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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Moncorvo em Pessoa

Festas da Vila e do Concelho

(clique na imagem para aumentar)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aconteceu no Museu: palestra em jeito de balanço sobre o Património concelhio

Como foi anunciado, realizou-se no sábado passado, dia 8 de Agosto, no auditório do Museu do Ferro e no contexto da Exposição "VESTÍGIOS...", a palestra sobre o Património Arqueológico e Arquitectónico do concelho de Moncorvo. A sessão foi presidida pelos representantes do município (Sr. João Rodrigues, em representação do Sr. Presidente da Câmara) e do PARM (Engº. Afonso Calheiros e Menezes, Presidente da Direcção), tendo-se seguido as intervenções do Sr. Prof. Doutor Adriano Vasco Rodrigues, Sr. Norberto Santos e Drs. Nelson Campos e Rui Leonardo.
Tendo presente o Inventário Arqueológico do Concelho de Torre de Moncorvo revisto e actualizado, o qual foi entregue ao Município para inclusão no capítulo respectivo do novo PDM, o objectivo essencial desta sessão foi o de se fazer um balanço (ainda que necessariamente breve e muito preliminar) do estado dos conhecimentos sobre o património arqueológico e arquitectónico existente (e identificado até à data) no nosso concelho. A partir daí, tentou-se traçar um quadro da ocupação humana do território em que nos situamos (que obviamente não se confina às fronteiras artificiais do concelho), pelo menos nos últimos 5.000 anos, já que os dados para épocas anteriores são bastante escassos.
Assim, a palestra visava dar um pouco mais de substância à Exposição "VESTÍGIOS...", funcionando como seu complemento, ou como outra face de uma mesma moeda, tendo em vista a organização de uma futura sala de Arqueologia & História, prevista desde o início, nos espaços do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.

Para saber mais, ver: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/08/palestra-sobre-patrimonio-do-concelho.html

domingo, 9 de agosto de 2009

Luar-dos-Montes

Momento registado enquanto um cãozito, encostado à máquina fotográfica, ladrava à Lua. Não conseguiu os seus intentos, mas emprestou ao cenário uma musicalidade magnífica.

sábado, 8 de agosto de 2009

Desencontros


Reciclagem da história.
Torre de Moncorvo (foto: J.Costa)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Em tempo de férias, comece por aqui!...

Algures em Trás-os-Montes, a Norte do Douro, próxima do rio Sabor e do extenso vale da Vilariça, aninhada junto à serra do Roborêdo (em cuja extensão jazem milhões de toneladas de minérios de Ferro), fica a nobre villa da Torre de Moncorvo.
Uma terra cheia de tradições e de História, à cabeça de um concelho composto por 17 freguesias onde há muitos pontos de interesse para descobrir! Eis a nossa proposta para as suas férias.

Deverá começar a sua visita pelo Posto de Turismo, situado na antiga Casa da Roda dos Expostos, onde outrora se metiam as crianças enjeitadas. Ali lhe poderão explicar melhor esta história dramática, a que a legislação social do século XIX em boa hora pôs fim. A partir desse local, no centro do bairro do Castelo (o burgo medieval), o visitante poderá explorar o resto da vila e partir à descoberta do concelho...

Festas da vila e do concelho, com o ponto alto no dia 15 de Agosto.

Não se esqueça: neste Verão, visite Torre de Moncorvo e sua região!

(fotos de N.Campos e João Pinto V. Costa)

Palestra sobre o património do concelho de Torre de Moncorvo

Realiza-se no próximo dia 8 de Agosto (sábado), pelas 16;00 horas, uma palestra sobre o património arquitectónico e arqueológico do concelho de Torre de Moncorvo, a qual terá lugar no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, sendo oradores os membros do PARM Nelson Campos (também encarregado do Museu) e Rui Leonardo. Serão oradores convidados os Senhores Professor Doutor Adriano Vasco Rodrigues e Norberto Santos (em representação de seu pai, Professor Doutor J.R. dos Santos Júnior). Deverão presidir à sessão o Senhor Presidente do Município, Engº. Aires Ferreira e o Senhor Engº. Afonso Calheiros e Menezes.
Os interessados poderão aproveitar para visitar a exposição "Vestígios..." patente no mesmo local das conferências.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Café com Sabor Artes regressa no Verão de 2009


A Escola Sabor Artes promove durante o Verão “ Café com Sabor Artes”. Este ano a iniciativa começa na primeira segunda-feira do mês de Agosto, dia 3, com o espectáculo “ Fado a duas Vozes” de João Chora e Elsa Gomes e termina na última segunda-feira, dia 31 de Agosto, com um espectáculo apresentado pelas classes da Escola Sabor Artes. No dia 17 Agosto vão subir ao palco “ As Divas”, Lyana, Silvana, Rute e Inês e no dia 24 de Agosto actuam os “Lucky Duckies” que vão trazer ao público moncorvense os clássicos dos anos 50 e 60.
“Café com Sabor Artes” realiza-se no Jardim Dr. Horácio de Sousa e os concertos iniciam-se à 22 horas. Uma iniciativa diferente que promete animar as noites de Verão em Torre de Moncorvo.
Programa:
3 Agosto – “Fado a Duas Vozes” - João Chora e Elsa Gomes
17 Agosto – “Las Divas” – Lyana convida Silvana, Rute e Inês
24 Agosto – “Lucky Duckies” – Clássicos dos anos 50 e 60
31 Agosto – “Classes da Escola Sabor Artes”
Fonte: Câmara Municipal de Torre de Moncorvo

