O tema das Amendoeiras em Flor é transversal a uma série de concelhos. Guardo com carinho a 1.ª edição do Guia Turístico “Rota da Amendoeira” editado em 2001, referente a Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa. Conhecedor mais ou menos profundo destes concelhos, não necessito de um Guia Turístico, mas mostra a vontade que estes concelhos têm em venderem uma imagem, a Amendoeira em Flor. Vivi em Torre de Moncorvo nos anos áureos das excursões. Eram dezenas, senão centenas de autocarros que se amontoavam na Corredoura (antes do arranjo urbanístico).
Este ano decidi “criar” um Rota da Amendoeira em Flor, para um passeio de família. Visitar locais onde não passávamos há mais de 10 anos, outros onde nunca tínhamos ido, apreciar a paisagem, o artesanato, a gastronomia, mas, sobretudo, ir ao encontro da beleza das amendoeiras em flor, foi o objectivo. Decidi publicar o percurso porque pode dar ideias a outras pessoas que querem beneficiar do privilégio de passar um dia de puro prazer nas pequenas estradas de Trás-os-Montes.
Saímos de Vila Flor ao início da manhã. O dia não estava nada daquilo que eu desejaria (para a fotografia) com o céu repleto de nuvens. Uma atmosfera muito, muito cinzenta, mas com uma temperatura muito agradável.
As amendoeiras em flor apareceram logo dentro da vila. Ao longo da estrada que conduz a Sampaio (N608) há algumas flores que já perderam as pétalas, mas o espectáculo ainda é digno de se ver. Ao longo da N102 (E802) entre Sampaio e a barragem do Pocinho, encontram-se vários locais com muitas amendoeiras em flor. Um bom exemplo são as encostas na Quinta da Portela, mas há amendoeiras por todo o lado.
De junto das comportas da barragem do Pocinho, na margem direita, parte uma estreita estrada que faz a ligação às aldeias de Urros e Peredos dos Castelhanos. Conheci essa estrada há quase duas décadas, quando ainda nem sequer estava asfaltada! Desde essa altura, pouco mudou. Durante algum tempo as curvas acompanham o rio, serpenteando nas entranhas da terra. A foz da Ribeira do Arroio veio separar-nos definitivamente do rio. Depois de a atravessarmos, numa estreita ponte (que assustadora era!), começámos a subir até perto dos 600 metros de altitude. Nesta zona há muitas amendoeiras em flor, mas a maior parte dos delas estão abandonadas. É uma das estradas panorâmicas mais bonitas que conheço no concelho de Torre de Moncorvo. Encontrámos no seu final a N603. Pode ser uma boa oportunidade para virar à direita e fazer uma rápida visita a Peredo dos Castelhanos. À esquerda é a direcção de Urros. Foi nesta zona que encontrei as mais bonitas amendoeiras em flor! Quase todas as flores são de um rosa acentuado, dão uma tonalidade forte e uniforme ao amendoal.
Para saborear toda a paz que nos invade, depois de algumas horas por locais tão pouco frequentados, alguns minutos junto à igreja de S. Apolinário dão também alguma mística ao passeio. Nesta espécie de santuário a algumas centenas de metros do povoado, fomos encontrar uma fonte. A água desta fonte era apontada como sendo milagrosa (1726), mas, actualmente, apenas é vista como digestiva. Foi o próprio S. Apolinário que fez brotar a água da rocha, para saciar a sede com que vinha, depois de atravessar o Douro. Muito havia para ver em Urros, mas partimos em direcção à Barragem das Olgas, ainda em construção, local onde se confrontam o concelho de Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta. Deixámos a N630 e seguimos à direita para Ligares. Atravessámos a aldeia pela Rua do Cimo do Povo, contornámos a igreja e seguimos para o Largo de S. Cruz.
Retomámos a estrada N325 que desce a encosta até à Ribeira do Mosteiro. Neste trajecto ainda há muitas amendoeiras que não floriram, o que significa que este percurso se vai manter bonito por mais alguns dias. Mais uma vez se vislumbram largas encostas onde a amendoeira já foi rainha. O abandono é a nota predominante, mas, onde as amendoeiras estão cuidadas, as flores são mais fartas e mais coloridas.
