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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Cortinha da Guarda
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Moncorvo, Zona Quente em Terra Fria

Devido à actualidade dos temas abordados na reportagem “Moncorvo, Zona Quente em Terra Fria”, de Março de 74, no jornal República (da autoria de Fernando Assis Pacheco e fotos minhas), creio ter interesse publicar, por temas isolados, a reportagem na íntegra. Já saíram, neste blogue, “ O sonho das minas” , "A vila passada a pente fino”, "... e lá se foi o castelo”, “Os vizinhos ajudam os vizinhos a partir a amêndoa no inverno” , ”As contas do guarda-rios”. Hoje é a vez de “Gil Vicente entre os jovens,”com encenação do pai do Tiago Rodrigues...
Nota: O grupo “Alma de Ferro””apanhou-me” por acaso em Moncorvo na noite da estreia. Surpreendeu-me pela qualidade. A recuperação do antigo celeiro é notável. Estamos todos de parabéns.
Leonel Brito
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A Revitalização

O passado histórico de Mós mantém-se, sendo rico o seu património vai-se perdendo, à semelhança do que acontece noutras localidades, acontece porém que compete aos autarcas de cada Freguesia,Vila e Cidade criar incentivos através de roteiros turísticos, de modo a dinamizar as localidades dando a conhecer o vasto património e vestígios históricos, como já acontece noutras terras deste país “ ALGARVE – ALENTEJO” a criação de percursos pedestres, aproveitando locais outrora de interesse económico para as populações seria de realçar para poder dinamizar e trazer mais vida a estes locais perdidos e por vezes esquecidos.
Como roteiro de início, Ferraria da Chapa Cunha apesar de actualmente se encontrar em ruínas, mas como antiga fábrica de ferro, aproveitando o seu passado histórico como primeira ferraria da região ou, mesmo da Península Ibérica, o Castelo em ruínas, Igreja de Santa Maria, Capelas de Santo António – Santa Barbara – Santo Cristo, Fonte Românica, Fonte do Cano, e com bastante interesse de divulgação a Calçada de Mós e os percursos adjacentes à mesma “No passado rede viária de Vila Velha de Santa Cruz com cerca de 700 metros de comprimento“, realçando também as antigas minas do ferronho entre outros locais esquecidos que poderemos descobrir, neste combate da desertificação.
Autor:Cidadão do Mundo
Pelourinho de Mós

No Concelho de Torre de Moncorvo, foi o único recuperável, ao consultar livros deste evento o Pelourinho, de que fala o Abade de Baçal nas suas "Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança" do seguinte modo "... Mós - O Pelourinho desta Antiga Vila, sede de Concelho, hoje estupidamente apeado, mas as suas pedras estavam em 1899 na casa dos herdeiros do Doutor Gabriel, não haverá alma generosa que se compadeça do venerando momumento, lídimo brazão nobilitante da terra, reerguendo-o no primitivo local, em frente da antiga casa da Câmara de Mós..." Hoje convertida em sede da Junta de Freguesia e antiga Escola Primária "...também nos fala de actos de vandalismo que terão destruído o referido Pelourinho...".
No local referido pelo Abade Baçal, data da história de que em 1830 ainda se encontrava de pé, data esta da morte da Rainha CARLOTA JOAQUINA DE BORBON, por cujo luto gastou o Concelho de Mós mil e duzentos réis com que pagou por baeta preta para cobrir o Pelourinho desta Vila de Armas, da Casa da Câmara na ocasião de luto pela morte da Sereníssima senhora Rainha. Toda a sua destruição e segundo os historiadores terá sido acto dos ventos do Liberalismo e com a extinção das Vilas abrangidas pela reforma Administrativa de 1836, pelo Dec-Lei do mesmo ano publicado em 2 de Novembro.
Pelourinho de Mós
O Pelourinho de Mós, possivelmente construído no Séc. XVI, perdeu-se na memória e no tempo. Quis o destino que em 1992, seis das pedras que o constituíam fossem encontradas num muro da aldeia.
Hoje, o pelourinho está lá, na praça, enchendo de orgulho os mozeiros, que não se cansam de falar da Antiga Vila de Mós. Esta é só uma amostra do muito que há para "descobrir" nesta aldeia que já foi sede de concelho.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Estevais Ano Zero



Pensando tratar-se da sua terra (Estevais, de Mogadouro), o Professor Rentes Carvalho adquiriu, em tempos, o documentário “Estevais, Ano Zero”. Era sobre Estevais da Vilariça, e ofereceu-o ao Nelson. O Nelson, reconhecendo o autor, teve a gentileza de lho regalar. Feito num dia de 1975, integrado na série “Arte e Ofícios” para a R.T.P..
Graças às novas tecnologias, transformei três fotogramas nestas imagens.
Nessa época não havia água canalizado na aldeia, razão porque as pessoas tinham que ir abastecer-se a uma fonte no meio da fragada, a 4 km..
O Senhor António, fez parte, em 1914/18, do Corpo Expedicionário do Exercito Português no sul de Angola. Depois de uma estada de três anos no Brasil, onde sofreu a crise de 29, regressou nesse mesmo ano, para sempre, à sua terra.
A rua era o recreio dos galináceos, que obrigavam os seus donos a pagar uma multa de oitenta mil e crôa à G.N.R. (a jeira, na Ribeira, era de cinquenta escudos).
O documentário pode ser baixado da internet, com o nome Estevais Ano Zero
Leonel Brito
sábado, 17 de janeiro de 2009
Caminho, no Larinho
Na tranquilidade da tarde aquecida pelo sol de Outubro, procurava a localização de uma fonte, bastante antiga, no Larinho. O encontro com a fonte, não uma, mas duas, transportaram-me ao passado e imaginei-me várias décadas atrás, quando o acesso àquelas fontes era feito por este e outros caminhos. A luz rasante do final de tarde convidou-me. Não resisti a registar em fotografia este rústico caminho.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Pastagem Natural em Terras de Moncorvo - Raça Mirandesa
Ao passar pela Qtª Branca, no Larinho, na estrada que liga Moncorvo a Carviçais, chamaram-me à atenção estes lindos animais de raça mirandesa.
Apesar de ser raça oriunda da região trasmontana, os bovinos mirandeses estão já espalhadas por várias explorações de norte a sul do país.
