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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Ainda Alma de Ferro

Mal eu sabia que um post meu de satisfação e conforto por ter visto nascer um grupo de teatro na minha terra, Torre de Moncorvo, iria dar tanta polémica, alguma profunda, outra oportuna e ainda outra, porventura, leviana. Não levei nada a mal as críticas que foram feitas, sobretudo por Elizabet Almeida que não tenho o prazer de conhecer e que, julgo eu, ela não tem a pouca sorte de me conhecer. A sua utilização da metáfora tem imanente um conceito de classe de que eu não comungo. E digo porquê: dizer que dou uma no cravo e outra na ferradura é como se eu fora ferrador, o que é um ofício digno, diga-se, e que não me ofenderia, se o tivesse. Por outro lado, o Alma de Ferro não é uma besta que se ferre. Quando digo que fiquei muito sensibilizado é porque me recordo de que quando fui professor em Moncorvo pus em cena com os meus alunos finalistas, o Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. Era uma forma de estudarmos Gil Vicente eu e os meus alunos. O talento, a encenação e tudo o mais ficava a milhas do que eu vi no teatro de Alma de Ferro. Foi uma actuação muito pior e eu um muito mau encenador em relação às encenações que vi na noite do Celeiro. E senti-me vingado da minha ignorância. De qualquer modo quero dizer que o cine-teatro esteve cheio e a bilheteira ajudou à viagem dos finalistas que foram visitar o República e assistir ao primeiro espectáculo da Comuna (com João Perry, Jorge Silva Melo, João Mota), a Ceia, ainda numa sala improvisada, junto à cervejaria Portugália, na Almirante Reis ( Lisboa). O facto de falar nas adaptações que falei, foi mera sugestão. Eu estou sempre disposto a aprender, raramente a ensinar. Porque eu tenho um lema na vida: não é sábio o que já sabe muito, mas o que continua a aprender. Gostaria imenso que em volta deste teatro (e eu imagino bem as dificuldades que terão, pelo emprego, pela profissão, pelo tempo de trabalho) se criassem profundas solidariedades que nunca, mas nunca, significam a unicidades ou acriticismos. E por aqui me fico, saudando, mais uma vez, o teatro Alma de Ferro.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pesca Rio Sabor

Concessão de Pesca do Rio Sabor - concelho de Torre de Moncorvo


Despacho n.º 8496/2001 (2.ª série), de 23 de Abril, Alvará n.º 73/2001, de 21 de Julho

Atribuída ao Clube de Caça e Pesca de Torre de Moncorvo, a concessão de pesca no troço do rio Sabor, numa extensão de cerca de 5 Km, limitado, a montante, pelo açude denominado "Calço da Laranjeira", e a jusante, pela ponta sul da "Ilha do Espanhol", concelho de Torre de Moncorvo. A concessão é válida até 21 de Julho de 2011.



Abrir Ficheiro


Fonte:[Ministério da Agricultura]

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Época Natalícia - 2008

Vem aí mais um Natal!
É este o cenário que encontramos nas ruas de Torre de Moncorvo em Época Natalícia.
Quem passe pela praça, depara com este espectáculo de luzes, a que já estamos habituados todos os anos. É uma época linda, em que este tipo de iluminação enche de extrema beleza as ruas da vila.







BOM NATAL!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Plano do Regadio do Vale da Vilariça concluído ao fim de 40 anos


O Plano de Regadio do Vale da Vilariça beneficia cerca de 800 agricultores transmontanos, abrangendo cerca de 1500 hectares de terras, ao longo dos concelhos de Vila Flor, Alfândega da Fé e Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança.
O Primeiro-Ministro, José Sócrates, fez questão de frisar que os transmontanos têm sido “gente com paciência”.
Para o ministro da Agricultura, Jaime Silva, o Vale da Vilariça é um dos bons exemplos de como se podem e devem aproveitar os fundos comunitários disponíveis para o sector. Lembrando que os pequenos agricultores têm ajudas asseguradas, sublinhou que, “em momentos de crise, a agricultura é dos poucos sectores de actividade que pode criar emprego e desenvolvimento no interior do país”, garante.
Tratando-se de um vale com terras bastante férteis, com o seu aproveitamento hidroagrícola será possível aumentar em cerca de 35 por cento o valor das produções, nomeadamente olival e hortofrutícolas.
Com esta última barragem do plano de regadio, orçada em 19 milhões de euros, aumenta em 25 por cento da superfície regada e em 30 por cento a eficiência de rega.
O presidente da Associação de Beneficiários do Regadio da Vilariça considera que “mais importante que os subsídios é a construção deste tipo de infra-estruturas” já que “elas ficam e no futuro as pessoas saberão tirar delas a devida riqueza” refere Fernando Brás.
Este responsável salienta ainda que é preciso aproveitar as estruturas existentes para mudar a agricultura do vale e aumentar o rendimento. “A associação tem ideias que se prendem com a organização da ocupação cultural do vale para dar dimensão às propriedades e tirar daí o máximo rendimento” adianta Fernando Brás.



