Comemorou-se, no passado Domingo, em Torre de Moncorvo, o Dia Internacional da Mulher, numa iniciativa organizada pela Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo. Como forma de assinalar a data, foram oferecidas rosas às moncorvenses e outras visitantes que nesse dia se encontravam de passeio pela nossa vila. Houve ainda uma palestra sobre a condição feminina, na Biblioteca Municipal, pela Drª. Adília Fernandes.Num folheto dustribuído pela Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, salienta-se que esta data (8 de Março) pretende relembrar às jovens e mulheres de hoje os direitos conquistados ("de estudar, escolher a profissão, ter conta bancária, de viajar, vestir o que lhes apetece, de casar ou coabitar com quem amam (...) de votar"), mas que nem sempre foi assim. E acrescenta-se no mesmo texto: "No início do século XX ainda a maior parte das universidades europeias não permitia o ingresso de mulheres e a luta pelo direito de voto foi uma das mais acesas do séc. XIX, onde mulheres com muita ou pouca cultura e com mais ou menos bens económicos reivindicaram vivamente esse direito (...)".
sexta-feira, 13 de março de 2009
Comemoração do Dia Internacional da Mulher, em Torre de Moncorvo
quinta-feira, 12 de março de 2009
Moncorvo em Flor

Ainda com o branco de algumas Amendoeiras em Flor, Torre de Moncorvo já tem o amarelo das mimosas a maravilhar-nos.
quarta-feira, 11 de março de 2009
"Contos dos Montes Ermos", de António Sá Gué
Num comentário a um “post” anterior ficou referência a mais um livro de contos, para além do de Vítor da Rocha, também recentemente editado (Dezembro de 2007). Trata-se de “Contos dos montes ermos”, de autoria de António Sá Gué, obra editada pela arteEscrita.
Para além desta obra, Sá Gué publicou ainda o romance As duas faces da moeda (Papiro, 2007) e participou na antologia Mimos e contos de Natal (também com a chancela da Papiro, em 2007) - ver nota bibliográfica na badana da capa, em baixo.
Os Contos dos montes ermos são 11, a saber: o velho; o eucalipto; o comboio; o colégio; a feira; o desertor, a procissão; o desmancho; a banda; a ignorância; o formigueiro. Como o título indica, o cenário desses contos são as terras transmontanas “grosso modo”, adivinhando-se alguns contornos de povoados aqui bem próximos de nós. Tal como o comboio é o da defunta linha do Sabor… Até mesmo a fábula da formiga do último conto, acaba por ganhar, no final, a marca da região: tratava-se de uma “aluda” (confesso que a primeira vez que ouvi esta palavra, era eu um chavalo, foi em Carviçais… - fui ver à Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, e não é que constava lá, com a indicação: "regionalismo, da região de Torre de Moncorvo"?).
A apresentação deste livro, em Torre de Moncorvo, foi realizada no ano transacto (2008), na Biblioteca Municipal.
Capa do livro Contos dos Montes Ermos e biografia do autor (clicar em cima para aumentar)
Para aguçar o apetite, aqui fica um excerto:
“…dava dó ver os possantes catrapilas desenraizar as centenárias oliveiras e carregá-las para serem vendidas por essa Europa fora, a alindarem algum jardim de alguém endinheirado. Até os muros de pedra solta foram veniaga. Como é possível?..., perguntam-se alguns. Não estou a falar de pedra, não, estou a falar de muros, muros de pedra solta,
muros que contam história,
peças de património,
molduras da paisagem,
Não! O dinheiro tem mais peso… Qual património, qual memória de povo!... As máquinas precisam de entrar à vontade.
Morreu de pasmo, quando os charruões, capazes de arrancar fraguedos, esventram sem dó nem piedade o olival da Ferraria”.
- A que atentado ao Património se estará a referir o autor?
Para o saberem, procurem o livro, pedindo-o para Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, ou para: artEscrita Editora Ldª. , Rua Comendador António Augusto da Silva, 127, r/c, 4435-193 Rio Tinto; e-mail: editora@artescrita.com
- Chamamos ainda a atenção para o "site" (ou sítio) parceiro deste blogue, intitulado "Palavras ao Vento" (na coluna do lado direito, em baixo); aí poderão ler mais textos de António Sá Gué e conhecer melhor este nosso conterrâneo. Ou, se preferirem, podem clicar já sobre este endereço: http://antoniosague.blogspot.com/
"Na andadura do tempo", de Vítor da Rocha
Porque nos comentários ao "post" anterior veio a propósito o nome do nosso conterrâneo, o escritor Vítor da Rocha e o seu livro Postigo Cerrado (Círculo de Leitores, 2002), aqui apresentamos o autor (ver nota biográfica na contracapa, em baixo), assim como um excerto do seu primeiro livro Na andadura do tempo (contos), de 1997 (ed. Campo das Letras).
