



Município de Torre de Moncorvo quer garantir a ligação da ecopista do Sabor à linha do Douro
Os municípios de Torre de Moncorvo e de Vila Nova de Foz Côa vão pedir a classificação da ponte rodo-ferroviária do Pocinho como Património Nacional. Para tal, estão a elaborar uma proposta conjunta ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).
Trata-se de uma ponte centenária, que se encontra fora de serviço há mais de 20 anos. “Já elaboramos dois documentos, um de ordem jurídica e outro de fundamentação histórica, que foram aprovados, por unanimidade, pela Câmara e Assembleia Municipal de Moncorvo”, realça o presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Aires Ferreira.
A proposta de classificação, que une os dois municípios, assenta no interesse histórico da infra-estrutura, bem como na importância em ligar a ecopista do Sabor à linha do Douro, pelo seu traçado original.
Além disso, mantém-se intacto o espaço-canal, permitindo que gerações futuras optem pela manutenção de ecopista ou pela reintrodução do transporte ferroviário. “Não faz sentido a ecopista morrer na margem do Douro”, defende Aires Ferreira.
Infra-estrutura inaugurada em 1909 poderá ser aproveitada para fins turísticos
A preservação do património também trará vantagens ao nível do turismo. “Os grupos de pessoas que visitem a região podem sair do comboio e entrar logo na ecopista”, realça o edil.
A ponte ainda se encontra em boas condições de conservação, mas para poder ser utilizada como travessia, quer rodoviária, quer ferroviária, necessita de obras de reabilitação.
A infra-estrutura representou um investimento importante para a região no início do século XX. Em 1886, foi aprovado um projecto para a construção do ramal da Estrada Real nº 9, entre Celorico da Beira e Miranda do Douro, mas, 13 anos depois, foi aberto o concurso público para a construção de duas pontes sobre o rio Douro: a do Pinhão e a do Pocinho. Esta, para além de ligar os dois troços da Estrada Real nº 9, também iria reunir condições para ser aproveitada para o caminho-de-ferro entre o Pocinho e Miranda do Douro. O processo foi-se arrastando e a ponte só foi inaugurada a 4 de Julho de 1909.
Queria divulgar um Album digital de fotografias que ilustram muitos momentos da vida do Grupo Desportivo de Torre de Moncorvo. Aqui podem ser encontradas fotografias da década de 50 até à actualidade; desde as tradicionais equipas de casados e solteiros até a imagens de momentos históricos como encontros com o FCP, com o Boavista ou Leixões; os campos de jogos, os convívios, até a forma de vestir (e conviver).
Esta recolha de perto de 350 fotografias, resulta do empenho, ao longo de vários anos, de Carlos Ricardo. É um património que pode ser acedido por qualquer um, e que pode também ser enriquecido por quem tenha em casa fotografias que decida disponibilizar para fazerem parte desta galeria.
Com autorização de Carlos Ricardo, aqui são apresentadas algumas fotografias
O endereço para consultar toda a galeria é:
http://picasaweb.google.com/gdmoncorvo
Inteligente, com estudos, boémio, perdido da vida, chegou a Moncorvo e ai ficou para sempre. Beberrão e comilão, mas com grandes conhecimentos agrícolas, um hortelão de primeira. Um quintal amanhado por ele era um primor. E tinha sentido de humor.
Quando ia com o burro para a Quinta da Água, levava sempre no bolso um bilhete de cinema do cine-teatro, não fosse o cantoneiro pedir-lhe a licença camarária do burro.
É que a maioria dos cantoneiros não sabia ler, mas reconheciam o carimbo da câmara. E lá se safava.
O Leva-leva foi um dos meus heróis de menino.
Leonel Brito

Foi o Amândio Gomes quem, no dia 30 de Dezembro, me comunicou a morte do Dr. Armando Pimentel.
Para além da leitura dos seus excelentes escritos no jornal "A Torre", eu nunca tive grande contacto com o Dr. Pimentel, mas lembro-me de algumas interessantes conversas entre ele e o meu pai, em Mogadouro.
Eu escutava-os em religioso silêncio. Eram ambos amantes dos livros, da Literatura e da História. E quanto saber, meu Deus! Quanto que aprendi a ouvir os dois!