Fonte: Jornal Terra Quente

Teatro - Alma de Ferro


Assisti à primeira sessão do teatro "Alma de Ferro" de Moncorvo no Celeiro e fiquei surpreendido. É minha convicção que Moncorvo sempre gostou de teatro e que a sátira social é o que melhor se adapta à terra, pois não nos podemos esquecer que a gente de Moncorvo sempre teve um sentido crítico em relação aos vários poderes, reais ou virtuais. A primeira peça, o Jasmim, mais intimista, tinha, no meu ver, uma carga de despedida e de libertação por pecados ou opacidades anteriores. Pareceu-me como uma espécie de justificação, ponderada, como uma encenação em que mais do que a Luz eram as sombras que prevaleciam num gesto espontâneo de libertação. Vieram a seguir dois entremezes em que a disponibilidade dos actores fez esquecer alguma leviandade do texto. E, sem querer, descobri um diamante em bruto, pela voz, pela expressão, pelo movimento, uma jovem que me disseram ser de Felgueiras. Mas, na minha perspectiva, é esta a via a seguir.
Por outro lado - e não quero com este texto diminuir o que foi feito, pelo contrário, sou um defensor do que foi feito - penso existir falta de tarimba e de algum trabalho colectivo. É minha convicção de que um texto de alguém deve ser trabalhado por todo o grupo, com as correcções necessárias, interpretando as características de cada um. Ainda que o texto possa ser assinado por uma pessoa, ele deve ter uma contribuição colectiva, após várias leituras em que cada um pode dar as suas sugestões (sejam elas aceites ou não).
Defendo também a adaptação de alguns textos, sejam eles clássicos ou não, transportados para a realidade de Moncorvo. Estou a pensar no "Avarento" de Molière e mesmo numa adaptação dos Ares da Minha Serra, sobretudo na novela em que um um homem aceita ser condenado só para defender a honra de uma rapariga por quem estava apaixonado. O texto do Campos Monteiro dá azo a uma leitura em que os códigos de honra são valorizados. E depois há outras personagens típicas de Moncorvo. Uma adaptação aos dias de hoje daria uma bela peça, com drama e com crítica social, além do pícaro. O mesmo diria sobre o conto A Rebofa, não fora ele criar uma relação, ainda que forçada, com a construção da barragem do Sabor. Mas é uma história de amor e ódio que merecia ser teatralizada. E penso não ser difícil.
Creio, sinceramente, que o grupo de teatro tem pernas para andar. Precisa de muito debate e não ser muito voluntarioso. Sei, pelo que me foi dito e observado, que o tempo de cada um é escasso e reconheço que pouco mais se pode pedir. Quanto a mim, na medida da minha disponibilidade e escassas competências, estou disponível para o que o grupo de teatro precisar.
Penso também que poderiam conseguir uma ou duas pessoas mais velhas que colaborassem com o grupo, enquanto actores, pois haverá algumas peças que possam exigir, para lá da sempre possível maquilhagem, alguém com voz e corpo e imagem mais velhos.
Já vai longo o blogue, mas não queria terminar sem registar a encenação (sobretudo no monólogo) cujos escassos meios foram, e bem, substituídos pela criatividade.
Em suma, eu penso que o caminho do Alma de Ferro passa por peças que, simultaneamente, sejam capaz de expressar emoções e provocar o riso, entre o drama e a crítica, pensando no público alvo e nas características do quotidiano de Moncorvo. Por agora é tudo. Agradeço-lhes e louvo o esforço.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Souto da Velha - Idoso atacado por javali


Um idoso terá sido atacado por um javali, ontem à tarde em Souto da Velha, no concelho de Torre de Moncorvo.

O homem de 77 anos ficou gravemente ferido nos membros inferiores e foi transportado para o Centro de Saúde de Moncorvo pela ambulância com Suporte Básico de Vida, onde recebeu ainda apoio por parte da equipa de Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Bragança.

A vítima foi posteriormente transportada para o hospital da capital de distrito, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica e está ainda internado, mas fora de perigo. O alegado ataque de javali é um fenómeno raro, pois estes animais, por norma, só agem com violência sobre humanos quando estão feridos.

Fonte: RBA

domingo, 7 de dezembro de 2008

Zona Quente em Terra Fria

Mais uma reportagem do Assis Pacheco, a última sobre Moncorvo (a ordem é arbitrária, embora neste caso, foi a pensar no Nelson e no seu ferro).

1ª O sonho das minas..., sempre as minas no imaginário dos moncorvenses . O Museu do Ferro nasceu para não esquecermos o passado e inventarmos um futuro sem esse sonho que bloqueou a vila durante gerações. O futuro estava nas minas! E não havia outra saída. Assim se pensava. Grande erro, que tão caro nos saiu. Afinal, havia outras alternativas. O concelho desenvolveu-se noutras direcções e hoje, quando regressamos, sentimo-nos em casa, na nossa casa restaurada, melhorada e conservando o seu carácter.
A rua do Quebra-Costas já não está vazia, com as casas abandonadas às criadas. Está lá a Biblioteca, moderna, funcional e aberta a TODOS. Não é preciso ir à boleia ao Sabor para tomar banho. Vamos a pé ao Marmeleiro, onde a câmara construiu as piscinas. Já não trazemos pastéis de Bragança, Vila-Real ou Porto para os que tinham ficado. Compramos os económicos, as empadas, as amêndoas cobertas, os bolos-reis, as alheiras, o presunto, o salpicão, o vinho...para degustarmos e oferecermos e dizermos com orgulho: Come, é bom, é da minha terra.

