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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Poemas e outros

As Quintas são a criação
Feita por Deus.
As Quintas são a promessa
Encarnada na Virgem.
As Quintas são o Cristo vivo
Errando, subindo aos Montes sagrados.
Sagrados e delegados a Ti…

Num esboço de pequeno poema sem data, estas eram as minhas Quintas (do Corisco) ao longe, muito longe a partir de Évora nos recuados tempos da Universidade, em finais dos anos 80.
Em poema datado de 1-5-1989, também germinado na planície do sempre saudoso Alentejo, alargo a minha reflexão e a necessidade de identidade, ou melhor, de identificação a um Trás-os-Montes que não conheço na totalidade. Tal como o Malapeira de Outros Contos da Montanha, quando deixei as fragas havia ainda muito por desbravar nessas terras. E ainda há!...

Minha Terra, Minha Gente

Terra bravia agreste
Gente vulgar e rude
Que caminha nos penhascos
Como a sombra do sol.
Terra mirrada e seca
Seiva no fundo plantada
Cola seus pés às raízes
Como o luar à noite.
Terra da viva saudade…

Continuo, pois, a falar do todo a partir do Eu e das Quintas para Trás-os-Montes. Ou como diria o meu querido ilustre transmontano e cidadão do mundo Miguel Torga, apesar de numa escala mais reduzida: “O universal é o local sem paredes”.

Projecto que lhe pairava na ideia desde os bancos da universidade, Outros Contos da Montanha, aos quais já me referi, foram sendo protelados por outros poemas de muita saudade e angústia, cujo desejo de regresso adiado se repetia no tema. Quando neste mês de Agosto passar pelos Lombinhos vai certamente ter sensações idênticas que não vale a pena aqui relembrar. Terá aí durante uns dias a recompensa do filho pródigo torna-viagem. Contudo, do alto dos Lombinhos vai o Contador de histórias recordar-lhe a cada momento que aquelas gentes que habitam o lugar não estão de férias e que precisam de um AUTOCARRO com rodas e volante que os ligue à vida. Quase todos entre a casa dos 60 e dos 100 anos, os Malapeiras, os Manéis das Vacas e os descendentes das Grabulhas precisam agora muito de ir à Vila ao doutor, à botica e as pensões nem sempre esticam!...
Deixa-vos o Contador de histórias nestas linhas um final feliz, que se espera contagiante:
“Ela morreu realmente ali. Os seus ossos descansam no alto dos Lombinhos onde a torga, a carqueja, a giesta, a esteva, o alecrim, a bela-luz e o rosmaninho lhe aromatizam a sepultura, os pinheiros lhe fornecem a sombra e a abrigam da chuva e os pássaros a entretêm com a sua cantilena. Do alto da lomba, posição estratégica que escolheu em vida, vigia os que na Granja seguem a sua utopia (reabilitar a comunidade gregária da Granja), enquanto como guardiã da fronteira da Granja com o mundo avalia friamente o transeunte.” (Isabel Mateus, in Outros Contos da Montanha)

Cândida Monte
Texto: Isabel Mateus

domingo, 12 de julho de 2009

Foz do Sabor

Uma sugestão para estes acalorados dias de Julho: o ponto onde o Sabor e o Douro se abraçam...
Neste lugar tranquilo, sombreado por frondosas árvores, pode fazer um piquenique familiar, ou, numa tarde domingueira, "saborear" (já que de Sabor se trata) a leitura tranquila de um bom livro... ou aproveitar para tirar umas fotografias com a respectiva cara-metade... ou dar uma passeata de barco...

... ou ainda tomar uma bebida fresquinha no Bar da Praia da Foz do Sabor, na esplanada alta de onde se avista a caprichosa curva que o Douro descreve, rodeando o monte Meão... Ah, e o atendimento é simpático, eficiente e de sorriso encantador... parecerá que está em Cancun, mas sem o perigo de mexicanas gripes (a señorita, apesar de parecer índia navajo, é portuguesíssima, do vale da Vilariça)...