Depois das Quintas da Ribeira e de S. Tiago, a estrada divide-se: em frente desce-se pela N325 até Barca de Alva; à esquerda sobe-se pela N325-1 até Freixo de Espada à Cinta. O meu desejo era seguir em frente, pois adoro percorrer esta estrada onde nos sentimos muito pequenos face à agressividade das massas rochosas que nos rodeiam. Da foz da Ribeira do Mosteiro até Freixo, é bem possível que ainda haja muitas amendoeiras em flor (ao longo da N221).
A opção foi virar à esquerda em direcção a Freixo. O “relógio” solar (e não só), já nos indicava que estava na hora de almoço.
Nesta zona também há muitas amendoeiras em flor. Até uma pequena raposa se passeava entre elas, indiferente aos potenciais flashes dos turistas.
Em Freixo, estacionámos o carro junto da Câmara Municipal. O recinto da feira era um pouco distante, mas havia um autocarro a transportar gratuitamente os que o desejassem. Estávamos dispostos a almoçar na feira (Feira Transfronteiriça/Feira dos Gostos e Saberes), até porque se tratava de uma feira de sabores. Procurámos o pavilhão de restauração, onde havia poucos lugares vazios. O primeiro contacto foi decepcionante e a refeição tornou-se um fiasco.
Procurávamos comer alguma coisa regional, mas as opções eram poucas: leitão e picanha. O vinho tinha que ser obrigatoriamente do Alentejo! O leitão não se conseguia comer, estava cru; as batatas fritas eram de pacote e o pão só chegou depois de muita insistência. “Matei” a fome com alguns feijões pretos gentilmente cedidos e partilhados com a mesa ao lado. Manifestei o meu descontentamento e pedi uma factura (que obviamente não me foi passada). A organização da feira devia estar atenta ao péssimo serviço que esta empresa (La Brasa) estava ali a prestar. Além de que deviam apostar em servir os produtos regionais tais como as azeitonas, o fumeiro e o vinho. Esta lacuna também se nota na feita TerraFlor, em Vila Flor.
Não ficámos muito bem dispostos e demorámos pouco na feira. Apesar de tudo, é interessante a aposta no lado de lá da fronteira (ou eles no lado de cá?). O espaço envolvente está muito bem estruturado e o pavilhão da feira mostra coisas interessantes. Afinal ali estavam os verdadeiros sabores, só que já era demasiado tarde!
A viagem continuou em direcção a norte (pela N221); o objectivo era visitar Mazouco. Neste troço quase não existem amendoeiras, a não ser à saída de Freixo até à Zona Industrial.
As gravuras rupestres de Mazouco nunca tinham sido visitadas por qualquer um de nós e, pela sua importância na arte do Paleolítico Superior, em Portugal e na Europa, merecem bem uma visita. As amendoeiras partilham com as oliveiras e laranjeiras, os socalcos entre Mazouco e o rio Douro. Para além da discussão carvalo-carneiro, a beleza da paisagem e a admiração de arte milenar, são um bom convite para uma outra rota À Descoberta das amendoeiras em Foz Côa e da arte do Vale do Côa.
No caminho de regresso, nas últimas casas de Mazouco virámos à direita, seguindo uma estrada (620) que nos coloca num belo miradouro sobre o Douro. Infelizmente as condições atmosféricas já não eram as melhores.
Seguimos à direita (de novo na N221) até à Estação de Freixo e depois à esquerda em direcção a Torre de Moncorvo. Neste troço da estrada até ao Carvalhal ainda há poucas amendoeiras em flor. Entrámos em Carviçais à procura de mais alguns Detalhes em Ferro.
Como não havia muitas amendoeiras com flor, fizemos uma visita ao bar na estação, no Larinho. É um bom espaço para tomar um refresco, ao fim da tarde.
Regressámos à estrada em direcção a Moncorvo. A XXIII Feira de Artesanato está prestes a encerrar. São já 23 feiras e eu visitei grande parte delas. Algumas das presenças são sempre interessantes de observar e saborear como os quadros feitos com escamas de peixe ou casca de alho e as tradicionais amêndoas de Torre de Moncorvo, outras já pouco dizem.