Uma coisa extremamente curiosa e completamente diferente foi o episódio que vou contar: tendo eu chegado uma tarde a Mogadouro, estava o meu pai a fundir coroas de ouro para aplicar em dentes de pacientes seus (penso que hoje o processo já será outro).
O Dr. Armando Pimentel estava a ajudá-lo! Segurava o maçarico de gasolina apontando-o à bolinha de ouro em fusão; o meu pai soprava o maçarico de boca para ajudar a chama a inclinar-se para o ponto devido e o Dr. Pimentel ia fazendo uma data de perguntas.
Quando o meu pai considerou que o ouro estava pronto para moldar, enfiou rapidamente a bolinha na pequeníssima prensa e calcou a tampa forrada de amianto bem encharcado em água.
O vapor de água que se formou iria empurrar o ouro por um buraquinho quase invisível e a coroa ficaria moldada, perfeita para o dente que iria salvar.
Aí, o meu pai, vermelho do esforço do sopro, inspirou profundamente e disse: "- Porra, homem!
Não viu que de maçarico na boca eu não podia responder-lhe."
As gargalhadas que ambos deram, quase deitavam a casa abaixo, e eu fiquei com a ideia de que o Dr. Armando Pimentel era formado em Físico-Químicas.
Ele sabia imenso sobre metais, suas características, pontos de fusão, etc. etc.
Só que nunca tinha visto fazer uma coroa de ouro.
Foi um momento único!
Depois de o Dr. Pimentel sair, é que o meu pai me esclareceu que o mesmo era formado em Direito.
Aquele Homem era um Sábio.
Júlia Ribeiro
Descendo da estrada de Moncorvo para o rio Sabor, atravessando a ponte ,estamos na Foz do Sabor.
Nesta aldeia do concelho de Torre de Moncorvo, encontram-se o Sabor e o Douro, dois rios que embelezam a aldeia e atraem grande número de visitantes na altura da época balnear.


Merece a pena fazer uma visita a esta linda aldeia, pela beleza paisagística que o Sabor e o Douro nos proporcionam, pelos banhos na praia fluvial ou não seja para comer uns peixinhos fritos e umas migas de peixe.
Como seria de esperar, o sucesso crescente do Blogue traz também visitantes menos interessados, até incomodados, que procuram desmoralizar aqueles que prescindem de algum do seu tempo para aqui partilharem as suas ideias e emoções.
Este espaço nunca pretendeu ensinar, nem dar lições a ninguém. Para isso teriam que nos pagar. Tal como o nome do Blogue indica, o objectivo é descobrir. A descoberta é um acto individual, que aqui é partilhado, permitindo outras abordagens, outros percursos de descoberta.
Desde início que se colocou a possibilidade dos comentários do blogue poderem ser moderados. Não o foram, porque essa foi opção tomada. Entramos num novo ano que se imagina quente, temos que manter o sangue frio. Para evitar ataques pessoais, anónimos ou não, ou aproveitamento deste espaço, os comentários, a partir de hoje, passam a ser moderados.
Lembro os mais incomodados de que a Internet é muito grande, há tanto espaço por aí...
Da reportagem “Moncorvo, zona quente em terra fria”, de Março de 1974, fazia parte esta fotografia tirada no Felgar com a canalha da aldeia gritando para o fotógrafo:
É p'rá telebisão!
Passados 35 anos, os meninos de 74 desta foto, alguns são hoje pais, outros já avós. Que esta foto seja uma prenda (atrasada) de Natal para todos.
Leonel Brito

Caríssimos Amigos
Permitam que desde já assim vos nomeie, pois o vosso blog despertou-me emoção profunda que só o encontro de velhos Amigos permite sentir.
Uma das minhas ciberdivagações levou-me ao encontro (premonição ou acaso?) da minha terra e, nesta, das várias portas que entretanto se abriram, pelo Reboredo, pelo Sabor, Carviçais e Urros, uma levou-me à (como chamar-lhe?) crónica, que foi como que a porta da minha antiga casa. Um texto belíssimo de Rogério Rodrigues sobre o Dr. Ramiro e o Colégio Campos Monteiro. Daí ao desfolhar dos outros posts e imagens e sugestões foi um simples passo - para mim um momento raro, como que um abrir da arca onde guardamos tudo o que por razões inefáveis, escapa sempre às mudanças de vida, de casa , de país, de sonhos , projectos e mundos.