... mais uma nota de tranquilidade azul: um dos últimos barcos típicos do Douro, dos peixeiros que do rio fazem saltar as encantadoras boguinhas e excelsos barbiscos e que, depois de passarem pela sertã, fazem as nossas delícias, bem regados pelos preciosos néctares desta região...
Fica a nossa proposta. Garantidamente umas férias de luxo!
Ah, pode levar tenda e acampar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Insónia

Cinco da manhã. Mais coisa menos coisa.
Ainda o galo não tinha cantado, já o rapaz andava às voltas na cama.
Acordar precoce?...
Há dias assim. Então o melhor é aproveitar.
Em vez de ficar à espera do sono que teimava em não regressar, levantou-se e foi desfrutar um momento mágico: o nascer de um novo dia.
Já na varanda olhou para o recorte da vila. A máquina fotográfica estava ali ao lado a pedir uso. Colocada no tripé fez o serviço que lhe competia.
O rapaz, esse, ficou sentado a contemplar. Não sei se em êxtase, se em notória falta de umas quantas horas de sono reparador.

Mas que foi bonito, lá isso foi.

Ora vejam lá.
E ouçam, se puderem.

Bom dia!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mérito Cultural e Científico

João P.V.Costa, nascido em Alpendorada, com forte ligação a Moncorvo e colaborador neste blog, foi recentemente distinguido com a Medalha de Mérito Cultural e Científico do Município do Marco de Canaveses, Classe Prata. A Sessão solene realizar-se-á no dia 18 de Julho, às 11 horas, no Largo Sacadura Cabral, em frente ao edifício da Câmara Municipal.
Lembra-se que uma das suas obras - " Alpendorada e Matos -Península de História" apresenta o prefácio de Nelson Campos.
Estão todos convidados

terça-feira, 7 de julho de 2009

Amêndoas de brincar


Enquanto se aproxima a apanha da amêndoa, vem à memória, por entre o calor estaladiço das cigarras e a chuva de piolhos das amendoeiras, os suaves brinquedos de infância doados por esta árvore.

As amêndoas geminadas eram os calções utilizados para os bonecos ou bonecas.


A rela ou arraioco, geralmente construído com uma noz, também se fazia com uma amêndoa. Deste brinquedo nasceria, talvez, o yo-yo.

Numa grande variedade de assobios feitos a partir de caroços de frutos ( azeitona, pêssego, damasco...) também a amêndoa serve para dar uma assobiadela.

José Lopes (1930-2000)


Hesitei em escrever este post, por não saber se será oportuno, depois de tão belos momentos de escrita e imagem, que têm passado por aqui. Porém, devido a um repto de um leitor, na sequência de um post anterior (ver "Em Moncorvo"), aqui deixo umas linhas sobre autor do poema.

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José Lopes nasceu em 1930, em Cerejais. Durante a sua infância residiu nos Cerejais, Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo (num breve intervalo) e principalmente no Porto. Com cerca de 10 anos, a sua mãe falece de doença prolongada. É a partir desta data que se inicia na poesia. Para agravar, o seu estado de saúde foi, até à idade adulta, bastante frágil. Conclui o Liceu no Porto, e acaba por ingressar na Faculdade de Letras em Coimbra, no curso de Histórico-Filosóficas. O seu interesse fundamental é a Filosofia, terminando a licenciatura em meados dos anos 50, depois de uma vida académica muito animada e onde adquiriu e cultivou várias amizades. Ingressa no Ensino Liceal, leccionando História e Filosofia, passando por vários liceus do Norte do País.

Durante esta fase da sua vida, a sua relação com Moncorvo é bastante intensa, particularmente nas férias, onde conta com um grupo bastante extenso de amigos. A sua boa disposição, dinamismo e iniciativa, leva-o a organizar ou participar em várias actividades, nomeadamente no Carnaval, ou nos espectáculos do Cine-Teatro. Aqui, conhece a sua grande paixão, Alice, natural e residente em Moncorvo, que morre ainda jovem. Este acontecimento que marca-o indelevelmente, levando-o a tomar luto vitalício e a queimar a maior dos seus poemas e escritos.

No início da década de 60 decide ir viver para Lisboa, aí terminando a sua carreira profissional em 1997. Nesse mesmo ano, decide regressar a Trás-os-Montes, vindo residir para Moncorvo. Faleceu no dia 13 de Janeiro de 2000.