A viagem de regresso a Vila Flor é feita pela N325 até à ponte sobre o Sabor. Depois de se entrar no concelho de Vila Flor, depois da Junqueira, utiliza-se a N215, cheia de curvas mas com boas vistas panorâmicas. Estas são estradas a evitar no dia-a-dia, mas são as ideais para um calmo passeio, em busca de belas Amendoeiras em Flor.
Outras fotografias deste percurso:
domingo, 1 de março de 2009
À Descoberta das amendoeiras em Flor
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Moncorvo é notícia - Fev09
- 26-02-2009 - JN - Pólos urbanos ganham 119 milhões
- 20-03-2009 - Semanário Transmontano - As “jóias da coroa” dos concelhos do Alto Tâmega
- 18-02-2009 - Jornal Terra Quente - Casas construídas há oito anos continuam com contadores provisórios
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
XXIII Feira de Artesanato de Torre de Moncorvo
No contexto das festividades da Flor da Amendoeira, foi inaugurada, no passado Sábado, a XXIII feira de Artesanato de Torre de Moncorvo, reunindo artesãos de todo o país, incluindo a ilha da Madeira.
Esta feira poderá ainda ser visitada até ao próximo fim-de-semana, no Pavilhão gimno-desportivo da Corredoura.
Não perca esta oportunidade de adquirir uma peça de arte única, ajudando os nossos artesãos!!!
Há lá peças preciosas e feitas com muita mestria, dedicação e carinho, além de licores e doçaria regional. – VISITE!!!!.... (é só até ao próximo fim de semana!)
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Em Viagem II - continuação do poema de Campos Monteiro
Foto da entrada da vila de Torre de Moncorvo (às Aveleiras), no tempo de Campos Monteiro (in Ilustração Trasmontana, 1908-1910)No sopé da montanha uma sé colossal,
e em volta cinco ou seis centos de casas, como
Ao redor de um castelo um burgo medieval.
É Moncorvo! Está perto o termo do caminho ...
Lá vejo a casa em que eu à luz do mundo vim;
paira-lhe sobre o tecto um fumo cor de arminho,
tão branco, que parece um lenço de alvo linho
Posto ali a acenar, para chamar para mim !
Às Aveleiras, desço e sigo a pé. É perto...
- meu pai e minha irmã, ambos a par.
Mas a morte passou, e levou-os consigo.
Vê-se d’aqui, porém, o seu jazigo,
e é p’ra eles que mando o meu primeiro olhar,
agora, preparar! Vamos calcar a argila
da rua que conduz mesmo ao centro da vila,
e há caras conhecidas nas janelas
e às portas, a tomar o fresco. E em todas elas,
mal eu desponto, surge um clarão de alegria.
Tenho de saudar, dizer se passo bem,
e perguntar depois como eles vão, também.
E n’esta via-sacra atroz da Cortesia,
vou seguindo e parando ... Até findar o dia.
Aqui tens, logo à entrada, as senhoras Botelhos,
o Daniel e a mulher ... Coitados! Estão velhos,
mas sempre amigos: Dáfnis e Cloé.
Depois, no Lageado, a gente que passeia
n’este cair-de-tarde idílico de aldeia.
Caio em pleno triunfo! É a hora do café,
e o botequin do Ernesto está au grand complet!
E na Rua das Flores, e na Praça
toda a gente que está me saúda e me abraça.
N’um banco do Castelo, o ti’Zirra, ceguinho,
- santo velho! Cegou de tanto trabalhar!
- levanta-se, a sorrir: - «Deus o traga, vizinho!»
E a sua mão tremente de velhinho
Procura a minha mão, a tactear!
Meus bons patrícios, cheios de virtudes!
Honesta, digna, hospitaleira gente!
Como eu me sinto bem entre os seus braços rudes,
E como folgo em vê-los novamente!
Ao penetrar na minha rua, todos
Saem de casa para me abraçar.
Recebo beijos... Efusões a rodos...