A carne de bovino mirandês é a base da "posta à mirandesa", iguaria da cozinha nordestina. Apesar da qualidade, por vezes, é difícil abastecer o mercado, em expansão fora das fronteiras do Solar da raça.
Carne muito saborosa e suculenta. A carne destes animais é bastante utilizada na cozinha tradicional desta região, sendo de destacar a muito afamada posta mirandesa, que é uma forma de grelhar carne cujo único tempero é o sal, apenas para realçar o excelente sabor . Frequente é também o consumo sob a forma de vitela assada no forno, bifes à Alto Douro e vitela entronchada à transmontana. As restantes peças, menos nobres, são consumidas noutros pratos tradicionais da cozinha regional e nacional, designadamente no cozido nortenho, no cozido à portuguesa e em estufados vários.
Por terras de Moncorvo também se come uma bela posta à mirandesa, pois vale a pena passar em Carviçais no Restaurante "O Artur", onde a especialidade é a Posta à Mirandesa.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
A tradição Transmontana
Em Trás-os-Montes o Natal é diferente do que no restante pais. Prova disso é a quantidade de migrantes e emigrantes que invadiram as estradas portuguesas rumo ao interior transmontano na quadra natalícia.
Hábitos e tradições transmontanas no dia vinte e quatro à tarde começam a descascar as batatas e a arranjar as couves para o jantar. Na boa mesa transmontana não pode faltar polvo, couve, e bacalhau. No que respeita às sobremesas as filhós, os milhos e as rabanadas continuam a ocupar o topo das preferências e tradições.
Em quase todas as casas transmontanas o jantar começa cedo porque as gentes transmontanas não têm o hábito de jantar tarde como os citadinos, à mesa reúne-se quase a família da habitação e poucos são aqueles que ainda cumprem a tradição de abrir as prendas à meia-noite, perdeu-se na história a tradição que mesmo sendo crianças ainda acreditam na vinda do Pai Natal.
Depois do jantar e das prendas distribuídas e abertas normalmente junto à lareira que pelo menos nessa noite se acende na maioria das casas, por vezes segue-se a saída, para a praça da Aldeia, Vila ou Cidade, este ano com a neve mas apesar disso já não neva como antigamente, o frio continua a marcar presença assídua na noite de Natal e ainda há locais onde se fazem grandes fogueiras onde se aquece a população durante toda a noite.
A tradicional fogueira do Galo, continua a tirar as famílias de casa, que apesar da desertificação ainda são muitos novos e alguns de idade avançada, pois é costume dizer-se que Trás-os-Montes tem uma população envelhecida, as chamas vindas de grandes troncos arranjados nos dias e na noite que antecedem o Natal aquecem dezenas de pessoas que se juntam ao seu redor enquanto a missa do galo não começa, mas é uma forma de juntar a família e os amigos, como os costumes nunca se perdem alguns trazem chouriças, outros pão e outros vinho e às vezes ficam até de manhã, sendo por hábito o café da manhã ser feito e servido ali.
As fogueiras de Natal, ou “murras” [gigantesco canhoto de carvalho, castanho ou negrilho, que arde noite fora no largo principal de algumas das aldeias mais puras do Nordeste, representa a coesão de uma comunidade rural, que festeja na rua o verdadeiro sentido do Natal] em algumas localidades do interior transmontano, e ainda representam para muitos a coesão dos habitantes, crianças, jovens, adultos e idosos convivem pela noite dentro e fazem apenas um intervalo para a Missa do Galo à meia-noite.
Numa região onde a população está cada vez mais envelhecida, já houve mesmo paroquias que resolveram antecipar a missa do Galo e fazê-la no dia 23 durante o dia, como aconteceu em 2008, no 25 há missa de Natal seguida de mais uma reunião da família,o almoço que volta a juntar toda a gente na mesma mesa, é fruto da mistura de costumes em algumas casas que não dispensam o perú na mesa, no entanto, nas famílias mais tradicionais ainda se continua a comer a típica “roupa-velha”, uma espécie de mistura de todas as sobras do jantar do dia 24, o famoso cabrito assado transmontano é também frequentemente servido como refeição neste dia, em algumas casas.
Em resumo mais ou menos frio, mais ou menos tradicional, o facto é que a época natalícia continua a encher as Cidades, Aldeias e Vilas desertificadas do interior transmontano que durante o resto do ano se encontram praticamente desertas, alguns matam e trazem saudades, alegria e cor ao interior de Trás-os-Montes, os que cá ficam vão continuar a preparar tudo para acolher nestas e noutras épocas os que decidiram um dia sair à procurar de melhores condições de vida.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Depois da neve... mais nevoeiro e geadas
domingo, 11 de janeiro de 2009
O Tempo, essa noção...
Os comentários têm sido fecundos em relação ao passado e à importância do passado nas nossas vidas, individuais e colectivas. O tempo, em suma. Muitos post e outros tantos comentários, mais do que passado, estão a desenhar uma identidade de Moncorvo. Numa busca desordenada de papéis velhos vou encontrando, tempos próprios, porventura datados: uma carta de Monteiro de Barros de 1976, descrevendo a situação política da época em Moncorvo; uma carta do Horácio Espalha já quase de despedida e influenciado pelo voluntarismo (mais do que utopia) do MRPP; o primeiro livro de Pires Cabral, com 25 exemplares, feito a stencil na Escola Secundária de Moncorvo, em Junho de 1974, com capa de Horácio Simões(dr.), um velho com chapéu de aba larga e barba de oito dias. É a primeira obra editada por Pires Cabral, hoje um dos grandes poetas portugueses. E depois leio a Primeira Comunhão da Júlia Guarda Ribeiro, um testemunho precioso, ainda que em linguagem grácil mas de conteúdo sofrido, que revela, embora com a tolerância que lhe é peculiar, os preconceitos de uma vila, a moralidade de sacristia, preconceitos e moralidade que ainda não foram de todo afastados. E todas estas leituras me obrigaram a uma reflexão sobre o Tempo. Espero a vossa benevolência a par das críticas. Falar do Tempo é falar de uma abstracção que só existe enquanto nós existimos. Ou se existe é apenas no nosso pensamento. Com a nossa morte, para quem não acredita na eternidade, o tempo deixa de existir. De qualquer modo, para quem acredita na eternidade, não tem sentido a existência do tempo, pois a eternidade pressupõe o infinito. Mas vamos às origens mitológicas do Tempo antes que a inquietação me perturbe o raciocínio. Chronos, com h, para distinguir do outro Cronos, o que engoliu os filhos ao nascerem, com o medo de ser destronado por um deles, Chronos, com h, repito, é entre os gregos e os romanos, nestes sob o nome de Saturno,a personificação do Tempo, criado por si mesmo. Era um ser incorpóreo e serpentino, com três cabeças, de homem, touro e leão. Permaneceu deus do tempo remoto e sem corpo. A minha reflexão dificilmente aceita a linearidade, porque o tempo não é linear, embora seja contínuo na nossa descontinuidade, no depois de nós outros vêm.