A sua personalidade, em traços breves pode-se caracterizar por ser, em primeiro lugar, uma pessoa extremamente autónoma e independente. Por outro lado, foi sempre um pensador e humanista. Na intimidade era bastante reservado, sério e leal; já em termos sociais, era extremamente extrovertido, simpático e dinâmico. Escrevia continuamente, ocultando sempre os seus textos. Escreveu vários romances, poemas e contos, que nunca quis divulgar, por os considerar de qualidade inferior. Era também um cinéfilo extraordinário, e profundo amante das tecnologias.

Em suma, José Lopes é só mais um moncorvense, como tantos outros, conhecido no seu tempo, e que poderá passar olvidado para a eternidade.

(Fotografia: Arquivo Particular)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Esporas



Esta planta ( Delphinium ajacis) espontânea , que na sua beleza rivaliza com as do jardim, ainda pode admirada nas bermas dos caminhos.

A torre da Teixeira

Ermida da Sª da Teixeira
( Maio de 2005- J.Costa)

domingo, 5 de julho de 2009

Felgar - destino perfeito



O Expresso de ontem (04.07.2009) fez-se acompanhar de um "Mapa do Ar Livre - Norte Centro".

Entre várias sugestões, aponta para "Os dez melhores espaços ao ar livre para..." e enumera um conjunto actividades: fazer um piquenique, acampar, levar os miúdos, namorar, andar de bicicleta, nadar, escalar, correr, e outras.

Um dos de destinos perfeitos para se visitar acompanhado e namorar é o Felgar.

É interessante ver a nossa aldeia referenciada como um local aprazível.

E não mentem. Garanto eu!
Bora lá, até ao Felgar!!!





sábado, 4 de julho de 2009

Uma canção do Zeca Afonso

Ao ler Os Dias Loucos do PREC , de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, edição em parceria do Público e Expresso , encontrei, com alguma surpresa excertos de uma crónica minha de que já mal tinha memória e de que não guardo o original ou qualquer cópia, uma crónica, dizia, sobre uma tal Teresa Torga que deu origem a uma célebre canção do Zeca Afonso. Já me tinha esquecido. Deixo-vos esta surpresa, para mim próprio também surpresa, copiando o que estes dois jornalistas foram buscar nos arquivos do Diário de Lisboa. Gostaria de referir que trabalhei durante anos com o José Pedro Castanheira em O Jornal e durante alguns anos com o Adelino Gomes no Público. Aqui fica o registo que pode ser lido na página 107/8 do citado livro.

"Quarta.feira, 7 Maio 1975 'Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?'
(...)
"No DL, R.R. ((Rogério Rodrigues) conta a história de uma mulher " de que não se conhecia o nome" , que ontem, às quatro da tarde fazia streap-tease enquanto dançava, ao centro do cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro.
"Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram 'uma baixeza moral', investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina (...)Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteita à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa.'Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes'.Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam".
"Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?", interroga-se o jornalista, que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamento no Júlio de Matos, "mudava discos no pick-up" de uma boite de Benfica.
Usava o nome de Teresa Torga " porque há um escritor que se chama assim" e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadr do Matadouro.
Zeca Afonso lê a crónica, magnífica, põe-lhe notas e voz, e imortaliza-a."

No centro da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua

(...) Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga

Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela

T'resa Torga, T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha.

José Afonso, Teresa Torga
in álbum "Com as minhas tamanquinhas", 1976


Adenda: Tenho pena de não ter comigo a crónica completa, mas eu raramente guardo os meus trabalhos. Por vezes, envio-os a amigos meus, com a esperança de se não perderem e como das poucas coisas que eu posso oferecer a quem tenho afecto. Espero que não me levem a mal e não julguem que este registo é para me sentia a bem comigo mesmo. Não passa de um registo. Apenas isso. Sem mais importância do que isso. Na altura desta crónica, eu era responsável no Diário de Lisboa pelo sector de Educação a cujo Ministério ia procurar notícias ( hoje são as notícias que procuram os jornalistas)... O Ministério da Educação ficava, como fica, na Cinco de Outubro. Não sei se trouxe alguma notícia do Ministério. Mas sei que fiz uma crónica. E aqui tenho o exclusivo. Era o único jornalista presente.

