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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Jornada Cultural no Centro de Memória e Biblioteca Municipal

Conforme anunciado neste blog, foi inaugurada no passado dia 20 de Junho (sábado), no Centro de Memória de Torre de Moncorvo, a grandiosa exposição intitulada “Moncorvo de Março de 1974 a Junho de 2009”, de autoria de Assis Pacheco (já falecido), Leonel Brito e Rogério Rodrigues. Esta exposição baseou-se em duas extensas reportagens publicadas respectivamente em vários números do jornal República (Março de 1974) e em O Jornal (1984), a que Leonel Brito e Rogério Rodrigues acrescentaram agora mais uma peça (texto e imagens), sobre o concelho de Torre de Moncorvo na actualidade.

Rogério Rodrigues e Leonel Brito, autores da Exposição Moncorvo 1974-2009

A importância da primeira reportagem publicada no República (com texto de Assis Pacheco, e fotografia de Leonel Brito), decorre do facto de ter sido feita mesmo nas vésperas do 25 de Abril, em que se faz um retrato social crítico do concelho, com os problemas da emigração, da guerra do ultramar, etc., além dos diversos constrangimentos de que padecia um concelho do interior, à época. Trata-se de um trabalho de grande fôlego (como se disse, saído em vários números), que é fundamental para a história contemporânea de Torre de Moncorvo, num momento charneira da história de Portugal.

A segunda reportagem, com assinatura de Rogério Rodrigues, saiu em O Jornal (periódico também já desaparecido, tal como o República), em 1984, e tinha por título genérico "Torre de Moncorvo, o futuro não tem pressa". Este é o momento em que, após a vinda dos chamados “retornados” do ultramar (1974-1975) se alcança um acréscimo demográfico significativo e a face do concelho se transforma significativamente, também em consequência das remessas dos emigrantes. Ainda sem dinheiros comunitários, era o tempo em que se sentia a premência de certas infra-estruturas (água canalizada, saneamento básico, etc) e das grandes carências de emprego, após a conclusão da barragem do Pocinho, vivendo-se então ainda as expectativas do relançamento da exploração das minas de ferro, projecto que, como se sabe, viria a ser chumbado no ano seguinte.

Um aspecto da exposição Moncorvo 1974-2009, no Centro de Memória

Passados 35 anos após a primeira reportagem e 25 sobre a segunda, impunha-se um olhar sobre a nova realidade do nosso concelho. Assim, a nova reportagem agora realizada (não publicada, a não ser nos últimos painéis desta exposição), com o título "O presente ao menos, 25 anos depois", começa logo por se destacar pelo cromatismo diferente. Em contraste preto e branco de outros tempos, recorre a abundantes fotografias a cores, oferecendo, por comparação, uma imagem actual dos espaços antigos, de onde se salientam as diversas mutações no espaço urbano da vila e aldeias do concelho. De uma forma que consideramos bastante objectiva, salientam-se os aspectos positivos dessas transformações, mas também os contrastes , como o da desertificação humana e o envelhecimento da população. Se as crianças de hoje aqui figuram muito limpinhas e associadas aos telemóveis e computadores, em contraste com as do passado (sinal dos tempos), salienta-se o facto de praticamente não existirem crianças na quase totalidade dessas aldeias. Novas infra-estruturas e equipamentos urbanos, grandes obras, tipo ligação de Moncorvo ao IP-2, barragens e torres eólicas na serra, são destacados. Como ponto final desta reportagem, termina-se com uma pequena local, em caixa, dando conta da peripécia do hipopótamo-fêmea que fugira do camião acidentado de um circo, vindo ter à vila, nove quilómetros andados por seu pé, suscitando o anedotário terra. Um episódio de humor em tempo de crise.

Outra secção da Exposição, no Centro de Memória.


A exposição é complementada pela passagem de filmes como “Artes de ofícios” (olaria, tecelagem, moinho de rodízio e fabrico da cera) e “A Encomendação das Almas”, trabalhos realizados por Leonel Brito respectivamente em 1974 e 1979, e uma apresentação de imagens em Powerpoint, mostrando fotografias actuais e de há 30-35 anos. Este material fotográfico foi oferecido aos presentes em DVD, através de reproduções efectuadas pela Biblioteca Municipal/Centro de Memória. Aliás, na sua alocução final, os autores fizeram questão de sublinhar o trabalho do pessoal desta instituição, nomeadamente da Drª Helena Pontes (chefe de divisão cultural), Drª Maria João Moita, salientando os contributos de Sandra Meireles (na parte gráfica) e Victor Almeida, entre outros.
Dada a sua importância para a compreensão do passado recente do nosso concelho, esta é, de facto, uma exposição a não perder.