Como transmitir-lhes esse meu entusiasmo de me rever a cruzar a praça até ao adro da Igreja, ou a jogar à bola na Corredoura, ou a fruir as noites de Verão pela estrada das Aveleiras, ou a cirandar pelo café do sr. Basílio entre as baforadas de fumo acre do tabaco e o cheiro da cerveja, ou a entrar na farmácia da D. Cármen para fazer um curativo do galo da testa, ou ainda os passeios na serra onde a ponta da bota descobria pedras luzentes de hematite, ou a acolher-me ao colo da minha Mãe no meio do ribombar majestoso e intimidante das trovoadas de Setembro? Como contar-vos das merendas na foz do Sabor ou do glorioso cabrito assado da casa de meus Pais pela Páscoa? Ou a ruidosa feira ali na praça, mesmo à saída da porta, ou a triunfante banda de música pela festa de Agosto?
Nada, em tantos anos desde a infância, me comoveu tanto como o sentir que as minhas raízes continuam a sorver do árduo chão a forma e a figura - de pé, vivos e orgulhosos transmontanos.
Bem hajam todos!
Daniel de Sousa
A ideia da eleição do Acontecimento do ano de 2008, em Torre de Moncorvo, surgiu espontaneamente num comentário, no Blogue. Pareceu-me uma ideia interessante. Não é nada como eleger as 7 maravilhas do concelho, coisa que podemos fazer mais tarde, mas, como experiência, funcionou bem. Não vamos discutir os votações obtidas, coisa que possivelmente nos levaria a entrar em desacordo. Os resultados da votação foram os seguintes:
Barragem do Baixo Sabor (15) 18%
Centro de Memória de T.Moncorvo (2) 2%
Criação do Blog "À Descoberta" (22) 27%
Entrega de casas no novo bairro social (2) 2%
GDT Moncorvo na Taça de Portugal (5) 6%
Grupo Alma de Ferro (14) 17%
Nomeação dos Myula (15) 18%
Trabalho do Museu do Ferro (8) 10%
Quase sem surpresa, não estivéssemos nós a jogar em casa, o Blogue destacou-se com alguma margem. É com alguma satisfação que partilho a evolução dos visitantes desde a sua abertura, em Maio de 2008. É de realçar que o mês em que o blogue teve mais procura, foi o mês de Dezembro, com quase 5 mil páginas vistas. Só posso agradecer a uma série de visitantes, que aqui vêm com regularidade, a um conjunto de colaboradores que também se vai alargando e ao grande dinamismo de muitos fóruns e Blogues existentes no concelho (e não só), dos quais destaco: PARM, Mós, Carviçais, Felgar, Castedo, Ligares e Maçores.
Estamos nisto, para nosso prazer, mas também pela promoção do concelho de Torre de Moncorvo. É com este espírito que avançamos para 2009.
Obrigado a todos.
Nota: a fotografia da igreja é de Mário.Soure

Mesmo longe de casa, recorri a um quiosque internet para poder desejar a todos os vistantes do Blogue um EXCELENTE 2009.
Que o ano novo proporcione tudo aquilo que não conseguimos realizar em 2008. Amanhã cá nos encontraremos.
TRANSMONTANOS DURIENSES - JORGE LUÍS BORGES

Nasceu em Buenos Aires em 24.08.1899. Faleceu em 1406/1986, de cancro hepático, em Genebra.
Deixou uma obra vastíssima e marcante. Chegou já a ser considerado o melhor escritor mundial da sua época. Porque o invocamos aqui? É porque ele era de origem portuguesa e transmontano pelo lado do bisavô. E fazia grande questão disso.
