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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Livro e escritor - ... ainda Armando Martins Janeira

Porque o pequeno livro "Peregrino" poderá dizer pouco aos moncorvenses, visto que versa sobre personagem alheio à nossa região, em longínquas paragens, recomendamos em contrapartida, também de Armando Martins Janeira (1914-1988), um livro de contos das suas primícias, se bem que posteriormente revisto por si e reeditado em 2004, numa iniciativa da Comissão de Festas de Felgueiras.



Esse livro, intitula-se "Esta dor de ser Homem" e foi escrito quando o autor tinha aproximadamente 28 anos, nos inícios da década de 40, sendo a primeira edição de 1948. A despeito do seu interesse literário (que tem), é igualmente um testemunho das vivências do nosso mundo rural nessa época, dando conta do arreigado apego do autor às suas terras de origens, como bem evidencia Paula Mateus, na nota introdutória à 2ª edição: "Desde a primeira vez que saíu de Portugal, sempre o acompanharam três pedras da sua serra do Roboredo e um cântaro de barro de Felgar, por ele considerados um tesouro que lhe dava forças para superar agruras e caminhar o mundo da única forma que achava possível: 'de passo firme e cara ao alto'".

Não vamos referir-nos aos contos, pois o livro merece ser procurado e lido, mas não resistimos a transcrever algumas passagens do prefácio que deixou para uma eventual 2ª edição (que aconteceu, como dissémos, em 2004): 
"Neste livro estão as minhas raízes de homem. Sou um montanhês. O homem da terra tem raízes na terra como os castanheiros e os carvalhos. Se não fiquei preso ao chão, como as árvores e os cavadores da minha aldeia, é porque levei as minhas raízes comigo - a minha paixão pela terra, o meu amor pelos que trabalham com simplicidade e a minha humildade diante do seu pão, a minha indiferença pelos grandes, a minha independência que me teve sempre de cabeça direita ao falar aos grandes deste mundo - diante de homens e de deuses. 
Levei as cantigas do meu povoado e cantei-as por toda a parte, sozinho, na minha voz sem tom nem som, mas que me consolava e me refrescava a alma e o sangue. (...)
Falei com imperadores e com reis, presidentes, ministros, e toda a escala do poder e da grandeza. Nunca nenhum deles me impressionou porque os medi sempre, não pela imponência dos seus cargos ou pelo oiro das suas medalhas, mas pelo valor que é timbre real dos homens e das mulheres. 
E nesse, raras vezes chegaram ao escalão que me parecia deviam medir.
Como não tenho ambições de grandeza, a grandeza dos outros não me impressiona, nem se me impõe, a não ser aquela verdadeira grandeza humana que tenho encontrado mais vezes na gente humilde.
A vida é breve e a glória, que não tenho e espero nunca ter, aborreço-a. Mas é grande consolação para mim saber que em passagens deste livro primitivo e tosco uns poucos de leitores possam encontrar aquele virgem contentamento de ser homem que nele quis exaltar quando o escrevi".

- Cremos que este é um testemunho eloquente de transmontaneidade, que diz muito do carácter deste nosso conterrâneo. Continuação de boas leituras!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Livro - "Peregrino" de Armando Martins Janeira

Foi reeditado recentemente, no Outono passado, com a chancela da editora Pássaro de Fogo e apoio da Câmara Municipal de Cascais, um belíssimo livrinho (pequeno no tamanho, mas belo no conteúdo), intitulado “Peregrino” de autoria do nosso conterrâneo o embaixador Armando Martins Janeira (a primeira edição, há muito esgotada, era de 1962).





Com excelente acabamento gráfico, a presente edição abre com uma nota da editora, referindo a intrudução de algumas emendas deixadas pelo punho do autor, assim como um glossário final e várias fotografias tiradas em 1954, no dia da homenagem a Wenceslau de Moraes (o peregrino a que o livro se refere), realizada no Japão, sob os auspícios do embaixador A. M. Janeira.

Esta edição, que se deve ao empenho da Srª D. Ingrid Bloser Martins, viúva do embaixador, foi ainda enriquecida com um prefácio da Drª. Paula Mateus, estudiosa da Obra de Martins Janeira, em que é explicitado o contexto em que “Peregrino” apareceu: “...partindo da descrição de um acto simbólico – a inauguração em Tukushima, no Japão, de um monumento a Wenceslau de Moraes. Estamos em 1954. Passam cem anos sobre o nascimento de Moraes, e vinte e cinco anos sobre a sua morte. // Armando Martins Janeira, o maior estudioso de Wenceslau de Moraes, escreve neste ano O Jardim do Encanto Perdido, publicado em 1956, e o pequeno Peregrino, que chega ao leitor apenas em 1962”. Sobre o resto do conteúdo do livro, a prefaciadora acrescenta: “…em Peregrino encontramos ainda a silhueta de Moraes, mas essa silhueta serve a Armando Martins Janeira para outras páginas, cheias de delicadeza e sensibilidade, sobre todo um sistema filosófico e religioso que então o fascinava – o budismo zen”.

Em última instância, esta ideia de “Peregrinação” paira, desde Fernão Mendes Pinto (séc. XVI), sobre os homens (portugueses) que foram a essas longínquas paragens do Japão. Talvez pela longa distância da viagem, ou pela viagem interior que a ela se associava.  Assim, terá acontecido também com Wenceslau (séc. XIX-XX), a quem A. M. Janeira foi buscar o título do livro, que assim começa: “Para poder entrar no Céu pelas piedosas mãos de Buda, Wenceslau de Moraes despiu-se do seu nome português e recebeu o Kaimyo, nome de morto, de Soukou Inden Hensou Bunken Daikoji, que magnificamente quer dizer: peregrino escritor habitante de um iluminado castelo de algas – algas movediças, sugerindo a vida de marujo e aventureiro”.

O resto deixamos para os nossos leitores mais curiosos. Alguns dos quais já se terão perguntado: mas quem é este Armando Martins Janeira? Pois… se calhar já passaram pelo seu busto, de bronze, no largo da Corredoura, em Torre de Moncorvo, e ainda nem repararam no seu nome… O mesmo perguntarão sobre Wenceslau de Moraes. - Tentando responder ao quem é quem? aqui ficam uns breves apontamentos, retirados das badanas da capa do livro “Peregrino”:

Armando Martins Janeira [mais precisamente Virgílio Armando Martins, nome a que acrescentou o apelido de sua mãe – Janeiro – e que transformou depois em “Janeira”, porque era assim que os japoneses o pronunciavam] nasceu a 1.09.1914 em Felgueiras [Torre de Moncorvo] e morreu a 19.07.1988, no Estoril.  Formado em Direito pela Universidade de Lisboa, cedo abraça a carreira diplomática, representando Portugal em capitais como Sydney, Tóquio, Bruxelas, Roma e Londres. É o grande responsável pela reactivação das relações luso-japonesas no séc. XX. Nas suas mais de vinte obras publicadas, destacam-se os estudos comparativos sobre o Oriente e o Ocidente, nomeadamente O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa e Japanese and Western Literature.  Foi biógrafo de Wenceslau de Moraes”.  – Sobre este, aqui fica:

"Wenceslau de Moraes nasceu a 30.05.1854, em Lisboa. Estuda o curso de marinha e dedica-se a oficial da marinha de guerra, tendo feito inúmeras viagens pela América, África e Ásia. Após cinco anos na China, fixa-se no Japão. É cônsul de Portugal em Kobe e Osaca. Aos 59 anos retira-se para Tukushima, uma pequena cidade de província, e aí viverá até à sua morte, a 1 de Julho de 1929.  Escreveu primorosos ‘livros de costumes’, onde retrata a vida e a alma do povo japonês.  O Bon-Odori em Tukushima e O-Yoné e ko-Haru são dois dos seus livros mais admiráveis”.