Este último teve já uma reedição em 2007, sendo alvo de uma apresentação, com sessão de autógrafos, em Outubro desse ano, na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.
Capa da 2ª. edição, da editora ArtEscrita (2007)
domingo, 8 de março de 2009
Peredo dos Castelhanos, 20 de Fevereiro de 74 (cont.)
Têm a palavra alunos e ex-alunos, professores e ex-professores da nossa região.
sábado, 7 de março de 2009
VI Feira dos Produtos da Terra e Stocks
Foi inaugurada no passado dia 5 de Março, pelas 17;30h, a VI Feira dos Produtos da Terra e dos Stocks, no pavilhão multi-usos da Corredoura, em Torre de Moncorvo (organização da ACIM/Associação de Comerciantes e Industriais de Torre de Moncorvo e Câmara Municipal de Torre de Moncorvo).
Aí poderá encontrar os mais diversos produtos regionais (vinhos, queijos, enchidos, amêndoa coberta, vestuário de todos os tipos, etc) da região e não só. Pode ainda aí almoçar e jantar, e depois dar um pé de dança, no recinto do largo, estando previstos para hoje (dia 7) pelas 22;00 horas os “La Salsa” e para amanhã (dia 8, domingo), pelas 16;00h, o famoso Quim Barreiros.
Secção de enchidos.Ainda “O Roboredo” de Campos Monteiro…
Completam-se hoje 133 anos sobre o nascimento de Campos Monteiro.
(…)
“E vejo agora na cortinha em frente
uma brigada de trabalhadores.
Cavam a terra estéril… lançam-lhe a semente…
Crispam-se o húmus, dolorosamente…
Ninguém pode ser mãe sem sofrer as dores!
Nos pedregosos, húmidos carreiros,
passam rebanhos chocalhando. Atrás,
precedidos dos cães, os pobres pegureiros
chamam por eles, para que os rafeiros
deixem as aves e os reptis [sic] em paz.
Pende-lhe’a negra taleiguita ao lado,
por uma fita de bezerro presa:
um pão centeio petrificado,
um pedaço de porco mal curado,
quatro medronhos para a sobremesa…
Se a fome aperta, ou sentem o perigo
dos escorpiões e víboras subtis,
o mesmo naco de toucinho antigo
lhes serve de alimento e de presigo
e sara as mordeduras dos reptis.
Horas de almoço… O chefe da brigada,
fazendo um gesto à gente que moureja,
- “Louvado seja Jesus Cristo!” – brada.
E num momento, abandonando a enxada,
todos respondem – que bendito seja!
Levanto os olhos mais. Vejo a Fraga do Facho,
talhada a pique, como uma parede,
com o seu manto de musgo e heras e escalracho.
Dela dimana e corre serra abaixo
a àgua pura que nos mata a sede.
Emergindo da rocha, a todo o custo e receiosa,
deita a fugir da vila em direcção.
E na carreira louca e temerosa
traz sobre o dorso pétalas de rosa,
raminhos de alecrim e de serpão.
Pelas caleiras de granito é vê-la
cantarolar, correr, cheia de pressa!
E os castanheiros curvam-se sobre ela,
fazem-lhe sombra com a sua umbela
para que o sol do estio a não aqueça.
E as ovelhinhas bebem à vontade…
Voando, as pombas vêm matar a frágoa…
- Minha terra natal! Como há-de
ser cheia de pureza e bondade
a gente que depois bebe esta água!...”~
(continua)
sexta-feira, 6 de março de 2009
Tecedeira de Urros , Fevereiro de 74
Detalhes em Ferro 3
Nem só o que é velho e ferrugento chama a atenção do fotógrafo (embora isso aconteça com muita frequência). Os Detalhes em Ferro da fotografia (ferro fundido e ferro forjado), foram captados em Peredo dos Castelhanos num portão muito, muito recente.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Cruzeiro de Nossa Senhora da Piedade

O Cruzeiro de Nossa Senhora da Piedade, em Urros, Classificado Imóvel de Interesse Público. Está situado entre a aglomerado populacional e a Capela de Santo Apolinário.
quarta-feira, 4 de março de 2009
“O Roboredo” de Campos Monteiro (continuação)
O poeta evoca aqui, bucolicamente, as paisagens que se divisam da serra do Roboredo, a partir de uma casa onde afirma que passou a sua infância (será que viveu mesmo aí, ou seria uma casa de campo onde a família ia amiúde? - era interessante determinar qual). Decerto não seria muito longe da capela de N. Srª da Conceição, a outra “casa” (que se imagina próxima) onde diz que mora “a Virgem Mãe de Deus”.