E a Lídia, à porta, grita com maus modos:
- «Deixem-n’o em paz, que há de querer jantar!»-
Porém, sentado à mesa, tão contentes
Sinto os olhos, a alma o coração,
Que nem toco nos pratos excelentes
Cozinhados por minha devoção.
E a minha mãe - coitada! - a sorrir e a dizer:
- «Come, meu filho! Vais adoecer
Se começas assim a jejuar!» -
A boca que só tem desejos de beijar!
Amendoeiras em flor, no Peredo dos Castelhanos
Amendoeiras em flor no termo do Peredo dos Castelhanos, com o rio Douro ao fundo, vendo-se no horizonte o monte Meão e a fragada da Lousa:
Castelo Melhor e Almendra (que em castelhano quer dizer "amêndoa") na margem esquerda do Douro (concelho de Vila Nova de Foz Côa) e o Peredo dos Castelhanos na margem direita (concelho de Torre de Moncorvo), podem ser considerados o "solar da amendoeira" no vale do Douro. Não se sabe se é uma árvore endémica ou se foi aí introduzida (pelos árabes?), sendo certo que o topónimo Amíndula ou Almendra (=amêndoa), já existe desde, pelo menos, o século XI. A partir daqui esta cultura terá irradiado por todo o vale do Douro e seus afluentes, sobretudo no século XIX, depois da crise da filoxera ter atingido os vinhedos.
Desde os inícios do séc. XX tornou-se uma cultura altamente rentável, até ao final da década de 70, período em que entrou em decadência devido à queda dos preços da amêndoa, motivada pela concorrência estrangeira, sobretudo da Califórnia.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Estendal em Torre de Moncorvo
Por ruas de Torre de Moncorvo, as cores vivas dos estendais contrastam com com o rústico das casas, muitas delas deitadas ao abandono ficando em completa degradação, como se constata na zona histórica da vila.
Detalhes em Ferro 2
Já quase depois do sol se esconder, encontrei este bonito portão no Felgar. A solução foi fotografar contra o céu, tentando captar os contornos do ferro forjado. É um exemplar muito bonito, com um trabalho muito pouco frequente.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
“Em viagem”, um poema de Campos Monteiro
Em tempo de amendoeiras em flor, é oportuno recordar um belo poema do nosso escritor Campos Monteiro (1876-1933), julgamos que escrito na sua juventude, em forma de carta, para uma amada (que só poderá ser a mulher de sua vida, Olívia, a quem dedicou também um dos seus primeiros escritos, intitulado “Violia”, anagrama de seu nome).O poema-carta, publicado em Versos Fora de Moda (1915), tem várias partes, começando pelo desembarque do autor na estação do Pocinho; a seguir, este atravessou o Douro, talvez ainda na velha barca de passagem, uma vez que afirma que a diligência estava à espera do outro lado do rio; logicamente não estava construída a linha do Sabor, pois o percurso para Moncorvo é feito na diligência (também chamada mala-posta); segue-se a ascensão pela vertente da Quinta do Campo até à linha de cumeadas por onde corria o velho caminho, em direcção à Ventosa. Julgamos que seria este o trajecto, devido à descrição que o autor faz da paisagem que dele se avista (talvez ainda não estivesse construída a Estrada Real que coincide com a E.N. 220 (agora algo abandonada, depois da construção da recente ligação de Torre de Moncorvo ao I.P.-2).
Para não alongar muito o “post”, dividimos este primeiro poema em duas partes. Esta é dedicada ao trecho da viagem, antes de chegar à vila de Torre de Moncorvo. Colocaremos depois o trecho referente à sua entrada na vila e o percurso que faz até a casa de seus pais, na Rua da Misericórdia.
Nota 1 – actualizámos a ortografia, pois na edição original (que nos foi disponibilizada para consulta pela Biblioteca Municipal), dos anos 20, ainda se escreve “schisto” em vez de xisto; “scintilações” em vez de “cintilações”, etc.
Nota 2 – Sobre Campos Monteiro, ver os “posts” de Rogério Rodrigues, neste blog, datados de 14 e 16 de Maio de 2008 (para melhor facilidade de procura, clicar sobre a etiqueta Campos Monteiro, na coluna do lado direito).