2.ª A vila a pente fino. E se hoje se juntassem outros quatro moncorvenses com um jornalista e voltassem a passar a vila a pente fino? Sem anonimato, não ao M1,2,3,4, mas com os nomes próprios. O Assis Pacheco, quando esteve em Moncorvo, descobriu um jornalista disfarçado de professor, de nome Rogério Rodrigues.
Do trabalho que fiz com o Assis, sobraram umas 50 fotos que ilustram essa época e, voltar a percorrer esses caminhos para novas imagens, é para mim uma obsessão. Rogério, vamos a isso? Porque sei que também é a tua vontade.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Vias aproximam distrito

Depois de anos de reivindicações por vias condignas para Trás-os-Montes, ei-las todas de uma assentada. Esta terça-feira foi assinado o contrato para construir o IC5 e o IP2. Dentro de 15 dias é a vez da auto-estrada Vila Real-Bragança.

"Finalmente podemos dizer que vão construir-se", acentuou o primeiro-ministro, José Sócrates, ontem, em Vila Flor. Este concelho foi o palco da assinatura do contrato entre a Estradas de Portugal e o consórcio que vai construir e explorar a "Douro Interior".

É a concessão que engloba o Itinerário Complementar nº 5 (IC5), que vai ligar o IP4, no Alto do Pópulo (Murça) e Miranda do Douro, e o Itinerário Principal nº 2 (IP2), desde Vale Benfeito, Macedo de Cavaleiros (distrito de Bragança), e Celorico da Beira (distrito da Guarda).

Mas Vila Flor também foi o palco das emoções dos autarcas dos concelhos servidos por aquelas duas vias, encarnadas na pessoa do presidente anfitrião, Artur Pimentel.

"Obrigado, senhor primeiro-ministro!", exclamou. E nesta onda de contentamento lembrava que entre os autarcas transmontanos e durienses se passaram "horas e horas de luta e de reuniões". Uns pelo IC5, outros pelo IP2 e outros mesmo pela auto-estrada transmontana. "O que nunca sonhávamos era que viessem todas num bolo único", realçou.

Chegam todas de uma vez "por uma questão de justiça", reiterou José Sócrates, e apesar de "todos os obstáculos e contrariedades, vão andar para a frente". O primeiro-ministro garantiu que "as obras vão começar já em Janeiro" de 2009, devendo estar concluídas em finais de 2011.

José Sócrates aproveitou também para anunciar que no próximo dia 10 de Dezembro estará em Bragança para assistir à assinatura do contrato para a construção da auto-estrada entre Vila Real e Bragança.

"Isto significa fazer uma aposta no desenvolvimento de uma zona do interior que estava a ficar para trás", frisou o chefe de Governo, acrescentando que a região abrangida pelo distrito de Bragança e pelo norte do distrito da Guarda "não teve o investimento que o Estado devia ter feito para garantir infra-estruturas de acessibilidade".

Às razões de "justiça e solidariedade" que justificam o investimento na região, Sócrates acrescentou-lhe a razão "económica". "Porque as novas estradas vão servir e beneficiar a economia regional, mas também a nacional". Mais: "estas estradas vêm trazer melhor qualidade de vida aos cidadãos destas regiões e mais segurança rodoviária".

A concessão do Douro Interior vai beneficiar directamente cerca de 330 mil habitantes dos concelhos de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro, Miranda do Douro, Macedo de Cavaleiros, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Meda, Trancoso e Celorico da Beira, entre outros.

A título de exemplo refira-se que encurta em cerca de uma hora a ligação Murça-Miranda do Douro e em 40 minutos a viagem entre Bragança e a Guarda.

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, lembrou que quando chegou ao Governo estava apenas executado metade do Plano Rodoviário para esta região.

Fonte: Diário de Trás-os-Montes

Curiosidades:- Será que é desta?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Una copa de oporto



O Assis faleceu a 30 de Novembro de 1995 e o poema do Rogério lembrou-me que tinha nos meus papeis este belo poema, em castelhano, que lhe foi dedicado.

Leonel Brito

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Brasão, em Carviçais


Brasão, numa casa em Carviçais.

domingo, 30 de novembro de 2008

Cartão de Boas Festas

Como sou alérgico a cartões, não quero deixar, contudo, de dar as Boas-Festas a todos os autores do blogue e aos seus frequentadores, assíduos ou circunstanciais que sejam, pelo que resolvi enviar estes toscos versos antes que o Natal chegue e nos consumamos em lugares comuns. Espero que não levem a mal.

Quando o Natal chegar...

Quando o Natal chegar
liberta o pirilampo e liberta a Luz
arruma a ternura e arruma a casa.
E areja o sótão da tua infância.
Quando o Natal chegar
dá música aos surdos
e palavra aos mudos
afaga laranjas nas mãos frias
e figos secos ao luar
e amêndoas de Agosto a quem chegar
e limões, e ácidos limões, em teu lugar.


Quando o Natal chegar
à beira do rio olha a outra margem
cheia de sombras, pedras e perdas
e abre os braços, colunas e pontes
e começa a tocar a alma qual piano
na translúcida mágoa de nada tocar.


Quando o Natal chegar
Jesus já passou sem passar
na barca do tempo, entre margens
sem rio, mas à beira de naufragar.
Quando o Natal chegar
não leves granadas para casa
nem bombas para qualquer lugar.
Caça pombas ao anoitecer, morcegos
da tristeza, olhares cegos, vazios e frios.


Quando o Natal chegar
olha os filhos como se só então nascessem
e os dias fossem cristais
partindo grãos de romã,
tão sensíveis ao ouvido
mas sem pena nem sentido.


