segunda-feira, 17 de agosto de 2009
P'rà Júlia
O meu nome é Júlia.
Desde os romanos
que o meu nome é Júlia.
Podia ser Augusta
porque nasci em Agosto.
Mas o meu nome é Júlia.
Desde os romanos
que o meu nome é Júlia.
Nasci quando até a brisa era quente
e nada corria a não
ser o tempo na Corredoura.
Mas desde os romanos
que o meu nome é Júlia.
Não sei se há flores com este nome
ou sirocos ou tempestades
ou tsunamis ou tufões
com o meu nome.
Talvez haja.Mas insisto:
desde os romanos que
o meu nome é Júlia.
Cairam inpérios
nasceram impérios,
o Tempo brincou com o Tempo,
mas digo-vos:
o meu nome é Júlia
desde os romanos que é Júlia.
Não insistam: dizem que
escrevi livros
que abracei netos
que soube que há
sofrimento e morte,
mas não insistam.
Por favor não insistam.
O meu nome é Júlia.
Desde os romanos que o meu nome é
Júlia.
Amores sem tempo,
ternuras sem medida,
esperanças sem espera,
utopias leves para não
incomodar o vizinho,
a corredoura mátria,
as ruas pequenas
que a memória tornou maiores.
Não insistam que eu repito:
sou a Júlia
Júlia desde os tempos dos romanos,
quando ser Júlia
era olhar o Mundo
sem ter medo dele.
Júlia, nada mais tenho para lhe oferecer, além deste momento de terna amizade. Parabéns.
Às Cobrideiras de Amêndoa de Moncorvo
Um dos ex-libris de Torre de Moncorvo é a famosa "amêndoa coberta", isto a par do trabalho do ferro e, em termos monumentais, da igreja matriz da vila. A confeitaria da "amêndoa coberta" está enraizada nesta terra talvez há mais de 200 anos, com referências documentais desde há cerca de século e meio.
Assim, e ainda em jeito de homenagem à Drª. Júlia de Barros Guarda Ribeiro, para os moncorvenses Júlia Biló, aqui vai mais um poema, este de sua autoria, dedicado às cobrideiras de amêndoa de Torre de Moncorvo:
À COBRIDEIRA DE AMÊNDOA DE MONCORVO
(à memória de minha mãe e de todas as cobrideiras de amêndoa)
Ninguém sabe nem pressente
Que de teus dedos ardidos
Brota o tom luminescente
Do açúcar feito flor
Das doces rosas-amêndoas.
Ninguém sabe nem pressente
Que de tuas mãos fortes e hábeis
Brotam as pétalas-bicos
Brotam as pétalas frágeis
Das doces amêndoas-rosas.
Ninguém sabe nem pressente
Que de teus gestos sofridos
Repetidos, sempre iguais
De incompleto remar
Brotam como espuma do mar
As doces rosas-amêndoas.
Horas sem minutos,
Dias sem nomes,
Anos que teu ventre calcinaram
No teu corpo dolorido.
Do teu salgado suor
Do teu esquecido labor
Nasceram as amêndoas-rosas
As doces rosas-amêndoas
Amêndoas do teu amor.
Júlia de Barros Biló (1954), in: Somos poeira, somos astros, Magno Edições, 2000, págs. 52-53
Parabéns Júlia!...
Permitam-nos os nossos leitores e visitantes que aqui felicitemos a nossa Colaboradora e Amiga, a professora e escritora Drª. Júlia Biló, por ocasião da celebração do seu aniversário (hoje, 17 de Agosto), com um grande abraço dos Amigos Blogueiros, que lhe desejam as maiores felicidades e muitos anos de vida!... Os nossos sinceros Parabéns!
I
As doceiras de Moncorvo
Tinham fama em todo o lado
Nas festas de povo em povo
Moncorvo estava representado
II
Eram as doceiras nas festas
Uma forte tradição
Vendendo amêndoas cobertas
Que se compravam como recordação
III
Onde houvesse romarias
Lá estavam as doceiras
Com as suas doçarias
Para servir as romeiras
IV
Bom era o licor de canela
Bebido pela garrafinha
Acompanhando com ela
Uma súplica docinha
V
Económicos e rebuçados
As amêndoas e o licor
Pelos romeiros eram comprados
Por ser bom o seu sabor
A toalha que cobria a mesa
Branquinha e bem passada
Sujava-se na certeza
Quando a festa estava animada
VII
Também tinham o seu pregão
Que tinha a sua piada
A tia Antónia Biló então
De todas era a mais engraçada
Toda a gente se ria com ela
Como ela também se ria
Vendendo o seu licor de canela
E os bons doces que fazia
IX
Moncorvo tinha doceiras
Alegres e divertidas
Honradas e trabalhadeiras
Que não podem ser esquecidas
X
As doceiras vão acabando
Nas festas não se vêem mais
Mas é bom ir recordando
Coisas que eram boas demais
Autor: J. M. Remondes
domingo, 16 de agosto de 2009
15 de Agosto - Festas da Vila e do Concelho
15 de Agosto. Dia de Festa na vila, a qual se pretende representantiva de todo o concelho. Que de todo o concelho, de toda a região, e de toda a "estranja" convergem os povos para verem a procissão passar, e, no fim, para se divertirem até horas tardas.