Há vários tempos: o mítico, o histórico, o simbólico. entre outros. O tempo simbólico só é possível num espaço simbólico, como no ritual da Igreja e na Bíblia, sobretudo no Pentateuco (os cinco livros da Tora judaica) em que os predestinados, como Matusalém, por exemplo, chegam a ter a provecta idade de 600 anos. Na rua, em relação à missa na igreja de Moncorvo, por exemplo, o espaço é outro e outro é o tempo. Em Kant o tempo é sempre espacializado. É o tempo simbólico subjectivo? É. Todo o tempo pessoal e o tempo na relação com o Outro são subjectivos. A definição mais comum do tempo e a que menos inquietação provoca: período que vai de um acontecimento anterior a um posterior. Ou seja, uma espécie de ponte invisível entre o passado e o futuro (este blogue é paradigma disso).
É minha profunda convicção de que não há tempo absoluto, porque o Homem e a Humanidade só sobrevivem nos seus limites. (Lembra-me uma Ode de Píndaro, que serviu de epígrafe ao Mito de Sisifo de Albert Camuns: "Ó minha alma, não aspires à vida imortal/ Mas esgota o campo do possível")
É impossível instituir uma medida única do Tempo. A simultaneidade de acontecimentos distantes no espaço não tem senão um sentido relativo. Para uns os acontecimentos não são o que são para os outros. Cada sistema de referências tem o seu tempo próprio.
O tempo histórico, também chamado " a ciência dos homens no tempo", podemos dividi-lo em três subsistemas: o tempo curto, de acontecimento circunstancial; os ciclos económicos, por exemplo, como um tempo conjuntural; e o tempo de longa duração, este estrutural.
O tempo mítico refere-se a um tempo primordial que tem muito pouco a ver com a história real. É o tempo, entre outras idades, da Idade do Ouro, tão bem poetizada nas Metamorfoses de Ovídio ou no milenarismo do Apocalipse e do calendário Maia (no primeiro, o Mundo acabava aos mil anos para surgir o Mundo melhor, guiado por Messis; no segundo, termina em 2012, em 21 de Dezembro, com a última passagem do planeta Vénus, no século XXI, também para vir um mundo melhor).
Entremos agora no campo das interrogações, das dúvidas e da perplexidade do ser.
Através da distância do tempo, que não é mensurável, o definitivo não é o definitivo; o ser, embora sendo, não o é ainda. A estrutura da temporalidade em que se produz o ser está ligada a um gesto elementar do ser que rejeita a totalização. O ser não consegue ultrapassar os limites do possível.
Trazemos connosco um armazém da memória e o aceno das recordações. Na memória, não seleccionamos o passado pela importância real dos factos. É possível lembrarmo-nos da primeira vez que nos fomos banhar ao Rio Sabor e esquecermos o dia do nosso casamento. Não fomos nós que seleccionámos. Não houve repressão consciente. A memória não é repressiva. Ou é? Quanto às recordações, são sempre como um lenco frágil à procura do tempo perdido, que nos proporcionam sonhos, mas não nos devolvem as ocasiões perdidas. Mas a recordação surgida a cada novo instante não nos dará já ao passado um sentido novo? (Estou-me a lembrar de algumas fotografias editadas no nosso blogue).
Na paternidade em que o Eu através do definitivo de uma morte inevitável (uma certeza que nós todos comungamos) se prolonga no Outro, o tempo triunfa, pela sua descontinuidade, da velhice e do destino.
A paternidade, no meu sentir, é a maneira de ser Outro continuando a ser o próprio.
Regressemos ao instante, à recordação que, de tão intensa, pode ser tão duradoura como o nosso derradeiro limite. É a própria obra do tempo.
Em contrapartida, o esquecimento anula as relações com o passado. E aqui entramos no capítulo da culpa e do perdão. Citando uma expressão comum: perdoo tudo, mas não esqueço nada. O perdão conserva o passado. Mas aqui levanta-se o problema da culpa e do sofrimento. Até que ponto podemos perdoar, quando pelo sofrimento (também outra noção do tempo) nos quiseram e por vezes conseguiram reificar? Estou-me a lembrar de Auschwitz e de todos os Goulags de todo o Mundo, estou-me a lembrar da banalização do mal (vidè Hanna Arendt), estou-me a lembrar da vulgarização da violência, do conformismo face à corrupção, da falta de indignação face ao indigno. Esquecer, como já disse, é anular todas as relações com o passado; mas perdoar é assumir, já no presente, o sofrimento futuro.
Por fim, para os que crêem na eternidade (ausência de tempo e ausência de espaço), lembro a descida aos Infernos de Dante e a subida ao Paraíso. E interrogo-me sobre o sentido da culpa e o sentido da recompensa. Tanto o céu como o inferno não dão oportunidades de redenção ou pecado: o que está no céu não pode pecar; o que está no inferno, não pode fazer o bem. Neste maniqueísmo, não há lugar para segundas oportunidades.
Ou seja, transmutados para uma abstracção sem tempo, não têm a possibilidade de se redimir da culpa, nem, em sentido contrário, de cometer algum acto que provoque o sentido da culpa. A eternidade não é só a negação do tempo. É também a negação da liberdade.