Quando o Natal chegar
adormece à beira dos violinos
com a loucura dos deuses
e a tristeza de Mozart.
Que os deuses devem estar loucos
porque a lareira está-se a apagar.


Quando o Natal chegar
cuida das prendas e ofertas
aos que nunca mais vão chegar.
Entre pedras e perdas
guarda o amor de guardar
que a face da mãe ondeia
e o pai adormece a lacrimejar.

Quando o Natal chegar
a nordeste de tudo, mais vale
encher o saco de Nada
e percorrer a noite, até ao abrigo
dos campos da quimera calcinada.
Com o saco cheio de Nada
visita a Índia e o Afeganistão.
Toca às portas da Palestina
e canta dor às portas da prisão.


Quando o Natal chegar
enche o saco de Nada.
Pode ser que por tanto Nada
algo te queiram dar:
um filho, um sorriso, talvez luar.


Quando o Natal chegar
talvez amor e amar.
Dádiva por dádiva,
aceita, é de aceitar.


Rogério Rodrigues

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Caça à Raposa II


Dado o interesse que tem suscitado o "quem é quem" da caçada à raposa (post anterior), para melhor identificação aqui fica a mesma fotografia, mas com uma numeração sobre cada caçador, para que os nossos visitantes possam dizer quem são, individualmente.
Basta clicar sobre a foto para aumentar e ver melhor os números; na opção "Comentários" podem dizer-nos quem lhes parece que sejam.
Como é evidente este é um "jogo" sobretudo para os mais velhos, ou para os descendentes dos representados na foto. Agradecemos desde já a vossa participação, devendo evitar, contudo, eventuais alcunhas que não sejam do agrado dos próprios ou seus familiares.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Caça à raposa

Ao ver o anúncio da batida ao javali, lembrei-me que no álbum de família havia umas fotos de caçadas. E esta pareceu-me a mais indicada para reforçar a tradição cinegética de Moncorvo. Muitos reconhecerão os intervenientes desta caçada à raposa no Reboredo, nos anos 60. Eu lembro-me de alguns nomes e muitas alcunhas, mas não as menciono, embora pense que hoje fazem parte do património cultural da vila. A Universidade de Évora editou um livro sobre as alcunhas no Alentejo e creio ser um bom tema para o Centro de Memória e um desafio ao Nelson.

Leonel Brito

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Adoração à chuva

No dia em que começaram a cair algumas gotas de chuva, lembrei-me desta fotografia, que tirei na Mata do Reboredo, depois da uma grande chuvada.
Penso que se trata de frutos da cebola-albarrã (Urginea maritima).

domingo, 23 de novembro de 2008

Montarias - Mós - Janeiro de 2009

MÓS ANTIGA VILA MEDIEVAL - MONTARIAS MAIS INFOMAÇÕES NESTA PÁGINA


Montarias de Mós - Torre de Moncorvo

18 de Janeiro de 2009
8 de Fevereiro de 2009
N.º de postos – 120
Data limite de inscrição – 14 de Dezembro de 2008
Taxas – Tipo A: 30 €; Tipo B: 40 €; Tipos C e D: 60 €



CONDIÇÕES DE CANDIDATURA E DE EXERCÍCIO DA CAÇA EM ZCM

FORMÚLÁRIO DE CANDIDATURA

sábado, 22 de novembro de 2008

Só se lembra dos caminhos velhos...

Quando estudava em Évora nos inícios dos anos 60, tinha que vir de comboio; Évora , Barreiro (barco), Lisboa, Porto, Pocinho e finalmente o Alto da Ventosa. Em Fevereiro de 74 ainda era uma aventura africana ir da capital do império a Moncorvo. Agora, abro a net e vou à Moncorvo da minha infância e de sempre. Atrás do adro, quando o largo ainda era um terreiro e brincava à d'Artagnan com o sabre do guarda Redondo, depois de o Sr. Moreira passar mais um filme de capa e espada, no cine-teatro, o quartel da guarda era o meu castelo. Hoje é a fortaleza do ferro. E como também a casa onde nasci é hoje o Centro de Memória, tudo são razões para eu dar o meu contributo.

E como só se lembra dos caminhos velhos quem tem saudades da terra , envio uma reportagem do Assis Pacheco, de 20 de Fevereiro de 74, onde fala da partidela da amêndoa no Peredo dos Castelhanos, a terra do Rogério.






Leonel Brito

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sugestões outoniças em tempo de "sanchas"

Realizou-se no passado fim de semana, em Torre de Moncorvo, uma jornada micológica, com recolha de cogumelos na zona da serra do Roborêdo e sua posterior observação, identificação e comparação no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, como se pode ver no seguinte link: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2008/11/1-passeio-micolgico-organizado-pelo.html

Uma das principais conclusões retiradas deste encontro foi sobre os cuidados a ter na identificação das espécies comestíveis, pois algumas delas podem ser susceptíveis de se confundir com variedades tóxicas e até mortais.

Por outro lado pôs-se a tónica na necessidade de se preservarem as espécies autóctones (não só as comestíveis como as outras), pelo que deve haver uma consciencialização das populações nesse sentido, mantendo os padrões de auto-consumo tradicionais, mas sem uma mercantilização desenfreada, o pode levar ao extermínio de certas variedades. Há ainda alguns cuidados a ter, no sentido da continuidade da reprodução dos cogumelos.