Aqui fica uma brevíssima reportagem de momentos processionais, aguardando outros contributos mais:
Pela Avenida Engº Duarte Pacheco (antiga rua do Cabo), não poderia nunca faltar o andor de Santo Isidro, padroeiro dos campos da Vilariça, outrora transportado num carro puxado por uma junta de bois, o qual foi substituído há já uns bons anos por um tractor. O tabuleiro onde pousa a imagem do Santo é semeado com cereal (é uma sementeira natural, nada de plástico!), evocando as antigas searas da Vilariça, que cabia ao Santo proteger, desde a sua capelinha, situada na Qtª. da Portela.
O Orgulho de ser Moncorvense... - Na cartela da direita, levada por um anjinho, lê-se: "Rainha dos Céus, padroeira de Torre de Moncorvo". E à esquerda, a menina assume: "Eu sou Moncorvense"! As cores azul e branco das crianças-anjos evocam as cores celestiais da Senhora da Assunção, que vem já atrás, em grande andor, puxada por mais um tractor.
Já passaram os outros andores, mais pequenos, levados pelos devotos em promessa. Passa a multidão, enquanto outros assistem, até se integrarem no cortejo. Rostos devotos, compenetrados, carinhas larocas também, eis que aqui estão, cumprindo a tradição, passando, ou vendo passar a procissão...
Duas horas depois, um longo circuito que já torneou a vila - Rua do Cabo, avenida dos Combatentes, Avenida João Paulo II, R. Vasco da Gama, R. Constantino Rei dos Floristas, Praça, Rua dos Sapateiros, R. Tomás Ribeiro, Praça (de novo, mas pelo outro lado), Rua das Flores, e chegada apoteótica ao Adro. A multidão reune-se em redor da sua Padroeira.
Nossa Senhora da Assunção, junto ao seu templo, a grandiosa igreja matriz de Torre de Moncorvo. Os mordomos começam a recolher os andores. O da Senhora é o último, ficando em apoteose no adro, enquanto dos devotos colhem flores e deixam ainda alguns donativos, promessas cumpridas, ou pedidos para mais um ano de boa sorte, boa saúde, para cada um e para os seus...Depois dos acordes finais, também os músicos se despedem. Cai a noite e a Rainha dos Céus despede-se dos fiéis que a vieram venerar. Mais um ano. Mais uma vez a Tradição se cumpriu.
Finda a procissão, fica a igreja e o antigo Rossio de Torre de Moncorvo (hoje Largo General Claudino), com as suas esplanadas já preparadas e à espera do cumprimento de outra tradição - esta, mais de cariz nocturno...
sábado, 15 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Mostra-me ( sobre su ave)
Mostra-me o mundo que se estende das tuas mãos
Porque há certamente mundos para além das tuas mãos
Desvenda-me os segredos, os silêncios, as coisas
Ensina-me a olhar para lá dos meus olhos
Que já não vêm mais do que o imperfeito
A sombra inacabada dos montes e o ocaso
De algumas tardes que guardo nos meus desenhos
Uma fresta de luz na portada, nada mais
Uma ave que se despede ao anoitecer
Um choro, uma palavra, um canto
Um breve frio no rosto, diria uma memória, talvez
Mostra-me os recantos habitados
A minha casa, o fogo da lareira,
O riso dos meninos, a larga praça por onde se abrem as vozes
Que por vezes ainda julgo ouvir
Mostra-me a curva fluvial e os salgueiros
Que se debruçam sobre o meu corpo
Agora e aqui
Mostra-me
Para que eu possa partir outra vez
14 de Agosto 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Capela da Senhora da Teixeira (Frescos)
Aqui fica um olhar fotográfico que nos foi enviado por Leonel Brito (autor das fotografias e da apresentação) sobre as pinturas a fresco do ermitério de N. Sª. da Teixeira, próximo de Sequeiros (freguesia de Açoreira).
terça-feira, 11 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Aconteceu no Museu: palestra em jeito de balanço sobre o Património concelhio
Como foi anunciado, realizou-se no sábado passado, dia 8 de Agosto, no auditório do Museu do Ferro e no contexto da Exposição "VESTÍGIOS...", a palestra sobre o Património Arqueológico e Arquitectónico do concelho de Moncorvo. A sessão foi presidida pelos representantes do município (Sr. João Rodrigues, em representação do Sr. Presidente da Câmara) e do PARM (Engº. Afonso Calheiros e Menezes, Presidente da Direcção), tendo-se seguido as intervenções do Sr. Prof. Doutor Adriano Vasco Rodrigues, Sr. Norberto Santos e Drs. Nelson Campos e Rui Leonardo.