_____________

Para saber mais sobre o nosso conterrâneo Armando Martins Janeira e também sobre Wenceslau de Moraes, recomendamos uma visita ao site: www.armandomartinsjaneira.net > está na coluna do lado direito aqui do Blog (secção “Ligações”), ora veja!

Se ficou mesmo interessado(a) em conhecer ainda mais sobre o embaixador Janeira, então vá ao Centro de Memória de Torre de Moncorvo (uma extensão da Biblioteca municipal), e veja a sala do Legado deste moncorvense ilustre, onde encontrará uma exposição de vários objectos pessoais, fotografias, manuscritos e a sua fabulosa biblioteca, que os seus herdeiros, especialmente a Srª Embaixatriz Ingrid Bloser Martins, fizeram questão de deixar a Torre de Moncorvo, gesto digno do nosso maior apreço. A parte da documentação manuscrita está guardada no Arquivo Municipal de Cascais, onde o casal Bloser-Martins Janeira residia e onde o nosso conterrâneo faleceu.

 

Biblioteca de Armando Martins Janeira, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo - foto de autoria da Biblioteca Municipal de T.Moncorvo, in: www.armandomartinsjaneira.net

Em 1985 o embaixador Armando Martins Janeira foi alvo de uma homenagem colectiva a vários moncorvenses ilustres, promovida pelo município. Em 1994 foi feita uma pequena exposição sobre a sua vida e obra, no solar do Barão de Palme, por ocasião da inauguração do busto na Corredoura (iniciativa da Associação Cultural de Torre de Moncorvo com apoio do Município). Em 1997 reeditou-se essa exposição, com maior amplitude (e em colaboração com o Arquivo Municipal de Cascais e D. Ingrid Martins), no Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, sendo inaugurada pelo então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio. Em 2004 foi-lhe ainda feita uma singela homenagem na sua terra natal (Felgueiras), aquando da reedição do livro de contos "Esta dor de ser Homem", por iniciativa da Comissão de Festas local. 


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ilustrando as "Páginas de Caça"...

A propósito do livro da caça a que o Rogério faz referência, aqui postamos mais uma foto da famosa caçada à raposa (ver o "post" de 25 de Novembro de 2008, neste blog), a qual nos foi gentilmente cedida por Leonel Brito:


Esta foto completa a anterior, tendo sido tirada no mesmo dia, algures na Serra do Roborêdo, nos finais dos anos 50 ou inícios dos anos 60 (agradecemos a quem souber a data exacta).
Na foto anteriormente "postada" estão os restantes caçadores, enquanto nesta estão só os organizadores e as autoridades, de que reconhecemos (entre os civis), de pé e ao meio, o Sr. Frederico Mesquita (de chapéu), e em baixo, de joelho em terra, à caçador, os Srs. Durão, Edmundo Garibáldi e César Martins.
Estas caçadas tinham que ser devidamente legalizadas e eram enquadradas pelas autoridades, neste caso a GNR (vemos dois soldados desta força a ladear os civis, de pé, e ao meio, e outros dois do lado direito - distinguem-se pelo barrete) e, julgamos nós, pela Avenatória (serão os restantes guardas com boné diferente, dois dos quais segurando espingardas Mauser).
A organização era perfeita e até se davam ao luxo de mandar vir um fotógrafo do Porto, da casa Fotobela, com sede na R. de Santa Catarina, nº 190, como consta no verso da foto, para as fotografias de conjunto, seguramente tiradas com tripé e, talvez, uma máquina de médio formato, atendendo à excelente qualidade das fotografias.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Páginas de Caça na Literatura de Trás-os-Montes

Acaba de me chegar às mãos este livro "Páginas de Caça na literatura de Trás-os-Montes" com selecção de textos e organização de A.M. Pires Cabral. Saiu a público há poucos dias. Já o li, ainda que em diagonal, e tem textos preciosos além de especificidades vocabulares e linguísticas que são nossas. O livro divide-se em sete capítulos: Caçar; Caçadores;Histórias de Caça;Cães; Lobos; Outras caças; Caça Miúda.
Serão Miguel Torga e Camilo Castelo Branco os que mais participam nesta colectânea. Mas vale a pena recordar outros nomes que aqui escrevem: Fausto José, António Cabral, Sousa Costa, Pre Domingos Barroso, Salvador Parente (indispensável a leitura dos provérbios transmontanos deste velho padre de Vila Real, nota minha), João de Araújo Correia (quase obrigatório ler os contos deste João Semana da Régua, nota minha), A. M. Pires Cabral, Bento da Cruz, Vaz de Carvalho, Ângelo Sequeira, Domingos Monteiro (tem uma novela, O Crime de Simão Bolandas , que se passa no Peredo, nota minha) João de Deus Rodrigues, Manuel Vaz de Carvalho, Dr. Ferreira Deusdado, Mello Junior, Montalvão Machado, Cristiano de Morais, Guedes de Amorim Fernando Mascarenhas, António Fortuna, Gil Monteiro, Pina de Morais.
Escreve A. M. Pires Cabral na sua nota introdutória: "Hoje em dia não há terrinha por esse país fora que não seja ou queira ser capital de qualquer coisa. Não precisamos de sair do âmbito de Trás-os-Montes e Alto Douro: Vila Pouca de Aguiar capital do granito, Vinhais do fumeiro, Valpaços do folar, Vila Real do automobilismo, Mirandela da alheira, Armamar da maçã, Resende da cereja, Vila Nova de Foz Côa da arte rupestre, Freixo de Espada à Cinta da amendoeira florida..."
Pires Cabral reivindica para Macedo de Cavaleiros a capital da caça. Já seria tempo de Torre de Moncorvo reivindicar o título de a capital do ferro.
Não ponho a capa do livro porque o meu saber informático não dá para tanto. De qualquer modo na próxima semana estarei em Moncorvo e levarei o livro. Pretendo falar com o Emílio Cardanha para saber até que ponto aceita a colocação de alguns livros de temática transmontana (inclusivè este) na sua papelaria. Vale.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

CP relança Amendoeiras em Flor - Programas


A CP decidiu reeditar as viagens às Amendoeiras em Flor, tendo já previstas quatro excursões, coincidentes com os quatro sábados do mês de Março e que aliam o comboio ao autocarro.
As novas viagens ao cenário florido de Trás-os-Montes e Alto Douro estão disponíveis em dois itinerários em comboio especial e autocarro, com saídas de S. Bento (Porto) às 7h25 e chegada ao Pocinho às 11h03. No sentido inverso, os comboios especiais partem do Pocinho às 19h49 e chegam a S. Bento às 23h06.
Os itinerários disponíveis prevêem visitas ao Pocinho, Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta (almoço), Penedo Durão, Barca de Alva, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa, no caso da opção A, enquanto que a opção B passa por Freixo de Numão, Penedono, Trancoso (almoço), Marialva, Meda, Longroiva e Vila Nova de Foz Côa.
O preço destas viagens é de 28 euros por adulto e 20 euros por criança, sendo que os bilhetes podem já ser adquiridos em toda a rede de bilheteiras CP.
I.M.