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tuna Popular da Lousa brilhou em Sendim (terras de Miranda)

Foi um verdadeiro sucesso a actuação do grupo de cordas conhecido por "tuna popular da Lousa", no passado sábado, ao fim da tarde, em Sendim (terras de Miranda), no contexto do programa do 10º festival intercéltico.
O concerto, inicialmente previsto para o largo da igreja matriz de Sendim, acabaria por se realizar no pavilhão conhecido por "Taberna dos Celtas", por receio de aguaceiros.

Os compenetrados músicos das terras moncorvenses estiveram no seu melhor, executando com mestria o seu repertório e trazendo a este festival um tipo do sonoridades aqui pouco habituais - é que enquanto o mundo do Alto Trás-os-Montes se manteve arreigado às flautas pastoris e gaitas de foles, as tunas rurais ou populares, se bem que disseminadas um pouco por toda a parte nos finais do século XIX-inícios de XX, parecem ter-se fixado mais na orla duriense, pelo menos em termos de sobrevivência, num arco que abrange os contrafortes do Marão (Baião, Amarante, Vila Real), tombando depois para o Douro, nomeadamente Régua, Santa Marta de Penaguião (Carvalhais), etc., como se sabe pelo magistral estudo de José Alberto Sardinha ("Tunas do Marão", 2005) e outros trabalhos de investigação, tais como o "Grande Cancioneiro do Alto Douro" (vol. 2) de Altino M. Cardoso e J.Pierre Silva.
Como já se disse, a música das tunas rurais ou populares (também por vezes denominados orquestras populares, orquestras típicas, conjuntos típicos), situa-se num território cultural em que o tradicional ("popular") e o erudito se cruzam, com alguns músicos que sabem escrever/ler pautas e outros que, em outros tempos, compunham alguns temas ("música de autor").
No caso dos músicos oriundos da Lousa e das suas vizinhanças o seu repertório é integralmente herdado, num esforço de recuperação notável e louvável, depois de anos em que as circunstâncias das suas vidas os mantiveram longe deste tipo de música e sem possibilidades de tocarem em conjunto.

Foram executados temas como a "Evarista" (assim chamado por ser uma marcha trazida, noutros tempos, por um certo Evaristo), os Marinheiros, Machucho, Valsa da meia-noite, a Despedida, etc..
Os organizadores do Festival ficaram altamente agradados com a prestação dos músicos da nossa terra, assim como o público que não lhes regateou aplausos. - Na plateia encontravam-se alguns moncorvenses, entre os quais familiares e amigos dos músicos, além de amigos de Moncorvo (permitam-me que destaque o maior moncorvófilo de sempre, o Engº. José Sequeira!), pelo que a "claque" não faltou!
O concelho de Torre de Moncorvo foi muito dignamente representado, pelo que aqui lhes damos os nossos Parabéns!

E para que conste, aqui ficam os nomes dos músicos presentes em Sendim, com indicação dos respectivos instrumentos:
- Sr. Armando Cesário Moutinho > bandolim baixo
- Sr. José Joaquim Pestana > viola portuguesa
- Sr. Modesto Augusto Moutinho > violino
- Sr. Orlando Espírito Santo Félix > bandolim requinta
- Sr. Reinaldo Reto Queijo > Ferrinhos
- Sr. Samuel Santos Barbosa de Sousa > bandola
- Sr. Serafim Sebastião Sousa > viola portuguesa.
Aguardamos agora ainda mais ansiosamente a edição do CD entretanto já gravado pela equipa de Mário Correia/editora Sons da Terra, tendo-se deslocado expressamente a Torre de Moncorvo, no final do passado mês de Maio, para esse efeito.

sábado, 1 de agosto de 2009

Ainda se colhe cereal na Vilariça

Ainda há machos na Vilariça... (foto N.Campos)

Tendo em conta a feritilidade dos terrenos da Vilariça, é de supor que desde tempos imemoriais este vale tivesse sido o grande celeiro regional. A quantidade de vestígios romanos que aí se encontram são um indício disso mesmo, sendo possível que daqui saísse muito cereal para alimentar as legiões romanas estacionadas noutras paragens.
Também sabemos que a base da alimentação medieval, até ao séc. XIX (antes do incremento da batata), foi o cereal - trigo ou centeio. E se este era confinado às terras mais pobres, já o trigo era semeado nas terras boas, mais férteis, como era o caso da Vilariça.
Aquando do famoso "alardo" promovido pelo mestre de Avis (D. João I) nos campos da Vilariça, já depois de Aljubarrota, diz o cronista Fernão Lopes que o vale estava repleto de "pães" (designação genérica dada ao cereal) já quase amadurecidos. Foi no mês de Maio de 1386.


