Feita por Deus.
As Quintas são a promessa
Encarnada na Virgem.
As Quintas são o Cristo vivo
Errando, subindo aos Montes sagrados.
Sagrados e delegados a Ti…
Num esboço de pequeno poema sem data, estas eram as minhas Quintas (do Corisco) ao longe, muito longe a partir de Évora nos recuados tempos da Universidade, em finais dos anos 80.
Em poema datado de 1-5-1989, também germinado na planície do sempre saudoso Alentejo, alargo a minha reflexão e a necessidade de identidade, ou melhor, de identificação a um Trás-os-Montes que não conheço na totalidade. Tal como o Malapeira de Outros Contos da Montanha, quando deixei as fragas havia ainda muito por desbravar nessas terras. E ainda há!...
Minha Terra, Minha Gente
Terra bravia agreste
Gente vulgar e rude
Que caminha nos penhascos
Como a sombra do sol.
Terra mirrada e seca
Seiva no fundo plantada
Cola seus pés às raízes
Como o luar à noite.
Terra da viva saudade…
Continuo, pois, a falar do todo a partir do Eu e das Quintas para Trás-os-Montes. Ou como diria o meu querido ilustre transmontano e cidadão do mundo Miguel Torga, apesar de numa escala mais reduzida: “O universal é o local sem paredes”.
Projecto que lhe pairava na ideia desde os bancos da universidade, Outros Contos da Montanha, aos quais já me referi, foram sendo protelados por outros poemas de muita saudade e angústia, cujo desejo de regresso adiado se repetia no tema. Quando neste mês de Agosto passar pelos Lombinhos vai certamente ter sensações idênticas que não vale a pena aqui relembrar. Terá aí durante uns dias a recompensa do filho pródigo torna-viagem. Contudo, do alto dos Lombinhos vai o Contador de histórias recordar-lhe a cada momento que aquelas gentes que habitam o lugar não estão de férias e que precisam de um AUTOCARRO com rodas e volante que os ligue à vida. Quase todos entre a casa dos 60 e dos 100 anos, os Malapeiras, os Manéis das Vacas e os descendentes das Grabulhas precisam agora muito de ir à Vila ao doutor, à botica e as pensões nem sempre esticam!...
Deixa-vos o Contador de histórias nestas linhas um final feliz, que se espera contagiante:
“Ela morreu realmente ali. Os seus ossos descansam no alto dos Lombinhos onde a torga, a carqueja, a giesta, a esteva, o alecrim, a bela-luz e o rosmaninho lhe aromatizam a sepultura, os pinheiros lhe fornecem a sombra e a abrigam da chuva e os pássaros a entretêm com a sua cantilena. Do alto da lomba, posição estratégica que escolheu em vida, vigia os que na Granja seguem a sua utopia (reabilitar a comunidade gregária da Granja), enquanto como guardiã da fronteira da Granja com o mundo avalia friamente o transeunte.” (Isabel Mateus, in Outros Contos da Montanha)
Cândida Monte






