[FONTE:-TURISVER]

Livro - "Primeira Comunhão", de Júlia Guarda Ribeiro

Mais uma novidade literária, que será brevemente apresentada, em Torre de Moncorvo, no próximo dia 14 de Março (Biblioteca Municipal). 

Trata-se de mais um conto de autoria da Drª Júlia Guarda Ribeiro (Biló), o terceiro da série dos livrinhos da capa dourada. - A não perder!!

Maria Júlia Ferreira de Barros Guarda Ribeiro, nasceu em Torre de Moncorvo em 17.08.1938. Herdou de sua mãe, exímia cobrideira de amêndoa do bairro da Corredoura, a alcunha de “Biló”, que adoptou na sua produção literária mais relacionada com esta vila transmontana. Seu pai era conhecido pelo Sr. "Barros dentista", por ter exercido esta actividade nesta vila e, mais tarde, em Mogadouro, onde faleceu. Frequentou o Colégio Campos Monteiro e licenciou-se posteriormente em Línguas Germânicas, tendo sido professora de Inglês e Alemão no liceu de Leiria. Fez um mestrado em Ciências de Educação e foi formadora de professores e tradutores. O facto de se ter radicado em Leiria, por força da sua vida familiar e profissional, levou a que estivesse um pouco retirada da sua terra natal, mas nos últimos anos reatou, de uma forma mais presente, essa ligação às origens, o que muito tem enriquecido a literatura da nossa vila. Em boa hora se deu esse feliz regresso, porque, para além do mais, Júlia Biló é uma excelente contista. Destacamos, neste domínio, os extraordinários contos, a mor parte deles recolhidos no bairro da Corredoura (ou "Cordoira",no dizer popular) como o indica a ilustração da capa, representando a velha casa de xisto, ao lado da taberna do sr. Aníbal "Espanhol", onde se juntavam, outrora, as velhas contadoras de estórias a que a autora dá voz (Contos ao Luar de Agosto, I e II). A esta escrita memorialística a autora junta uma preocupação social omnipresente, de filiação neo-realista, que se impõe sobretudo, como seria de esperar, no livro sobre a vida e a luta das mulheres da Marinha Grande durante o "Estado Novo".

Da sua produção literária, temos a destacar:

1) Com assinatura de Júlia de Barros Biló:

- Somos poeira, somos astros, Magno edições, Leiria, 2000 (com patrocínio da C.M. de Torre de Moncorvo) – poesia (sendo alguns dos poemas compostos na sua juventude, passada em Moncorvo, nos tempos do colégio Campos Monteiro, e outros baseados na literatura oral recolhida junto de pessoas idosas de Torre de Moncorvo);

- Contos ao luar de Agosto, Magno edições, Leiria, 2000 (com patrocínio da C.M. de Torre de Moncorvo) – contos, sobretudo da Corredoura, T. Moncorvo, baseadas em tradições e episódios reais.

- Contos ao luar de Agosto II, Magno edições, Leiria, 2001 (com patrocínio da C.M. de Torre de Moncorvo) - contos, sobretudo da Corredoura, T. Moncorvo, na continuidade do anterior.

- De olvido e de silêncio. Crónicas e contos. Leiria, 2001 (com patrocínio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo) – contos, sendo algumas histórias baseadas em episódios reais passados nos finais do séc. XIX e inícios de XX.

- Constantino, Rei dos floristas: uma quási-biografia. Magno edições & Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Leiria, 2003 – a obra mais volumosa da autora, versando sobre a vida e os trabalhos de um artista moncorvense do século XIX, que se notabilizou na Europa do seu tempo.


2) Com assinatura de Júlia Guarda Ribeiro (Biló):

Os contos da minha avó, com ilustrações de sua neta Catarina Isabel, Magno edições, Leiria 2003. Uma incursão na literatura infantil.


3) Com assinatura de Júlia Guarda Ribeiro:

- Recordar Guarda Ribeiro (recolha de escritos e anotações), Folheto, Edições & Design, 2006 [o Dr. António José Guarda Ribeiro, advogado, político e colunista, defensor dos trabalhadores e sindicatos sobretudo dos vidreiros da Marinha Grande, sua terra natal, faleceu em 2002, sendo esposo da Drª. Júlia Guarda Ribeiro]

- Mulheres da Marinha Grande. Histórias de luta e de coragem. Com ilustrações de Guilherme Correia, Folheto, edições & design, s/d [2008]

Colecção dos contos "da capa dourada"[designação nossa] :

- … E chegaram três reis magos em Agosto, com ilustrações de Guilherme Correia, design: Luís Mendonça, Dezembro, 2005

- Duas rosas que nunca cheguei a receber,  ilustr. de Guilherme Correia, concepção gráfica: Folheto edições & design, Março, 2007

- Primeira comunhão,  ilustr. de Guilherme Correia, concepção gráfica: Folheto edições & design, Dezº. 2008.

Quanto a este último livro de contos, que será lançado na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo no próximo dia 14 de Março, aconselhamos desde já a leitura da recensão literária feita por Adélio Amaro, no seguinte endereço electrónico:

http://livros.paravenda.net/produtos/932-júlia_guarda_ribeiro_primeira_comunhão.aspx

Muito resumidamente, pegando nas palavras de A. Amaro, autor da citada recensão, “O conto que a Drª Júlia Guarda Ribeiro nos dá a conhecer é uma realidade que não pode ser escondida e que durante muitos anos teve a sua liberdade condicionada a uma confissão”. 

Especificamente sobre o conteúdo, “este conto tem uma personagem principal, que é descrita pela narradora. Esta por sua vez é a filha da personagem principal. Uma mãe, solteira (sublinho o facto desta história se passar pouco depois da 2.ª Guerra Mundial), com uma filha com nove anos (…). Uma jovem a quem o padre negara o direito à comunhão, por ser mãe solteira. Assim, para esta jovem mãe, a sua filha era o seu reino, não o reino dos Céus, mas o reino da afirmação, onde ela se revia”...   – E mais não dizemos, para obrigar a quem queira saber mais a estar presente à sessão de lançamento deste belo livrinho. Pequeno no tamanho, mas grande na essência, pois transmite uma mensagem de amor maternal muito acima de todas as penitências que pudessem ser ditados pela instituição eclesial.

Nota: As obras anteriormente editadas poderão ser consultadas na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo.