Por exemplo, se "fôr às sanchas" (foto acima), não arranque o cogumelo, mas leve uma faca apropriada para cortar o caule, de forma a que a sua raíz continue na terra; raspe um pouco o caule ou sacuda o cogumelo, para que os esporos caiam à terra e garantam a reprodução futura; é preferível levar uma cesta, pois há sempre a possibilidade de alguns esporos caírem à terra através das fasquias do vime. E, acima de tudo, se tiver dúvidas na identificação de algum espécime, é melhor não o apanhar! Se, por acaso, algum espécime venenoso fôr parar à cesta, é melhor não arriscar e deitar a recolha toda fora, no próprio pinhal, ou onde se tenha realizado a recolha.

Um cogumelo altamente tóxico (e com propriedades alucinogénicas) que pode ser mortal é o célebre "regalgar" (ou "resgalgar"), também conhecido noutras regiões como "incha-bois" ou "rebenta-bois". O seu nome científico é "amanita muscaria", sendo particularmente atraente, pelo chapéu vermelho pintalgado de branco.

Mas se você é mesmo adepto de cogumelos (tem ainda uma outra opção, mais segura porque não comestível) do outro lado do nosso concelho: deixe a serra do Roborêdo, saia da vila, e tome a estrada para Bragança pela ponte do Sabor. Passada a ponte, desvie ao lado da Qtª. da Portela para os Estevais da Vilariça. Passada esta povoação, procure descobrir nesta zona planáltica um belo cogumelo em pedra, esculpido pela natureza, mais precisamente pela erosão eólica. É um curioso monumento natural que deveria ser classificado como tal. Ei-lo:

Fotografia de Paulo Silva

E já que está por estas bandas, aproveite para descobrir ainda esta velha fonte arcada, talvez do século XVII, que em determinado momento foi entaipada:


Fotografia de Paulo Silva

Depois é consigo: tanto pode seguir até à Cardanha ver o relógio de sol que já foi mostrado aqui neste blog (ver etiqueta: "Cardanha"), ou ir até à Adeganha (ver etiqueta "Adeganha"), ou ainda continuar em maré de descoberta e ir até à Póvoa, ou um pouco mais adiante, a pé, espreitar o local da barragem em início de construção. Em breve tudo isto ficará alterado, pelo que é uma última oportunidade para registar o momento presente.

No regresso, se passar pelos Estevais, recomenda-se uma peregrinação à tasca do Vilela, para provar um verdadeiro tinto da região e petiscar qualquer coisa.

É a nossa proposta para o próximo fim de semana.

Texto e fotos de N. Campos (excepto as que vão com identificação do autor, Sr. Paulo Silva, a quem muito agradecemos as fotos enviadas).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Outono na Serra

Dos jardins do Museu, em amplo cenário, divisa-se a Serra, como um vagalhão oceânico abatendo-se sobre a vila.

A Serra, nesta fase do ano, torna-se camaleónica, ora envolta em avalónicas brumas, ora brilhando com revérberos de vinho generoso, sob a luz magnífica de Novembro, brincando às escondidas com as nuvens, num jogo caprichoso de luz e sombras.



Defronte, os vinhedos das Aveleiras desenham fímbrias de vermelho e dourado, sublinhando o verde dos pinheiros e de outras coníferas. De onde em onde há umas pinceladas de amarelo-alaranjado dos velhos carvalhos que deram nome à serra, a partir da sua matriz latina: “Robor” (carvalho) > “Roboredo” (carvalhal).


Cá em baixo, pelas ruas da vila, outras folhosas vestem-se provocadoramente de amarelo, para logo de seguida iniciarem o seu “streep tease” outonal. Não tarda ficarão nuas e arrepiadas com o rigor do Inverno, porventura como brancos fantasmas polvilhados de geada, em noites de lua cheia, gritando pelo renascer de uma primavera que ainda vem longe.

É o ciclo das estações, o tempo e as horas, marcados pela Torre…

É a magia de uma época do ano especialmente romântica, reclamando a sua visita!

Texto e fotos: Henrique de Campos

São Martinho

A Lenda de São Martinho - Diz a lenda que um cavaleiro romano, viu um velho mendigo cheio de fome e frio, quase nu. O dia estava chuvoso e frio, e o velho mendigo estava encharcado. O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar as pessoas mais pobres. Então, ao ver aquele mendigo, ficou cheio de pena e cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada, dando metade da ao mendigo e partiu. Passado algum tempo a chuva parou e apareceu no céu um lindo Sol.

No dia de São Martinho, a 11 de Novembro, fazem-se os magustos, tradição que remota de há muitos anos, fogueiras ao ar livre, reunindo-se familiares e amigos enquanto as castanhas estalam na fogueira. Comem-se castanhas assadas acompanhadas de vinho novo, jeropiga ou água-pé. Já o velho ditado diz:

"No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho." No Nordeste Transmontano não se esquece esta tradição, nem poderia ser de outra forma, uma vez que é predominante o cultivo de castanha.

Alguns dos Provérbios do São Martinho:

- No dia de S. Martinho vai à adega e prova o teu vinho.
- Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro.
- Dia de S. Martinho fura o teu pipinho.
- Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
- Se queres pasmar teu vizinho lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
- Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
- Pelo S. Martinho, prova o teu vinho, ao cabo de um ano já não te faz dano.
- Pelo S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho.

Sabor no seu Esplendor

Imagens estas que vejo todos os dias; montes e verde que rodeiam o rio, que um dia ficarão apenas na memoria e numa fotografia.



segunda-feira, 10 de novembro de 2008

GDM está de parabéns!!!