Fala ainda de um surto de febre-amarela, ocorrido nos meados do séc. XIX, que vitimou muita gente (sendo muitos enterrados junto da dita capela). Prolongando as pestes medievas, estas epidemias, tais como pneumónicas, tuberculoses, carbúnculos, tifos, febres palúdicas (ou sezões), etc., eram frequentes, de tempos a tempos, provocando grandes mortandades, tendo chegado ainda aos inícios do século XX – só a generalização das vacinas a partir dos anos 40-50 foi debelando esse problema.
São léguas de terreno. E em tal distância,
só duas casas sob o azul dos céus!
- Duas casas banais, pobres, sem importância…
N’uma delas passei a minha infância.
Na outra mora a Virgem Mãe de Deus.
Velha Casa da Serra! Que saudades!
Do teu balcão, que lindo era o sol-pôr!
Ouvia-se na vila o toque das trindades,
e o fumo que subia das herdades
envolvia num véu as ribas do Sabor!
Nas montanhas da Lousa o sol caía,
'inda toucando de oiro o Cabeço da Mua…
A Vilariça, exangue, adormecia…
Vinha o crepusc’lo… terminava o dia…
- silêncio enorme!... e despontava a lua…
Lá vejo ao lado a mancha verde luzidia
Das figueiras do cimo-do-pomar,
às quais, quando criança, impávido subia,
enquanto em baixo meu avô fingia
que dormitava, pr’a não me ralhar.
Dentro do souto vejo ainda o bardo
Para o rebanho à noite se acolher.
D’aquele sítio que lembranças guardo!
Foi ali mesmo que meu tio Eduardo,
Quási brincando, me ensinou a ler!
Da Conceição, ao fundo, eis a capela,
com ar de mágoa e de desolação.
Há meio séc’lo já que houve a febre amarela.
Enterravam-se os mortos junto dela,
e ficou assim triste desde então…
Quando eu passava no caminho em frente,
a minha mãe mandava-me ajoelhar,
- e de mãos postas, fervorosamente,
rezava ainda pela pobre gente
que a epidemia veio ali matar!
O sol já vai em meio da subida,
e o meu olhar, ansioso, não descansa.
A saudade é uma dúlcida bebida!
Recordar é viver de novo a vida,
e eu sinto-me hoje inda uma vez criança!
(continua)
Torre de Moncorvo 7 de Março de 2009 - Turismo do Douro
A nova Entidade Regional Turismo do Douro dá voz aos empresários e agentes do sector de toda a região. O I Encontro, destinado principalmente aos agentes locais do Douro Superior, realiza-se na Associação Comercial e Industrial de Torre de Moncorvo, no dia 7 de Março, pelas 15 horas.
A Direcção eleita para a Turismo do Douro definiu como uma das prioridades do seu mandato organizar encontros com os agentes locais e regionais, directa e indirectamente, ligados à actividade turística. Esta intenção, dada a conhecer pelo seu presidente, António Martinho, no seu discurso de tomada de posse, tem por objectivos auscultar as preocupações e os receios dos profissionais em relação ao sector na Região, percepcionar as expectativas dos vários empresários relativamente ao trabalho a desempenhar pela nova entidade, mas igualmente saber que contributos poderão eles e as demais entidades e instituições envolvidas dar à Região e ao turismo.
Foram convidados para este Encontro as autarquias dos concelhos que integram a Turismo do Douro, as Associações representativas do tecido empresarial; os estabelecimentos de ensino, os empresários da Hotelaria e Restauração, as agências de viagem; as empresas de rent-a-car e animação turística, a comunicação social da Região, entre outras instituições relevantes. O I Encontro tem como convidado/moderador o director do Departamento de Estudos do Turismo de Portugal, Sérgio Guerreiro, que falará sobre as políticas do Turismo de Portugal, direccionadas ao sector
Autor:-Cidadão do Mundo
FONTE:-NOTÍCIAS DE VILA REAL
Peredo dos Castelhanos, 28 de Fevereiro de 2009
A minha escola era bonita.