O ex-director da "Voz do Nordeste" e Presidente da Câmara de Moncorvo, no momento da entrega do espólio do jornal


Depois da inauguração da Exposição, e dos discursos dos autores da mesma e do Presidente da Câmara de Moncorvo, decorreu a cerimónia de entrega do espólio do jornal “Voz do Nordeste” (de Bragança), pelo seu antigo director, César Urbino Rodrigues.

Apresentação do livro História do Poder Local Democrático em T. de Moncorvo, na Biblioteca



A finalizar esta jornada, decorreu no auditório da biblioteca municipal a apresentação do livro “O poder local democrático em Torre de Moncorvo no último quartel do século XX”, de autoria de Virgílio Tavares, sob patrocínio da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo.

domingo, 21 de junho de 2009

Felgar - Estação da CP




Gostei da exposição aqui anunciada e ontem inaugurada no Centro de Memória.

Gostei de ver, de conversar, de recordar.

O espírito de partilha, mais do que anunciar-se, consubstancia-se fazendo, realizando, mostrando, dando e dando-se.

Foi o que aconteceu.


Por ser felgarense, tocaram-me mais fundo as imagens da minha terra.

Creio que lhes via o "punctum" onde outros viam detalhes interessantes.


Ainda imbuído desse espírito, encontro esta imagem da estação da CP.

Foi demolida. Fica a lembrança.

sábado, 20 de junho de 2009

Congelar o tempo



Um ouriço congelado no tempo - 25 de Dezembro de 2008 - num souto do Roboredo, para baixar um pouco esta torreira. (foto: J.Costa)

"O Velho Ciumento" pelo Grupo de Teatro Alma de Ferro

Algumas cenas d'O Velho Ciumento de Miguel Cervantes que este grupo de teatro de Moncorvo levou à cena nesta localidade, no dia 3 de Julho. O GTAF irá apresentar o mesmo espectáculo em Moncorvo. Também estão previstas novas actuações, durante o mês de Setembro, noutras localidades fora do concelho.

Por : GTAF


Mais fotos:
Grupo de Teatro Alma de Ferro GAF - "O Velho ciumento"

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Linaria ricardoi

Foto: João Costa
Linaria ricardoi, espécie botânica em vias de extinção no Alentejo, mas ainda comum nos amendoais e olivais do concelho de Torre de Moncorvo, essencialmente nos terrenos de baixa intervenção humana.
A flor desta planta prestava-se às brincadeiras infantis, pela similitude com pequeninos "lobinhos".
Ver mais características em : http://www.icn.pt/pnc_flora_perigo/page2.htm

Olhar

Um moiro de trabalho, mas manso no olhar.
Foto: João Costa

aromas e espinhos

Opuntia ficus-indica ( Foto: João Costa)

Aproxima-se o tempo dos figos -da- Índia ou figos palmeiros. Estes exemplares, fotografados em Moncorvo, estão na maturação ideal para serem consumidos - nem muito verdes, nem muito maduros. Entretanto deve-se ter muito atenção a um sem número de minúsculos picos/pêlos que se podem cravar na pele. Por isso há que lhes retirar a "casca" com a ajuda de uma faca e de de um garfo. É mais uma lição da natureza a alertar-nos para os contratempos associados ao prazer e outros valores.