O GDM (Grupo Desportivo de Moncorvo) fez História, ao bater uma equipa da 2ª divisão, ultrapassando assim uma barreira mítica, e obrigando agora um clube da 1ª liga a deslocar-se à nossa gloriosa vila de Torre, para connosco disputar o acesso à Taça!!!
Recorde-se que o GDM está no 3º lugar da 3ª divisão (série B), em igualdade de pontos com o primeiro classificado.
Por mais este feito, parabéns ao clube da nossa terra!
e preparemo-nos todos para ir apoiar o GDM!!
(em princípio o jogo será no dia 27 de Novº., em Torre de Moncorvo).

Antes do jogo Peniche-G.D.Moncorvo, que seria ganho pelos moncorvenses (1-3). Foto cedida pelo Sr. Paulo/Tropicália, a quem agradecemos.


Taça Portugal (3.ª eliminatória): Torre de Moncorvo segue em frente
O Torre de Moncorvo, da III Divisão, garantiu, este domingo, a continuidade na Taça de Portugal, depois de derrotar, em jogo em atraso da terceira eliminatória, o Peniche, por 3-1.
Com este triunfo, o Moncorvo ganhou o direito de defrontar o Vitória de Setúbal, da 1ª Liga, em jogo agendado para 19 de Novembro, que encerra a quarta eliminatória da Taça de Portugal.

in: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=125&id_news=358052

Definição de nova data, segundo notícia do "Record":

JOGO DA TAÇA em Moncorvo no dia 27 - Falta apenas a confirmação federativa

V. Setúbal e Torre de Moncorvo chegaram a um acordo praticamente definitivo sobre a data do jogo da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal: 27 de Novembro, quinta-feira, às 19.30. A data, a três dias da disputa da 10.ª jornada da Liga, carece ainda de confirmação por parte da federação.

in: http://www.record.pt/noticia.asp?id=811722&idCanal=23

Do jornal O Setubalense, de 14.11.2008:

(...) Finalmente, na quinta (dia 27) para a Taça de Portugal Millennium, e agora sim data confirmada pela FPF depois das hipóteses avançadas de 19 e 20 (esta última entretanto abandonada porque coincidia com a data de aniversário do Vitória), em Torre de Moncorvo, às 19.30h, a resolução da eliminatória com o vencedor deste desfecho já com adversário à espera, saído do sorteio que hoje mesmo, no auditório da FPF, se realiza.

In: http://www.osetubalense.pt/noticia.asp?idEdicao=251&id=9155&idSeccao=2073&Action=noticia

Para saber mais sobre o GDM, clicar em: http://www.zerozero.pt/equipa.php?id=3611

... E veja a grande reportagem sobre o GDM, no Jornal de Notícias on line, de 18.11.2008: http://jn.sapo.pt/paginainicial/Desporto/interior.aspx?content_id=1045873

Para ver as fotos da mesma edição do J.N., clique neste endereço: http://jn.sapo.pt/multimedia/galeria.aspx?content_id=1046025

S. Martinho de Maçores


Realizou-se neste fim de semana (dias 8 e 9) a tradicional festa de S. Martinho de Maçores. Apesar do dia de preceito ser o 11 de Novembro, os organizadores resolveram antecipá-la por calhar em dia de semana (também aqui a tradição a ceder aos ritmos dos novos tempos…)

Continuou a fazer-se a ancestral “procissão” com o caldeiro cheio de vinho, pelas ruas da aldeia, com acompanhamento do gaiteiro vindo das terras de Miranda, e o magusto colectivo nas Eiras. A animação nocturna ficou a cargo do impagável Quim Barreiros (que já aqui tinha actuado há poucos anos) e de um conjunto da região, isto além do programa religioso.



Mas, aproveitando o tema, será bom recordarmos excertos de um texto do nosso saudoso mestre Padre Joaquim M. Rebelo, incluído nas Actas de um congresso intitulado: “A festa popular em Trás-os-Montes”, realizado em Novembro de 1993 (a publicação é de 1995). Começando pelo princípio, aqui vai:

“Resumo biográfico de S. Martinho

S. Martinho nasceu na Panónia (Áustria, Hungria?), cerca do ano 316, de pais pagãos. Depois de aos 18 anos receber o baptismo, renunciar à carreira militar e ter viajado pelo Oriente, onde se iniciou na vida monástica, fez, por algum tempo, vida de ermitão.

Fundou alguns mosteiros mas o mais famoso foi o de Ligugé (França) onde levou vida monástica sob a direcção de Santo Hilário.

Foi depois ordenado sacerdote e mais tarde eleito bispo de Tours.

Pregou o Evangelho pelos campos da Gália numa linha de extirpar os restos de paganismo, a superstição e a ignorância do povo e foi durante muitos séculos o santo mais popular da Europa Ocidental pela nobreza de carácter, pela sua bondade (a capa de S. Martinho…), humildade, etc..

Morreu no ano de 397.

A sua memória litúrgica é a 11 de Novembro.”


Ou seja, na sua biografia nada o relaciona com o vinho. Aliás, o padroeiro dos vinhedos do Douro, não é S. Martinho, mas sim Santa Marta (que, ao que conste, também não era nenhuma “borrachona”!...).