Foi nela que descobri as palavras
Os números, os jogos, as cores,
Amigos, amigas ... amores.
Nela não havia tempo,
Porque o tempo era infinito.
Nela não havia espaço
Porque era todo o espaço
Necessário para ser feliz.
Havia flores todo o ano!
No Inverno, de amendoeira,
Mas também de lírios, lilases,
E mil pétalas de roseiras.
Hoje a minha escola está bonita
Brilha de tão caiada
Mas o silêncio é grande...
Ninguém fala, ninguém corre,
Falta-lhe a garotada.
Fecho os olhos...
Lá estão eles, muitas faces a sorrir!
Há muita vida na escola,
Sempre que eu quiser cá vir.
A minha escola é a mais bonita do mundo.
Carlos Santos
segunda-feira, 2 de março de 2009
O Roboredo e a paisagem circundante, pelos olhos de Campos Monteiro
Deixámos, há dias, o escritor Campos Monteiro, sem apetite, à hora do jantar, depois da sua chegada a casa, na Rua da Misericórdia, segundo nos relata na primeira das suas cartas em verso (ver post de 25.02.2009). Estes poemas em forma de carta foram escritos em Torre de Moncorvo, pelos inícios do século XX (não se sabe a data com rigor, pois o próprio autor, na edição original, escreveu em rodapé: “Moncorvo, primavera de 19…”). 
As referidas poesias, sob o título “Cartas da Minha Terra” (dedicadas a Heitor de Figueiredo), estão incluídas na colectânea Versos Fora de Moda, obra datada de 1915. Portanto, dado o esquecimento da data precisa por parte do autor, é natural que se tivesse passado um bom par de anos entre a sua escrita e a compilação no dito livro.
A primeira carta-poema aqui transcrita, tinha por título, como vimos, “Em viagem”, relatando o trajecto entre a estação do Pocinho e a sua morada, no bairro do Castelo.
A segunda, parece relatar o dia seguinte à sua chegada, e intitula-se: “II – O Roboredo”. É uma saudação à serra que o viu nascer e à paisagem envolvente. Dada a sua extensão, tal como fizemos anteriormente, vamos apresentar apenas partes do poema, para não maçar os nossos visitantes.
Aqui fica:
II – O Roboredo.
Levantei-me da cama muito cedo
E, sentindo a alegria de viver,
Fui abrir as janelas em segredo,
Para cumprimentar o Roboredo,
Um velho amigo, que me viu nascer.
Da varanda que dá para a montanha,
Com um gesto amigável, saudei-o.
Que linda serra, de beleza estranha!
Que pena que ela seja assim tamanha
E t’a não possa eu mandar pelo correio!...
Não sei de mais formoso anfiteatro
Nem de mais calmo, doce e cândido vergel.
É o panorama que eu mais idolatro.
Lembra o pano de fundo d’um teatro
No terceiro acto do “Guilherme Tell”.
Calcula: Ao fundo, as vinhas verdejantes,
Vetustos olivais e amendoeiras esguias.
Depois, florestas de árvores gigantes,
E, de onde em onde, as manchas rutilantes
De estevas, urzes, arreçãs, peonias…
Tudo isto tão polícromo e tão vivo,
N’uma tão justa orquestração de côr,
Que a mim mesmo pergunto, Heitor(1), porque motivo
Na linda vila de onde sou nativo
Nunca nasceu um único pintor!
(continua)
Nota 1 – o destinatário desta carta é o seu amigo Heitor de Figueiredo, também poeta, a quem dedica este capítulo das cartas.
domingo, 1 de março de 2009
Felgar

Hoje descobri estas no Felgar.
A meio caminho da descida para o rio.
Sebastião Guerra. Flor cor de rosa.
Despachem-se que a flor dura pouco tempo.
À Descoberta das amendoeiras em Flor
O tema das Amendoeiras em Flor é transversal a uma série de concelhos. Guardo com carinho a 1.ª edição do Guia Turístico “Rota da Amendoeira” editado em 2001, referente a Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa. Conhecedor mais ou menos profundo destes concelhos, não necessito de um Guia Turístico, mas mostra a vontade que estes concelhos têm em venderem uma imagem, a Amendoeira em Flor. Vivi em Torre de Moncorvo nos anos áureos das excursões. Eram dezenas, senão centenas de autocarros que se amontoavam na Corredoura (antes do arranjo urbanístico).