Uma máquina ceifeira-debulhadora ao fundo e os fardos já prontos a carregar... (foto N.Campos)

Ainda no séc. XIX e XX o cereal ocupava uma boa parte das terras do vale, tendo vindo a perder terreno, nos últimos decénios, em favor do plantio da vinha e de algumas árvores fruteiras. Hoje praticamente não se vê uma seara no vale, pelo que nos despertou a atenção e curiosidade ver uma ceifeira-debulhadora em acção, nos inícios de Julho, nas proximidades das Cabanas de Baixo, entre a estrada municipal e o rio Sabor. O lavrador era das Cabanas, e diz que só ainda faz por cereal sobretudo por causa da palha. Que o grão dá pouco e cada vez menos... Encontrámo-lo a carregar os fardos na sua carroça, ainda puxada pelo fiel e tradicional "matcho"... Uma imagem rara nestes princípios de séc. XXI. Esperemos que com esta "crije" sem fim, este meio de transporte ecológico não venha a ser mais utilizado (atendendo ao preço dos combustíveis) e não tenhamos que voltar a ver o crescimento das searas, se quisermos o pão para a bucha!....
Pode ser também que a Vilariça, outrora cantada como uma "Promised Land", ainda venha a ser a tábua de salvação de Moncorvo e arredores.... - Ou será que os consórcios agrícolas (dominados por capital estrangeiro) a virão descobrir para aqui plantarem uma agricultura industrial, de regadio, e cheia de transgénicos, com pessoal "aero-transportado" de outras paragens, sem criarem sequer postos de trabalho para os indígenas locais?
Que nos reserva o Futuro?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Incêndio na Serra do Roboredo


Dia 28 de Julho, por volta das 17.00h, deflagrou um incêndio junto à serra do Reboredo. Em pouco minutos ficou com uma frente de meter medo ao mais terrível dos adamastores. No entanto, a rapidez, a boa coordenação e a coragem dos valentes bombeiros voluntários de Torre de Moncorvo com a ajuda de um meio aéreo e algumas corporações vizinhas extinguiram em pouco mais de uma hora, um incêndio que poderia trazer graves prejuízos para a fauna e flora da serra do Reboredo.
Texto e fotos de L. M. Lopes.



terça-feira, 28 de julho de 2009

A Aldeia


"De longe era mais nítida a claridade do céu e o recorte da serra. Os grandes rochedos semeados ao lado dos caminhos, pareciam guardar antigos tesouros, invocar esquecidos deuses. Aproximava-se a hora do encontro e todos os fantasmas que me habitam vinham assustar-me e profetizar.
De tão longe! Cada vez mais perto!
Ali, após uma curva poeirenta, surgia a aldeia. Pousada no alto do monte, cor de pedra e de terra, a aldeia envolveu-me e magoou-me no seu abandono e beleza. Tinha-a sonhado tantas vezes e ei-la desafiando os sonhos e as esperanças. Intacta, acolhia-me e serenava-me todas as questões. Chegara, ao fim de tanto tempo!"
in: Jacinto de Magalhães, 1985.
Foto: N.Campos
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Torre de Moncorvo in blog deseja aos conterrâneos da Diáspora uma boa viagem de regresso e um feliz reencontro com seus familiares e amigos em suas terras de origem, durante este período de merecidas férias!

domingo, 26 de julho de 2009

Fundador da República do Brasil era oriundo de Moncorvo!