A associação de S. Martinho ao vinho parece derivar apenas do facto de o ciclo da fermentação e apuramento do mosto, transmutado em Vinho, se consumar por volta da data consagrada ao referido santo (a vida agrícola regulava-se pelo calendário a que o Cristianismo associou os seus santos mártires e festas litúrgicas, normalmente sobrepostas às festas pagãs pré-cristãs).

Assim, quanto ao S. Martinho, foi ainda o Pe. Rebelo quem recolheu os seguintes ditos populares: “Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho”; “No dia de S. Martinho (11/11) prova o vinho, mata o porco e põe-te de mal com o vizinho”; “No dia de S. Martinho (11/11), lume, castanhas e vinho”.


Mas, voltando à festa de S. Martinho de Maçores, devolvamos a palavra ao Pe. Rebelo, que a descreveu a partir de uma recolha que fez em 1990:


“(…) A festa mais (típica, semi-pagã) do concelho de Torre de Moncorvo, embora, ultimamente, esteja a ser adulterada com a introdução dos conjuntos musicais, é a do S. Martinho, freguesia de Maçores, que se celebra a 10 e 11 de Novembro (…).

‘É uma festa que nada se assemelha a das outras vizinhas’, diz-me um velhote a viver intensamente a festa.

‘Há três coisas que não faltam na festa – acrescenta o idoso – o vinho na caldeira, as castanhas e o gaiteiro’.

‘É uma festa muito alegre, até se diz que é a festa dos bêbados’.

No dia 10 chega o gaiteiro, ‘cuja chegada é anunciada com o estralejar dos foguetes’.

Depois o gaiteiro é ‘sorteado pelas mordomas para ver quem irá dar o alojamento ao mesmo’.

Logo que chega, o gaiteiro, acompanhado por ‘alguns homens de diversos níveis etários’, dá volta à povoação, não se calando até à hora do jantar (cear).

À noite, há o arraial com um ‘conjunto’ e a arrematação de prendas oferecidas pelas moças.

Dia 11 é o grande dia. Da parte da manhã, o gaiteiro percorre novamente as ruas tocando e os acompanhantes cantando e dançando.

De tarde há a missa e a procissão acompanhada pelo gaiteiro que toca canções religiosas, como o ‘Queremos Deus’, ‘Santos e Arcanjos’…etc.’

A seguir, para estes camponeses chega a parte mais importante da festa – o magusto, ‘porque, segundo o tal velhote, se o S. Martinho fosse vivo, era quem mais cantava e dançava’.



O magusto comunitário iniciou-se por volta das dezasseis horas. Antes, porém, o gaiteiro percorreu, novamente as ruas da aldeia acompanhado de muitos homens e rapazes com uma caldeira enfiada numa vara de cerca de dois metros de comprimento segurada por dois jovens, e na qual foi deitado o vinho oferecido pelos proprietários da terra.

A caldeira, que leva, talvez, mais de 10 litros, está cheia e ‘agora levada pelas ruas por jovens, com o gaiteiro. Toca-se, canta-se e dança-se, dá-se de beber a quem passa.

E todos os estranhos que neste dia aparecem em Maçores são obrigados a beber de bruços na caldeira. Se não beberem mete-se-lhe a cabeça dentro da caldeira.


O cortejo encaminha-se para o lugar das Eiras, onde o magusto se vai realizar.

Durante esta ‘procissão’, que o gaiteiro e o povo fizeram pelas ruas da aldeia, antes de chegarem ao lugar do magusto, cantam quadras como estas:


Ai eu hei-de morrer na adega,

Ai o tonel seja o caixão

Ai o vinho seja a mortalha

Hei-de morrer com o copo na mão.


Minha sogra morreu ontem,

O diabo vá com ela,

Deixou-me as chaves da adega

E o vinho bebeu-o ela (…)


O cortejo chegou finalmente ao largo das Eiras onde se vai fazer o magusto. A palha espalha-se no largo e as castanhas, em grande quantidade, são lançadas nessa palha à qual se ateia fogo. (ver foto acima)

Os foguetes estralejam, as castanhas removidas por homens, com compridas varas, estoiram aqui e ali provocando a hilaridade que contagia velhos e novos.

As pessoas vão aproveitando, não há fronteiras sociais, para comerem as que lhes parecem melhores, deixando as glórias ou piadas (castanhas encruadas) e as queimadas.


(…) Entretanto, os rapazes, e não só, aproveitam o fim do magusto para enfarruscar sobretudo as raparigas, que lhes retribuem na mesma moeda ‘ficando negros como carvoeiros’. Entre uma gargalhada, uma castanha, um gole de vinho e uma enfarruscadela à parceira ou parceiro do lado, acaba o magusto.



Regresso à aldeia. E a festa continua pela noite dentro com o gaiteiro resfolegando e a malta, já meio enrouquecida, cantando”.


Desta feita, em 2008, já no século XXI, a festa perdura e ainda foi mais ou menos assim. Terminando com o Quim a debitar: “e o cavalo do teu pai, e a égua da tua mãe, e o porco do teu irmão, "…etc. para já não falar da sua mais romântica canção (diz ele): "quero cheirar o teu bacalhau, Maria!..."



Para o ano há mais!


Texto: N. Campos e Padre J.M.Rebelo, artigo citado (em itálico).

Fotografias: de autoria de Filipe Camelo, tiradas nos dias 8 e 9 de Novembro de 2008.