O caderno DNA (1998), dedicou-lhe uma série de páginas, assinadas por Eduardo Pita, Tiago Rodrigues e outros e, precisamente este último, em artigo intitulado do "O Bisavô Português, escreveu no lead: «José Luís Borges sempre se orgulhou das suas raízes portuguesas e interessou se muito pelos antepassados quando visitou o nosso país, em 1921 e em 1984. Sabia se que seu avô, Francisco Borges, saiu um dia de Torre de Moncorvo, com destino ao Rio da Prata. Em Trás-os-Montes, procurámos o rasto do homem que deu ao grande escritor o seu apelido". No corpo do texto reafirma se "Regressa a Portugal em 1984. Declara que essa visita é também uma homenagem ao seu bisavô português, Francisco Borges. Nessa ocasião, afirma saber que Torre de Moncorvo era a terra natal desse antepassado. Em Lisboa, numa visita ao Grémio Literário, encontra se com representantes da autarquia de Moncorvo que o declaram cidadão honório da pequena vila do nordeste transmontano. Borges quis saber coisas sobre essa terra do bisavô Francisco, da qual já ouvira falar, mas nunca chegou a visitá la". Pelo seu interesse transcrevemos todo o texto de Tiago Rodrigues: Rondaria os vinte e dois dias quando visitou Portugal. Em 1921, Jorge Luís Borges findava uma estadia de três anos em Espanha com a família. Conhecera Valle Inclán, lera Unamuno e vertera poetas germânicos para castelhano. É então que chega ao nosso país com o propósito de encontrar esses seus "mayores", a "vaga gente" do seu sangue. Cinquenta anos mais tarde, contará numa entrevista como tentou auscultar o paradeiro da família do seu bisavô português: "Quando consultámos a lista telefónica, havia tantos Borges que era como se não existisse nenhum. Tinha cinco páginas de parentes. O infinito e o zero assemelham se. Não podia telefonar a cinco páginas de pessoas e perguntar: "Digame uma coisa: na sua família houve um capitão chamado Borges, que embarcou para o Brasil em fins do século XVIII ou princípios do XIX?..." No entanto, descobri com tristeza que um inimigo de Camões se chamava Borges e tiveram um duelo». Por essa altura (1984) algumas redacções enviam jornalistas para a vila. É descoberta uma família Borges, ao que parece antiga, numa aldeia do concelho. Felgueiras, terra de famílias judaicas e de apicultores, parecia ser o ponto de partida desse homem que viajou até à América do Sul para oferecer outro sotaque ao seu apelido. Apesar da precaridade das provas, a tal família é apresentada como a raiz portuguesa do grande escritor argentino. Mas essa hipótese, essa pista genealógica, está condenada a cair por terra, uma vez que dos Borges de Felgueiras só há registo a partir do final do século XIX. As origens transmontanas do homem que escreveu "O Aleph" são, obviamente, muito mais remotas. A Biblioteca Municipal de Moncorvo seria local inevitável a ser visitado por Jorge Luís Borges, numa hipotética estadia na terra dos seus antepassados. Quem conseguisse esse roteiro imaginário, acabaria por encontrar António Júlio Andrade, bibliotecário e director do jornal "Terra Quente". Homem que se ocupa dos arquivos, ele tem procurado Francisco Borges em todo o tipo de registos e correspondências. Alguns dos documentos que descobriu são inéditos e permitem uma indicação mais precisa da sua origem. Que pode muito bem estar no Morgadio do Mindel, o mais antigo que há conhecimento na comarca de Moncorvo, pertencente a uma outra família Borges muito anterior à de Felgueiras. Esta família possuía, além de algumas casas na vila (agora já desaparecidas), uma quinta na Vilariça os campos mais férteis do concelho e todo o território da aldeia de Peredo dos Castelhanos.
O argentino D. Luís Guillermo de Torre, parente de Jorge Luís Borges e membro da Comissão Heráldica da Argentina, forneceu dados biográficos fundamentais sobre Francisco Borges. "Terá sido baptizado numa das paróquias de Moncorvo, talvez em 1782. Era filho de Manuel António Cardoso e de Maria Antónia. Ignora se o apelido da mãe, que se supõe ser Borges. Chegou ao Rio da Prata em 1817, na expedição do general Lecor. Casou em Montevideu, em 3 de Fevereiro de 1829, com a argentina Carmen Lafinur". Deste casal nasceu o avô paterno Francisco Borges Lafnur, que se casaria com a inglesa Frances Haslam Arner. Este avô é evocado em 1969, no poema "Alusão à morte do coronel Francisco Borges (1833/74)". Guillermo de Torre também aponta a data de morte. "Morreu em Montevideu em 1837, com 55 anos. Daí a data apontada para o seu nascimento". Estes são dados porventura recolhidos junto da família.