Quem sabia que Benjamin Constant Botelho de Magalhães (1836-1891), militar, político, ensaísta, o pai da República do Brasil, autor da divisa “Ordem e Progresso” da bandeira brasileira (1890), era oriundo da vila de Torre de Moncorvo, por parte de seu pai, Leopoldo Henriques Botelho de Magalhães?
Este Leopoldo Henriques era seguramente descendente de um sargento-mor de Torre de Moncorvo que viveu no séc. XVIII e que tinha o mesmo nome (houve vários homónimos nesta família de morgados). Esse primeiro Leopoldo Henriques (talvez nascido nos finais do séc. XVII) casou com uma senhora espanhola (mais precisamente catalã), e foi quem iniciou a construção de um casarão situado na actual Rua Tomás Ribeiro, nesta vila, o qual pretendia ser um vasto solar mas que nunca seria acabado, apesar dos descendentes terem chegado a celebrar um contrato com um mestre de obras para a sua conclusão no ano de 1800. Depois de um longo processo de ruína na segunda metade do séc. XX e tendo corrido o risco de uma demolição integral, o que restou desse casarão em boa hora foi recuperado e alberga hoje a agência de um Banco e um jardim-escola.
Longe estávamos de saber, no entanto, que desta casa sairia um dos grandes vultos da história do Brasil. A informação chegou-nos através de um alerta do Google, em que se dizia:
“Benjamin Constant veio ao mundo no porto do Meyer, freguesia de S. Lourenço do Município de Niterói, no dia em que a Igreja Positivista comemora Duclos, o moralista adjunto do grande pensador que resume o glorioso movimento espiritual no século XVIII - Diderot (18 de Outubro de 1836). Seu pai, Leopoldo Henrique de Magalhães Botelho [sic-apelido trocado], natural da Torre de Moncorvo, assentara praça voluntariamente, com vinte anos de idade, no regimento provisório de Portugal em 21 de novembro de 1821. (...)
Português por seu pai, Benjamin Constant já era brasileiro por sua mãe, D. Bernardina Joaquina da Silva Guimarães, natural do Rio Grande do Sul. Em 1836 quando nasceu o futuro Fundador da República na raça portuguesa, dirigia seu pai [Leopoldo Henriques] uma escola particular, onde ensinava primeiras letras, gramática portuguesa e latim. Escassos sendo os recursos que daí auferia, porque a maior parte dos discípulos era pobre, viu-se obrigado a procurar outra profissão, apesar da verdadeira satisfação com que seguia o magistério. A proteção da família da Viscondessa de Macaé proporcionou ao 1° tenente Botelho de Magalhães a tentativa de um estabelecimento na cidade desta denominação (Macaé), onde ainda entregou-se ao professorado. Aí foi batizado o seu primogênito em 26 de março de 1837, dando-lhe o pai por patrono subjetivo Benjamin Constant, o célebre publicista do constitucionalismo de quem era entusiasta. (...)”

Recentemente foram descobertos, num espólio familiar, uma série de apontamentos de autoria de Bernardina Botelho de Magalhães, filha de Benjamin Constant, onde a jovem então com 16 anos (por volta de 1889) anotou as reuniões e relações de seu pai com outros conspiradores que ajudaram ao derrube da monarquia imperial. No seguimento da instauração da República, viria a ser Ministro da Guerra e posteriormente Ministro da Instrução Pública, Correios e Telégrafos no governo provisório. Tendo sido amigo da família imperial brasileira, fez questão de que nada lhes acontecesse após a instauração do novo regime.
As disposições transitórias da Constituição de 1891 consagraram-no postumamente como Fundador da República do Brasil. Morreu em 22 de janeiro de 1891.

Para saber mais, consulte os seguintes links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Constant_Botelho_de_Magalh%C3%A3es
http://www.pantanalnews.com.br/contents.php?CID=31040
http://www.brasilescola.com/biografia/benjamin-constant-botelho.htm
http://www.correaneto.com.br/noticias/07/24_7_09benjamin.htm

Felgar - Noites no Prado


Deve ser do queijo.

O esquecimento de divulgar atempadamente as Noites do Prado no Felgar só pode ser do queijo. Dizem que faz mal à memória...

A verdade é que estive uns dias ausente.
Mesmo assim...

Mas fica o registo para memória futura!

sábado, 25 de julho de 2009

Luís Represas ao vivo em Torre de Moncorvo

Depois do êxito da peça de Teatro “ As Calcinhas Amarelas” com Tozé Martinho, a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo promove, ainda no mês de Julho, um concerto com Luís Represas.
O espectáculo realiza-se dia 31 Julho, sexta-feira, e tem início às 22 horas no Cine-Teatro de Torre de Moncorvo.
O artista sobe ao palco acompanhado por Luís Fernando na guitarra e Hélder Godinho no piano.
Luís Represas, com 20 anos, junta-se a João Gil, Nuno Represas, Manuel Faria e Artur Costa e formam os Trovante. Foram dezasseis anos de carreira com a popular banda, com a qual gravou dez álbuns. Só depois da separação dos Trovante, em 1992, é que o artista inicia a sua carreira a solo. Desde então tem somado inúmeros êxitos com os seus nove discos editados.
Em Torre de Moncorvo, Luís Represas apresenta um espectáculo acústico onde revisita a sua carreira de muitos anos de música portuguesa.

Fonte:
Câmara Municipal de Torre de Moncorvo

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Tuna Popular Lousense

(continuação do “post” sobre o Intercéltico de Sendim)


