]

Borges é o último gigante literário de que se pode falar

O escritor José Saramago defendeu em 14-12-2008 que Jorge Luís Borges é "o último gigante literário" de que se pode falar, considerando que "há mundos que existem a partir do momento em que ele os criou".
Saramago falava na inauguração do Memorial ao escritor argentino, da autoria de Federico Brook, no jardim do Arco do Cego, a poucos metros da residência do Nobel português e da embaixada argentina.
Por isso, disse, por morar perto "talvez virá" com a sua mulher, Pilar del Río, ao jardim, sentar-se num banco e "para estar ao pé dele".
Saramago salientou que Borges é um "grande escritor e humanista" que "descobriu a literatura virtual".
Um conceito que reconheceu ser-lhe difícil de explicar mas que se aplica à prosa e poesia na medida em "há mundos que existem a partir do momento em que Borges o criou".
Antes, a viúva de Borges, Maria Kodama, que se referiu a Saramago e à sua mulher como «anjos providenciais», recordara que Borges considerava que a palavra «saudade» lhe estava no sangue, apesar de não ter um conhecimento claro da sua família portuguesa que seria originária de Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes).
"Pouco se sabe da família Borges" que serão de Trás-os-Montes, concordou Saramago, rematando: "parece que a família existiu para produzir este José Luís Borges e depois não deixou rasto".
Presente na cerimónia, o embaixador argentino, Jorge Faurie, considerou que o memorial "será um marco das relações históricas entre Portugal e a Argentina".
É "um elo palpável entre Portugal e Argentina", acrescentou, recordando que as relações entre os dois povos existem "desde o tempo das descobertas", de que deu como exemplo a exploração portuguesa da região de La Plata.


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