Nota 3 – As fotografias que ilustram este “post” são de autoria de João Pinto Vieira Costa, a quem agradecemos a sua cedência (agradecemos também que sejam respeitados os seus direitos autorais).
I. - EM VIAGEM
Parto p’ra a terra. Sinto-me doente,
e é tal o amor que tenho ao meu cantinho,
que eu creio que melhoro de repente
ao avistar as veigas do Pocinho.
Salto às duas da tarde na estação,
e meto encosta abaixo em direcção ao rio.
O ar é tépido e brando: uma consolação.
Vê tu: no Porto faz ainda frio,
na minha terra já parece v’rão.
Do outro lado do rio a diligência espera
- e começa a ascensão. Nem sequer imaginas
quão pitorescas são estas ravinas
agora, ao começar da primavera!
Como um cortejo, mal organizado,
de donzelas coquettes e palreiras,
todas de branco, as amendoeiras,
descendo em grupos as ladeiras,
dão-nos a sugestão de irem p’ra um noivado.
E cada encosta é um tapete apenas de lírios,
arreçãs, malmequeres, verbenas ...
sulcada de carreiros e de trilhos,
casa-se ao verde intenso dos tremoços
o amarelo vibrante dos pampilhos.
Passam cachoeiras rindo: esse riso impudente
dos rapazes que veem a sair d’uma escola;
e em volta os lótus de húmida corola
tomam seu banho, consoladamente.
Aos raios de oiro pelo sol vibrados,
os xistos e os granitos dos montados
lançam cintilações de lantejoulas.
Corre um filete d’água lá no fundo.
E os trigos riem para o céu profundo
pelos lábios vermelhos das papoulas...
A quatrocentos metros de altitude
o Amâncio pára o carro, a descansar o gado.
E agora o quadro é outro e muito mais variado.
Dize-me se não dá mesmo saúde
olhar este horizonte dilatado!
O que temos subido ! Olha o Monte-Meão,
há pouco inda tão alto, e agora n’um fundão!
Por de sôbre ele vê-se uma faixa amarela
de montanhas, ao longe: é a Serra da Estrêla.
Da Burga, ao norte, a massa informe.
Serras ao poente. A Leste o Roboredo infindo.
E este caixilho sumptuoso, enorme,
que lindo quadro ele emoldura! ... Lindo! ...
Pela vertente das encostas,
co’a rigidez d’uma muralha,
as oliveiras, em cordões dispostas,
lembram soldados, de mochila às costas,
ordenados em linha de batalha.
E há vinhedos sem fim ... Imensos laranjais ...
E na toalha verde-escura
dos azevéns e cereais
põe uma intensa nota de frescura
as pinceladas brancas dos pombais.
Da Vilariça, em baixo, a multicor alfombra,
tão fértil que sustenta três concelhos.
A parte ocidental mergulha já na sombra,
mas nos casais de Leste há reflexos vermelhos.
Corre a meio o Sabor, todo apressado,
porque sabe que o Douro o está a esperar;
E ao chegar junto d’ele, fatigado,
fundem-se n’um abraço demorado,
descansam, dão a volta - e largam para o mar!
Dependurados pela serrania,
lugarejos, torreões, flechas de igreja.
Nos altos picos, d’um verniz de oleografia,
ainda a neve à luz do sol alveja.
Que variedade, d’uma e de outra banda!
Como isto é grandioso, e ao mesmo tempo ameno!
São a Suíça, a Itália, e a própria Holanda
em dez léguas quadradas de terreno!
(continua)
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Detalhes em Ferro 1
Quero agradecer aos que estiveram presentes, ontem, no Museu do Ferro, e a todos os que ainda vão passar por lá, durante o mês que se segue, para admirarem Detalhes em Ferro. Entretanto, chegou a altura do tema se estender ao Blogue. Os detalhes em ferro de hoje foram captados em Carviçais, freguesia que tem lindas varandas em ferro forjado, à espera de serem mostradas.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Exposição de fotografia
Já é hoje o dia da inauguração da exposição de fotografia "Detalhes em ferro". Ao contrário do que foi divulgado, a inauguração vai acontecer às 16:00 horas.
Todos os visitantes do Blogue estão convidados.