Mas quem são estes músicos e como surgiram?
Como eles próprios se apresentam, são um grupo de amigos da freguesia da Lousa, residindo alguns no concelho de Torre de Moncorvo e outros bem longe daqui (como por ex. em Sintra), o que os faz percorrer longas distâncias para ensaiarem e tocarem. Tendo alguns já tocado juntos na sua juventude (é preciso que se note que são “jovens” hoje com idades superiores a 60 anos), resolveram, em dado momento, rememorar os seus bons velhos tempos, e, por volta de 1988-89, três elementos do grupo começaram de novo a tocar em conjunto. A estes associaram-se outros três elementos de outros grupo (entretanto dissolvido) e passaram a seis membros, aos quais se juntou um sétimo, tocador de viola. É preciso dizer que todos os instrumentos eram cordofones a que se juntou um tocador de ferrinhos, entretanto falecido e substituído por outro. Tocavam em ambientes familiares, como festas de aniversários. A sua primeira actuação pública parece ter ocorrido em 2001. E, a partir daqui, começaram a actuar em festas de Lares de Idosos, por todo o concelho de Torre de Moncorvo. Em 2007 estiveram na inauguração dos jardins da biblioteca municipal de Torre de Moncorvo, a convite da Câmara, e assim sucessivamente.
No repertório da tuna popular da Lousa (estes músicos tiveram alguma dificuldade em acertar com a sua própria designação porque não se consideram bem uma Tuna, que habitualmente tem mais elementos), constam melodias tradicionais da região Duriense, e há outras que foram inspiradas no repertório das bandas de música, inclusive militares (um dos membros participou na banda militar de Infantaria nº1 e na Banda da Carris, de Lisboa). Todavia, alguns são temas bastante antigos, talvez criados no século XIX. Parece que um padre da Lousa também terá composto alguns temas. Ou seja, quer pela temática, quer pelo instrumental, podemos situar este género musical entre o popular e o erudito, lembrando um pouco a riqueza da música popular da Europa central (Baviera, Àustria) muito influenciada (ou seria o contrário?) pela música de salão. Assim se explica a grande música vienense… Hoje, infelizmente, as tunas populares que tiveram grande sucesso no passado, também se encontram à beira da extinção. Este é o único grupo de que temos conhecimento no Douro Superior (se exceptuarmos os Fiarresgas de Foz-Côa, mais de tipo “rancho”). Por isso merecem todo o nosso carinho e apoio, para que não esmoreçam.
Para que conste, aqui ficam registados os seus nomes e respectivo instrumento:
Armando Cesário Moutinho – Bandolim baixo;
José Joaquim Pestana – Viola portuguesa;
Modesto Augusto Moutinho – Violino;
Orlando Espírito Santo Félix – Bandolim requinta;
Reinaldo Reto Queijo – Ferrinhos;
Samuel Santos Barbosa de Sousa – Bandola;
Serafim Sebastião Sousa – Viola portuguesa;
Vasco Espírito Santo – Guitarra portuguesa.
Alguns temas: À beira do Tejo; A Evarista; Os Marinheiros; Saudade; Machucho; Cancelão; Eterna; Valsa da Meia-noite. Segundo informação constante de um apontamento elaborado pelo Sr. Orlando Félix, “soube-se há pouco tempo que a Marcha dos Marinheiros” faz parte do Hino da Cidade de S. Paulo, Brasil”. O Sr. Samuel Sousa, noutro escrito para a história da tuna escreveu também que “esta era uma marcha brasileira que fazia parte do reportório da 1ª. banda musical da Lousa”. Ou seja, estas melodias são o que verdadeiramente hoje se pode chamar de “worldmusic” – sons que viajam, de cá para lá do mar, regressam, mesclam-se, passam para bandas e de bandas para tunas, do erudito para o popular e talvez vice-versa, criando paisagens sonoras cujas raízes estarão num fundo cultural difuso que é o da Europa rural, a do cheiro ao restolho, aqui com a Festa meridional, a sardinha e o copo de vinho, porque não durante as vindimas?, e noutras latitudes, sem vinho, com o cereal fermentado ou destilado, inspirações libadas em outros mágicos licores de célticas origens, todavia era a mesma Festa, o Som que escorre das diversas culturas, venha ele de concertinas, acordeóns, trikitixas, gaitas de foles, ou todo o género de cordofones, tudo nos une nesta diversidade, perdida que foi a celebração dos ritos das colheitas, ficando, no entanto, a reunião das tribos da Música.
Até Sendim. - Compareça para ouvir e apludir os representantes da nossa terra: os músicos da Tuna Popular Lousense!

Texto e fotos do autor do post - Em cima: grupo musical conhecido por tuna popular da Lousa, no momento das gravações, no auditório do Museu do Ferro em T. de Moncorvo; em baixo, outro momento das gravações, com o etnomusicólogo Mário Correia e sua equipa.