Programa Amendoeiras em Flor 2009

PROGRAMA AMENDOEIRAS EM FLOR 2009 - TORRE DE MONCORVO


AUTOR:- TURISMO MONCORVO


VISITE O CONCELHO DE TORRE DE MONCORVO


Programa Festas Amendoeiras em Flor - 2009 - Torre de Moncorvo

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Livro - "Jardim da Alma", de Maria da Assunção Carqueja

Procurando dinamizar a Biblioteca do blog (secção "Livros e Escritores") apelamos a que se coloquem na "montra" as novidades bibliográficas (ou mesmo obras saídas há algum tempo) que sejam de autoria de moncorvenses ou de autores que, embora não sendo daqui originários, versem sobre este rincão.
Porque alguém nos desafiou, há pouco tempo atrás, a postar aqui algo mais de autoria de Maria de Assunção Carqueja, iniciamos esta secção com o seu mais recente livro, de poesia, neste caso, intitulado: "Jardim da Alma".


Maria da Assunção Carqueja nasceu no Felgar, no nosso concelho, licenciou-se em Ciências Histórico-filosóficas na Universidade de Coimbra, tendo exercido a actividade docente, primeiro no ensino liceal, depois orientando estágios para formação de docentes do Ensino Secundário. Autora de diversos trabalhos de investigação, alguns em parceria com seu marido, o Prof. Doutor Adriano Vasco Rodrigues, como por exemplo o estudo das ferrarias do concelho de Torre de Moncorvo (1962), trabalhou no Instituto de Investigação Científica Tropical e, mais tarde, como técnica da União Europeia (Bélgica), no âmbito da metodologia para o ensino da Filosofia. É membro da Associação Internacional dos Professores de Filosofia, sendo autora de livros e artigos nesta especialidade. No que respeita à investigação histórica sobre o nosso concelho, destacamos a sua tese de licenciatura, intitulada "Subsídios para uma monografia de Torre de Moncorvo" (Coimbra, 1955), recentemente revista e publicada, com o título Documentos Medievais de Torre de Moncorvo (ed. da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, 2007), e a monografia do Felgar (2006), em parceria com o Prof. Adriano Vasco Rodrigues. No domínio da poesia, escreveu:
- Versos do meu diário (sob o pseudónimo de Miriam), publicado em 1978,
- Porquê mais que nada, 2002
- Os tempos do tempo, 2005, e, finalmente:
- Jardim da Alma, saído em Dezº de 2008.
Estes últimos livros têm como editor Adriano Vasco Rodrigues e o patrocínio da empresa Carqueja Almonds (exportadora de frutos secos), gerida por Jorge Carqueja Rodrigues, filho da autora.

O prefácio de Jardim da Alma coube ao escritor Mário Cláudio (que, para quem não sabe, tem raízes no concelho de Freixo de Espada à Cinta). Sobre a temática e expressão poética de Assunção Carqueja assim escreveu o ilustre prefaciador:"As linhas de poesia que Maria da Assunção Carqueja Rodrigues nos propõe, privilegiando o soneto como forma comunicante por excelência, decorrem do padrão das grandes inquietações do ser, com o qual historicamente se tece a manta de letras mais duradoura em que nos inserimos"(...) E, mais precisamente sobre este livro, diz: "o fresco ramalhete de afectos que o livro nos oferece, entrelaçados na recorrência da obsidiante reflexão metafísica, cobra acrescidas energias do exercício de uma memória que revisita os lugares de infância, e os converte em sinais tranquilizantes, a marcar o caminho dos 'peregrinos perdidos em qualquer lado'. São as lucilações de uma certa ruralidade transmontana, avistadas no plano em que, 'fundindo-se presente com passado', se experimenta a proximidade de uma infinitude, postulante da vitalíssima fonte onde medos e fracassos se consumam. Também aqui o que se pensa e o que se sente se congregam no casulo em que a alma exulta, princesa acontecida no meio do seu jardim".
Poderíamos seleccionar algum poema mais de índole filosófica, de reflexão pessoal sobre o devir, ou inquietações pessoais da autora, que fosse mais ilustrativo da sua "poiesis". Optámos, no entanto, por razões óbvias, por este preito de homenagem à nossa vila:

MONCORVO
Com seu denso arvoredo
era uma linda serra,
a serra do Roboredo...
E que fértil era a terra!

Entre o monte e o Sabor
cedo se organizou
um povo trabalhador
que Moncorvo se chamou!

O corvo, Deus dos ferreiros
tornou-se o Deus do castelo,
foi bandeira dos guerreiros
que vieram defendê-lo!

Feiras francas se faziam
protegidas pelos reis
que, na vila, bem sabiam
terem vassalos fiéis...

Aos trabalhos dos louceiros,
aos vinhos e cereais
juntavam-se os dos ferreiros
e ainda muitos mais!...

Corria água das fontes
nas encostas e caminhos
e sempre vinha dos montes
a música dos passarinhos!


A bela capa do livro Jardim da Alma, é de autoria de Isabel Rodrigues Konrad, filha da autora.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Exposição de Fotografia


Exposição de Fotografia: Detalhes em Ferro
Fotografias de Aníbal Gonçalves
Abertura da exposição no dia 21 de Fevereiro às 15:30, no Museu do Ferro, em Torre de Moncorvo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Programa das Amendoeiras em Flor 2009


21 de FEVEREIRO (SÁBADO)
11.00H
........Abertura da XXIII FEIRA DE ARTESANATO com actuação da
........Banda Filarmônica de Carviçais
........Largo da Corredoura
12.00H
........Inauguração da Exposição" Arquitecturas da Paisagem
........Vinhateira" - Museu do Douro
........Patente até 21 de Março - Centro de Memória
15.00H
........Actuação da Banda Filarmônica de Carviçais
........Praça Francisco Meireles
22.00H
........Actuação de Viva Brasil e Márcia Valli
........Largo da Corredoura

22 de FEVEREIRO (DOMINGO)
14.00H
........Actuação de David Caetano
........Largo da Corredoura
16.00H
........Actuação de DJ (Anos 80, Música Brasileira e Música Latina)
........Largo da Corredoura

24 de FEVEREIRO (TERÇA- FEIRA Carnaval)
15.00H
........Actuação de José Alberto e sua Banda
........Largo da Corredoura

28 de FEVEREIRO (SÁBADO)
22.00H
........Actuação de Claudisabel e Eduardo Santana
........Largo da Corredoura