Dr.José António de Sá, Corregedor da Comarca de Moncorvo


No ano de 1790 Moncorvo era cabeça de comarca.
Por nomeação régia era então Corregedor da comarca o Dr. José António de Sá,natural de Bragança, doutor em leis pela Universidade de Coimbra em 16 de Maio de 1782. Tinha decidido dedicar-se à magistratura e esse era o seu primeiro cargo.
Seria depois desembargador da Relação do Porto, superintendente geral das Décimas da Corte e do Reino (cargo este que exerceu na sua própria casa de onde despachava) e superintendente geral das Décimas de Lisboa e seu termo até falecer, o que sucedeu em Lisboa, na sua quinta do Pinheiro a Sete Rios em 14 de Fevereiro de 1819.
Foi também juiz conservador da Real Companhia e director da Real Fábrica das Sedas e Águas Livres, conselheiro honorário da Fazenda e ainda cavaleiro professo da Ordem de S.Tiago da Espada e sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa.
A vida deste notável personagem cruza-se com a história de Moncorvo numa altura em que a vila detinha uma predominância económica e jurídica, em função de algum desenvolvimento agroflorestal e também de alguma indústria, nomeadamente a da seda . Foi um período de notório desenvolvimento, a merecer talvez um estudo aprofundado.
O Corregedor Dr. José António de Sá encontrou uma série de desvios de poder e ilegalidades que minuciosamente descreve nesta Memória, para além da miserável situação do povo, assoberbado com prepotências e arbitrariedades de toda a ordem. Em particular os lavradores eram explorados e até vexados, quer pelos senhorios, quer pelos poderes locais , para além do peso insuportável das contribuições régias, eclesiásticas e senhoriais.
Trata-se de um documento de grande profundidade e até de grande coragem cívica, o qual merece toda a atenção. Nele refere o Dr. José António de Sá “as maiores violências que eu não acreditaria se as obrigações do meu cargo mas não fizesse ver meudamente”.
Aponta o erro e de seguida aponta a correição, num intuito moralizador e de respeito pela justiça, pela sociedade e pela Lei.
É uma figura quase ignorada da história de Moncorvo, mas exemplar.
E talvez muito actual.

Texto completo em:




http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/6066.pdf


Fontes:


Fernando de Sousa . Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 51-56,1974.


Dicionário Histórico, Corográfico,Heráldico, Biográfico,Bibliográfico,Numismático e Artistico,vol. VI,429-430, ed. electrónica Manuel Amaral, 2000-2009.


Teatro #2



Alguém disse que gostava que o encenador viesse à boca de cena.


E veio.


Aqui vai a equipa (quase) completa.



Da esquerda para a direita:

Manuela Costa - Encenação.
Marilú Brito - Cristina.
Mizé Camelo - Hortigosa.
Américo Monteiro - Encenação e Compadre.
Esperança Moreno - Lourença.
Camané Ricardo - Canizares.
Belinha Lapa - Figurante e ponto.
Paulo Medeiros - Galã.
Rafaela Ferreira - Figurante.
Beto Mesquita - Som.
Nando Barreto - Luz.

Não estão na imagem:
Sílvia Cabeleireira - Caracterização.
Luísa Ferreira - Bastidores e bilheteira.
Claudia Martins - Ponto.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Teatro

O Grupo de Teatro Alma de Ferro apresentou hoje de novo "O Velho Ciumento".

Um aplauso.
Longo.

Merecem!!!






quarta-feira, 1 de julho de 2009

Moncorvo na Cartografia Antiga

Em 2005, no decorrer de um trabalho sobre a viária da região de Moncorvo no séc. XVIII, fui parar ao site da Biblioteca Nacional - fundo Cartográfico. Aqui encontrei um conjunto bastante vasto e interessante de mapas (entre o séc. XVI e XIX) com referência a Moncorvo.