Ponto final: os homens já roubaram todo o fogo aos deuses; eu contento-me com menos: roubo-vos um pouco do vosso tempo.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Notícias do burgo II - Neve

Notícias do burgo I - Incêndio

Com o intenso frio que se vai fazendo sentir, é natural que as chaminés, ou "chupões", não tenham descanso na tiragem dos fumos. Só que há depois a acumulação da fuligem... (que às vezes pega fogo). Terá sido isto que aconteceu, no dia 8 de Janeiro, por detrás do estabelecimento do Sr. Medeiros? ou foi antes um aquecedor, ou um curto-circuito, que fez deflagrar um pequeno incêndio, nesta zona da vila, como a foto documenta? - Responda quem souber... O repórter ia a passar e captou o momento da pronta intervenção dos nossos Bombeiros.
Ainda sobre os Guarda-Rios: a Sede do 14º Lanço/Torre de Moncorvo


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Os últimos guarda-rios
Aí vão os nomes: António dos Santos Silva, Herculano Augusto Salgueiro, Higino Aníbal Pacheco, Acácio da Cruz Rodrigues, António Afonso Clérigo, Casimiro de Sá,
Manuel António Tavares, José Joaquim Ferreira, Ernesto dos Santos Magalhães, Alexandre José Cascais, António Maria Vilares, Gilberto Augusto de Carvalho Pinto, Constantino da Gama Fernandes e Joaquim Pereira.
Seria interessante saber quem, na fotografia, corresponde aos nomes citado e de que aldeia são.
Os Serviços da Hidráulica foram oficialmente extintos depois da morte de Frederico Mesquita, mas estavam sem funcionamento, na prática, desde a sua reforma. Contava-me ele, que, muitas vezes, um ou outro guarda-rios, vindos das aldeias às feiras de Moncorvo, procuravam o ex-chefe e lhe perguntavam, apreensivos, se, não aparecendo ninguém a vigiar-lhes o serviço, mas com o vencimento depositado todos os meses na Caixa, não teriam que repor o dinheiro entretanto gasto. "Não virão um dia descobrir isto?", perguntavam desconfiados. E o chefe respondia : “Não se preocupe. Ainda há repartições em Vila Real e no Porto”.
Leonel (Lelo) Brito
Ecopista Torre de Moncorvo - Ponte REFER Pocinho
Município de Torre de Moncorvo quer garantir a ligação da ecopista do Sabor à linha do Douro
Os municípios de Torre de Moncorvo e de Vila Nova de Foz Côa vão pedir a classificação da ponte rodo-ferroviária do Pocinho como Património Nacional. Para tal, estão a elaborar uma proposta conjunta ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).
Trata-se de uma ponte centenária, que se encontra fora de serviço há mais de 20 anos. “Já elaboramos dois documentos, um de ordem jurídica e outro de fundamentação histórica, que foram aprovados, por unanimidade, pela Câmara e Assembleia Municipal de Moncorvo”, realça o presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Aires Ferreira.
A proposta de classificação, que une os dois municípios, assenta no interesse histórico da infra-estrutura, bem como na importância em ligar a ecopista do Sabor à linha do Douro, pelo seu traçado original.
Além disso, mantém-se intacto o espaço-canal, permitindo que gerações futuras optem pela manutenção de ecopista ou pela reintrodução do transporte ferroviário. “Não faz sentido a ecopista morrer na margem do Douro”, defende Aires Ferreira.
Infra-estrutura inaugurada em 1909 poderá ser aproveitada para fins turísticos
A preservação do património também trará vantagens ao nível do turismo. “Os grupos de pessoas que visitem a região podem sair do comboio e entrar logo na ecopista”, realça o edil.
A ponte ainda se encontra em boas condições de conservação, mas para poder ser utilizada como travessia, quer rodoviária, quer ferroviária, necessita de obras de reabilitação.
A infra-estrutura representou um investimento importante para a região no início do século XX. Em 1886, foi aprovado um projecto para a construção do ramal da Estrada Real nº 9, entre Celorico da Beira e Miranda do Douro, mas, 13 anos depois, foi aberto o concurso público para a construção de duas pontes sobre o rio Douro: a do Pinhão e a do Pocinho. Esta, para além de ligar os dois troços da Estrada Real nº 9, também iria reunir condições para ser aproveitada para o caminho-de-ferro entre o Pocinho e Miranda do Douro. O processo foi-se arrastando e a ponte só foi inaugurada a 4 de Julho de 1909.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Grupo Desportivo de Torre de Moncorvo em fotografia
Queria divulgar um Album digital de fotografias que ilustram muitos momentos da vida do Grupo Desportivo de Torre de Moncorvo. Aqui podem ser encontradas fotografias da década de 50 até à actualidade; desde as tradicionais equipas de casados e solteiros até a imagens de momentos históricos como encontros com o FCP, com o Boavista ou Leixões; os campos de jogos, os convívios, até a forma de vestir (e conviver).
Esta recolha de perto de 350 fotografias, resulta do empenho, ao longo de vários anos, de Carlos Ricardo. É um património que pode ser acedido por qualquer um, e que pode também ser enriquecido por quem tenha em casa fotografias que decida disponibilizar para fazerem parte desta galeria.
Com autorização de Carlos Ricardo, aqui são apresentadas algumas fotografias
O endereço para consultar toda a galeria é:
http://picasaweb.google.com/gdmoncorvo
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O Leva-leva e o peixinho frito do Sabor
Inteligente, com estudos, boémio, perdido da vida, chegou a Moncorvo e ai ficou para sempre. Beberrão e comilão, mas com grandes conhecimentos agrícolas, um hortelão de primeira. Um quintal amanhado por ele era um primor. E tinha sentido de humor.
Quando ia com o burro para a Quinta da Água, levava sempre no bolso um bilhete de cinema do cine-teatro, não fosse o cantoneiro pedir-lhe a licença camarária do burro.
É que a maioria dos cantoneiros não sabia ler, mas reconheciam o carimbo da câmara. E lá se safava.
O Leva-leva foi um dos meus heróis de menino.
Leonel Brito
Dr. Armando Pimentel (2)

Foi o Amândio Gomes quem, no dia 30 de Dezembro, me comunicou a morte do Dr. Armando Pimentel.
Para além da leitura dos seus excelentes escritos no jornal "A Torre", eu nunca tive grande contacto com o Dr. Pimentel, mas lembro-me de algumas interessantes conversas entre ele e o meu pai, em Mogadouro.