Quanto aos que referem Torre de Moncorvo como sua terra natal, apoiam-se provavelmente em recordações do que Francisco Borges teria eventualmente contado. Talvez seja também esta, de resto, a justificação para o facto de Jorge Luís Borges mencionar Moncorvo, quando nos visitou em 1984. Tudo indica, portanto, que Francisco Borges pertencesse aos tais Borges do Morgadio do Mindel. Família ainda mais portentosa porque dela fazia parte Frei Miguel da Madre de Deus, um homem que chegou a ser arcebispo de Braga. No seu tempo, esteve sempre nas boas graças do Príncipe Regente, hoje, ensombra a sacristia da Igreja matriz de Moncorvo. É por este ilustre antepassado que é possível encontrar uma árvores genealógica dos Borges. Isto porque a Igreja investigava a carga genética dos seus bispos, buscando qualquer rasto de sangue judeu até à sétima geração. Guillermo Torre afirma que o pai de Francisco Borges se chamava Cardoso, um nome judeu. Talvez esse nome como era comum acontecer fosse revertido para um nome mais cristão, como Cruz, apelido bem usual entre os Antónios da família Borges de Moncorvo. A possível alteração dos nomes de origem judaica torna muito difícil descobrir a filiação de Francisco Borges na árvore genealógica de Frei Miguel, mas há vários casais cujos primeiros nomes e datas de nascimento coincidem com os que poderiam ser os dos seus pais. Se procurarmos o próprio Francisco Borges, encontramos três homens, nascidos à volta de 1870, com esse nome. Todos eles irmãos e sobrinhos de Frei Miguel. Um deles até nascido em 1782, data apontada para o nascimento do bisavô português de Jorge Luís Borges. Só que este foi cavaleiro fidalgo e vereador da Câmara de Moncorvo numa data posterior à da partida da armada do general Lecor para o Rio da Prata. As coincidências levam a acreditar que, investigando mais a fundo, encontraríamos Francisco Borges nesta família de Torre de Moncorvo. Entretanto, existe pelo menos uma prova irrefutável de que ele nasceu nesta vila, o registo dos homens que, com a Sétima Companhia de Fuzileiros, embarcaram em 1821 para o Rio da Prata. Este documento, do Arquivo Histórico Militar, revela que dois homens com o nome de Francisco Borges partiram nessa armada do General Lecor. Ambos tinha nascido na comarca de Moncorvo. Um era alferes e outro tenente. Mas nenhum outro dado nos permite apontar se algum deles era o futuro bisavô do homem que escreveu "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam".
Em Torre de Moncorvo, o escritor dá hoje o nome a uma avenida moderna. A Av. Jorge Luís Borges, de bom asfalto, onde fica o terminal das carreiras. Lugar de chegada e partida, lugar onde se cruzam pessoas e mercadorias. Mesmo ao alto da avenida, está uma fonte antiga, que se chama de Santo António, da qual se diz que quem beba aquela água há de casar em Moncorvo. Esquivo também antes da morte, o bisavô Francisco foi casar à Argentina.
Borges é o último gigante literário de que se pode falar
O escritor José Saramago defendeu em 14-12-2008 que Jorge Luís Borges é "o último gigante literário" de que se pode falar, considerando que "há mundos que existem a partir do momento em que ele os criou".
Saramago falava na inauguração do Memorial ao escritor argentino, da autoria de Federico Brook, no jardim do Arco do Cego, a poucos metros da residência do Nobel português e da embaixada argentina.
Por isso, disse, por morar perto "talvez virá" com a sua mulher, Pilar del Río, ao jardim, sentar-se num banco e "para estar ao pé dele".
Saramago salientou que Borges é um "grande escritor e humanista" que "descobriu a literatura virtual".
Um conceito que reconheceu ser-lhe difícil de explicar mas que se aplica à prosa e poesia na medida em "há mundos que existem a partir do momento em que Borges o criou".