Este ano decidi “criar” um Rota da Amendoeira em Flor, para um passeio de família. Visitar locais onde não passávamos há mais de 10 anos, outros onde nunca tínhamos ido, apreciar a paisagem, o artesanato, a gastronomia, mas, sobretudo, ir ao encontro da beleza das amendoeiras em flor, foi o objectivo. Decidi publicar o percurso porque pode dar ideias a outras pessoas que querem beneficiar do privilégio de passar um dia de puro prazer nas pequenas estradas de Trás-os-Montes.
Saímos de Vila Flor ao início da manhã. O dia não estava nada daquilo que eu desejaria (para a fotografia) com o céu repleto de nuvens. Uma atmosfera muito, muito cinzenta, mas com uma temperatura muito agradável.
As amendoeiras em flor apareceram logo dentro da vila. Ao longo da estrada que conduz a Sampaio (N608) há algumas flores que já perderam as pétalas, mas o espectáculo ainda é digno de se ver. Ao longo da N102 (E802) entre Sampaio e a barragem do Pocinho, encontram-se vários locais com muitas amendoeiras em flor. Um bom exemplo são as encostas na Quinta da Portela, mas há amendoeiras por todo o lado.
De junto das comportas da barragem do Pocinho, na margem direita, parte uma estreita estrada que faz a ligação às aldeias de Urros e Peredos dos Castelhanos. Conheci essa estrada há quase duas décadas, quando ainda nem sequer estava asfaltada! Desde essa altura, pouco mudou. Durante algum tempo as curvas acompanham o rio, serpenteando nas entranhas da terra. A foz da Ribeira do Arroio veio separar-nos definitivamente do rio. Depois de a atravessarmos, numa estreita ponte (que assustadora era!), começámos a subir até perto dos 600 metros de altitude. Nesta zona há muitas amendoeiras em flor, mas a maior parte dos delas estão abandonadas. É uma das estradas panorâmicas mais bonitas que conheço no concelho de Torre de Moncorvo. Encontrámos no seu final a N603. Pode ser uma boa oportunidade para virar à direita e fazer uma rápida visita a Peredo dos Castelhanos. À esquerda é a direcção de Urros. Foi nesta zona que encontrei as mais bonitas amendoeiras em flor! Quase todas as flores são de um rosa acentuado, dão uma tonalidade forte e uniforme ao amendoal.
Para saborear toda a paz que nos invade, depois de algumas horas por locais tão pouco frequentados, alguns minutos junto à igreja de S. Apolinário dão também alguma mística ao passeio. Nesta espécie de santuário a algumas centenas de metros do povoado, fomos encontrar uma fonte. A água desta fonte era apontada como sendo milagrosa (1726), mas, actualmente, apenas é vista como digestiva. Foi o próprio S. Apolinário que fez brotar a água da rocha, para saciar a sede com que vinha, depois de atravessar o Douro. Muito havia para ver em Urros, mas partimos em direcção à Barragem das Olgas, ainda em construção, local onde se confrontam o concelho de Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. Deixámos a N630 e seguimos à direita para Ligares. Atravessámos a aldeia pela Rua do Cimo do Povo, contornámos a igreja e seguimos para o Largo de S. Cruz.
Retomámos a estrada N325 que desce a encosta até à Ribeira do Mosteiro. Neste trajecto ainda há muitas amendoeiras que não floriram, o que significa que este percurso se vai manter bonito por mais alguns dias. Mais uma vez se vislumbram largas encostas onde a amendoeira já foi rainha. O abandono é a nota predominante, mas, onde as amendoeiras estão cuidadas, as flores são mais fartas e mais coloridas.
Depois das Quintas da Ribeira e de S. Tiago, a estrada divide-se: em frente desce-se pela N325 até Barca de Alva; à esquerda sobe-se pela N325-1 até Freixo de Espada à Cinta. O meu desejo era seguir em frente, pois adoro percorrer esta estrada onde nos sentimos muito pequenos face à agressividade das massas rochosas que nos rodeiam. Da foz da Ribeira do Mosteiro até Freixo, é bem possível que ainda haja muitas amendoeiras em flor (ao longo da N221).