Eu escutava-os em religioso silêncio. Eram ambos amantes dos livros, da Literatura e da História. E quanto saber, meu Deus! Quanto que aprendi a ouvir os dois!
Uma coisa extremamente curiosa e completamente diferente foi o episódio que vou contar: tendo eu chegado uma tarde a Mogadouro, estava o meu pai a fundir coroas de ouro para aplicar em dentes de pacientes seus (penso que hoje o processo já será outro).
O Dr. Armando Pimentel estava a ajudá-lo! Segurava o maçarico de gasolina apontando-o à bolinha de ouro em fusão; o meu pai soprava o maçarico de boca para ajudar a chama a inclinar-se para o ponto devido e o Dr. Pimentel ia fazendo uma data de perguntas.
Quando o meu pai considerou que o ouro estava pronto para moldar, enfiou rapidamente a bolinha na pequeníssima prensa e calcou a tampa forrada de amianto bem encharcado em água.
O vapor de água que se formou iria empurrar o ouro por um buraquinho quase invisível e a coroa ficaria moldada, perfeita para o dente que iria salvar.
Aí, o meu pai, vermelho do esforço do sopro, inspirou profundamente e disse: "- Porra, homem!
Não viu que de maçarico na boca eu não podia responder-lhe."
As gargalhadas que ambos deram, quase deitavam a casa abaixo, e eu fiquei com a ideia de que o Dr. Armando Pimentel era formado em Físico-Químicas.
Ele sabia imenso sobre metais, suas características, pontos de fusão, etc. etc.
Só que nunca tinha visto fazer uma coroa de ouro.
Foi um momento único!
Depois de o Dr. Pimentel sair, é que o meu pai me esclareceu que o mesmo era formado em Direito.
Aquele Homem era um Sábio.
Júlia Ribeiro
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Foz do Sabor
Descendo da estrada de Moncorvo para o rio Sabor, atravessando a ponte ,estamos na Foz do Sabor.
Nesta aldeia do concelho de Torre de Moncorvo, encontram-se o Sabor e o Douro, dois rios que embelezam a aldeia e atraem grande número de visitantes na altura da época balnear.


Merece a pena fazer uma visita a esta linda aldeia, pela beleza paisagística que o Sabor e o Douro nos proporcionam, pelos banhos na praia fluvial ou não seja para comer uns peixinhos fritos e umas migas de peixe.Comentários moderados

Como seria de esperar, o sucesso crescente do Blogue traz também visitantes menos interessados, até incomodados, que procuram desmoralizar aqueles que prescindem de algum do seu tempo para aqui partilharem as suas ideias e emoções.
Este espaço nunca pretendeu ensinar, nem dar lições a ninguém. Para isso teriam que nos pagar. Tal como o nome do Blogue indica, o objectivo é descobrir. A descoberta é um acto individual, que aqui é partilhado, permitindo outras abordagens, outros percursos de descoberta.
Desde início que se colocou a possibilidade dos comentários do blogue poderem ser moderados. Não o foram, porque essa foi opção tomada. Entramos num novo ano que se imagina quente, temos que manter o sangue frio. Para evitar ataques pessoais, anónimos ou não, ou aproveitamento deste espaço, os comentários, a partir de hoje, passam a ser moderados.
Lembro os mais incomodados de que a Internet é muito grande, há tanto espaço por aí...
domingo, 4 de janeiro de 2009
Ainda Borges
Leonel Brito
sábado, 3 de janeiro de 2009
Meninos do Felgar
Da reportagem “Moncorvo, zona quente em terra fria”, de Março de 1974, fazia parte esta fotografia tirada no Felgar com a canalha da aldeia gritando para o fotógrafo:
É p'rá telebisão!
Passados 35 anos, os meninos de 74 desta foto, alguns são hoje pais, outros já avós. Que esta foto seja uma prenda (atrasada) de Natal para todos.
Leonel Brito
Reacções

Caríssimos Amigos
Permitam que desde já assim vos nomeie, pois o vosso blog despertou-me emoção profunda que só o encontro de velhos Amigos permite sentir.
Uma das minhas ciberdivagações levou-me ao encontro (premonição ou acaso?) da minha terra e, nesta, das várias portas que entretanto se abriram, pelo Reboredo, pelo Sabor, Carviçais e Urros, uma levou-me à (como chamar-lhe?) crónica, que foi como que a porta da minha antiga casa. Um texto belíssimo de Rogério Rodrigues sobre o Dr. Ramiro e o Colégio Campos Monteiro. Daí ao desfolhar dos outros posts e imagens e sugestões foi um simples passo - para mim um momento raro, como que um abrir da arca onde guardamos tudo o que por razões inefáveis, escapa sempre às mudanças de vida, de casa , de país, de sonhos , projectos e mundos.
Como transmitir-lhes esse meu entusiasmo de me rever a cruzar a praça até ao adro da Igreja, ou a jogar à bola na Corredoura, ou a fruir as noites de Verão pela estrada das Aveleiras, ou a cirandar pelo café do sr. Basílio entre as baforadas de fumo acre do tabaco e o cheiro da cerveja, ou a entrar na farmácia da D. Cármen para fazer um curativo do galo da testa, ou ainda os passeios na serra onde a ponta da bota descobria pedras luzentes de hematite, ou a acolher-me ao colo da minha Mãe no meio do ribombar majestoso e intimidante das trovoadas de Setembro? Como contar-vos das merendas na foz do Sabor ou do glorioso cabrito assado da casa de meus Pais pela Páscoa? Ou a ruidosa feira ali na praça, mesmo à saída da porta, ou a triunfante banda de música pela festa de Agosto?
Nada, em tantos anos desde a infância, me comoveu tanto como o sentir que as minhas raízes continuam a sorver do árduo chão a forma e a figura - de pé, vivos e orgulhosos transmontanos.
Bem hajam todos!