Tuna Popular da Lousa, presente no 10º Intercéltico de Sendim

«Na demanda dos sons da terra, rumámos para onde a paisagem entra nos olhos e não sai mais (Miguel Torga) e as pessoas se tornam amigas e não mais se esquecem. Mirandeses d'las arribas, gente que se confunde com a própria natureza, numa simbiose tão profunda como impenetrável, da qual emerge uma cultura de seculares origens que é seiva intemporal de uma identidade resistente que a memória colectiva oralmente transmitiu ao longo dos tempos». – MÁRIO CORREIA (Raiç e tradiçon)

O festival inter-céltico de Sendim (Terras de Miranda) realiza-se há 10 anos.
Mercê do labor persistente de Mário Correia (um homem do litoral que veio construir uma utopia no interior mais remoto) que resolveu trazer a música dita “céltica” dos grandes palcos do Porto para o lugar onde ela fazia mais sentido: o terriço de um “cú de judas”, onde o pó se levanta à mistura com o cheiro do restolho na comunhão mística com a Mãe-Terra, sob as estrelas coriscantes do planalto da nossa Celtécia mirandesa.
E o trabalho do Mário não se ficou pelo festival. Uma vez aí, como um verdadeiro garimpeiro, foi joeirando e arrancando do esquecimento grupos de cantares (como os das segadas de Caçarelhos), cantadeiras como Clementina Rosa Afonso, inúmeros gaiteiros, muitos deles já falecidos há muitos anos, deles descobrindo registos antigos, como os do alemão naturalizado americano Kurt Schindler (1882-1935), autor das primeiras recolhas fonográficas de música mirandesa (1932),com tudo isto, paulatinamente, M. Correia foi constituindo um acervo colossal que hoje conta com dezenas de CD’s, com a chancela da editora Sons da Terra, por si fundada. Mas há mais: além da revista Trad i Folk (10 números, sendo cada um o catálogo anual do festival de Sendim), tem ainda publicado alguns importantes livros para a história da música tradicional mirandesa, tais como Bi benir la Gaita (contributos para a história dos gaiteiros mirandeses) e Pauliteiros de Miranda (Cércio) – Viagem a Londres (sobre a actuação dos pauliteiros mirandeses no Royal Albert Hall, Janeiro, 1934, com edição de CD), além de vários artigos em revistas e “sites” da especialidade (quanto a “sites”, ver: http://www.attambur.com/OutrosSons/Portugal/SonsdaTerra/sons_da_terra.htm
http://www.attambur.com/Noticias/20022t/centro_de_musica_tradicional_sons_da_terra.htm
Mas a sua obra maior, quanto a nós, foi a criação do Centro de Música Tradicional Sons da Terra (sedeado em Sendim), onde se reúne uma Biblioteca especializada e a Fonoteca (Arquivo sonoro) com um importante acervo de música tradicional sobretudo transmontana. Aí se administram cursos de iniciação de instrumentos tradicionais do Planalto Mirandês" (gaita de foles, flauta pastoril, caixa e bombo), salvando as sonoridades que se estavam em risco absoluto de se perderem com a morte dos velhos gaiteiros das terras mirandesas. Há já alguns anos, a câmara de Miranda, numa tentativa bem intencionada de não deixar perder a música tradicional, chegou a transportar jovens para Espanha (Aliste), para aprenderem gaita de foles, tendo muitos deles entretanto desistido. Agora basta irem a Sendim.
Como sempre acontece, este labor não esteve nem está isento de escolhos, sendo, muitas vezes, as questiúnculas locais também um resultado das dinâmicas e da diversidade e do crescimento entretanto surgidos (só nos charcos e nos desertos não há polémicas). Todavia não se podem esquecer os contributos de associações locais como a Mirai Qu’Alforjas, os exímios Galandum Galundaina, os divertidos Picä Tumilho (inventores do rock mirandês), os SangriSulta, além dos famosos grupos de pauliteiros que continuam a pontuar nestas terras. Todos eles têm ajudado também a construir este Festival Intercéltico, concorrido por milhares e milhares de pessoas, vindas de toda a Península Ibérica, e até do resto da Europa. Aliás, o Intercéltico de Sendim é, desde há anos, uma referência no mapa dos festivais congéneres da Europa e por aí têm passado grandes grupos como os Oyesterband, Dervish, Hedningarna (este ano repetentes), os Musgaña, Hevia, Ultreia, Milladoiro, Gaiteiros de Lisboa, etc.. (para o corrente ano -ver o programa acima).
Entretanto, Mário Correia há já bastante que começou a alargar a sua área da acção e de recolhas para além das terras de Miranda, e além das gaitas de foles e do mundo das sonoridades mais rústicas. Assim, desta feita, abeirou-se do Douro e chegou a Torre de Moncorvo, o que nos encheu de satisfação. Conheci o Mário há cerca de 10 anos, talvez um pouco antes do 1º intercéltico, numa jornada etnomusicológica promovida pela Câmara Municipal de Miranda do Douro. Tornei-me num aficcionado dos festivais de Sendim e não perdi nenhum, chegando a acampar nos restolhos (ainda antes daquele improvisado parque de campismo).
Fomos conversando de longe a longe e, no ano passado, após uma actuação do grupo de músicos da Lousa/planalto a Oeste da Vilariça, aqui no Passeio da Pascoela promovido pela Junta de Freguesia de Torre de Moncorvo (com colaboração do PARM), convidei o Mário a vir cá. Não deu nessa ocasião, mas ficou para a Partidela da Amêndoa que se fez no Museu do Ferro em Outubro de 2008. O Mário ficou muito bem impressionado, tendo tirado algumas fotografias e feito um registo videográfico preliminar. Era uma “coisa” diferente, outras sonoridades, outros reportórios.
Já em 2009 (30 de Maio), o Mário voltou a Torre de Moncorvo com a sua equipa e com sofisticado equipamento de gravação, tendo feito um registo profissional, com objectivo de edição de um Cd. Ficou entretanto combinada uma actuação na presente edição do Intercéltico de Sendim, que vai acontecer entre os dias 31 de Julho e 1 de Agosto.
A participação da Tuna Popular da Lousa está prevista para o dia 1 de Agosto (sábado), ao final da tarde (a partir das 17;00 horas).