A opção foi virar à esquerda em direcção a Freixo. O “relógio” solar (e não só), já nos indicava que estava na hora de almoço.
Nesta zona também há muitas amendoeiras em flor. Até uma pequena raposa se passeava entre elas, indiferente aos potenciais flashes dos turistas.
Em Freixo, estacionámos o carro junto da Câmara Municipal. O recinto da feira era um pouco distante, mas havia um autocarro a transportar gratuitamente os que o desejassem. Estávamos dispostos a almoçar na feira (Feira Transfronteiriça/Feira dos Gostos e Saberes), até porque se tratava de uma feira de sabores. Procurámos o pavilhão de restauração, onde havia poucos lugares vazios. O primeiro contacto foi decepcionante e a refeição tornou-se um fiasco.
Procurávamos comer alguma coisa regional, mas as opções eram poucas: leitão e picanha. O vinho tinha que ser obrigatoriamente do Alentejo! O leitão não se conseguia comer, estava cru; as batatas fritas eram de pacote e o pão só chegou depois de muita insistência. “Matei” a fome com alguns feijões pretos gentilmente cedidos e partilhados com a mesa ao lado. Manifestei o meu descontentamento e pedi uma factura (que obviamente não me foi passada). A organização da feira devia estar atenta ao péssimo serviço que esta empresa (La Brasa) estava ali a prestar. Além de que deviam apostar em servir os produtos regionais tais como as azeitonas, o fumeiro e o vinho. Esta lacuna também se nota na feita TerraFlor, em Vila Flor.
Não ficámos muito bem dispostos e demorámos pouco na feira. Apesar de tudo, é interessante a aposta no lado de lá da fronteira (ou eles no lado de cá?). O espaço envolvente está muito bem estruturado e o pavilhão da feira mostra coisas interessantes. Afinal ali estavam os verdadeiros sabores, só que já era demasiado tarde!
A viagem continuou em direcção a norte (pela N221); o objectivo era visitar Mazouco. Neste troço quase não existem amendoeiras, a não ser à saída de Freixo até à Zona Industrial.
As gravuras rupestres de Mazouco nunca tinham sido visitadas por qualquer um de nós e, pela sua importância na arte do Paleolítico Superior, em Portugal e na Europa, merecem bem uma visita. As amendoeiras partilham com as oliveiras e laranjeiras, os socalcos entre Mazouco e o rio Douro. Para além da discussão carvalo-carneiro, a beleza da paisagem e a admiração de arte milenar, são um bom convite para uma outra rota À Descoberta das amendoeiras em Foz Côa e da arte do Vale do Côa.
No caminho de regresso, nas últimas casas de Mazouco virámos à direita, seguindo uma estrada (620) que nos coloca num belo miradouro sobre o Douro. Infelizmente as condições atmosféricas já não eram as melhores.
Seguimos à direita (de novo na N221) até à Estação de Freixo e depois à esquerda em direcção a Torre de Moncorvo. Neste troço da estrada até ao Carvalhal ainda há poucas amendoeiras em flor. Entrámos em Carviçais à procura de mais alguns Detalhes em Ferro.
Como não havia muitas amendoeiras com flor, fizemos uma visita ao bar na estação, no Larinho. É um bom espaço para tomar um refresco, ao fim da tarde.
Regressámos à estrada em direcção a Moncorvo. A XXIII Feira de Artesanato está prestes a encerrar. São já 23 feiras e eu visitei grande parte delas. Algumas das presenças são sempre interessantes de observar e saborear como os quadros feitos com escamas de peixe ou casca de alho e as tradicionais amêndoas de Torre de Moncorvo, outras já pouco dizem.
A viagem de regresso a Vila Flor é feita pela N325 até à ponte sobre o Sabor. Depois de se entrar no concelho de Vila Flor, depois da Junqueira, utiliza-se a N215, cheia de curvas mas com boas vistas panorâmicas. Estas são estradas a evitar no dia-a-dia, mas são as ideais para um calmo passeio, em busca de belas Amendoeiras em Flor.
Outras fotografias deste percurso:
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Moncorvo é notícia - Fev09
- 26-02-2009 - JN - Pólos urbanos ganham 119 milhões
- 20-03-2009 - Semanário Transmontano - As “jóias da coroa” dos concelhos do Alto Tâmega
- 18-02-2009 - Jornal Terra Quente - Casas construídas há oito anos continuam com contadores provisórios






