Os antepassados do blogue

Recortes da imprensa moncorvense

"Mais um que vem augmentar a lista dos correspondentes do Primeiro de Janeiro. / Causará certamente pasmo que Moncorvo tenha um correspondente, possuindo um semanario que apregoa urbi et orbe os seus feitos! É que o Moncorvense nem tudo diz; e é por isso que Moncorvo necessita de quem o represente lá fora /.../". ( "PJ", 1895.09.21, p. 1, c. 5 )

"Vai suspender definitivamente a publicação o Moncorvense, e espera-se a fundação d' outro semanario, intitulado Jornal de Moncorvo". ("PJ", 1895.09.27, p. 1, c. 5)

"É esperada com anciedade a apparição do Moncorvo /.../".("PJ", 1896. 10. 07, p. 1, c. 4-5 )

Aparecimento do primeiro número do jornal "Moncorvo" ("PJ", 1897. 04. 03, p. 1, c. 5 ) (Moncorvo, Achilles Democrito)

"Julga-se ter acabado a publicação do Jornal de Moncorvo / .../" ("PJ", 1898.07.02, p. 1, c. 5-6)

"Esteve um dia entre nós o laureado poeta Guerra Junqueiro"; "A Lei, um novo jornal, deve apparecer dentro de poucos dias". ( "PJ", 1898.07.29, p. 1, c. 6)

"Saiu na quinta-feira o novo jornal Torre de Moncorvo" ("PJ", 1900. 05. 05, p. 1, c. 3 )

Fonte: Hirondino da Paixão Fernandes, Bibliografia do Distrito de Bragança, in Revista Tellus, nº21,1993.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Das entranhas do Roboredo

Breves linhas do ferro na imprensa do século XIX

* "Jazigos de ferro de Roboredo" ("PJ", 1896. 06. 27, p. 1, c. 3 )
* "Saint-Hilaire, representante do Syndicat Franco-Etranger, pretende explorar uma grande parte dos jazigos de ferro de Moncorvo." ( "PJ", 1897. 06. 13, p. 2, c. 3 )

* "Um ingenheiro francez /.../ tem andado, desde o dia 9 do corrente, a proceder aos primeiros trabalhos graficos de um traçado para o caminho de ferro, de via reduzida, que deve ligar aquella villa e o monte Roboredo com a linha ferrea do Douro, e que é destinado ao transporte do mine rio d' esse monte e do cabeço da Mua". ("PJ", 1898.03. 05, p. 1, c. 4-5)

* "Traçado da linha férrea para a exploração das mina de ferro."(“PJ",1898.03.20, p.1,c.2)

* "Terminaram os trabalhos do estudo da linha ferrea para a exploração das minas do Roboredo" ("PJ", 1898.04.06, p. 1, c. 4-)

* "Esteve entre nós o sr. Saint-Clair, arrematante das minas de ferro do Roboredo, tendo regressado ao Porto" ("PJ", 1898.06.08, p. 1, c. 5)

* "Partiu o sr. Saint-Clair para o Porto. Volta em Agosto".("PJ", 1898.07.02, p. 1, c. 5-6)

* "Enviados pelo governo, acham-se n' esta villa alguns ingenheiros para proceder á demarcação dos terrenos mineiros do Rovoredo. O sr. de Saint­Clair, concessionario das minas, chegou hoje /.../”. ( "PJ", 1899.03.09, p. 1, c. 5 )

* "Já aqui estiveram mais alguns ingenheiros em commissão d' uma casa importante de Londres. Visitaram por vezes os jazigos ferriferos de Reboredo, levando algumas amostras de minerio".("PJ", 1899.04.01, p. 1, c. 2)

* “Saint-Clair já arrendou casa nesta vila.” ("PJ", 1899. 04. 02, p. 1, c. 2),

* "Nos trabalhos das minas do Roboredo andam já uns 80 homens e continua a ser admittida gente". (PJ", 1899.04.21, p. 1, c. 3-4)

* "No Roboredo (minas) trabalha actualmente um grande numero de homens". ("PJ", 1899.05.27, p. 1, c. 3)

Fonte: Hirondino da Paixão Fernandes, Bibliografia do Distrito de Bragança, in Revista Tellus, nº21,1993.

Nota: Depois de descer ao interior da alma com " Stabat Mater" de Rogério Rodrigues, tive que viajar ao interior da terra, com estas linhas da história de Moncorvo.

Stabat Mater...

Mãe, não me lembro dos teus olhos.
Mãe, só me lembro do teu olhar.
Do esquecimento do tempo já não sei
os anos. Exaustos fixamos o futuro
com tantas amarguras do passado
que o sorriso é a última flor
que apertamos de mãos dadas
numa indiscreta ilusão. Somos dois
como “sino dolente na tarde calma”.
Vestimos as palavras com trajes decentes
não vá o futuro pesar-nos na memória.