Como se pode ver, estes nossos antepassados ainda não tinham conhecimentos perfeitos de geodesia porém, como sabemos, foram os pioneiros da cartografia mundial. No caso vertente as suas representações são um pouco imprecisas. Mas o que é fundamental é que já representam várias localidades, rios, montes e, por vezes, caminhos. Outro aspecto importante é que nem sempre os mapas estão orientados para Norte, como é habitual nos nossos dias (ou seja, há alguns mapas desnorteados!).

Ficam aqui algumas dessas representações, que em alguns casos ampliei, dando destaque ao sul do Distrito de Bragança e início das Beiras. Para quem estiver interessado em aprofundar este tema é só consultar o site da Biblioteca Nacional Digital - http://www.bnportugal.pt/.


1 - The Kingdom of Portugal ... (1794)

2 - Portugalliae que olim... (157...)


3 - Carta geographica do reyno ... (1763)


4 - Atlas Portatif... (1698)

(clique nas imagens para visualizar melhor)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Epidemias



No espólio de meu Pai (muitos manuscritos, sobretudo poemas, fotografias, recortes de imprensa e outras coisas de índole pessoal), encontrei este registo que data de 1929. O conjunto, escrito num formato jornalístico e de cuidada caligrafia tinha ele 20 anos, e que intitula de "Cópias das notícias remetidas à secção regionalista do Diário de Notícias", reporta uma epidemia de gripe que efectivamente ocorreu nesse ano e teve , pelos vistos, reflexos na recôndita aldeia de Urros. Em Urros vivia então com os meus Avós ainda antes de se casar e fixar depois em Moncorvo.
Numa altura em que tanto se fala de uma nova epidemia de gripe, achei curioso divulgar este documento que, para além do seu valor sentimental que peço me relevem , traduz talvez uma sonhada vocação jornalística nunca concretizada...

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 9

Vista da Corredoura, num dia de neve, do longínquo ano de 1894. Ao centro vê-se a capela de S. Sebastião (Esta foto foi tirada pelo Padre Adriano Guerra, um dos pioneiros da fotografia em Torre de Moncorvo, tendo-nos sido cedida uma reprodução pelo Dr. Carlos Seixas - original em poder da família)


Só já nos falta um pequeno troço por trás da capela de S.Sebastião, em direcção ao Terreiro e à casa dos Mirandas: numa moradia bonita de rés-do-chão ( para arrumações e adega) e 1º andar, viviam o Sr. Todú e a esposa , a D. Alcina. Tinham duas filhas, mais ou menos da minha idade, a estudar fora de Moncorvo, num colégio interno, À esquerda havia um portão que abria para um pátio com uma casinha pequena onde morou a Tia Marquinhas Gata e depois a filha Teresa Gata com o marido e filhos. Pegada a esta, noutra casita também muito pequena viveu outra filha da Tia Marquinhas: a Adélia Gata e a família. À direita da casa do Sr. Todú e com ela pegada ficava a casa do Tio Cordoeiro, pai da Beatriz Cordoeira, da Cecília e do Alberto. Seguia-se a casa da Tia Filomena Vilela, marido e filhos. Mais recuada, ficava a casa da professora D. Graciete Gregório que, dizia-se, era má como as cobras. Vinham então mais duas casas, uma de rés-de-chão, só com porta e sem janelas, em que moravam a Sra. Amélia e o Sr. Fidalgo, guarda republicano, e depois outra casa com rés-de-chão e 1º andar e com varanda para o Largo da Corredoura, para Os Olmos e para a Vila. Um luxo ! Aí moraram a Menina Idalina e o marido Sr. Alexandre Morais, mais conhecido por Alexandre Verde e aí nasceram os seus cinco filhos. Esta casa fazia esquina e, mais recuado, no canto, ficava um forno que ainda trabalhava em pleno. A forneira era a Tia Alexandrina Tótó.