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Visita ao Horácio Espalha

Vão já quase 40 anos, publiquei um livro de poemas, "Livro de Visitas" em que faço uma "visita" ao Horácio Espalha. Durante anos partilhámos, diariamente, muitas horas, muitas histórias e outras tantas palavras. Também falava muito com outra figura esquecida, o Álvaro Inês, taxista, picado de bexigas ( ai! estas reminiscências camilianas...), sempre de óculos escuros, fumador de boquilha que fora preso e torturado pela Pide no Porto. Ele e o Horácio Espalha (Horácio Morais com tias que tinham uma pensão onde hoje é o Bom Amigo, ou mesmo ao lado, não estou certo). Não sei por que não se falavam. Mas penso que tinham "ciúmes" um do outro, porque cada um queria reivindicar para si a "instrução revolucionária" ou, pelo menos, subversiva, de alguma juventude de Moncorvo.
O Horácio Espalha morreu já depois do 25 de Abril, andava eu longe de Moncorvo, em contencioso com a Vila e comigo mesmo. Só mais tarde, após um processo lento, em que a aprendizagem da tolerância terá sido a melhor ferramenta, me reconciliei com a Vila, ainda que não comigo mesmo.
Após o 25 de Abril, o Horácio Espalha terá sido um pouco utilizado pela juventude do MRPP que surgiu pujante em Moncorvo, sob a direcção desse homem bom que foi o Toni Americano, infelizmente para todos nós, já falecido. E desiludido, tanto quanto me é dado saber pelas visitas que me fazia em Lisboa,vindo da América, com os seus antigos camaradas.
As minhas relações com o MRPP não eram agradáveis. Meses antes de morrer, o Horácio Espalha escreveu-me uma carta, uma longa e dolorosa carta, cheia de queixas, algumas contra mim, mas reatando uma amizade que, da minha parte, nunca tinha sido desatada.
Quando escrevi este poema, que vou copiar, tinha eu 20 e poucos anos, incluído num livro editado em 1972. Poderá ferir pela sua aparente crueza. Engano, na minha perspectiva, porque sempre apreciei a inutilidade dos deuses, sejam eles da Grécia ou de Moncorvo. E sempre me escondi de manifestações de ternura, para que houvesse ternura.
Prefiro a inutilidade dos deuses à vulgaridade dos homens. Aqui vai o poema, sem correcções, tal qual foi publicado. Espero que não se escandalizem e perdão a um jovem de então que tropeçava na escrita, insultava a metáfora e ainda não sabia que a poesia( como diz Jorge de Sena com outras palavras) é o que de mais inútil há, mas não conheço nada mais importante.

Visita ao Horácio Espalha

Tinha nervos de banha o velho azul olhos de
fogo concentrado em cinzas quentes. Pelas mãos
lhe escorriam os ócios ou as palavras eram
franjas de saliva suja ou os sons eram incómodos
arrítmicos no pasmo. Tinha o velho a dimensão
do pedincha centauro instalado na Vila, pus
que só a morte esguichará par as grandes
planícies do silêncio em que ele não crê, azul e fogo.

Abanava trapos pela violência nas mesas caricaturais
do espaço deposto. Apostava o corpo crueldade obesa
aos olhos educados das gentes decentes que mais decentes
não se viram.Vira vai vem vaia o velho veloz
nervos de banha cinzas quentes. Os dentes desistiram do
dia são os sons bolhas as folhas outonais da
eternidade. Verrugas e rugas unhas sujas prisão de fome
ócios lhe escorrem escorrem palavras palavras pus morrem.

As mãos são ovais como cordas de gestos enforcando a luz.
Domador das estradas que ouviu britar até à silicose
roer os homens, estratega do inútil, do inútil vivendo
sabe de cór a dor, da dor conhece a cor dos gritos,
dos gritos cria a pedra, das pedras soterra a Vila na
morte ---ele o pus, a oratória sangrada, o nada.
ele nada--caminhando pelas fezes pétreas
agrestes rudes que consomem os espaços...

Tinha nervos de banha o velho azul olhos de
chama ou concentração de fome, centauro
a petiscar a morte nos que dela próximos estão
cantor da memória, centauro tagarela e inútil
mito roto, deambula pelo plástico hirto
da dimensão comercial da nossa Vila,único
sobrevivente do tempo dos deuses, esperando
que chuva ou névoa o venha desenterrar da pedra.

Livro de Visitas ( 1972)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Imagens do Castedo


Fotografias captadas no Castedo, num passeio realizado no dia 31 de Janeiro de 2009.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Felgar, hoje

Reza o calendário, confirma-o "O Seringador" que dia 20 de Janeiro foi dia de S. Sebastião.
Calhando numa terça-feira, fez-se a procissão no domingo seguinte.
Apenas a procissão, que isto não está para festas.
No final a Banda da Sociedade Filarmónica Felgarense actuou em frente à igreja matriz.


Ficam o Leonel Brito e o N. Campos nomeados mordomos com direito a uma peça de música: o"Barbanha".
Perdoem, se puderem, a péssima qualidade da filmagem.
Fica a intenção de divulgar a Banda, o Felgar e o Concelho.

Tentem visualizar em HQ. Vê-se um pouco melhor


A. Manuel

Felgar ainda... de "Outros Tempos"

Não tenho dúvidas que a autora deste belo poema tinha o Felgar em mente (um Felgar talvez dos anos 40), quando o escreveu... Importa dizer que a Drª. Maria da Assunção Carqueja foi, também, a autora do hino da sua terra natal ("És tão linda, oh minha aldeia...")

Por isso aqui fica, do seu mais recente livro (saído pelo Natal de 2008), com a devida vénia:

OUTROS TEMPOS...

Aldeia de Trás-os-Montes
com seus palheiros e fontes,
suas casas de granito
dezenas d'anos atrás...
Tantas saudades me traz...
Como tudo era bonito!...

As portas, de par em par,
marcavam o começar
da faina do novo dia...
... e as crianças da escola
levando sua sacola
lá iam em correria!

Brincadeira e gargalhada
pulando pela calçada
tudo dava p'ra brincar,
procurando violetas
nos cantinhos das valetas
ou charcos para saltar!...

Era tudo feito à mão
as meias de algodão,
as botas do sapateiro,
até os linhos vestidos
bordados e coloridos
sem marca de costureiro!

Galinhas com pintainhos,
cavalos e burriquinhos
e carros de bois jungidos
... Tanto me vem à ideia
da vida da minha aldeia
dezenas d' anos volvidos!

Maria da Assunção Carqueja
In Jardim da Alma, poemas.
Dezº. 2008.

Felgar

Como vários Felgarenses se têm mostrado interessados em ver /saber coisas de outros tempos sobre a sua terra, e como eu também me considero Felgarense (a minha avó paterna, Julieta Freire, era natural do Felgar; a família era, nessa altura, conhecida pelos Laranjos), aqui vão o texto do Assis e fotos minhas, em homenagem aos homens do barro e ao Nelson, pelo seu trabalho “Centros Oleiros do Distrito de Bragança”

Leonel Brito












Capelas no Larinho (1)


Tenho a sensação que o Larinho é uma aldeia com uma forte tradição de culto do divino. Um dos aspectos que me surpreendeu foi a quantidade de capelas espalhadas pelos bairros e largos.
A primeira fotografia mostra a capela do Senhor dos Aflitos (1896).
A segunda fotografia mostra uma representação nada simpática (como seria de esperar) das forças do mal, que faz parte de uma imagem da capela de Santo António, seguramente mais antiga do que a primeira.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

De passeio pela Lousa

A primeira fotografia colocada no Blogue sobre a Lousa despertou sentimentos a muitos dos visitantes. Não foi por acaso que lhe chamei "mais alto ainda". É que a situação geográfica da aldeia, quando olhada de Moncorvo, dá um sentimento de liberdade, qual pássaro pousado no galho mais alto de um carvalho, agitado pelo vento. O que sentirão os habitantes da Lousa quando olham Moncorvo?
A sede de concelho sempre esteve muito longe (a Lousa pertenceu ao extinto concelho de Vilarinho da Castanheira). Com o tempo os acessos melhoraram, mas, a Lousa continua distante, solitária no alto da encosta cravada de ciclópicas rochas graníticas. Os seus habitantes desfrutam das mais belas paisagens do concelho; da Serra da Estrela a terras de Espanha, acompanhando o sol desde que nasce, até que se esconde, talvez mergulhado nas águas do Douro.
Nesta minha primeira vista À Descoberta da Lousa, tive tempo para percorrer grande parte da aldeia, do Largo Fonte da Cruz até ao Cabeço, brindado por um céu azul, que a espaços se cobria de nuvens, ora de branco florescente, ora de negro ameaçador.
Hoje publico mais duas fotografias com um agradecimento à Wanda, que, do Brasil, espevitou o meu desejo de visitar a Lousa. Como pode ver Wanda, mesmo num dia de tempestade em todo o Portugal, não tive frio na Lousa (estamos em pleno Inverno!).