Tendo presente o Inventário Arqueológico do Concelho de Torre de Moncorvo revisto e actualizado, o qual foi entregue ao Município para inclusão no capítulo respectivo do novo PDM, o objectivo essencial desta sessão foi o de se fazer um balanço (ainda que necessariamente breve e muito preliminar) do estado dos conhecimentos sobre o património arqueológico e arquitectónico existente (e identificado até à data) no nosso concelho. A partir daí, tentou-se traçar um quadro da ocupação humana do território em que nos situamos (que obviamente não se confina às fronteiras artificiais do concelho), pelo menos nos últimos 5.000 anos, já que os dados para épocas anteriores são bastante escassos.
Assim, a palestra visava dar um pouco mais de substância à Exposição "VESTÍGIOS...", funcionando como seu complemento, ou como outra face de uma mesma moeda, tendo em vista a organização de uma futura sala de Arqueologia & História, prevista desde o início, nos espaços do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo.
Para saber mais, ver: http://parm-moncorvo.blogspot.com/2009/08/palestra-sobre-patrimonio-do-concelho.html
domingo, 9 de agosto de 2009
Luar-dos-Montes
Momento registado enquanto um cãozito, encostado à máquina fotográfica, ladrava à Lua. Não conseguiu os seus intentos, mas emprestou ao cenário uma musicalidade magnífica.
sábado, 8 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Em tempo de férias, comece por aqui!...
Algures em Trás-os-Montes, a Norte do Douro, próxima do rio Sabor e do extenso vale da Vilariça, aninhada junto à serra do Roborêdo (em cuja extensão jazem milhões de toneladas de minérios de Ferro), fica a nobre villa da Torre de Moncorvo.
Uma terra cheia de tradições e de História, à cabeça de um concelho composto por 17 freguesias onde há muitos pontos de interesse para descobrir! Eis a nossa proposta para as suas férias.
Deverá começar a sua visita pelo Posto de Turismo, situado na antiga Casa da Roda dos Expostos, onde outrora se metiam as crianças enjeitadas. Ali lhe poderão explicar melhor esta história dramática, a que a legislação social do século XIX em boa hora pôs fim. A partir desse local, no centro do bairro do Castelo (o burgo medieval), o visitante poderá explorar o resto da vila e partir à descoberta do concelho...Festas da vila e do concelho, com o ponto alto no dia 15 de Agosto.
Não se esqueça: neste Verão, visite Torre de Moncorvo e sua região!
(fotos de N.Campos e João Pinto V. Costa)
Palestra sobre o património do concelho de Torre de Moncorvo
Realiza-se no próximo dia 8 de Agosto (sábado), pelas 16;00 horas, uma palestra sobre o património arquitectónico e arqueológico do concelho de Torre de Moncorvo, a qual terá lugar no auditório do Museu do Ferro & da Região de Moncorvo, sendo oradores os membros do PARM Nelson Campos (também encarregado do Museu) e Rui Leonardo. Serão oradores convidados os Senhores Professor Doutor Adriano Vasco Rodrigues e Norberto Santos (em representação de seu pai, Professor Doutor J.R. dos Santos Júnior). Deverão presidir à sessão o Senhor Presidente do Município, Engº. Aires Ferreira e o Senhor Engº. Afonso Calheiros e Menezes.
Os interessados poderão aproveitar para visitar a exposição "Vestígios..." patente no mesmo local das conferências.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Café com Sabor Artes regressa no Verão de 2009
A Escola Sabor Artes promove durante o Verão “ Café com Sabor Artes”. Este ano a iniciativa começa na primeira segunda-feira do mês de Agosto, dia 3, com o espectáculo “ Fado a duas Vozes” de João Chora e Elsa Gomes e termina na última segunda-feira, dia 31 de Agosto, com um espectáculo apresentado pelas classes da Escola Sabor Artes. No dia 17 Agosto vão subir ao palco “ As Divas”, Lyana, Silvana, Rute e Inês e no dia 24 de Agosto actuam os “Lucky Duckies” que vão trazer ao público moncorvense os clássicos dos anos 50 e 60.