Vamos agora ao começo do caminho para S. Paulo: à esquerda ficava a casa do Sr. Manuel dos Carros e da mulher, a Sra. Rosinha. Esta casa também tinha um cabanal onde o Sr Manuel trabalhava e onde ficava uma casita em que viveu a Tia Maria Escalda com os filhos Leopoldo e Germano. A seguir a esta, mas no caminho para a Nória, vivia a Tia Aida, mãe do Xico Alfaiate (casado com a Menina Judite Gregório). Por cima, a Palmira do Álvaro. Pegada à casa da Tia Aida ficava uma cortinha da Sra. Guilhermina Galo e lá no fundo era a Nória. Já quase na Fonte Carvalho, numa casinha dentro de um quintal, vivia o guarda republicano Sr. Redondo, com a mulher , a Sra. Marquinhas do Redondo e os filhos.

Creio que dei a volta completa. Mas a memória é muito traiçoeira. Deve haver inúmeras falhas... Peço, por isso, a quem se lembrar de mais moradores da Corredoura ou que ache que a sequência não é bem assim, o grande favor de chamar a atenção, para que os erros possam ser corrigidos.

a) Não deveremos esquecer que este ROTEIRO diz respeito àquela dezena e meia de anos, mais ou menos entre 1944/45 e 1959/60.

b) Sugiro que alguém parta desta data (1960) e continue até 1975 – 1980;

c) ... e de 1980 até 2000 ; etc.

Com um grande abraço a todos os Amigos e Conterrâneos e um abraço muito especial aos Corredourenses.

Por: Júlia Barros Ribeiro (BILÓ)

Nota: A foto de baixo mostra a zona do bairro do S. Paulo, a caminho da Fonte Carvalho, com o antigo campo de futebol ao fundo, à direita. Em primeiro plano, o olival do Santo Cristo (que deu lugar ao bairro do mesmo nome) e a esquina de um dos edifícios da Cooperativa. - Foto de Leonel Brito, anos 70.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 8

Grupo de crianças da Escola Primária da Corredoura, com a professora D. Isabel. Foto de 1926/27, segundo informação de D. Maria Antónia Brito Castilho (Arquivo Leonel Brito)

Quase no fundo, ainda do lado esquerdo, numa casa pobre, com uma escada de degraus altos e muito falsos, pois não tinha corrimão nem qualquer apoio para as mãos, morava a Tia Delmira, o marido e filhos. A seguir era a casa de uma tia minha, a Tia Permelívia (que morreu muito nova) onde viveu com marido, Abílio Amador, e os filhos. Atravessada a boca da Canelha, numa casa com um pequeno alpendre, morou a D. Arminda de Maçores, com as filhas Camilinha (mais tarde casaria com o Sr. Inspector Costa) e Dulce, enquanto elas frequentaram o Colégio. Depois viveram aí o Henrique Chanfana e a mulher, Alice.
Ladeando esta casa, entrava-se num pequeno largo onde ficava a casa da Tia Alcina Guino, mãe da Miss, do Rei, da Princesa, do LoboMano e ainda a casa dos Amadores, já de razoável construção. Seguindo por uma abertura ia dar-se ao Carrascal e aos inúmeros palheiros que então aí existiam.

Voltando para trás e subindo agora a Rua de Baixo, ficavam à nossa esquerda as casas da Cacilda Marialva e da Carminda Marialva, irmã e filha da Tia Marquinhas Marialva. Havia depois uma cortinha, a “Feitoria”, tratada pelo Tio Caetano e pela mulher. Tinha um poço de água para regas, um grande tanque e a maior laranjeira que já vi, com laranjas enormes e sumarentas, mas muito azedas. A Tia Lucinda Gamboa dizia que era do sabão com que se lavava a roupa no tanque e que ia para as raízes da laranjeira.
Depois da Feitoria era a casa da Tia Maria Carmacha, casada com o César Caçador que criava cães perdigueiros portugueses lindíssimos. Vinham caçadores de todo o lado comprar-lhe perdigueiros. E eu ficava perdida, horas seguidas a ver os cachorrinhos. O Tio César só me deixava fazer-lhes uma festinha, senão ficavam “morrinhentos”.
(Continua)
Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)
Nota: Excepto a fotografia do topo, as outras duas são de 1950 (informação de Leonel Brito, que as obteve de D. Maria Antónia Brito Castilho). Estes são os meninos da Corredoura (usando a expressão de Daniel de Sousa) de outros tempos. A foto intermédia foi tirada junto ao adro do S. Sebastião; a de baixo parece ser na famosa casa (hoje parcialmente destruída) que está na capa dos Contos ao Luar de Agosto, da autora deste "post".