Mãe, quantos dos ecos não respondem à voz
apenas falsos simulacros do que quisemos
dizer? Não ligues, mãe, ao som do pássaro
desavindo com os seus. Errante ao crepúsculo.


Qualquer dia faz anos que a morte nos
ensombrou. Qualquer dia é sempre
um dia em que não sabemos porque
esse dia foi. Esperei esmagado que
os mortos ressuscitassem. Vem aí
o frio. Mãe, aconchega-me no teu
regaço flácido, como se houvera ainda
esperança que a neve nos tornasse
puros e isentos da morte do futuro.

Mãe, não me olhes como se não olhasses.
Deixo nas tuas mãos a última mágoa
de não ter sido feliz. Fui justo para contigo, Mãe.

Convite - Exposição

Exposição "35 anos de Torre de Moncorvo"

Uma viagem de 35 anos, cheia de gente que já não está e de outra que regressou. Moncorvo visto pelo olhar de Assis Pacheco, vindo de Lisboa, de Rogério Rodrigues, da terra, mas exilado na cidade, e da palavra, sempre lúcida, do Afonso Praça do Felgar, a coberto do olhar fotográfico do Leonel Brito, também da terra, mas exilado no Alentejo. Uma exposição de encontros, de memória, mas um itinerário das transformações ocorridas, em 35 anos, no nosso concelho. Hoje melhor do que ontem; amanhã, por certo, melhor do que hoje.
Esta exposição traça um percurso, desde a terra batida à derivação do IP 2 e força-nos a pensar e a reconhecer quanto estes 35 anos mudaram a paisagem e os costumes de Moncorvo.


Reportagens: “Moncorvo Zona Quente em Terra Fria ”, no jornal “República”, Março de 74 ; “Moncorvo, o Futuro não tem Pressa”, em “O Jornal” , Fevereiro de 84;
“ Moncorvo o Presente, ao menos”, Junho de 09.
Documentários: “Estevais Ano Zero”, Junho de 75 ;
“Velhas Profissões” (Lagar da Cera, o Moleiro, a Tecedeira, o Oleiro), Setembro de 75; “Encomendação das Almas no Nordeste Transmontano” , Abril de 1979.
300 fotografias e fotogramas de 74 a 09.

terça-feira, 16 de junho de 2009

I Festival de Migas e Peixes do Rio

O I Festival de Migas e Peixes do Rio decorre já nos próximos dias 18, 19, 20, 21 de Junho, na Praia Fluvial da Foz do Sabor. A sessão de abertura realiza-se quinta-feira, dia 18 de Junho, a partir das 18 horas e contará com a presença dos dirigentes da ACIM e da Douro Superior Associação de Desenvolvimento.
Durante o Festival, os visitantes têm a oportunidade de provar os diversos pratos confeccionados com migas e peixes do rio e podem participar nos mais variados concursos: pratos de peixe e desenho para os mais novos.
No dia da abertura a animação fica a cargo de Quim Barreiros e nos restantes dias são os grupos da região, como a Escola Sabor Artes, Banda Filarmónica de Carviçais, Banda Filarmónica de Freixo de Espada à Cinta e Rancho Folclórico e Infantil de Vila Nova de Foz Côa que vão animar o Festival.
No dia 20 realiza-se o concurso de pesca com início às 08h30m.
Os visitantes podem ainda participar num cruzeiro do Pocinho até à Foz do Sabor, no dia 19 de Junho, às 11h30, e durante os quatro dias usufruir de passeios de gaivotas, barco e bicicleta.
O I Festival das Migas e do Peixe do Rio, organizado pela Douro Superior em parceria com a Associação de Comerciantes, tem como finalidade promover os pratos de peixes do rio e migas, que são uma tradição no Douro Superior.
A entrada no festival é gratuita e o custo médio de uma refeição é de 10 euros.
Fonte: Nota de Imprensa de "Douro Superior Associação de Desenvolvimento"

Festa de Santa Leocádia - 1979

Foi há 30 anos...
Procissão da festa de Santa Leocádia, pelo caminho de trás-da-serra desde o S. Lourenço, no dia 10.06.1979:




Fotografias gentilmente cedidas pela moncorvense D. Adelaide Amaral Félix, a quem agradecemos.
Aproveitamos para lançar um desafio para quem pretenda identificar as pessoas que vão na procissão, além do Padre Sobrinho (que está na mesma!). Alguns dos aqui presentes, infelizmente, já nos deixaram...