Antes, a viúva de Borges, Maria Kodama, que se referiu a Saramago e à sua mulher como «anjos providenciais», recordara que Borges considerava que a palavra «saudade» lhe estava no sangue, apesar de não ter um conhecimento claro da sua família portuguesa que seria originária de Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes).
"Pouco se sabe da família Borges" que serão de Trás-os-Montes, concordou Saramago, rematando: "parece que a família existiu para produzir este José Luís Borges e depois não deixou rasto".
Presente na cerimónia, o embaixador argentino, Jorge Faurie, considerou que o memorial "será um marco das relações históricas entre Portugal e a Argentina".
É "um elo palpável entre Portugal e Argentina", acrescentou, recordando que as relações entre os dois povos existem "desde o tempo das descobertas", de que deu como exemplo a exploração portuguesa da região de La Plata.
De todas as datas a que maior fascinação exerce sobre o homem, a que mais lhe impressiona os sentidos e cativa a alma é sem dúvida a do Natal.
Vem de longa data o encantamento. Já na velha Roma do paganismo se celebrava o Natale Solis invicti, festa consagrada ao astro rei – à luz que dissipa as trevas. Não tendo o sabor do Natal cristão, de cujo talvez esteja na origem, já traduzia um jubiloso sentimento de fraternidade motivado por uma ideia-força que a todos entusiasmava – o sol que nasce e vem para libertar o homem da prisão da noite. Era como que um “muito obrigado”, ao grande amigo – gritado em coro, de mãos dadas e coração ao alto.
Pode dizer-se que o Natal é festejado em todo o mundo – embora com simbolismo diverso e diferentes exteriorizações de alegria. Crentes e incrédulos são tocados pela magia desta data.
Olhos postos no Céu – vendo o Bambino Sublime – os crentes transportam-se à origem, viajam regressivamente no tempo, e, como se na hora de Belém, festejam o nascimento do “verdadeiro sol” (como lhe chamou s. Cipriano), do “novo sol” (como lhe chamou Santo Ambrósio) – festejam a Luz que chega para iluminar a Noite da História que assombra e onde sossobra a alma das gentes.
Os homens cultos e os ignorantes já conheciam os deuses – os mitológicos deuses que (bem podemos dizer) eram “pau para toda a colher” – mas não conheciam o Deus Verdadeiro, o do Amor, da Bondade, da Fraternidade… aquele que veio ao mundo para dar ao homem a Grande Dimensão que lhe faltava – aquela que de si fez Um Outro Homem.
No tempo – o acontecimento de Belém foi notícia que correu e não pôde ser ignorada… nem pelos que tapavam os ouvidos para não ouvir, nem pelos que fechavam os olhos para não ver. Nascera Um Menino… que era mais do que um menino. Os homens de bom coração e boa fé – os crentes – viram logo que “nele estava a vida e a vida era a luz dos homens”.
Os incrédulos olharam-se – e olhar-se já queria dizer que alguma coisa de estranho lhes acontecia… “a Luz resplandece nas trevas” mas, porque eram de pouca fé, “os homens não compreenderam”.
Os que compreendem e os que não compreendem irmanam-se neste dia e festejam o Natal.
…
Festeja-se. Em volta de uma mesa a família está reunida - o patriarca preside, perora e dá a bênção. Cantam-se hinos ao Deus Menino junto do Presépio. É o Natal cristão.
Festeja-se. Estoiram as garrafas de champanhe. Dá-se à perna ao ritmo endiabrado do yé-yé. Este é o Natal pagão.
Que magia será a desta data que assim enfurece as almas em volta de dum Presépio ou duma garrafa de champanhe – insuflando-lhes ânsias de um outro ritmo de vida! Que magia será esta que aqui sentimentaliza o homem arrancando-lhe do fundo da sua dor uma lágrima de saudade, na hora da ceia, perante a cadeira vazia de um ante querido que anda por longes terras (mas há-de voltar) ou se perdeu nos mistérios do Além (e a cadeira ficará sempre vazia)! Que magia será esta que ali torna o homem folgazão e festejeiro – um espectáculo gritante de uma vida que transborda!