“Café com Sabor Artes” realiza-se no Jardim Dr. Horácio de Sousa e os concertos iniciam-se à 22 horas. Uma iniciativa diferente que promete animar as noites de Verão em Torre de Moncorvo.
Programa:
3 Agosto – “Fado a Duas Vozes” - João Chora e Elsa Gomes
17 Agosto – “Las Divas” – Lyana convida Silvana, Rute e Inês
24 Agosto – “Lucky Duckies” – Clássicos dos anos 50 e 60
31 Agosto – “Classes da Escola Sabor Artes”
Fonte: Câmara Municipal de Torre de Moncorvo
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Tuna Popular da Lousa brilhou em Sendim (terras de Miranda)
Foi um verdadeiro sucesso a actuação do grupo de cordas conhecido por "tuna popular da Lousa", no passado sábado, ao fim da tarde, em Sendim (terras de Miranda), no contexto do programa do 10º festival intercéltico.
O concerto, inicialmente previsto para o largo da igreja matriz de Sendim, acabaria por se realizar no pavilhão conhecido por "Taberna dos Celtas", por receio de aguaceiros.
Os compenetrados músicos das terras moncorvenses estiveram no seu melhor, executando com mestria o seu repertório e trazendo a este festival um tipo do sonoridades aqui pouco habituais - é que enquanto o mundo do Alto Trás-os-Montes se manteve arreigado às flautas pastoris e gaitas de foles, as tunas rurais ou populares, se bem que disseminadas um pouco por toda a parte nos finais do século XIX-inícios de XX, parecem ter-se fixado mais na orla duriense, pelo menos em termos de sobrevivência, num arco que abrange os contrafortes do Marão (Baião, Amarante, Vila Real), tombando depois para o Douro, nomeadamente Régua, Santa Marta de Penaguião (Carvalhais), etc., como se sabe pelo magistral estudo de José Alberto Sardinha ("Tunas do Marão", 2005) e outros trabalhos de investigação, tais como o "Grande Cancioneiro do Alto Douro" (vol. 2) de Altino M. Cardoso e J.Pierre Silva.
Como já se disse, a música das tunas rurais ou populares (também por vezes denominados orquestras populares, orquestras típicas, conjuntos típicos), situa-se num território cultural em que o tradicional ("popular") e o erudito se cruzam, com alguns músicos que sabem escrever/ler pautas e outros que, em outros tempos, compunham alguns temas ("música de autor").
E para que conste, aqui ficam os nomes dos músicos presentes em Sendim, com indicação dos respectivos instrumentos:sábado, 1 de agosto de 2009
Ainda se colhe cereal na Vilariça
Tendo em conta a feritilidade dos terrenos da Vilariça, é de supor que desde tempos imemoriais este vale tivesse sido o grande celeiro regional. A quantidade de vestígios romanos que aí se encontram são um indício disso mesmo, sendo possível que daqui saísse muito cereal para alimentar as legiões romanas estacionadas noutras paragens.
Também sabemos que a base da alimentação medieval, até ao séc. XIX (antes do incremento da batata), foi o cereal - trigo ou centeio. E se este era confinado às terras mais pobres, já o trigo era semeado nas terras boas, mais férteis, como era o caso da Vilariça.
Aquando do famoso "alardo" promovido pelo mestre de Avis (D. João I) nos campos da Vilariça, já depois de Aljubarrota, diz o cronista Fernão Lopes que o vale estava repleto de "pães" (designação genérica dada ao cereal) já quase amadurecidos. Foi no mês de Maio de 1386.
Uma máquina ceifeira-debulhadora ao fundo e os fardos já prontos a carregar... (foto N.Campos)Ainda no séc. XIX e XX o cereal ocupava uma boa parte das terras do vale, tendo vindo a perder terreno, nos últimos decénios, em favor do plantio da vinha e de algumas árvores fruteiras. Hoje praticamente não se vê uma seara no vale, pelo que nos despertou a atenção e curiosidade ver uma ceifeira-debulhadora em acção, nos inícios de Julho, nas proximidades das Cabanas de Baixo, entre a estrada municipal e o rio Sabor. O lavrador era das Cabanas, e diz que só ainda faz por cereal sobretudo por causa da palha. Que o grão dá pouco e cada vez menos... Encontrámo-lo a carregar os fardos na sua carroça, ainda puxada pelo fiel e tradicional "matcho"... Uma imagem rara nestes princípios de séc. XXI. Esperemos que com esta "crije" sem fim, este meio de transporte ecológico não venha a ser mais utilizado (atendendo ao preço dos combustíveis) e não tenhamos que voltar a ver o crescimento das searas, se quisermos o pão para a bucha!....
Um ramo de aromas 