Festa de Santa Leocádia - 2009

Decorreu nos passados dias 9 e 10 de Junho a tradicional festa de Santa Leocádia e S. Bento, junto da antiga capelinha situada num ponto alto da serra do Roborêdo, mesmo sobre a vila de Torre de Moncorvo.
Actuação da banda do Felgar, durante a missa campal (foto de Luís Lopes/Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo)
Apesar das ameaças de trovoada o povo acorreu em grande número e reinou a animação, com um programa recheado de actividades, no plano religioso, gastronómico e musical.
Momento da procissão, por detrás da serra, desde o S. Lourenço até à capela de Santa Leocádia e S. Bento (foto de Luís Lopes/Junta de Freg. de T. Moncorvo)
No corrente ano o acesso foi mais facilitado para viaturas ligeiras, pois a estrada para a capela de Santa Leocádia/S. Bento foi recentemente asfaltada.
Durante a missa campal, vendo-se atrás a imagem de S. Bento (foto de Luís Lopes/Junta de Freg. de T. Moncorvo)

Já há um ano atrás aqui fizemos uma descrição suficientemente ampla desta festividade, pelo que não nos alongaremos mais. Basta ver: http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2008/06/torre-de-moncorvo-festa-de-santa.html ; e também: http://torredemoncorvoinblog.blogspot.com/2008/06/festa-de-santa-leocdia-ii-procisso.html

Houve animação musical nocturna, por vários artistas e conjuntos locais (foto Luís Lopes/Junta de Freg. T. Moncorvo)


A organização deste evento pertenceu à Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo, entidade proprietária desta vetusta capela, que, apesar de modernizada, remontará ao séc. XVII ou XVIII. Por este motivo, e dado o belo enquadramento do local, o qual constitui um belíssimo miradouro sobre a vila (agora com o acesso facilitado, como dissémos), questionamo-nos sobre o aspecto algo inestético do grande palco erigido ao lado da capela. Porque não uma estrutura amovível?

Recomeçar

Nunca é tarde para recomeçar, quando um recomeço representa uma partilha de conhecimento e aprendizagem. O código genético deste blogue assentou sempre na partilha, interclassista e intergeracional. Na tolerância que o habita, jamais se perguntou a alguém o seu credo político ou a sua crença religiosa. Nem prosélitos nem militantes. De e para Moncorvo apenas. O que nos assiste é Moncorvo, não como um espaço mítico, mas como o nosso espaço, em tempo de Luz ou em tempo de Trevas, seja para os que o habitam, seja para aqueles que aqui nasceram. Não é um espaço de nostalgia nem de revivalismo, tão somente um espaços de encontros e memórias vários. E todos são importantes, não sendo estabelecidas hierarquias desde os profundos conhecedores de informática até quem fotografa e nos transporta e nos envolve na beleza fixada e até àquele que nos mergulha em memórias partilhadas. Moncorvo é mais do que nós, porque é uma das nossas referências, nos momentos de felicidade mas também nos momentos de melancolia. Faz parte do nosso tempo, seja o de ontem, seja o de hoje. Estou certo que nenhum dos colaboradores --é minha convicção profunda-- está neste blogue que não seja por motivos de afecto e procura de um Moncorvo que a todos nos marcou e continua a marcar. Moncorvo como concelho, do passado ao presente, é o nosso espaço, a nossa geografia sentimental. Todos os que aqui viajam não são náufragos, nem pilotos. Antes passageiros de um barco, informaticamente bem dirigido, que resiste aos séculos, no qual navegamos descobrindo novas paisagens e novas gentes. Atingir a simplicidade é uma das procuras mais complexas da vida. Recomeçar. Recomecemos,pois.