Professor Josino Amado



Do baú de escritos e outros papéis de meu Pai, que muitas vezes gosto de abrir e remexer, vou tirando coisas que me evocam figuras e situações que, sendo passado, não deixam por vezes de me emocionar .
Outro dia encontrei um pequeno opúsculo poético, designado Portugal, da autoria de Josino Amado, com dedicatória ao meu Pai como seu ex-aluno na escola primária em Urros.
Muitas vezes ouvi falar em minha casa do Professor Josino Amado, sempre com uma grande veneração e respeito.

Nasceu em Urros em 1894 e faleceu em 1968, estando sepultado segundo creio no cemitério da aldeia. Partiu muito jovem para Macau, onde frequentou o liceu. Regressado a Portugal, formou-se na Escola do Magistério Primário do Porto e iniciou a sua actividade docente. Revelou-se um grande pedagogo e veio a ser condecorado anos mais tarde pelo Presidente da República Craveiro Lopes.
O seu primeiro livro de poemas, Emigrado, foi publicado em 1929. Publicou depois outras obras poéticas: As Mondas, Miséria, O Semeador da Luz ( Memórias dum professor primário), Colori Gravuras e Fixai Conceitos, Os Meus Sonetos, Velhas e Novas Fábulas, Manes de Portugal, Rimas Educativas e Trás-os-Montes.
Nelas se revela um homem de grande cultura e elevação espiritual e que por toda a sua vida foi exemplo para muitas gerações.
Nunca o tendo conhecido pessoalmente, sempre o ouvi evocar como uma referência nesses recuados tempos.
Desse opúsculo, no qual se juntam alguns poemas dos anos 30, transcrevo parte do final de Portugal , evocando Timor, de Fevereiro de 1934. Poema obviamente datado, de um nacionalismo épico de matriz camoneana, não deixa de revelar uma linguagem poética de grande ritmo interior e um notável domínio da palavra e da imagem.
Aqui fica a minha homenagem ao Professor Josino Amado.



Para muitos os filhos de Caim,
És feral círculo infernal de Dante,
Filha longínqua, amada, és para mim,
Que mãe não esquece o filho seu distante!

Filhas queridas, da minha alma vidas,
Feitos dos meus heróis, luz do meu ser,
Em vós eternamente revividas
Da Pátria lusa as glórias hão-de ser!

Por vós eu mostrarei ao mundo inteiro,
Quanto é que vale a civilizadora
Acção dum povo heróico, marinheiro,
Que no mundo espargiu luz redentora!



(…)


Do fundo do mar ressurgirão ossadas
Das caravelas, naus e dos galeões,
Por defender-vos filhas adoradas,
De heróis repletas, armas e canhões!

Nasci pequena, mas não temo o imundo
Furor da hostil expoliação atroz,
Não é pequena quem descobre o mundo,
Quem tem Camões e filhas como vós!


quarta-feira, 22 de julho de 2009

António Alberto de Carvalho e Castro

O Sr. António Alberto de Carvalho e Castro publicou no Jornal “Terra Quente” de 1 de Julho de 1998, uma notícia sobre um seu parente homónimo, que animou Moncorvo na transição do séc. XIX para o XX. Aqui fica o extracto desse artigo.

“PORTUGUESA DE DESPORTOS
(…)
Desfolhava as páginas de “A Bola” no longínquo ano de 1950 quando deparei com uma local que rezava assim: - ‘No próximo número entrevista com António Alberto de Carvalho e Castro’.

Que diabo… Ninguém me contactou! Só que… mercê dum esforço inaudito na gestão dos “parcos” subsídios paternos com tendência para o superlativo absoluto de inferioridade … Lá comprei a dita Bola e me deparei com uma entrevista com o meu homónimo e, pasme-se, Moncorvense.

Tratava-se nem mais nem menos dum filho do meu tio avô – de igual nome – nascido em Moncorvo por volta dos anos 80 e muitos do século passado [XIX], conhecido pelo “sobriguet” de Carvalho Marmeleiro, nome duplamente arbóreo, resultante de ser neto do Visconde do Marmeleiro, e famoso pelas suas façanhas mais ou menos rocambulescas feitas em parceria com a rapaziada durante aquele tempo.