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Mais alto ainda

Subir a encosta e chegar à Lousa, já é uma aventura, mas subir ao ponto mais elevado da Lousa é um deslumbramento. Este é um bom lugar para nos deixarmos embriagar de paisagem!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Cortinha da Guarda


Foto dos anos 50, tirada na primitiva cortinha da guarda, local da exposição de fotografia “Detalhes em Ferro” de Aníbal Gonçalves, no próximo dia 21 de Fevereiro. Era então “inquilino” do quartel o Sargento Pires. Na foto, ele, a esposa, os dois filhos (Jorge e Teresinha, hoje casada com o critico de cinema Jorge Leitão Ramos) e vizinhas.

Nota: Não pretendo monopolizar o blog. Esta foto está relacionada com os comentários ao post anterior

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Moncorvo, Zona Quente em Terra Fria


Devido à actualidade dos temas abordados na reportagem “Moncorvo, Zona Quente em Terra Fria”, de Março de 74, no jornal República (da autoria de Fernando Assis Pacheco e fotos minhas), creio ter interesse publicar, por temas isolados, a reportagem na íntegra. Já saíram, neste blogue, “ O sonho das minas” , "A vila passada a pente fino”, "... e lá se foi o castelo”, “Os vizinhos ajudam os vizinhos a partir a amêndoa no inverno” , ”As contas do guarda-rios”. Hoje é a vez de “Gil Vicente entre os jovens,”com encenação do pai do Tiago Rodrigues...
Nota: O grupo “Alma de Ferro””apanhou-me” por acaso em Moncorvo na noite da estreia. Surpreendeu-me pela qualidade. A recuperação do antigo celeiro é notável. Estamos todos de parabéns.

Leonel Brito

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Revitalização

MÓS ANTIGA VILA MEDIEVAL A REVITALIZAÇÃO



O passado histórico de Mós mantém-se, sendo rico o seu património vai-se perdendo, à semelhança do que acontece noutras localidades, acontece porém que compete aos autarcas de cada Freguesia,Vila e Cidade criar incentivos através de roteiros turísticos, de modo a dinamizar as localidades dando a conhecer o vasto património e vestígios históricos, como já acontece noutras terras deste país “ ALGARVE – ALENTEJO” a criação de percursos pedestres, aproveitando locais outrora de interesse económico para as populações seria de realçar para poder dinamizar e trazer mais vida a estes locais perdidos e por vezes esquecidos.

Como roteiro de início, Ferraria da Chapa Cunha apesar de actualmente se encontrar em ruínas, mas como antiga fábrica de ferro, aproveitando o seu passado histórico como primeira ferraria da região ou, mesmo da Península Ibérica, o Castelo em ruínas, Igreja de Santa Maria, Capelas de Santo António – Santa Barbara – Santo Cristo, Fonte Românica, Fonte do Cano, e com bastante interesse de divulgação a Calçada de Mós e os percursos adjacentes à mesma “No passado rede viária de Vila Velha de Santa Cruz com cerca de 700 metros de comprimento“, realçando também as antigas minas do ferronho entre outros locais esquecidos que poderemos descobrir, neste combate da desertificação.

Autor:Cidadão do Mundo

Pelourinho de Mós


PELOURINHO DE MÓS










Na descoberta e na reconstrução do Pelourinho teremos que agradece ao nosso colaborador e amigo JOSÉ SAMBADE que descobriu num muro algo que poderia ser atribuído a um Pelourinho.
No Concelho de Torre de Moncorvo, foi o único recuperável, ao consultar livros deste evento o Pelourinho, de que fala o Abade de Baçal nas suas "Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança" do seguinte modo "... Mós - O Pelourinho desta Antiga Vila, sede de Concelho, hoje estupidamente apeado, mas as suas pedras estavam em 1899 na casa dos herdeiros do Doutor Gabriel, não haverá alma generosa que se compadeça do venerando momumento, lídimo brazão nobilitante da terra, reerguendo-o no primitivo local, em frente da antiga casa da Câmara de Mós..." Hoje convertida em sede da Junta de Freguesia e antiga Escola Primária "...também nos fala de actos de vandalismo que terão destruído o referido Pelourinho...".
No local referido pelo Abade Baçal, data da história de que em 1830 ainda se encontrava de pé, data esta da morte da Rainha CARLOTA JOAQUINA DE BORBON, por cujo luto gastou o Concelho de Mós mil e duzentos réis com que pagou por baeta preta para cobrir o Pelourinho desta Vila de Armas, da Casa da Câmara na ocasião de luto pela morte da Sereníssima senhora Rainha. Toda a sua destruição e segundo os historiadores terá sido acto dos ventos do Liberalismo e com a extinção das Vilas abrangidas pela reforma Administrativa de 1836, pelo Dec-Lei do mesmo ano publicado em 2 de Novembro.

Pelourinho de Mós

O Pelourinho de Mós, possivelmente construído no Séc. XVI, perdeu-se na memória e no tempo. Quis o destino que em 1992, seis das pedras que o constituíam fossem encontradas num muro da aldeia.
Hoje, o pelourinho está lá, na praça, enchendo de orgulho os mozeiros, que não se cansam de falar da Antiga Vila de Mós. Esta é só uma amostra do muito que há para "descobrir" nesta aldeia que já foi sede de concelho.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Estevais Ano Zero








Pensando tratar-se da sua terra (Estevais, de Mogadouro), o Professor Rentes Carvalho adquiriu, em tempos, o documentário “Estevais, Ano Zero”. Era sobre Estevais da Vilariça, e ofereceu-o ao Nelson. O Nelson, reconhecendo o autor, teve a gentileza de lho regalar. Feito num dia de 1975, integrado na série “Arte e Ofícios” para a R.T.P..
Graças às novas tecnologias, transformei três fotogramas nestas imagens.
Nessa época não havia água canalizado na aldeia, razão porque as pessoas tinham que ir abastecer-se a uma fonte no meio da fragada, a 4 km..
O Senhor António, fez parte, em 1914/18, do Corpo Expedicionário do Exercito Português no sul de Angola. Depois de uma estada de três anos no Brasil, onde sofreu a crise de 29, regressou nesse mesmo ano, para sempre, à sua terra.
A rua era o recreio dos galináceos, que obrigavam os seus donos a pagar uma multa de oitenta mil e crôa à G.N.R. (a jeira, na Ribeira, era de cinquenta escudos).