Daniel de Sousa
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Acontecimento do Ano 2008
A ideia da eleição do Acontecimento do ano de 2008, em Torre de Moncorvo, surgiu espontaneamente num comentário, no Blogue. Pareceu-me uma ideia interessante. Não é nada como eleger as 7 maravilhas do concelho, coisa que podemos fazer mais tarde, mas, como experiência, funcionou bem. Não vamos discutir os votações obtidas, coisa que possivelmente nos levaria a entrar em desacordo. Os resultados da votação foram os seguintes:
Barragem do Baixo Sabor (15) 18%
Centro de Memória de T.Moncorvo (2) 2%
Criação do Blog "À Descoberta" (22) 27%
Entrega de casas no novo bairro social (2) 2%
GDT Moncorvo na Taça de Portugal (5) 6%
Grupo Alma de Ferro (14) 17%
Nomeação dos Myula (15) 18%
Trabalho do Museu do Ferro (8) 10%
Quase sem surpresa, não estivéssemos nós a jogar em casa, o Blogue destacou-se com alguma margem. É com alguma satisfação que partilho a evolução dos visitantes desde a sua abertura, em Maio de 2008. É de realçar que o mês em que o blogue teve mais procura, foi o mês de Dezembro, com quase 5 mil páginas vistas. Só posso agradecer a uma série de visitantes, que aqui vêm com regularidade, a um conjunto de colaboradores que também se vai alargando e ao grande dinamismo de muitos fóruns e Blogues existentes no concelho (e não só), dos quais destaco: PARM, Mós, Carviçais, Felgar, Castedo, Ligares e Maçores.
Estamos nisto, para nosso prazer, mas também pela promoção do concelho de Torre de Moncorvo. É com este espírito que avançamos para 2009.
Obrigado a todos.
Nota: a fotografia da igreja é de Mário.Soure
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Bom 2009

Mesmo longe de casa, recorri a um quiosque internet para poder desejar a todos os vistantes do Blogue um EXCELENTE 2009.
Que o ano novo proporcione tudo aquilo que não conseguimos realizar em 2008. Amanhã cá nos encontraremos.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Borges filho de Moncorvo
TRANSMONTANOS DURIENSES - JORGE LUÍS BORGES

Nasceu em Buenos Aires em 24.08.1899. Faleceu em 1406/1986, de cancro hepático, em Genebra.
Deixou uma obra vastíssima e marcante. Chegou já a ser considerado o melhor escritor mundial da sua época. Porque o invocamos aqui? É porque ele era de origem portuguesa e transmontano pelo lado do bisavô. E fazia grande questão disso.
O caderno DNA (1998), dedicou-lhe uma série de páginas, assinadas por Eduardo Pita, Tiago Rodrigues e outros e, precisamente este último, em artigo intitulado do "O Bisavô Português, escreveu no lead: «José Luís Borges sempre se orgulhou das suas raízes portuguesas e interessou se muito pelos antepassados quando visitou o nosso país, em 1921 e em 1984. Sabia se que seu avô, Francisco Borges, saiu um dia de Torre de Moncorvo, com destino ao Rio da Prata. Em Trás-os-Montes, procurámos o rasto do homem que deu ao grande escritor o seu apelido". No corpo do texto reafirma se "Regressa a Portugal em 1984. Declara que essa visita é também uma homenagem ao seu bisavô português, Francisco Borges. Nessa ocasião, afirma saber que Torre de Moncorvo era a terra natal desse antepassado. Em Lisboa, numa visita ao Grémio Literário, encontra se com representantes da autarquia de Moncorvo que o declaram cidadão honório da pequena vila do nordeste transmontano. Borges quis saber coisas sobre essa terra do bisavô Francisco, da qual já ouvira falar, mas nunca chegou a visitá la". Pelo seu interesse transcrevemos todo o texto de Tiago Rodrigues: Rondaria os vinte e dois dias quando visitou Portugal. Em 1921, Jorge Luís Borges findava uma estadia de três anos em Espanha com a família. Conhecera Valle Inclán, lera Unamuno e vertera poetas germânicos para castelhano. É então que chega ao nosso país com o propósito de encontrar esses seus "mayores", a "vaga gente" do seu sangue. Cinquenta anos mais tarde, contará numa entrevista como tentou auscultar o paradeiro da família do seu bisavô português: "Quando consultámos a lista telefónica, havia tantos Borges que era como se não existisse nenhum. Tinha cinco páginas de parentes. O infinito e o zero assemelham se. Não podia telefonar a cinco páginas de pessoas e perguntar: "Digame uma coisa: na sua família houve um capitão chamado Borges, que embarcou para o Brasil em fins do século XVIII ou princípios do XIX?..." No entanto, descobri com tristeza que um inimigo de Camões se chamava Borges e tiveram um duelo». Por essa altura (1984) algumas redacções enviam jornalistas para a vila. É descoberta uma família Borges, ao que parece antiga, numa aldeia do concelho. Felgueiras, terra de famílias judaicas e de apicultores, parecia ser o ponto de partida desse homem que viajou até à América do Sul para oferecer outro sotaque ao seu apelido. Apesar da precaridade das provas, a tal família é apresentada como a raiz portuguesa do grande escritor argentino. Mas essa hipótese, essa pista genealógica, está condenada a cair por terra, uma vez que dos Borges de Felgueiras só há registo a partir do final do século XIX. As origens transmontanas do homem que escreveu "O Aleph" são, obviamente, muito mais remotas. A Biblioteca Municipal de Moncorvo seria local inevitável a ser visitado por Jorge Luís Borges, numa hipotética estadia na terra dos seus antepassados. Quem conseguisse esse roteiro imaginário, acabaria por encontrar António Júlio Andrade, bibliotecário e director do jornal "Terra Quente". Homem que se ocupa dos arquivos, ele tem procurado Francisco Borges em todo o tipo de registos e correspondências. Alguns dos documentos que descobriu são inéditos e permitem uma indicação mais precisa da sua origem. Que pode muito bem estar no Morgadio do Mindel, o mais antigo que há conhecimento na comarca de Moncorvo, pertencente a uma outra família Borges muito anterior à de Felgueiras. Esta família possuía, além de algumas casas na vila (agora já desaparecidas), uma quinta na Vilariça os campos mais férteis do concelho e todo o território da aldeia de Peredo dos Castelhanos.