É a magia do Natal.
…
A magia – como o mistério – olha-se e respeita-se … para que continue.
…
… e quando assim não for…
Acreditem que a hora do Apocalipse está próxima.
Dr. Armando Pimentel
Texto da autoria do Dr. Armando Pimentel, no Jornal "A Torre", publicado em 30 de Dezembro de 1965.
Voz amiga comunicou-me o falecimento do dr. Armando Pimentel, figura de referência do último meio século do Nordeste Transmontano. Muito se pensou em fazer-lhe uma entrevista de vida. Chegámos tarde, tanto eu como o Nélson. Durante anos colaborou no Torre de Moncorvo, infelizmente extinto e no Primeiro de Janeiro com destino quase semelhante. Tinha uma biblioteca invulgar e podendo ter sido tudo, antes e depois do 25 de Abril, o que diz da sua independência, não quis nada. Solteiro, refugiou-se no seu ermitério dos Estevais ( Mogadouro). Lembro-me dele quase diariamente em Moncorvo a visitar os amigos. Mas os amigos foram morrendo. Com a sua morte fecha-se um ciclo de vida de Moncorvo. Não é este o tempo nem a oportunidade para reflectirmos sobre o ciclo que agora finda. É tempo sim de penarmos um pouco por não termos sabido aproveitar, em tempo próprio, a memória e a cultura do dr. Armando Pimentel. E de nos inclinarmos, com pesar, perante alguém que passou para o desconhecido.

Como se tem registado fotograficamente aqui no blog, há vários dias que o nevoeiro não nos deixa a vila, funcionando como uma tampa de arca frigorífica a conservar a geada, congelando-nos os ossos e os pavimentos, e, com estes deslizantes, aqueles fracturados, o que já aconteceu em várias quedas de que temos notícia (assim também se explica o topónimo da velha rua do Quebra-costas).
Todavia há que lembrar que sempre esta terra foi atreita a este fenómeno meteorológico. Senão vejamos o que nos diz o Abade de Miragaia, continuador da obra de Pinho Leal, o Portugal Antigo e Moderno (vol. V, 1875), no artigo sobre "Moncorvo":
“Em Dezembro de 1843 e Janeiro de 1844, estiveram os povos d’estes sítios 20 dias sem ver o sol, por causa de um densíssimo nevoeiro. Estava tudo coberto de neve, e o frio chegou a 3 graus abaixo de gelo (sic – seria de zero) – Chegou a gelar o leite!
Principiou o nevoeiro a 13 de Dezembro e durou até ao 1º de Janeiro, sobrevindo n’este dia uma chuva branda que o dissipou. A neve causou grandes prejuízos, destruindo com o seu peso, muitas árvores, principalmente oliveiras.
Esta calamidade abrangeu todo o espaço que vai desde os Estevais de Mogadouro até Macedo de Cavaleiros, chegando, em Trás-os-Montes, muito abaixo de Mirandela; e na Beira Alta até à vila da Meda”.
É verdade que os reinos mágicos (como o que evocou o nosso amigo Vasdoal – vd post anterior), são envoltos em brumas… e que estas sempre nos sugerem a esperança da chegada de um qualquer D. Sebastião que nos tire da eterna crise, também é certo. Para além disso, Londres, a capital do nevoeiro, não deixa de ter, por isso, uma certa mística (aliás, em inglês, névoa, diz-se: “mist” – talvez daí a “mística”, apesar de a londrina ser mais para o “fog”). Mas, em todo o caso, temos de convir que os nossos avoengos medievais que deixaram a vila de Santa Cruz da Vilariça “por razão de o dito sítio ser doentio” (assim o diz um documento do séc. XV), acabaram por não encontrar uma alternativa muito melhor…
Foto e txt. (excepto citação): N.
Este é o meu embrulho para os colaboradores e visitantes do blogue.
Distrito de Bragança está a "desaparecer"

No distrito de Bragança nascem cada vez menos pessoas e morrem cada vez mais. É apenas uma das conclusões que traçam um quadro negro para o Nordeste Transmontano que podem ser lidas no Anuário Estatístico Regional do Instituto Nacional de Estatística, relativo a 2007. Analisando os concelhos do distrito brigantino é fácil constatar que os vários indicadores da população estão abaixo da média nacional.