O documentário pode ser baixado da internet, com o nome Estevais Ano Zero

Leonel Brito


sábado, 17 de janeiro de 2009

Caminho, no Larinho

Na tranquilidade da tarde aquecida pelo sol de Outubro, procurava a localização de uma fonte, bastante antiga, no Larinho. O encontro com a fonte, não uma, mas duas, transportaram-me ao passado e imaginei-me várias décadas atrás, quando o acesso àquelas fontes era feito por este e outros caminhos. A luz rasante do final de tarde convidou-me. Não resisti a registar em fotografia este rústico caminho.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Pastagem Natural em Terras de Moncorvo - Raça Mirandesa

Ao passar pela Qtª Branca, no Larinho, na estrada que liga Moncorvo a Carviçais, chamaram-me à atenção estes lindos animais de raça mirandesa.

Apesar de ser raça oriunda da região trasmontana, os bovinos mirandeses estão já espalhadas por várias explorações de norte a sul do país.
A carne de bovino mirandês é a base da "posta à mirandesa", iguaria da cozinha nordestina. Apesar da qualidade, por vezes, é difícil abastecer o mercado, em expansão fora das fronteiras do Solar da raça.
Carne muito saborosa e suculenta. A carne destes animais é bastante utilizada na cozinha tradicional desta região, sendo de destacar a muito afamada posta mirandesa, que é uma forma de grelhar carne cujo único tempero é o sal, apenas para realçar o excelente sabor . Frequente é também o consumo sob a forma de vitela assada no forno, bifes à Alto Douro e vitela entronchada à transmontana. As restantes peças, menos nobres, são consumidas noutros pratos tradicionais da cozinha regional e nacional, designadamente no cozido nortenho, no cozido à portuguesa e em estufados vários.

Por terras de Moncorvo também se come uma bela posta à mirandesa, pois vale a pena passar em Carviçais no Restaurante "O Artur", onde a especialidade é a Posta à Mirandesa.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

A tradição Transmontana

TRADIÇÕES - PROCURE PRESERVÁ-LAS


Em Trás-os-Montes o Natal é diferente do que no restante pais. Prova disso é a quantidade de migrantes e emigrantes que invadiram as estradas portuguesas rumo ao interior transmontano na quadra natalícia.

Hábitos e tradições transmontanas no dia vinte e quatro à tarde começam a descascar as batatas e a arranjar as couves para o jantar. Na boa mesa transmontana não pode faltar polvo, couve, e bacalhau. No que respeita às sobremesas as filhós, os milhos e as rabanadas continuam a ocupar o topo das preferências e tradições.

Em quase todas as casas transmontanas o jantar começa cedo porque as gentes transmontanas não têm o hábito de jantar tarde como os citadinos, à mesa reúne-se quase a família da habitação e poucos são aqueles que ainda cumprem a tradição de abrir as prendas à meia-noite, perdeu-se na história a tradição que mesmo sendo crianças ainda acreditam na vinda do Pai Natal.

Depois do jantar e das prendas distribuídas e abertas normalmente junto à lareira que pelo menos nessa noite se acende na maioria das casas, por vezes segue-se a saída, para a praça da Aldeia, Vila ou Cidade, este ano com a neve mas apesar disso já não neva como antigamente, o frio continua a marcar presença assídua na noite de Natal e ainda há locais onde se fazem grandes fogueiras onde se aquece a população durante toda a noite.

A tradicional fogueira do Galo, continua a tirar as famílias de casa, que apesar da desertificação ainda são muitos novos e alguns de idade avançada, pois é costume dizer-se que Trás-os-Montes tem uma população envelhecida, as chamas vindas de grandes troncos arranjados nos dias e na noite que antecedem o Natal aquecem dezenas de pessoas que se juntam ao seu redor enquanto a missa do galo não começa, mas é uma forma de juntar a família e os amigos, como os costumes nunca se perdem alguns trazem chouriças, outros pão e outros vinho e às vezes ficam até de manhã, sendo por hábito o café da manhã ser feito e servido ali.

As fogueiras de Natal, ou “murras” [gigantesco canhoto de carvalho, castanho ou negrilho, que arde noite fora no largo principal de algumas das aldeias mais puras do Nordeste, representa a coesão de uma comunidade rural, que festeja na rua o verdadeiro sentido do Natal] em algumas localidades do interior transmontano, e ainda representam para muitos a coesão dos habitantes, crianças, jovens, adultos e idosos convivem pela noite dentro e fazem apenas um intervalo para a Missa do Galo à meia-noite.

Numa região onde a população está cada vez mais envelhecida, já houve mesmo paroquias que resolveram antecipar a missa do Galo e fazê-la no dia 23 durante o dia, como aconteceu em 2008, no 25 há missa de Natal seguida de mais uma reunião da família,o almoço que volta a juntar toda a gente na mesma mesa, é fruto da mistura de costumes em algumas casas que não dispensam o perú na mesa, no entanto, nas famílias mais tradicionais ainda se continua a comer a típica “roupa-velha”, uma espécie de mistura de todas as sobras do jantar do dia 24, o famoso cabrito assado transmontano é também frequentemente servido como refeição neste dia, em algumas casas.

Em resumo mais ou menos frio, mais ou menos tradicional, o facto é que a época natalícia continua a encher as Cidades, Aldeias e Vilas desertificadas do interior transmontano que durante o resto do ano se encontram praticamente desertas, alguns matam e trazem saudades, alegria e cor ao interior de Trás-os-Montes, os que cá ficam vão continuar a preparar tudo para acolher nestas e noutras épocas os que decidiram um dia sair à procurar de melhores condições de vida.


Autor: Cidadão do Mundo

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Depois da neve... mais nevoeiro e geadas

 
"... brumas emergiam de longos vales 
que eram fábricas de algodão 
de um inverno eterno.
......................................
o reino da magia do tempo antigo
que se desvanece na memória 
de seres extintos"
(Henrique de Campos, Rio da Morte, 2000)

 
Aninhada no seu "edredon" nevoento, 
a "menina" começa a despertar...

Vai-se desnudando, libertando-se dos "cobertores".
Ei-la que emerge para um novo dia...
Algures na Terra Média.
Ao fundo, muito ao fundo, o pico da Mua,
de onde ferreiros mágicos arrancavam as pedras
para forjarem as espadas dos Elfos.


Geada e nevoeiros, na encosta da estrada para a Açoreira... 
Ao fundo, espreitando, lá está ela, tiritando ainda
(e com esta tundra na vertente, talvez Torres de Moscovo...).

Textos: Henrique de Campos
Fotos: de um fotógrafo madrugador, que quis permanecer no nevoeiro...

domingo, 11 de janeiro de 2009

O Tempo, essa noção...