O argentino D. Luís Guillermo de Torre, parente de Jorge Luís Borges e membro da Comissão Heráldica da Argentina, forneceu dados biográficos fundamentais sobre Francisco Borges. "Terá sido baptizado numa das paróquias de Moncorvo, talvez em 1782. Era filho de Manuel António Cardoso e de Maria Antónia. Ignora se o apelido da mãe, que se supõe ser Borges. Chegou ao Rio da Prata em 1817, na expedição do general Lecor. Casou em Montevideu, em 3 de Fevereiro de 1829, com a argentina Carmen Lafinur". Deste casal nasceu o avô paterno Francisco Borges Lafnur, que se casaria com a inglesa Frances Haslam Arner. Este avô é evocado em 1969, no poema "Alusão à morte do coronel Francisco Borges (1833/74)". Guillermo de Torre também aponta a data de morte. "Morreu em Montevideu em 1837, com 55 anos. Daí a data apontada para o seu nascimento". Estes são dados porventura recolhidos junto da família.
Quanto aos que referem Torre de Moncorvo como sua terra natal, apoiam-se provavelmente em recordações do que Francisco Borges teria eventualmente contado. Talvez seja também esta, de resto, a justificação para o facto de Jorge Luís Borges mencionar Moncorvo, quando nos visitou em 1984. Tudo indica, portanto, que Francisco Borges pertencesse aos tais Borges do Morgadio do Mindel. Família ainda mais portentosa porque dela fazia parte Frei Miguel da Madre de Deus, um homem que chegou a ser arcebispo de Braga. No seu tempo, esteve sempre nas boas graças do Príncipe Regente, hoje, ensombra a sacristia da Igreja matriz de Moncorvo. É por este ilustre antepassado que é possível encontrar uma árvores genealógica dos Borges. Isto porque a Igreja investigava a carga genética dos seus bispos, buscando qualquer rasto de sangue judeu até à sétima geração. Guillermo Torre afirma que o pai de Francisco Borges se chamava Cardoso, um nome judeu. Talvez esse nome como era comum acontecer fosse revertido para um nome mais cristão, como Cruz, apelido bem usual entre os Antónios da família Borges de Moncorvo. A possível alteração dos nomes de origem judaica torna muito difícil descobrir a filiação de Francisco Borges na árvore genealógica de Frei Miguel, mas há vários casais cujos primeiros nomes e datas de nascimento coincidem com os que poderiam ser os dos seus pais. Se procurarmos o próprio Francisco Borges, encontramos três homens, nascidos à volta de 1870, com esse nome. Todos eles irmãos e sobrinhos de Frei Miguel. Um deles até nascido em 1782, data apontada para o nascimento do bisavô português de Jorge Luís Borges. Só que este foi cavaleiro fidalgo e vereador da Câmara de Moncorvo numa data posterior à da partida da armada do general Lecor para o Rio da Prata. As coincidências levam a acreditar que, investigando mais a fundo, encontraríamos Francisco Borges nesta família de Torre de Moncorvo. Entretanto, existe pelo menos uma prova irrefutável de que ele nasceu nesta vila, o registo dos homens que, com a Sétima Companhia de Fuzileiros, embarcaram em 1821 para o Rio da Prata. Este documento, do Arquivo Histórico Militar, revela que dois homens com o nome de Francisco Borges partiram nessa armada do General Lecor. Ambos tinha nascido na comarca de Moncorvo. Um era alferes e outro tenente. Mas nenhum outro dado nos permite apontar se algum deles era o futuro bisavô do homem que escreveu "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam".
Em Torre de Moncorvo, o escritor dá hoje o nome a uma avenida moderna. A Av. Jorge Luís Borges, de bom asfalto, onde fica o terminal das carreiras. Lugar de chegada e partida, lugar onde se cruzam pessoas e mercadorias. Mesmo ao alto da avenida, está uma fonte antiga, que se chama de Santo António, da qual se diz que quem beba aquela água há de casar em Moncorvo. Esquivo também antes da morte, o bisavô Francisco foi casar à Argentina.
Borges é o último gigante literário de que se pode falar
O escritor José Saramago defendeu em 14-12-2008 que Jorge Luís Borges é "o último gigante literário" de que se pode falar, considerando que "há mundos que existem a partir do momento em que ele os criou".
Saramago falava na inauguração do Memorial ao escritor argentino, da autoria de Federico Brook, no jardim do Arco do Cego, a poucos metros da residência do Nobel português e da embaixada argentina.
Por isso, disse, por morar perto "talvez virá" com a sua mulher, Pilar del Río, ao jardim, sentar-se num banco e "para estar ao pé dele".
Saramago salientou que Borges é um "grande escritor e humanista" que "descobriu a literatura virtual".
Um conceito que reconheceu ser-lhe difícil de explicar mas que se aplica à prosa e poesia na medida em "há mundos que existem a partir do momento em que Borges o criou".
Antes, a viúva de Borges, Maria Kodama, que se referiu a Saramago e à sua mulher como «anjos providenciais», recordara que Borges considerava que a palavra «saudade» lhe estava no sangue, apesar de não ter um conhecimento claro da sua família portuguesa que seria originária de Torre de Moncorvo (Trás-os-Montes).
"Pouco se sabe da família Borges" que serão de Trás-os-Montes, concordou Saramago, rematando: "parece que a família existiu para produzir este José Luís Borges e depois não deixou rasto".
Presente na cerimónia, o embaixador argentino, Jorge Faurie, considerou que o memorial "será um marco das relações históricas entre Portugal e a Argentina".
É "um elo palpável entre Portugal e Argentina", acrescentou, recordando que as relações entre os dois povos existem "desde o tempo das descobertas", de que deu como exemplo a exploração portuguesa da região de La Plata.
A magia de uma data (por Dr. Armando Pimentel)
De todas as datas a que maior fascinação exerce sobre o homem, a que mais lhe impressiona os sentidos e cativa a alma é sem dúvida a do Natal.
Vem de longa data o encantamento. Já na velha Roma do paganismo se celebrava o Natale Solis invicti, festa consagrada ao astro rei – à luz que dissipa as trevas. Não tendo o sabor do Natal cristão, de cujo talvez esteja na origem, já traduzia um jubiloso sentimento de fraternidade motivado por uma ideia-força que a todos entusiasmava – o sol que nasce e vem para libertar o homem da prisão da noite. Era como que um “muito obrigado”, ao grande amigo – gritado em coro, de mãos dadas e coração ao alto.
Pode dizer-se que o Natal é festejado em todo o mundo – embora com simbolismo diverso e diferentes exteriorizações de alegria. Crentes e incrédulos são tocados pela magia desta data.