domingo, 28 de junho de 2009

ROTEIRO DA CORREDOURA ENTRE 1944/45 ATÉ 1959/60 - 7

Momento da "arrematação" no adro da capela, durante uma festa de S. Sebastião, por volta de 21 de Janeiro, nos finais dos anos 70, ou inícios da década de 80. Do lado esquerdo, a casa grande era a dos Mirandas, em cujo baixo ficava o café S.Sebastião, do sr. Amílcar (foto do arquivo do Sr. Abílio Dengucho, cedida a Leonel Brito)

Antes de passarmos à Rua de Baixo, vamos seguir as casas de “O Alto” pelo nosso lado esquerdo até à casa da Menina Gininha Galo: na da esquina morava a Tia Teresa Costa, o marido, o Tio Miguel e os filhos, o Alexandre, o António e a Maria. Logo a seguir , fazendo um recanto que era um óptimo soalheiro abrigado do vento, morava a Sra. Delmina Terceira, o marido que era guarda-fios e três filhas: a Maria, a Conceição e a Julieta (minha comadre) e dois filhos, o António e o Zé. Depois era a casa de um arrematante de trabalhos nas estradas, que veio de Valdujo com a mulher e duas filhas. A mais nova, Floripes, era da minha idade. Acabados os trabalhos contratados, iam embora para outras paragens. Pegada a esta, ficava uma casita muito pobre que a minha mãe comprou à Sra. Guilhermina Galo. Os anos que ainda vivi em Moncorvo (até aos 21) passei-os nessa casa. A seguir morava outra família da grande família que eram os Vitelas: a Tia Maria Vitelas, casada com o Zé Vitelas, pais da Carmelina e da Lídia, minhas colegas de escola primária. E demos a volta: estamos já junto da casa da Menina Gininha Galo e da esquina da grande casa dos Mirandas.


Voltemos então à boca da Rua de Baixo que, como já disse atrás, começa precisamente entre a casa dos Mirandas e a dos Mesquitas. Quem desce a rua, à esquerda, vê os baixos da casa da Gininha Galo: aí, num pequeno cubículo, vivia e trabalhava o Deodato, sapateiro. Pegada a esta vinha a casa onde morou o Batateiro. Mais tarde viveram aí o João Falapão com a mulher a Beatriz Gata, pais da Emília e do Beto. Seguia-se a casa da Tia Perpétua dos Requeijões, onde íamos com a caneca ao soro.

Por: Por: Júlia de Barros G. Ribeiro (Júlia Biló)

Nota do postador: a foto de baixo mostra o início da Rua de Baixo; a esquina à esquerda é da casa dos Mirandas; junto às escadas que se vêm ao fundo, do lado esquerdo, era a casa do ti João Araújo "Falapão" e srª Beatriz, de que se fala neste fascículo do Roteiro de Júlia Biló; as escadas davam acesso à casa onde, nos anos 70, viviam os Vilelas.

Caça furtiva e triunfo dos porcos

Identificação e sinalização ( riscos e colocação de uma pequenina pedra ao alto como indica a seta) de um "sebadoiro", para a caça furtiva de porcos bravos. A ausência de vegetação indica a passagem destes animais por esse local. Para o "sebadoiro", colocam amêndoas para atrair o porco que é alvo desta armadilha. Será que o "triunfo dos porcos" não está na gripe suina?!

sábado, 27 de junho de 2009

Convite - Teatro

O Grupo de Teatro Alma de Ferro de Torre de Moncorvo tem o prazer de o convidar para assistir à repetição da peça "O Velho Ciumento" de Miguel Cervantes, que se realiza no dia 3 de Julho de 2009 pelas 21:30 em Moncorvo. O Grupo agradece a divulgação deste novo espectáculo através dos seus contactos. Já agora não se esqueça de comparecer e trazer um amigo também.


GTAF (Grupo de Teatro Alma de Ferro) de Torre de Moncorvo

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