Num dos Carnavais dos idos desse fim de século, dedicava-se a percorrer os diversos sotos da nossa vila, sempre falando em prosa rimada repleta de espírito e em que aludia a acontecimentos sociais sucedidos na vila.

Mas o motivo próximo da sua emigração forçada para o Brasil baseou-se no facto de naqueles tempos todos os dias circular ao anoitecer por Moncorvo uma pipa de ferro que recebia os dejectos das várias casas do burgo.

Essa pipa em seguida era despejada na zona do Prado e a graça popular pôs ao local o nome de “Jasmineira”.

Pois certa noite de pândega, o grupo apoderou-se da pipa e despejou-a em plena praça de Moncorvo o que constituiu um grande pastelão…

Logicamente as autoridades de então, zelosas dos bons costumes da terra, quase restauraram a Inquisição e apodaram de heresia tal procedimento… E os bons antecedentes do dito senhor quase o levaram à prisão.

Nesta eminência, a família achou por bem proceder à sua evacuação compulsiva para terras de Santa Cruz.

Perderam-se certamente momentos de alegre patuscada, mas ganhou-se um Presidente de um grande Clube [Portuguesa de Desportos].

António Alberto de Carvalho e Castro”

terça-feira, 21 de julho de 2009

Poemas e outros II

A fotografia postada recentemente por Vasdoal, na qual retrata o pastor como um andarilho à volta da terra e à frente das ovelhas, levou-me a pensar no conto de Trindade Coelho “Idílio Rústico”, extraído da obra “Os Meus Amores” (1891) e inserido na colectânea Antologias Universais dedicada ao conto. “Idílio Rústico” figura ao lado de “Abyssus Abyssum” (conto do mesmo autor e incluído na mesma obra), no volume Os Melhores Contos Portugueses – Primeira Série (1971, 7ª edição), com Selecção, prefácio e notas de Guilherme de Castilho. Em Prefácio da 1ª Edição refere-se Castilho nos seguintes termos aos autores seleccionados para esta antologia: “O presente volume engloba os contistas portugueses do século XIX e alguns do século XX, e destes só os autores mortos de mais real interesse”(p. 10).
Em seguida, o trabalho de Júlia Biló acerca do “Dicionário de Transmontanismos” incentivou-me a uma repetida leitura do respectivo conto. Ao longo do corpo do texto não são só as palavras transmontanas que tocam o leitor do “Reino Maravilhoso” ou qualquer outro, é também a sua disposição na frase, a sintaxe que, apesar de familiar e de “sair da boca do povo”, soa tão bem e tudo diz. Frases lúcidas, expressivas e belas, muito belas: “ – Umas quartãs que me tiveram mondada!”; “ – Uh lá, Rosária, eu mesmo! Guarde-te Deus, pimpona!”; “ – Tanto é que tirava da frauta as cantigas que ela lhe tinha ensinado.” Quer seja o narrador, quer sejam as personagens, das “palavras de pedir pão” se compõe a prosa que só lembra poesia!...
A cena que se segue resulta desta súmula, da qual não se despega o subjectivismo do narrador. Por isso, o idílio dos dois pastorinhos, o Gonçalo e a Rosária, é de indescritível beleza por essa simplicidade e pela pureza de sentimentos. A infância em plena liberdade e responsabilidade atingem ali o seu clímax e quase que nos atreveríamos a acrescentar que a ausência de mácula lhe advém da inteireza do solo:

“Até que por fim chegaram, tinha anoitecido havia instantes. Gado dentro e toca a merendar; o que era de um era de outro: ele ainda trazia azeitonas, um naco de queijo, pão. Mal acabaram de comer, o Gonçalo apontou para a cabana que ficava ali perto, e propôs que se deitassem: estavam moídos da soalheira de todo o dia e da caminhada agora.
Quando o Gonçalo e a Rosária entraram na cabana e se deitaram sobre o colmo, cobrindo-se com as mantas, e achegando para a cabeça um do outro os bornais que faziam de travesseiro, cerrara de todo a noite, e formigueiros de estrelas cintilavam vivezas de prata polida no azul indefinido do céu.
- E os lobos? – perguntou a Rosária com medo.
- Não há perigo – tranquilizou-a o Gonçalo. – Isso é lá com os cães. “ (“Idílio Rústico”, in Antologias Universais - Conto)

Foi o colmo que lhes tranquilizou os sentidos, como quando Miguel Torga também o avistou a partir do seu roteiro literário “Portugal” na transição do Gerês para Trás-os-Montes. Continuemos nós também a valorizar os nossos ilustres, pois neste conto encontramos uma bela história para fazer adormecer tranquilamente nossos filhos. Sem que também esqueçamos de os elucidar acerca das brincadeiras tão salutares que estas páginas enumeram: tocar frauta, fazer bilros “torneados”, contos de moiras, o jogo do fito, da bilharda, a pocinha…

Boa leitura de “Os Meus Amores”, de Trindade Coelho!

Texto: Isabel Mateus
Fotografia: João Costa

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