Olhos postos no Céu – vendo o Bambino Sublime – os crentes transportam-se à origem, viajam regressivamente no tempo, e, como se na hora de Belém, festejam o nascimento do “verdadeiro sol” (como lhe chamou s. Cipriano), do “novo sol” (como lhe chamou Santo Ambrósio) – festejam a Luz que chega para iluminar a Noite da História que assombra e onde sossobra a alma das gentes.
Os homens cultos e os ignorantes já conheciam os deuses – os mitológicos deuses que (bem podemos dizer) eram “pau para toda a colher” – mas não conheciam o Deus Verdadeiro, o do Amor, da Bondade, da Fraternidade… aquele que veio ao mundo para dar ao homem a Grande Dimensão que lhe faltava – aquela que de si fez Um Outro Homem.
No tempo – o acontecimento de Belém foi notícia que correu e não pôde ser ignorada… nem pelos que tapavam os ouvidos para não ouvir, nem pelos que fechavam os olhos para não ver. Nascera Um Menino… que era mais do que um menino. Os homens de bom coração e boa fé – os crentes – viram logo que “nele estava a vida e a vida era a luz dos homens”.
Os incrédulos olharam-se – e olhar-se já queria dizer que alguma coisa de estranho lhes acontecia… “a Luz resplandece nas trevas” mas, porque eram de pouca fé, “os homens não compreenderam”.
Os que compreendem e os que não compreendem irmanam-se neste dia e festejam o Natal.
…
Festeja-se. Em volta de uma mesa a família está reunida - o patriarca preside, perora e dá a bênção. Cantam-se hinos ao Deus Menino junto do Presépio. É o Natal cristão.
Festeja-se. Estoiram as garrafas de champanhe. Dá-se à perna ao ritmo endiabrado do yé-yé. Este é o Natal pagão.
Que magia será a desta data que assim enfurece as almas em volta de dum Presépio ou duma garrafa de champanhe – insuflando-lhes ânsias de um outro ritmo de vida! Que magia será esta que aqui sentimentaliza o homem arrancando-lhe do fundo da sua dor uma lágrima de saudade, na hora da ceia, perante a cadeira vazia de um ante querido que anda por longes terras (mas há-de voltar) ou se perdeu nos mistérios do Além (e a cadeira ficará sempre vazia)! Que magia será esta que ali torna o homem folgazão e festejeiro – um espectáculo gritante de uma vida que transborda!
É a magia do Natal.
…
A magia – como o mistério – olha-se e respeita-se … para que continue.
…
… e quando assim não for…
Acreditem que a hora do Apocalipse está próxima.
Dr. Armando Pimentel
Texto da autoria do Dr. Armando Pimentel, no Jornal "A Torre", publicado em 30 de Dezembro de 1965.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Dr. Armando Pimentel
Voz amiga comunicou-me o falecimento do dr. Armando Pimentel, figura de referência do último meio século do Nordeste Transmontano. Muito se pensou em fazer-lhe uma entrevista de vida. Chegámos tarde, tanto eu como o Nélson. Durante anos colaborou no Torre de Moncorvo, infelizmente extinto e no Primeiro de Janeiro com destino quase semelhante. Tinha uma biblioteca invulgar e podendo ter sido tudo, antes e depois do 25 de Abril, o que diz da sua independência, não quis nada. Solteiro, refugiou-se no seu ermitério dos Estevais ( Mogadouro). Lembro-me dele quase diariamente em Moncorvo a visitar os amigos. Mas os amigos foram morrendo. Com a sua morte fecha-se um ciclo de vida de Moncorvo. Não é este o tempo nem a oportunidade para reflectirmos sobre o ciclo que agora finda. É tempo sim de penarmos um pouco por não termos sabido aproveitar, em tempo próprio, a memória e a cultura do dr. Armando Pimentel. E de nos inclinarmos, com pesar, perante alguém que passou para o desconhecido.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Ainda sobre a terra dos nevoeiros…

Como se tem registado fotograficamente aqui no blog, há vários dias que o nevoeiro não nos deixa a vila, funcionando como uma tampa de arca frigorífica a conservar a geada, congelando-nos os ossos e os pavimentos, e, com estes deslizantes, aqueles fracturados, o que já aconteceu em várias quedas de que temos notícia (assim também se explica o topónimo da velha rua do Quebra-costas).
Todavia há que lembrar que sempre esta terra foi atreita a este fenómeno meteorológico. Senão vejamos o que nos diz o Abade de Miragaia, continuador da obra de Pinho Leal, o Portugal Antigo e Moderno (vol. V, 1875), no artigo sobre "Moncorvo":
“Em Dezembro de 1843 e Janeiro de 1844, estiveram os povos d’estes sítios 20 dias sem ver o sol, por causa de um densíssimo nevoeiro. Estava tudo coberto de neve, e o frio chegou a 3 graus abaixo de gelo (sic – seria de zero) – Chegou a gelar o leite!
Principiou o nevoeiro a 13 de Dezembro e durou até ao 1º de Janeiro, sobrevindo n’este dia uma chuva branda que o dissipou. A neve causou grandes prejuízos, destruindo com o seu peso, muitas árvores, principalmente oliveiras.
Esta calamidade abrangeu todo o espaço que vai desde os Estevais de Mogadouro até Macedo de Cavaleiros, chegando, em Trás-os-Montes, muito abaixo de Mirandela; e na Beira Alta até à vila da Meda”.
É verdade que os reinos mágicos (como o que evocou o nosso amigo Vasdoal – vd post anterior), são envoltos em brumas… e que estas sempre nos sugerem a esperança da chegada de um qualquer D. Sebastião que nos tire da eterna crise, também é certo. Para além disso, Londres, a capital do nevoeiro, não deixa de ter, por isso, uma certa mística (aliás, em inglês, névoa, diz-se: “mist” – talvez daí a “mística”, apesar de a londrina ser mais para o “fog”). Mas, em todo o caso, temos de convir que os nossos avoengos medievais que deixaram a vila de Santa Cruz da Vilariça “por razão de o dito sítio ser doentio” (assim o diz um documento do séc. XV), acabaram por não encontrar uma alternativa muito melhor…
Foto e txt. (excepto citação): N.