Da leitura e da escrita

O livro, seja em que tempo for, mesmo na era do virtual, onde o audiovisual assume particular importância, será sempre um factor de desenvolvimento psicológico, e até social, para o ser humano. Ele, o grande acumulador de cultura, há-de ser sempre a fonte do verdadeiro saber e musa inspiradora para outras obras, quer literárias, quer visuais, e até plásticas. Aliás, as grandes obras da sétima arte, que povoam as nossas memórias, têm, quase sempre, origem em grandes obras literárias, onde a palavra se associa em milhentas combinações para criar milhentas imagens, mas que, por mais versátil que o cineasta seja, nunca as há-de conseguir captar na sua totalidade, o filme não será mais que a sua visão da obra, nunca será capaz de captar o entusiasmo e a leitura de um outro qualquer leitor, de um qualquer espaço, de um qualquer tempo. Assim, no meu entender, a palavra escrita, esteja ela num e-book, ou impressa em pasta de celulose, continuará a registar as novas descobertas da ciência, a elencar as listas de compras que é necessário não esquecer no supermercado, a descrever as mais fantásticas viagens siderais, continuará a exaltar consciências e a transportar-nos para outros mundos imaginados, que, muitas vezes, acredito nem serem aqueles que o autor quis descrever, porque as palavras têm mil significados e quem lê também recria.Diz-se que escrever é ler duas vezes, mas essa simples correspondência matemática de 1 para 2, que esse rifão enuncia, é pequeno para declarar a grandeza da escrita e da leitura. Escrever é muito mais que isso, é deixar que os personagens adquiram vida, é deixá-los percorrer espaços mais ou menos imaginados e, ao fazê-lo, deixar que os vejam, os cheirem e os sintam. Escrever é dar-lhe nome, cara, encher-lhe a alma com sentimentos, paixões, contradições, paradoxos, frustrações e alegrias. Escrever é projectarmo-nos no papel, ultrapassarmo-nos, é ser curioso e corajoso intelectualmente, é ter uma janela que abre em dois sentidos: para nós e para o mundo. Ler é ser verdadeiramente humano, é ser capaz de associar os múltiplos sentidos das palavras, é viajar sentado nas asas da imaginação por sítios mais ou menos conhecidos, é recuar em épocas mais ou menos distantes, é viajar no futuro, é crescer.Então, se ler é crescer, o postulado atrás enunciado também aqui se aplica. Quem escreve ou lê cresce múltiplas vezes. Cresce porque aprende a conhecer-se e a abrir os olhos para o mundo que o rodeia. Cresce porque aprende a construir-se, a tornar-se homem ou mulher. Desta forma saudável, está a robustecer-se para a vida, está a tomar as vitaminas, o flúor que o hão-de manter saudável e torná-lo-ão cidadão responsável. Quem escreve, sabe que não é na prepotência que se cria, é na humildade do trabalho que tudo nasce. Não tenho artes de adivinho, mas sei que nós somos o reflexo do passado, e porque assim é, iniciativas como esta hão-de dar frutos, acreditem, quem aqui teve a coragem de se dar a conhecer, não mais o esquecerá ao longo da vida. Não mais olvidará que, um dia, teve a audácia de se dar a conhecer sem medos nem receios. Não mais esquecerá que um dia se libertou, quebrou amarras, destravou a língua, gritou, ou sussurrou palavras aos ouvidos da namorada ou namorado à frente de todos.


Olá! Como desconheço os e-mails dos responsáveis deste site, esta foi a forma encontrada para entrar em contacto. O texto foi escrito para prefácio de um pequeno livro de uma das turmas da E. S. Moncorvo. Não fiz adaptações. Porque não publicá-lo em mais um tópico? É o meu contributo para este site. Abraço.Aí vai.

António Sá Gué
Imagem: Real Gabinete Português de Leitura - Rio de Janeiro ( João Costa)

A música do tempo

Pormenor de um fresco na Ermida da Senhora da Teixeira ( reportagem fotográfica em 25 /3/2005).

Para que esta música alada se mantenha, há que lutar contra as garras do tempo que também se alimenta de "frescos".

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quem espera sempre alcança


Enquanto aguarda estoicamente, a natureza retribui.
Obrigado!

sábado, 13 de junho de 2009

as palavras e as pedras


Permitam-me a liberdade de colocar no frontespício do blogue um painel de trabalho, arte e de recolhimento. Este rústico labor de suor e paciência esconde a Ermida da Senhora da Teixeira, mas, como ela, lança-nos o olhar para a verdadeira essência.
Se atentarmos ao muro, como as pedras nos ensinam a beleza da simplicidade!

Façamos deste espaço um encontro de Moncorvo.
Sintam-se em casa!

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