Desfile Carnavalesco das Escolas de Torre de Moncorvo - 2009
Dia 20 de Fevereiro, as crianças dos Jardins de Infância e 1.º Ciclo, voltaram a alegregar Moncorvo, com mais um desfile carnavalesco.

Desde Alunos, Professores e Axiliares, desfilaram pelas ruas da vila, passando pela praça, onde se encontrava maior número de populares a observar o desfile.





Depois de desfilarem pelas ruas da vila, chegou o momento de regressarem à Escola, sendo distribuido pelas crianças um lanche, como já acontecia em anos anteriores. Entretanto o grupo de animadores que acompanhou o desfile, enchia balões de diversas formas e davam às crianças, deixando-as super alegres.sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Desfile Carnavalesco das Escolas de Torre de Moncorvo - 2008
Foi com enorme entusiasmo que as crianças dos Jardins de Infância e 1.º Ciclo, prepararam com alguma antecedência os seus fatos de carnaval, feitos com a ajuda de Educadores, Professores e Auxiliares.
Passando pelas várias ruas da vila, o desfile de carnaval encantou toda a comunidade que observava.
Venham todos ver mais uns deslumbrante desfile carnavalesco por parte das crianças das escolas do concelho de Torre de Moncorvo.
Amendoeiras em Flor - 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
O despertar da vida
Hoje foi dia de "caça" fotográfica por terras de Moncorvo. Sempre em transito, aproveitei para visitar algumas freguesias, tentando captar-lhe a alma que emergia à luz quente da tarde. Ao anoitecer fui encontrar, sem querer, alguns blogueiros catando ferro velho em ruínas do Felgar! Por isso hoje não vou mostrar ferro. Escolhi esta fotografia que tirei no Carvalhal, junto à estrada. É a a vida que desperta, desde a mais pequena planta, aos beirais dos telhados (no Felgar) onde já brincam as prometedoras andorinhas.
Peredo dos Castelhanos, 20 de Fevereiro de 1974

Foi tirada faz exactamente hoje 35 anos. Ilustra uma reportagem do Assis para o República. Lembro-me que fui com ele e com o Lelo à minha aldeia, Peredo dos Castelhanos. É uma reportagem que deveria ser recuperada. Fica ao cuidado do Lelo.
Reparem no ar triste da senhora, vestida de escuro, com um penteado de quem nunca frequentou a cabeleireira, com uma parede branca quase despida, apenas habitada por uma imagem da Nossa Senhora, também ela de ar sofrido e o crucifixo de um Cristo martirizado. Apenas um ramo de flores na secretária.
Esta fotografia respira uma profunda tristeza. A mestra confundia-se com qualquer mulher de aldeia. A única diferença é que sabia ler e tinha permissão de ensinar.
Ampliando a fotografia, atente-se nas frases escritas no quadro, só possíveis e inteligíveis num meio rural, familiares à cultura daquelas crianças: “O ninho do passarinho”; A mãe da Chica tira a palha do palheiro”; “Ela apanhou o livro que caiu no chão”; “Amanhã vou à horta colher uma couve”; “O coelho foi morto pelo caçador”.
Nas carteiras ainda há tinteiros para molhar o aparo. Contam-se mais de uma dúzia de crianças, na maioria filhas de emigrantes ao cuidado das avós. A escola, esta, fechou. O Peredo já não tem escola nem crianças.
Reparem nas mãos da mestra, tão recolhidas e recatadas, na tristeza que se revela no seu olhar para a câmara. Tão conformada e resignada! Estávamos a poucos meses do 25 de Abril. O que terá sido feito destas crianças, todas elas hoje com mais de 40 anos?
Livro e escritor - ... ainda Armando Martins Janeira
Porque o pequeno livro "Peregrino" poderá dizer pouco aos moncorvenses, visto que versa sobre personagem alheio à nossa região, em longínquas paragens, recomendamos em contrapartida, também de Armando Martins Janeira (1914-1988), um livro de contos das suas primícias, se bem que posteriormente revisto por si e reeditado em 2004, numa iniciativa da Comissão de Festas de Felgueiras.




