Nota1: Entretanto, pode visitar o fórum de Maçores (é preciso registo prévio): http://www.macores.pt.vu/

Nota2: ainda sobre este tema, pode ainda visualizar algumas excelentes fotos da festa de 2006, da autoria do nosso colaborador António Basaloco, em: http://www.antoniobasaloco.org/gentes97.htm

sábado, 8 de novembro de 2008

Slides Torre de Moncorvo

TORRE DE MONCORVO - SLIDES


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

aos quadradinhos...

Gente

Moncorvo, com a camioneta de estudantes, era passagem.
Depois, a Sé, com a figueira, fez a aliança. Ainda bem que a fez.
Neste entretanto, a sul, em terras da planície,
com templos feitos de pedras com história, em eternas aprendizagens, trabalho, aprendendo a Vida.
Agora, nesta lonjura da doce planície, recordo,
porque passagem já pouca há,
o que o tempo não deixou, não deixa, esquecer.
Recordo o Rogério, um dia, num bairro de Lisboa, com simbologia.
Recordo os padrinhos, bons, na ourivesaria, na Praça;
um reconhecimento merecido, grato, daqui.
Obrigado.
Recordo os pais do Rogério, ao lume, na casa junto à Praça.
Não sei se partiram;
sei que ficaram.
Ei-los aqui!

J. Rodrigues Dias

domingo, 2 de novembro de 2008

Cruzeiro no Cabeço da Mua - Felgar

Corria o ano de 1939. Talvez 1940, dizem alguns.

Um grande cruzeiro em granito foi colocado no alto do Cabeço da Mua, freguesia de Felgar.

Quis o destino que no ano seguinte o cruzeiro fosse derrubado pelo “ciclone”


Assim permaneceu até ao dia 12 de Março de 2005, dia em que foi de novo reerguido.

Se circularem na estrada nacional indo de Moncorvo em direcção a Carviçais, depois de passarem pelo Carvalhal olhem para a esquerda, para o alto do Cabeço da Mua.

Se puderem subam! Vale a pena.

Uma nota: ainda há que se lembre desse temporal. Daria um bom tema a explorar. Mas é melhor não perderem tempo.

António Manuel

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Fernando Assis Pacheco

“E aí vem o Assis, durante uma semana, a fazer seis ou sete reportagens sobre Moncorvo para o República. Ainda hoje são o grande retrato de Moncorvo, três ou quatro meses antes do 25 de Abril. Estávamos em Fevereiro de 74. Vem com ele, como fotógrafo e guia na geografia física e humana de Moncorvo, o Leonel Brito que tem mais de 50 fotografias da vila e de aldeias naquela época. São dois retratos notáveis de Moncorvo”.
Rogério Rodrigues.

Foto de Fevereiro de 74
Fernando Assis Pacheco e a mãe do Afonso Praça.

As reportagens saíram durante sete dias nas centrais do República com o titulo “Moncorvo, Zona Quente na Terra Fria”. Lembro-me da perturbação que causou na “classe” que frequentava o café Moreira e se passeava na praça.
Em 77 regressei para fazer o documentário “Gente do Norte ou a História de Vilarica” (realização minha e texto do Rogério).
Foi depois de ler o comentário de António Cristino que decidi enviar esta foto. Tenho comigo os exemplares do República, que tenciono entregar à biblioteca, bem como publicações em jornais e revistas sobre “Gente do Norte”.
Leonel Brito

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Barragem das Olgas

A Barragem das Olgas, em Maçores destina-se ao fornecimento de água potável a Torre de Moncorvo, Sequeiros, Açoreira, Maçores, Felgueiras, Urros, Peredo dos Castelhanos, Quinta das Centeeiras. Também se destina a abastecer Ligares pertencente ao concelho de Freixo de Espada à Cinta.
Ao que parece, a barragem de Vale de Ferreiros não tem cumprido tudo o que se esperava dela. A futura barragem funcionará em conjunto com a Barragem do Arroio, por forma a garantirem o abastecimento urbano a 100% (a 5.000 habitantes). Está prevista a ligação entre as duas, de forma que uma possa suprir as necessidades da outra.
A barragem será implantada na ribeira do Arroio, na freguesia de Maçores, afluente do rio Douro, a cerca de 170 metros, a jusante da junção da ribeira do Arroio com um seu afluente, a ribeira das Olgas.

A cerca de 1,8 km, medidos em linha recta, a sul da barragem das Olgas, situa-se a Barragem do Arroio, em exploração desde 1992, a partir da qual são actualmente abastecidas as povoações de Peredo dos Castelhanos, Urros, Quinta das Centeeiras e Ligares.
A vida útil da barragem está prevista em 40 anos, mas vivendo nós em Portugal, sabemos que estará connosco "até que a morte nos separe".
Ao contrário de outras barragens, a área que vai ser utilizada na criação desta, não inclui nenhuma área sensível, nem incluiu o habitat de nenhuma espécie animal ou vegetal de interesse comunitário. Há a preocupação que as terras retiradas sejam utilizadas para a regularização de outros terrenos nas imediações e que os poucos pés de oliveiras que é necessário arrancar, possam ser transplantadas para locais muito próximos. Apesar do pequeno caudal da ribeira, está prevista a manutenção de um caudal ecológico (espero que venha a ser cumprido).
Os habitantes de Maçores já olham para a infraestrutura com vaidade. Espero sinceramente que a mesma venha a traduzir-se na melhoria da qualidade/quantidade de água no abastecimento público neste concelho tão carente deste bem (e o Douro ali tão perto!).

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