Os comentários têm sido fecundos em relação ao passado e à importância do passado nas nossas vidas, individuais e colectivas. O tempo, em suma. Muitos post e outros tantos comentários, mais do que passado, estão a desenhar uma identidade de Moncorvo. Numa busca desordenada de papéis velhos vou encontrando, tempos próprios, porventura datados: uma carta de Monteiro de Barros de 1976, descrevendo a situação política da época em Moncorvo; uma carta do Horácio Espalha já quase de despedida e influenciado pelo voluntarismo (mais do que utopia) do MRPP; o primeiro livro de Pires Cabral, com 25 exemplares, feito a stencil na Escola Secundária de Moncorvo, em Junho de 1974, com capa de Horácio Simões(dr.), um velho com chapéu de aba larga e barba de oito dias. É a primeira obra editada por Pires Cabral, hoje um dos grandes poetas portugueses. E depois leio a Primeira Comunhão da Júlia Guarda Ribeiro, um testemunho precioso, ainda que em linguagem grácil mas de conteúdo sofrido, que revela, embora com a tolerância que lhe é peculiar, os preconceitos de uma vila, a moralidade de sacristia, preconceitos e moralidade que ainda não foram de todo afastados. E todas estas leituras me obrigaram a uma reflexão sobre o Tempo. Espero a vossa benevolência a par das críticas. Falar do Tempo é falar de uma abstracção que só existe enquanto nós existimos. Ou se existe é apenas no nosso pensamento. Com a nossa morte, para quem não acredita na eternidade, o tempo deixa de existir. De qualquer modo, para quem acredita na eternidade, não tem sentido a existência do tempo, pois a eternidade pressupõe o infinito. Mas vamos às origens mitológicas do Tempo antes que a inquietação me perturbe o raciocínio. Chronos, com h, para distinguir do outro Cronos, o que engoliu os filhos ao nascerem, com o medo de ser destronado por um deles, Chronos, com h, repito, é entre os gregos e os romanos, nestes sob o nome de Saturno,a personificação do Tempo, criado por si mesmo. Era um ser incorpóreo e serpentino, com três cabeças, de homem, touro e leão. Permaneceu deus do tempo remoto e sem corpo. A minha reflexão dificilmente aceita a linearidade, porque o tempo não é linear, embora seja contínuo na nossa descontinuidade, no depois de nós outros vêm.
Há vários tempos: o mítico, o histórico, o simbólico. entre outros. O tempo simbólico só é possível num espaço simbólico, como no ritual da Igreja e na Bíblia, sobretudo no Pentateuco (os cinco livros da Tora judaica) em que os predestinados, como Matusalém, por exemplo, chegam a ter a provecta idade de 600 anos. Na rua, em relação à missa na igreja de Moncorvo, por exemplo, o espaço é outro e outro é o tempo. Em Kant o tempo é sempre espacializado. É o tempo simbólico subjectivo? É. Todo o tempo pessoal e o tempo na relação com o Outro são subjectivos. A definição mais comum do tempo e a que menos inquietação provoca: período que vai de um acontecimento anterior a um posterior. Ou seja, uma espécie de ponte invisível entre o passado e o futuro (este blogue é paradigma disso).
É minha profunda convicção de que não há tempo absoluto, porque o Homem e a Humanidade só sobrevivem nos seus limites. (Lembra-me uma Ode de Píndaro, que serviu de epígrafe ao Mito de Sisifo de Albert Camuns: "Ó minha alma, não aspires à vida imortal/ Mas esgota o campo do possível")
É impossível instituir uma medida única do Tempo. A simultaneidade de acontecimentos distantes no espaço não tem senão um sentido relativo. Para uns os acontecimentos não são o que são para os outros. Cada sistema de referências tem o seu tempo próprio.
O tempo histórico, também chamado " a ciência dos homens no tempo", podemos dividi-lo em três subsistemas: o tempo curto, de acontecimento circunstancial; os ciclos económicos, por exemplo, como um tempo conjuntural; e o tempo de longa duração, este estrutural.
O tempo mítico refere-se a um tempo primordial que tem muito pouco a ver com a história real. É o tempo, entre outras idades, da Idade do Ouro, tão bem poetizada nas Metamorfoses de Ovídio ou no milenarismo do Apocalipse e do calendário Maia (no primeiro, o Mundo acabava aos mil anos para surgir o Mundo melhor, guiado por Messis; no segundo, termina em 2012, em 21 de Dezembro, com a última passagem do planeta Vénus, no século XXI, também para vir um mundo melhor).
Entremos agora no campo das interrogações, das dúvidas e da perplexidade do ser.
Através da distância do tempo, que não é mensurável, o definitivo não é o definitivo; o ser, embora sendo, não o é ainda. A estrutura da temporalidade em que se produz o ser está ligada a um gesto elementar do ser que rejeita a totalização. O ser não consegue ultrapassar os limites do possível.
Trazemos connosco um armazém da memória e o aceno das recordações. Na memória, não seleccionamos o passado pela importância real dos factos. É possível lembrarmo-nos da primeira vez que nos fomos banhar ao Rio Sabor e esquecermos o dia do nosso casamento. Não fomos nós que seleccionámos. Não houve repressão consciente. A memória não é repressiva. Ou é? Quanto às recordações, são sempre como um lenco frágil à procura do tempo perdido, que nos proporcionam sonhos, mas não nos devolvem as ocasiões perdidas. Mas a recordação surgida a cada novo instante não nos dará já ao passado um sentido novo? (Estou-me a lembrar de algumas fotografias editadas no nosso blogue).
Na paternidade em que o Eu através do definitivo de uma morte inevitável (uma certeza que nós todos comungamos) se prolonga no Outro, o tempo triunfa, pela sua descontinuidade, da velhice e do destino.
A paternidade, no meu sentir, é a maneira de ser Outro continuando a ser o próprio.
Regressemos ao instante, à recordação que, de tão intensa, pode ser tão duradoura como o nosso derradeiro limite. É a própria obra do tempo.
Em contrapartida, o esquecimento anula as relações com o passado. E aqui entramos no capítulo da culpa e do perdão. Citando uma expressão comum: perdoo tudo, mas não esqueço nada. O perdão conserva o passado. Mas aqui levanta-se o problema da culpa e do sofrimento. Até que ponto podemos perdoar, quando pelo sofrimento (também outra noção do tempo) nos quiseram e por vezes conseguiram reificar? Estou-me a lembrar de Auschwitz e de todos os Goulags de todo o Mundo, estou-me a lembrar da banalização do mal (vidè Hanna Arendt), estou-me a lembrar da vulgarização da violência, do conformismo face à corrupção, da falta de indignação face ao indigno. Esquecer, como já disse, é anular todas as relações com o passado; mas perdoar é assumir, já no presente, o sofrimento futuro.
Por fim, para os que crêem na eternidade (ausência de tempo e ausência de espaço), lembro a descida aos Infernos de Dante e a subida ao Paraíso. E interrogo-me sobre o sentido da culpa e o sentido da recompensa. Tanto o céu como o inferno não dão oportunidades de redenção ou pecado: o que está no céu não pode pecar; o que está no inferno, não pode fazer o bem. Neste maniqueísmo, não há lugar para segundas oportunidades.
Ou seja, transmutados para uma abstracção sem tempo, não têm a possibilidade de se redimir da culpa, nem, em sentido contrário, de cometer algum acto que provoque o sentido da culpa. A eternidade não é só a negação do tempo. É também a negação da liberdade.
Ponto final: os homens já roubaram todo o fogo aos deuses; eu contento-me com menos: roubo-vos um pouco do vosso tempo.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Branca de neve


Mudam-se os tempos, mudam-se as paisagens...
Moncorvo, a preto e branco, há 40 anos.
Leonel Brito

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