O dado mais preocupante é quando observamos a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Em Portugal, o valor médio está fixado em 9.7 nascimentos por cada mil habitantes, no distrito, todos os doze concelhos apresentam valores bem abaixo. Bragança, a capital de distrito, com 7.6 por mil, é compreensivelmente o concelho onde nasceram mais crianças, seguida de perto por Freixo de Espada à Cinta e Carrazeda de Ansiães com 7.4 e 7.2, respectivamente.
Torre de Moncorvo é o concelho onde nasceram menos crianças no ano de 2007, um valor de 4.3 nascimentos por cada mil habitantes. Mas se o número de nascimentos já é preocupante, o que dizer da taxa de mortalidade? Todos os concelhos de Bragança estão acima da taxa nacional de 9.8 mortes por mil habitantes. Vimioso, Freixo de Espada à Cinta e Carrazeda de Ansiães no ano passado tinham 19 mortes por igual número de habitantes. O que pode indicar um elevado envelhecimento da população nestas vilas. No tópico da Densidade Populacional, o valor é de 115 habitantes por quilómetro quadrado. No distrito, Mirandela é o concelho com o valor mais elevado, com 39 habitantes por quilometro quadrado. No extremo oposto está Vimioso, com apenas dez pessoas a viverem por cada quilómetro quadrado. Há, portanto, poucas pessoas no espaço geográfico do distrito de Bragança. Face a todos estes indicadores, não é portanto de estranhar que o crescimento da população no nordeste transmontano seja negativo. Se a nível nacional, o valor centra-se no 0.17 por cento, em todos os concelhos transmontanos esse valor é negativo. É fácil concluir que em Trás-os-Montes morrem cada vez mais pessoas e nascem cada vez menos.
É este o cenário com que deparamos em dias de Outono em Torre de Moncorvo.
Parece que o mar vai engolir esta vila do Nordeste Transmontano.
Bom, depois de ouvidas todas as tendências, chegou o momento de se proceder à votação do "Acontecimento do ano", em Torre de Moncorvo, em 2008. Os candidatos indicados foram todos aceites, à excepção de Torre de Moncorvo, porque esse incluiria todos os restantes e a votação deixaria de ter razão de ser. Não há nenhum Óscar, simplesmente mais uma oportunidade de reflectir um pouco no ano que agora termina.
Os candidatos são:
Num comentário foi lançada a ideia de se fazer a "eleição" do Acontecimento do Ano de 2008, em Torre de Moncorvo (concelho). Porque não fazê-lo? Assim, talvez tenhamos oportunidade de passar em revista alguns dos momentos mais marcantes da vida do concelho, durante o ano de 2008. Para já, é necessário começar a indicar os acontecimentos dignos de realce (de acordo com o entendimento de cada um).
Se se conseguir uma lista de acontecimentos interessantes podemos talvez proceder a uma votação.
A indicação de candidatos a "Acontecimento do Ano" pode ser feita nos comentários, ou na janelinha que existe na margem direita do blog, no topo.
Uma comitiva de 21 automóveis está a percorrer a Região Demarcada do Douro, numa acção de sensibilização e promoção do potencial da sua actividade turística organizada pela comissão instaladora da Turismo do Douro.
A iniciativa “Street Marketing do Douro” culminará com a realização do “I Concerto Ano Douro”, no Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego, no próximo dia 27 de Dezembro. Os automóveis que participam nesta acção inovadora animam os 19 concelhos que constituem a mais antiga região demarcada do mundo, numa viagem que pretende provocar um impacto positivo junto da população local e incrementar o seu sentimento de pertença em relação a este território.
Na sede dos concelhos, os veículos concentram-se em frente às câmaras municipais. A Turismo do Douro, com futura sede em Vila Real, compreende o território abrangido pelos municípios de Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Moimenta da Beira, Murça, Penedono, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, S. João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo, Vila Real e Vila Nova de Foz Côa.
A nova estrutura terá por missão promover a oferta turística no mercado interno e colaborar na definição da promoção da região no mercado externo, identificando e dinamizando os produtos turísticos regionais
